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  • Alunos de medicina que simularam masturbação em jogo feminino são investigados por ato obsceno, diz delegado da DIG de São Carlos

    Alunos de medicina que simularam masturbação em jogo feminino são investigados por ato obsceno, diz delegado da DIG de São Carlos

    Caso aconteceu em abril deste ano em São Carlos (SP), mas o vídeo passou a repercutir no domingo (17). DIG vai identificar envolvidos e ouvir testemunhas para investigar se houve outros crimes.

    O caso dos estudantes do curso de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa) que simularam masturbação durante um jogo de vôlei feminino em um campeonato universitário em São Carlos (SP) é investigado em um primeiro momento como crime de ato obsceno, informou a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) nesta terça-feira (19).

    Segundo o delegado João Fernando Baptista, o delito de ato obsceno está previsto no artigo 233 do Código Penal. A punição pode variar de 3 meses a 1 ano.

    O delegado disse ainda que vai à capital paulista colher mais informações, identificar todos os alunos envolvidos e ouvir testemunhas. O objetivo é investigar se houve outros crimes, como tipo de toque ou alguma abordagem em relação às meninas.

    Se comprovada outras práticas, aí o crime pode mudar para importunação sexual e até mesmo estupro. Segundo o delegado, por enquanto ninguém registrou queixa na polícia. Para o delegado, o ato dos estudantes é um desrespeito também com a profissão.

    “A profissão de médico é tão digna, uma vez que são eles que tratam as pessoas, que salvam vidas, que garantem um bem-estar das pessoas. Não é legal esse tipo de conduta por parte deles”, disse.

    O caso aconteceu em abril deste ano, mas o vídeo passou a repercutir no domingo (17).

    Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou “que assim que tomou conhecimento dos fatos, iniciou diligências para apurar o ocorrido.

    A Prefeitura de São Carlos disse que não participa da organização de jogos universitários realizados na cidade e sede o ginásio para a realização das competições mediante contrato assinado com a entidade que realiza o evento e que, portanto não tem responsabilidade pelos atos praticados pelos alunos.

    Providências
    O Ministério da Educação (MEC) notificou a Unisa na segunda-feira (18) e deu prazo de 15 dias para a universidade informar quais as providências tomadas.

    “Em relação ao episódio que envolveu estudantes do curso de medicina da Universidade de Santo Amaro (Unisa), durante partida de vôlei feminino, o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), já notificou a instituição para apurar quais as providências tomadas pela Unisa em relação aos fatos ocorridos, sob pena de abertura de procedimento de supervisão e adoção de medidas disciplinares.”

    O ministro da Educação, Camilo Santana, publicou, em uma rede social, que determinou que a pasta notificasse a Unisa “para apurar quais as providências tomadas pela instituição em relação ao episódio que envolveu estudantes do curso de medicina durante partida de vôlei feminino que fazia parte das competições da Intermed, sob pena de abertura de procedimento de supervisão e adoção de medidas disciplinares. Repudio veementemente o ocorrido. É inadmissível que futuros médicos ajam com tamanho desrespeito às mulheres e à civilidade”.

    Segundo apurado pela reportagem do g1, os alunos fazem parte do time de futsal da faculdade e estavam na plateia. Eles abaixaram as calças enquanto o time de vôlei feminino jogava contra a Universidade São Camilo. Nas imagens, eles aparecem tocando nas próprias partes íntimas.

    Em nota, a Universidade São Camilo confirmou que o episódio aconteceu durante o campeonato.

    “O Centro Universitário São Camilo informa que nossa Atlética do curso de Medicina não participa do Intermed. Porém, em abril deste ano participou de outro evento esportivo chamado Calomed, quando nossas alunas disputaram um jogo contra a equipe da Unisa. Os alunos da Unisa, saindo vitoriosos, segundo relatos coletados, comemoraram correndo desnudos pela quadra. Não foi registrada, naquele momento, nenhuma observação por parte das nossas alunas referente à importunação sexual. O Centro Universitário São Camilo apoia todos os nossos alunos e não compactua com quaisquer atos que possam atentar contra o pudor e os bons costumes.”

    O Centro Universitário São Camilo alegou ainda que o caso pode ser enquadrado como atentado ao pudor, crime de notificação individual, mas que nenhuma aluna da faculdade registrou a ocorrência.

    Já a Universidade Santo Amaro, procurada desde o último domingo pela reportagem, não se manifestou.

    Manuella Mirella, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) informou ao g1 que a UNE está cobrando uma posição diretamente da Unisa, que até o momento não se manifestou sobre o caso.

    “Nós recebemos essa denúncia com muita revolta, é repugnante o que aconteceu nesses órgãos internados. Estamos cobrando um posicionamento diretamente da Unisa que até agora não se posicionou”, afirmou.

    “Lançamos também uma cartilha da UNE explicando o que fazer e como podemos combater essa violência que acontecem quase que livremente. O que esses alunos homens pensam? Esse sentimento de impunidade, de que nada vai acontecer e isso não é verdade, por isso, cobramos um protocolo para que esses estudantes sejam punidos no rigor da lei. Ser mulher no Brasil é difícil, e ser mulher universitária é mais difícil ainda”.
    O Ministério das Mulheres também se pronunciou sobre o caso nesta segunda (18).

    “O Ministério das Mulheres reforça seu compromisso de enfrentar essas práticas que limitam ou impossibilitam a participação das estudantes como cidadãs. Vamos seguir trabalhando para que as universidades sejam espaços seguros, livres de violência”.

    A Associação Atlética Acadêmica José Douglas Dallora, da Unisa, divulgou uma nota nesta segunda-feira (18) afirmando que as filmagens não representam os princípios e valores pregados pela atlética. Disse também que não tolera ou compactua com qualquer ato de abuso ou discriminatório.

     

  • Empresário morto a tiros tinha histórico de dívidas e envolvimento com agiotas, diz esposa

    Empresário morto a tiros tinha histórico de dívidas e envolvimento com agiotas, diz esposa

    Empresário morto a tiros tinha histórico de dívidas e envolvimento com agiotas, diz esposa

    O empresário Marcos Nascimento da Rocha, de 48 anos, morto com três tiros no tórax em Praia Grande, no litoral de São Paulo, estaria envolvido com agiotas e tinha histórico de dívidas, disse a esposa dele à Polícia Civil. O g1 teve acesso ao depoimento nesta segunda-feira (18).

    O caso aconteceu na madrugada de sábado (16), por volta das 3h. O empresário havia acabado de fechar a adega que administrava na Avenida Guilhermina, no bairro de mesmo nome, quando foi executado.

    O crime aconteceu perto ao estabelecimento de Rocha, que tinha acabado de entrar no carro com um casal de amigos. Ele daria uma carona aos dois quando, segundo uma das testemunhas, o atirador apareceu na janela da vítima e disse: ‘Toma’. Na sequência, deu os três tiros.

    Após os disparos, a Polícia Militar foi acionada e enviou uma viatura ao local. De acordo com o BO, naquele instante, operadores do Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (Cicoe) viram pelas câmeras a vítima ainda consciente e o atirador vestindo camiseta branca e calça jeans. Ele não foi identificado.

    Ainda com base nas informações registradas pela Polícia Civil, o criminoso fugiu pela Rua Embaré, em direção ao bairro Boqueirão. A viatura que atendeu a ocorrência procurou pelo autor dos disparos, mas não conseguiu encontrá-lo.

    Os operadores do Cicoe acionaram a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que socorreu Rocha e o levou ao Hospital Irmã Dulce. A vítima chegou a passar por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

    A Polícia Científica realizou a perícia no local do crime e o caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária de Praia Grande. A polícia disse trabalhar para identificar e prender o autor do crime.

    A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou, em nota, as informações do BO e acrescentou que o veículo da vítima foi apreendido e permaneceu no local para realização da perícia, assim como dois cartuchos encontrados no local.

     

  • Filho suspeito de degolar a mãe e atear fogo em casa é morto por PM no litoral de SP

    Filho suspeito de degolar a mãe e atear fogo em casa é morto por PM no litoral de SP

    Caio Augusto Navarro Arisa, de 31 anos, estava a 600 metros do apartamento onde Elisabeth Amelia Navarro foi encontrada morta, no bairro Embaré, em Santos (SP).

    O homem de 31 anos suspeito de ter esfaqueado e ateado fogo no corpo da mãe, de 61, foi morto na madrugada de domingo (17) em Santos, no litoral de São Paulo. A Polícia Militar recebeu uma denúncia sobre a localização de Caio Augusto Navarro Arisa e o encontrou com dois homens não identificados. De acordo com o Boletim de Ocorrência (BO), Caio atacou um dos rapazes e acabou baleado por um PM.

    Caio é suspeito de ter matado a mãe, Elisabeth Amelia Navarro, encontrada por bombeiros após o combate a um incêndio no apartamento dela, no bairro Embaré, na última sexta-feira (15). A vítima estava deitada na cama com o pescoço degolado [corte no pescoço, de um lado ao outro] e apresentava perfurações no tórax e barriga, perna quebrada e braço machucado.

    De acordo com o BO, a denúncia recebida pela PM era de que dois homens estavam acompanhando o suspeito no bairro Aparecida, a aproximadamente 600 metros do apartamento em que Elisabeth foi encontrada morta.

    Uma equipe da Polícia Militar foi enviada ao local e encontrou o trio, que estava espaçado na rua. Dois caminhavam por uma calçada e outro sozinho do lado oposto.

    Assim que a viatura fez a aproximação, a dupla fez sinal para os policiais apontando para Caio que, segundo o BO, puxou a faca e partiu na direção dos homens. Um PM mandou quele parasse, mas ele continuou e golpeou o braço de um rapaz. O mesmo policial atirou no suspeito que foi ao chão.

    O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas o suspeito não resistiu aos ferimentos e morreu no local, que foi preservado para o trabalho da Polícia Científica.

    O perito encontrou com o suspeito quatro facas, sendo que uma delas teria sido usada para esfaquear o homem. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciário (CPJ) de Santos como tentativa de homicídio e homicídio consumado em decorrência de intervenção policial.

    Entenda o caso
    A Polícia Militar foi acionada às 19h50 da última sexta-feira (15) para atendimento do incêndio. Após o controle das chamas e vistoria no imóvel, os policiais encontraram a vítima fatal. O porteiro informou que viu o filho da idosa saindo do prédio pouco antes do incêndio.

    Segundo o Corpo de Bombeiros, assim que o corpo foi localizado, a Polícia Civil foi acionada para perícia no local. Ao todo, três viaturas e nove bombeiros atuaram na ocorrência.

    De acordo com o BO, policiais entraram em contato com a irmã da vítima e ela informou que o sobrinho estava lá. Segundo o relato da mulher o suspeito havia chegado calmo e pedido para dormir na casa dela, pois teria brigado com a mãe.

    Em seguida, a irmã da vítima foi informada que a ligação era da delegacia, momento em que o suspeito saiu correndo da casa da tia. No local, a polícia apreendeu uma bolsa com uma faca, bermuda, camisa, escova dental e isqueiro.

    O caso foi registrado como incêndio e feminicídio na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Santos e investigado pelo 3° Distrito Policial (DP).

  • Técnico e engenheiro de segurança do trabalho se desligaram de empresa que explodiu em Cabreúva um dia antes do acidente, diz MTE

    Técnico e engenheiro de segurança do trabalho se desligaram de empresa que explodiu em Cabreúva um dia antes do acidente, diz MTE

    Informação foi divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) após audiência com representantes da metalúrgica. Incidente deixou quatro mortos e dezenas de feridos.

    O técnico e o engenheiro de segurança do trabalho da metalúrgica Tex Tarugos, onde ocorreu uma explosão com quatro mortos no dia 1º de setembro, em Cabreúva (SP), se desligaram da empresa no dia anterior ao acidente. A informação é do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e foi divulgada na quinta-feira (14), após uma audiência com representantes da metalúrgica.

    “Notamos que o técnico de segurança do trabalho e o engenheiro do trabalho ainda terão muito o que explicar. Também chamou atenção terem rompido o contrato com a empresa no dia 31 de agosto e a explosão ocorrer no outro dia. Infelizmente, as explicações dadas não batem”, explica Ubiratan Vieira, coordenador e chefe da Fiscalização na GRT-Sorocaba (SP).

    Ubiratan diz também que no sábado (2), dia seguinte à explosão, os dois profissionais estiveram no local da tragédia. Eles possuíam empresas e tinham contrato com a Tex Tarugos. “Tentaram arrumar uma desculpa. Se saíram dia 31 de agosto, o que estavam fazendo lá dia 2 (sábado), à tarde?”, questiona.

    Com relação aos advogados da empresa, segundo Ubiratan, eles alegaram que estão preocupados com a saúde dos funcionários e afirmaram que apenas cinco estão internados.

    “Conforme a documentação que apresentarem ou não, o MPT deverá instaurar inquérito também. Esse inquérito apura o acidente e as mortes no trabalho. Os crimes estão sendo apurados pela polícia”, lembra.

    “Solicitamos vários documentos de segurança e medicina do trabalho. Nós vamos prosseguir com a fiscalização e vamos trabalhar em conjunto com o MPT, que está representado pela procuradora Alvamari Tebet.”

    Participaram da audiência os advogados da empresa e os responsáveis pela segurança no trabalho. O superintendente Marcus Mello também esteve na audiência, assim como os auditores Roque Camargo Júnior e o chefe da Fiscalização de Saúde e Segurança no Trabalho, Guilherme Guernica. Também participaram representantes do Cerest de Indaiatuba (SP) e de Sorocaba.

    Engenheiro responsável
    O engenheiro responsável pela metalúrgica também já prestou depoimento à Polícia Civil. De acordo com o delegado que investiga o caso, Ruíter Martins, o homem não era contratado pela Tex Tarugos e atuava como prestador de serviços.

    Ele disse ao delegado que fazia consultorias e pareceres técnicos à empresa, mas que nenhum serviço tinha relação com a parte dos fornos da metalúrgica, onde ocorreu a explosão. O engenheiro afirmou que está reunindo documentos para apresentar à polícia.

    Irregularidades
    Segundo Ubiratan, a Tex Tarugos não tem alvará de funcionamento e possui histórico de desconformidades em suas operações, incluindo problemas como falta de manutenção em seus equipamentos.

    A Prefeitura de Cabreúva confirmou a informação. Conforme o poder público, o Executivo foi informado 15 dias antes da explosão de que a metalúrgica não tinha licença ambiental da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para funcionar.

    A falta de alvará se deu pela empresa não ter o AVCB e nem a licença da Cetesb.

    A metalúrgica também recebeu quatro advertências e duas multas da Cetesb. As irregularidades se somam aos problemas já apontados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Sobre a falta de documentos necessários para o funcionamento da empresa, Ruíter afirma que a investigação vai apurar, também, quais órgãos deveriam ter atuado neste caso e interditado a empresa.

    “A polícia vai pedir as notificações de alvará e irregularidades para entender porque a empresa estava trabalhando sem estes documentos.”

    Um comitê do MTE foi montado para investigar sobre a falta de documentos e o funcionamento irregular da empresa.

    Quatro pessoas morreram por causa da explosão: Weverton Oliveira da Silva, de 42 anos; Fernando Nascimento dos Santos, de 25 anos; Azarias Barbosa do Nascimento, de 46 anos; e Erick Mendes de Souza, de 21 anos.

    Investigadores do caso tentam identificar todos os feridos na explosão para determinar o número exato de vítimas.

     

  • Justiça de SP arquiva pela 2ª vez investigação sobre bebê que morreu após passar mal na Colmeia Mágica em 2010

    Justiça de SP arquiva pela 2ª vez investigação sobre bebê que morreu após passar mal na Colmeia Mágica em 2010

    Segundo arquivamento é de agosto. Primeiro foi em 2013. Heloisa Teodoro tinha 3 meses quando morreu. Polícia havia reaberto caso após donas e funcionária de escolinha serem condenadas por torturas e maus-tratos contra 9 alunos. Polícia apura mais 34 denúncias.

    A Justiça de São Paulo arquivou pela segunda vez o inquérito policial que investigava o caso de uma bebê que morreu após passar mal em 2010 na Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica. Este segundo arquivamento ocorreu em 3 de agosto de 2023. O primeiro havia sido em 2013.

    Heloisa Vitoria Teodoro tinha pouco mais de 3 meses de vida quando morreu, em 7 de maio de 2010. Ela teria parado de respirar no berçário da escolinha particular, na Vila Formosa, Zona Leste da capital. A criança foi socorrida de carro por Roberta Serme, uma das donas da Colmeia Mágica, e levada até o Hospital São Luiz, no Tatuapé, onde a morte foi constatada. A bebê já teria chegado morta ao local.

    O caso foi registrado à época como “morte suspeita” a esclarecer no 30º Distrito Policial (DP), no Tatuapé. A investigação para saber a causa da morte foi feita pelo 41º DP, Vila Rica.

    Segundo disse ao g1 no início deste ano a cabeleireira Isabel Cristina Gardão da Silva, mãe de Heloisa, o laudo necroscópico apontou è época que a causa foi “asfixia mecânica por agente físico”. Mas de acordo com o Ministério Público (MP), o laudo concluiu que ela morreu por “asfixia por broncoaspiração”.

    Ainda de acordo com a mãe da bebê, mesmo diante da suspeita de que Heloisa teria sido asfixiada, a polícia não investigou isso. E decidiu arquivar o inquérito que apurava a morte dela. Cristina, como prefere ser chamada, contou ainda que a alegação dada pelos policiais à época foi a de que não encontraram provas. E de que a Justiça arquivou o caso em 2013 “por falta de provas”.

    Donas e funcionária condenadas

    Em março de 2022, quando o g1 revelou que a Colmeia Mágica era investigada pela Polícia Civil por suspeita de tortura e maus-tratos contra alunos da escola, Cristina acionou suas advogadas para pedirem à Justiça a reabertura do caso da morte de sua filha.

    No ano passado, vídeos e fotos que circulavam nas redes sociais mostravam nove crianças (sete meninos e duas meninas) chorando, com os braços imobilizados, amarrados com lençóis, presos a cadeirinhas de bebês dentro do banheiro da escolinha. As imagens tinham sido feitas por ex-funcionárias da Colmeia. Os crimes ocorreram entre dezembro de 2021 e março de 2022. As vítimas tinham de 1 ano a 5 anos de idade à época.

    Em fevereiro de 2023, as proprietárias da Colmeia Mágica, Roberta e Fernanda Serme, respectivamente diretora e coordenadora da escolinha, e Solange Hernandez, funcionária de lá, foram condenadas pela Justiça como as responsáveis por torturas e maus-tratos contra os alunos. O método de amarrar as crianças, conhecido na escolinha como “charutinho”, funcionava como castigo para conter alunos desobedientes.

    Roberta recebeu pena de 49 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime inicial fechado, e 1 ano e 4 meses de detenção no semiaberto. Fernanda foi punida com 13 anos e 4 meses de detenção no semiaberto.

    Solange foi condenada a 31 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 8 meses de detenção em regime semiaberto. Ela, no entanto, continua em liberdade.

    Polícia reabriu caso sobre morte

    Em março de 2023, o Ministério Público pediu para a polícia paulista reabrir o mesmo inquérito sobre a morte de Heloísa, que havia sido arquivado em 2010. A Justiça concordou. E a Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional passou a investigar novamente o que matou a menina, se houve algum crime ou não.

    Mas, diferentemente de 2010, quando o caso foi investigado como “morte suspeita” a ser esclarecida, a polícia passou a apurar dessa vez se Heloísa foi vítima de “homicídio qualificado” (assassinato intencional cometido por recursos que o tornam mais grave).

    Em resumo, a Promotoria queria saber se a bebê também havia sido torturada ou sofrido maus-tratos como os outros alunos de 2021 e 2022 e que apareceram nas imagens da web. E se essa violência lhe causou a morte ou contribuiu para ela.

    Mas como a polícia novamente não encontrou durante a investigação indícios de que a criança morreu em decorrência de um crime, o caso foi relatado ao Ministério Público, que por sua vez pediu mais uma vez o arquivamento dele à Justiça.

    O g1 procurou a mãe de Heloísa e um das advogadas dela para comentarem o assunto. Elas disseram desconhecer a decisão judicial que arquivou novamente o inquérito sobre a morte da criança. A reportagem aguarda algum posicionamento.

    No ano passado, Cristina havia dito ao g1 que um documento do Hospital São Luiz informa que sua filha “chegou sem vida ao serviço” médico.

    “O laudo apontou que ela foi asfixiada. Não entendo porque a polícia deixou de apurar isso”, falou Cristina ao g1 em 2022. “Acredito que Heloísa morreu dentro da escolinha. Ela já estava morta quando foi levada pela diretora ao hospital”.
    34 novas denúncias contra escola

    A Polícia Civil de São Paulo quer interrogar novamente as donas da Colmeia Mágica, dessa vez pela suspeita de que elas possam ter torturado e maltratado mais 34 crianças (20 meninos e 14 meninas) que estudavam no local.

    Esse é o segundo inquérito contra a escola particular da Zona Leste da capital paulista. Ele foi aberto em junho de 2022 pela polícia a pedido do Ministério Público. Ainda não há previsão de quando Roberta e Fernanda Serme, respectivamente diretora e coordenadora da escolinha, serão ouvidas.

    Esses novos casos chegaram ao conhecimento da investigação pelos pais e responsáveis delas, que relataram ter notado lesões e mudanças de comportamento nos filhos.

    As irmãs Serme, que também são sócias da Colmeia Mágica, estão presas atualmente por causa do primeiro inquérito envolvendo a escola. Elas foram condenadas por torturar e maltratar outros nove alunos.

    Ainda não há previsão de quando as irmãs Serme serão ouvidas pela Cerco da 8ª Delegacia Seccional. Como estão detidas no interior do estado, provavelmente serão interrogadas por carta precatória enviada a outra delegacia. Essa unidade policial então ouviria as duas na prisão.

    Inicialmente a investigação não tem planos de ouvir Solange, funcionária da escola, que também foi condenada no primeiro inquérito.

    A Promotoria quer saber, por exemplo, se a delegacia consegue esclarecer nesta nova investigação se as duas donas e a funcionária da Colmeia Mágica tiveram também a ajuda de professoras em supostas torturas e maus-tratos contra as crianças.

    Além de Roberta, Fernanda e Solange, professoras da escolinha também serão investigadas pela polícia para saber se tiveram algum envolvimento. Até o momento, não há relatos de envolvimentos das educadoras.

    A Colmeia Mágica havia sido fundada em 2002 e atendia crianças de 0 a 5 anos, do berçário ao ensino infantil. Atualmente está fechada. O g1 não conseguiu localizar as defesas das irmãs Serme e de Solange para comentarem o assunto até a última atualização desta reportagem.

    O que dizem as donas e funcionária

    Roberta chegou a confirmar em seu depoimento à polícia que os vídeos foram gravados na sua escola e que as crianças que aparecem lá são seus alunos. Mas negou que as amarrasse ou ordenasse a alguém para amarrá-las. Disse ainda que desconhecia quem teria feito isso. Mas desconfiava que as cenas pudessem ter sido montadas por alguma funcionária insatisfeita para prejudicar ela e sua irmã.
    Fernanda também se mostrou surpresa com os vídeos quando foi ouvida na delegacia.
    Solange também negou ter cometido algum crime. Além de acusar Roberta de “embalar’” as crianças, a funcionária falou à polícia, e em entrevista à TV Globo e ao g1, que as professoras da Colmeia Mágica eram orientadas pela diretora a fazer o mesmo “procedimento”. Ela ainda falou que não ajudou a patroa a amarrar os alunos. E negou que tivesse jogado uma coberta na cabeça de uma criança, a sufocando.
     

  • MP denuncia dono de academia que proibiu mulher trans de usar o banheiro feminino: ‘ainda tenho sequelas

    MP denuncia dono de academia que proibiu mulher trans de usar o banheiro feminino: ‘ainda tenho sequelas

    Promotoria de Peruíbe (SP) denunciou dono e advogada de uma academia por transfobia e pediu que a vítima seja indenizada por danos morais no valor de R$ 100 mil. Além disso, foi solicitado que a autoridade policial retire do Boletim de Ocorrência (BO) o antigo nome da mulher.

    O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) recebeu a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o dono e a advogada de uma academia em Peruíbe, no litoral do Estado, que proibiram uma mulher transexual de usar o banheiro feminino e reclamaram do jeito dela falar e, também, das roupas que usava para treinar.

    Ao g1, nesta quarta-feira (12), a vítima Paola Bandeira, de 28 anos, disse que precisou mudar de cidade após ter sido vítima de transfobia. Entretanto, afirma que o fato do caso não ter sido esquecido enche o “coração de alegria”. (Clique aqui para entender o que aconteceu com Paola).

    “Somos seres humanos, merecemos dignidade e respeito, ainda tenho sequelas [emocionais] daquele dia. Me lembro como se fosse hoje a humilhação que passei na frente de outras pessoas. Só quero justiça para outras na mesma condição que eu não venham passar essa frustração na vida”.
    Na época do ocorrido, o dono e advogada da academia convocaram Paola para uma reunião e classificaram o comportamento e as roupas dela como “inadequados”. Além disso, questionaram se ela teria mudado de nome em cartório e feito cirurgia de redesignação sexual. Após a vítima negar ter feito a operação, foi informada de que não poderia usar o banheiro feminino.

    Denúncia
    Segundo o MP-SP, o dono e a advogada da academia foram denunciados por racismo motivado por transfobia. O promotor Danilo Keiti Goto solicitou que a vítima seja indenizada por danos morais coletivos no valor de R$ 100 mil e pediu que a autoridade policial retire do Boletim de Ocorrência (BO) o antigo nome dela.

    “Não há justificativa para utilização do antigo nome da vítima nos autos do inquérito policial, porquanto potencializa a sua revitimização [sofrimento repetitivo], especialmente por envolver um registro policial que trata justamente de transfobia”, afirmou o promotor, em nota.
    A reportagem questionou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) sobre o motivo de terem registrado o BO com o nome antigo da vítima, sendo que Paola já havia feito a mudança no cartório. A pasta informou investigar o caso.

    No documento obtido pelo g1, a juíza Danielle Câmara recebeu a denúncia e solicitou que os acusados respondam às acusações em um prazo de dez dias. Caso não apresentem resposta, o processo será suspenso e há possibilidade de prisões preventivas serem decretadas.

    O g1 tentou contato com o dono e advogada da academia, mas não os localizou até a última atualização desta matéria. A reportagem também solicitou um posicionamento da OAB de Peruíbe, mas ainda não obteve resposta.

    Paola

    De acordo com Paola, a maioria dos alunos ficaram do lado dela e saíram da academia. No entanto, após a repercussão do caso, a vítima passou a ser reconhecida em Peruíbe e pessoas preconceituosas passaram a abordá-la na rua. Por este motivo, precisou mudar de cidade.

    “Uns preconceituosos estavam mexendo comigo na rua e não tinha isso antes […]. Estava difícil ficar em Peruíbe, eu estava com fobia de sair na rua. Eu me arrumava todinha e quando chegava na hora de sair o meu coração acelerava, eu já estava entrando em uma depressão”, explicou.
    Paola afirmou que ainda está se recuperando das sequelas causadas pelo episódio, que intitula como “os piores momentos” que já viveu. Agora, se sente melhor com a decisão. “A Justiça pode demorar um pouquinho, mas uma hora aparece […]. Lutei tanto para ser reconhecida”.

    O advogado de Paola, Renan Gutevein, destacou que decisões como esta são importantes para que as pessoas entendam os direitos da comunidade LGBTQIAP+. “Espero que o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Advocacia se unam cada vez mais em prol destes direitos, sobretudo gerando precedentes para que fatos envolvendo Transfobia ocorram cada vez menos”.

    Relembre o caso
    Em janeiro de 2022, Paola disse que o dono da academia reclamou, por meio de uma conversa mediada por uma advogada, de ela usar o banheiro feminino, do jeito dela falar e, também, das roupas que usava para treinar.

    À época, ao g1, a advogada relatou que apenas foi contratada para mediar a conversa e “tentar apaziguar a situação”, mas que não foi preconceituosa e nem o dono do estabelecimento.

    Durante a conversa, que foi gravada, a advogada levantou alguns assuntos, que, segundo ela relatou ao g1, foram ditos à pedido do proprietário da academia. No vídeo, registrado por amigas de Paola, é possível ouvir um trecho da conversa:

    Advogada: “Toda academia tem suas regras. Porque tem pessoas de vários tipos religiosos, pessoas evangélicas. […] Como você bem sabe, aqui não há discriminação, tanto é que ele [dono da academia] aceita pessoas de todos os gêneros. Só que é o seguinte, toda academia tem suas regras. […] Mas seu comportamento não é adequado à academia, pela vestimenta, pela maneira de falar, porque cada um tem seu palavreado né, seu jeito, só que as vezes dentro de um local temos que pensar nas palavras, porque como tem pessoas evangélicas aqui dentro”.
    Advogada: “E uma coisa que eu gostaria também Paloma, desculpe até perguntar. Eu sei que você é bonita, uma pessoa […]”
    Paola: “Eu sou transexual, o nome, com nome trocado também em cartório também”.
    Advogada: “Mas você chegou a fazer cirurgia?”
    Paola: “Cirurgia não, por enquanto não, por ser muito caro”
    Advogada: Sabe porque tô falando, porque é o seguinte, como você tem o órgão genital masculino, se fosse uma pessoa com cirurgia podia estar usando o banheiro das mulheres. Mas pelo fato de você ter o órgão masculino isso impede que você use, porque outras pessoas né, aqui pode ter senhoras.

    Pouco depois o proprietário diz na conversa que não tem preconceito contra ela, mas que ficava incomodado com algumas palavras que ela dizia às amigas, como “gostosa” e “racha”, afirmando que são palavras que não condizem com um ambiente familiar.

    Paola explicou que “racha” era um vocabulário da Bahia e que as amigas não ligavam dela chamar elas de gostosas.

     

  • Funcionários da Unicamp decidem manter greve apesar de ‘avanço’ durante 1ª reunião com reitoria

    Funcionários da Unicamp decidem manter greve apesar de ‘avanço’ durante 1ª reunião com reitoria

    Categoria iniciou protesto em 28 de agosto contra implantação de ponto eletrônico e para reivindicar medidas econômicas. Veja o que diz a universidade estadual sobre as demandas.

    Os funcionários técnico-administrativos da Unicamp decidiram permanecer em greve, durante assembleia nesta quarta-feira (13), após a primeira reunião de negociações com a reitoria terminar sem acordo. O protesto começou em 28 de agosto e os trabalhadores são contrários ao uso de ponto eletrônico para monitorar presença na universidade e reivindicam uma série de medidas econômicas.

    Para a diretora do sindicato que representa a categoria (STU), Gabriela Barros Gonçalves, o debate resultou em avanço, mas ela fez críticas principalmente sobre a forma como a questão do ponto eletrônico foi tratado internamente pela universidade estadual, o que considerou falta de trasparência.

    “Avançamos em conseguir um calendário de negociações, mas não temos como negociar com termos impostos arbitrariamente. Imposição não é negociação, é enrolação e desrespeito às entidades sindicais que representam a comunidade universitária. A reitoria recebeu a pauta específica [questões econômicas] no dia 16 de agosto, com as reivindicações, mas nunca respondeu”, falou Gabriela.

    Ao g1, a Unicamp informou que durante a reunião foram ouvidos os argumentos de entidades sobre a pauta de reivindicações e ficou estabelecido que a reitoria irá se manifestar posteriormente sobre elas, e que foi acertada a construção de um cronograma de reuniões para as negociações da pauta. Confira abaixo o que diz a instituição sobre as reivindicações feitas pelo sindicato dos funcionários.

    “A Unicamp reitera seu compromisso de atenção às demandas da sociedade, nesse caso representada de forma legítima pelo Ministério Público. Confirma também, a disposição de dialogar com sua comunidade acadêmica e entidades representativas sobre os procedimentos de gestão para a implantação do ponto eletrônico. A administração está disposta, também, a promover os equacionamentos necessários, desde que fundamentados nos princípios da administração pública e, nesse caso, com especial atenção aos termos da legalidade do processo”, informa trecho.

    Esta é a primeira greve de funcionários desde que Antonio José de Almeida Meirelle, o Tom Zé, assumiu a reitoria em abril de 2021. Antes, o protesto anterior da categoria foi em junho de 2019 para reivindicar reajuste salarial. Já o ato mais longo na história da universidade durou 112 dias, em 2014.

    A universidade estadual tem campi em Campinas (SP), Limeira (SP) e Piracicaba (SP). Atualmente, o quadro de servidores reúne aproximadamente 8,4 mil trabalhadores.

    A decisão pela greve foi tomada pelos servidores na assembleia de 24 de agosto e a mobilização inclui funcionários dos dois colégios técnicos da Unicamp, Cotuca e Cotil, de acordo com o STU. Por outro lado, os professores, representados por uma associação (Adunicamp), não aderiram ao movimento.

    📣 Reivindicações e reflexos
    A pauta do funcionalismo inclui os seguintes pedidos à reitoria:

    Contra o ponto eletrônico
    Pelo abono de R$ 10 mil
    Isonomia com a USP
    Pagamento salarial no 1º dia útil do mês
    Negociação da pauta específica de 2023
    Vale-refeição (VR) de R$ 990 (22 dias trabalhados), com desconto de R$ 1
    Auxílio-nutrição para os aposentados no valor do vale-alimentação.
    Unicamp e STU não indicam percentuais de adesão à greve, segundo acompanhamento de cada um.

    Desde o início da greve, a Unicamp informou que nenhuma atividade ou serviço foi paralisado de forma significativa. Além disso, frisou que a reitoria está aberta ao diálogo com o sindicato.

    A entidade, por outro lado, disse que há reflexos no setor administrativo e considerou que a posição da universidade visa “diminuir a força do movimento” diante de suposto quadro reduzido de funcionários.

    ⌚E o ponto eletrônico?
    O STU alegou que a implantação do ponto eletrônico fere a autonomia universitária e o trabalho qualitativo. Além disso, mencionou que nunca foi convidado para debater sobre o ponto eletrônico e que, portanto, seria uma decisão arbitrária da reitoria da Unicamp.

    “Nossos trabalhadores flexibilizam horários para cumprir pesquisas e dar apoio ao ensino e extensão, o que não será mais possível e irá impactar a qualidade no geral […] Não temos problemas com controle de frequência, que já é feito de forma manual e supervisionada pelas chefias. Nossa crítica é contra esse sistema que não se justifica instalar e terá mais custo para Unicamp. Verba que poderia ser aplicada em melhorias e mesmo na valorização dos servidores”, alegou Gabriela durante entrevista ao g1 na semana passada.

    A Unicamp diz que a implantação do ponto eletrônico não é uma opção da gestão atual da reitoria, mas uma determinação do Ministério Público (MP), ratificada por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O STU, em contrapartida, critica a forma de condução do assunto pela universidade.

    “O documento já tratado com o Ministério Público foi somente apresentado quando as tratativas já estabelecidas […] Não há previsão de negociação, a resposta da gestão é sempre a mesma, como se fossem obrigados a cumprir uma ordem que o MP nunca deu”, alegou a diretora do sindicato.

    A promotoria de Justiça informou ao g1 que há cláusula penal para a hipótese de descumprimento.

    📄 O que diz a Unicamp?
    Em março, a universidade estadual havia divulgado a assinatura de um acordo com o MP-SP para implantação de sistema de ponto eletrônico. Ela prevê concluir todo processo até junho de 2024, mas estipula hipótese de prorrogação por mais seis meses.

    “A implantação do controle eletrônico de jornada foi determinada pelo Ministério Público, a partir da instauração de um inquérito civil público e da proposição de um Termo de Ajustamento de Conduta. Coube à Universidade, em reunião da Câmara de Administração (CAD), em 5 de outubro de 2022, avaliar se aceitava ou não esse TAC e providenciar a forma e o cronograma da sua implementação. A CAD decidiu pela aprovação da medida. Uma vez adotado o TAC, a implantação do controle eletrônico vem ocorrendo de maneira gradual, planejada e em diálogo com os diversos órgãos e unidades”.

    Ainda segundo a Unicamp, a colocação do sistema será realizada em quatro etapas:

    Discussão do projeto com as entidades representativas dos servidores, definição da solução tecnológica a ser usada e a elaboração do cronograma de implantação em cada fase.
    De 1º de agosto a 31 de dezembro – implantação na administração central — gabinete do reitor, coordenadoria geral, pró-reitorias e diretorias executivas; Hospital da Mulher-Caism, Centro de Saúde da Comunidade (Cecom), Gastrocentro (Centro de Diagnóstico de Doenças do Aparelho Digestivo).
    Implantação na administração central e área da saúde, abrangendo o Hospital das Clínicas, o Hemocentro e demais órgãos.
    Implantação nas unidades de ensino, pesquisa e extensão (institutos e faculdades), centros e núcleos de pesquisa.

    Em nova nota divulgada na terça-feira, a Unicamp reiterou que o controle eletrônico de jornada não suprime direitos e não altera os regimes de compensação de recessos e pontos facultativos. Além disso, a reitoria alegou que há compromisso com:

    Não marcação de ponto nas saídas para ou retornos dos períodos de almoço e/ou intervalos;
    Flexibilização de horário para pessoal administrativo, desde que não sejam prejudicados os serviços e atividades previstos na jornada média de trabalho de oito horas diárias;
    Não compensação de dias-ponte de feriados e recessos de fim de ano, conforme previsto no calendário da Unicamp, aprovado no Conselho Universitário (Consu) ao final de cada ano;
    A flexibilização/tolerância especial de marcação do controle eletrônico para servidores e servidoras que tenham filhos e filhas matriculados nos programas educativos da Unicamp, assim como para profissionais que fazem uso de fretados;
    Anotação do ponto por diferentes instrumentos, incluindo celulares, relógios fixos ou computadores de trabalho. “Será definido preferencialmente em função do tipo de atividade e, não havendo restrições, a escolha poderá se basear na preferência pessoal”.
    Já nesta quarta-feira, após a reunião, a universidade fez novas pontuações sobre o ponto eletrônico. Entre os itens destacados pelo comunicado da assessoria estão:

    O TAC e o cronograma de execução foram aprovados pela Câmara de Administração (CAD), em outubro de 2022;
    A entidade representativa das servidoras e servidores técnico-administrativos foi convidada a acompanhar os trabalhos do Grupo Executivo e sugerir melhorias no processo;
    Na Reunião da CAD , em 5 de setembro, quando foi aprovado o regimento do ponto eletrônico, o reitor se comprometeu em realizar uma reunião com as entidades representativas das categorias que utilizarão o ponto eletrônico e representantes das diretorias de institutos e faculdades, e também da Adunicamp. A reunião foi nesta quarta-feira;
    Inicialmente a reitoria solicitou a presença de oito representantes das entidades, mas acatou uma solicitação e permitiu a participação de 18 membros;

    💰 Pautas econômicas
    A Unicamp informou em nota anterior que, sob a gestão Tom Zé e a equipe dele, os servidores não docentes foram contemplados por uma política salarial e de benefícios composta, dentre outros, por:

    Dois reajustes salariais que somam percentual de 33,35% (20,67% em 2022 e 10,51% em 2023), garantindo a recuperação das perdas salariais existentes entre maio de 2018 e abril de 2023;
    O reajuste do auxílio-alimentação no percentual de 39%, passando de R$ 970 em 2021 para R$ 1.350 em 2023;
    A criação do auxílio-refeição com o valor de R$ 36 por dia trabalhado, totalizando-se em torno de R$ 792 por mês;
    Um plano de progressão de carreira que atingiu 4.315 servidores com aumento real de salário, ou seja, 66,14% dos 6.524 servidores técnico-administrativos ativos.
    “Estes benefícios demonstram que a atual gestão da Unicamp promoveu esforços efetivos de valorização de seus servidores”, diz nota.

  • Kleber Gladiador compartilha vídeo em que aparece dando cotoveladas e tapas em outros jogadores dias após acusação de agressão contra mulher

    Kleber Gladiador compartilha vídeo em que aparece dando cotoveladas e tapas em outros jogadores dias após acusação de agressão contra mulher

    Imagens aparecem em meio a jogadas plásticas e gols do ex-atleta quando atuava pelo Palmeiras e o Cruzeiro. Uma foto dele dando uma cotovelada no rosto de Neymar estampa a capa do vídeo. Caso de agressão aconteceu na loja de conveniência de um posto de combustíveis na madrugada de 3 de setembro, na Zona Oeste de SP.

    Seis dias depois de ser acusado de agressão contra mulher (leia mais abaixo), o ex-jogador de futebol Kleber Gladiador compartilhou no Instagram uma seleção de lances da carreira em que aparece dando cotoveladas e tapas em jogadores adversários.

    As imagens aparecem em meio a jogadas plásticas e gols do ex-atleta quando atuava por Palmeiras e Cruzeiro. Uma foto dele dando uma cotovelada no rosto de Neymar estampa a capa do vídeo.

    O compilado foi publicado no último sábado (9) por uma página de torcedores palmeirenses com quase 50 mil seguidores. Entre os lances polêmicos em campo, estão:

    Uma solada (ou pisão) em um jogador do Flamengo
    Um tapa no rosto de um jogador do São Paulo
    Um tapa no rosto de um jogador do Botafogo
    Uma cotovelada em um jogador do Corinthians
    Um empurrão em um jogador do Internacional;
    Uma cotovelada em um jogador do São Paulo.

    Nos comentários da publicação, dezenas de usuários do Instagram criticam o conteúdo do post.: “Batendo em mulher, grande exemplo, tá querendo apoio numa safadeza dessa?”

    O que diz Kleber
    Em publicação no Instagram nesta terça-feira (12), Kleber disse que agiu em legítima defesa e que não agrediu qualquer funcionário do estabelecimento. (íntegra abaixo)

    “Diante das diversas matérias publicadas por diversos sites e notícias nas redes de televisão, diferentemente do veiculado, no último dia 03/09 fui agredido por 3 pessoas e apenas me defendi das agressões que sofri, sejam elas físicas e/ou morais. Em nenhum momento agredi qualquer funcionário(a) do estabelecimento, inclusive nos vídeos veiculados inexiste, da minha parte, qualquer agressão ou tentativa. Os fatos não foram tal como ditos ou veiculados e irei provas às autoridades, assim que for intimado a prestar esclarecimentos, apresentarei a minha versão do que realmente ocorreu, agi em legítima defesa e tenho testemunhas que corroboram com a minha versão dos fatos”.

    Agressão em posto de combustíveis
    Câmeras de segurança de uma loja em um posto de combustíveis da Zona Oeste de São Paulo registraram o momento em que Kleber dá um soco em um homem e um empurrão em uma funcionária da conveniência. (veja abaixo)

    De acordo com informações do boletim de ocorrência, a confusão teria ocorrido na madrugada de 3 de setembro. A mulher registrou o BO por agressão física.

    O g1 entrou em contato com a defesa do ex-atleta, mas, até a última atualização desta reportagem, não recebeu resposta.

    No vídeo, é possível ver a funcionária parada na entrada da conveniência;
    De camiseta verde, Kleber passa pela porta do estabelecimento e empurra a mulher de forma abrupta;
    Em seguida, parte para cima e dá um soco no rosto de um rapaz que veste blusa preta;
    Ele até tenta acertar outro soco, mas quase cai com o movimento.

    Uma outra mulher, que acompanhava o rapaz agredido, também acusa Kleber de agressão e homofobia. Ela gravou o ex-jogador discutindo com outro homem e entrando no carro em seguida.

    “Tá discriminando a sapatão. Discrimina aí a sapatão, seu coxinha do caralho. Vai lá discriminar sapatão, ó… Vou gravar mesmo. Lindão, né? Homofóbico. Sua conta vai chegar, parceiro. Dá um tchau aí. Veio bater em mulher, né?”, diz ela no vídeo.
    “Você bate em mulher, né? Lei Maria da Penha, hein, filho da puta. Aqui meu braço pra você, ó, filho da puta. Meu braço pra você, seu vagabundo”, continuou a mulher, enquanto mostra o antebraço, que supostamente foi atingido pelo ex-atleta.

    O caso foi registrado como lesão corporal na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

     

  • Caseiro de mansão percebeu vazamento de gás que matou bilionário e esposa antes de filho encontrá-los mortos na cama, diz delegado

    Caseiro de mansão percebeu vazamento de gás que matou bilionário e esposa antes de filho encontrá-los mortos na cama, diz delegado

    Funcionário desligou o equipamento na ‘casa de máquinas’ da mansão após perceber o vazamento, mas não imaginou que monóxido de carbono invadiu o quarto dos patrões, segundo depoimento à Polícia Civil. O delegado titular da Deic de Santos, que apura o caso, explicou a dinâmica dos fatos a partir do relato.

    O caseiro da mansão do empresário José Bezerra de Menezes e da esposa dele, Luciana Bezerra, identificou o vazamento de gás, que teria causado a morte do casal, horas antes dos corpos serem encontrados em uma suíte. Conforme apurado pelo g1, nesta terça-feira (12), o funcionário contou à Polícia Civil não ter percebido que o monóxido de carbono invadiu o quarto dos patrões.

    Binho Bezerra, como também era conhecido o empresário de 66 anos, e Luciana, de 62, foram encontrados mortos por Rodrigo Passos Bezerra de Menezes, filho deles, de 27, em cima de uma cama em um dos quartos da mansão em Guarujá, no litoral de São Paulo.

    Segundo o delegado Fabiano Barbeiro, titular da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos, o caseiro disse ter ido até a ‘casa de máquinas’, que fica ao lado da suíte do casal, por volta das 7h40.

    “Como ali é uma área técnica, ele [o caseiro] tem que fazer algumas manutenções periódicas, pois tem a bomba da piscina e outros equipamentos. Ele foi fazer alguma verificação e, quando abriu a porta, constatou a fumaça”, explicou Barbeiro, a partir do depoimento.
    Ainda de acordo com o delegado, o caseiro disse ter desligado o ‘queimador’ – responsável por aquecer a água da mansão – logo após reparar o vazamento, já que não poderia fazer o reparo do cano partido naquele momento. “Abriu a porta para que a fumaça fosse embora [da sala], mas não percebeu que tinha invadido o quarto e causado a intoxicação no casal e no animal [uma cadela]”, complementou.

    Filho encontrou corpos
    O delegado explicou também que, a partir dos relatos dos familiares do empresário e funcionários da mansão, Binho e Luciana Bezerra tinham o costume de acordar por volta das 9h e tomar o café da manhã, o que não aconteceu naquele dia.

    Por esta razão, segundo Barbeiro, o filho do casal foi ao quarto dos pais, por volta das 9h30. O jovem encontrou os parentes mortos em cima de uma cama, com a cadela, também morta, embaixo do móvel.

    Entenda o caso
    Binho Bezerra, como também era conhecido o empresário de 66 anos, e Luciana, de 62, foram encontrados mortos por Rodrigo Passos Bezerra de Menezes, filho deles, de 27, em cima de uma cama em um dos quartos da mansão, segundo boletim de ocorrência obtido pelo g1. O imóvel faz parte de um condomínio fechado de residências na Praia de Iporanga.

    De acordo com o boletim de ocorrência, o rapaz contou à polícia ter ido ao quarto dos pais por volta das 10h de sábado (9). Além de Binho e Luciana, Rodrigo teria encontrado também uma cadela da família morta embaixo da cama deles.

    Conforme o registro policial, o jovem pediu ajuda para um médico, que é morador do condomínio. O profissional, segundo o documento, foi ao local e tentou reanimar o casal, mas não conseguiu. A polícia localizou dois funcionários da família na casa.

    Segundo a corporação, os corpos não apresentavam sinais de violência. Eles foram velados e sepultados no Cemitério do Morumby, na capital paulista.

    O que diz a prefeitura
    Por meio de nota, o município informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, por volta das 11h30, para atender a ocorrência em um condomínio. De acordo com a prefeitura, a equipe encontrou um casal no local, já sem vida. O Corpo de Bombeiros e Polícia Militar também atuaram na ocorrência, segundo o município.

    Governador do Ceará
    Por meio das redes sociais, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), lamentou a morte de Binho Bezerra (veja abaixo).

    “Binho presidiu o Banco BIC, que foi fundado pelo seu pai, Humberto Bezerra e seu tio, o ex-governador Adauto Bezerra. Que Deus conforte o coração dos amigos e familiares”, escreveu Elmano de Freitas.

    Binho Bezerra
    Binho Bezerra é filho do ex-prefeito de Juazeiro do Norte, Humberto Bezerra, e sobrinho do ex-governador do Ceará, Adauto Bezerra.

    Segundo publicação da revista Forbes em dezembro 2022, Binho Bezerra possuía um patrimônio avaliado em R$ 1,55 bilhão. Na época, ele foi listado como o 205º bilionário brasileiro.

    Bezerra era integrante da terceira geração de controladores do BicBanco, hoje CCB Brasil, vendido ao China Construction Bank por R$ 1,62 bilhão, em 2013.

     

  • Polícia identifica três criminosos envolvidos na execução de sargento aposentado da PM

    Polícia identifica três criminosos envolvidos na execução de sargento aposentado da PM

    Gerson Antunes Lima, de 55 anos, foi baleado enquanto varria uma rua na frente de uma casa em São Vicente (SP). Um quarto envolvido é procurado e delegado afirma ser “questão de tempo” para encontrá-lo.

    A Polícia Civil identificou três dos quatro suspeitos de envolvimento na execução do sargento aposentado Gerson Antunes Lima, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Ao g1, o delegado Fabiano Barbeiro, titular da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos explicou, nesta terça-feira (12), que a identificação do quarto criminoso é uma “questão de tempo”.

    O caso aconteceu na Rua Juarez Távora, na Cidade Náutica. Na ocasião, Gerson foi abordado pelos suspeitos enquanto varria a rua. Segundo a PM, ele chegou a ser socorrido no pronto-socorro do Hospital do Vicentino, no bairro Vila São Jorge, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

    De acordo com Barbeiro, as investigações acontecem na 3ª Delegacia de Homicídios da Deic de Santos. Até o momento, a polícia já apreendeu uma das motos usadas pelos suspeitos no crime.

    Ataques a policiais
    O delegado acrescentou que ainda não é possível apontar a motivação do crime. No entanto, ele ressaltou que a polícia trabalha com diferentes possibilidades para investigar o caso.

    “Somos levados a crer que a hipótese preponderante é a de retaliação [por parte dos criminosos] pelo simples fato da pessoa ser um policial”, complementou Barbeiro.

    Por fim, o delegado explicou que os últimos atentados contra policiais no litoral de São Paulo são “orquestrados” por integrantes de organizações criminosas. “Acham que estão atacando a ‘instituição policia’ fazendo essas ações covardes, como forma de retaliação”.

    Sargento
    A PM informou que o agente estava inativo desde 2019. Segundo a corporação, a última unidade em que Gerson atuou foi na 1ª Companhia do 45º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I).

    Por meio de nota, a Polícia Militar lamentou a morte de mais um “companheiro de farda” na Baixada Santista. Segundo a corporação, Gerson é o oitavo policial militar morto na região desde janeiro deste ano, sendo sete inativos.

    A PM pontuou que, além disso, outros 12 agentes já foram feridos em 2023 no litoral paulista, oito deles em serviço, três em folga e um inativo.

    Secretário de Segurança de SP
    O secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, também comentou sobre a morte do PM aposentado.

    Por meio das redes sociais, ele afirmou que as forças policiais vão “atrás dos responsáveis” pelos ataques aos agentes (veja abaixo).