Categoria: Polêmica

  • Influencer que proíbe homens em loja denuncia assédio em shopping de São José

    Influencer que proíbe homens em loja denuncia assédio em shopping de São José

    Dona de uma loja que não permite a entrada de homens justamente por conta de casos de assédio, a empresária Andrea Costa tem mais de um milhão de seguidores e relatou o ocorrido em uma rede social nesta terça-feira (15).

    A influenciadora digital e empresária Andrea Costa denuncia ter sido vítima de assédio em um shopping de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Ela afirma que o caso aconteceu nesta terça-feira (15) quando um homem a seguiu e ejaculou em sua perna na escada rolante.

    O caso aconteceu no Shopping Centro, onde a empresária tem uma loja em que proíbe a entrada de homens justamente por conta de assédio – leia mais detalhes abaixo.

    “Estava eu subindo, quando senti algo escorrendo na minha perna. Parecia água. Já olhei para trás e vi um cara no degrau debaixo, colado na minha bunda. Vi se ele estava com garrafa de água, porque um líquido caiu em mim, mas ele estava com a mão no bolso, fazendo gestos. Foi tão surreal que eu não consegui captar aquilo.”

    “Ele estava de máscara, de boné, e não olhou mais para trás para eu não o reconhecer. Quando entrei na minha loja, as meninas falaram que não era água. Tinha p**** na minha perna. Eu corri para dentro, passei álcool. A minha bunda toda estava suja”, completa.

    Revoltada, a empresária afirma que ficou sem reação e que teve crises de ansiedade e pânico quando entendeu que havia sido vítima de um assédio.

    “Primeiro me deu uma crise de tremedeira, depois uma crise de pânico, depois desespero, revolta, e agora não sei o que estou sentido. Mas eu preciso falar porque isso não pode ficar assim”.

    Além disso, Andrea relatou na rede social que descobriu que outras duas mulheres também foram vítimas do mesmo crime. Ela reclamou da falta de segurança no local e registrou um boletim de ocorrência.

    “Agora estou fazendo boletim de ocorrência, chamei a segurança toda do shopping. E sabe o que eu descobri? Eu não sou a única. Quando fui falar para o segurança, ele perguntou se era um alto e eu disse que é. Aí ele falou que ele já fez com mais duas. O segurança sabia. Por que ninguém fez nada?”, questiona.

    Depois do relato, Andrea postou mensagens que recebeu de outras mulheres que foram assediadas no local e também em outros lugares da cidade.

    Em nota, o Shopping Centro manifestou repudio e indignação com relação ao ocorrido. Informou que é solidário com o sofrimento da vítima e que vai prestar apoio e que trabalha para recolher “todo o material probatório, como imagens e testemunhas, para entregar as autoridades policiais, com a maior brevidade possível, para que o acusado seja prontamente identificado e punido”.

    Loja proíbe entrada de homens
    No início de 2022, a empresária e influencer Andrea Costa decidiu impedir a entrada de homens com comportamentos desrespeitosos e machistas em uma loja de roupas e acessórios da qual é dona em São José.

    “Homens, se não forem provar, esperem do lado de fora da loja”, dizia um dos avisos fixados na vitrine.

    Em entrevista ao g1 no ano passado, a empreendedora afirmou que a medida foi necessária após inúmeros casos de assédio contra as clientes e funcionárias do local.

    “Eles (homens) entravam na loja, ficavam atrás das mulheres, quando não era depreciando o corpo delas, era olhando para elas trocando de roupa no provador através das cortinas. Temos um estúdio de fotografia dentro da loja e muitos homens vinham e entravam apenas para olhar as modelos”, afirma e empresária.

    Depois da medida, ela relatou que passou a receber uma onda de apoio de outras mulheres, mas também diversas ameaças de processo e ataques masculinos.

  • Laudo aponta que morto em operação em Guarujá levou 7 tiros no tronco; ação não foi registrada porque câmera estava sem bateria, diz MP

    Laudo aponta que morto em operação em Guarujá levou 7 tiros no tronco; ação não foi registrada porque câmera estava sem bateria, diz MP

    Ministério Público de SP concluiu análise das imagens das câmeras usadas pelos PMs durante Operação Escudo: em três ocorrências, houve confrontos com criminosos; em duas, gravações não captaram os momentos das supostas trocas de tiros. PM afirmou que não há imagens em 10 das 16 mortes.

    Os laudos necroscópicos de 12 dos 16 mortos durante a Operação Escudo, realizada na Baixada Santista, estão prontos. Um deles é o de Felipe Vieira Nunes, que levou sete tiros disparados por agentes da Rota.

    A tropa possui câmeras corporais, mas o Ministério Público informou que, neste caso específico, elas estavam sem bateria, o que descumpre as normas da própria corporação, já que o policial que sai com o equipamento precisar checar se está carregado.

    Cássio Araújo de Freitas, comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, diz que há 10.125 câmeras corporais em uso e que planeja aumentar essa quantidade.

    MP concluiu análise das imagens das câmeras
    O MP-SP concluiu a análise das imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais militares durante a operação no litoral paulista. As autoridades do estado têm afirmado que todas as mortes foram de suspeitos que entraram em confronto com os policiais.

    Os promotores tiveram acesso a mais de 50 horas de gravação. Com base no material, concluíram que:

    Em três ocorrências, houve confrontos com criminosos;
    Em duas ocorrências, as gravações não captaram os momentos das supostas trocas de tiros, mas, segundo o MP, são importantes porque revelam falhas operacionais, como câmeras descarregadas e o não acionamento do modo de gravação em alta qualidade e com som durante as incursões;
    Os promotores consideram que, em uma das ocorrências, as imagens não trazem nenhuma informação relevante para a investigação.

    Só foi possível analisar seis das 16 mortes por intervenção policial registradas entre os dias 28 de julho e 1º de agosto nas cidades de Santos e Guarujá. A Polícia Militar informou ao MP que não existem imagens das ações que resultaram nas outras 10 mortes, seja porque o batalhão ainda não dispõe do equipamento ou porque estavam inoperantes.

    Ao todo, o Ministério Público recebeu imagens de 24 policiais.

    Segundo os promotores, algumas imagens foram registradas à noite, quase sem luz, o que dificulta a visualização das ações.

    Mario Luiz Sarrubbo, procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, afirmou que “um aspecto que salta aos olhos é o tamanho dessa operação e o número muito pequeno de câmeras corporais nos policiais militares”.

    “Nós estamos trocando as informações, estamos pedindo as explicações à Secretaria da Segurança Pública e tudo isso será investigado pelo Gaesp (Grupo de Atuaçao Especial em Segurança Pública) do MP-SP”, disse ele.

    A análise das câmeras corporais não encerra a investigação sobre as mortes na Baixada Santista. O próximo passo será comparar as imagens com laudos e depoimentos de testemunhas e dos próprios policiais. Apenas depois de cruzar todas essas informações é que os promotores terão condições de dizer se os PMs agiram ou não dentro da lei.

    “Não temos câmeras para todos os policiais militares ainda. Isso é bastante importante, porque, no planejamento da operação, nós demos grande atenção para levarmos tropas especializadas para lá para levar segurança ao cidadão na Baixada Santista. As câmeras são importantes, mas não são o principal meio de prova. O que foi considerado foi a capacidade operacional de levar essas tropas pra lá, tropas preparadas, especializadas, e que não fosse também desmontar o policiamento lá nas suas cidades de origem. Porque nós trabalhamos em todo o estado de São Paulo e temos que entregar segurança em todo o estado, sem descontinuidades”, apontou o comandante-geral da PM-SP.

    “Tudo isso nos levará a conclusões que poderão até colaborar para que, no futuro, essas operações atinjam um número menor de mortes. A letalidade, 16 mortes, não é desejável”, disse Sarrubo.
    Nesta terça-feira (15), mais duas mortes foram registradas no Guarujá durante a operação Escudo, depois de um delegado da Polícia Federal ter sido baleado. Com isso, sobe para 18 o número das mortes.

     

  • Protesto de trabalhadores da Tenaris, em Pinda, cobra negociação de PLR

    Protesto de trabalhadores da Tenaris, em Pinda, cobra negociação de PLR

    Categoria afirma que empresa não discuta o pagamento do benefício desde o início do ano. Empresa diz que acompanha negociações.

    Os trabalhadores da fábrica da Tenaris Confab de Pindamonhangaba (SP) fizeram um protesto à falta de negociação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nesta terça-feira (15). A categoria atrasou a entrada para o trabalho em pelo menos uma hora, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.

    A informação é do sindicato, que afirma que a empresa não vem realizando as reuniões mensais com a Comissão PLR, em que os números da produção mês a mês são apresentados, desde janeiro deste ano.

    Um protesto por conta do mesmo motivo aconteceu em abril, mas não houve avanços.

    Em nota enviada ao g1 nesta manhã, a associação que representa a categoria cita ainda outros problemas. Ela alega erros de salários em função da nova estrutura de cargos que foi implantada, além da falta de pagamento de horas extras no setor de conectores.

    Outra questão é uma inspeção técnica que foi feita pela empresa no início deste mês para medir o ruído no setor ‘fábrica 4’. Segundo o sindicato, essa inspeção foi feita com os maquinários desligados, o que interfere na pesquisa do impacto na saúde dos funcionários e no pagamento de adicional por insalubridade.

    A Tenaris Confab, que atua na fabricação de tubos para o setor do petróleo, tem atualmente 1,4 mil trabalhadores.

    Por nota, a empresa informou que “acompanha as negociações da database, que ocorrem em São Paulo, e são tratadas em conformidade com os patronais das empresas, representadas pela Abimaq, e com o Sindicato dos Metalúrgicos, representado pela FEM-CUT”.

     

  • Greve de funcionários terceirizados da Latam causa cancelamento de voos da Argentina para SP; passageiros relatam transtornos

    Greve de funcionários terceirizados da Latam causa cancelamento de voos da Argentina para SP; passageiros relatam transtornos

    Latam diz que há atrasos na entrega de bagagens e cancelamentos em voos procedentes de Aeroparque, Ezeiza, Mendoza e Córdoba, na Argentina, devido a uma medida sindical realizada por trabalhadores da empresa Intercargo. Um dos voos que saiu do Aeroporto de Guarulhos chegou a ir até Buenos Aires, mas precisou retornar.

    Uma greve de funcionários terceirizados da Latam, na Argentina, está causando cancelamentos de voos com destino ao Brasil, entre eles para a capital paulista, desde segunda-feira (14).

    Em nota, o grupo Latam informou que há atrasos na entrega de bagagens e cancelamentos em voos procedentes de Aeroparque, Ezeiza, Mendoza e Córdoba, na Argentina, devido a uma medida sindical realizada por trabalhadores da empresa Intercargo.

    “A Intercargo é uma empresa estatal que presta serviços ao grupo. Devido à situação, a companhia foi obrigada a cancelar alguns de seus voos desde a última segunda-feira (14)”.

    Em entrevista à TV Globo, Fábio Mendonça conta que viajou para Buenos Aires com um casal de amigos e o retorno estava marcado para 20h de segunda no aeroporto “Aeroparque Jorge Newbery”, na capital argentina.

    Mas os três foram surpreendidos ao saberem que todos os voos da companhia aérea tinham sido cancelados por causa da greve de funcionários que presta serviço terceirizado.

    “As informações são bastantes desencontradas. O último posicionamento da Latam é que os funcionários terceirizados, que prestam serviço para a companhia, estão em greve, e com isso não tem ninguém pra fazer a manutenção dos aviões, para fazer a limpeza, e não tem ninguém para levar as malas”, relata.

    “Tanto que no momento do check-in, no despacho das bagagens, eles informaram que o voo poderia ser cancelado, porque eles não davam certeza que o voo ia correr, ou que ele poderia atrasar”, complementou.

    Fábio conta que depois de passarem pela imigração, eles e os amigos tiveram que retornar para o saguão, onde ficaram com outros brasileiros esperando mais de 7 horas por uma informação sobre o voo.

    Um vídeo gravado por ele mostra as longas filas que se formaram no aeroporto e as malas espalhadas pelo chão.

    Ainda de acordo com Fábio, a empresa não ofereceu nenhum suporte, como alimentação, e só por volta das 3h desta terça-feira (15) que todos foram levados para um hotel.

    “O nosso voo foi remarcado para amanhã [terça-feira] aqui de Buenos Aires, no Aeroparque, que é o aeroporto que a gente ia decolar. Mas os próprios funcionários dizem que é uma situação incerta e eles não garantem que esse voo vai ocorrer, por conta ainda desse movimento de greve dos funcionários”, ressalta Fábio.

    No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, passageiros relataram que um dos voos chegou a decolar em direção a Buenos Aires, mas teve que retornar para o Brasil.

    “O problema maior é a falta de informação, porque estávamos a 15 minutos de pousar quando nos informaram que estávamos voltando porque o aeroporto estava fechado. Aí paramos em Porto Alegre para abastecer. Mas aí consultamos que os cancelamentos estavam acontecendo já. Estamos desde 4h tentando remarcar”, disse Fábio, ao Bom Dia São Paulo.

    Ainda conforme a Latam, todos os clientes devem verificar o status de seus voos e as alternativas disponíveis por meio do site ou do aplicativo da empresa, e “lamenta os possíveis transtornos causados pela situação, alheia ao seu controle”.

     

  • Prefeita cobra ‘respeito’ após afegãos serem levados para Praia Grande, SP, sem que ela soubesse: ‘temos regras’

    Prefeita cobra ‘respeito’ após afegãos serem levados para Praia Grande, SP, sem que ela soubesse: ‘temos regras’

    Raquel Chini (PSDB) afirmou à TV Tribuna, afiliada da Globo, que está esperando que os governos estadual e federal façam a sua parte em relação aos refugiados no município.

    A prefeita de Praia Grande, no litoral de São Paulo, cidade onde os 128 refugiados afegãos foram abrigados em uma colônia de férias do Sindicato dos Químicos, cobrou apoio e ajuda dos governos federal e estadual. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Raquel Chini (PSDB) disse que só soube da chegada dos afegãos quando eles já estavam na estrada em direção ao município.

    “Praia Grande foi escolhida na verdade. Ninguém conversou comigo a respeito. Fomos surpreendidos com a vinda deles quando já estavam na estrada”, disse a prefeita, que afirmou só ter começado discutir o acolhimento aos refugiados quando estes estavam prestes a chegar à cidade.

    “Abri as portas imediatamente, só não sabia que no minuto seguinte eu já estava publicada nas redes sociais e em portarias com obrigações para o município”, reclamou Raquel.
    Diante da situação, a chefe do Executivo de Praia Grande disse ter pedido que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, entrasse em contato para que fossem estabelecidas regras e responsabilidades.

    “Acho que tem que ter o mínimo de respeito com a cidade. Respeito com a governante. Isso aqui é uma cidade que recebe a todos, mas temos regras, com ordem”.
    A prefeita afirmou que abrigar os refugiados no município impacta na administração municipal. “Eu me preocupo. Será que vou conseguir atender todas essas pessoas? E atender a minha população também? Será que mais alguém está pensando nisso?”.

    Ela afirmou que está esperando que os governos estadual e federal façam cumpram com o papel que lhes cabe. “Tem saúde, tem educação, tem assistência social, tem cultura, que é superdiferente, tem trabalho. Onde é que vou ter trabalho para essas pessoas? Preciso de intérprete, preciso de ajuda”.

    À TV Tribuna, a Secretaria Estadual do Desenvolvimento Social informou que oferece diariamente 320 refeições entre almoço e jantar por meio do programa Bom Prato aos refugiados, e que o serviço será mantido enquanto eles estiverem no local.

    Ainda de acordo com a pasta, a operação de transferência dos afegãos para Praia Grande é coordenada pelo Governo Federal, que não se posicionou até a última atualização desta reportagem.

     

  • Daleste 10 anos: irmã critica polícia e faz relatos emocionantes sobre sonhos do MC e luto de família pelo assassinato: ‘Nossa vida acabou ali’

    Daleste 10 anos: irmã critica polícia e faz relatos emocionantes sobre sonhos do MC e luto de família pelo assassinato: ‘Nossa vida acabou ali’

    Funkeiro Daniel Pedreira Sena Pellegrini, de 20 anos, foi morto em julho de 2013 durante show no CDHU San Martin, em Campinas. Ao g1, Carol relembra convivência com irmão, vê falhas na apuração em Campinas, e destaca trajetória musical e como era o irmão fora dos palcos.

    “Não consigo me direcionar a ele como MC Daleste. Para mim é o Daniel, sempre foi e sempre será”. Tristeza, indignação, saudade e sorrisos escondidos até nas boas memórias marcam os relatos de Carolina Sena Pellegrini ao g1 sobre o assassinato do irmão, em um crime que completa dez anos nesta sexta-feira (7). O cantor de 20 anos teve a vida interrompida após ser baleado em um show no CDHU San Martin, em Campinas (SP).

    Carol, como ela prefere se apresentar em redes sociais, demonstrou revolta com a falta de respostas do estado sobre autoria e motivação, incluindo a forma de condução dos trabalhos pela Polícia Civil.

    Além disso, ela revisitou a carreira do MC desde o início dele em um grupo de axé até a transição e sucesso no funk após mudança do estilo “proibidão” para o “ostentação”, citou a previsão de músicas inéditas a serem lançadas e fez relatos emocionantes sobre os sonhos do irmão e luto da família.

    MC Daleste foi alvo de dois disparos enquanto cantava para um público estimado em 5 mil espectadores sobre um palco improvisado em carreta durante uma quermesse. O homicídio ocorreu em 6 de julho de 2013, e o músico morreu na madrugada seguinte, no Hospital de Paulínia.

    Nesta semana, o g1 apresenta a série de reportagens “Herói da favela e ferida do sistema”. São cinco conteúdos especiais até esta sexta-feira, entre eles, entrevistas com o delegado e promotor que atuaram no caso, pesquisadores, além de um retrato sobre o bairro onde o crime aconteceu.

    Do axé ao funk
    Revisitar as canções de MC Daleste significa passar por uma sensação de desespero, diz Carol, em virtude da ausência. Aos 41 anos, ela lembrou das dificuldades durante a infância marcada pela pobreza, contou sobre os cuidados com Daniel, irmão mais novo, e o início dele na música pelo axé.

    “Praticamente eu ajudei na criação […] Minha mãe ficou acamada 11 anos, depois veio a falecer. O Daniel era muito criança [tinha 6 anos] costumo dizer que não perdi um irmão, perdi um filho. Ele sempre foi nosso caçulinha, o preferido meu, o preferido do Rodrigo [outro irmão]”, explicou Carol ao lembrar sobre desafios enfrentados pela família após a mãe sofrer acidente vascular cerebral (AVC).

    “Se por um lado faltavam condições básicas de conforto, contou, por outro havia uma união compensadora e a mãe impedia brigas. “Pobreza de não ter banheiro, ter que fazer as necessidades no balde, não tenho vergonha nenhuma de falar […] de faltar coisa para comer, uma situação escassa.”

    Um momento marcante da infância, falou, era o dia de passear com a família em uma área ao lado do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Ela ressaltou que permanece morando na Zona Leste de São Paulo, região destacada por Daleste em letras. “Acho que até hoje sou fissurada por aviões […] Era um lugar lindo aquele, Daniel andando de bicicleta, jogando bola, era uma criança normal e feliz”.

    A paixão de Daleste pela música teve como referências o hábito do pai de ouvir música em alto e bom som logo nas primeiras horas da manhã, enquanto o ingresso propriamente dito no universo artístico teve apoio do irmão, que começou no axé, e outras pessoas da família com apoio de um amigo.

    “Ele começou junto com o Rodrigo e dançando, não foi cantando. Mas era ritmo da moda e a cada ano é uma coisa diferente. O Rodrigo sempre foi muita referência na vida do Daniel”, falou Carol.
    Segundo ela, nessa época houve a perda da mãe e Daniel passou a se dedicar mais ao sonho de continuar na música. A transição no estilo, falou, ocorreu pelo que ela chama de “modinha” seguida por adolescentes e pelo fato de que na região ocorriam competições de rimas entre MCs. Carol se emocionou ao lembrar de um escrito deixado pelo irmão em um caderno guardado pelo pai deles.

    “Era corriqueiro deixar dinheiro para ele comer ou para o dia seguinte. Aí ele falou que deixei R$ 30 e ele conseguiu gravar a primeira música. Só que eu não sei qual é, não sei se foi sucesso, mas está lá escrito num dos cadernos dele e com o meu pai”, explicou Carol, que trabalha no segmento de beleza.

    ‘Preço caro’ com proibidões e ostentação
    Ao destacar que os Racionais MC’s eram a principal referência artística de Daniel à época, ele e o irmão viram “que eram muito bom” no funk e começaram a se destacar. Na primeira fase, Daleste cantou os “proibidões”, letras que costumam percorrer temas como sexo, drogas e atos de violência, mas teve como foco principal acontecimentos da periferia onde moravam, destacou a irmã dele.

    “O Daniel chocou muito as pessoas, eles não cantavam p.., esse tipo de coisa, entendeu? E talvez ele tenha pago um preço muito caro por isso. Eu tenho isso na minha cabeça”, falou Carol. Uma das músicas de destaque à época foi “Apologia”, com o trecho “matar os polícia é a nossa meta”.

    “Eu não gostava das apologias, a gente brigava muito, a gente discutia muito por causa disso. Eu falava para ele: ‘Você não pode, tudo o que você ver, colocar num papel e cantar […] Eu temia pela vida deles […] Daniel nunca participou de nada do crime, nunca teve passagem, nada disso”.
    Sobre a pegada de “ostentação” na música, conteúdos que misturam a batida do funk carioca com letras sobre bens materiais, incluindo carros, motos, óculos, roupas e bebidas, Carol ponderou que isso em nada se confundia à personalidade do irmão. Ela enfatizou a humildade do cantor.

    ‘Omissão e incompetência’
    Durante a entrevista, Carol fez uma série de críticas ao trabalho da Polícia Civil em Campinas. A arma e as balas que atingiram MC Daleste nunca foram localizadas, e o caso passou a ser também apurado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo a partir de 2014. Relembre aqui matéria sobre a investigação.

    “Foi extremamente incompetente. É só isso que eu posso te falar. Me pergunta aí o calibre da bala que matou o meu irmão? […] Não sabem. Isso é uma vergonha […] A polícia de Campinas foi muito omissa nesse caso. Não sei se é porque era só um faveladinho, entendeu? Eles enxergam dessa forma. Só mais um um funkeiro, entendeu?”, criticou. Ela afirmou ainda que teria sido tratada de maneira grosseira pelo delegado à frente do caso em Campinas, Rui Pegolo. Veja abaixo a posição dele.

    “Eu falei para ele: ‘Não estou aqui como família do criminoso, estou aqui como a família da vítima”, lembrou. Para ela, a motivação do crime não foi passional e ela rejeitou a hipótese de que o irmão tenha se envolvido eventualmente com alguma mulher comprometida.

    “É um crime encomendado, é um crime de uma pessoa que deve ter muito dinheiro. Não creio que seja passional. Um crime passional ele é cheio de falhas, já tinha achado. Cheio de emoções”, alegou Carol.
    Daleste foi socorrido ao Hospital de Paulínia, mas morreu após ter anemia aguda causada pela perda de sangue, de acordo com laudo do Instituto Médico Legal (IML). Carol alegou que a festa era regular, mas não apresentou documentos ao g1. A prefeitura, porém, disse que não autorizou ou concedeu alvará, e que à época das apurações também não conseguiu localizar o responsável pelo evento.

    ONG, músicas inéditas e o que restou?
    Em meio à emoção pelos dez anos da perda, Carol diz que a vida da família mudou diante do luto e admitiu ter perdido a esperança de que o estado consiga elucidar a autoria do caso antes da prescrição, que ocorre 20 anos após o homicídio. Com isso, a previsão legal dispõe que, caso o autor do assassinato seja descoberto após este período, ele deixa de ser punido pelo estado brasileiro.

    “Nossa vida acabou ali naquele dia 7 de junho de 2013 […] Eu perdi as esperanças, mas eu quero muito que a vida me surpreenda”, ressaltou.

    Segundo ela, músicas inéditas de MC Daleste ainda devem ser lançadas, há questões jurídicas em tratativas sobre outras canções já divulgadas, e um dos sonhos do funkeiro era criar uma organização não governamental (ONG) com objetivo de apoiar crianças e adolescentes. A data, contudo, é incerta.

    “É um segredo da nossa família […] Graças a Deus tem [bastante material para lançar]. A história dele vai permanecer rolando de uma forma ou de outra. Ele vai ser lembrado, o legado dele está com a gente […] A gente não teve um ovo de Páscoa, a gente não teve um Dia das Crianças com brinquedo. Vamos levar isso para comunidade”, contou sobre a iniciativa que planeja levar adiante no futuro.

    O que diz a Polícia Civil?
    Sobre as críticas feitas por Carol, o delegado responsável pela investigação do caso em Campinas, Rui Pegolo, afirmou que a Polícia Civil empreendeu todos os esforços para solucionar o crime.

    “Temos umas das maiores taxas de esclarecimentos de crimes violentos do Brasil, razão pela qual o comentário em tela é isolado e não condiz com a realidade”, rebateu.

  • Advogado é agredido por investigador ao impedir entrada em casa de suspeito em Batatais, SP;

    Advogado é agredido por investigador ao impedir entrada em casa de suspeito em Batatais, SP;

    Vítima alega que Polícia Civil não tinha mandado de busca. Caso será apurado pela Corregedoria, segundo delegado seccional.

    Um advogado foi agredido por um investigador de polícia na tarde de quarta-feira (5) ao recusar a entrada das autoridades na casa de um suspeito de furto em Batatais (SP). Imagens obtidas pela reportagem (veja acima) mostram o momento da agressão, em que a vítima leva uma cabeçada até cair no meio da rua.

    O alvo da agressão é Lucas Lima Roberto, que alegou, em boletim de ocorrência, ter impedido a entrada dos agentes porque a Polícia Civil não tinha um mandado de busca e apreensão para entrar no imóvel, localizado no bairro Antônio Romagnolli. Segundo o registro policial, o suspeito pelas agressões é o investigador Leonardo Toffeti.

     

  • ‘Blitz’ flagra falta de acessibilidade, mictórios quebrados e pombos na Rodoviária de Piracicaba

    ‘Blitz’ flagra falta de acessibilidade, mictórios quebrados e pombos na Rodoviária de Piracicaba

    Associação que administra Terminal Intermunicipal afirma que faz higienização e controle dos pássaros no local e há orçamento e previsão de manutenção dos banheiros.

    A Rodoviária de Piracicaba (SP) apresenta falta de acessibilidade em sanitários, alguns mictórios quebrados ou inoperantes por falta de manutenção, necessita de reparos no teto e tem recorrente presença de pombos no saguão e na área de alimentação, de acordo com apuração da EPTV, afiliada da Globo para região.

    A reportagem, que faz uma “blitz” para checar as condições dos terminais de ônibus intermunicipais, percorreu o local, nesta quinta-feira (6), e conversou com passageiros, comerciantes do espaço. Veja, no vídeo, acima.

    Apesar dos problemas flagrados, os usuários do terminal afirmaram que, de modo geral, estão satisfeitos com as condições da rodoviária, elogiaram a estrutura e atendimento no terminal intermunicipal, por onde passam cerca de 170 mil pessoas por mês.

    Desde o último sábado (1º), as passagens intermunicipais no estado ficaram até 18% mais caras. O reajuste foi aprovado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) em maio. O dinheiro arrecadado com essa taxa é repassada para os administradores dos terminais rodoviários do Estado de São Paulo.

    O aposentado Leonardo Donizete de Lima afirma que a situação dos banheiros merecem atenção. “Precisar arrumar os mictórios que estão cobertos e quebrados, por exemplo”, disse.

    O produtor Edijan Del Santo esteve no Terminal Rodoviário Intermunicipal de Piracicaba e flagrou banheiros desativados e o sanitário com acessibilidade estava trancado. Para utilizá-lo, o usuário precisa pedir uma chave à administração da unidade.

    A Associação Piracicabana das Empresas de Auto Ônibus (Apeao), que faz o gerenciamento e manutenção da Rodoviária Intermunicipal de Piracicaba informa que os mictórios atuais do banheiro masculino são do tipo ecológicos, chamados mictórios a seco (AcquaFree), por isso não utilizam água. Um desses mictórios, segundo a instituição, está em manutenção e, por isso, segue desativado.

    A administração da Rodoviária de Piracicaba é feita pela Apeao, por meio de contrato com a prefeitura, fiscalizado pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte (Semuttran).

    A Associação também informa que, devido a um serviço de troca do revestimento da parede, a moldura de gesso se soltou em três pequenas partes. “O orçamento para o conserto já foi realizado. O problema não oferece risco aos usuários e não interfere na utilização do espaço”, comunicou em nota.

    “A Apeao também informa que os banheiros são higienizados a cada hora, mantendo um funcionário exclusivo para o serviço de manutenção e limpeza desses espaços devido ao alto fluxo de pessoas”, acrescentou.

    Quanto aos pombos, a Apeão afirmou que está atenta à situação e realiza a eliminação constante de ninhos. “Além disso, faz campanha diária, inclusive com imagem no telão de Led, para que os animais não sejam alimentados dentro e nos arredores da Rodoviária pelos passageiros”, concluiu.

     

  • Vereadora nega LGBTfobia em sessão da Câmara de Araras: ‘não proferi nenhum discurso de ódio’

    Vereadora nega LGBTfobia em sessão da Câmara de Araras: ‘não proferi nenhum discurso de ódio’

    Movimentos LGBTQIA+ protestaram na Câmara contra a fala de Deise Olímpio de Oliveira (União Brasil). Parlamentar disse que não fez nada que pudesse agredir as pessoas e que respeita a todos.

    Denunciada por LGBTfobia por movimentos LGBTQIA+ por usar a palavra “aberração”, a vereadora de Araras (SP) Deise Aparecida Olímpio de Oliveira (União Brasil) disse na segunda-feira (3) que não cometeu nenhum crime.

    “Homofobia é crime, transfobia é crime. Eu não proferi nenhum discurso de ódio, então eu não cometi nada que pudesse agredir essas pessoas. Pelo contrário, eu respeito a todas as pessoas”, disse a vereadora à EPTV, afiliada da TV Globo, durante sessão na Câmara.

    Deise alegou que pretendia fazer boletim de ocorrência por conta de ameaças que diz ter sofrido e também se posicionou sobre o uso do termo “aberração”.

    “Essa palavra foi dita não em relação às pessoas do movimento, as quais merecem respeito como eu já emiti em várias notas. Eu quis dizer em relação ao ato de se levar crianças para locais onde a faixa etária tem que ser respeitada. Então essa é a minha opinião, não em relação ao movimento. Pegaram a minha frase e distorceram no sentido como se eu estivesse atacando a orientação sexual, o movimento em si”, disse.

    Polêmica

    Movimentos LGBTQIA+ alegam que a vereadora usou a palavra “aberração” para se referir à comunidade. A declaração foi dada na sessão ordinária de 19 de junho durante a votação de uma moção de repúdio proposta pela frente parlamentar cristã à participação de crianças e adolescentes em ações de apoio ao Dia do Orgulho LGBTQIA+.

    Todos os vereadores que se colocarem contrários a essa aberração ficam convidados a assinar conosco pra dar força, pra dar peso e evitar lamentavelmente episódios como esse”, afirmou Deise.

    A moção foi aprovada por 10 votos favoráveis. A vereadora disse que não fez discurso de ódio e que todas as pessoas devem ser respeitadas.

    A declaração da vereadora causou indignação entre representantes de movimentos que defendem a causa LGBTQIA+, que denunciaram a parlamentar por LGBTfobia na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

    Manifestação

    Na noite de segunda-feira, cartazes e faixas foram preparados antes da sessão ordinária. A pauta do dia ficou praticamente em segundo plano.

    A comunidade LGBTQIA+ esperava um pedido de desculpas da vereadora. “Isso vem como um peso dentro do trabalho que eu faço de combate à violência, discriminação, que já existe na cidade. E a fala realmente fomenta todo esse ódio que a gente já combate dia a dia”, disse a estudante de psicologia Ana Carla Tozzo.

    Deise Olímpio chegou a entrar no plenário antes de a sessão começar, mas ficou por pouco tempo e deixou o local. “Em razão da movimentação, das ameaças que estou sofrendo, então pela minha integridade física e emocional também”, disse a vereadora.

    Do lado de fora, participantes da manifestação usavam instrumentos e cantavam músicas em tom de protesto. Em determinado momento, a presidente da Câmara, Mirian Pires, foi pedir compreensão alegando que o barulho atrapalhava os trabalhos.

    Em um primeiro momento o marido da vereadora disse que ela não daria entrevista, mas depois ela voltou atrás e conversou com a equipe de reportagem.

    Mesmo não participando do início da sessão, a vereadora retornou ao plenário.

     

  • Manifestantes protestam contra terceirização na Mercedes-Benz em Campinas; MPT marca audiência para mediar acordo

    Manifestantes protestam contra terceirização na Mercedes-Benz em Campinas; MPT marca audiência para mediar acordo

    Trabalhadores da empresa foram até a sede do MPT-15 nesta terça. Em reunião com procuradores do trabalho, ficou definida audiência de mediação para a próxima sexta. Decisão de terceirizar dois setores afeta 500 trabalhadores.

    Manifestantes realizaram um ato, na manhã desta terça-feira (4), para protestar contra a terceirização dos setores de distribuição de peças de reposição e remanufatura na unidade da Mercedes-Benz em Campinas (SP). A montadora alemã confirmou a decisão, que afeta 500 trabalhadores, na semana passada, e o prazo para a implantação da mudança é até o fim de 2024.

    De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, pelo menos dois ônibus com trabalhadores da empresa foram até a sede do Ministério Público do Trabalho da 15ª Região (MPT-15), na metrópole, para o protesto.

    Representantes da categoria se reuniram com procuradores do trabalho durante a manhã para discutir a tercerização e ficou definido que o MPT vai atuar como mediador.

    O órgão marcou uma audiência de mediação para sexta-feira (7), às 10h, e vai tentar um acordo entre as partes. Integrantes de movimentos sociais, estudantes da Unicamp e professores da rede pública, também participaram da manifestação com faixas e cartazes.

    A terceirização
    Segundo a empresa, as mudanças terão início em dezembro de 2023 e têm como objetivo trazer “maior eficiência, competitividade e agilidade no atendimento” aos clientes. Serão afetados, portanto, os seguintes setores:

    Central de distribuição de peças de reposição: atividades passarão a ser realizadas por empresa terceirizada em Itupeva (SP). A transição deste processo acontecerá de dezembro de 2023 a março de 2024.
    Atividades de pós-vendas e outras funções administrativas: serão transferidas para São Bernardo do Campo (SP) no primeiro semestre de 2024.
    Linha de remanufatura de peças: será terceirizada até o final de 2024.

    Em nota, a empresa ressaltou que busca solução para “minimizar os impactos da decisão” em relação aos colaboradores e que pretende iniciar as negociações com o sindicato para a construção de “alternativas e condições satisfatórias que nos levem ao melhor resultado possível para todas as partes envolvidas”.

    O que diz o sindicato?
    Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Sidalino Orsi Júnior, uma assembleia foi realizada com os trabalhadores nesta segunda-feira (26) e há uma rodada de negociação com a empresa agendada para quarta (28).

    “A terceirização é a precarização mais acentuada sobre os trabalhadores, porque deixa o setor patronal com uma situação mais favorável para ampliar seus lucros, pagando menos salários e dando menos direito. Esses companheiros de empresas terceirizadas infelizmente sofrem com o descaso das políticas de saúde e segurança das empresas”, afirma.

    Segundo Orsi, os dois setores afetados pelas mudanças – de logística e venda de peças e remanufatura de câmbios, motores e periféricos – são essenciais para as atividades e lucro da empresa. Com a terceirização, a estimativa do sindicato é de que a montadora tenha uma economia de 70% com o pagamento de salários.