Categoria: Justiça

  • Por dívida com hospital, Justiça de SP manda apreender passaporte e suspender CNH do ex-jogador Marcelinho Carioca

    Por dívida com hospital, Justiça de SP manda apreender passaporte e suspender CNH do ex-jogador Marcelinho Carioca

    Ex-atleta do Corinthians pode recorrer da decisão. Dívida com o hospital Sírio Libanês era de R$ 1,4 mil em 2007 e, agora, gira em torno de R$ 143 mil.

    Marcelinho Carioca é ídolo do Corinthians e hoje atua como comentarista esportivo

    A Justiça de São Paulo mandou apreender o passaporte e suspender a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do ex-jogador de futebol Marcelo Pereira Surcin, o Marcelinho Carioca, por conta de uma dívida de R$ 143 mil com um hospital particular.

    O ex-atleta do Corinthians pode recorrer.

    A decisão, do juiz Vítor Gambassi Pereira, foi publicada no último dia 27. Ela envolve processo aberto pelo hospital Sírio Libanês, que cobra valores não pagos pelo ex-jogador em 2007.

    À época, a mãe de Marcelinho ficou internada para o tratamento de um câncer e o jogador deveria pagar R$ 1.465,82, o que o hospital alega não ter sido feito. Com juros e correção, a dívida atinge R$ 143.211,43, conforme consta no processo.

    Gambassi alega que não costuma apreender documentos, mas que “no presente caso, há fortes indícios de que o devedor, famoso ex-jogador de futebol, esteja ocultando patrimônio”.

    O juiz cita que Marcelinho Carioca publica fotos em seu perfil na rede social Instagram em que “desfruta de ótimo padrão de vida e permanece profissionalmente ativo como comentarista de futebol”.

    “Em mais de um vídeo se vê o executado conduzindo luxuoso automóvel branco, sempre feliz e sorridente. Como se vê, o executado não paga porque não quer”, diz o magistrado.

    Além de determinar a apreensão do passaporte e suspenção da CNH, o juiz também determinou “a penhora de 30% de todas as rendas diretas ou indiretas” do ex-jogador.

     

  • Professores denunciam diretores de escolas públicas de SP por assédio moral e relatam episódios de violência em salas de aula

    Professores denunciam diretores de escolas públicas de SP por assédio moral e relatam episódios de violência em salas de aula

    Para especialistas, ataque em escola paulista é reflexo de um ambiente que não incentiva uma cultura de colaboração entre docentes e diretores.

    “Sofremos assédio até para ir ao médico. Corremos o risco de receber falta [mesmo levando atestado], e o diretor ameaça descontar um dia no pagamento” afirma Livia, professora da rede estadual paulista. Ela conta que procura atendimento psicológico desde o ano passado, mas enfrenta dificuldades para conseguir autorização para esses encaminhamentos.

    O g1 coletou na última semana, depois do ataque a escola que deixou uma professora morta e quatro feridos, relatos de professores da rede estadual paulista que refletem um cenário de assédio moral cometido por diretores contra os docentes em três escolas. Segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa o primeiro lugar do ranking mundial como o país que mais pratica violência contra educadores.

    Para evitar possíveis retaliações, os professores citados nesta reportagem serão identificados com nomes fictícios.

    “Sofremos assédio até para ir ao médico. Corremos o risco de receber falta [mesmo levando atestado], e o diretor ameaça descontar um dia no pagamento”, afirma Livia, professora da rede estadual paulista.

    Ela conta também que procura atendimento psicológico desde o ano passado, mas enfrenta dificuldades para conseguir autorização para esses encaminhamentos. Suas principais queixas podem ser resumidas ao uso do poder para que o professor não exerça sua autonomia como educador.

    Damares, professora temporária, não teve apoio no primeiro mês, um momento de adaptação na escola. Ela conta que um dia chegou atrasada quatro minutos, e a vice-diretora não permitiu sua entrada. Testemunhas relataram que ela sofreu abuso psicológico e tem enfrentado um quadro de paralisia facial desencadeado pelo estresse.

    Em nota, a Secretaria da Educação informou que, “os casos mencionados serão apurados pelas Diretorias de Ensino. A Seduc reforça que tanto as Diretorias, quanto a sua ouvidoria estão à disposição dos servidores que desejam formalizar qualquer tipo de insatisfação”.

    Perseguições
    “Os professores geralmente não são escutados porque a educação é a área mais precarizada entre as pastas da política pública”, diz Pedro, professor há quase 20 anos da rede e que foi afastado das salas de aula no ano passado. Atualmente, está cumprindo trabalho burocrático em uma Diretoria de Ensino.

    Seu afastamento, acredita, foi resultado da luta contra o assédio moral executado pela gestão contra alunos e professores e também contra a implementação do Programa Ensino Integral (PEI) na escola. Ele enxerga o PEI como a principal prática de precarização da educação: reduz custos e, ao mesmo tempo, diminuiria também a autonomia das escolas.

    Pedro conta que em 2021 e 2022 ocorreram atos de violência em uma escola, que teriam sido executados pela gestão em resposta ao engajamento de professores e alunos.

    O g1 confirmou a publicação do seu afastamento no Diário Oficial. “O próprio afastamento é um ato de assédio moral. Não tive chance de me defender, o meu ofício foi retirado. Pela primeira vez na minha vida tive que recorrer a ajuda médica. Foi a partir daí que eu senti a violência do sistema”, afirma.

    Outro caso foi o do professor Fernando, que disse ao g1 que tirou do próprio bolso dinheiro para desenvolver um projeto que ganhou projeção, mas, em vez de ser valorizado, passou a ser boicotado. “A direção começou a me perseguir, eu só queria dar aula. Fui oprimido e acuado. Foram me esvaziando.”

    Ele conta também que o governo mandou uma verba em 2022 para a escola comprar equipamentos de mídia. “Foram instalados, mas o diretor tirou as caixas de som, os cabos da televisão e desligava a internet. Como vou montar uma televisão sem o cabo HDMI, sem tomada?”

    Procurado, o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) disse que condena qualquer tipo de assédio moral e não comenta sobre denúncias anônimas. A orientação para esses casos, segundo seu presidente, Francisco Antonio Poli, é entrar com representação na própria escola contra a diretora ou o diretor, pedindo esclarecimentos.

    Muito além do assédio moral
    André Sapanos, membro do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirma que os docentes sofrem “as mais diversas formas de violência, entre elas: verbal, física, psicológica, patrimonial [roubo de pertences] e moral”

    “Diante dos crescentes casos de violência física, com casos gravíssimos, existe um crescente número de professores que sofrem com ansiedade e outros problemas psicológicos, pois não se sentem seguros em seu ambiente de trabalho e tampouco valorizados para prosseguir com sua carreira.”

    Uma pesquisa sobre violência nas escolas, realizada pela Apeoesp por meio do Instituto Locomotiva, demonstrou o agravamento da incidência de casos de violência e o clima de insegurança nas escolas estaduais no pós-pandemia. As principais ocorrências citadas pelos professores nas escolas em que trabalham, em ordem decrescente, são: agressão verbal, bullying, assédio moral, assalto, discriminação e agressão física.

    O que dizem especialistas
    Michael Fullan, um dos maiores especialistas em políticas educacionais do mundo, escreveu um livro especificamente sobre diretores de escola: “The Principal” (diretor escolar, em tradução livre). Ele defende que o papel primordial do diretor é criar uma cultura de colaboração dentro da escola. Isso evitaria que o diretor eventualmente cometesse assédio moral com professores.

    “O clima dentro da escola muitas vezes não é de colaboração entre colegas e dirigentes”, afirmou Claudia Costin, diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
    “Assim como os professores são formados de uma maneira inadequada para a prática mais complexa das profissões, que é formar crianças e adolescentes, diretores também não são formados para seus desafios”, avalia.

    Alynne Nayara Ferreira Nunes, advogada e fundadora de um escritório especializado em direito educacional, destaca que “diretores não são reis”. “Eles podem ser questionados. Quem protege o professor é o sindicato, que tem um setor jurídico. A questão é: vale a pena comprar essa briga?”

    Ela avalia que há uma conjuntura que fomenta uma diferenciação entre os profissionais efetivados dos temporários. “Quando não existe uma política de valorização do docente – remuneração, plano de carreira – a convivência mútua é prejudicada. Isso impacta alunos mais vulneráveis que acabam procurando acolhimento em grupos de disseminação de ódio”, opina a advogada.

    Em São Paulo, um diretor vira diretor por concurso público. “Como aferir se aquele indivíduo tem habilidades para liderar um processo colaborativo em benefício da criança e do adolescente por meio de uma prova escrita? Não é assim que o resto do mundo seleciona diretores”, avalia Claudia Costin.

    No Canadá, por exemplo, a seleção acontece por meio de um “search committee”, ou seja, um grupo constituído para selecionar os candidatos com base em currículo e entrevista. Normalmente, professores, gestores de outras escolas públicas e pais de alunos integram o comitê.

    De acordo com Claudia, muitas vezes o professor é percebido pela opinião pública como alguém que merece pena. “E o pior é quando o professor olha para si mesmo assim, caindo nessa armadilha de que não é digno de ter orgulho das suas práticas ou de discuti-las com seus colegas. Daí a importância do papel do diretor como líder que deveria organizar um espaço para os professores aprendam juntos.”

    “Também tem um outro exemplo complicado de exercício do papel do diretor que é o de fazer ‘pactos de mediocridade’: eu fecho os olhos para o que você faz e você fecha os olhos para o que eu faço. Isso não é ser um bom profissional como diretor. Ele tem que garantir que os professores tenham tempo para trabalhar, planejar e pensar juntos. Então não é só uma questão de assédio moral, é uma questão de exercício de liderança”, aponta Claudia.

    “Evidentemente a função dele não é ser psicólogo, mas professor precisa, sim, entender um pouco de psicologia para atuar. Não é função dele tirar uma faca da mão de um aluno. Mas a professora Cínthia, por exemplo, fez bem [durante o ataque a escola na Zona Oeste da capital paulista]. Porque ela era a adulta na sala. Não tinha preparo profissional para isso, mas ela não tinha outra saída e por isso é admirável”, complementa.

    Sobre as práticas relatadas pelos professores, Allyne sinaliza que a dificuldade de conversar com o superior pode ser configurada como um tipo de assédio moral.

  • Projeto de lei quer punir empresas que não entregarem no prazo produtos comprados na internet

    Projeto de lei quer punir empresas que não entregarem no prazo produtos comprados na internet

    Proposta que tramita na Comissão de Constituição e Justiça cria multa de 10% do valor do produto para companhias que desrespeitarem a data-limite informada durante a compra.

    Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados busca punir empresas que deixarem de entregar produtos comprados pela internet no prazo. A proposta do deputado federal Augusto Coutinho (Republicanos) cria uma multa de 10% do valor do produto para companhias que desrespeitarem a data-limite informada durante a compra 

    “É exatamente para preservar essa relação, dando ao consumidor uma condição de que ele, de fato, tenha o respeito de quem está vendendo e quem está prometendo entregar em um determinado prazo”, afirmou Augusto Coutinho.
    No mês de março, o projeto do deputado federal tramitava na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, sem previsão de quando será votado.

    A Câmara dos Deputados tem uma frente parlamentar para discutir formas de aumentar a proteção do consumidor. Um dos deputados dessa frente, Lula da Fonte (PP) diz que as plataformas de venda online estão entre os temas mais discutidos do grupo.

    “A gente tem trabalhado para minimizar essa questão dos golpes de internet. Essas plataformas online de compra e venda prestam um grande serviço ao consumidor brasileiro. Porém, a gente observa a ausência de uma regulamentação”, declara Lula da Fonte.

    Casos recentes
    Apenas no mês de março, o g1 mostrou três casos de pessoas que moram em Pernambuco e compraram iPhone na Amazon, mas receberam, no lugar do celular, itens como um perfume para bebês ou um jogo de quebra-cabeça com o tema dos “Três Porquinhos”.

    Em um desses casos, o corretor de imóveis Renato Carvalho comprou um iPhone 13 pela Amazon. A empresa, porém, entregou fones de ouvido. Depois que ele reclamou, a companhia enviou um novo pacote para a casa dele, contendo livros escolares (veja vídeo acima).

    “As faturas de cartão de crédito continuam chegando. E não tem previsão para estorno ou alguma retratação da Amazon. A pessoa fica a ver navio”, afirma Renato.

    Por meio de nota enviada ao g1, a Amazon diz que lamenta o caso, que investiga o que aconteceu e que está em contato com o cliente para resolver o problema.

    Direitos do consumidor
    Há uma proteção específica para compras na internet, de acordo com a presidente da Comissão Especial de Privacidade e Proteção de Dados da seccional Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ana Paula Canto.

    “O consumidor tem o direito de devolução, durante sete dias, sem nenhum tipo de ser questionado de nenhuma forma. Ele simplesmente devolve, e a empresa é obrigada a restituir e a receber esse produto”, afirma Ana Paula.

    Ana Paula Canto é presidente da Comissão de Privacidade e Proteção de Dados da OAB Pernambuco.

    Enquanto a proteção ao consumidor não é ampliada, a recomendação da especialista é redobrar os cuidados ao comprar pela internet.

    “É preciso ter muito cuidado em compras efetuadas a partir de redes sociais. Especialmente quando essas redes sociais levam o consumidor para uma outra página ou para um WhatsApp. Por ali acontecem, com muita frequência, golpes”, afirma Ana Paula.

    A advogada também diz que, antes de comprar, é importante pesquisar se a empresa realmente existe e buscar sobre ela em sites como o Reclame Aqui.

    “Da mesma forma que a gente pode ser enganado pela rede, a gente pode ser ajudado pela rede. Então, vamos usar a nosso benefício, antes de a gente ser a próxima vítima”, afirma a especialista.

  • Fábrica fechada da Fugini não tinha controle de pragas, diz Anvisa

    Fábrica fechada da Fugini não tinha controle de pragas, diz Anvisa

    Outras irregularidades foram encontradas no local, como falta de controle de temperatura e falhas relacionadas à higiene

    Após suspender a fabricação e comercialização dos alimentos da marca Fugini , que saem da unidade em Monte Alto, São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu mais detalhes sobre as irregularidades encontradas na fábrica.

    “Podemos dizer que a empresa não apresentava as portas necessárias para garantir o controle de pragas e vetores. Faltava porta para separar a área da produção dos alimentos da área externa, por exemplo”, disse a gerente de Inspeção e Fiscalização Sanitária de Alimentos da Anvisa, Renata Zago, em entrevista para O Globo. 

    De acordo com a gerente, a equipe de fiscalização identificou “várias irregularidades” durante a visita, como a falta de controle de temperatura, necessário para evitar os riscos de contaminação por microrganismos e para manter a qualidade dos produtos.

    “Não havia esse controle para garantir que o processo fosse seguro”, alertou Zago.

    A fábrica também apresentou outras falhas graves relacionadas à higiene que, segundo avaliação da gerente, impactam diretamente na qualidade e segurança do produto final.

    “A gente precisou pedir estudos, resultados de laudos e adequações para a empresa, e, enquanto tudo isso é feito, o que está lá dentro está parado. Não há recomendação acerca do que está no mercado em relação a não usar, com exceção da maionese. Para esta, fizemos outra ação específica devido à matéria-prima vencida utilizada. Nesse caso, há necessidade de recolhimento”, complementa.

    A unidade ainda não apresentava a rastreabilidade de matéria-prima, processo responsável pelo acompanhamento dos ingredientes utilizados no alimento em todas as etapas da cadeia de abastecimento.

    “[não havia] Rastreabilidade, uma coisa muito importante, em que a fabricante precisa saber de onde vem a matéria-prima e em quais produtos ela usa cada matéria-prima e para onde vai cada produto”, detalha a gerente.

    Entenda o caso

    As atividades da fábrica da Fugini, em Monte Alto, no interior de São Paulo, foram suspensas após a ordem da Anvisa na quarta-feira, 29, que também determinou o recolhimento de um lote de maionese em nova decisão publicada no dia seguinte. Isso porque foi identificado uso de produto vencido na fabricação da maionese.

    A própria Fugini admitiu o uso de corante vencido na fabricação da maionese. “Por um erro operacional, esse lote de produtos foi fabricado com adição do ingrediente urucum (agente natural para dar cor ao produto) que representa 0,003% da formulação que estava fora da sua data de validade”, diz um trecho do comunicado da empresa.

  • Sargento diz à PF que foi a Guarulhos tentar retirar joias de Bolsonaro por ordem de assessor presidencial

    Jairo Moreira foi ouvido como testemunha. Blog apurou que ele confirmou, em depoimento no último dia 31, ter recebido ligação de funcionário da Receita enquanto estava no aeroporto.

    O sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que foi ao aeroporto de Guarulhos (SP) em dezembro ano passado tentar retirar as joias sauditas doadas ao então presidente Jair Bolsonaro – e que iriam para Michelle Bolsonaro – após ter recebido uma ordem do tenente Cleiton Henrique Holszchuk, assessor do tenente-coronel Mauro Cid.

    Homem de confiança de Bolsonaro, Mauro Cid era o ajudante de ordens do então presidente, e Jairo Moreira atuava na equipe subordinada a ele.

    O sargento Jairo Moreira foi ouvido pela PF na condição de testemunha. O inquérito foi aberto no mês passado e é conduzido pelo delegado Adalto Ismael Rodrigues Machado, da delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de São Paulo.

    A investigação apura por exemplo os crimes de descaminho (quando acontece entrada ou saída de produtos permitidos no país, mas sem respeitar os tramites burocráticos e tributários exigidos) e de advocacia administrativa (quando um funcionário público se utiliza de sua função para interesses privados).

    Como foi o depoimento
    O blog apurou que, durante o depoimento à PF no dia 31 de março, Jairo Moreira disse que, em 28 de dezembro de 2022, foi informado pelo tenente Cleiton que iria no dia seguinte ao aeroporto de Guarulhos “pegar alguns presentes que estavam retidos na alfândega” e que deveriam ser levados para Brasília e registrados.

    Acrescentou, então, que foi entregue a ele o ofício 736/2022, no qual estavam descritos os bens a retirar e que não foi informado a ele se deveria procurar alguém no local. E que, no dia seguinte, seguiu a ordem do tenente Cleiton e pegou um voo da FAB para Guarulhos. Esse foi ofício foi revelado com exclusividade pelo blog.

    “Chegando lá, foi diretamente para a alfândega da Receita Federal no aeroporto. Ao ser atendido, foi informado que os bens não estavam disponíveis para retirada pois faltava um documento”, completou Jairo Moreira.

    Segundo apurou o blog, nesse instante do depoimento, Jairo Moreira relatou ter dito ao funcionário da Receita que não tinha ciência desse documento porque ele só havia sido informado sobre a necessidade de retirar os objetos descritos no ofício.

    Moreira declarou, então, que, ao ser esclarecido pelo servidor da Receita que não seria possível retirar as joias, ligou para o tenente Cleiton para pedir orientação. E Cleiton, segundo Jairo Moreira, informou que também não tinha conhecimento e que era para ligar para o coronel Mauro Cid, que pediu a Jairo Moreira que aguardasse.

    Ligação de funcionário da Receita
    A partir da ligação para Mauro Cid, segundo Jairo Moreira disse à PF, uma pessoa da Receita que ele não se lembra o nome nem o cargo telefonou para ele.

    “O depoente também recebeu ligação de alguém da Receita Federal, cujo nome não recorda nem se ele falou o cargo que ocupava. Que essa pessoa da Receita Federal que ligou, perguntou o que estava acontecendo. O depoente explicou os documentos que faltavam de acordo com o que tinha entendido, e ele fala para o depoente aguardar”, relatou o sargento.

    Presentes
    O blog apurou também que, no depoimento, Jairo Moreira disse que presentes para a primeira-dama eram registrados pela chamada “ajudância de ordens” do então presidente da República.

    Mas, ao final, pediu para retificar a informação, afirmando que presentes para a primeira-dama eram encaminhados diretamente para a assessoria dela, sem registro por parte da equipe de Bolsonaro.

  • As acusações não reveladas de crimes sexuais contra o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein

    As acusações não reveladas de crimes sexuais contra o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein

    Falecido em 2014, empresário teria mantido esquema de aliciamento de crianças e adolescentes para a exploração sexual dentro da icônica sede da empresa, em São Caetano do Sul, além de outros locais em Santos, São Vicente, Guarujá e Angra dos Reis

    Uma história de violência sexual na infância marcou para sempre a trajetória de Karina Lopes Carvalhal, hoje com 40 anos. Aos 9, ela soube pelas irmãs que um grande empresário de sua cidade natal, São Caetano do Sul (SP), dava dinheiro e presentes a crianças e adolescentes que fossem à sede da empresa na av. Conde Francisco Matarazzo, número 100. À época com 12 anos, a irmã mais velha de Karina avisou que poderia conseguir um tênis novo se fosse até lá. “Eu não tinha um tênis pra pôr, usava o das minhas irmãs, meus dedos eram todos tortos.”

    Karina subiu até o andar da presidência e esperou até ser chamada ao escritório particular do dono. Ficou surpresa ao ver um senhor, já na casa dos 70 anos. “Minha irmã tinha me dito: ‘Ká, não se assuste porque ele vai te dar um beijinho’. Mas ele me cumprimentou e já passou a mão nos meus peitos. Ele dizia: ‘Ah, que moça bonita. Muito linda’”, relembra, imitando o sotaque polonês do empresário Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, uma grande rede do varejo brasileiro. Ela saiu levando consigo uma quantia em dinheiro e um tênis da marca Bical. Era 1989.

    “A gente ficava contente que tinha ganhado um tênis. Não tínhamos noção dessa situação de violência”, avalia Karina ao falar com exclusividade à Agência Pública. A possibilidade de conseguir outros bens materiais a fez voltar nas semanas seguintes. “A segunda vez, ele já me levou pro quartinho.” Ela conta que o empresário mantinha um quarto anexo ao seu escritório, onde havia uma cama hospitalar. Era ali, segundo ela, que ocorriam os abusos.

    Karina não teria sido a única a ser aliciada e explorada sexualmente por Samuel Klein. A Pública ouviu mais de 35 fontes, entre mulheres que o acusam de crimes sexuais, advogados e ex-funcionários da Casas Bahia e da família.

    Entre 1989 e 2010, Samuel Klein teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas menores de 18 anos dentro da própria sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul. No detalhe, a rua em frente à sede das Casas Bahia foi rebatizada com o nome do empresário.

    A reportagem, que pode ser lida na íntegra no site da Pública, consultou também processos judiciais e inquéritos policiais e teve acesso a documentos, fotos, vídeos de festas com conotação sexual e declarações de próprio punho das denunciantes, além de gravações em áudio que indicam que, ao menos entre o início de 1989 e 2010, Samuel Klein teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas entre 9 e 17 anos na própria sede da Casas Bahia, em São Caetano do Sul, e em imóveis de sua propriedade situados na Baixada Santista e no município de Angra dos Reis (RJ).

    O empresário teria organizado um esquema de recrutamento e transporte de meninas, com uso de seus helicópteros particulares, até mesmo com a participação de funcionários na organização de festas e orgias, pagas com dinheiro e produtos de suas lojas. A partir das denúncias mais recentes envolvendo o filho do patriarca da família Klein, o empresário Saul Klein, investigado pelo Ministério Público do Estado São Paulo (MP-SP) por aliciamento e estupro de dezenas de mulheres, a reportagem foi atrás do passado de Samuel e encontrou histórias semelhantes às práticas descritas pelo MP-SP na investigação sobre seu filho.

    Samuel Klein morreu em 2014, deixando uma imagem quase heroica. Nascido na Polônia em 1923, perdeu a família em um campo de concentração. Emigrou para o Brasil na década de 1950, quando começou a vender produtos em uma charrete. Anos mais tarde, fundou a Casas Bahia, hoje parte do conglomerado Via Varejo, com faturamento médio anual de 30 bilhões de reais.

    Mas “o rei do varejo”, como ficou conhecido, foi acusado por diversas mulheres de praticar abusos sexuais e de exploração de crianças e adolescentes. Um desses casos é o de Renata*, que afirma, em processo ao qual a Pública teve acesso, ter sido estuprada pelo empresário quando tinha 16 anos. Renata contou à polícia que em outubro de 2008 foi à casa de praia do empresário em Angra dos Reis. “Ele me pegou a força, rasgou minha roupa e me violentou. Não adiantava gritar”, diz um trecho do depoimento. Na época, Samuel Klein reconheceu, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, que Renata e sua colega estiveram na casa dele em Angra dos Reis, mas disse que as moças não eram “menores de idade”. Renata não quis dar entrevista. A Pública buscou, ao longo dos últimos meses, contato com 26 mulheres que moveram processos judiciais, além de outras que não o processaram. Dez mulheres concederam entrevistas, a maioria pediu para não revelar a identidade por medo de retaliação. Três entrevistadas, porém, concordaram em ter seu nome divulgados.

    Nos relatos, abusos na sede da empresa
    Segundo os relatos, após um primeiro contato, que frequentemente já incluía abusos sexuais, mulheres e meninas eram selecionadas para participar de festas do empresário nas suas propriedades, como os apartamentos em São Paulo, no edifício Universo Palace, em Santos (SP), na Ilha Porchat, em São Vicente (SP), uma casa em frente à praia da Enseada, em Guarujá (SP), além da mansão no Condomínio Porto Bracuhy, em Angra dos Reis.

  • Polícia de São Paulo pede prisão do empresário Saul Klein por crimes sexuais

    No inquérito, que está em segredo de Justiça, a polícia indiciou o empresário, de 68 anos, e nove funcionários dele por sete crimes contra mais de uma dezena de mulheres.

    A polícia de São Paulo indiciou e pediu a prisão preventiva do empresário Saul Klein e mais nove pessoas por crimes sexuais contra mais de uma dezena de mulheres.

    A Justiça de Barueri, na Grande São Paulo, vai decidir se o empresário Saul Klein, de 68 anos, e nove funcionários dele serão presos ou vão responder ao processo em liberdade.

    No inquérito, que está em segredo de Justiça, a polícia indiciou o grupo por sete crimes: organização criminosa, tráfico de pessoas, estupro, estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição, manter casa de prostituição e promover trabalho análogo à escravidão.

    Em dezembro de 2020, algumas mulheres, ouvidas pelo Fantástico, deram detalhes das festas promovidas por Saul Klein.

    “A gente tinha que falar com voz fina, vozinha de criança. Tinha menina que tinha que andar de boneca pela casa.”

    “As novatas ficavam bem chocadas, não podiam ir embora, a casa era cercada de seguranças e muros.”

    As vítimas relataram à polícia abusos sexuais. Uma das moças disse: “Algumas meninas usavam medicamentos e misturavam com álcool, propositalmente, para aguentar a loucura.”
    A investigação concluiu que Saul Klein coordenava quatro grupos de pessoas envolvidas nos crimes. A polícia apurou que oito mulheres selecionavam as moças; dois funcionários falsificavam documentos quando as candidatas eram menores; oito homens faziam o transporte e a segurança das vítimas entre o escritório e duas mansões do empresário; e dois médicos – um cirurgião plástico e uma ginecologista – cuidavam das jovens.

    A advogada Priscila Pamela dos Santos defende 14 vítimas.

    “Como elas eram muito vulneráveis economicamente, era uma forma de mantê-las ali sob domínio. Nenhuma delas desenvolvia atividade de prostituição nem uma atividade sexual remunerada. Elas eram chamadas para prestarem serviços em eventos e aí quando elas ingressam num quarto é que é ‘opa, do que se trata isso tudo?’”, diz.

    A defesa disse que Saul Klein reafirma que ele nunca cometeu crime algum, que o indiciamento e o pedido de prisão divulgados na quinta-feira (28) são atos discricionários da autoridade policial, que não vinculam os demais atores processuais. A defesa disse ainda que tanto Saul Klein quanto sua defesa técnica respeitam o posicionamento da delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri, mas entendem que a análise atenta e isenta dos elementos colhidos na investigação levará o Ministério Público e o Judiciário a concluírem por sua inocência.

    O empresário Saul Klein é filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. A Via, atual proprietária da empresa, disse que Saul Klein nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia. Saul vendeu sua parte societária na rede de lojas em 2009. A Via assumiu a gestão só em 2010. A companhia informa, ainda, que é uma corporação sem acionista controlador ou bloco de controle definido.

  • Depois de comandar invasões, José Rainha é preso em São Paulo

    Depois de comandar invasões, José Rainha é preso em São Paulo

    José Rainha Júnior, líder do FNL, preso no sábado 

    Segundo a Polícia Civil, ele é investigado por extorsão de proprietários de terras

    A Polícia Civil de São Paulo prendeu José Rainha e Luciano de Lima, líderes da Frente Nacional de Luta (FNL), sob suspeita de extorsão de proprietários de terras na região do Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado. A prisão ocorreu no sábado 4, na cidade de Mirante do Paranapanema. De acordo com a Polícia Civil (PC), também foram apreendidas armas supostamente usadas em conflitos agrários.

    A operação que resultou na prisão de Rainha e Lima começou na sexta-feira 3, a partir de mandados expedidos pela Justiça de São Paulo em inquérito que apurava a extorsão de pelo menos seis pessoas.

    Outro inquérito foi instaurado para apurar a conduta de pessoas que teriam expulsado os invasores de áreas na região. Nessa investigação, foram apreendidos dois fuzis calibre 556, duas espingardas calibre 12 e uma calibre 357, informou a PC.

    “As prisões preventivas têm como objetivo a interrupção do ciclo delitivo e promoção de prevenção geral e paz no campo”, declarou a corporação, em nota. Também disse que essas prisões não têm relação com “os atos decorrentes do Carnaval de 2023, quando um grupo invadiu nove propriedades rurais”. “Mas visa a apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil, o que colocou em risco número indeterminado de pessoas”, observou a PC.

    O secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, confirmou as prisões e destacou o papel dos policiais envolvidos na operação.

    A FNL negou que os dois líderes presos tenham praticado crimes e afirmou que as detenções têm “cunho político”. “Essa prisão de cunho político, tem nítida relação com a jornada de ocupações do Carnaval Vermelho, sendo um ato de retaliação aos lutadores do povo sem terra.” O grupo também pede a liberdade para os dois presos. “Exigimos a imediata liberdade e convocamos todos aqueles que lutam a se solidarizar, pois não podemos tolerar que o Estado haja (sic) de maneira arbitrária contra quem luta”, diz o comunicado da FNL.

    Associação de produtores x sem terra
    Na semana passada, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) manifestou-se contra a invasão de fazendas promovida pela FNL. No sábado 16, mil famílias da FNL iniciaram o ato “Carnaval Vermelho”, atualmente concentrado nas cidades de Marabá Paulista, Sandovalina, Presidente Venceslau e Rosana, e atacaram produtores rurais.

    O ajuntamento diz reivindicar a destinação das áreas para estabelecer assentamentos da reforma agrária para trabalhadores sem terra.

    “Exigimos respeito com a classe dos produtores rurais e solicitamos que as instituições federais e estaduais envolvidas tratem o caso de acordo com o que a lei determina”, disse a ABCZ, em nota divulgada um dia depois das invasões. “Que o Judiciário cumpra o papel de assegurar o direito da propriedade privada, garantida na Constituição, tratando os fatos com agilidade.”

  • ‘BBB 23’: Famosos repercutem eliminação de Guimê e Cara de Sapato

    ‘BBB 23’: Famosos repercutem eliminação de Guimê e Cara de Sapato

    Nomes como Manoel Soares e Paulo Vieira comentaram nas redes sociais a saída dos participantes na noite desta quinta-feira (17).

    Artistas e famosos usaram as redes sociais para comentarem sobre a eliminação de MC Guimê e Cara de Sapato do “BBB 23”. Os participantes deixaram o programa, durante a transmissão ao vivo, na noite desta quinta-feira (16) por contrariarem as regras do jogo. A saída foi anunciada pelo apresentador Tadeu Schimdt.

    Ex-BBBs repercutem expulsão de MC Guimê e Cara de Sapato do reality show
    Em festa realizada na noite de quarta para quinta, Guimê passou a mão no corpo de Dania Mendez, mexicana que entrou na casa para um intercâmbio, sem o consentimento dela. Cara de Sapato deu um beijo e fez contatos físicos forçados em Dania.

    Ainda no programa da noite de quinta-feira, foram exibidas imagens de Dania no Confessionário em que ela diz que não percebeu ação de Guimê e que não se sentiu importunada com a atitude de Cara de Sapato. No entanto, o apresentador anunciou que a produção do programa considerou que eles tinham passado dos limites, contrariando as regras, e que, por isso, foram eliminados

    No início da noite, a Polícia do Rio informou que abriu um inquérito para apurar se Guimê e Cara de Sapato cometeram importunação sexual dentro do programa (leia mais).

    Artistas e famosos comentam expulsão:

    Em um vídeo publicado em seu Instagram, o apresentador Manoel Soares diz que “Ou nós vencemos nossa masculinidade tóxica ou seremos derrubados junto com ela”, na legenda que acompanha o registro.

    “Há muito tempo as mulheres estão dizendo ‘basta’, e a gente relativiza, leva na brincadeira, acha que o nosso afeto, nosso amor, não faz as atitudes serem tão sérias, tentamos relativizar o problema. Mas isso não é mais possível. Alguns de nós, infelizmente, ainda acreditam que é uma questão de opinião. Não, gente, não é questão de opinião. Alguns desses atos estão tipificados no código penal”, diz no vídeo.

  • Médico famoso é preso por realizar abortos clandestinos em São Paulo

    Nelson Takara Uchimura perdeu o registro médico em 2003 e possui extensa ficha criminal pelo exercício ilegal da medicina

    Um médico famoso foi preso por realizar abortos clandestinos em uma clínica na zona leste de São Paulo. 

    Nelson Takara Uchimura perdeu o registro médico em 2003, já foi preso 29 vezes e possui uma extensa ficha criminal pelo exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica.

    Imagens exclusivas mostram que uma mulher teria acabado de realizar o procedimento quando a polícia invadiu o estabelecimento.