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  • Confusão na Unicamp: veja as versões do professor e dos estudantes envolvidos em briga

    Confusão na Unicamp: veja as versões do professor e dos estudantes envolvidos em briga

    Alunos afirmam que docente usou faca para ameaçá-los, enquanto professor diz que usou o armamento para se defender. Confusão foi na manhã desta terça-feira (3), durante uma manifestação.

    Na manhã desta terça-feira (3), um professor e estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se envolveram em uma confusão durante uma manifestação.

    Os alunos afirmam que foram agredidos e ameaçados com uma faca, enquanto o docente alega que usou o armamento para se defender.

    A reitoria da instituição repudiou o ato e informou que a conduta do funcionário Rafael de Freitas Leão será averiguada (veja a nota completa abaixo).

    Como e quando a confusão começou?
    A confusão teria começado por volta das 7h, dentro da instituição, quando os estudantes visitavam as salas de aula para chamar outros alunos para uma paralisação.

    Aprovada em uma assembleia estudantil no dia anterior, a manifestação foi realizada em forma de apoio às greves que ocorrem desde o início da manhã em São Paulo.

    Gustavo Bispo, que tem 20 anos e é diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE), disse ter sido o primeiro alvo das agressões. À EPTV, afiliada da TV Globo, ele contou que o professor agiu com violência logo que entrou na sala para explicar os motivos da paralisação.

    “A gente ia dialogar pedindo para esses professores cancelarem as aulas. Eu cheguei na sala primeiro do que ele, parei na porta e falei: ‘professor, podemos conversar, posso explicar pra vocês essa paralização?’. Não houve nem resposta. Ele já falou: ‘sai da minha frente’”, afirma.

    “[O professor] agarrou meu braço imediatamente. Eu, único estudante negro que estava naquela sala. Ele me jogou no chão, com os ombros, empurrando, sacou o canivete e tentou me esfaquear. Consegui jogar a cadeira em cima dele e consegui correr”, afirma.

    De acordo com o boletim de ocorrência, o estudante João Gabriel Cruz disse à polícia que participava da paralisação quando viu o professor chegar à sala de aula e Gustavo, na sequência, correr para avisá-lo do ato. João não entrou no prédio neste momento, mas disse que uma estudante gritou avisando que o professor havia sacado uma faca.

    O aluno pediu que os colegas acionassem a segurança. Em seguida, outros estudantes se posicionaram nas saídas, cercando o prédio, para impedir que o docente deixasse o local. Ainda segundo o registro, o professor tentou sair e, por isso, João gritou que ele estava fugindo. Foi então que o suposto agressor foi para cima dele.

    “Eu observei que o professor estava tentando sair de fininho. Eu denunciei para os estudantes, falei: ‘o professor está aqui’. Ele deu meia volta, sacou o spray de pimenta, e avançou na minha direção espirrando o spray de pimenta na minha cara” (o vídeo acima mostra a briga entre o aluno e o professor).

    “Nesse momento, eu consegui segurar a mão dele, derrubar ele e imobilizar. Foi o momento em que os seguranças chegaram, conseguiram separar ele e retirar o armamento que ele tinha”.

    Rafael de Freitas Leão é professor do Instituto de Matemática da Unicamp e disse à polícia que em 2016 sofreu ameaças de alunos. Por isso, carregava um spray de pimenta e faca para se defender. Ao chegar na instituição pela manhã, viu um grupo de alunos se aglomerando na entrada da sala. Ainda segundo boletim, ao tentar entrar na sala, foi abordado por Gustavo, que teria dito que ele não daria aula em decorrência da paralisação.

    No depoimento, Leão diz que o aluno o empurrou e, por esse motivo, pegou a faca e o spray de pimenta. O rapaz teria se afastado e ele guardando o armamento. O docente afirmou que muitos jovens se aglomeraram ao seu redor, incluindo João, que teria chamado os alunos para avançarem contra ele. Por medo de ser linchado, conta que usou o spray de pimenta. Seguranças se aproximaram e o levaram para uma sala, onde esperou a Polícia Militar.

    “Esse professor foi impedido de entrar em sala de aula para ministrar sua matéria de matemática para os alunos. Alguns jovens, ele não sabe precisare de qual curso, mas não é da matéria ao qual ele ministra, o empurraram. Inclusive, ele teve lesão no quadril. Quando caiu ao solo, se levantou e puxou o spray de pimenta. No sentido de não ser linchado, utilizou o spray de pimenta. Ato contínuo, também puxou uma faca”, pontuou o advogado Adilson Junior.

    Nenhum estudante ficou ferido.

    Como o caso foi registrado
    O boletim de ocorrência foi registrado no plantão policial do 1º Distrito Policial como lesão corporal e incitação ao crime, tendo Rafael como vítima e Gustavo como autor. O caso foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal.

    O que diz a Unicamp

    Por meio de nota, a Reitoria da Unicamp informou que repudia “os atos de violência praticados no campus de Barão Geraldo”. Diz ainda que “a conduta do docente, para além do inquérito policial instaurado, será averiguada por meio dos procedimentos administrativos adequados e serão tomadas as medidas cabíveis”.

    “Ressalte-se, ainda, que a Reitoria vem alertando que a proliferação de atos de violência com justificativa ou motivação política não é salutar para a convivência entre diferentes. É preciso, nesse momento, calma e serenidade para que os conflitos sejam tratados de forma adequada e os problemas, dirimidos”.

    Manifestação na Unicamp

    Nesta terça-feira (3), trabalhadores e estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fazem um ato em apoio às greves realizadas em São Paulo. Eles protestam contra a privatização de órgãos estaduais e a precarização das instituições públicas de ensino.

    O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) informou que a manifestação também reforça os pedidos por aumento no vale-refeição, abono e contra a instalação de ponto eletrônico, que motiva uma greve desde agosto.

    Nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) publicou que diversos centros acadêmicos aderiram ao ato. Imagens divulgadas mostram que as entradas dos prédios e o acesso às salas de aula foram fechados com cadeiras (veja a foto abaixo).

    A paralisação também é apoio ao movimento da USP, que pede a contratação de professores. “Uma parte dos estudantes da Universidade aderiu a essa paralisação, com a adesão e apoio também do STU”, disse a Unicamp.

     

  • Funcionários do Aeroporto de Guarulhos protestam contra proibição do uso de celulares nas áreas de carga e descarga

    Funcionários do Aeroporto de Guarulhos protestam contra proibição do uso de celulares nas áreas de carga e descarga

    Ato começou às 03h da manhã e terceirizados dizem que foram obrigados a assinar documentos sobre a restrição, apesar de não concordarem com a decisão. Concessionária GRU Airport diz que iniciou plano de contingência para não prejudicar serviços.

    Funcionários de empresas terceirizadas que prestam serviço para o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, fazem desde o início da madrugada desta terça-feira (03) um protesto contra a proibição do uso de celular nas áreas de carga e descarga dos terminais, durante a jornada de trabalho.

    O ato começou às 03h da manhã e os funcionários dizem que foram obrigados a assinar um documento sobre a restrição, apesar de não concordarem com a decisão da Receita Federal , que foi tomada após a troca de malas com droga que levou duas brasileiras a serem presas erroneamente na Alemanha (veja mais abaixo).

    Os empregados terceirizados relatam que precisam se comunicar com familiares durante a jornada de trabalho, já que têm mães, pais e crianças em idade escolar em casa.

    Eles citam também possíveis emergências que podem surgir e que, sem o uso do aparelho celular para comunicação, ficam sem informações das famílias.

    Durante o protesto, os trabalhadores andaram por várias áreas dos terminais de Guarulhos gritando palavras de ordem como “somos trabalhadores, não bandidos” e pedindo a revisão da norma.

    Por meio de nota, a concessionária GRU Airport, que administra o Aeroporto Internacional de São Paulo, informou que “devido paralisação de parte do trabalhadores terceirizados que prestam serviço no pátio e à greve de metrô e CPTM, nesta terça-feira (03/10), foi iniciada a operação em contingência conforme protocolo pré-definido”.

    Passageiros relataram nas redes sociais que os protestos têm atrasado a entrega de malas e bagagens durante a manhã.

    A concessionária orienta os passageiros a procurarem as companhias aéreas para informações sobre status dos voos.

    Empresas aéreas Gol e Azul informaram ao g1 que os voos não foram prejudicados e as chegadas e partidas das duas empresas estão normais.

    Já a Latam afirmou, por nota, que “voos com origem ou destino em Guarulhos (São Paulo) nesta terça-feira (3/10) podem sofrer atrasos ou cancelamentos em função da manifestação de funcionários terceirizados que realizam as atividades de solo do aeroporto”.

    “Esta é uma situação totalmente alheia à vontade da LATAM”, declarou a empresa.

    Histórico da restrição

    A proibição do uso de aparelhos celular esses áreas foi motivada pelo caso das brasileiras que ficaram presas na Alemanha porque traficantes de drogas trocaram a etiqueta da bagagem.

    O caso levou o aeroporto a mudar os procedimentos na área interna do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. A novidade vai vigorar a partir do mês que vem.

    As áreas por onde circulam as milhares de bagagens e mercadorias que passam diariamente pelo maior aeroporto do país sempre foram motivo de preocupação para as autoridades, mas, nos últimos dois anos e meio, isso se intensificou.

    Nesse período, a Polícia Federal prendeu mais de 100 funcionários terceirizados que trabalhavam no local – a maioria por tráfico de drogas.

    “Eles aliciam pessoal assim que eles são contratados e, muitas vezes, eles já são aliciados antes da contratação. Tem casos de que um funcionário, que já faz parte da organização, acaba indicando um colega ou um amigo; alguém que, depois, a gente descobre que também está traficando”, contou Felipe Lavareda, delegado do aeroporto de Guarulhos.
    Um desses casos aconteceu em março: duas brasileiras de Goiânia, que fizeram conexão no Aeroporto Internacional de São Paulo, foram presas na Alemanha depois que um funcionário colocou as etiquetas de identificação da bagagem delas em duas malas carregadas com 40 quilos de cocaína.

    Katyna Baia e Jeanne Paollini passaram mais de um mês na cadeia até que a justiça alemã reconheceu as provas enviadas pelo governo brasileiro de que elas eram inocentes.

    “Esse fato foi péssimo. Foi para a imagem do país; principalmente para as duas brasileiras foi muito ruim. Mas trouxe uma facilidade do entendimento que a gente precisa ser mais assertivo nas ações. A facilidade que a gente tem com a tecnologia no dia a dia, infelizmente, as quadrilhas também se utilizam dessas facilidades, o que obviamente dificulta a atuação das autoridades”, explica Mário De Marco, auditor fiscal da Receita Federal e delegado da Alfândega do aeroporto de Guarulhos.

    Na ocasião, a Polícia Federal descobriu que os traficantes usaram o celular para combinar a troca das etiquetas. A partir do mês que vem, o uso de telefone celular por funcionários em pontos mais sensíveis do terminal de cargas será proibido.

    “Aqui é área sensível. Aqui, nós precisamos garantir que nenhuma informação saia desse ambiente”, mostra André Luiz Gonçalves Martins, delegado-adjunto da Alfândega da Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos.
    Nas áreas restritas do terminal de passageiros e no pátio dos aviões, dois locais de fluxo das bagagens, só poderão ser utilizados aparelhos autorizados pelas empresas. Eles não podem ser usados para fins pessoais e o registro de fotos e vídeos deverá bloqueado.

    “Essa é uma área também muito importante de segurança do aeroporto e, para que se garanta a integridade da mala do viajante, é importante que se restrinja a captação de imagens e a comunicação entre as pessoas que aqui trabalham”, ressalta André.

    Mesmo em um lugar vigiado por mais de 2.500 câmeras, ainda existem pontos cegos. Em um documento encaminhado na semana passada à Receita, ao Ministério Público e à administração do aeroporto, a Polícia Federal apontou uma série de falhas no monitoramento do terminal e recomendou a instalação imediata de mais câmeras.

    O procurador da república Guilherme Rocha Göpfert acompanha as discussões sobre a segurança do aeroporto e quer que a concessionária que administra o terminal se comprometa a fazer esse e outros ajustes o quanto antes, para que o drama das brasileiras presas injustamente na Alemanha, não volte a acontecer.

    “Se teve essa falha, o que o MPF faz? Chama a Polícia Federal, chama a Receita Federal, chama a concessionária – todos os órgãos envolvidos – e cobra a responsabilidade de cada um. O que a gente busca aqui? Que esse sofrimento que foi passado, essa situação, essa tragédia que foi vivida por essas brasileiras, elas valham para que tragédias como essas não mais se repitam”, afirma Guilherme.
     

  • Pastor ataca imagem de Nossa Senhora Aparecida durante culto no interior de SP

    Pastor ataca imagem de Nossa Senhora Aparecida durante culto no interior de SP

    Ataques de intolerância religiosa ocorreram durante um culto na Igreja Vida Nova, em Bastos (SP); pastor chamou a imagem de “Satanás fantasiado de azul”. Escultura foi instalada pela prefeitura que disse respeitar todas as religiões.

    Um pastor evangélico causou polêmica ao atacar uma escultura de Nossa Senhora Aparecida colocada na entrada da cidade de Bastos, no interior de SP.

    Os ataques de intolerância religiosa ocorreram durante um culto na Igreja Vida Nova e foram transmitidos em uma live no último domingo (1º).

    No vídeo, o pastor Sérgio Fernandes critica a prefeitura da cidade por ter colocado uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e afirma que ela não representa o município. 

    “Aquela imagem não nos representa. Não tem nada a ver com a gente. Eu estou indignado. Estou conversando com pastores, com pessoas, porque eu estou indignado em usar o dinheiro público para fazer aquilo que fizeram”, afirma.

    Na sequência, o religioso continua com a crítica afirmando que outros símbolos poderiam representar a cidade, que é reconhecida como a “Capital do Ovo” e tem forte influência da imigração japonesa.

    “Quando a pessoa entra em Bastos, e olha lá a bandeira do Brasil, a bandeira do Japão, o obelisco(…) beleza, é cultura japonesa. Parabéns, nos representa.”

    Neste momento, o pastor evangélico passa a atacar a imagem da santa, chegando a chamá-la de “satanás fantasiado de azul”.

    “Põe ovo, põe galinha, põe o que quiser, mas não vem pôr o Satanás fantasiado de azul na entrada da cidade”, diz o pastor.

    Ainda no vídeo, o pastor Sérgio Fernandes diz que não irá aceitar a permanência da imagem de Nossa Senhora no local. “[Ela] só traz maldição para a nossa cidade. Aquilo lá é ponto de contato com o inferno(…) Todo espírito de idolatria não vai ficar aqui, eu não aceito”, finaliza.

    O g1 entrou em contato com o pastor, que afirmou que irá se manifestar “em momento oportuno”.

    O que diz a Prefeitura de Bastos?
    Em nota, a prefeitura de Bastos afirma que “entende que todas as religiões devem ser respeitadas” e, “pensando em criar um espaço harmônico entre evangélicos e católicos”, instalou na entrada da cidade uma estátua em homenagem à Nossa Senhora Aparecida e outra em homenagem à Bíblia, que representaria a comunidade evangélica.

    “O local passaria a ser um ponto para ambas as religiões poderem usufruir”, diz o comunicado. Os projetos ainda não foram concluídos, mas as esculturas já estão à mostra para o público.

    Ainda no comunicado, a Prefeitura afirma “repudiar todo e qualquer tipo de intolerância religiosa”.

     

  • Caso Letícia: cinco anos após o crime, acusado de estuprar e matar filha esfaqueada segue foragido

    Caso Letícia: cinco anos após o crime, acusado de estuprar e matar filha esfaqueada segue foragido

    Letícia Tanzi foi morta pelo pai, que havia acabado de deixar a prisão, no dia 3 de outubro de 2018, em São Roque (SP). Menina havia denunciado o homem por estupro. Em junho de 2021, Horácio Nazareno foi incluído na lista dos criminosos mais procurados de SP.

    O caso de Letícia Tanzi, uma adolescente de 13 anos morta a facadas pelo pai que havia acabado de sair da prisão, completa cinco anos nesta terça-feira (3). Mesmo incluído na lista dos criminosos mais procurados do estado de São Paulo desde junho de 2021, o suspeito, Horário Nazareno Lucas, continua foragido.

    Letícia foi morta a facadas em casa horas depois de o pai ter deixado a prisão, onde cumpria pena por estupro contra a cunhada. Durante o período em que ficou preso, ele foi denunciado pela filha pelo mesmo crime.

    Ao sair da penitenciária, com o benefício de recorrer da primeira acusação de estupro em liberdade, Horácio foi para casa tentar convencer a adolescente a retirar a denúncia. A jovem se recusou e foi esfaqueada várias vezes por ele.

    De acordo com a investigação, o inquérito foi concluído e a prisão preventiva de Horácio foi decretada, na época. No entanto, falsas denúncias e pistas baseadas em boatos de moradores levaram os policiais a dezenas de buscas em vão em cidades da região.

    A maioria das pessoas afirmava ter visto Horácio com barba, boné e andando em uma estrada rural. Há relatos também de supostas andanças em matas de São Roque e Mairinque (SP).

    Contudo, em nenhuma das situações ele foi encontrado. Como nasceu e foi criado na região, Horácio tinha conhecimento de trilhas na mata densa de São Roque.

    Denúncias sobre a localização do homem podem ser feitas pelo telefone 181 ou direto com o setor de capturas, pelo número (11) 3311-3021. Não é preciso se identificar.

    Crime

    Segundo a Polícia Civil, Letícia estava em casa no dia 3 de outubro de 2018, quando Horácio foi até o imóvel depois que recebeu o alvará de soltura.

    Enquanto ele esteve detido, a jovem o denunciou à polícia, alegando que era violentada por ele desde 2017. Horácio, então, foi até a casa da filha com o objetivo de convencê-la a retirar a denúncia de estupro, conforme relato da mãe.

    A mulher disse também que Horácio estava calmo, mas a situação mudou quando a menina se negou a voltar atrás em relação à queixa.

    Buscas na mata

    O crime sensibilizou moradores da cidade e reuniu uma força-tarefa de buscas com equipes da Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Civil Municipal para encontrar o suspeito, que fugiu em direção a um matagal.

    A floresta na região é constituída de árvores altas e copas desenvolvidas com muitos arbustos, o que dificulta o trabalho da polícia. Além disso, tem diversas nascentes.

    A extensão da floresta no entorno de São Roque faz limite com outros municípios. Quem conhece a área pode ter acesso à Rodovia Castello Branco e chegar a Araçariguama (SP).

    A Guarda Municipal de Itupeva (SP) foi acionada e usou cães farejadores para tentar encontrá-lo. Inclusive, o cão Max, da raça Bloodhound, chegou a identificar o odor de Horácio em trilhas, mas o homem segue foragido.

     

     

  • Passageiros relatam preço alto em transporte por aplicativo e lotação em ônibus em dia de greve de trens e metrôs em SP

    Passageiros relatam preço alto em transporte por aplicativo e lotação em ônibus em dia de greve de trens e metrôs em SP

    Categoria iniciou greve de 24 horas nesta terça (3) em protesto contra privatizações da CPTM, Metrô e Sabesp propostas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    Os passageiros que acordaram cedo na madrugada e manhã desta terça-feira (3) encontraram os portões fechados em algumas estações de trens e metrôs de São Paulo em razão da greve da categoria. Com essa realidade, eles tiveram de enfrentar ônibus lotados para chegar aos seus trabalhos.

    Outros encontraram os preços dos transportes por aplicativo triplicarem por causa da paralização nesses transportes públicos. O g1 e a TV Globo conversou com os usuários. Veja abaixo os relatos deles.

    Um passageiro que não quis se identificar informou que uma corrida por transporte por aplicativo do Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, até o Brooklin, na Zona Sul, que em média custava R$ 53, disparou para cerca de R$ 155 nesta manhã. Além disso, os usuários contaram que muitos chamados não eram completados.

    A reportagem procurou a 99 Táxi, operadora do aplicativo relatado pelo usuário, para comentar o assunto e aguarda um posicionamento. Outras operadoras também praticavam preços abusivos, segundo passageiros.

    Funcionários iniciaram greve de 24 horas nesta terça (3) em protesto contra privatizações da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Metrô e Sabesp (companhia de abastecimento de água) propostas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os três órgãos são empresas estatais.

    Em diversas estações o cenário era parecido: pessoas chegando e parando na frente das estações fechadas.

    “Tô tentando chegar no trabalho, faz meia hora que eu tô aqui esperando o ônibus, vamos ver se a gente chega hoje. Uso o metrô todos os dias, acho uma palhaçada, tipo, lutar pelos direitos de uns, infringindo os direitos de outros, muitos outros. Nem vou tentar [transporte por] aplicativo. Se normalmente pra onde eu vou já dá R$ 60, imagina agora. Sem a menor condição”, disse Rafael, que encontrou fechada a Estação Jabaquara do Metrô, na Zona Sul de São Paulo.

    Isso ocorreu também na Estação Itaim Paulista, na Zona Leste em São Paulo (veja foto acima). No local funciona uma estação ferroviária pertencente à Linha 12-Safira da CPTM.

    “Cheguei aqui às 6h da manhã. Eu trabalho de vendedora no Brás, estou pensando, mas não tem como ir, os ônibus estão muito lotados, não tem como chegar lá no Brás. E como que eu vou voltar pra casa? Já avisei [a chefia] que vou ver se consigo ir, mas do jeito que tá não consigo. Eu vou ficar esperando um pouco pra ver se abre, pra gente ir trabalhar”, disse a vendedora Érica.

    O técnico em eletrônica Paulo Silva conversava com colegas do trabalho informando que estava com dificuldades de ir ao serviço nesta terça em razão da greve.

    Ele encontrou a Estação Tucuruvi do Metrô fechada na Zona Norte da capital paulista. No local funciona a Linha 1 Azul.

    “Encarregado entende porque é um funcionário igual a mim. Agora o patrão eu não sei”, disse Paulo sobre como seus colegas receberam a informação de que irá se atrasar para chegar ao trabalho devido à greve. Ele vai tentar ir de ônibus ao emprego.

    Ainda no Tucuruvi, Jeferson disse que não sabia da possibilidade de greve.

    “Eu trabalho na Vila Olímpia [na Zona Sul de São Paulo]. Pior que eu não sei [como chegar no trabalho]. Já perguntei pro pessoal aí e nada, mano, ninguém sabe informar. Eu não tava sabendo sobre a greve, eu vim e fiquei sabendo só agora. Fui pego de surpresa, avisei o encarregado e tudo mais, mas esperar um pouco né, pra ver o que acontece. Eu acho que não vou conseguir chegar.”

    A Estação Mauá, na cidade da Grande São Paulo, também amanheceu fechada por causa da greve. No local funciona uma estação ferroviária, pertencente à Linha 10–Turquesa da CPTM. Do lado de fora, algumas pessoas, aparentemente grevistas, seguravam cartazes em apoio às paralizações.

     

  • Médica de UTI é presa dentro de hospital acusada de desacato por PMs: ‘Fui algemada e pacientes ficaram sozinhos’, diz profissional

    Médica de UTI é presa dentro de hospital acusada de desacato por PMs: ‘Fui algemada e pacientes ficaram sozinhos’, diz profissional

    Caso foi registrado no Hospital Ipiranga, Zona Sul de SP. Segundo testemunhas, uma equipe da PM foi até o local para pedir boletim médico de um policial aposentado, mas médica alegou que estava fora do horário de visita. Na versão relatada pelos PMs, profissional arremessou um documento no rosto de um tenente.

    Uma médica da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Ipiranga, Zona Sul de São Paulo, chegou a ser detida dentro do hospital após ser acusada por policiais militares de desacato, na noite de domingo (1º).

    Testemunhas relataram que uma equipe da PM foi até a unidade para saber sobre o estado de saúde de um policial aposentado que deu entrada na UTI, e pediu o boletim médico. Porém, a médica teria se negado a fornecer as informações por estar fora do horário de visitas.

    Na delegacia, a profissional de saúde afirmou que chegou a ser algemada dentro do hospital e colocada na viatura.

    “Fui algemada e me colocaram no camburão. Me tiraram de dentro da UTI e os pacientes ficaram sozinhos”, afirmou a profissional enquanto estava no 17º DP.

    Já na versão relatada pelos policiais, de acordo com o boletim de ocorrência, a acusação de desacato se deu porque a médica arremessou um documento no rosto de um tenente da PM. O motivo da confusão não foi informado no registro da ocorrência.

    Ainda conforme o boletim, um exame no instituto Médico Legal foi requisitado para constatação de lesão no braço do policial que teria sido causada pela médica.

    Após assumir o compromisso de comparecer perante o Juizado Especial Criminal (Jecrim) quando intimada, a médica foi liberada.

    O que diz a Secretaria da Saúde
    Em nota, a Secretaria da Saúde informou que o Hospital Ipiranga lamenta e que dará total apoio à profissional médica envolvida no caso.

    “De acordo com a Legislação, boletim médico só pode ser passado a familiares, responsáveis legais ou por determinação judicial”.

    O que diz a Secretaria da Segurança Pública
    Em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Militar irá apurar a conduta dos policiais envolvidos na ação. “O boletim de ocorrência foi registrado como desacato e ela foi liberada”.

     

  • Caso Nataly Lily: entenda como será a continuação da audiência de instrução

    Caso Nataly Lily: entenda como será a continuação da audiência de instrução

    Tribunal de Justiça informou que, na segunda parte da audiência, as testemunhas restantes serão ouvidas e os réus serão interrogados. Somente ao final dessa fase será decidido se os réus irão a julgamento pelo Tribunal do Júri.

    A segunda parte da audiência de instrução do caso Nataly Lily acontece no dia 11 de dezembro. A primeira parte aconteceu nesta terça-feira (26). O Tribunal de Justiça informou que em dezembro as testemunhas restantes serão ouvidas e os réus serão interrogados. Somente ao final dessa fase será decidido se os réus irão a julgamento pelo Tribunal do Júri.

    O caso aconteceu em dezembro de 2020, quando Nataly, uma transexual de 23 anos, e uma amiga, também transexual, foram contratadas por um casal para um programa sexual. Elas foram levadas até um sítio na região da Avenida das Orquídeas, entre Mogi das Cruzes e Suzano. No local estavam mais dois homens. Segundo as investigações, as duas foram baleadas no sítio. A amiga de Nataly, mesmo ferida, conseguiu fugir. Já Nataly não foi mais vista.

    Vanessa Silva Vieira, Danilo Nascimento Batista, conhecido como “Cocão”, Caio Cleiton Rodrigues Silva, conhecido como “Branquinho”, e Carlos Renato Rodrigues Silva, conhecido como “Gó”, foram presos por suspeita de participação no desaparecimento da jovem.

    Como o caso tramita em segredo de justiça, não foram divulgados mais detalhes.

     

  • Polícia vai investigar responsabilidade de dono de clínica de reabilitação na morte de interno; é o segundo paciente que morreu no local este ano

    Testemunhas relatam que Onésio Ribeiro Pereira Júnior, de 38 anos, foi agredido até a morte com objetos de madeira; caso foi registrado como homicídio, sequestro, cárcere privado e tortura na delegacia de Embu-Guaçu. Segundo a polícia, este foi o segundo caso de morte registrado na clínica neste ano.

    A Polícia Civil investigará a responsabilidade criminal do dono da clínica Comunidade Terapêutica Kairos Prime, em Embu-Guaçu, após a morte do interno Onésio Ribeiro Pereira Júnior, de 38 anos, na última segunda-feira (25).

    Cinco funcionários, entre 26 e 65 anos, foram presos suspeitos de agredirem o interno até a morte com objetos de madeira, entre eles tacos de sinuca. O caso foi registrado como homicídio, sequestro, cárcere privado e tortura.

    “Testemunhas contaram que a vítima já estava usando camisa de força quando, então, os indivíduos, esses administradores da clínica, iniciaram uma sessão de pancadaria, agressões contra a vítima que, segundo essas testemunhas, eram costumeiramente realizadas com barras de ferro, pés de mesa, tacos de sinuca e cabeceira de uma cama”, afirmou o delegado Júlio Cesar de Almeida Teixeira.

    Na declaração de óbito, segundo apurado pela TV Globo, consta que Onésio sofreu hemorragia subdural disfusa traumática, traumatismo crânio e cefálico e traumatismo raque medular.

    “As lesões que nós encontramos no corpo da vítima não são passíveis de ser imputadas como lesões de fuga. São claramente lesões praticadas por instrumentos contundentes”.

    Ainda conforme a polícia, esta foi a segunda morte registrada este ano na clínica. Em março, um jovem de 27 anos foi achado com marcas de agressão no pescoço. Três pessoas foram presas na época.

    O diretor da clínica Comunidade Terapêutica Kairos Prime, Ueder Santos de Melo, informou ao g1 na terça-feira (26), por telefone, que acompanhará as investigações e disse que os cinco funcionários foram desligados imediatamente.

    “Desligamento total dos funcionários e a Justiça está apurando os fatos. Estou total à disposição da polícia. A unidade nasceu em 2022. É uma unidade nova. Agora, minha preocupação é orientar as famílias. Nunca foi da nossa política ter agressão. Nunca vi como gestor acontecer algo, como muitos estão dizendo. Seria o primeiro a fazer denúncia se visse algo”, afirmou.

    Interdição

    Após a morte de Onésio, a clínica de reabilitação foi interditada pela prefeitura nesta terça-feira (26) por falta de alvará.

    Em nota, a prefeitura informou que, após uma inspeção da fiscalização sanitária, foi verificada a irregularidade do espaço e, por isso, foi determinada a interdição.

    Ainda conforme o Executivo municipal, uma avaliação dos medicamentos presentes no local será feita, solicitando as respectivas receitas.

    Questionada sobre a clínica ter CNPJ ativo desde 2022, a prefeitura esclareceu que o processo de fiscalização é acionado por meio de denúncias ou quando o estado informa a existência de clínicas que precisam ser verificadas.

    “No caso da clínica Projeto Kairos, um fator relevante foi a ausência de sinalização, o que tornou a clínica discreta e, consequentemente, passou despercebida pelas autoridades, operando clandestinamente”, disse a prefeitura.

    Ao g1 e à TV Globo, o diretor da clínica, Ueder Santos de Melo, alegou que estava em processo de regularização e que tinha protocolado todos os documentos solicitando o alvará.

    Morte de interno e prisão de funcionários

    De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), guardas civis realizavam patrulhamento de rotina, quando foram informados de que Onésio Ribeiro Pereira Júnior teria dado entrada já sem vida e com sinais de violência pelo corpo na Unidade Mista de Saúde (UMS) Municipal.

    Os guardas foram até o local e, em contato com os funcionários da clínica, foram informados de que o interno teria fugido e, após ter sido capturado, começou a se sentir mal. Alegaram ainda que, por isso, o homem foi levado até o hospital.

    Porém, segundo os médicos, o interno já havia entrado no hospital sem vida. Com isso, diante das contradições, policiais civis da delegacia de Embu-Guaçu foram até a clínica, onde testemunhas contaram que a vítima teria sido agredida e que o local da agressão havia sido lavado para dificultar o trabalho da perícia.

    Em entrevista à TV Globo, um dos internos relatou que ouviu as agressões. “Espancaram ele de madeira. Amarraram e bateram nele. O meu quarto era em cima do quartinho que ele tava. Nós escutamos tudo…ele gritando: ‘pelo amor de Deus para’. Isso aí não pode ficar assim, não pode ficar impune”, afirmou o rapaz, que terá a identidade preservada.

    ‘Que não fiquei impune’

    Uma parente de Onésio, que prefere não se identificar, contou que ele foi internado no dia 28 de agosto deste ano após ter recaída com uso de drogas. Ele já havia sido internado em 2020.

    “Internamos ele por conta da recaída. O pessoal da clínica foi buscar na casa. Ele era dócil, querido, não era agressivo. Só ia se proteger se batessem nele. Não revidaria nunca”, afirmou

    Ainda conforme a familiar, Onésio havia contraído sarna recentemente e horas antes de ser comunicada sobre sua morte, havia falado com ele sobre como usar o medicamento.

    “Eu falei com ele para ensinar sobre o medicamento. Passou um tempo e me ligaram dizendo que ele queria fugir para ficar com a família. Mas ele não tentou fuga. Foi quando o pegaram e o amarraram. Me ligaram de vídeo e ele chorava muito. Disse que não ia fugir, que só passou na cabeça”.

    “Quando foi por volta das 15h [de segunda-feira], recebi ligação de que ele estava passando mal e foi levado pro hospital. Quando cheguei, eu conversei com médico que recebeu o corpo e disse que ele estava morto há mais de uma hora”.

    De acordo com parecer emitido pela clínica referente à evolução do paciente, ao qual a reportagem teve acesso, foi informado que Onésio apresentava “convivência aceitável com os demais acolhidos, equipe e aceitável adesão ao tratamento por internação” e “demonstrava interesse nos conteúdos abordados”.

    “A gente entrega para que pessoas tirem o vício. É uma clínica paga, com mensalidade, taxas, com consultas psiquiátricas pagas. Gastos chegavam a R$ 2 mil. Ele nunca gritou com ninguém, não fez nada de errado a não ser usar droga. Que isso não fique impune”.

  • Procon-SP pede que 123 Milhas melhore comunicação com clientes e exige resposta de empresa até o final desta terça

    Procon-SP pede que 123 Milhas melhore comunicação com clientes e exige resposta de empresa até o final desta terça

    Órgão quer que agência detalhe informações sobre a suspensão de pacotes e atualize constantemente processo de recuperação judicial.

    O Procon do Estado de São Paulo (Procon-SP) notificou a agência de viagens 123 Milhas para que adote formas mais claras de comunicação no site da empresa.

    A medida, publicada nesta terça-feira (26), prevê que a agência torne mais fácil a visualização de informações sobre a suspensão dos pacotes promocionais e o andamento do pedido de recuperação judicial, fase a fase, com atualização imediata a cada nova situação.

    O prazo para a 123 Milhas aplicar as alterações ou informar como e quando pretende fazê-las vai até o final desta terça-feira (26). Não prestar informações claras e precisas é uma infração ao Código de Defesa do Consumidor passível de penalidades, ressalta o órgão.

    A notificação ainda exige que o site da 123 Milhas contenha explicações sobre a situação dos contratos firmados antes e depois da crise, relacionados a eventuais pedidos de cumprimento da oferta, cancelamento dos serviços com devolução dos valores pagos e suspensão de pagamentos.

    Outra medida solicitada pelo Procon-SP é que o site tenha vários canais de atendimento disponíveis para suportar a demanda e a indicação clara de todos eles, cabendo ao consumidor escolher a forma mais adequada para entrar em contato com a empresa.

    “Além do tratamento às reclamações relacionadas à 123 Milhas que foram ou continuam sendo registradas no site do Procon-SP, trabalho que segue normalmente, e dá multa já aplicada à empresa, queremos que os consumidores tenham acesso ao máximo possível de informações”, destacou.

    A ação é importante para que cada um tenha elementos consistentes para avaliar qual o melhor caminho para solucionar suas pendências com a empresa, explicou o diretor Executivo do Procon-SP, Luiz Orsatti Filho.

     

  • Ministério da Igualdade Racial anuncia exoneração de assessora que postou ofensas a torcedores do São Paulo

    Ministério da Igualdade Racial anuncia exoneração de assessora que postou ofensas a torcedores do São Paulo

    Marcelle Decothé era assessora de assuntos estratégicos da pasta. No domingo (24), ela postou foto com a legenda: ‘Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade. Pior tudo de pauliste’. Ministério disse que manifestações estão em ‘desacordo’ com objetivos da pasta.

    O Ministério da Igualdade Racial anunciou nesta terça-feira (26) a exoneração de Marcelle Decothé do cargo de assessora especial de Assuntos Estratégicos da pasta. A medida foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União”.

    No último domingo (24), Marcelle Decothé publicou em uma rede social ofensas contra torcedores do São Paulo Futebol Clube. São Paulo e Flamengo disputaram no domingo a final da Copa do Brasil. A partida terminou empatada em 1 a 1, mas o tricolor paulista se sagrou campeão, porque havia vencido a partida da ida por 1 a 0.

    Em seu perfil no Instagram, Marcelle Decothé publicou um story – postagem temporária – com foto da torcida do São Paulo no estádio Morumbi.

    A imagem (veja acima) foi acompanhada da seguinte legenda: “Torcida branca, que não canta, descendente de europeu safade. Pior tudo de pauliste”.

    Em nota divulgada nesta terça, o Ministério da Igualdade Racial disse ter “compromisso inegociável com a promoção de direitos e com a igualdade étnico-racial, a partir de princípios como a transparência e o cuidado”.

    E comunicou a exoneração de Marcelle Decothé, para “evitar que atitudes não alinhadas” com o propósito da pasta “interfiram” no cumprimento institucional do ministério.

    Segundo a pasta, as manifestações de Marcelle “estão em evidente desacordo” com os objetivos e políticas do ministério.

    “De acordo com esses princípios, e para evitar que atitudes não alinhadas a esse propósito interfiram no cumprimento de nossa missão institucional, informamos que Marcelle Decothé da Silva foi exonerada do cargo de Chefe da Assessoria Especial deste Ministério na data de hoje. As manifestações públicas da servidora em suas redes estão em evidente desacordo com as políticas e objetivos do MIR”, diz a nota divulgada à imprensa.

    Repercussão
    A publicação gerou indignação entre torcedores do São Paulo e o presidente do clube, Julio Casares, comentou o episódio no Instagram.

    Ele afirmou ter sido “surpreendido negativamente com um ultrajante post” da assessora do Ministério da Igualdade Racial.

    “Algo que vai contra todas as nossas crenças. Em pouco mais de dois anos e meio de gestão, tivemos sempre uma preocupação com a igualdade. Nosso lema é, e sempre será, de que o São Paulo Futebol Clube é de todos, sem haver discriminação de raça, gênero, social ou de qualquer forma”, disse Casares.

    Na publicação, o presidente do São Paulo também cita medidas de enfrentamento ao racismo tomadas pelo clube. Casares também contou que Anielle Franco entrou em contato com ele e pediu desculpas pelo ocorrido.

    “Hoje pela manhã, a Ministra da Igualdade Racial no Brasil, Anielle Franco, em contato telefônico, pediu desculpas pelo ocorrido e explicou que medidas serão tomadas. Como presidente do São Paulo Futebol Clube, torcedor, e, principalmente como cidadão engajado nas causas sociais, seguirei na luta para que situações como essa não se repitam”, afirmou Casares nesta terça.

    Protocolo contra o racismo
    Flamenguista, a ministra Anielle Franco viajou, com uma comitiva em voo da Força Aérea Brasileira (FAB), para São Paulo, onde participou de solenidade de assinatura de um protocolo de intenções para o combate ao racismo e promoção da igualdade racial no futebol.

    O protocolo foi assinado pelos ministérios da Igualdade Racial e do Esporte e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

    A cerimônia ocorreu no último domingo, no estádio do Morumbi, onde Flamengo e São Paulo disputaram a final da Copa do Brasil. A partida também marcou o início da campanha “Com o racismo não tem jogo”.