Tag: Justiça de São Paulo

  • Justiça de SP revoga multa de R$100 milhões à Apple por vender celulares sem carregadores

    Justiça de SP revoga multa de R$100 milhões à Apple por vender celulares sem carregadores

    Tribunal entendeu que a associação que entrou com a ação não tem legitimidade para isso, além de já haver uma tramitação sobre este mesmo caso no Rio de Janeiro.

    O Tribunal de Justiça de São Paulo revogou no dia 9 de outubro a multa de R$100 milhões que foi aplicada à Apple por vender iPhones sem carregadores.

    Em 2022, a empresa tinha sido condenada em primeira instância a pagar os valores e disponibilizar os carregadores para todos os consumidores que haviam comprado os celulares da marca.

    A 34ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP aceitou o recurso da empresa de tecnologia por entender que a entidade que entrou com a ação, a Associação Brasileira dos Mutuários e Consumidores, não tem legitimidade para isso.

    O tribunal também destacou que já existe uma ação tramitando na Justiça do Rio de Janeiro que discute o mesmo assunto e, como ela foi tramitada antes, tem preferência. Essa ação ainda não teve decisão.

    Em setembro de 2023 a Apple enviou uma proposta para a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) para formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

    Há um ano, a Senacon havia entrado com um processo contra a empresa pela venda dos celulares iPhone sem o carregadores de tomadas.

    O órgão determinou a suspensão da venda de todos os modelos da linha iPhone sem o acessório e aplicou uma multa de mais de R$ 12,2 milhões à Apple.

    Apple deixou de vender os carregador em 2020
    A empresa deixou de incluir o adaptador de tomada em todos os seus celulares em outubro de 2020, após anunciar os novos iPhone 12, afirmando que a decisão faz parte de “seus objetivos ambientais”.

    Em nota enviada ao g1 no início de setembro de 2022, a Apple afirmou que a medida foi tomada para reduzir emissões de carbono.

    “Na Apple, consideramos nosso impacto nas pessoas e no planeta em tudo o que fazemos. Adaptadores de energia representaram nosso maior uso de zinco e plástico e eliminá-los da caixa ajudou a reduzir mais de 2 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono – o equivalente a remover 500.000 carros da estrada por ano. Existem bilhões de adaptadores de energia USB-A já em uso em todo o mundo que nossos clientes podem usar para carregar e conectar seus dispositivos. Já ganhamos várias decisões judiciais no Brasil sobre esse assunto e estamos confiantes de que nossos clientes estão cientes das várias opções para carregar e conectar seus dispositivos.”

     

  • Justiça de SP arquiva pela 2ª vez investigação sobre bebê que morreu após passar mal na Colmeia Mágica em 2010

    Justiça de SP arquiva pela 2ª vez investigação sobre bebê que morreu após passar mal na Colmeia Mágica em 2010

    Segundo arquivamento é de agosto. Primeiro foi em 2013. Heloisa Teodoro tinha 3 meses quando morreu. Polícia havia reaberto caso após donas e funcionária de escolinha serem condenadas por torturas e maus-tratos contra 9 alunos. Polícia apura mais 34 denúncias.

    A Justiça de São Paulo arquivou pela segunda vez o inquérito policial que investigava o caso de uma bebê que morreu após passar mal em 2010 na Escola de Educação Infantil Colmeia Mágica. Este segundo arquivamento ocorreu em 3 de agosto de 2023. O primeiro havia sido em 2013.

    Heloisa Vitoria Teodoro tinha pouco mais de 3 meses de vida quando morreu, em 7 de maio de 2010. Ela teria parado de respirar no berçário da escolinha particular, na Vila Formosa, Zona Leste da capital. A criança foi socorrida de carro por Roberta Serme, uma das donas da Colmeia Mágica, e levada até o Hospital São Luiz, no Tatuapé, onde a morte foi constatada. A bebê já teria chegado morta ao local.

    O caso foi registrado à época como “morte suspeita” a esclarecer no 30º Distrito Policial (DP), no Tatuapé. A investigação para saber a causa da morte foi feita pelo 41º DP, Vila Rica.

    Segundo disse ao g1 no início deste ano a cabeleireira Isabel Cristina Gardão da Silva, mãe de Heloisa, o laudo necroscópico apontou è época que a causa foi “asfixia mecânica por agente físico”. Mas de acordo com o Ministério Público (MP), o laudo concluiu que ela morreu por “asfixia por broncoaspiração”.

    Ainda de acordo com a mãe da bebê, mesmo diante da suspeita de que Heloisa teria sido asfixiada, a polícia não investigou isso. E decidiu arquivar o inquérito que apurava a morte dela. Cristina, como prefere ser chamada, contou ainda que a alegação dada pelos policiais à época foi a de que não encontraram provas. E de que a Justiça arquivou o caso em 2013 “por falta de provas”.

    Donas e funcionária condenadas

    Em março de 2022, quando o g1 revelou que a Colmeia Mágica era investigada pela Polícia Civil por suspeita de tortura e maus-tratos contra alunos da escola, Cristina acionou suas advogadas para pedirem à Justiça a reabertura do caso da morte de sua filha.

    No ano passado, vídeos e fotos que circulavam nas redes sociais mostravam nove crianças (sete meninos e duas meninas) chorando, com os braços imobilizados, amarrados com lençóis, presos a cadeirinhas de bebês dentro do banheiro da escolinha. As imagens tinham sido feitas por ex-funcionárias da Colmeia. Os crimes ocorreram entre dezembro de 2021 e março de 2022. As vítimas tinham de 1 ano a 5 anos de idade à época.

    Em fevereiro de 2023, as proprietárias da Colmeia Mágica, Roberta e Fernanda Serme, respectivamente diretora e coordenadora da escolinha, e Solange Hernandez, funcionária de lá, foram condenadas pela Justiça como as responsáveis por torturas e maus-tratos contra os alunos. O método de amarrar as crianças, conhecido na escolinha como “charutinho”, funcionava como castigo para conter alunos desobedientes.

    Roberta recebeu pena de 49 anos, 9 meses e 10 dias de prisão em regime inicial fechado, e 1 ano e 4 meses de detenção no semiaberto. Fernanda foi punida com 13 anos e 4 meses de detenção no semiaberto.

    Solange foi condenada a 31 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado, e 8 meses de detenção em regime semiaberto. Ela, no entanto, continua em liberdade.

    Polícia reabriu caso sobre morte

    Em março de 2023, o Ministério Público pediu para a polícia paulista reabrir o mesmo inquérito sobre a morte de Heloísa, que havia sido arquivado em 2010. A Justiça concordou. E a Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco) da 8ª Delegacia Seccional passou a investigar novamente o que matou a menina, se houve algum crime ou não.

    Mas, diferentemente de 2010, quando o caso foi investigado como “morte suspeita” a ser esclarecida, a polícia passou a apurar dessa vez se Heloísa foi vítima de “homicídio qualificado” (assassinato intencional cometido por recursos que o tornam mais grave).

    Em resumo, a Promotoria queria saber se a bebê também havia sido torturada ou sofrido maus-tratos como os outros alunos de 2021 e 2022 e que apareceram nas imagens da web. E se essa violência lhe causou a morte ou contribuiu para ela.

    Mas como a polícia novamente não encontrou durante a investigação indícios de que a criança morreu em decorrência de um crime, o caso foi relatado ao Ministério Público, que por sua vez pediu mais uma vez o arquivamento dele à Justiça.

    O g1 procurou a mãe de Heloísa e um das advogadas dela para comentarem o assunto. Elas disseram desconhecer a decisão judicial que arquivou novamente o inquérito sobre a morte da criança. A reportagem aguarda algum posicionamento.

    No ano passado, Cristina havia dito ao g1 que um documento do Hospital São Luiz informa que sua filha “chegou sem vida ao serviço” médico.

    “O laudo apontou que ela foi asfixiada. Não entendo porque a polícia deixou de apurar isso”, falou Cristina ao g1 em 2022. “Acredito que Heloísa morreu dentro da escolinha. Ela já estava morta quando foi levada pela diretora ao hospital”.
    34 novas denúncias contra escola

    A Polícia Civil de São Paulo quer interrogar novamente as donas da Colmeia Mágica, dessa vez pela suspeita de que elas possam ter torturado e maltratado mais 34 crianças (20 meninos e 14 meninas) que estudavam no local.

    Esse é o segundo inquérito contra a escola particular da Zona Leste da capital paulista. Ele foi aberto em junho de 2022 pela polícia a pedido do Ministério Público. Ainda não há previsão de quando Roberta e Fernanda Serme, respectivamente diretora e coordenadora da escolinha, serão ouvidas.

    Esses novos casos chegaram ao conhecimento da investigação pelos pais e responsáveis delas, que relataram ter notado lesões e mudanças de comportamento nos filhos.

    As irmãs Serme, que também são sócias da Colmeia Mágica, estão presas atualmente por causa do primeiro inquérito envolvendo a escola. Elas foram condenadas por torturar e maltratar outros nove alunos.

    Ainda não há previsão de quando as irmãs Serme serão ouvidas pela Cerco da 8ª Delegacia Seccional. Como estão detidas no interior do estado, provavelmente serão interrogadas por carta precatória enviada a outra delegacia. Essa unidade policial então ouviria as duas na prisão.

    Inicialmente a investigação não tem planos de ouvir Solange, funcionária da escola, que também foi condenada no primeiro inquérito.

    A Promotoria quer saber, por exemplo, se a delegacia consegue esclarecer nesta nova investigação se as duas donas e a funcionária da Colmeia Mágica tiveram também a ajuda de professoras em supostas torturas e maus-tratos contra as crianças.

    Além de Roberta, Fernanda e Solange, professoras da escolinha também serão investigadas pela polícia para saber se tiveram algum envolvimento. Até o momento, não há relatos de envolvimentos das educadoras.

    A Colmeia Mágica havia sido fundada em 2002 e atendia crianças de 0 a 5 anos, do berçário ao ensino infantil. Atualmente está fechada. O g1 não conseguiu localizar as defesas das irmãs Serme e de Solange para comentarem o assunto até a última atualização desta reportagem.

    O que dizem as donas e funcionária

    Roberta chegou a confirmar em seu depoimento à polícia que os vídeos foram gravados na sua escola e que as crianças que aparecem lá são seus alunos. Mas negou que as amarrasse ou ordenasse a alguém para amarrá-las. Disse ainda que desconhecia quem teria feito isso. Mas desconfiava que as cenas pudessem ter sido montadas por alguma funcionária insatisfeita para prejudicar ela e sua irmã.
    Fernanda também se mostrou surpresa com os vídeos quando foi ouvida na delegacia.
    Solange também negou ter cometido algum crime. Além de acusar Roberta de “embalar’” as crianças, a funcionária falou à polícia, e em entrevista à TV Globo e ao g1, que as professoras da Colmeia Mágica eram orientadas pela diretora a fazer o mesmo “procedimento”. Ela ainda falou que não ajudou a patroa a amarrar os alunos. E negou que tivesse jogado uma coberta na cabeça de uma criança, a sufocando.
     

  • Caso Brennand: Justiça realiza 1ª audiência de denúncia de ameaça a caseiro em condomínio de luxo

    Caso Brennand: Justiça realiza 1ª audiência de denúncia de ameaça a caseiro em condomínio de luxo

    Empresário já havia sido denunciado pela Promotoria de Porto Feliz (SP) nesta semana por agredir o garçom de um hotel no condomínio. Ele também é acusado de outros nove crimes cometidos no mesmo local.

    O Tribunal de Justiça de São Paulo realiza, nesta terça-feira (5), a primeira audiência virtual de mais um processo contra Thiago Brennand na 2ª Vara de Porto Feliz (SP). A sessão deve começar às 14h. Este é o quarto processo contra o empresário na cidade.

    A sessão desta terça-feira trata do caso de uma denúncia contra o empresário por ameaçar o caseiro de uma propriedade em um condomínio de luxo em Porto Feliz. O TJ-SP não informou quantas testemunhas foram arroladas para a audiência.

    Ao todo, há seis julgamentos em andamento na Justiça, mas Brennand é réu em nove processos criminais.

    As denúncias contra o empresário em Porto Feliz são investigadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Sorocaba (SP).

    O caso que começa a ser julgado nesta terça-feira ocorreu na tarde do dia 25 de julho de 2022. De acordo com o Ministério Público, que fez a denúncia em outubro do ano passado, a vítima dirigia o próprio carro próximo a uma das portarias do condomínio e passou em frente à casa de Brennand, que estava saindo do imóvel.

    Segundo o documento da Promotoria, a partir disso, Brennand passou a perseguir o caseiro, a buzinar e, em determinado momento, baixou o vidro do veículo para gritar “vagabundo, onde você pensa que vai?”.

    Na denúncia, o MP-SP destacou a oitiva de um policial militar aposentado que trabalhava como segurança no condomínio de Brennand e presenciou o crime denunciado.

    A testemunha contou às autoridades que viu quando o empresário fechou o carro da vítima no condomínio, próximo de uma das portarias, e houve uma discussão. O segurança disse que Brennand chamou a vítima de palavras de baixo calão e houve “empurra-empurra”.

    Conforme apurado pelo MP, Brennand teria dito: “olha pra você, seu velho! Só não te quebro aqui porque você está no lugar errado! Olha o tamanho da sua barriga, seu velho safado”. Além disso, o empresário teria empurrado e desferido um tapa na cabeça da vítima.

    Segundo a testemunha relatou ao MP, durante a discussão, o empresário chegou a ameaçar bater no motorista que teve o carro fechado, mas disse que não o faria por causa da idade dele. Durante a discussão, a testemunha afirmou que Thiago manteve a mão nas costas, “dando a entender que estava armado”, para intimidar a vítima.

    Outras audiências
    O empresário é réu em três processos em Porto Feliz. A primeira audiência na cidade foi no dia 30 de maio, referente ao processo em que uma norte-americana o acusa de estupro. A audiência foi retomada no dia 21 de junho.

    Já o segundo processo, referente à denúncia de uma mulher que acusa Brennand de estupro, cárcere privado e de ter sido obrigada a tatuar as iniciais dele em seu corpo, teve a primeira audiência no dia 3 de julho. Brennand e o tatuador foram ouvidos durante uma audiência realizada na segunda-feira (3).

    O terceiro processo que Brennand responde em Porto Feliz é referente ao caso de uma mulher que alega ter sido estuprada pelo empresário na mansão dele, em um condomínio na cidade. A primeira audiência foi realizada no dia 28 de julho, e retomada no dia 7 de agosto.

    Ao todo, referentes a este processo, foram ouvidas a vítima, uma testemunha de acusação e cinco testemunhas de defesa. O caso foi retomado no dia 25 de agosto, com o interrogatório do réu, Thiago Brennand.

    O empresário também responde a outros três processos na capital. Em 27 de julho, foi realizada a primeira audiência do empresário referente a outro caso: o de agressão contra uma modelo e atriz em uma academia da capital paulista.

    Já no dia 8 de agosto, a Justiça realizou outra audiência referente à denúncia feita pela estudante de medicina e miss Stephanie Cohen por estupro, constrangimento ilegal e gravação de cena sexual.

    De acordo com o TJ, nenhum desses casos teve sentença proferida e ainda não há previsão para que sejam finalizados, já que há pedidos de diligência e prazos a serem cumpridos.

    Acusações

    O nome de Brennand ficou conhecido depois que o Fantástico mostrou imagens exclusivas nas quais o empresário aparece agredindo a atriz Helena Gomes dentro de uma academia em São Paulo. Neste caso, ele responde pelos crimes de lesão corporal e corrupção de menores, já que teria incentivado o próprio filho adolescente a ofender Helena.

    Depois que a reportagem foi ao ar, outras mulheres procuraram o Ministério Público de São Paulo para denunciar o empresário por crimes como estupro, agressão, ameaça, cárcere privado e injúria.

    Segundo as vítimas, os crimes ocorreram entre 2021 e 2022, em uma casa que Thiago Brennand tem em um condomínio de luxo em Porto Feliz.

    Uma das mulheres disse que foi mantida em cárcere privado, sofreu agressões, teve um vídeo íntimo divulgado sem consentimento e que foi forçada a fazer uma tatuagem com as iniciais do empresário. A Corregedoria da Polícia Civil investiga a delegada Nuris Pegoretti por suspeita de ter favorecido o suspeito no caso.

    Já uma estudante de medicina acredita que foi dopada pelo empresário durante um jantar. Um ex-funcionário, que conviveu com Thiago Brennand por 15 anos, disse que ele batia e dava choques no próprio filho.

    Além disso, um garçom que trabalha em um hotel dentro do condomínio afirma ter sido agredido pelo empresário. Já o caseiro de uma propriedade no mesmo local alega ter sido ameaçado por Brennand.

    No total, o empresário e herdeiro é réu em nove processos criminais e, em seis deles, tem prisões decretadas por estupro, agressão, cárcere privado e ameaça. Brennand está preso no Brasil desde 29 de abril, após ficar oito meses nos Emirados Árabes.

     

  • Léo Lins vira réu por publicar conteúdo preconceituoso e discriminatório contra minorias; canal do Youtube é retirado do ar

    Léo Lins vira réu por publicar conteúdo preconceituoso e discriminatório contra minorias; canal do Youtube é retirado do ar

    Humorista também teve R$ 300 mil bloqueados pela Justiça de SP por conta das publicações.

    O humorista Léo Lins virou réu em uma ação por propagar conteúdo contra minorias e grupos vulneráveis. Ele também teve seu canal no Youtube retirado do ar. A Justiça de São Paulo bloqueou R$ 300 mil das contas do humorista por ele continuar distribuindo conteúdo preconceituoso e discriminatório.

    O Ministério Público de São Paulo (MPSP) entrou com a ação contra o humorista para suspender seu canal no Youtube, em abril deste ano. De acordo com o órgão, o humorista distribuiu vídeos retratando atos ofensivos e degradantes contra grupos vulneráveis e minoritários, implicando crimes de ódio, preconceito e discriminação.

    De acordo com informações obtidas pelo g1, entre os pedidos o MP solicitou:

    Proibição de transmitir, publicar ou distribuir arquivos com conteúdo depreciativo ou humilhante para contra grupos ou qualquer categoria considerada como minoria ou vulnerável;
    Proibição de realizar em suas apresentações piadas com conteúdo depreciativo ou humilhante;
    Retirar do ar qualquer publicação com conteúdo depreciativo ou humilhante contra grupos ou qualquer categoria considerada como minoria ou vulnerável;

    Em maio, a Justiça acatou o pedido do MP e fixou uma multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento. Segundo a juíza do caso, o humorista usa o pretexto de que está fazendo um espetáculo para ofender grupos e incitar práticas criminais, inclusive de natureza sexual.

    Segundo a Justiça, o humorista descumpriu o pedido e manteve diversos links de vídeos com conteúdo depreciativo em suas redes. E, em julho deste ano, foi pedido o bloqueio de R$ 300 mil das contas de Léo Lins, além da aplicação de multa.

    O g1 procurou o humorista, mas até a publicação desta reportagem não teve retorno.

    Especial retirado do ar
    Em maio deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retirada do especial de comédia “Perturbador”. No vídeo, o comediante faz piadas com escravidão, perseguição religiosa, minorias, pessoas idosas e com deficiências.

    O vídeo foi usado no pedido de uma medida cautelar pelo MPSP. A informação foi confirmada pelo próprio humorista por meio das redes sociais.

    A gravação do show de stand-up, segundo Léo Lins, aconteceu na cidade de Curitiba para aproximadamente 4 mil pessoas. Ele ainda ressaltou que a publicação na plataforma tinha mais de 3 milhões de visualizações.

    Piadas discriminatórias
    Léo Lins já se envolveu em outras polêmicas. Em agosto de 2022, a Justiça de São Paulo condenou o humorista a pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 44 mil por ter ofendido a mãe de um jovem autista em uma rede social.

    Também no ano passado, o humorista publicou um vídeo fazendo uma piada ofensiva sobre uma criança com hidrocefalia que viveria no Ceará. O vídeo provocou reações nas redes sociais. Diversas pessoas criticaram o comentário, feito durante uma apresentação.

    Em 2021, a Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, cancelou a apresentação de Léo Lins no Teatro Municipal, alegando que foram detectados problemas nas instalações elétricas do espaço. O comediante, por sua vez, definiu a atitude do município como censura, e afirmou que o cancelamento ocorreu logo após ele postar um vídeo com piadas citando a prefeitura.

  • Justiça de SP suspende falência da Itapemirim Transportes Aéreos

    Justiça de SP suspende falência da Itapemirim Transportes Aéreos

    Decisão em segunda instância é da sexta-feira (18). Companhia aérea suspendeu voos na véspera do Natal de 2021 para ‘ajustes operacionais’ e não voltou a operar. Grupo Itapemirim faliu em 2022 devendo R$ 253 milhões a credores e R$ 2,2 bilhões em tributos.

    A Justiça de São Paulo decidiu em segunda instância suspender o decreto de falência da Itapemirim Transportes Aéreos, proferido pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do estado em 11 de julho. A companhia aérea do Grupo Itapemirim está sem operações desde a véspera de Natal de 2021.

    O relator da decisão da última sexta-feira (18), o desembargador Azuma Nish, considerou que a empresa de tecnologia que havia entrado com o pedido de falência da empresa aérea optou por desistir da ação, o que não foi levado em conta pelo magistrado da primeira instância do Tribunal de Justiça (TJ-SP).

    Segundo o desembargador, uma análise preliminar do recurso aberto pela Itapemirim Transportes Aéreos indica que alegações apresentadas pela empresa, como problemas no envio de citação para defesa, são plausíveis, e manter a falência poderia acarretar em dano irreparável para a companhia.

    Em recuperação judicial desde 2016, o Grupo Itapemirim possuía dívidas de R$ 253 milhões e teve falência decretada em setembro do ano passado. Além dos credores, o grupo também devia cerca de R$ 2,2 bilhões em tributos.

    Fim das operações em 2021
    A Ita Transportes Aéreos suspendeu todas as operações na véspera do Natal de 2021, deixando os passageiros ‘na mão’ às vésperas do Natal. Em comunicado, a empresa afirmou que a suspensão é temporária e está ligada a uma “reestruturação interna” e à “necessidade de ajustes operacionais”.

    Mas a empresa aérea enfrentava uma série de problemas: atrasos de salários e de benefícios de funcionário, dívidas com fornecedores e voos cancelados em plena semana de Natal.

    Enquanto isso, o dono do grupo Itapemirim, Sidnei Piva, abriu uma empresa bilionária no exterior dentro do segmento financeiro em abril de 2021, um mês antes do lançamento da companhia aérea.

    O lançamento da ITA
    Mesmo com a recuperação judicial da Viação Itapemirim, o grupo Itapemirim lançou em maio de 2021 a sua companhia aérea. Em 2020, a empresa anunciou a contratação de cerca de 600 profissionais, entre pilotos, copilotos, técnicos de aeronave e comissários de bordo.

    Logo no início, o projeto esbarrou em dois grandes desafios: a crise do setor de aviação, devido à pandemia da Covid-19, e a retomada financeira da Viação Itapemirim — que ainda não aconteceu. Na época, a Viação Itapemirim estava leiloando imóveis e veículos para pagar as verbas rescisórias dos funcionários demitidos.

    O interesse do grupo em ingressar no setor aéreo era antigo. Em julho de 2017, a Itapemirim já havia chegado a anunciar a compra da Passaredo. Em setembro do mesmo ano, contudo, a venda foi cancelada porque a empresa teria descumprido condições precedentes estabelecidas em contrato.

    Entenda o assunto abaixo:

    Recuperação judicial da Viação Itapemirim
    A Viação Itapemirim protocolou pedido de recuperação judicial na 13º Vara Cível Especializada Empresarial de Vitória em março de 2016. De acordo com a empresa, a decisão foi tomada pela conjuntura financeira e econômica do país na época.

    Um ano antes, na tentativa de dar continuidade aos negócios, a Viação Itapemirim vendeu cerca de 40% de sua frota de veículos e transferiu mais da metade das linhas em operação para a Viação Kaissara.

    No total, foram repassadas à Kaissara 68 das 118 linhas que eram operadas pela empresa. Depois dessa operação, a Itapemirim permaneceu operando em 50 trechos.

    Naquela época, o diretor de Operações da Itapemirim, Marcos Poltronieri, negou que a empresa estivesse em processo de falência, mas admitiu que o volume de passageiros havia caído.

    Após um alto volume de demissões, ex-funcionários chegaram a protestar em frente à empresa por verbas rescisórias e outros benefícios trabalhistas atrasados.

    Segundo a administradora judicial EXM Partners, a empresa devia cerca de R$ 253 milhões aos seus credores em setembro de 2022, além de R$ 2,2 bilhões em dívidas tributárias.

    Live de Bolsonaro

    Em uma live em outubro de 2021, o então ministro da Infraestrutura e atualmente governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, contou ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que o Grupo Itapemirim havia entrado para o ramo de transporte aéreo. Na mesma transmissão, o presidente abriu um pacote com um ônibus em miniatura da Itapemirim.

    Tarcísio citou na live o programa “Voo Simples”, lançado pelo governo também em outubro de 2020, como um pacote de medidas para reduzir custos no setor de aviação.

    “A Itapemirim estava conosco lá, mostrando os investimentos que vai fazer no transporte rodoviário de passageiros e no transporte aéreo, porque estão habilitando a empresa agora para começar a operar no transporte aéreo”, explicou o ministro, na época.

    Salários atrasados
    A crise na Ita começou seis meses após seu lançamento, quando a empresa aérea passou a atrasar salários e benefícios de funcionários, FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e pagamentos de fornecedores. Além disso, o plano de saúde da equipe foi suspenso desde o início de dezembro, informou o Sindicato Nacional dos Aeronautas.

    “Cerca de 20 tripulantes estavam espalhados pelo Brasil a trabalho e ficaram sem auxílio da empresa para comer e até voltar para casa [com a suspensão da operação na sexta-feira (17)]. Fizemos contato com outras companhias aéreas para elas darem carona de volta para eles”, afirmou Henrique Hacklaender, diretor do sindicato.
    Segundo o sindicalista, a Ita conta com 340 tripulantes (apenas profissionais que atuam dentro do avião). Grande parte deles trabalhava na Avianca Brasil, companhia aérea extinta no ano passado.

    Empresa bilionária no Reino Unido

    Em meio à recuperação judicial da Viação Itapemirim e os planos de lançamento da Ita, Sidnei Piva, dono do grupo Itapemirim, abriu em 21 abril deste ano uma empresa no Reino Unido no valor de 780 milhões de libras — o equivalente a quase R$ 6 bilhões.

    De acordo com documento obtido pelo g1, a SS Space Capital, como é chamada, é uma holding de serviços financeiros, fundos de investimento e fundos imobiliários.

  • Humorista acusado de violência doméstica contra a ex-mulher vai à Justiça para reaver ‘guarda’ de Playstation

    Humorista acusado de violência doméstica contra a ex-mulher vai à Justiça para reaver ‘guarda’ de Playstation

    A defesa de juliano Gaspar diz que os itens são necessários porque fazem parte do trabalho dele, o que foi acatado pela Justiça. Advogados da humorista Lea Maria argumentam que ela também usa os equipamentos profissionalmente.

    O humorista e produtor Juliano Gaspar entrou na Justiça de São Paulo para solicitar a devolução de um Playstation 5 e uma câmera fotográfica, entre outros itens, que estão no apartamento que ele dividia com a ex-esposa, Lea Maria, humorista alemã que mora no Brasil e o acusou de violência doméstica em fevereiro deste ano. Ela conseguiu medida protetiva contra ele.

    A defesa de Gaspar diz que os itens são necessários porque fazem parte do trabalho dele e pediu urgência na decisão. A 45ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo acatou o pedido e aguarda manifestação da defesa de Lea.

    Gaspar ainda pediu multa de R$ 10 mil, que foi negada, para cada dia em que a devolução não tivesse sido feita, além pedir força policial para retirar os itens da casa em que Lea está.

    Como argumento, a defesa de Gaspar afirmou que Lea não utilizaria os itens, que não saberia usá-los, o que foi desmentido pela defesa da mulher, que afirmou que ambos são humoristas e produzem conteúdo para YouTube e redes sociais. Lea afirma que os itens são “instrumento de trabalho de ambos”.

    Antes desse pedido, Lea já tinha separado os itens que pertenciam à Juliano Gaspar e entregado. Ela fez a separação por causa da medida protetiva.

    Itens pedidos:

    Câmera Sony a7iii;
    3 unidades de HD’s Externos contendo material de trabalho;
    Controlador de SOm MPC One;
    Tripé K&F;
    Gravador de áudio Zoom H6;
    Controlador AKAI MPC ONE;
    Caixa de som Sound Port;
    Cartões de memória da câmera;
    Aparelho de videogame Playstation 5 com controles
    A defesa de Lea pede que a decisão seja revista e que seja comprovado a quem os itens pertencem, além de uma revisão no processo que autoriza a retirada dos itens de Lea.

    Lea Maria acusou Gaspar de violência doméstica contra ela em fevereiro deste ano ao compartilhar um vídeo no seu perfil no Instagram que aparece com um braço enfaixado e imobilizado. Uma medida protetiva foi estabelecida e desde então, Gaspar está proibido de se aproximar da humorista.

     

  • Justiça derruba lei que dá nome do apresentador Silvio Santos a complexo viário em SP

    Justiça derruba lei que dá nome do apresentador Silvio Santos a complexo viário em SP

    Projeto de lei foi aprovado pelos deputados na Alesp e sancionada pelo então governador Geraldo Alckmin em 2011. Procuradoria-Geral do Estado moveu ação alegando ser inconstitucional dar nome de pessoas vivas a logradouros públicos.

    A Justiça de São Paulo derrubou uma lei que dava o nome de Silvio Santos ao complexo viário localizado no km 23 da rodovia Anhanguera, na capital paulista, e próximo à sede do SBT, emissora de televisão do apresentador.

    Na decisão, a justiça considerou que a lei fere princípios da administração pública.

    O PL foi proposto em 2009 pelo então deputado André Soares (DEM). Aprovado em 2011, ele foi sancionado em outubro do mesmo ano por Geraldo Alckmin, à época governador do estado.

    A derrubada da sanção atende a uma ação movida pela Procuradoria-Geral do Estado, que alegou ser inconstitucional dar nome de pessoas vivas a logradouros públicos.

    No pedido, a desembargadora Marcia Dalla Déa Barone afirmou que atribuição de nome de pessoa viva a patrimônio público “gera benefícios de ordem pessoal ao homenageado, evidenciando a contrariedade à moral jurídica”.

    “Inelutável que a atribuição de nome de pessoa viva a patrimônio público (complexo viário) gera benefícios de ordem pessoal ao homenageado, evidenciando a contrariedade à moral jurídica da finalidade buscada pelo administrador e instrumentalizada no ato normativo que deu a denominação à mencionada via pública, permitindo ao homenageado a promoção de sua imagem e divulgação de seu nome junto à população pela ‘propaganda’ concretizada pela homenagem revelada na denominação do bem público”, defendeu Barone.

     

  • Filha de cantor de Raça Negra pede R$ 40 mil em processo contra pai por danos morais

    Filha de cantor de Raça Negra pede R$ 40 mil em processo contra pai por danos morais

    Renata Francine Rodrigues de Almeida, de 34 anos, abriu processo em agosto de 2022; ação ainda corre no Tribunal de Justiça de São Paulo.

    Uma filha do cantor Luiz Carlos da Silva, vocalista do grupo Raça Negra, está pedindo R$ 40 mil em um processo contra o pai por danos morais. A ação corre no Tribunal de Justiça de São Paulo desde agosto de 2022.

    Segundo o g1 apurou, consta nos autos que Renata Francine Rodrigues de Almeida, de 34 anos, é fruto de um relacionamento que a mãe teve com Luiz Carlos por dois anos, mas que ele não assumiu a paternidade quando ela nasceu.

    Luiz Carlos registrou Renata como filha apenas em 2005, quando ela tinha 16 anos. No processo consta que o registro ocorreu após “batalha judicial” e “muitas recusas em fazer o exame de DNA”. Porém, ela não teria recebido assistência financeira e nem afetiva desde que foi registrada.

    Ainda conforme os autos, Renata alega que tem uma filha com paralisia cerebral e diz que tentou pedir ajuda financeira novamente. Mas Luiz Carlos não teria retornado ao pedido e apenas fornecido uma cadeira de rodas à neta.

    De acordo com o Tribunal de Justiça, o processo ainda está em aberto e a última movimentação foi em junho deste ano. Luiz Carlos tem prazo para apresentar defesa.

    A reportagem do g1 tentou contato com a assessoria do cantor, mas não obteve retorno até a publicação.

  • Justiça determina penhora da Arena do Grêmio

    Justiça determina penhora da Arena do Grêmio

    Três bancos financiadores da obra cobram dívida de R$ 226 milhões. Ainda cabe recurso.

    A Justiça de São Paulo determinou a penhora da Arena do Grêmio, localizada em Porto Alegre, em decisão divulgada nesta terça-feira (13). A manifestação da juíza Adriana Cardoso dos Reis, 37ª Vara Cível de São Paulo, ocorreu após pedido do Banco Santander, do Banrisul e do Banco do Brasil, financiadores na construção do estádio. A informação foi divulgada pelo colunista Jocimar Farina, em GZH, e confirmada pelo ge, que teve acesso à decisão.

    A decisão da juíza não cita apenas o estádio, mas também o direito de superfície. Ainda cabe recurso. A ação movida pelos bancos cita a Arena Porto-Alegrense, empresa que gerencia o estádio, a Karagounis, empresa controlada por um fundo de investimentos imobiliários, e a OAS Empreendimentos, também destacada.

    A Arena Porto-Alegrense afirmou que a penhora é “um procedimento técnico inerente ao processo” (veja a nota abaixo) e que o estádio, como imóvel, só pode responder a 8% da dívida por contrato. O ge procurou os outros envolvidos, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

    A dívida cobrada pelas instituições bancárias é de R$ 226,39 milhões, corrigida. Os três bancos financiaram R$ 210 milhões para a construção da Arena do Grêmio, mas apenas R$ 66 milhões foram pagos.

    Os bancos cobram desde 2022 o pagamento da dívida. O Grêmio ainda não realizou a troca de chaves com as empresas, então ainda detém a área do Estádio Olímpico e não a da Arena do Grêmio, que estava alienada como garantia para os financiadores.

    Essa disputa jurídica na troca também gerou um impasse com a Prefeitura de Porto Alegre, que quer que as obras previstas para a área do Estádio Olímpico saiam do papel. Além disso, no entorno da Arena, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) cobra da OAS e da Karagounis a execução de obras previstas no contrato.

    Confira a nota da Arena Porto-Alegrense:

    “Sobre as notícias veiculadas recentemente tratando da penhora da Arena do Grêmio, a Arena Porto-Alegrense, gestora do estádio, esclarece que a penhora efetivada sobre o imóvel tem como objetivo garantir a execução da dívida movida pelos credores e assim permitir que as defesas apresentadas pelos devedores sejam apreciadas.

    Portanto, trata-se de um procedimento técnico inerente ao processo. As referidas defesas têm questões substanciais, inclusive de excesso de valor em execução, que ainda receberão resposta pelo Judiciário. Vale destacar, ainda, que o imóvel Arena só pode responder por 8% da dívida, conforme estipulação contratual e que todos estes assuntos permanecem sendo discutidos judicialmente. De qualquer modo, a decisão será questionada via recurso, em razão de possíveis nulidades.”

  • Homem negro amarrado por PMs tem habeas corpus negado pela Justiça de SP e deve aguardar processo preso preventivamente

    Homem negro amarrado por PMs tem habeas corpus negado pela Justiça de SP e deve aguardar processo preso preventivamente

    Juiz disse que decisão questionada por advogado do suspeito ‘está fundamentada, não se vislumbrando ilegalidade ou teratologia’ e que, em relação à agressão dos policiais, é necessário analisar provas, ‘sendo inviável’ examinar a demanda no contexto do pedido liminar.

    O Tribunal de Justiça de São Paulo negou pedido liminar de habeas corpus e decidiu que o homem que teve mãos e pés amarrados por policiais militares deve aguardar o andamento do processo preso provisoriamente.

    A solicitação foi feita pelo advogado do suspeito na última sexta-feira (9). O homem de 32 anos é suspeito de furtar um mercado na Zona Sul da capital e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela juíza Gabriela Marques da Silva Bertoli.

    O juiz disse que, em relação à agressão dos policiais militares durante a abordagem, “a questão se relaciona ao mérito da ação penal”, sendo inviável decidir sobre o pedido neste momento;
    Edison Tetsuzo Namba afirmou que a decisão questionada pelo advogado “está fundamentada, não se vislumbrando ilegalidade ou teratologia”.

    “A prática de furto, em que pese a ausência de violência ou grave ameaça contra a pessoa, pode causar medo e insegurança na sociedade, com reflexos negativos, […] agiu com acerto a magistrada ao manter a prisão do paciente”, justificou.
    Namba concordou com a decisão de Bertoli, que diz que a conversão do flagrante em prisão preventiva foi necessária para evitar reincidência por parte do suspeito. “Em liberdade, já demonstrou concretamente que continuará a delinquir, o que evidencia que medidas cautelares diversas da prisão não serão suficientes para afastá-lo da prática criminosa e confirma o perigo gerado pelo estado de liberdade do autuado”, apontou magistrada.

    O juiz também seguiu a mesma linha de raciocínio de Gabriela ao dizer que, por ser desempregado e não possuir endereço fixo, o suspeito poderia voltar a praticar crimes se colocado em liberdade.

    ‘Voltamos à escravidão’, diz advogado
    O defensor disse que, no momento, não vai recorrer porque o juiz negou o habeas corpus em caráter liminar, não o mérito do pedido. Segundo ele, há outro recurso na Câmara Criminal que ainda não foi julgado e também já foi peticionado o pedido de reconsideração diretamente para a juíza de primeira instância, que realizou a audiência de custódia.

    No pedido liminar, José Luiz diz ter ficado indignado com o fato de a magistrada ter fundamentado a decisão dizendo que “não há elementos que permitam concluir ter havido tortura ou maus-tratos ou ainda descumprimento dos direitos constitucionais assegurados ao preso”.

    “Acabou, excelência, voltamos à barbárie, à escravidão! A polícia pode fazer o que quiser com pobre e preto em vulnerabilidade social. A era das trevas voltou, balizado pela Justiça? Ainda há o tribunal. Cremos”, escreveu.

    Defensoria disse que juíza descartou tortura sem ver vídeos
    No entanto, a defensora pública que primeiro atendeu o acusado disse que a juíza tomou a decisão antes de ter acesso a vídeos que mostram o homem sendo carregado por PMs com os membros atados por uma corda.

    “As imagens chegaram ao conhecimento da juíza depois da audiência e da decisão que ela tomou. Todos soubemos do ocorrido pela mídia posteriormente. O rapaz não relatou o ocorrido em audiência de custódia”, afirmou a advogada Amanda Ruiz Babadopulos.
    Ela também informou que a decisão sobre a prisão preventiva “já foi combatida por habeas corpus”.

    Segundo a magistrada, o suspeito estava cumprindo pena em regime aberto por roubo quando foi preso no domingo (4). “Em vez de aproveitar a oportunidade de se manter em liberdade, foi detido em flagrante pelo cometimento de crime”, disse, na decisão.

    ‘Flagrante deveria ser anulado’
    O advogado Ariel de Castro Alves, membro do grupo ‘Tortura Nunca Mais’, afirmou que o flagrante do suspeito deveria ser anulado “em razão do abuso de autoridade na realização da prisão”.

    “Além disso, teve constrangimento, situação vexatória não prevista e até a possível prática de tortura, que é submeter o preso a um intenso sofrimento físico e psicológico. Por furto, ele também não deveria ficar preso porque não é crime com violência ou grave ameaça”, completou.

    Indenização por danos morais
    A Educafro — projeto voltado ao movimento negro — e outras entidades ligadas aos direitos humanos ajuizaram uma ação civil pública contra o estado de São Paulo e pediram uma indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

    “O aparente crime de tortura perpetrado pela Polícia Militar de São Paulo contra um cidadão negro indefeso e desarmado viola a um só tempo dois sistemas de normas, ambos considerados fundamentais no arcabouço principiológico consagrado na Constituição Federal, a saber: as normas que protegem a vida e a dignidade da pessoa humana e as normas que protegem a população negra contra o racismo”, diz o documento.

    Corregedoria apura conduta
    O relatório final da Polícia Civil sobre o inquérito do suspeito de furto que teve mãos e pés amarrados por agentes da Polícia Militar informou que “eventuais infrações” cometidas pelos militares já estão sendo apuradas pela Corregedoria da PM.

    Além disso, a polícia solicitou as imagens das câmeras corporais utilizadas pelos agentes que participaram da ocorrência;
    O documento também diz que, quando o auto de prisão foi lavrado, a Polícia Civil não sabia dos vídeos em que o homem aparece amarrado e que tomou conhecimento “por intermédio da imprensa”.
    O Ministério Público também solicitou que os fatos sejam investigados pela Corregedoria da PM. A Defensoria Pública fez o mesmo pedido e apontou que o suspeito foi “humilhado e agredido pelos policiais” e que espera que sejam tomadas as devidas providências.

    Ouvidor das polícias de SP definiu caso como tortura
    Claudio Aparecido da Silva, o Claudinho, ouvidor das polícias de São Paulo, definiu o caso como tortura em entrevista ao g1. “Eles poderiam, no limite, algemar as pernas dele, não precisaria amarrar e fazer daquela forma amarrar arrastar aquilo é tortura aquilo não é abordagem policial”, afirmou.

    Claudinho afirmou que também vai solicitar as imagens das câmeras corporais e que pedirá providências tanto para a Corregedoria Polícia Militar — pela ação dos dois homens — quanto à da Polícia Civil, por não impedir que o homem permanecesse duas horas preso dentro da viatura, que estava parada na delegacia.

    Nessa quinta-feira (8), o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mário Sarrubbo, informou à TV Globo que determinará a abertura de uma investigação para apurar os eventuais abusos da PM no caso.

    Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o homem passou por audiência de custódia na segunda-feira (5).

    Vídeos mostraram o momento em que os dois policiais arrastam e jogam o homem, primeiro em uma maca e, depois, no camburão da viatura. A PM afastou os dois homens (leia mais abaixo).

    As imagens são fortes e podem ser vistas no vídeo acima. Um inquérito foi aberto para apurar a conduta dos agentes de segurança.

    De acordo com o boletim de ocorrência, o funcionário do mercado contou que três pessoas entraram no comércio na Zona Sul por volta das 23h30 e levaram produtos. O rapaz indicou as roupas dos suspeitos e para onde eles teriam corrido.

    Conduta não é compatível com o treinamento, diz PM
    Por meio de nota, a Polícia Militar disse que a conduta dos agentes não é compatível com o treinamento e com os valores da instituição. Por este motivo, um inquérito para apurar a conduta dos policiais envolvidos no caso foi aberto.

    A PM também afirmou que os policiais foram afastados das atividades operacionais, uma vez que as ações gravadas “estão em desacordo com os procedimentos operacionais padrão da instituição”.

    Em relação ao homem que aparece no vídeo, a polícia disse que ele foi preso em flagrante por furto. Além dele, um adolescente foi apreendido e um outro homem, preso.

    A Prefeitura de São Paulo disse que solicitou a investigação dos fatos nos termos da legislação em vigor.

    A TV Globo pediu posicionamento da Secretaria da Segurança Pública (SSP) e da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) – organização social que administra a UPA para onde o homem foi levado após ser detido.

    Em nota, a SSP afirmou que os procedimentos adotados na abordagem serão analisados, “inclusive as imagens registradas pelas Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) usadas pelos policiais, que já foram inseridas como prova nos autos do Inquérito Policial Militar”.

    “A autoridade policial solicitou as imagens gravadas pelo celular da parte e anexará na investigação”

    O g1 não obteve retorno da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) até esta quarta-feira (7).