Categoria: Polêmica

  • Após manutenção em Fórum de SP, 1ª audiência do caso de jovem morto por motorista de Land Rover é adiada para junho de 2024: ‘Indignação total’, diz pai de vítima

    Após manutenção em Fórum de SP, 1ª audiência do caso de jovem morto por motorista de Land Rover é adiada para junho de 2024: ‘Indignação total’, diz pai de vítima

    Fernando Zambori morreu atropelado na frente de uma casa noturna na Zona Sul de São Paulo em 13 de agosto de 2022; motorista Gustavo dos Santos Soares teve pedido de prisão revogado duas vezes e segue em liberdade com medidas cautelares.

    Após o Fórum Criminal da Barra Funda passar por uma manutenção no dia 4 de setembro, a primeira audiência sobre a morte do jovem Fernando Zambori, que foi atropelado por um motorista de Land Rover em agosto de 2022, foi remarcada para 10 de junho de 2024. O motorista segue em liberdade com medidas cautelares (veja mais abaixo).

    A família de Fernando, que chegou a fazer uma mobilização pedindo por Justiça em 10 endereços de SP, relatou indignação com a nova data.

    “Até agora estamos mesmo sem entender o porquê o juiz está protelando tanto para marcar esta audiência. Foi apenas um dia de atraso por conta de uma manutenção do Fórum Barra Funda e o excelentíssimo joga a audiência para quase um ano. E com isso o assassino do meu filho fica livre como se a vida continuasse numa boa. Indignação total”, diz Maurício Zambori, pai de Fernando.

    Em decisão no dia 12 de setembro, o juiz Jair Antonio Pena Junior alegou: “este juízo já não possui mais pauta livre para designação de audiências de réus soltos nesta Vara para o ano de 2023. Ainda, há inúmeros outros processos com fatos mais antigos aguardando a realização de audiências, pelo que não há nenhuma razão plausível para a antecipação do ato”.

    Ainda conforme Maurício, a manutenção no Fórum justamente na data da audiência foi informada dias antes à família.

    “Única informação que tivemos na época foi que por conta dessa uma manutenção emergencial não haveria nenhum agendamento presencial. Até pensei que poderia ser online, mas não ocorreu, infelizmente. Fui até o Fórum e realmente estava tudo fechado”, afirmou Maurício.

    No comunicado colocado na frente do prédio do Fórum havia a informação sobre a suspensão de atendimento ao público, suspensão de prazos processuais dos processos físicos e suspensão das audiências e custódia presenciais, no dia 4 de setembro, “devido à troca de switches e indisponibilidade da rede lógica, conforme comunicado nº 367/2023”.

    Em nota, o Tribunal de Justiça confirmou que a audiência não ocorreu e disse apenas que será designada nova data oportunamente. “Essa é a única informação disponível, pois esse processo tramita em segredo de justiça”, afirmou o TJ em nota ao g1.

    Atropelamento com morte
    A morte de Fernando completou um ano no dia 13 de agosto. O jovem foi atropelado na saída de um estacionando na frente de uma casa noturna no Itaim Bibi, Zona Sul de SP. O laudo do Instituto Médico Legal apontou traumatismo craniano grave como a causa da morte.

    Segundo boletim de ocorrência, um amigo da vítima contou à polícia que estava com Fernando, quando o motorista de uma Land Rover Velar, que estava sem placas e atrás do veículo deles, passou a ofendê-los.

    O amigo relatou que retirou o carro e colocou do outro lado da rua. Na sequência, Fernando desceu para conversar com o motorista, quando foi atropelado. Uma câmera de segurança registrou o momento do atropelamento.

    O motorista fugiu do local. Ele foi identificado como Gustavo dos Santos Soares após o responsável pela casa noturna fornecer as imagens de câmera de segurança.

    A prisão temporária dele chegou a ser decretada, mas no dia 8 de setembro a Justiça considerou desnecessária.

    De acordo com a decisão do juiz Roberto Zanichelli Cintra, Gustavo contratou advogado e se comprometeu a colaborar com a investigação, como apresentar o carro envolvido na delegacia.

    Com isso, o juiz substituiu o mandado de prisão por medidas cautelares: não sair da cidade de São Paulo por mais de 8 dias ou mudar de endereço sem avisar a Justiça, não se aproximar das testemunhas e manter o contato atualizado.

    Houve, então, pedido de prisão preventiva para Gustavo, mas foi indeferido pela Justiça no dia 4 de outubro com a alegação de que ele estaria respeitando as medidas cautelares.

    ‘Fica tranquila, não aconteceu nada’

    Uma jovem que estava no carro com o motorista deu detalhes do momento do atropelamento à polícia. Segundo o depoimento da jovem, o motorista havia bebido uísque antes de ela aceitar uma carona para casa.

    Quando os dois estavam no estacionamento, Gustavo pediu que meninos que vendiam bala falassem para que um outro motorista retirasse o veículo do caminho.

    Conforme o relato dela, Gustavo disse para uma pessoa fora do carro: “Estou pedindo na humildade”. Em seguida, o rapaz, que seria Fernando Palominio Zambori, questionou se o veículo de Gustavo não passaria no espaço.

    Irritado, o motorista teria acelerado e atingido a vítima. A testemunha não detalhou se foi com intenção de atropelar ou assustar o pedestre.

    Na sequência, o motorista perguntou para os vendedores de bala e eles teriam falado que “só tinha quebrado uma perna”.

    Ainda segundo a jovem, assustada com a situação, disse: “Você é louco?” Gustavo teria respondido: “Fica tranquila, não aconteceu nada. Só quebrou a perna do menino”.

    Mobilização da família

    Ponte da Freguesia do Ó, Avenida do Anastácio, Avenida Paulista, Ponte do Piqueri, Avenida Francisco Mattarazo e Cidade Universitária. Esses foram alguns dos endereços que os familiares e amigos do jovem Fernando Zambori foram por 15 dias para pedir por Justiça.

    A mobilização diária começou no dia 15 de agosto e ocorreu até o dia 3 de setembro. “Nós queremos que essa mobilização chegue ao máximo de pessoas para todo mundo ver que não foi acidente. O vídeo do dia do crime prova isso. Uma pessoa com todos os antecedentes criminais mais esse assassinato. O motorista não pode ficar livre”, afirmou a irmã de Fernando, Andressa Zambori.

    O pai de Fernando também ressalta que o grande objetivo foi mobilizar tanto pelo caso de Fernando quanto por outros envolvendo atropelamento com morte.

    “Esperamos despertar o sentido de Justiça. Não somente no caso do meu filho Fernando, mas que também possamos de alguma forma ajudar outras famílias. Nossas leis têm que mudar”, ressaltou Maurício.

    Com o adiamento da audiência, a mobilização vai retornar assim que uma nova data for informada.

    “Pretendemos continuar, porém, vamos primeiro aguardar uma manifestação do juiz para podermos nos organizar melhor. Os amigos do Fernando usam a seguinte frase: aqui ninguém larga a mão de ninguém e vamos até o fim”.

     

  • Liga esportiva das atléticas de medicina de SP suspende participação da Unisa de jogos por um ano

    Liga esportiva das atléticas de medicina de SP suspende participação da Unisa de jogos por um ano

    Decisão foi tomada no sábado (23) e corresponde aos campeonatos organizados pela Leamesp, o pré-Intermed e o Intermed. Também ficou estabelecida uma mudança no regulamento da Liga que, segundo relato de alunos, burocratizava denúncias e não punia violências.

    A Liga Esportiva das Atléticas de Medicina do Estado de São Paulo (Leamesp) suspendeu por um ano a participação da Universidade Santo Amaro (Unisa) das competições. A medida vale para os campeonatos organizados pela Liga, o pré-Intermed e o Intermed.

    Segundo apurado pela reportagem do g1, a decisão foi tomada no último sábado (23) e realizada de forma conjunta por representantes das demais atléticas que fazem parte da instituição.

    A Unisa segue com direito a voto dentro da Liga, mas está temporariamente fora dessas duas competições.

    A Unisa foi punida não pelo histórico de práticas violentas – algo que também é cometido por algumas universidades que participam dos jogos – mas por ter ameaçado vazar vídeos que comprometessem outras faculdades, e a própria Liga, após a repercussão do caso que ocorreu na Calo 23.

    Vídeos que mostram alunos da Unisa correndo pelados e simulando uma masturbação durante uma partida de vôlei ganharam repercussão nacional. Os atos ocorreram em abril deste ano, mas se tornaram públicos depois que vídeos de repúdio viralizaram nas redes sociais no domingo passado.

    Além da punição, durante a reunião, foi determinado o investimento na reformulação do regulamento da Liga para que casos de violência, assédio e humilhações sejam punidos.

    O g1 tenta contato com a Atlética da Unisa e com representantes da Leamesp.

    Silenciamento
    Ao g1, estudantes de medicina de diferentes universidades relataram que o atual estatuto da Liga é burocrático e impede que as denúncias avancem.

    “O estatuto prevê punições para alguns tipos de práticas. Por exemplo: agressões, arremessos de objetos sólidos em quadra, briga generalizada, mas essas punições raramente são aplicadas”. São muitas etapas que dependem de um desejo coletivo de punição.

    “Algo só pode ser punido na Leamesp se você tiver por escrito o que aconteceu e duas pessoas de outras universidades concordarem que aquilo realmente aconteceu. Então, mesmo que todo mundo tenha visto, mesmo que tenha acontecido na frente de todo mundo, mesmo que alguém tenha se machucado, que tenha ocorrido assédio, isso só vai ser punido se a faculdade envolvida relatar, escrever, e outras duas não envolvidas escreverem que concordam”.

    Ainda conforme os relatos, as faculdades acabam silenciando por receio de retaliação. A faculdade envolvida escreve o que aconteceu em uma súmula e as outras duas faculdades que precisam atestar, acabam não fazendo por medo de retaliação.

    “Acaba que nada acontece. Até quando tem brigas generalizadas, que pessoas vão para hospital, que pessoas saem sangrando, que tem violências absurdas, muitas vezes não é punido pela Liga. Ninguém tem a coragem de ir lá, relatar e falar: eu vi que aconteceu, e eu concordo (com a punição) porque isso pode gerar retaliação dentro da própria Liga”, explicam alunos.

    As consequências seriam perdas de favores que importam para as faculdades, como troca de horário de jogos e voto em decisões importantes.

    “Ninguém denúncia nada para que as práticas sejam livres. Eu não denuncio você, para você não me denunciar. E aí nada é punido”, relata uma estudante.

    Calouros expulsos
    Até a última sexta-feira (22), a Unisa tinha expulsado 15 alunos de medicina por conta dos atos obscenos cometidos em um jogo universitário que ocorreu em abril, mas ganhou repercussão após vídeos viralizarem.

    Segundo apurado pelo g1 e pela TV Globo, os 15 estudantes são calouros do curso e têm entre 18 e 19 anos.

    Procurada, a Instituição não comentou o assunto. Desde o início da semana passada, a Unisa tem se recusado a informar de forma transparente o número de alunos desligados. A Universidade também não esclarece os critérios das investigações internas.

    Cartilha de humilhações
    Alunos da universidade afirmam que os atos obscenos cometidos por estudantes de medicina durante os jogo universitário de calouros fazem parte de condutas exigidas aos novatos por um grupo de alunos do último ano do curso, responsáveis por praticar o chamado trote.

    Segundo relatos ouvidos pelo g1 e pela TV Globo, existe uma espécie de “cartilha de obrigações” que há mais de dez anos é reproduzida e mantida por alguns desses veteranos.

    De acordo com os estudantes, logo que entram na faculdade, todos os calouros de medicina são pressionados a participar e se submeter às determinações. Mas quem deseja fazer parte da Atlética precisa passar pelo trote.

    Os estudantes que não concordam ou desistem das atividades “são hostilizados e chamado de p** no c*”, relata um aluno.

    “Falam que nós não vamos ter acesso a oportunidades dentro da faculdade, que não vamos conseguir arrumar emprego depois de formados, pois não vai ter ninguém para indicar, que não vamos conseguir participar dos esportes, pois todo mundo que pratica é o pessoal do trote, que não vamos conseguir construir um currículo bom no geral, que vamos ficar marcados como fracos dentro da universidade”, conta outra estudante de medicina.

    No relato dos alunos, além de correr pelado pela quadra, eles devem aceitar humilhações que incluem frequentar a universidade usando cueca ou calcinha por cima da roupa e apelidos vexatórios.

    “Se você questiona, leva bronca. No grupo, o seu nome de batismo é o apelido. E o nome na faculdade será o que eles vão te dar. E, muitas vezes, são nomes constrangedores, ficando com ele até o fim do curso”, explica uma caloura.
    Ainda de acordo com os depoimentos, o trote é mantido até o final do primeiro semestre. Mas as punições acabam sendo aplicadas durante toda a graduação.

    Procurada, a Unisa não quis comentar sobre tais acusações. O g1 tenta contato com representante da Atlética.

    “Dura 6 meses. Quem participa do trote tem que ir em todas as festas que a Atlética, fazer tudo que eles pedem, como limpar materiais de treinos, arrumar materiais para ensaio de bateria, por exemplo, e carregar tudo isso para cima e para baixo. Fora os episódios de jogar bebida nos calouros por nada, fazer os meninos correrem pelados nas festas e serem super grossos com eles.”

    O grupo de veteranos também estabelece como os calouros devem se vestir na faculdade ao longo dos primeiros seis meses.

    “As mulheres devem ir de cabelo preso, camiseta larga, sem acessórios, calça sem rasgo, sem maquiagem e sapato fechado. Já os homens devem raspar a cabeça e ir com o mesmo estilo de roupa das meninas. Quando começam as aulas, começam as festas, inclusive toda semana. Os calouros devem seguir essa roupa, mas usar uma camiseta específica. As meninas com um top preto por cima da roupa, e os meninos com a cueca em cima da roupa.”

    Agressão contra calouros
    Um estudante disse à reportagem que um colega que não se submeteu às determinações acabou sendo agredido.

    “Amassaram ele na porrada por ‘falta de respeito com os veteranos’”, explicou um estudante.
    “Eles xingam quem não participa. Os alunos são humilhados. Conheço gente que saiu dessa jornada no meio, antes dos 6 meses. Eles são chamados com o nome que os veteranos deram por não participarem dos grupos. Tem gente que não aguenta”, relata outra aluna.
    Como todo veterano já foi calouro, o problema reflete a espiral de humilhações e opressões dentro do sistema acadêmico. “Eles falam que passaram por isso, então os calouros tem que passar”.

    Na avaliação dos estudantes, os alunos que foram expulsos acabaram penalizados por algo que ocorre dentro da universidade de forma sistêmica. “Eu acho que os meninos fizeram isso pela pressão da tradição, e acreditaram que ia dar em nada”.

    Entretanto, a jovem espera que os responsáveis pela manutenção de tais praticas também sejam punidos. “Eu acredito que vão investigar os mandantes. São quem mandou os meninos realizarem esse ato obsceno durante o trote.”

    “Eu acho que isso não define a faculdade. Foi um grupo de pessoas, foi uma atitude centrada num grupo pequeno, a universidade é muito maior que isso. A faculdade surgiu de um sonho de homens que queriam somente formar médicos, profissionais da saúde humanizados. Sou totalmente contra o trote e ações como essa. Acredito que essa situação vai fazer com que os alunos da medicina reflitam mais.”

    Canal de denúncias
    Os estudantes ouvidos pela reportagem afirmam que a Unisa criou um canal de denúncias, mas o processo é feito de forma interna, sem transparência.

    A faculdade mantém nos campus cartazes contra o trote e um e-mail é enviado aos alunos reforçando a mensagem todo o início de semestre.

    Reincidência e omissão
    Diretórios de diversos cursos da Universidade Santo Amaro (Unisa) usaram as redes socias para manifestar repúdio ao caso.

    Nas notas, eles cobram ações e relatam que a Universidade já foi omissa na punição em episódios similares anteriormente.

    “Repudiamos os crimes cometidos e esperamos uma punição exemplar por conta da instituição que por muitas vezes se fez omissa aos crimes praticados por esses mesmos alunos em outras ocasiões”, afirmou o diretório acadêmico de direito.”Exigimos que medidas sejam tomadas pela Unisa, e que não acabe apenas em cartazes espalhados pela universidade como aconteceu anteriormente, sobrando até para cursos que nunca estiveram envolvidos e os criminosos seguem intactos”, escreveram os diretórios dos cursos de farmácia e odontologia.
    A Unisa afirmou que expulsou alunos do curso de medicina “identificados até o momento” que foram gravados seminus simulando masturbação durante um jogo de vôlei feminino. Ao todo, sete teriam sido banidos.

    Histórico
    O caso ganhou repercussão no domingo (17), após a publicação de um vídeo com a cena nas redes sociais. No entanto, o episódio aconteceu em abril, durante um campeonato universitário.

    Por meio de nota, a Unisa disse que tomou conhecimento das “gravíssimas ocorrências” durante a manhã desta segunda-feira (18), ao receber as publicações que estavam circulando pelas redes sociais. A instituição era procurada pelo g1 para falar sobre o assunto desde o domingo (17).

    “Assim que tomou conhecimento de tais fatos, mesmo tendo esses ocorrido fora de dependências da Unisa e sem responsabilidade da mesma sobre tais competições, a Instituição aplicou sua sanção mais severa prevista em regimento”, disse a universidade.

    A Unisa também informou que levou o caso para as autoridades, que vai colaborar com as investigações e tomar providências cabíveis. E afirmou que caso outros alunos sejam identificados, “seja pela equipe da Unisa, ou polícia, receberão a mesma punição”.

    Ainda de acordo com a Instituição, até o momento, nenhum representante da Unisa foi intimado.

    Segundo apurado pelo g1, os alunos gravados seminus faziam parte do time de futsal da Unisa e estavam em uma arquibancada. Eles abaixaram as calças enquanto o time de vôlei feminino da instituição jogava contra o time de outra universidade, em São Carlos.

    Nas imagens que circulam pelas redes sociais, os estudantes aparecem tocando nas próprias partes íntimas.

    De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos está investigando a conduta dos estudantes. No entanto, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) não detalhou por quais crimes os alunos são investigados.

  • MEC notifica Unisa pela 2ª vez e pede esclarecimentos a mais três universidades sobre medidas contra trotes

    MEC notifica Unisa pela 2ª vez e pede esclarecimentos a mais três universidades sobre medidas contra trotes

    Ministério da Educação quer saber quais ações foram feitas para punir condutas praticadas em trotes, jogos e demais eventos acadêmicos. Documento foi enviado para o Centro Universitário São Camilo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

    O Ministério da Educação notificou novamente a Universidade Santo Amaro (Unisa) e também cobrou explicações do Centro Universitário São Camilo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) a respeito dos atos obscenos cometidos por alunos das instituições em jogos universitários.

    Segundo apurado pelo g1 e pela TV Globo, o MEC quer saber quais medidas foram tomadas pelas faculdades para investigar e punir condutas praticadas em trotes, jogos e demais eventos acadêmicos.

    Notificada pelo MEC no início da semana, a Unisa tinha até outubro para prestar esclarecimentos sobre a demora da Universidade em apurar e punir os alunos do curso de medicina que foram gravados seminus simulando masturbação durante um jogo de vôlei feminino.

    O caso ocorreu em abril deste ano, mas foi divulgado após vídeo de repúdio ao ato viralizar no último domingo (17).

    O ofício foi respondido antes do prazo final, sem revelar o número de alunos expulsos tampouco o processo de apuração dos fatos.

    Até esta sexta-feira (22), segundo apurado pelo g1, 15 calouros já tinham sido desligados.

    Estudantes de medicina da Santa Casa e do Centro Universitário São Camilo também foram filmados em situações semelhantes.

    Um vídeo gravado em maio deste ano mostra torcedores da turma de medicina da Santa Casa seminus e exibindo as partes íntimas. A direção da faculdade disse que ficou chocada com as imagens e que vai investigar o caso.

    Já os alunos da São Camilo aparecem em outra gravação mostrando as nádegas. A administração da universidade diz investigar os fatos e avaliar as medidas a serem tomadas.

    Ao g1, alunos da Unisa revelaram que os atos obscenos fazem parte de uma espécie de “cartilha de obrigações” impostas aos calouros por um grupo de alunos do último ano de medicina.

    Histórico
    Os alunos da Unisa gravados seminus faziam parte do time de futsal da Unisa e estavam em uma arquibancada. Eles abaixaram as calças enquanto o time de vôlei feminino da instituição jogava contra o time da São Camilo, em um campeonato de calouros realizado em São Carlos.

    Nas imagens que circulam pelas redes sociais, os estudantes aparecem tocando nas próprias partes íntimas.

    De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos está investigando a conduta dos estudantes.

    No entanto, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) não detalhou por quais crimes os alunos são investigados.

  • Juliette é criticada e apaga post após divulgar turnê ‘Ciclone’ em Porto Alegre: ‘falta de empatia’

    Juliette é criticada e apaga post após divulgar turnê ‘Ciclone’ em Porto Alegre: ‘falta de empatia’

    Seguidores relacionaram o nome da turnê com desastre natural que atingiu o RS no início de setembro. Após repercussão negativa, cantora se retratou.

    A cantora Juliette foi alvo de críticas nas redes sociais ao divulgar a passagem da turnê “Ciclone” em Porto Alegre, prevista para o próximo mês. Os seguidores relacionaram o nome do álbum com o desastre natural que atingiu o Rio Grande do Sul no início de setembro e já deixou quase 49 mortos.

    Em uma postagem nesta quarta-feira (20), Juliette convocava os fãs da Capital do RS para a apresentação. “Cadê meus amores de Porto Alegre?? Dia 14/10 eu tô chegando com a turnê Ciclone e eu quero todo mundo lá” Vai ser lindo!!”, postou. 

    A cantora apagou a publicação alguns minutos após a postagem. “Nossa, o timing péssimo”, escreveu um seguidor. “Não teve uma pessoa no social media da Juliette para pesquisar ‘ciclone Porto Alegre’?”, questionou outro. “Falta de empatia”, avaliou um terceiro.

    Após a repercussão negativa, Juliette se retratou. “Aprendi em minha vida que ser nobre é reconhecer nossos próprios erros. Então, peço profundas e sinceras desculpas pelo tweet inoportuno e equivocado sobre a minha turnê no Sul”. Ela acrescentou que “medidas estão sendo tomadas para que esse erro não aconteça novamente”.

    Em outra rede social, a artista divulgou uma campanha de arrecadação para os desabrigados após as enchentes que atingiram o estado. “Vamos continuar ajudando! Atitudes valem mais que palavras”, postou nos stories.

     

  • Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio decide chamar Marcos Braz após confusão em shopping

    Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio decide chamar Marcos Braz após confusão em shopping

    Vereador e vice-presidente de futebol do Flamengo fazia compras na tarde desta segunda-feira (19) em um shopping, quando se envolveu em uma briga com um torcedor. No mesmo horário, ele deveria estar participando de votação no plenário, mas marcou presença virtual e faltou.

    O Conselho de Ética da Câmara de Vereadores do Rio quer ouvir o vereador Marcos Braz (PL) na próxima terça-feira (26), às 13 horas, a respeito do da briga com um torcedor em um shopping da Zona Oeste, nesta segunda (19).

    A confusão ocorreu no momento em que acontecia uma sessão na Câmara de Vereadores, em que Braz deveria estar presente. “Além de ouvi-lo sobre a briga, precisamos que ele explique por que deu a presença na sessão, se estava num shopping a 30 quilômetros da Cinelândia. Isso precisa ser esclarecido também”, garantiu a vereadora Teresa Bergher, membro e criadora do Conselho de Ética da Câmara.

    De acordo com a Câmara, Braz, que também é vice-presidente do Flamengo, chegou a marcar a presença de forma virtual – que pode ser feita entre às 13h30 e 16h –, mas a presença do vereador precisa ser confirmada no local após o início das votações do dia, às 16h. Como mostra o painel da casa, o dirigente do Flamengo não o fez e ficou com o nome com interrogação no painel da casa.

    Só este ano, Braz já faltou a oito sessões na Câmara, conforme divulgado no Portal da Transparência. Ele é o 3° vereador com o maior número de faltas. Para cada falta, o vereador tem descontado R$ 573,90 do contracheque.

    Entre os projetos de lei votados nesta segunda, estavam um empréstimo do BNDES de mais de R$ 500 milhões para construir um anel viário em Campo Grande e outro que proíbe que veículos motorizados andem em ciclovias, este segundo de autoria do próprio Braz.

    Após a confusão, Braz ficou fechado em uma loja e só saiu do local escoltado por agentes do Segurança Presente, sob forte vaia e muitos xingamentos (veja abaixo).

    O dirigente foi para a 16ª DP (Barra) para registrar o caso. Segundo o ge, o torcedor, que se identificou como Leandro Gonçalves Júnior, foi para o hospital, com ferimentos leves, e esteve na delegacia depois.

    Segundo testemunhas e vídeos, a briga começou após o torcedor cobrar Marcos Braz sobre a situação do Flamengo, que enfrenta uma queda de rendimento e perdeu o primeiro jogo da final da Copa do Brasil, no Maracanã, para o São Paulo.

    Ao ge, Braz disse que estava em uma loja com a filha dele, de 15 anos, quando chegaram três torcedores que se identificaram como membros de uma torcida organizada do clube, a Jovem Fla. Os três teriam pedido a demissão do técnico Jorge Sampaoli e de atacante Gabigol.

    Braz alega que foi xingado, ameaçado de morte, e que até a filha foi ameaçada. Segundo ele, só após essas ameaças, ele e os seguranças foram atrás dos três torcedores.

    De acordo com o jornalista Venê Casagrande, do SBT, o torcedor contou que gritou para Braz sair do Flamengo e, em seguida, foi agredido pelo segurança e o vereador, que o mordeu. Imagens que circulam por redes sociais mostram a suposta mordida.

    Marcos Braz marcou presença virtual na Câmara, mas não votou e levou falta; vereador brigava em shopping no horário da sessão
    Trancado em loja e multidão na porta

    Vídeos que circulam em redes sociais mostram aglomerações no centro comercial perto da loja Pandora, onde Braz fazia compras antes da briga.

    Foi dentro da loja que o vereador ficou, com as portas trancadas, até que agentes do Segurança Presente o escoltassem para sair do shopping – cerca de uma hora depois da briga. Uma multidão aguardava a saída do dirigente, que foi vaiado e xingado.

    Uma funcionária do shopping contou ao g1 que o torcedor foi reivindicar a situação do time quando o Marcos Braz estava dentro da loja. Depois que o homem saiu, segundo o relato da testemunha, o dirigente e um segurança agrediram o torcedor.

    “O rapaz me contou que em momento nenhum xingou ele. Foi muito desnecessário, ele foi covarde, não poderia se prestar a esse papel. Ele e um segurança batendo em um menino magrinho”, relata a mulher.
    A administração do shopping informou que foi acionada na tarde de hoje devido a um desentendimento entre clientes. “O shopping informa ainda que está prestando todo o apoio aos envolvidos e que permanece à disposição das autoridades competentes para colaborar com a apuração dos fatos”, disse o centro comercial.

    Falta em sessão na Câmara após presença virtual

    A confusão foi durante horário de sessão na Câmara dos Vereadores, onde Braz chegou a registrar presença virtual, mas não participou de votação e levou falta.

    A Câmara fica a cerca de 30 quilômetros do shopping, em um trajeto que costuma ter congestionamentos.

     

  • Luísa Sonza termina com Chico Moedas e se emociona ao ler texto no ‘Mais Você’

    Luísa Sonza termina com Chico Moedas e se emociona ao ler texto no ‘Mais Você’

    Cantora participou do programa com Ana Maria Braga nesta quarta-feira (20). ‘Só quem já foi traída sabe da dor que se sente, a dor que se acarreta e desencadeia’, disse ela.

    Luísa Sonza disse na manhã desta quarta-feira (20) que terminou o relacionamento com o influenciador Chico Moedas. A cantora participou do programa “Mais Você”, com Ana Maria Braga.

    Durante a conversa, Ana Maria Braga contou que Luísa “desmanchou com Chico” e que havia escrito um texto sobre o término. “Gostaria que vocês escutassem”, disse a apresentadora. A cantora e Chico assumiram o relacionamento em julho deste ano. O namoro deu origem à música “Chico”, uma bossa nova que chegou ao primeiro lugar das plataformas de streaming.

    “Não estava programado eu mostrar esse texto, que é um dos textos que eu faço. Faço vários textos. Mas ela pediu e, obviamente, eu não poderia negar”, disse a cantora. “Esse texto não é só sobre mim. É muito mais sobre tudo que eu vi desde criança e o lugar que isso pega em mim. Que não é sobre um ato isolado. É uma história que a gente vê se repetindo muitas vezes com muitas mulheres. Vou ler”, explicou Luísa, ao começar a leitura.

    “É insuportável que a traição, a quebra de combinado, respeito, confiança, zelo, cuidado, continue sendo normalizada. Um erro pontual. Só quem já foi traída sabe da dor que se sente, a dor que se acarreta e desencadeia o que eles chamam de erro pontual. Da autoestima, destruída, da dúvida, da insegurança que algo assim causa.”

    “A traição faz você se invalidar, faz você se sentir idiota, burra, palhaça, trouxa. É uma dor impossível de explicar. É uma quebra na confiança no próximo, é por medo de acreditar nas pessoas. É um sonho destruído. É toda sua entrega, todo seu zelo, cuidado, amor jogado fora.”

    “Intensa demais? Intenso demais é alguém que larga tudo o que prometeu, se propôs, construiu a dois por um momento no banheiro sujo de um bar. De resto é só amor, paixão, admiração, respeito, entrega. Quando você é traída, até se questiona da capacidade de discernimento por ter acreditado e caído na mentira que ainda geralmente vem não só antes como depois da traição”, continuou Luísa, enquanto Ana Maria também parecia bastante emocionada.

    “Mentem nos olhando no olho, como se fossemos uma ameba que cai em qualquer coisa que eles possam dizer. A verdade é que eles acreditam em tudo isso. Eles acreditam que somos burras, frágeis, fáceis de convencer, de manipular, que o mundo é deles e eles podem tudo. Que nada é grave. E sabem como é, homem é assim. Meu amor, infelizmente você mexeu com a mulher errada.”

    “Hoje, vocês não vencem. Hoje, eu quebro um ciclo pela minha mãe, por minhas tias, e por todas as mulheres que vi minha vida inteira sendo traídas e não tinham muitas vezes nem para onde ir, acabando por ter que ficar com o traidor dentro de casa. “

    “Hoje, eu me escolho mesmo que me doa, mesmo que por vez eu não queira, mesmo ainda te amando, hoje eu te protejo e não vou te proteger. Mesmo que eu queira, porque você naquela noite, naquele bar, não me protegeu. Mesmo que eu quisesse. Hoje eu te dou um adeus, por mim e por todas nós. E antes de ir, eu quero te responder que escolher não estar mais com você não é viver o amargor ao invés do amor como você me disse. Eu vou viver o amor. Só não vai ser com você.”

    Ao término, Luisa e Ana Maria Braga estavam bastante emocionadas. E a apresentadora finalizou dizendo: “Qualquer outra pergunta, vocês falem com Chico”. Ana Maria ainda agradeceu Luisa e deu um abraço da cantora.

    Antes da leitura do texto, Ana Maria havia explicado: “Hoje de manhã gente conversou, e ela escreveu um texto que está no celular dela e é um dos textos maravilhosos e que acho que é um recado pra todas aquelas pessoas que já traíram alguém. Ela não queria, mas ela também me permitiu e eu pedi para que ela lesse esse texto aqui para mim.”

  • Hinos ofensivos, maus-tratos a animais e ‘paredão de bunda’: excessos de estudantes ligam alerta de prefeituras e especialistas

    Hinos ofensivos, maus-tratos a animais e ‘paredão de bunda’: excessos de estudantes ligam alerta de prefeituras e especialistas

    Prefeituras do interior de SP estudam instalar câmeras em ginásios para flagrar abusos em jogos universitários, e especialistas destacam responsabilidade de universidade na preparação de futuros profissionais.

    A expulsão de alunos de medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), após a simulação de uma masturbação coletiva numa competição universitária, abriu discussão sobre os excessos e o mau comportamento dos estudantes nesses encontros, que geralmente acontecem em cidades do interior de São Paulo.

    Recentemente, jogos como o Calo 2023, o CaloMed, e o Pré-Intermed 2023 foram marcados não apenas pela disputa esportiva entre os cursos de medicina do estado, mas também por brigas, hinos, cantos preconceituosos e até maus-tratos a animais.

    Além dos alunos da Unisa, que exibiram as genitálias durante jogo de mulheres, imagens divulgadas por estudantes que participaram do mesmo evento mostram alunos da São Camilo exibindo as nádegas e fazendo o que eles chamam de “paredão de bunda”, em abril, na cidade de São Carlos, para provocar alunos de outras faculdades (veja mais abaixo).

    Briga generalizada e maus-tratos a galinhas
    No início daquele mês, uma briga generalizada entre estudantes de medicina da PUC-Campinas e da Faculdade de Medicina de Catanduva (Fameca) interrompeu o Pré-Intermed 2023.

    No mesmo Pré-Intermed, o Ministério Público e a Polícia Civil iniciaram um inquérito para apurar maus-tratos contra duas galinhas levadas por estudantes da Fameca ao evento.

    Esses dois últimos casos também foram registrados em São Carlos, no ginásio Milton Olaio Filho, palco dos atos libidinosos dos estudantes da Unisa – que aconteceram menos de um mês depois, no Calo 2023, entre 28 de abril e 1º de maio deste ano.

    Costume universitário nocivo

    Para o advogado Henderson Fürst, especialista em direito médico e Presidente da Comissão Especial de Bioética da OAB–SP, todo esses casos ilustram que “há tempos os estudantes têm passado dos limites éticos nessas disputas”.

    Ele defende que as faculdades de medicina trabalhem a humanidade dos estudantes, sob pena de entregarem profissionais ruins para atuar no sistema de saúde do país.

    “Há um costume universitário nocivo, tóxico e criminoso que se instaurou em certas universidades e não está sendo adequadamente tratado”, afirmou.

    “É fundamental que todas as universidades realizem agora uma autocrítica e uma avaliação com as suas atléticas e com seus estudantes de como eles têm se portado fora da instituição. E até mesmo como eles têm se portado lá dentro, porque isso vai refletir muito na qualidade de profissionais que as instituições estarão entregando ao mercado”, completou.
    “Chama atenção o fato de que vídeos como esses [da Unisa] são de abril, mas vieram à tona só agora. Fico pensando quantas outras situações como essas não aconteceram e foram acobertadas. Quantas outras universitárias tiveram que passar por situações vexatórias? É preciso que nós criemos um ambiente universitário seguro e saudável para formarmos os melhores profissionais possíveis aqui no Brasil”, declarou Fürst.

    Câmeras de vigilância
    Após os episódios, a Prefeitura de São Carlos disse ao g1 que estuda ações para coibir práticas abusivas nas competições.

    “As secretarias de Esportes e Turismo estudam a instalação de câmeras no ginásio das competições, para que excessos fiquem registrados no momento dos acontecimentos, ou até cláusulas contratuais para que as atléticas se responsabilizem por atos excessivos”, disse a pasta de Comunicação da cidade.
    A prefeitura declarou, ainda, que mantém sua política de atração de eventos universitários, porque eles fortalecem a economia da cidade, tendo no Ginásio Milton Olaio Filho um importante equipamento público para esse fim.

    “São Carlos é uma cidade universitária. Além dos eventos de medicina, nós recebemos o Economíadas [competição dos estudantes de Economia] – e o Tusca [Taça Universitária de São Carlos], sem nenhum registro recente de abusos. O Tusca, por exemplo, chega a atrair mais de 30 mil pessoas para o município. São eventos essenciais para movimentar hotéis, restaurantes e transportes.”

    Rio de Janeiro
    Os excessos coletivos não são uma exclusividade dos estudantes paulistas. Em outubro do ano passado, um vídeo de estudantes de medicina da Universidade de Nova Iguaçu (Unig), no Rio de Janeiro, também viralizou.

    Durante os Jogos Universitários de Medicina (Intermed-RJ/ES), disputados na cidade de Vassouras, os alunos provocavam os adversários cantando: “Sou playboy, não tenho culpa se seu pai é motoboy” (veja abaixo).

    O vídeo provocou revolta nas redes sociais, e o prefeito de Vassouras, junto com a organização do evento, decidiu expulsar da cidade os alunos da Unig.

    Para o advogado Henderson Fürst, esses episódios refletem uma perda de sensibilidade social e ética de parte dos estudantes de medicina do país.

    “É em situações assim que nós vemos como a perda de sensibilidade ética está ficando cada vez mais forte [entre os profissionais de saúde]. Compete às faculdades e às atléticas tomarem providências para uma mudança de comportamento e melhora de seus estudantes”, declarou.

    “As universidades precisam se preocupar. E precisam não só reforçar disciplinas como bioética, humanidades na medicina, ética médica, como também o tempo todo sensibilizar [os estudantes] para as vulnerabilidades humanas”, completou.

    ‘Paredão de bunda’
    O Centro Universitário São Camilo informou ao g1, por meio de nota, que teve conhecimento do vídeo em que os estudantes de medicina da entidade fazem o chamado “paredão de bunda” na segunda-feira (18). Com base em seu Regimento Disciplinar Interno, a faculdade disse estar “tratando o assunto com foco em medidas socioeducativas”.

    “Reforçamos nosso compromisso com o respeito a todo tipo de vida humana e entendemos que mesmo na alegria da juventude há limite entre as comemorações pelas vitórias e a conduta ética”, declarou a São Camilo.

    A universidade informou ainda que, entre as medidas que estão sendo estudadas internamente contra os alunos estão a elaboração de um Código de Conduta das Atléticas, que será feito com representantes de todas as organizações esportivas estudantis da instituição.

    O que dizem as atléticas
    O g1 tentou contato com a Liga Esportiva das Atléticas de Medicina do Estado de São Paulo (Leamesp), entidade que promove as principais competições de estudantes de medicina de São Paulo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

    Na segunda-feira (18), em razão da repercussão do caso dos alunos da Unisa, a entidade emitiu uma nota pública dizendo que “não compactua com atitudes que ofendam, humilhem e constranjam mulheres ou qualquer pessoa”.

    “A LEAMESP sempre se posicionou com veemência a combater todas as formas de ataque aos direitos humanos e condenar, de forma clara, todo tipo de misoginia e todo tipo de desrespeito às mulheres. Assim, atletas, torcedores, equipe técnica e todos os envolvidos em nossas competições e eventos são, por nós, incentivados a manterem comportamentos pautados em princípios éticos e sociais em que prevaleça o respeito, a inclusão, igualdade e sobretudo, ao respeito para com as mulheres”, declarou a entidade.

    “Atitudes como essas jamais serão normalizadas em ambientes e eventos promovidos pela LEAMESP; ao contrário, serão combatidas e punidas com o rigor da lei”, completou.

     

  • Alunos de medicina ficam pelados e simulam masturbação durante jogo de vôlei feminino em campeonato universitário em SP

    Alunos de medicina ficam pelados e simulam masturbação durante jogo de vôlei feminino em campeonato universitário em SP

    Vídeo de abril com estudantes da Universidade Santo Amaro começou a viralizar neste fim de semana; não há registro de BO. Instituição de ensino não se manifestou sobre o episódio.

    Estudantes do curso de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) ficaram pelados e simularam uma masturbação durante um jogo de vôlei feminino de um campeonato universitário.

    Nas redes sociais, os vídeos foram compartilhados afirmando que os estudantes simularam uma masturbação coletiva no campeonato Intermed, que ocorreu no último final de semana.

    Segundo apurado pela reportagem do g1, entretanto, o caso ocorreu em abril, no torneio Calo 2023, em São Carlos, no interior do estado, mas ganhou repercussão neste domingo (17), após um vídeo de repúdio ao ato viralizar nas redes sociais.

    Os alunos fazem parte do time de futsal da faculdade e estavam na plateia. Eles abaixaram as calças enquanto o time de vôlei feminino jogava contra a Universidade São Camilo. Nas imagens, eles aparecem encostando nas próprias partes íntimas.

    Em nota, a Universidade São Camilo confirmou que o episódio aconteceu durante um campeonato no interior do estado, em abril.

    “O Centro Universitário São Camilo informa que nossa Atlética do curso de Medicina não participa do Intermed. Porém, em abril deste ano participou de outro evento esportivo chamado Calomed, quando nossas alunas disputaram um jogo contra a equipe da Unisa. Os alunos da Unisa, saindo vitoriosos, segundo relatos coletados, comemoraram correndo desnudos pela quadra. Não foi registrada, naquele momento, nenhuma observação por parte das nossas alunas referente à importunação sexual. O Centro Universitário São Camilo apoia todos os nossos alunos e não compactua com quaisquer atos que possam atentar contra o pudor e os bons costumes.”
    O Centro Universitário São Camilo alegou ainda que o caso pode ser enquadrado como atentado ao pudor, crime de notificação individual, mas que nenhuma aluna da faculdade registrou a ocorrência.

    Já a Universidade Santo Amaro, procurada desde o último domingo pela reportagem, não se manifestou.

    Após a repercussão, a União Nacional dos Estudantes divulgou nota pedindo a responsabilização dos estudantes envolvidos.

    O Ministério das Mulheres também se pronunciou sobre o caso nesta segunda (18).

    “Romper séculos de uma cultura misógina é uma tarefa constante que exige um olhar atento para todos os tipos de violências de gênero. Atitudes como a dos alunos de Medicina, da Unisa, jamais podem ser normalizadas — elas devem ser combatidas com o rigor da lei. Em parceria com o @min_educacao, o Ministério das Mulheres reforça seu compromisso de enfrentar essas práticas que limitam ou impossibilitam a participação das estudantes como cidadãs. Vamos seguir trabalhando para que as universidades sejam espaços seguros, livres de violência.”

    Redes sociais
    No final de semana, o influenciador Felipe Neto repostou o vídeo com as imagens cobrando resposta da Unisa.

    “Olá @UnisaOficial – o Brasil está esperando o posicionamento de vcs quanto aos alunos de medicina q se masturbaram publicamente nos jogos universitários, cometendo crimes. A faculdade não vai se pronunciar? Não vai fazer nada?”, questionou.

    Outros internautas também usaram as redes para cobrar posicionamento da universidade, que segue sem se manifestar. A reportagem do g1 procurou pela assessoria ao menos cinco vezes, sem retorno sobre o caso.

    “Futuros médicos, estudantes da @unisa invadem a quadra durante um jogo feminino da Intermed, calças arriadas, expondo o pênis e simulando masturbação. Entendem porque não canso de falar aqui sobre a grave crise ética da profissão médica?”, escreveu uma jovem nas redes socias.

    “O time de futsal masculino da Faculdade de Medicina de Santo Amaro se masturbou coletivamente num jogo de vôlei feminino. É isso. Como a gente pode estar falando de qualquer outro assunto nesse momento?”, questionou outra usuária da plataforma.

    No perfil da atlética de medicina da Unisa, inúmeras pessoas cobraram uma resposta sobre o caso.

    Nesta segunda (18), eles divulgaram uma nota que não esclarece o ocorrido, apenas informa que as imagens “não são contemporâneas” e diz que não representam “princípios e valores da atlética”.

     

  • Um ano após ser sancionado, auxílio para filhos de mulheres vítimas de feminicídio não foi pago pela Prefeitura de SP

    Um ano após ser sancionado, auxílio para filhos de mulheres vítimas de feminicídio não foi pago pela Prefeitura de SP

    Benefício de R$ 1500 destinado às famílias de baixa renda deve ser pago até que criança ou adolescente complete 18 anos, podendo ser ampliado. 125 famílias foram selecionadas pelo Ministério Público e seguem à espera. Gestão municipal diz que processo é burocrático por conta da avaliação da documentação necessária.

    A lei que prevê o pagamento de um auxílio a crianças e adolescentes órfãos de mães vítimas de feminicídio na cidade de São Paulo ainda não saiu do papel. Nenhum filho de mulheres mortas na cidade por condição de gênero recebeu o benefício.

    O projeto foi sancionado em outubro de 2022 pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e regulamentado em março deste ano, quando valor de R$ 1500 a ser pago foi estabelecido.

    Segundo apurado pela TV Globo, o Ministério Público já selecionou 125 famílias e indicou para a gestão municipal. Todas seguem à espera de aprovação do benefício.

    A Prefeitura de SP alega que a burocracia é grande, uma vez que exige a avaliação de toda documentação necessária.

    O que está previsto na lei
    Pela lei, o auxílio deve ser pago até que o beneficiário complete 18 anos, podendo ser estendido até os 24 anos mediante parecer social favorável, desde que esteja matriculado em curso de graduação.

    No texto, o governo também estabelecia critérios para o recebimento do Auxílio Ampara. Entre os requisitos, estão:

    residência e domicílio na cidade de São Paulo;
    inscrição no CADÚnico, matrícula em instituição de ensino na capital;
    guarda oficializada e responsabilidade legal por família acolhedora ou tutela provisória;
    renda máxima familiar de até três salários mínimos.

    Feminicídio no Brasil
    O Brasil teve um aumento de 5% nos casos de feminicídio em 2022 em comparação com 2021, aponta levantamento feito pelo g1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

    São 1,4 mil mulheres mortas apenas pelo fato de serem mulheres – uma a cada 6 horas, em média. Este número é o maior registrado no país desde que a lei de feminicídio entrou em vigor, em 2015.

    A alta acontece na contramão do número de assassinatos sem o recorte de gênero, que foi o menor da série histórica do Monitor da Violência e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Com 40,8 mil casos, o país teve 1% menos mortes em 2022 que em 2021.

    Se forem consideradas apenas as mortes de mulheres, o que inclui também os casos que são classificados como feminicídios, o número cresceu 3% de um ano para o outro — para 3.930.

     

  • Após desabafo de Liniker, produtora de série diz que convite para premiação ‘não chegou para atriz’ e pede desculpas

    Após desabafo de Liniker, produtora de série diz que convite para premiação ‘não chegou para atriz’ e pede desculpas

    ‘Manhãs de Setembro’ venceu como melhor série brasileira de ficção no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, na quarta (23) mas protagonista diz que foi ‘esquecida’.

    Após a cantora e atriz Liniker desabafar sobre não ter sido convidada para a cerimônia do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, que premiou a série ‘Manhãs de Setembro’, a produtora O2 se manifestou na tarde desta sexta-feira (25). Liniker protagoniza a série como a personagem Cassandra.

    A assessoria informou que o convite “não chegou para a atriz” e pediu desculpas. A nota, porém, não detalhou o motivo do convite não ter chegado. (veja mais abaixo). A equipe da atriz informou que ela já se pronunciou em sua rede social.

    Na quinta (24), a atriz fez um post comemorando o reconhecimento com a premiação da produção como a melhor série de ficção. ‘Manhãs de Setembro’ está na 2ª temporada na plataforma de streaming Prime Vídeo.

    Ela ressaltou, no entanto, que não foi convidada para o evento na Cidades das Artes, no Rio de Janeiro, e disse que foi ‘esquecida’. A postagem teve mais de 94 mil curtidas até a tarde desta sexta.

    “Ontem, eu não fui convidada para poder celebrar ao lado da equipe e elenco o prêmio que ganhamos, a noite de vitória ao lado de tantos outros artistas e colaboradores do audiovisual brasileiro e mundial, ontem fomos esquecidas mais uma vez, na hora de estourar a champanhe quando chegamos no esperado “rolo 100” de uma produção, ontem o cinema brasileiro esqueceu, mais uma vez, as outras pessoas que colaboram para a criação de um projeto de nível mundial e que mudou sim, a história do audiovisual brasileiro da última década. Não só pelo meu trabalho, mas pela força e talento único de cada pessoa que se dedicou para que a série nascesse”, escreveu.

    Em nota enviada ao g1, a Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais lamentou a ausência de Liniker, informou que convida nominalmente todos os finalistas, mas não escolhe quem representará cada produção na cerimônia de premiação. (veja abaixo o posicionamento).

    O que diz a produtora O2

    Em nota, a O2 disse que o convite para a premiação “não chegou para a atriz e cantora Liniker e pede desculpas pelo ocorrido”. A assessoria não informou o motivo do convite não ter chegado.

    “A O2 Filmes reitera sua admiração por todo o empenho de Liniker em contribuir para tornar a série um dos projetos mais elogiados dos últimos anos pelo público e pela crítica especializada e lamenta os transtornos causados pela situação”, informou no comunicado.

    Nota à imprensa

    A O2 informa que o convite para a premiação do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, não chegou para a atriz e cantora Liniker e pede desculpas pelo ocorrido.

    A artista, um talento reconhecido por seu incrível trabalho na série, sempre foi convidada para todos os prêmios e eventos, mesmo quando não está indicada à categoria de Melhor Atriz – ou seja, em situações onde apenas os produtores ou técnicos são premiados.

    A O2 Filmes reitera sua admiração por todo o empenho de Liniker em contribuir para tornar a série um dos projetos mais elogiados dos últimos anos pelo público e pela crítica especializada e lamenta os transtornos causados pela situação.

    No Facebook do evento, sete membros da equipe da série aparecem em uma foto. (veja abaixo). A produção, dirigida por Luis Pinheiro e Dainara Toffoli, concorreu com ‘Bom dia, Verônica’, ‘Rota 66 – a polícia que mata’, ‘Sob Pressão’ e ‘Turma da Mônica – a série’.

    O que diz a ABCAA
    Veja a nota na íntegra:

    A Academia Brasileira de Cinema e Artes Audiovisuais convida nominalmente todos os finalistas. Mas os convites nominais são feitos apenas aos finalistas de cada categoria. Sobre os demais convidados, cada produção indicada (séries e filmes) define sua própria lista.

    Não cabe à Academia escolher quem representará cada produção na cerimônia de premiação, que busca a diversidade no audiovisual brasileiro. O resultado das principais categorias confirma esse posicionamento. Lamentamos muito não ter contado com a presença de Liniker, artista por quem a Academia tem a maior admiração e que realmente fez muita falta ontem na premiação.

    O que diz a produtora O2
    Veja a nota na íntegra:

    A O2 informa que o convite para a premiação do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, não chegou para a atriz e cantora Liniker e pede desculpas pelo ocorrido.

    A artista, um talento reconhecido por seu incrível trabalho na série, sempre foi convidada para todos os prêmios e eventos, mesmo quando não está indicada à categoria de Melhor Atriz – ou seja, em situações onde apenas os produtores ou técnicos são premiados.

    A O2 Filmes reitera sua admiração por todo o empenho de Liniker em contribuir para tornar a série um dos projetos mais elogiados dos últimos anos pelo público e pela crítica especializada e lamenta os transtornos causados pela situação.

    Confira a postagem de Liniker na íntegra:
    A arte de fazer arte no Brasil, é um grande desafio, tanto pelas construções artísticas para se desenvolver um trabalho, pela política que muitas vezes invisibiliza os meios possíveis para a concretização e incentivo à esses projetos, as relações que são múltiplas dentro “do meio” e por aí segue o roteiro que a gente já conhece.

    Ontem “Manhãs de setembro” série que tive a honra de estrear, ganhou o prêmio de Melhor Série de Ficção no grande e consagrado Grande Premio do Cinema Brasileiro. A beleza dessa série, não é só pela história e condução dos personagens, mas porque pela primeira vez num Brasil que mata, invisibiliza, apaga a memória de pessoas lgbtqiap+, pretas e indígenas, uma profissional, atriz, artista, que estudou para poder exercer esse ofício e travesti preta, pode contar a história de uma outra travesti, ao lado de outras travestis e pessoas Trans, de outras pessoas pretas e de aliades, que acreditaram em cada vírgula dessa história e transformaram o grande manhãs de setembro no sucesso que é. O reconhecimento pelo trabalho, é muito importante, ainda mais como diz uma grande amiga “ a nível de Brasil”, por todo o apagamento histórico que temos e vemos ao longa da história e trajetória artística de muitos e muites artistas por anos.

    Ontem, eu não fui convidada para poder celebrar ao lado da equipe e elenco o prêmio que ganhamos, a noite de vitória ao lado de tantos outros artistas e colaboradores do audiovisual brasileiro e mundial, ontem fomos esquecidas mais uma vez, na hora de estourar a champanhe quando chegamos no esperado “rolo 100” de uma produção, ontem o cinema brasileiro, esqueceu mais uma vez, as outras pessoas que colaboram para a criação de um projeto de nível mundial e que mudou sim, a história do audiovisual brasileiro da última década. Não só pelo meu trabalho, mas pela força e talento único de cada pessoa que se dedicou para que a série nascesse.