Tag: São Paulo

  • Após Prefeitura de SP retirar, bandeira LGBTQIA+ é recolocada no Theatro Municipal

    Após Prefeitura de SP retirar, bandeira LGBTQIA+ é recolocada no Theatro Municipal

    Medida gerou revolta e funcionários fizeram abaixo-assinado contra. Nesta quarta (28), dia em que é comemorado o Dia do Orgulho LGBTQIA+, símbolo voltou a fazer parte da fachada.

    A bandeira LGBTQIA+ voltou a fazer parte da fachada do Theatro Municipal, no Centro de São Paulo. Ela foi recolocada na manhã desta quarta-feira (28), data em que é celebrado o Dia do Orgulho LGBTQIA+.

    A bandeira tinha sido retirada pela prefeitura no dia 14 de junho. Tanto funcionários quanto a organização social Sustenidos, responsável por gerir o Theatro, eram contrários à medida.

    Tradicionalmente em junho ela é colocada na fachada como uma das comemorações pelo mês do Orgulho LGBTQIA+.

    Funcionários do Theatro e artistas chegaram a fazer um abaixo-assinado em que pedem que a bandeira seja reposta e afirmam se tratar de um “ataque direcionado à nossa comunidade e a todas as pessoas que defendem políticas de diversidade, ataque este perpetrado pela atual direção da Fundação Theatro Municipal (FTM) de São Paulo”.

    “Desde 2019, as bandeiras são expostas durante todo o mês de junho em comemoração ao mês do orgulho LGBTQIAPN+, tornando-se uma tradição do Municipal e em sintonia com centenas de outros equipamentos culturais, públicos e privados, na cidade de São Paulo e em todo o Brasil”, afirma o texto.

    À época, a secretaria afirmou que “a remoção da bandeira LGBTQIAPN+ se deu pelo fato da rotatividade das atividades do espaço, sendo necessárias alterações constantes em sua fachada, propiciando assim o regular andamento das atividades”.

    E completou: “A SMC destaca que a remoção da bandeira que estava alocada nas estruturas Theatro Municipal foi feita após diversas celebrações em torno dos direitos da comunidade LGBTQIAPN+. Por fim, ressaltamos que o Theatro Municipal de São Paulo é a casa da cultura, a qual possui a pluralidade; de danças, vozes, movimentos, atuações, personificações e diversidade”.

  • Novo Plano Diretor: veja o que muda na cidade de SP com revisão de lei

    Novo Plano Diretor: veja o que muda na cidade de SP com revisão de lei

    Vereadores aprovaram por 44 votos a 11 a revisão do projeto, que segue agora para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Entidades da sociedade civil e grupos de urbanistas se posicionaram contra o texto.

    A Câmara Municipal de São Paulo aprovou na segunda-feira (26) o texto substitutivo da revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) da capital. Foram 44 votos favoráveis e 11 contrários após uma sessão que se estendeu por mais de sete horas. O texto segue agora para sanção ou veto do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

    Um dos principais pontos do PDE é o adensamento populacional, ou seja, a maior concentração de pessoas em um menor espaço de terra. O projeto nasceu com a ideia de tornar a cidade mais densa próxima dos eixos de transporte.

    Para isso, foram estabelecidas regras como: delimitação no número de vagas de garagem e prédios maiores nas intermediações de estações do Metrô e da CPTM, do monotrilho, de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), de Veículo Leve sobre Pneus (VLP) e corredores de ônibus.

    De acordo com a Câmara, foram realizadas 51 audiências públicas, com a participação de mais de 2,5 mil pessoas e mais de mil manifestações durante os encontros e na página online, além de mais de 100 contribuições de vereadores.

    Globo.com: leia as principais notícias do dia
    Após críticas de membros da sociedade civil, o relator da revisão do PDE, o vereador Rodrigo Goulart (PSD), anunciou mudanças ao texto final do projeto que foi votado na segunda. As alterações aconteceram após diversas audiências públicas e protestos; as principais são referentes aos eixos de transporte (veja mais abaixo). Confira:

    Tema    Plano Diretor anterior    1ª versão do texto    Como ficou
    Prédios nos eixos de transporte    Prédios mais altos podem ser construídos num raio de até 600m das estações de trem e metrô    Na 1ª versão do substitutivo, a distância era de 1.000m    Amplia o raio para 700m
    Prédios altos nos miolos de bairros    Construtoras podem fazer prédios com área útil duas vezes maior que a área do terreno, ou seja, uma espaço de 1.000m² pode receber um edifício de até 2.000m²    Amplia o coeficiente para três vezes o tamanho do terreno    –
    Vagas de garagem    É permitida uma vaga de garagem por unidade de apartamento, independentemente do tamanho    É permitida uma vaga de garagem por unidade de apartamento que tenha, no mínimo, 30m²    Para ter direito a uma vaga, os apartamentos nos eixos de transporte devem ter, no mínimo, 60m²
    Fundurb    Construtoras pagam uma taxa adicional (outorga onerosa) para construir empreendimentos maiores    Construtoras poderiam trocar pagamentos para o Fundurb pela realização de obras na cidade    Retorna ao status atual, com pagamento ao Fundurb
    Mirante de Santana    Há uma lei de 1971 que protege o Mirante de Santana de construções mais altas do que ele    Vereadores incluíram um artigo que colocava fim à proteção    Retorna ao status atual, com proteção ao Mirante de Santana
    Fonte: g1
    Entenda como foi o trâmite do PDE:

    Prevista na lei de 2014, a revisão deveria ter sido enviada pelo Executivo em 2021. No entanto, devido à pandemia, o Ministério Público orientou a gestão Nunes a adiar as discussões para 2023;
    Apresentado pela prefeitura em março deste ano, o texto passou por diversas alterações e foi aprovado em 1ª votação no final de maio;
    A versão final do texto substitutivo foi protocolada na Câmara Municipal na última quinta-feira (22);
    Caso sejam sancionadas, as mudanças valem até 2029;
    O projeto pode ser lido na íntegra na página do Legislativo municipal.
    Vereadores de São Paulo aprovam projeto que prevê a revisão do Plano Diretor da cidade
    Vereadores de São Paulo aprovam projeto que prevê a revisão do Plano Diretor da cidade

    Prédios mais altos nos eixos de transporte
    Atualmente, prédios mais altos podem ser construídos num raio de até 600m das estações de trem e metrô;
    O texto substitutivo criticado amplia esse raio para 700m;
    Na versão anterior, a distância era de 1.000m.

    “Quando você amplia, você incide em lugares que antes eram de preservação, de um menor adensamento, e você está ampliando muito onde pode adensar. A gente não tem controle se a cidade suporta esse adensamento todo”, ponderou Joyce Reis, diretora de Políticas Públicas do Instituto dos Arquitetos do Brasil de São Paulo (IAB-SP).

    “O substitutivo amplia quase que o dobro dessa área dos eixos sem justificativa nenhuma. Não é que o mercado não tem onde atuar”, completou.

    Após uma série de debates e manifestações ocorridas nas últimas semanas, o vereador Rodrigo Goulart (PSD) alterou o raio de 1.000m para 700m, mas esta alteração pode ser ilusória.

    “A gente tem que tomar cuidado porque eles também mudaram a base com que isso se calcula. Antes, quando a gente estava falando 1 quilômetro ou 600 metros, eram as quadras que entravam dentro de um raio”, apontou Bianca Tavolari, coordenadora do Observatório do Plano Diretor de São Paulo.

    “Agora, são 700m — e todas as quadras que tocam, mesmo que seja um pedacinho, passam a fazer parte do eixo. Essa alteração pode parecer um recuo, mas, na verdade, tem pouquíssima diferença em relação ao que estava”, explicou.

    Houve mudança também nas regiões próximas a pontos de ônibus:

    Hoje, prédios mais altos podem ser construídos num raio de até 300m dos pontos de ônibus;
    O substitutivo amplia o raio para 400m;
    Na versão anterior, a distância era de 450m.
    Além dessa mudança, Goulart comunicou alterações em outros pontos considerados polêmicos. (confira abaixo)

    Prédios mais altos nos miolos de bairros
    Outro ponto trazido pelo texto substitutivo que é alvo de críticas é o aumento do coeficiente de construção nos miolos de bairros, que são as áreas fora dos eixos de estruturação — normalmente, bairros residenciais com prevalência de casas.

    Atualmente, as construtoras podem fazer prédios com área útil duas vezes maior que a área do terreno;
    O texto do substitutivo amplia o coeficiente para três vezes o tamanho do terreno.
    De acordo com Joyce, esse tipo de verticalização — em áreas que não suportam muito adensamento — pode levar a ruas mais estreitas e um bairro com uma quantidade muito grande de pessoas e de carros.

    Mais trânsito e menos árvores
    Paula Santoro ressalta que a verticalização proposta pelo texto substitutivo privilegia o uso do carro mesmo nos eixos de transporte.

    Segundo ela, a lei anterior tinha o objetivo de concentrar o adensamento construtivo próximo de transportes de alta capacidade e adensar com mudança de modal: “Eu vou morar perto do metrô, não vou ter carro”, exemplificou.

    “Isso ajuda a cidade no congestionamento e em termos de poluição e qualidade do ar, saúde como um todo”, apontou.
    “Agora, essa verticalização vai poder acontecer em qualquer lugar, ou seja, reforçando os velhos modos individuais, motorizados, que estruturaram a nossa cidade dos carros”, afirmou.

    Joyce Reis diz que outro impacto pode ser a mudança da paisagem dos bairros:

    “Lugares que tinham uma morfologia, uma forma das casas, de repente, tudo passa a virar prédio. Aí você mexe na insolação, na quantidade de árvores”, explicou.

    Apartamentos mais caros
    Paula Santoro informou que São Paulo produziu 100 mil unidades de habitação com preço de até R$ 350 mil entre 2014 e 2019;
    No entanto, apenas 15% (15 mil) dessas unidades foram feitas nos eixos;
    E grande parte das unidades produzidas nos eixos eram pequenas e com metro quadrado caro.
    “Das 15 mil, quando estão próximas do transporte, tiveram tanto uma diminuição na sua área — quase metade dessas unidades têm até 25 m², ou seja, não cabe uma família confortavelmente. E elas são caras: o preço praticamente duplicou de 2008 para 2019, mas aumentou quase 40% de 2015 para 2019.”

    “Ou seja, aumentou o preço do metro quadrado e diminuíram de tamanho. Elas não são feitas no quadro de necessidades habitacionais da cidade”, explicou.

    Segundo elas, essas unidades — que podem ser chamadas de “fake habitação social” — contribuem para o encarecimento dos imóveis.

    “Quando a gente produz algumas um pouquinho mais acessíveis, mesmo assim os preços aumentaram, e elas estão longe do transporte, ou seja, a gente segue produzindo no padrão da cidade excludente – pouca moradia para os mais pobres e longe”, disse.

    “O substitutivo propõe aumentar a possibilidade desse adensamento nos eixos, ou seja, ele está aumentando a possibilidade de adensamento para rendas mais altas, e isso tem valorizado esses lugares mais bem servidos de infraestrutura e dificultado cada vez mais o acesso a quem precisa de uma moradia próxima ao transporte, próxima ao emprego.”
    “A grande justificativa dessa revisão é promover mais inclusão. Só que cadê essa inclusão social?”, questionou.

    Bairros históricos em risco
    A representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil em São Paulo contou que bairros com construções históricas e comunidades tradicionais — sobretudo negras — podem ser apagadas com o processo de verticalização. Ela utilizou o exemplo do Bixiga, na região central da capital:

    “Uma área em que o plano vigente já estabelecia maior adensamento nos eixos era no Bixiga, um lugar com inúmeros imóveis de patrimônio histórico que estão em processo de tombamento e uma população negra que é residente há muito tempo ali e que tem uma vulnerabilidade em relação ao aumento do preço de imóveis”, explicou.

    Joyce lembrou que, atualmente, a permissão para construir prédios mais altos atinge três quarteirões em relação à Avenida Paulista, por exemplo, e que a ampliação poderá levar a sete quadras de distância, possibilitando, assim, atingir mais áreas do Bixiga.

    Urbanistas criticam texto
    Mais de 160 entidades da sociedade civil e grupos de urbanistas assinaram uma carta com críticas ao texto substitutivo do PDE. Entre os apontamentos, estão:

    Possibilidade de prédios mais caros próximos às zonas de transporte coletivo;
    Previsão de aumentar as áreas da cidade em que são permitidos prédios mais altos;
    Mais vagas de garagem;
    Falta de estudos que justifiquem as mudanças propostas;
    Possibilidades de prédios maiores nos miolos de bairros, que ficam longe dos eixos de transporte público;
    Substituição de bairros históricos por quarteirões tomados por prédios.
    Especialistas que conversaram com o g1 disseram que as consequências práticas dessas mudanças são diversas:
    Mais trânsito;
    Supressão de áreas arborizadas;
    Supervalorização de imóveis;
    E outros pontos que julgam importantes.
    No entanto, o vereador Rubinho Nunes (União), presidente da Comissão de Política Urbana e favorável às modificações propostas no substitutivo, diz que as críticas são vazias e têm interesse político-eleitoreiro.

    “Qualquer grupo, qualquer entidade tem a prerrogativa de se manifestar, firmar termos públicos favoráveis ou contrários a projetos que tramitam na Câmara. O que me espanta é que eu vejo uma grande crítica vazia em tudo que vem quanto ao Plano Diretor, até num sentido de desinformação, especialmente por parte dos grupos que se autointitulam como técnicos”, afirmou Rubinho. (leia mais abaixo)

    Em nota, a prefeitura da capital informou que “o município realizou um processo participativo amplo, democrático e transparente para discutir os ajustes no Plano Diretor” e que, em 329 dias de revisão no âmbito do Executivo, foram realizadas 91 atividades participativas, que resultaram em mais de 12 mil contribuições”. (leia íntegra abaixo)

    Falta de justificativas
    Joyce destaca que as propostas apresentadas no texto substitutivo do Plano Diretor não têm as justificativas necessárias para se tornarem lei.

    “São coisas muito novas, num curto espaço de tempo, sem justificativa. É péssimo tecnicamente e politicamente, porque não tem avaliação que justifique e não tem estudos que mensurem o impacto”, afirmou.

    Já a arquiteta e urbanista Paula Freire Santoro, coordenadora LabCidade, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o projeto não atinge seu devido objetivo:

    “Tem sido um instrumento de regulação do mercado imobiliário. Ele está muito distante da cidade real — ele não planeja o bairro, não conhece os problemas da população mais pobre, não pensa como vai ser a chegada de infraestrutura nos bairros que não tem.”

    O que pensa o presidente
    da Comissão de Política Urbana
    “A gente vê um desconhecimento muito grande na questão dos eixos, justamente porque, quando a gente para analisar a prerrogativa inicial do Plano Diretor vigente, era justamente o adensamento de eixos. Mas eles falharam nesse sentido e agora nós passamos a promover o adensamento de eixos com ampliação que vai ser definida em locais específicos, não na cidade como um todo, como eles fazem crer”, afirmou Rubinho Nunes, presidente da Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal

    Rubinho disse que os grupos que criticam o texto substitutivo “ignoram esses avanços com uma crítica exclusivamente política, de alguém que não entende a dinâmica de mercado, o crescimento da cidade e a necessidade de uma revisão que tem um olhar para o mercado, mas também para a população mais pobre da cidade de São Paulo, visando à modernização da cidade”.
    “Se eles tivessem participado das audiências públicas, como se dedicaram a fazer fóruns politiqueiros com os próprios eleitores, eles teriam percebido que o debate foi bastante amplo”, reforçou.

    O que diz a Prefeitura de São Paulo
    Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), disse que reafirma que o Município realizou um processo participativo amplo, democrático e transparente para discutir os ajustes no Plano Diretor.

    “Desde 2014, a população pode acompanhar pela internet a aplicação do Plano Diretor pela plataforma de monitoramento do PDE no site Gestão Urbana. Ela foi desenvolvida pela Prefeitura para dar transparência e informar sobre o andamento do Plano Diretor, disponibilizando dados para diversos indicadores.

    Durante a Revisão Intermediária, a Prefeitura também criou um site específico para o processo revisional e, a partir dele, a população pode se informar, em tempo real, sobre agenda de reuniões, relatórios e documentos produzidos pelo Município para esclarecer e subsidiar os debates sobre os ajustes no Plano Diretor.

    Além disso, em 329 dias de Revisão no âmbito do Executivo, foram realizadas 91 atividades participativas, entre reuniões, oficinas, audiência públicas, consultas on-line e visitas distribuídas no território das 32 subprefeituras, que resultaram em mais de 12 mil contribuições. Todo esse trabalho de mobilização e participação foi reconhecido pelo Ministério Público de São Paulo.

    O envio do Projeto de Lei à Câmara Municipal, em março, foi a consolidação de todo o processo revisional por parte do Município e que resultou em propostas de ajustes para o Plano Diretor. Esse texto segue em discussão no âmbito do Legislativo”.

    O que diz a Associação de Incorporadoras
    Em nota, a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) informou que “considera como positiva a aprovação do Plano Diretor de São Paulo nesta segunda-feira (26/6). As medidas devem ajudar a promover a inclusão social e o adensamento urbano inteligente.

    Com a mudança, o comprador de imóvel passa a contar com mais opções de produto à sua escolha e a cidade poderá melhorar o aproveitamento do território com infraestrutura urbana e transporte público.

    Nos últimos meses, a ABRAINC trabalhou, em colaboração com mais de 30 entidades ligadas ao setor imobiliário e da construção civil, na elaboração de sugestões fundamentadas em amplos debates técnicos entre os participantes. Algumas das propostas apresentadas foram melhorias nos textos originais elaborados pela Prefeitura, garantindo a aplicação objetiva dos instrumentos e priorizando a segurança jurídica”.

     

  • ‘Me parece que está maduro para poder votar’, defende Nunes sobre texto do Plano Diretor de São Paulo

    ‘Me parece que está maduro para poder votar’, defende Nunes sobre texto do Plano Diretor de São Paulo

    Prefeito da capital paulista falou nesta segunda (26) sobre a expectativa para votação na Câmara Municipal e minimizou críticas: ‘Não vai ter em uma cidade desse tamanho, numa cidade-país, o consenso de 100% de todo mundo’. Mais de 160 entidades da sociedade civil e grupos de urbanistas se posicionaram contra o projeto.

    O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), avaliou como maduro o texto do novo Plano Diretor da capital paulista, que tem expectativa de ser votado na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (26), após adiamentos. Especialistas apontam que as mudanças podem trazer mais trânsito, imóveis mais caros e menos árvores na cidade.

    “Me parece que está maduro para poder votar. As discussões foram bastante intensas e evidentemente você não vai ter numa cidade desse tamanho, numa cidade-país, o consenso de 100% de todo mundo”, disse Nunes, em entrevista à GloboNews.
    O texto proposto pelo Executivo sofreu mudanças durante as discussões com os vereadores, como nos eixos de transporte, no Mirante de Santana e no Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano, o Fundurb.

    Durante a entrevista, o prefeito minimizou as críticas feitas ao texto, ao dizer que “sempre vai ter alguém com uma posição de um lado, outra de outro, todas legítimas”, e destacou três pontos da mudança.

    “Queria só ter essa oportunidade de que as pessoas possam pensar nesses três pontos: morar perto do transporte, distensionar a pressão para construção em áreas de proteção e de que a gente tenha que combater o déficit habitacional que na análise mais econômica é de 400 mil unidades habitacionais”, destacou Ricardo Nunes.

    Mais de 160 entidades da sociedade civil e grupos de urbanistas assinaram uma carta com críticas ao texto substitutivo do Plano Diretor Estratégico (PDE) da cidade de São Paulo.

    Entre os apontamentos, estão:

    Possibilidade de prédios mais caros próximos às zonas de transporte coletivo;
    Previsão de aumentar as áreas da cidade em que são permitidos prédios mais altos;
    Mais vagas de garagem;
    Falta de estudos que justifiquem as mudanças propostas;
    Possibilidades de prédios maiores nos miolos de bairros, que ficam longe dos eixos de transporte público;
    Substituição de bairros históricos por quarteirões tomados por prédios.
    Especialistas que conversaram com o g1 disseram que as consequências práticas dessas mudanças são diversas:

    Mais trânsito;
    Supressão de áreas arborizadas;
    Supervalorização de imóveis;
    E outros pontos que julgam importantes.

    Falta de justificativas
    Joyce Reis, diretora de Políticas Públicas do Instituto dos Arquitetos do Brasil de São Paulo (IAB-SP), destaca que as propostas apresentadas no texto substitutivo do Plano Diretor não têm as justificativas necessárias para se tornarem lei.

    “São coisas muito novas, num curto espaço de tempo, sem justificativa. É péssimo tecnicamente e politicamente, porque não tem avaliação que justifique e não tem estudos que mensurem o impacto”, afirmou.
    Já a arquiteta e urbanista Paula Freire Santoro, coordenadora LabCidade, da Universidade de São Paulo (USP), aponta que o projeto não atinge seu devido objetivo:

    “Tem sido um instrumento de regulação do mercado imobiliário. Ele está muito distante da cidade real — ele não planeja o bairro, não conhece os problemas da população mais pobre, não pensa como vai ser a chegada de infraestrutura nos bairros que não tem.”
    Prédios mais altos nos eixos de transporte
    Atualmente, prédios mais altos podem ser construídos num raio de até 600m das estações de trem e metrô;
    O texto substitutivo criticado amplia esse raio para 700m;
    Na versão anterior, a distância era de 1.000m.
    Prédios mais altos nos miolos de bairros
    Outro ponto trazido pelo texto substitutivo que é alvo de críticas é o aumento do coeficiente de construção nos miolos de bairros, que são as áreas fora dos eixos de estruturação — normalmente, bairros residenciais com prevalência de casas.

    Atualmente, as construtoras podem fazer prédios com área útil duas vezes maior que a área do terreno;
    O texto do substitutivo amplia o coeficiente para três vezes o tamanho do terreno.
    De acordo com Joyce, esse tipo de verticalização — em áreas que não suportam muito adensamento — pode levar a ruas mais estreitas e um bairro com uma quantidade muito grande de pessoas e de carros.

    Mais trânsito e menos árvores
    Paula Santoro ressalta que a verticalização proposta pelo texto substitutivo privilegia o uso do carro mesmo nos eixos de transporte.

    Segundo ela, a lei anterior tinha o objetivo de concentrar o adensamento construtivo próximo de transportes de alta capacidade e adensar com mudança de modal: “Eu vou morar perto do Metrô, não vou ter carro”, exemplificou.

    “Isso ajuda a cidade no congestionamento e em termos de poluição e qualidade do ar, saúde como um todo”, apontou.
    “Agora, essa verticalização vai poder acontecer em qualquer lugar, ou seja, reforçando os velhos modos individuais, motorizados, que estruturaram a nossa cidade dos carros”, afirmou.

    Joyce Reis diz que outro impacto pode ser a mudança da paisagem dos bairros:

    “Lugares que tinham uma morfologia, uma forma das casas, de repente, tudo passa a virar prédio. Aí você mexe na insolação, na quantidade de árvores”, explicou.

    Apartamentos mais caros

    Paula Santoro informou que São Paulo produziu 100 mil unidades de habitação com preço de até R$ 350 mil entre 2014 e 2019;
    No entanto, apenas 15% (15 mil) dessas unidades foram feitas nos eixos;
    E grande parte das unidades produzidas nos eixos eram pequenas e com metro quadrado caro.
    O que diz a Prefeitura de São Paulo
    Em nota, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), disse que reafirma que o Município realizou um processo participativo amplo, democrático e transparente para discutir os ajustes no Plano Diretor.

    “Desde 2014, a população pode acompanhar pela internet a aplicação do Plano Diretor pela plataforma de monitoramento do PDE no site Gestão Urbana. Ela foi desenvolvida pela Prefeitura para dar transparência e informar sobre o andamento do Plano Diretor, disponibilizando dados para diversos indicadores.

    Durante a Revisão Intermediária, a Prefeitura também criou um site específico para o processo revisional e, a partir dele, a população pode se informar, em tempo real, sobre agenda de reuniões, relatórios e documentos produzidos pelo Município para esclarecer e subsidiar os debates sobre os ajustes no Plano Diretor.

    Além disso, em 329 dias de Revisão no âmbito do Executivo, foram realizadas 91 atividades participativas, entre reuniões, oficinas, audiência públicas, consultas on-line e visitas distribuídas no território das 32 subprefeituras, que resultaram em mais de 12 mil contribuições. Todo esse trabalho de mobilização e participação foi reconhecido pelo Ministério Público de São Paulo.

    O envio do Projeto de Lei à Câmara Municipal, em março, foi a consolidação de todo o processo revisional por parte do Município e que resultou em propostas de ajustes para o Plano Diretor. Esse texto segue em discussão no âmbito do Legislativo”.

     

  • Última madrugada na fila de ingressos para show de Taylor Swift em SP é marcada por exaustão e fé de fãs e presença de idosos ‘suspeitos’

    Última madrugada na fila de ingressos para show de Taylor Swift em SP é marcada por exaustão e fé de fãs e presença de idosos ‘suspeitos’

    Seguranças da região relataram que cambistas pagam para pessoas com mais de 60 anos ficarem na fila e comprarem o ingresso. Fãs da cantora passaram os últimos dias dormindo em barracas na frente do Allianz Parque à espera de garantir participação na tão sonhada turnê da cantora.

    Entre fãs cansados e idosos desacompanhados, a última madrugada antes da abertura das vendas de ingressos para shows extras de Taylor Swift em São Paulo foi marcada por um clima tranquilo e palavras de fé entre meia-noite e 3h.

    Há semanas, um grupo ocupa barracas e cadeiras frente à bilheteria do Allianz Parque, na Zona Oeste da capital, na expectativa de conquistar a tão sonhada presença na turnê da artista no Brasil.

    “Terapia”, disse um fã de Taylor sobre o que vai fazer após comprar seu aguardado ingresso para o show que acontecerá em novembro.

    Outro gritava que Deus honraria seus esforços para que todos ali estivessem juntos em breve na pista premium.

    ‘Great War’
    Embalados pela música ‘Great War’, um dos hits da artista, fãs precisavam encarar duas filas. A primeira, repleta de jovens, vibrava cada vez que um grupo de dez era liberado para entrar na segunda fila, a principal.

    Preparados com edredons e colchões, entravam dispostos a dormir. Chegar lá significava a quase realização da compra. Mas os ingressos só foram liberados para venda às 10h desta quinta-feira (22).

    Organizadores avisaram aos que estavam no local como funcionaria o esquema: a fila seria pausada quando chegasse ao limite e só depois reaberta a medida que esvaziada por quem comprasse os ingressos. Complexo, mas parecia funcionar.

    “Taylor tem uma música para cada momento da vida”, definiu Kamila ao lado da irmã Gabriela. A música do momento, ali, seria a já citada ’Great War’. Os pais acompanhavam de longe, emocionados.

    “É bom ver a realização desse sonho delas”.
    A ideia de apoiar as filhas partiu do pai. “Ele sempre foi muito parceiro”, disse Kamila que sonha em ser cantora e inspira-se em Taylor. Quando chegaram na esperada segunda fila, a mãe das meninas chorou discretamente.

    Outra que saiu emocionada foi a fã Sara Bertholi. Figura conhecida ali, estava acampada no estádio desde domingo (18) e fez um empréstimo para comprar seu ingresso.

    “Vontade de chorar. Não tem preço que pague ver a Taylor de perto. Faria outro empréstimo”, disse segurando um colchão e uma mala.

    Foi apontada como polêmica e causadora de confusão. Segundo um segurança, Sara foi a responsável por chamar Celso Russomano no dia anterior.

    “Treteira”, definiu um dos organizadores das filas. “Amor é amor. Deixei dez gatos em casa, cinco cachorros, os vizinhos se mobilizaram para cuidar. Todos apoiaram esse sonho que tenho há oito anos”, disse às lágrimas. “A história da Sara é linda”, comentou um fã em sua defesa.

    Segurando uma cadeira de praia, outra fã falou sobre seus planos após comprar o ingresso: pensar no look e deixar todas as letras na ponta da língua.

    A música de Taylor para este momento seria “Look what you made me do”. Nas mochilas, salgadinhos e água.

    “Agora vai”, gritou outro que aguardava a liberação de mais dez. Ele chegou ao local na sexta-feira com três amigas; seis dias em uma barraca. Uma disse que juntou dinheiro. “Pedi pra minha mãe”, contou outra.

    Suspeita de idosos atuando como cambistas terceirizados
    O primeiro da segunda fila que dá acesso a bilheteria era um senhor desacompanhado que não quis se identificar.

    Disse que chegou às 10h da manhã de quarta. Será o primeiro a comprar ingressos “para a família”.

    O termômetro marcava 17 graus às 2h, quando uma senhora também desacompanhada entrou. Perguntada sobre a música preferida de Taylor respondeu “aquela sobre amor”. Um outro homem, sozinho, disse que estava lá porque “São Paulo funciona assim”.

    Ao g1, dois seguranças relataram que a maioria dos idosos ali trabalhava para cambistas.“Experiência”, justificou um deles quando perguntado sobre provas.

    Do lado de fora, um taxista observava a movimentação em uma tentativa de compreender os motivos que levaram os fãs a ficar no frio tantos dias.

    “O pessoal que ficava acampado em frente ao quartel do Ibirapuera mudou pra cá?”, perguntava-se. “Taylor é o novo mito. Que bom”, concluiu.

    As irmãs Kamila e Gabriela conseguiram comprar seus ingressos. Sara também. Sobre os idosos suspeitos, preferiram não compartilhar seus números com o g1.

  • Operação da Polícia Civil prende 14 integrantes de organização criminosa em SP e PR

    Operação da Polícia Civil prende 14 integrantes de organização criminosa em SP e PR

    Operação é um desdobramento de investigações da Polícia Civil de Capão Bonito e Itapeva (SP). Ao menos 14 pessoas foram presas, em cidades do interior de São Paulo e no Paraná, suspeitas de integrarem organização especializada em falsificação de documentos, estelionato, comércio ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro.

    Ao menos 14 pessoas foram presas, durante a manhã desta quarta-feira (21), suspeitas de participarem de uma organização criminosa especializada em falsificação de documentos, estelionato, comércio ilegal de arma de fogo e lavagem de dinheiro. A prisão ocorreu em cidades do interior de São Paulo e no Paraná.

    A operação “Meia Nota”, deflagrada pelas polícias civis de Capão Bonito e Itapeva (SP), cumpriu 19 mandados de busca e apreensão em Paulínia, Hortolândia e Santa Cruz das Palmeiras (SP) e em cidades do Paraná, Santo Inácio, Santa Fé e Cafeara (PR).

    A organização é suspeita de usar documentação falsa de empresas consolidadas no mercado para realizar compras em todo país, causando prejuízos milionários. Os golpes foram descobertos pelas vítimas após os vencimentos de títulos não pagos.

    Segundo a polícia, 14 integrantes da quadrilha foram presos, incluindo o possível líder da organização, durante a operação.

    Nos endereços ligados aos suspeitos, foram encontradas duas armas de fogo, diversas munições, veículos – supostamente adquiridos de forma ilegal -, uma carreta com som automotivo e um jet ski.

    Durante as diligências outro investigado também foi preso em flagrante por posse irregular de arma de fogo.

    As investigações continuam para análise de documentações, computadores e celulares apreendidos durante a ação. Os presos permanecem à disposição da Justiça.

     

  • Homens armados assaltam lojas de roupas em SP e Diadema; cliente foi abordada no provador

    Homens armados assaltam lojas de roupas em SP e Diadema; cliente foi abordada no provador

    Crimes ocorreram entre maio e junho deste ano; lojas ficam próximas. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que não localizou os registros dos casos, mas que está à disposição para formalização do boletim de ocorrência,

    Câmeras de segurança registraram o momento em que homens armados renderam funcionárias e clientes dentro de lojas de roupas de São Paulo e Diadema. Os crimes ocorreram entre maio e junho deste ano e em comércios que ficam próximos. Em um deles, uma cliente chegou a ser abordada no provador

    Nas imagens, é possível ver um assalto registrado no dia 29 de maio na Avenida do Cursino. É possível ver que um homem armado entra na loja e rende as funcionárias. Ele pede os celulares e dinheiro. Em seguida, ele guarda tudo dentro de uma mochila.

    No vídeo ainda é possível ver que outro homem chega ao estabelecimento. O criminoso pede para ele entrar e ordena que as três vítimas fossem para os fundos da loja. Por fim, foge levando algumas peças de roupa.

    O segundo caso ocorreu no dia 16 de junho na rua São Leopoldo, em Diadema. Nas imagens, é possível ver que o homem entra na loja, aparentemente pedindo alguma informação. Ele abre a mochila, tira uma arma de fogo e rende as funcionárias e uma cliente, que estava no provador.

    O ladrão ainda mexe nos pertences das vítimas, pega algumas roupas da loja e itens do caixa. Uma das vítimas relatou que o tempo todo o bandido ameaçou que ia atirar.

    “Eu abri o provador para mostrar para as meninas como que tinha ficado a roupa. Nisso eu entrei de volta para poder trocar a roupa e aí eu a escutei falando ‘não, moço’. E ela tentou pedir socorro. Quando eu olhei para o lado, ele só estava com a arma em punho, já começou a ameaçar, mandar a gente para o banheiro. Ele estava muito, muito estressado. O tempo todo falando que ia atirar, que ia meter bala na gente se a gente não entregasse”.

    O terceiro assalto foi registrado em uma loja no dia 17 de junho na avenida Yervant Kissajikian, na Zona Sul da capital.

    Nas imagens, é possível ver que o criminoso chega da mesma maneira: armado, e rendendo os funcionários. Ele aponta arma, pede para que eles fiquem quietos e leva os celulares.

    Segundo relatos, durante a fuga, algumas pessoas que estavam na rua tentaram segurar.

    “Colocou eu e as meninas para dentro, para o estoque. Quando eu estava na porta, empurrando e entrando para o estoque, ele colocou a arma na minha cabeça e disse ‘vamo, vamo, vamo’. E eu fiquei sem reação, não consegui falar nada, não consegui fazer nada e ele saiu correndo”, diz uma das vítimas.

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que não localizou os registros dos casos, mas que está à disposição para formalização do boletim de ocorrência, e que as delegacias da área estão trocando informações com o objetivo de identificar os suspeitos e evitar novos casos.

    Também informou que, desde o começo do ano, 70 pessoas foram presas na região.

  • Registros de testamentos crescem no Brasil após pandemia; audiência sobre herança de Gugu será retomada nesta quarta

    Registros de testamentos crescem no Brasil após pandemia; audiência sobre herança de Gugu será retomada nesta quarta

    Entre 2012 e 2022, o país registrou 38.566 documentos em 2012 e, em 2021, número saltou para 52.275, aumento de 35,5%. Mãe dos filhos do apresentador move processo para reconhecimento da união estável.

    O número de testamentos cresceu em todo o Brasil durante a pandemia. Entre 2012 e 2022, os registros no país passaram de 38.566 em 2012 para 52.275 em 2021, um aumento de 35,5%. Considerando apenas o estado de São Paulo, os documentos eram 7.518 em 2012 e foram para 10.977 em 2021, um incremento de 46%.

    Os números fazem parte de um levantamento exclusivo realizado pelo Colégio Notarial do Brasil para o g1. Somente neste ano, até o dia 13 de junho, mais de 16 mil testamentos foram registrados no Brasil, sendo 1.858 em São Paulo.

    Este movimento está vinculado à maneira como a morte passou a ser encarada após a Covid-19, acredita Eduardo Calais, vice-presidente do Colégio Notarial do Brasil.

    “É um ato feito em vida que produz efeitos após a morte. Na pandemia, a morte bateu na porta, e passamos a enfrentar o assunto de uma maneira mais objetiva”, disse. Muitos testamentos, por exemplo, passaram a incluir instituições beneficentes entre os herdeiros.

    Desde maio de 2020, testamentos começaram a ser feitos 100% online, por videoconferência. Em 2022, serviços de testamento, inventário e partilha alcançaram número recorde nos cartórios do Brasil.

    Testamentos registrados em São Paulo entre 2012 e 2022

    Silvia Felipe Marzagão, presidente da Comissão e Advocacia de Família e Sucessões da OAB-SP, disse que testamentos não são “coisa de milionário”. Estão no Código Civil e seguem inúmeras regras. “É um tema complexo”, diz.

    Ao g1, a advogada explicou que um testamento é uma disposição de vontade que a pessoa faz em vida para ser cumprida após sua morte. Há algumas diretrizes estabelecidas: “Posso pegar 50% do que eu tenho, fora os herdeiros naturais previstos em lei, e deixar para outras pessoas”.

    Caso Gugu e buscas por testamento
    Novas audiências que podem definir os rumos da herança do apresentador Gugu Liberato acontecerão nesta quarta (21) e quinta-feira (22) na 9ª Vara de Família e Sucessões do foro Central de São Paulo.

    O caso, que corre sob segredo de Justiça, levantou nas buscas na internet o interesse sobre sobre o que é, como funciona e quem pode fazer um testamento.

    Rose move um processo de reconhecimento de união estável.

    Nesta terça (20), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a validade do testamento deixado pelo apresentador. O documento originalmente não inclui a mãe dos filhos dele entre os herdeiros.

    Apesar da decisão, o processo que Rose move para ter o reconhecimento da união estável é alterado. Nesta quarta (21), está prevista uma nova audiência do caso.

    Gugu Liberato: entenda o que está em jogo na disputa sobre a herança bilionária deixada pelo apresentador
    Algumas são regras de ordem formal: testemunhas não podem ser herdeiras do testamento. E outras regras são de essência, não podem ser afrontadas. Não é preciso fazer testamento para os filhos, por exemplo, já que eles são os chamados “herdeiros necessários”.

    Ou seja, usando como exemplo o caso de Gugu, independentemente do testamento deixado pelo apresentador, os três filhos dele já teriam direito a 50% do seu patrimônio.

    Em seu testamento, Gugu Liberato distribuiu 75% para os filhos e 25% para seus cinco sobrinhos, estabelecendo a irmã, Aparecida, como inventariante. Rose, mãe dos filhos do apresentador, ficou de fora. A ação que corre na Justiça é pelo reconhecimento, ou não, da união estável de Rose e Gugu ao longo de 20 anos.

    “Num testamento, você pode fazer disposições diferentes entre os filhos. Por exemplo: é possível deixar um casa para um filho e outros bens em dinheiro para outro, desde que o valor não ultrapasse os 50% legítimos. Explicações são importantes também. A vontade do testador é plena e tudo isso é observado”, ressaltou a advogada, que preferiu não opinar sobre o caso envolvendo o testamento do apresentador.

    Tipos de testamentos
    O testamento de Gugu Liberato se encaixa no tipo público. “É o tipo mais seguro, fica guardado no cartório. O testamento público pode ser feito com a pessoa indo ao tabelião ou pode ser redigido por um advogado, e o tabelião transfere isso para um documento que tem que ser lido em voz alta na presença de duas testemunhas. Ele fica guardado no cartório até a pessoa morrer”, explicou Silvia.
    O testamento privado pode ser feito pelo próprio testador. Precisa ser lido e assinado na presença de três testemunhas e não tem custo.
    Há também o testamento sem conteúdo patrimonial. “Há um caso, por exemplo, de uma senhora que deixou em seu atestado como herança um pedido de perdão para os filhos. Ela não tinha bens patrimoniais”, contou ao g1 um representante do Colégio Notarial do Brasil.
    O chamado codicilo é o tipo destinado para pequenos valores. Uma coleção de vinis, um álbum de fotos, uma coleção de livros, algo especial para a pessoa, por exemplo.

    Testamento não é coisa de rico
    Não há valores mínimos para um testamento. Quem não tem bens pode fazer um desde que tenha, no mínimo,16 anos. É possível também atualizar um testamento várias vezes até o dia da morte. É o chamado testamento com revogação. “A única coisa que não pode ser revogada em testamento é o reconhecimento dos filhos”, explica Silvia.

  • Atropelamentos matam 20 pessoas em 2023 na região de Piracicaba, maior nº desde 2015, diz Infosiga

    Atropelamentos matam 20 pessoas em 2023 na região de Piracicaba, maior nº desde 2015, diz Infosiga

    Dados são de período de janeiro a maio; entre casos estão atropelamentos de três pessoas na calçada por rapaz que voltava de rodeio e de casal de idosos por jovem sem habilitação.

    A região de Piracicaba (SP) registrou 20 mortes por atropelamento entre janeiro e maio deste ano, maior número para o período desde 2015. Os dados são do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga SP).

    A última vez que houve registro mais casos, há oito anos, ocorreram 22 óbitos por atropelamento.

    Pelas estatísticas, é possível verificar que desde 2021 tem sido registrado um aumento gradual neste tipo de acidente fatal nos cinco primeiros meses do ano.

    Mortes por atropelamento na região de janeiro a maio entre 2015 e 2023

    Segundo o banco de dados, a cidade que teve a maior quantidade de registros foi Limeira (SP), com nove óbitos no período. Entre elas, estão as provocadas pelo atropelamento de três homens na calçada, no Jardim Caieira, no dia 26 de março. Eles morreram no local.

    Saiba quem são as vítimas de atropelamento que matou três pessoas na calçada em Limeira
    O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) denunciou à Justiça o rapaz de 23 anos que dirigia o carro. Segundo a Promotoria, Evandro Vieira de Almeida, que chegou a ser preso, mas conquistou liberdade provisória em maio, estava há duas noites sem dormir, foi a uma festa de rodeio e consumiu bebida alcoólica antes de dirigir.

    A defesa de Almeida aponta que ele não teve a intenção de causar o acidente e que se tratou de uma fatalidade. O acidente foi flagrado por uma câmera de segurança . 

    As estatísticas também mostram que seis das vítimas eram idosos. Entre eles, está um casal de 72 anos e uma mulher de 78 que morreram após serem atropelados no dia 18 de abril, na Avenida Santa Bárbara, em Santa Bárbara d’Oeste (SP).

    O jovem de 18 anos que dirigia o veículo que os atingiu não era habilitado, segundo a Polícia Militar.

    O adolescente foi identificado como Osmar Pereira de Oliveira Neto e responde pelo caso em liberdade. Segundo sua defesa, era uma noite chuvosa, ele estava na preferencial e não conseguiu frear, mas acionou a polícia e aguardou a chegada das equipes de socorro.

    Já em relação ao número total de mortes no trânsito da região de janeiro a maio, houve alta neste ano na comparação com 2022, de 69 para 73, o que representa um aumento de 5,8%.

    Do total, 24 dos óbitos foram registrados no território de Piracicaba, enquanto 20 ocorreram em Limeira.

    Os dados também mostram que 24 das vítimas ocupavam motos. Dezoito pessoas eram jovens de até 30 anos.

    Caso recente
    No último sábado (17), um homem morreu após ser atropelado por um caminhão da empresa responsável pela coleta de lixo em Piracicaba. A vítima tentava atravessar a Avenida Rui Barbosa, na região da Vila Rezende, segundo relatos de testemunhas às equipes da Polícia Militar (PM), que estiveram no local para apurar as circunstâncias do acidente.

    Trechos de vias do entorno foram bloqueadas para preservação da área. O acidente ocorreu por volta das 10h15, no cruzamento das Avenida Rui Barbosa e Travessa Morato, segundo informações da Prefeitura de Piracicaba.

    A Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Semuttran) de Piracicaba interditou trechos entre a Ponte Caio Tabajara e a Avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira; nos cruzamentos das Avenida Manoel Conceição e Avenida Dona Lídia, da Avenida Rui Barbosa e Travessa Doutor Eulálio, na região da Vila Rezende.

    Empresa responsável pela coleta de lixo na cidade, a Piracicaba Ambiental S.A. informou em nota que vai colaborar com as investigações do caso.

    “A concessionária de serviços públicos Piracicaba Ambiental S.A, lamenta o acidente ocorrido nesta manhã durante suas atividades, o qual infelizmente resultou em uma fatalidade. As circunstâncias deste acidente estão sendo investigadas pelas autoridades competentes e contará com o apoio irrestrito da Piracicaba Ambiental. A concessionária se solidariza com todos impactados neste acidente, em especial com os familiares e amigos da vítima, aos quais está ofertando auxílio”, comunicou.

     

  • Ana Castela ‘dá o troco’ e ‘invade’ show de Gustavo Mioto no encerramento da Festa Junina de Votorantim

    Ana Castela ‘dá o troco’ e ‘invade’ show de Gustavo Mioto no encerramento da Festa Junina de Votorantim

    Encontro teve direito a cortejada, beijos, dança e até declaração de amor. Um dia antes, em Americana (SP), Mioto foi quem participou do show da namorada.

    A boiadeira Ana Castela “deu o troco” e “invadiu” a apresentação do namorado Gustavo Mioto. Ele foi a última atração do domingo (18), no palco principal da Festa Junina de Votorantim Viva+, encerrando o evento, a maior do gênero no estado de São Paulo.

    No sábado (17), Mioto havia “invadido” o show da namorada, na cidade de Americana (SP). A resposta, um dia depois, na cidade de Votorantim, foi comemorada pelo namorado e pelos fãs de ambos.

    A participação teve mais de 12 minutos. Os fãs foram ao delírio quando a boiadeira foi anunciada. ‘Senhoras e senhores, com vocês, Ana Castela”, anunciou Mioto, já de mãos dadas com a amada. A casal de pombinhos estava bem à vontade, chegando a se sentar durante a intervenção.

    “É que o amor é egoísta, ignorante, faz as coisas na hora que ele bem entende. O amor de verdade, não adiante lutar contra”, afirmou antes de cantar “Contramão’, cuja letra tem como parte do refrão “conheci o amor” . Juntos, eles também cantaram “Fronteira”. Ela ainda cantou “Nosso quadro”.

    Gustavo aproveitou a oportunidade para responder às pessoas que tacham o relacionamento dos dois como marketing e que faltaria química. “Marketing e a química, a gente faz, só nós dois.”

    O g1 antecipou que isso poderia ocorrer. A cantora se apresentou um dia antes, no sábado (17), também em Votorantim. Ela não tinha agenda no domingo, data da apresentação de Gustavo Mioto.

    Multidão à espera
    Bem antes do show, uma multidão se aglomerava à espera do ídolo. Entre eles, a Ana Carvalho, de Indaiatuba, que está grávida de oito meses e veio curtir o evento. Ela é muito fã do Gustavo Mioto, que tem data para se apresentar na cidade dela.

    O problema é que ela ficou com receio de não poder assistir depois do parto e não quis arriscar, se antecipando, para não perder de ver o ídolo. “Ele – o filho – vai escutar muito o Gustavo Mioto, aliás, ele já escuta”, brinca sobre o pequeno Antonio.

    Jessica Veira, que acompanha a carreira de Gustavo Mioto desde 2019, foi a grande culpada em influenciar a amiga. “Ele é perfeito”, diz.

    Falando em influência, Isabela de Oliveira, de 14 anos, carregou um grupo de amigas para ver o ídolo. Ela conta que “Se ela voltar” é a música preferida. De tanto cantar as músicas de Mioto, as amigas Fernanda, Giovanna, Isadora e Juliana também aprenderam várias letras. Elas usaram cartazes para chamar a atenção do cantor.

    A pequena Melissa Nunes, de sete ano, é fã incondicional de Gustava Mioto. Ela não para de cantar as músicas do ídolo, conforme a mãe, Aline Aparecida Nunes. Mãe e filha chegaram a se hospedar no mesmo hotel em que Mioto e Ana Castela estavam hospedadas. Melissa, além de tirar foto com o cantor, também ganhou um autógrafo no chapéu, no meio do show. O Gustavo Mioto ainda lembrou no meio do show que ela, a Melissa, cantou para ele no camarim.

    O publicitário Guilherme Godinho explica que desde 2018 é quase maluco pelas músicas do cantor. Tudo começou com o fim de um relacionamento. No período, ele e um amigo, na mesma situação de sofrência, colocaram Gustavo Mioto no topo da playlist. “Passamos um meses só ouvindo Mioto e chorando na agência”, brinca. É o segundo show do artista que ele assiste, mas garante, que muitos virão.

    Melhor momento
    Antes da apresentação, Gustavo Mioto falou com o g1. O cantor contou como se define neste momento, onde uma série de coisas importantes estão ocorrendo, incluindo o namoro com Ana Castela.

    “Estamos com uma colheita muito grande. Tudo que nós plantamos nos primeiros dez anos, nós temos conseguido colher, agora. É um momento muito especial e estamos no melhor momento. A gente sempre sonha em ir tão longe. Só que a gente não está preparado quando isso acontece. A ficha demora pra cair.”

    E lembram da Ana Carvalho, a grávida de oito meses. Pois é, pela reportagem, o Mioto mandou um recado para ela. “Primeiro, que Deus abençoe o nenê, que venha como benção na vida dela, que seja uma criança iluminada e abençoada. E agradecer o carinho, agradecer a presença. Sei que nesse momento da gestante é muito complicado. Fico muito grato com essa coragem que ela teve de vir aqui hoje.”

    Como foi o show
    Com mais uma hora e meio de duração, Mioto cantou os seus maiores sucessos. Ele abriu a apresentação com a música “Eu gosto mesmo assim”. Ainda teve “Com ou sem mim” e “Fim do Mundo”. Ainda houve tempo para uma playlist com músicas de rodeio e para músicas novas como “Quando apago a luz”.

  • Diretor de escola em SP perde o cargo após aluna de 6 anos sofrer racismo e agressão; criança é transferida

    Diretor de escola em SP perde o cargo após aluna de 6 anos sofrer racismo e agressão; criança é transferida

    Diretor disse a mãe que não viu nada. Thamires Rosa afirmou que a filha teve lesões nos olhos, quadril e virilha e foi xingada de ‘feia’, ‘cabelo feio’ e ‘urubu’. Criança foi transferida de escola.

    O diretor da Escola Estadual Adelina Issa Ashcar, na Zona Sul de São Paulo, perdeu seu cargo neste sábado (17) após a mãe de uma aluna de 6 anos denunciar omissão por parte do colégio. A criança foi vítima de agressão e racismo e, agora, foi transferida de escola.

    A Secretaria da Educação concluiu as investigações no sábado e decidiu pela “cessação da designação de diretor”. Inicialmente, ele tinha sido afastado por 24 dias.

    “A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, mais uma vez, lamenta o ocorrido e informa que a apuração preliminar foi concluída, decidindo pela cessação da designação do diretor, e, portanto, não é mais diretor da escola. A pedido da responsável, a aluna foi transferida para outra unidade, onde foi garantido o acolhimento no ambiente escolar, com apoio do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP)”, diz nota da pasta.

    A mãe Thamires Rosa contou que dia 2 de maio, a menina chegou em casas com diversos hematomas e que a escola pouco fez para acolher a família e apurar o caso.

    Segundo a mãe, as lesões aconteceram nos olhos, quadril e virilha — e teriam sido provocadas por outras duas crianças da mesma faixa de idade;
    Ela também foi xingada de “feia”, “cabelo feio” e “urubu”.
    “Eles disseram que era normal e que minha filha tinha que ter falado na hora. Que ela ia ter que falar. Eu tive que mostrar as lesões no corpo da minha filha. O diretor disse que não estava vendo nada e se isso não poderia ter ocorrido dentro da minha casa”, desabafou a mãe.

    Despreparo da escola
    “A escola não se responsabilizar pelo que ocorreu lá dentro mostra um imenso despreparo. Levaram ela de sala em sala para ela apontar quem era o culpado. Ela não ia fazer isso. Ela é uma criança. Além de ela ter sido exposta a essa agressão, física e verbal, ainda teve que passar por isso”, lamentou a mãe.

    Para Débora Dias, educadora do movimento Educafro Brasil, a escola falhou na condução do problema e também no acolhimento das famílias.

    “Essa conduta é completamente errada. Faz com que a criança se sinta ainda mais vulnerável já numa situação em que ela foi altamente violentada e também expõe a situação da maneira mais antipedagógica possível— Indo lá, acusando, e criando mais constrangimento e vexame no momento em que uma situação como essa nem deveria ter acontecido”, explicou a especialista.

    “Deveria ser tratada de maneira pedagógica, centrada no debate pelo antirracismo”, completou Débora.