Tag: Brasil

  • Petrobras anuncia fim da paridade de importação do petróleo e nova política de preço para combustíveis

    Petrobras anuncia fim da paridade de importação do petróleo e nova política de preço para combustíveis

    Estatal diz que reajustes serão feitos sem periodicidade, ‘evitando o repasse para os preços internos’ da volatilidade internacional e do câmbio.

    A Petrobras anunciou nesta terça-feira (16) o fim da paridade de preços do petróleo – e dos combustíveis derivados, como gasolina e diesel – com o dólar e o mercado internacional.

    Pela regra em vigor desde 2016, o preço desses produtos no mercado interno acompanha as oscilações internacionais, ou seja, não há intervenção do governo para garantir preços menores.

    A Petrobras anunciou o fim desse mecanismo automático.

    “Os reajustes continuarão sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”, diz o comunicado.

    No cálculo anterior, chamado de Preço de Paridade de Importação (PPI), a Petrobras considerava o valor do petróleo no mercado global e custos logísticos como o fretamento de navios, as taxas portuárias e o uso dos dutos internos para transporte.

    Segundo a nota oficial da Petrobras, a nova “estratégia comercial” usa duas referências de mercado:

    o “custo alternativo do cliente, como valor a ser priorizado na precificação”, e
    o “valor marginal para a Petrobras”.
    1️⃣ “O custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos”, explica o comunicado da Petrobras.

    2️⃣ Já o “valor marginal”, segundo a petroleira, é “baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”.

    “Com a mudança, a Petrobras tem mais flexibilidade para praticar preços competitivos, se valendo de suas melhores condições de produção e logística e disputando mercado com outros atores que comercializam combustíveis no Brasil, como distribuidores e importadores”, diz o texto.
    Entenda no vídeo abaixo a política de preços da Petrobras que vigorou desde 2016 e, agora, foi revogada pelo governo:

    Lula quer ‘abrasileirar’ o preço
    Desde a campanha, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha falando em “abrasileirar” o preço dos combustíveis. O que, de modo geral, significa criar mecanismos para reduzir o impacto dessas oscilações internacionais do petróleo nas bombas dos postos.

    Em um comunicado no último domingo (14), a Petrobras informou que analisaria o tema nesta semana.

    Prates fala em manter competitividade
    Na sexta-feira (12), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, já havia antecipado que a petroleira deveria decidir nesta semana sobre os reajustes de combustíveis e a nova política de preços praticada pela estatal.

    Questionado sobre o novo critério utilizado para definição de preços nas refinarias, Prates afirmou que será o de “estabilidade versus volatilidade”. Segundo ele, o novo formato deverá evitar tanto a estagnação de preços quanto o que chamou de “maratona” de reajustes.

    “Não precisamos voltar ao tempo em que não houve nenhum reajuste no ano inteiro. Em 2006 e em 2007 aconteceu isso. E também não precisamos viver dentro da maratona de 118 reajustes para um único combustível, como foi em 2017, o que levou à crise enorme da greve dos caminhoneiros”, afirmou ele, na ocasião.

    Prates disse também que, mesmo com a mudança, a Petrobras continuará seguindo a referência internacional e mantendo a competitividade interna. “Nós não vamos perder venda. Não vamos deixar de ter o preço mais atrativo para os nossos clientes.”

    O presidente mencionou também a produção brasileira dentro da composição de preços, citando a estrutura de escoamento, de transporte, a capacidade de refino e a fonte de petróleo do país.

    “Tudo isso faz parte de um modelo de preços empresarial que a Petrobras vai conversar melhor na semana que vem”, concluiu.

    Novo cálculo não foi divulgado
    O comunicado da Petrobras, no entanto, não apresenta uma fórmula clara indicando qual será o peso de cada fator no novo cálculo.

    Sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), o economista Adriano Pires afirmou ao g1 que o comunicado da Petrobras é confuso e “tumultua o mercado” ao dizer, por exemplo, que o preço de paridade “passa a ser uma referência”.

    Pires chegou a ser cotado para assumir o comando da Petrobras, em 2022, mas desistiu em meio a uma apuração sobre possível conflito de interesses – já que, como especialista na área, ele havia prestado consultoria a investidores privados.

    “Esse tipo de anúncio que vem sendo feito está tumultuando o mercado. O dono de posto que compra gasolina, o distribuidor, ninguém está comprando nem vendendo. A própria Petrobras para de vender”, avaliou.

     

     

  • Déficit na malha metroviária: SP tem menos da metade do ideal de linhas do Metrô, aponta estudo

    Déficit na malha metroviária: SP tem menos da metade do ideal de linhas do Metrô, aponta estudo

    O estudo aponta que o transporte sobre trilhos na capital deveria ser três vezes maior para atender a população. O investimento para expansão custaria cerca de R$ 90 bi. Em nota, o Metrô de SP diz que o governo do estado está investindo mais de R$ 25 bilhões nas obras de ampliação da malha.

    O Metrô de São Paulo tem 6 linhas, 91 estações e pouco mais de 104 quilômetros de extensão. Uma malha pequena para transportar as cerca de 5 milhões de pessoas que precisam dele todos os dias.

    É o que indica a pesquisa “Mobilidade Urbana no Brasil – Marco Institucional e Propostas de Modernização” da Confederação Nacional da Industria (CNI).

    A Andréia vem do Grajaú, na Zona Sul, e precisa usar três tipos de modais pra chegar no trabalho.

    “Eu uso a lotação, a perua de casa até a estação Grajaú, da estação Grajaú eu pego o trem da linha 9, desço em Santo Amaro e em Santo Amaro eu pego a linha lilás e desço aqui no Brooklin. São doze horas na rua, ou seja, a gente vira visitante em casa”, relatou a bancária, Andreia Conceição.

    Segundo o estudo, é necessária a expansão em mais de 170 km para chegar em padrões de qualidade internacionais. O estuda indica ainda que o investimento para expansão da malha metroviária na capital paulista custaria cerca de R$ 90 bilhões.

    “De fato São Paulo é a região metropolitana que necessita da maior quantia de investimentos em mobilidade urbana, mas é bem importante a gente esclarecer que a gente também está falando da maior metrópole do pais […] cerca de R$ 90 bilhões deveriam ser destinados para São Paulo”, disse Ramon Cunha, especialista em Infraestrutura da CNI.

    SP tem 4 linhas de metrô em obras

    Segundo o último relatório do Metrô divulgado em novembro do ano passado, quatro linhas estão com obras na capital paulista:

    A 2-Verde está sendo expandida com previsão de entrega para 2026;
    15-Prata, do monotrilho também passa por expansão. A meta é chegar até o Ipiranga em 2025;
    Já a Linha-17 ouro, também do monotrilho, prometida para a copa do mundo de 2014, ainda não foi inaugurada e não tem previsão de entrega;
    6-Laranja, que vai ser administrada pela concessionária Linhauni e vai ligar a zona norte ao centro, foi prometida para 2025.
    O Márcio trabalha há 25 anos como motorista de van. Em quase três décadas rodando pelas ruas da capital, ele afirma que apesar de ter visto a ampliação do metrô, ainda tem muito o que melhorar.

    “A população também cresceu. Falta investimentos que ser obras mais determinadas, pontos que ligam mais comunidades, com mais pessoas pra ser mais transportadas, tudo”, disse o motorista, Márcio Moreta.

    O que diz o Metrô?
    Em nota, o Metrô de São Paulo disse que o passageiro conta com 370 quilômetros de transporte sobre trilhos e que ele só paga uma tarifa.

    A companhia também informou que a atual gestão do governo do estado está investindo mais de R$ 25 bilhões nas obras de ampliação da malha em 19 quilômetros.

    Investimentos em outros tipos de transportes
    Segundo levantamento, os maiores tempos de deslocamento casa-trabalho em transportes coletivos são verificados no Rio de Janeiro e em São Paulo (as duas maiores metrópoles do país), com 48 e 44 minutos de tempo médio (respectivamente).

    O cenário da mobilidade de São paulo não depende apenas do metrô. Muitos pessoas também utilizam outros tipos de transporte, compartilhando a responsabilidade na busca por melhorias.

    Segundo a administração municipal, a frota de ônibus está sendo substituída e corredores e faixas exclusivas estão sendo ampliados.

     

  • EUA pedem ao Brasil para convencer China sobre nova operação no Haiti

    EUA pedem ao Brasil para convencer China sobre nova operação no Haiti

    A presidência de Joe Biden pediu a ajuda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para convencer a China a apoiar um projeto de recriar uma operação de paz da ONU para o Haiti. Fontes do Palácio do Planalto confirmaram que os americanos estão profundamente preocupados com a crise no país caribenho e que querem restabelecer a missão internacional. Para isso, vão precisar de uma aprovação no Conselho de Segurança. Mas, com a guerra na Ucrânia destruindo a relação entre as principais potências, pode acabar nas mãos da diplomacia brasileira a busca por criar pontes entre Washington e Pequim.

    O governo brasileiro, que liderou a operação de paz no Haiti por mais de uma década, descarta a possibilidade de voltar a enviar soldados do país para a missão desejada pelos americanos. A percepção é de que, hoje, não existe um clima sólido suficiente entre as forças e o Executivo para se pensar em um novo projeto de exterior. Washington, ciente dessa recusa brasileira, tem buscado no Canadá uma alternativa para que o país assuma a liderança de uma nova missão. Mas a esperança dos americanos é a de que o governo Lula, com uma relação privilegiada com os chineses, possa facilitar um diálogo para uma futura resolução na ONU. 

    Os chineses têm adotado uma postura crítica em relação à política externa americana e, pela primeira vez, optaram por tomar atitudes explícitas de questionamento sobre a diplomacia americana.

    O tema foi tratado entre a embaixadora dos EUA para a ONU, Linda Thomas-Greenfield, e o assessor especial da presidência, Celso Amorim, na semana passada.

    “Relativamente ao Haiti, ambos os nossos países estão frustrados com a situação no Haiti”, disse a embaixadora americana após a visita ao Brasil, no dia 4 de maio. “Falamos sobre algumas opções para avançarmos na abordagem dessas questões, em especial no Conselho de Segurança. E comprometemo-nos a trabalhar em conjunto para encontrar soluções que permitam abordar a questão de forma mais direta”, afirmou, sem dar detalhes.

    Na semana passada, falando ao Conselho de Segurança da ONU, Linda Thomas-Greenfield ainda alertou que a situação de segurança e humanitária no Haiti eram “horríveis”.

    “Na capital, Porto Príncipe, as escolas e os centros comunitários tornaram-se locais de terror e recrutamento de jovens”, afirmou. “A violência das gangues ameaça a vida cotidiana dos cidadãos e a prosperidade econômica do Haiti, e as mulheres são as mais vulneráveis ao aumento inaceitável da violência sexual e baseada no gênero, utilizada como instrumento de medo e intimidação”, disse a embaixadora. “Estamos profundamente preocupados com o aumento da atividade violenta das gangues. Segundo a ONU, os homicídios aumentaram 21% no primeiro trimestre deste ano e os raptos 63%”, explicou, lembrando que o rapto de crianças e de pais tem ocorrido frequentemente nas imediações das escola.

    “Os Estados Unidos também condenam veementemente o assassinato de corajosos agentes da Polícia Nacional do Haiti que morreram no cumprimento do seu dever. As táticas brutais que as gangues têm utilizado para levar a cabo estes crimes são profundamente preocupantes”, disse. Para o governo Biden, a estabilidade política é um elemento fundamental para restaurar a paz e a segurança no país. Mas lembra que o “governo haitiano e o seu povo pediram apoio internacional para combater a violência e a insegurança”.

    “Os Estados Unidos continuam a trabalhar com um número crescente de parceiros internacionais para apoiar as necessidades urgentes de segurança no país”, prometeu a diplomata. “O Conselho de Segurança precisará fazer a sua parte para ajudar o Haiti, inclusive avançando com sanções adicionais contra aqueles que financiam e fomentam a violência e a instabilidade no Haiti”, defendeu. A ONU defende a criação de força de apoio especializada. A entidade conta 530 pessoas mortas em atos de violência liderados por gangues em 2023. “Os confrontos entre gangues estão a tornar-se mais violentos e mais frequentes”, alertou o escritório de direitos humanos da ONU.

  • Matança de cães infectados com parasita gera polêmica em cidade de São Paulo

    Matança de cães infectados com parasita gera polêmica em cidade de São Paulo

    As decisões de uma prefeitura no interior de São Paulo sobre o que fazer com os cachorros diagnosticados com leishmaniose tem gerado polêmica e protestos.

    Um veículo oficial da prefeitura de Castilho, quase na divisa de SP com MS, anuncia que cães com leishmaniose precisam ser entregues para o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). A prática é recorrente durante 2022 e 2023. Todo morador da cidade sabe o motivo. Eutanásia.

    É assim que a atual administração da cidade com 18 mil habitantes, e que fica a 644 km de São Paulo, atua no combate a leishmaniose. Cães são presos, testados e enviados direto para a morte.

    Engana-se quem pensa que é uma política somente para cachorros abandonados. Diego, de 21 anos, revela sua história. “Fizeram exame no meu cachorro e me obrigaram a entregá-lo. Falaram que se alguém da rua ficasse doente a responsabilidade seria minha. Fiquei com medo e deixei levar o bichinho”, conta.

    A prática é comum no município, que usa a eutanásia como carro-chefe no enfrentamento à doença. Um Inquérito Canino aconteceu em 2022 para descobrir quantos animais estariam contaminados.

    Em março a administração revelou que, pelo menos 50% dos quatro mil cães do município estão contaminados. A prefeitura tenta recolher os dois mil cachorros para levá-los à CCZ a fim de praticar a eutanásia, mas nem todos os tutores permitem.

    “Prefeitura de Castilho fazendo campanha pesada para sacrificar nossos pets. Basta! Ser ignorante pode ser uma opção individual. Ser desatualizado e desumano, já é falta de inteligência e de amo”, escreveu o vereador Adilson Santos.

    À época, em publicação oficial, o Secretário de Saúde, Demilson Cordeiro da Silva, afirmou o seguinte. “O maior problema é que esse animal continua sendo um risco não apenas para os outros animais da casa, mas principalmente para quem mora na residência e também para os vizinhos, pois o mosquito pica um cão contaminado e sai voando, podendo depois picar toda a vizinhança”.

    Não é o que diz a ciência. Fábio Santos Nogueira, o doutor Leishmaniose, uma das maiores autoridades do país no assunto e que usa o Instagram para divulgar dicas que desmistificam a doença (@drleishmaniose) revelou à BBC Brasil que existe tratamento.

    “Existem vários fármacos leishmanicidas para o tratamento da leishmaniose visceral, seja nas pessoas ou nos animais, sendo os mais utilizados os antimoniatos, anfotericina B e a miltefosina”.

    O veterinário explica ainda que o cachorro, quando colocado em tratamento, pode deixar de ser um transmissor.

    “A miltefosina está liberada para o uso nos cães, através de uma portaria interministerial de 2016. Temos também algumas drogas leishmaniostáticas e imunomoduladoras que podem ser utilizadas nos animais e com uma boa resposta clínica. Importante esclarecer que a leishmaniose é uma doença de difícil cura parasitológica estéril, seja nas pessoas ou nos animais. Com o tratamento, podemos obter a melhora clínica, redução da carga parasitária, controle da resposta imunológica e consequentemente o bloqueio da transmissão”, garante.

    Sobre as mortes de animais, o doutor Fábio é taxativo. “A eutanásia como forma de controle da doença é uma página que já foi virada da nossa história. Ela surgiu em 1963 através de um decreto presidencial que visava o tratamento gratuito das pessoas infectadas, o controle do vetor e a eutanásia dos animais doentes. No entanto durante todos esses anos se mostrou ineficaz e custosa, com aumento do número de casos e disseminação para novas áreas”.

    Por defender que seja abandonada a prática, o veterinário se envolveu em uma polêmica com a prefeitura de Castilho. Morador de Andradina, cidade vizinha, ele fez dura postagem em seu Instagram, comparando o modelo do município ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

    A postagem, porém, não está mais disponível. O próprio veterinário explicou em um story divulgado à época, que apagou o post por pedido do próprio prefeito da cidade, Paulo Duarte Boaventura (MDB). O médico concordou em retirar as críticas porque soube que o político e sua família passaram a receber ameaças.

    Questionada pela BBC Brasil sobre o caso e a prática de eutanásia, a prefeitura de Castilho não enviou resposta.

    A prática não está restrita a uma única cidade do interior de São Paulo. Na Estância Turística de Pereira Barreto houve uma guerra entre prefeitura e uma Rádio Comunitária por conta da eutanásia.

    O município de 25 mil habitantes praticou a eutanásia em 504 cachorros com leishmaniose em 2022, segundo dados oficiais da Secretaria Municipal de Saúde. “Questionamos se houve o cumprimento da lei e a Secretária se recusou a dar informações”, conta Naian Lucas Lopes, jornalista e apresentador de um jornal local na Rádio e que é dono de uma cachorrinha com leishmaniose.

    Ele conta que desde o primeiro dia optou pelo tratamento e, agora, quatro meses depois, não há carga para a doença aparecer no resultado dos exames. “A cachorra recuperou completamente a saúde e eu gostaria que os 504 cães da cidade tivessem tido a mesma chance”, afirma comemorando.

    Quem enfrentou essa estratégia foi Lindinalva(*). Protetora de animais, ela teve um cão, o Neguinho, diagnosticado com Leishmaniose. Embora funcionários do CCZ tenham determinado a eutanásia, ela não permitiu e decidiu cuidar do animal em casa e ele está sendo tratado.

    Um caso que chocou a população ocorreu no mesmo período em que a Rádio Comunitária estava em pé de guerra com a prefeitura. Funcionários do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) invadiram uma residência sem a autorização da proprietária, Márcia(*).

    A senhora de 60 anos estava fora de casa quando a filha autorizou a entrada de funcionários do CCZ e a realização de um exame no cachorro da família. Com o resultado positivo para leishmaniose, o cão foi levado para a sede do Centro de Zoonoses e sacrificado horas depois.

    Márcia conta que ficou desesperada. “Eu corri até lá para pegar meu cachorro de volta e me disseram que ele já havia morrido. Eu entrei em pânico e denunciei para as Associações de Animais”, conta.

    Neste caso, a prefeitura não cumpriu a lei. Não houve tempo hábil para a contra-prova e muito menos para o acompanhamento, como determina a legislação. Procurada sobre o assunto, a administração não respondeu.

    Existe uma legislação especifica que deve ser cumprida antes da eutanásia, é o que explica o advogado Marcos Ferreira. “A eutanásia está descrita na legislação, mas é preciso seguir uma série de exigências. É preciso um exame comprovando a doença, uma contra-prova para garanti-la. Também é preciso que haja um relatório individual do animal, com um documento assinado por uma Associação de Defesa de Animais, certificando que todas as etapas foram cumpridas. Além disso, é importante ter a autorização expressa do tutor de que ele foi informado da possibilidade do tratamento e optou pela eutanásia”, diz.

    Marcos virou um porta-voz dos cachorros em Pereira Barreto. Ao saber do ocorrido, o advogado procurou o Ministério Público pedindo providências e acompanhamento do caso.

    A denúncia está em fase de apreciação e a expectativa é que a Promotoria tome uma posição. “Encaminhamos um pedido de apuração ao MP, pedindo providências imediatas para que Pereira Barreto deixe de adotar a eutanásia como forma de enfrentamento da leishmaniose e que se crie mecanismos que protejam a vida animal”, garante.

    Tanto a prefeitura de Castilho quanto a de Pereira Barreto deram respostas semelhantes aos questionamentos. Nos dois casos há a garantia de que a eutanásia não é a única prática para o combate a leishmaniose e que todas as medidas estão contidas nos protocolos do Ministério da Saúde e amparadas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária.

    Embora o SUS não considere a leishmaniose em cães caso de saúde pública, existe uma Portaria que autoriza a eutanásia, mas não a coloca como única opção.

    A eutanásia é questionada no mundo todo há mais de dez anos. Um documento de 2010, publicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), questiona a prática da e mostra a baixa resolutividade, dando o Brasil como exemplo “A triagem e o abate em massa de cães soropositivos não se mostraram uniformemente eficazes em programas de controle (por exemplo, no Brasil)”, diz o trecho.

    No mesmo texto, a Organização Mundial de Saúde já mostrava que o tratamento parecia ser o melhor caminho. “Em vários países mediterrâneos, a eutanásia de cães domésticos infectados é reservada para casos especiais, como resistência a medicamentos, recaídas recorrentes ou situações epidemiológicas perigosas. A maioria dos veterinários prefere controlar a leishmaniose canina administrando tratamento antileishmania, enquanto observa atentamente as recaídas”.

    Uma decisão do TRF-3, em 2015, considerou que a eutanásia é Inconstitucional. A 6ª turma do Tribunal Regional Federal do Mato Grosso do Sul, decidiu que o método não deveria ser utilizado em Campo Grande, capital do Estado.

    “Não tem o menor sentido humanitário a má conduta do município em submeter a holocausto os cães acometidos de leishmaniose visceral, sem qualquer preocupação com a tentativa de tratar dos animais doentes e menos preocupação ainda com os laços afetivos que existem entre humanos e cães, pretendendo violar o domicílio dos cidadãos sem ordem judicial para, despoticamente, apreender os animais para matá-los”, publicou o relator do caso, o desembargador Johonsom di Salvo.

    Cada vez mais a eutanásia passa a ser questionada judicialmente. Em 2016, na mesma Pereira Barreto, um casal foi à justiça para impedir a morte de Bolinha, seu pet, que estava com a leishmaniose.

    O desembargador José Luiz Galvão de Almeida salvou o cão da morte certa. “Há ampla bibliografia científica documentando que o animal soropositivo para LVC, adequadamente tratado, sob supervisão de médico veterinário e protegido pelas medidas de prevenção, não apresenta protozoários na pele, não podendo, portanto, ser considerado infectante para o inseto transmissor, podendo conviver com seres humanos e outros animais. Assim, acolhe-se o pedido do apelante para evitar que o animal seja exterminado, devendo continuar sendo submetido a tratamento junto a médico veterinário, podendo o Poder Público acompanhar o tratamento e auxiliar o requerido, caso necessário, no combate da doença”, escreveu na sentença.

    Desde 2019 existe medicamento autorizado pelo Ministério da Saúde para tratamento de cães com a doença: o milteforan. Ele é considerado eficaz e com alcance científico de 70% para cães doentes. Na prática, veterinários garantem que esse número ultrapassa os 90%. Isso significa dizer que, além do animal melhorar seus sintomas, ele não tem carga suficiente para que o parasita transmita a doença a humanos.

    O tratamento, porém, não é barato. São 28 dias de medicação, com um custo em torno de R$ 850 apenas o remédio. Ao somar a consulta e os exames, não sai por menos de R$ 1,3 mil, algo fora da realidade de boa parte da população brasileira.

    Mas segundo o advogado Marcos Ferreira, cabe ao Poder Público providenciar o tratamento em caso de vulnerabilidade. “A lei estabelece que o Poder Público, incluindo aí as prefeituras, é responsável indireto por todo animal doméstico. Se um tutor não tem condição de arcar com as despesas de um tratamento, por exemplo, ele pode e deve exigir, até judicialmente, se o caso, que as despesas sejam arcadas pelo poder público”.

    Muita gente defende a eutanásia por medo de que o cachorro transmita a doença para a família. Mas isso é um mito. Quem explica Fábio, o doutor Leishmaniose.

    “A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por um protozoário do gênero Leishmania e que acomete cães, gatos, equinos e o ser humano. Os animais podem funcionar como reservatórios da doença servindo de fonte de alimentação para o vetor, também chamados de flebotomíneos e popularmente conhecidos por ‘mosquito palha’. Ao entardecer, as fêmeas dos flebotomíneos saem a procura de sangue para maturação dos seus ovos e quando encontra um cão infectado ingere o sangue com as formas parasitárias chamadas de amastigotas. Dentro do intestino do flebotomíneo essas formas amastigotas sofrem um processo chamado de metaciclogênese até se transformarem na forma infectante chamada de promastigota metacíclica e migrar para o aparelho bucal. Esse processo demora de 5 a 7 dias. Quando a fêmea realizar um novo repasto sanguíneo, durante a alimentação (homem ou nos animais), ela acaba regurgitando as formas parasitárias que entrarão no organismo e irão desencadear uma resposta imunológica que pode ser protetora ou não, sendo determinante para a doença. Importante salientar que nem todos os animais são infectantes e transmitem a doença”.

    Neste cenário, a política pública defendida por veterinários é de que se trate o animal com a medicação, o uso de coleiras específicas e de repelentes. Somente no caso do pet não responder ao tratamento é que a eutanásia deveria ser adotada. Para o caso de saúde pública, o ideal é combater o mosquito Palha, transmissor da doença, evitando terrenos e quintais sujos, para acabar com os criadouros, exatamente como acontece com a dengue.

    Em 2021, a Câmara dos Deputados realizou um debate sobre a Leishmaniose, a pedido do deputado federal Fred Costa (Patriotas-MG). “Na medida que nós optamos pela política pública do sacrifício, esses animais não estão tendo a oportunidade sequer de ter o tratamento, desde a opção mais barata até a opção mais complexa”, lamentou ele na ocasião, em conversa com a Agência Câmara.

    A Lei 14.228/2021, assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriu espaço para o fim das mortes de cachorros com a doença. Isso porque, o artigo segundo determina que somente podem sofrer eutanásia animais com doenças incuráveis. Não é mais o caso da leishmaniose.

    (*) Todas as histórias contadas são verídicas e aconteceram, mas os nomes usados são fictícios para preservar as identidades das vítimas.

  • Defesa de Brennand vai pedir transferência do CDP de Pinheiros para Penitenciária em Tremembé

    Defesa de Brennand vai pedir transferência do CDP de Pinheiros para Penitenciária em Tremembé

    Unidade onde Brennand está custodia exclusivamente presos provisórios envolvidos em crimes contra a dignidade sexual e tem quase 200 presos a mais do que capacidade. Ele é acusado de estupro, agressão, cárcere privado e ameaça, e foi preso nos Emirados Árabes em 17 de abril.

    Os advogados de Thiago Brennand vão pedir a transferência do empresário e herdeiro do Centro de Detenção Provisória I de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, para Tremembé, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

    Brennand chegou no sábado (29) ao Brasil, depois de permanecer oito meses nos Emirados Árabes, mesmo com mandados de prisão em seu nome.

    A penitenciária em Tremembé só abriga presos após a condenação. São duas unidades: uma tem capacidade para 1284 presos, e abriga 1.869, e outra com 307 detentos (e capaz de comportar 396).

    A Penitenciária de Tremembé ficou conhecida por custodiar presos condenados em casos com repercussão na imprensa, como Alexandre Nardoni, Mizael Bispo de Souza, Gil Rugai, Cristian Cravinhos e Lindenberg Alves, estão ou estiveram detidos.

    CDP em Pinheiros
    O Centro de Detenção Provisória Pinheiros I, na Zona Oeste da capital paulista, para onde o empresário Thiago Brennand foi levado neste domingo (30) está superlotado _tem quase 200 presos a mais do que sua capacidade, que é de 521 pessoas.

    Ainda assim, é a unidade com o menor número de presos dentro as quatro, que compõem o complexo de Pinheiros, todas elas com lotação superior à capacidade.

    De acordo com dados contabilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) no dia 28, o complexo tinha 4.228 presos, o dobro da capacidade total :

    O Centro de Detenção Provisória Pinheiros I, onde Brennand está no momento, tem quase 200 presos a mais do que sua capacidade — que é de 521 pessoas. Ainda assim, é a unidade com o menor número de presos dentro as quatro que compõem o complexo de Pinheiros. Todas elas estão com lotação superior à capacidade.

    De acordo com dados contabilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) no dia 28, o complexo tinha 4.228 presos, o dobro da capacidade total:

    CDP Pinheiros I: capacidade – 521, população 709
    CDP Pinheiros II: capacidade 793, população 1.408
    CDP Pinheiros III: capacidade 572, população 1.121
    CDP Pinheiros IV: capacidade 566, população 990
    O CDP I custodia exclusivamente presos provisórios envolvidos em crimes contra a dignidade sexual, como o caso do empresário.

    O complexo de Pinheiros só abriga presos provisórios, isto é, que aguardam julgamento. Brennand é acusado de estupro, agressão, cárcere privado e ameaça, e foi preso nos Emirados Árabes em 17 de abril.

    Ele ficará em uma cela isolada de 10 a 30 dias, como é o procedimento padrão. Brennand não tem curso superior, apesar de ter cursado um primeiro semestre de direito na FAAP, e depois não deve ficar separado dos demais presos.

    Os advogados do empresário tentaram que ele fosse encaminhado para o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde uma das duas unidades têm menos presos que sua capacidade.

    O percurso
    Brennand foi trazido ao Brasil por policiais federais no sábado (29) e chegou pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e permaneceu por cerca de duas horas no Fórum.

    Brennand passou por audiência no plantão criminal da Capital, conduzida pelo juiz Orlando Gonçalves de Castro Neto. Como a prisão foi decretada em processos em andamento, na audiência deste domingo foi analisada apenas a regularidade no cumprimento da prisão e de seus direitos constitucionais e o acusado permanecerá preso.

    Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo informou que o preso deve ser apresentado à Justiça até 24 horas após a prisão para audiência de custódia.

    O plantão judiciário aos fins de semana e feriados funciona das 9h às 13h. Ele passou a noite na sede da Polícia Federal em São Paulo.

    “Aguardamos a apresentação do preso pela Polícia Federal e, por isso, não temos a informação do local. Após a prisão, é a Secretaria da Administração Penitenciária responsável pelo local da prisão”, disse o TJ.

     

  • Thiago Brennand é preso nos Emirados Árabes Unidos

    Thiago Brennand é preso nos Emirados Árabes Unidos

    Pedido de extradição para o Brasil foi autorizado no sábado (15) por autoridades daquele país. A PF deve enviar nesta terça (18) quatro policiais para trazê-lo ao Brasil.

    O empresário Thiago Brennand, acusado de estupro, agressão, cárcere privado e ameaça, foi preso nos Emirados Árabes Unidos. A informação foi confirmada pela TV Globo com fontes da Polícia Federal.

    A PF deve enviar nesta terça (18) quatro policiais àquele país para trazê-lo ao Brasil.

    No sábado (15), autoridades dos Emirados Árabes Unidos aprovaram o pedido de extradição de Brennand.

    Há cinco mandados de prisão preventiva em território brasileiro contra o empresário, por acusações de agredir uma modelo, sequestrar, tatuar, estuprar uma segunda mulher e estuprar uma jovem e uma miss.

    Entenda quais são os próximos passos para a extradição, segundo fontes da Polícia Federal e um delegado-chefe da Interpol que acompanha o processo:

    Brennand já está preso nos Emirados Árabes? Sim. Mas, até domingo (16), ele cumpria medidas cautelares em liberdade.
    Qual a autoridade que fará o processo de extradição? A Polícia Federal, por meio da Diretoria Internacional, deve buscar Brennand no exterior. Uma equipe de agentes será enviada aos Emirados Árabes Unidos. Normalmente, dois policiais fazem o trâmite, mas uma análise de risco foi feita e, no caso do empresário, devido ao histórico de violência, serão quatro.
    O que precisa acontecer para ele ser extraditado? Para a extradição acontecer, Brennand precisava ser detido pela autoridade local e ficar preso nos Emirados Árabes. Depois, a Polícia Federal efetiva a extradição. A Interpol atua apenas na publicação da Difusão Vermelha, o que já ocorreu.
    Quando Brennand será extraditado? Com a prisão efetivada, o processo não costuma demorar. Segundo a Polícia Federal, acontece em poucos dias.
    Quem está negociando o processo de extradição? A extradição do Thiago Brennand está sendo tratada diretamente pela Polícia Federal com o Ministério do Interior dos Emirados Árabes Unidos. Trata-se de uma atividade bilateral entre o Brasil e o país asiático.
    Lula confirmou a extradição
    Na última quarta-feira (12), o g1 publicou que a extradição de Brennand seria um dos assuntos abordados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante sua passagem pelos Emirados Árabes. Fontes do Itamaraty confirmaram à TV Globo que Lula iria perguntar ao presidente Mohammed bin Zayed Al Nahyan sobre a situação do empresário.

    Após passar pela China, Lula chegou ao país árabe no sábado (15). Depois de se encontrar com o presidente local, foi questionado sobre as tratativas da extradição de Thiago Brennand e negou ter discutido o assunto, mas neste domingo (16), o presidente confirmou que as autoridades aprovaram o pedido.

    “Quando [a extradição] vai acontecer é uma questão da Justiça, da polícia. A única coisa que eu sei é que, se no mundo existir um milhão de cidadãos como esse, todos merecem ser punidos, porque não é humanamente aceitável que um brutamontes desse seja um agressor de mulheres”, disse o presidente brasileiro. “Eu acho que ele tem que pagar”, disse Lula.

    Agressão a modelo — Aluna de academia em shopping de luxo de SP relata agressão de empresário: ‘Ele falou: ‘Vou cuspir em você porque você merece’
    Tatuagem “TFV” — Mulher relata agressões e diz ter sido obrigada a tatuar iniciais de empresário: ‘É um monstro’
    Suspeita de estupro — Estudante de medicina acredita que foi dopada por empresário em jantar: ‘Completamente desorientada’
    Acusação de maus-tratos — Ex-funcionário diz que Thiago Brennand batia e dava choques no filho: ‘Cara desumano’
    Em dezembro de 2022, depois de apresentar a documentação complementar requerida pela Chancelaria emirática, a Embaixada brasileira em Abu Dhabi foi informada em março deste ano que o pedido de extradição de Brennand seguia em análise pelas autoridades competentes.

    O pedido foi realizado com base em promessa de reciprocidade em casos análogos, já que não há acordo bilateral sobre a matéria em vigor entre Brasil e os Emirados Árabes Unidos (EAU). O Acordo de Extradição entre Brasil e Emirados Árabes foi assinado em 15/03/2019 e ratificado pelos EAU em 04/10/2021.

  • Cidade de SP contabiliza mais de 52 mil moradores de rua, alta de 8,2% em 2023, afirma pesquisa

    Cidade de SP contabiliza mais de 52 mil moradores de rua, alta de 8,2% em 2023, afirma pesquisa

    Brasil soma mais de 206 mil pessoas nessa situação, segundo estudo da UFMG feito a partir de dados do Cadastro Único. Quase metade delas vive nas ruas do estado de SP e maioria é negra, aponta o estudo, obtido com exclusividade pela GloboNews.

    Pessoas em situação de rua dormem em barracas e colchões embaixo do Viaduto João Goulart (Minhocão), no Centro de SP

    Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e obtido com exclusividade pela GloboNews aponta que 52.226 pessoas viviam nas ruas da capital paulista até fevereiro deste ano.

    A pesquisa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), com dados do CadÚnico, indica um aumento de 8,2% em relação a novembro de 2022, quando outro estudo foi feito.

    Ele levou em consideração apenas as pessoas que estavam registradas no CadÚnico. O pesquisador André Luiz Dias, coordenador do POLOS-UFMG, explica que São Paulo sempre foi o município com maior concentração de pessoas em situação de rua desde o início do registro em CadÚnico, em 2012.

    “[São Paulo] saiu de 3.842 registros em 2012 para os atuais 52.226 registros de pessoas em situação de rua.” Os dados são encaminhados pela Prefeitura de São Paulo para o Ministério de Desenvolvimento Social para repasse de recursos ao município.

    A pesquisa também leva em conta que os números possam estar subnotificados em até 35%, porque a taxa de atualização do CadÚnico em SP é muito baixa. A taxa de atualização da capital está em 63,3%, sendo que a média nacional é de 81,2%.

    LEIA MAIS:

    Justiça derruba liminar que impedia a remoção de barracas da população em situação de rua durante o dia em SP
    População em situação de rua relata remoção até de documentos em ação da prefeitura; padre Júlio Lancellotti pede ‘trégua’ durante Semana Santa
    Prefeitura de São Paulo interrompe retirada de barracas de pessoas em situação de rua após críticas; especialistas comentam
    Em todo o país, 206 mil pessoas estavam em situação de rua, o que mostra um crescimento de 7,4% desde o último levantamento. O estado de São Paulo concentra 86.782 mil pessoas dessa população. Ou seja, quase metade da papulação em situação de rua do Brasil vive na cidades paulistas.

    O coordenador do POLOS-UFMG explica que no último trimestre de 2022 o governo de Jair Bolsonaro (PL) exigiu medidas para atualização do CadÚnico, e os números pararam de ser atualizados. Já o governo Lula (PT), segundo ele, voltou a estimular o cadastro, e os números voltaram a crescer (veja abaixo a população em situação de rua em outras capitais).

    “Nós não sabemos se, de fato, mais pessoas passaram a viver nas ruas a partir de novembro. O que nós vimos é que ano passado simplesmente em três meses (outubro, novembro e dezembro), mais de 25 mil pessoas haviam sido sumariamente excluídas do CadÚnico. Agora, aos poucos estão voltando a aparecer”, disse André Luiz Dias.

    A situação de rua atinge majoritariamente a população negra no nosso país. A cada 10 pessoas em situação de rua, 7 são negras.

    Raio-X da população de rua
    Levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG), com base em dados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (mês de referência: fevereiro/2023) aponta que o Brasil tem 206.044 pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico.

    São Paulo (capital): 52.226 pessoas em situação de rua
    Estado de São Paulo: 86.782 pessoas
    Rio de Janeiro (capital): 12.752 pessoas
    Estado do Rio de Janeiro: 18.812 pessoas
    Belo Horizonte: 11.111 pessoas
    Estado de Minas Gerais: 21.857 pessoas
    Salvador: 7.279 pessoas
    Estado da Bahia: 10.874 pessoas
    Brasília: 7.129 pessoas
    Distrito Federal: 7.129 pessoas
    Série histórica
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico no país

    2012: 12.775
    2013: 22.922
    2014: 37.419
    2015: 52.440
    2016: 73.874
    2017: 101.302
    2018: 138.332
    2019: 174.766
    2020: 194.824
    2021: 158.057
    2022: 191.896
    2023 (fev): 206.044 (+7,4% em relação a novembro de 2022)
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico no estado de SP

    2012: 5.257
    2013: 10.890
    2014: 18.703
    2015: 26.715
    2016: 37.070
    2017: 48.782
    2018: 63.416
    2019: 75.838
    2020: 83.074
    2021: 64.570
    2022: 80.576
    2023 (fev): 86.782 (+7,7% em relação a novembro de 2022)
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico na cidade de SP

    2012: 3.842
    2013: 7.883
    2014: 13.185
    2015: 18.608
    2016: 25.095
    2017: 31.336
    2018: 38.887
    2019: 44.372
    2020: 48.134
    2021: 37.200
    2022: 48.261
    2023 (FEV): 52.226 (+8,2% em relação a novembro de 2022)

  • Professora trans aguarda cirurgia de redesignação sexual um ano após decisão da Justiça

    Professora trans aguarda cirurgia de redesignação sexual um ano após decisão da Justiça

    Hainra Asabi é credenciada no IAMSPE, mas foi orientada a realizar cirurgia no SUS. Fila de espera para realizar procedimento na rede pública pode levar até 18 anos.

    Professora da rede pública, Hainra Asabi aguarda por cirurgia de redesignação de sexo

    A professora da rede pública estadual Hainra Asabi, 41 anos, aguarda uma cirurgia de redesignação de sexo para mulheres trans, determinada pela Justiça em março de 2022. De acordo com a decisão judicial, o procedimento médico deveria ser proporcionado pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE), no qual a funcionária é credenciada.

    “Faz um ano que a gente está esperando a sentença ser cumprida”, afirma Hainra em entrevista ao g1. Ela entrou com a ação em 2020 e conta que, antes de dar início ao processo, procurou inicialmente o próprio IAMSPE para viabilizar a cirurgia. Lá, foi orientada a recorrer ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    “A autarquia já foi condenada. Não pode agora se esquivar no sistema público de saúde dizendo que tem que ir para a fila do SUS”, afirma Elton Fernandes, advogado de Hainra Asabi.

    Entre o período de duração do processo e cinco tentativas de execução da sentença, Hainra espera pela cirurgia há três anos. Desde que saiu a decisão, o IAMSPE pede mais prazo para realizar o procedimento, e afirma “aguardar orçamentos de hospitais de referência para acompanhar a paciente”. Veja mais ao fim da reportagem.

    “Nesse meio tempo, devo ter me preparado para essa cirurgia pelo menos três vezes”, desabafa a professora.

    “É como se eu não tivesse o direito de olhar para o meu corpo e me identificar com ele.”
    No Brasil, a realização do procedimento está prevista no SUS desde 2008, mas pode levar até 18 anos na rede pública, segundo levantamento da Defensoria Pública de São Paulo.

    A transição de gênero é feita por pessoas que nascem com um determinado sexo biológico, mas se identificam com outro, que é o caso de Hainra. Para realizar o procedimento, é preciso pelo menos dois anos de tratamento com uma equipe multidisciplinar, composta por endocrinologista, psicólogo e psiquiatra.

    Hainra afirma que, desde 2017, faz acompanhamento médico requisitado. Enquanto espera pelo procedimento, relata uma piora em sua saúde mental e o agravamento de sintomas de disforia de gênero. “Tenho um companheiro há um ano e não me sinto à vontade de ficar sem calcinha perto dele”.

    Elton Fernandes, advogado de Hainra Asabi, explica que o processo está em fase de cumprimento de sentença. “Não se discute mais se a pessoa tem ou não tem direito ao procedimento. Aqui, simplesmente viso cumprir a ordem judicial.”

    Antes de solicitar o procedimento pelo IAMSPE, em 2020, a professora havia tentado arrecadar dinheiro para realizar o procedimento na Tailândia – país referência mundial em cirurgias de transgenitalização.

    Na época, ela precisava de pelo menos R$22 mil. Conseguiu R$ 7 mil, vendeu itens pessoais e combinou de dividir a acomodação com mais duas amigas, mas acabou desistindo por conta da pandemia.

    O que diz o IAMSPE?
    Procurado pelo g1, o IAMSPE diz que não realiza a cirurgia de transgenitalização, e por isso aguarda referências de hospitais de referência para oferecer o procedimento à funcionária pública.

    Questionada pela reportagem, a autarquia não respondeu com quais instituições entrou em contato, nem quanto tempo deve levar para finalizar as tratativas.

    Veja abaixo a nota oficial:

    O Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) informa que, em fevereiro de 2022, o Instituto foi notificado judicialmente para cobrir o procedimento de transgenitalização do tipo neocolpovulvoplastia à paciente. Como o Iamspe não realiza esse tipo de cirurgia, segue em tratativas para o cumprimento da ordem judicial e aguarda orçamentos de hospitais de referência para acompanhar a paciente em todo o processo clínico, cirúrgico, pré e pós-operatório e de hormonioterapia.

    O Instituto permanece à disposição da paciente para oferecer assistência médica em casos de intercorrências de urgência, emergência, consultas e internações.

  • Irmão de Virgínia é casado com outra mulher há 5 anos nos Estados Unidos, diz colunista

    Irmão de Virgínia é casado com outra mulher há 5 anos nos Estados Unidos, diz colunista

    William Gusmão confirmou a acusação, mas disse que se separou da mulher em 2020

    William Gusmão, irmão da influenciadora Virgínia Fonseca, teve o nome envolvido mais uma vez em polêmica. Agora, uma mulher afirma que o empresário é casado com a irmã dele há cinco anos. Revelação foi feita durante entrevista no Instagram da apresentadora Márcia Goldschmidt, na noite desta segunda-feira (3).

    Tecia Coelho revelou que a irmã, Tania Aparecida, de 52 anos, é casada com William desde julho de 2018 e que descobriu a vida secreta dele após a repercussão da acusação de assédio.

    “O William é casado nos Estados Unidos, infelizmente com a minha irmã, e não está divorciado ainda. Ele foi para o Brasil para ficar junto da mãe, após a perda do padrasto”, contou Tecia.

    Um documento foi exposto por ela durante a live. Nele, é informado William e Tania seriam casados desde 31 de julho de 2018, em Worcester, Massachusetts, nos Estados Unidos, mas estariam juntos há pelo menos 15 anos. 

    Ainda conforme a irmã, Tania Aparecida precisou ser internada em um hospital após receber a notícia de que o marido estava construindo uma nova família no Brasil e sendo acusado de assédio por outra mulher.

    “Foi muita pressão para minha família, principalmente para ela, depois que aconteceu isso [se referindo às acusações de assédio e à descoberta do novo relacionamento de William], todo mundo começou a mandar mensagem e fazer perguntas. E como ela é enganada pelo William, ela não acreditou. Ela teve uma depressão muito forte”, revelou.

    Tecia contou também que essa não é a primeira vez que William volta ao Brasil e se relaciona com outra mulher.

    “Teve uma época que ele foi embora e engravidou uma menina no Brasil e depois de 6 meses ele voltou procurando a minha irmã. Ele contou para a minha irmã quando voltou. Tudo que a minha irmã descobre é quando ele volta do Brasil para cá. Ele tem um filho com outra mulher no Brasil”, disse a irmã.

    RÉPLICA
    William Gusmão não ficou calado diante das acusações. Durante a conversa que ocorria ao vivo, o irmão de Virgínia aceitou o convite para entrar na live e contar sua versão dos fatos.

    Ele confirmou ser casado no papel com Tania Coelho, mas disse que se separou dela quando veio para o Brasil.

    “Estou casado nos documentos, mas estou separado de corpos. Quando eu quis me divorciar ela não quis. Eu me separei dela há mais de um ano e meio. Eu separei da sua irmã, não estou devendo nada, eu sou separado da sua irmã… Antes de qualquer coisa eu já tinha me separado dela. Interessante que só hoje ela veio passar mal, será que não está querendo pegar um hype?”, disse William durante a live.

    O empresário ainda revelou que foi pressionado a se casar com Tania, pois tinha cidadania americana e ela estava ilegal no país.

    “Eu fui forçado a casar porque ela queria documento, porque ela era ilegal. Eu não casei porque eu queria ficar casado com ela, casei por pressão da Tecia e da irmã dela. Eu morei com a Tânia, a gente morava juntos, meu primeiro filho é com a Melody”, declarou o empresário.

    A mãe de Virgínia e William, Margareth Simões, acompanhou a live em determinado momento e comentou: “Ô Tecia, o que você quer com isso?”.

  • Cine Marquise, na Avenida Paulista, exibe documentário sobre história de Sensei enviado ao Brasil para difundir karatê

    Cine Marquise, na Avenida Paulista, exibe documentário sobre história de Sensei enviado ao Brasil para difundir karatê

    História de Taketo Okuda é narrada por uma das alunas do mestre em artes marciais.

    O Cine Marquise, na Avenida Paulista, exibe a partir desta quinta-feira (30) um documentário sobre Takedo Okuda, um dos grandes mestres de karatê da história do mundo.

    Intitulada “Um Samurai em São Paulo”, a narrativa é ambientada depois da Segunda Guerra Mundial, após Okuda sobreviver e ser marcado pelos acontecimentos no Japão.

    O mestre de karatê foi treinado para matar ou morrer e enviado para o Brasil para difundir as artes marciais no país, apesar de não estar preparado. Sua trajetória é narrada por uma das alunas – neta de sobreviventes do Holocausto.

    A história de seu mestre é contada desde professor a campeão e a um mestre em busca da transcendência. Esse encontro de dois personagens tão distintos investiga os significados profundos da arte marcial e da autodefesa diante de um mundo ameaçador.