Categoria: Justiça

  • Presos por assalto ao cantor Péricles reclamaram de ‘calote’ de receptadores de carro em conversas: ‘Ninguém desfrutou nada, parça’

    Presos por assalto ao cantor Péricles reclamaram de ‘calote’ de receptadores de carro em conversas: ‘Ninguém desfrutou nada, parça’

    Discussões por Whatsapp foram identificadas pela Polícia Civil e ocorreram dias depois do crime, em fevereiro deste ano, em São Paulo. Na época, artista foi abordado na porta de casa da mãe dele, em Santo André, e teve o carro de luxo levado.

    Os dois presos suspeitos pelo assalto ao cantor Péricles, em fevereiro, em Santo André, na região do ABC, discutiram por WhatsApp com receptadores do veículo que foi recuperado pela polícia em um desmanche em São Paulo.

    Trocas de mensagens entre Guilherme Toshihiko Shiozuka e “Felipinho”, que era Felipe Lucas, mostram que os dois estavam “inconformados” por não terem recebidos os valores da venda do carro roubado por parte dos receptadores.

    “O mano tá cobrando o dinheiro. Nós teve maior perca, mano. Você viu? Caiu o buraco, depois nós vê esse bagulho aí, mano. Nós não lucrou nada, perdeu o bagulho para a polícia, parça”, disse o áudio do possível receptador (veja parte das conversas mais abaixo).

    O carro de luxo do cantor Péricles roubado por criminosos armados na frente da esposa e da filha, na noite de 16 de fevereiro, em Santo André. O automóvel foi encontrado desmontado e praticamente sem peças na manhã de sexta-feira (17), na Zona Leste de São Paulo.

    Uma denúncia revelou que o veículo estava na Rua Arroio Rela, no bairro São Lucas. O carro era avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, segundo policiais. O caso foi registrado como roubo a veículo no 2º Distrito Policial (DP), em Santo André, e investigado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

    Além do automóvel, os bandidos levaram também cartões bancários, documentos, e uma mochila com roupas das filhas de Péricles. Câmeras registraram o crime.

    Os dois presos
    A Polícia Civil prendeu em 22 de fevereiro Guilherme Toshihiko Shiozuka, de 23 anos, que confessou dirigir veículo usado no crime. Ele afirmou à polícia que vendeu o veículo por R$ 12 mil e dividiu o valor com Felipe Lucas de Oliveira. Felipe foi preso em abril com uma moto furtada.

    Eles não tiveram acesso à conta bancária de Péricles. O local em que o carro foi “depenado” fica na região de uma das casas onde Guilherme dormia, que seria da companheira dele.

    Guilherme detalhou que trocou as placas do carro usado no roubo e as jogou num córrego dias depois.

    Mensagens entre Guilherme e ‘Felipinho’
    No dia 18 de fevereiro deste ano, às 21h55, dois dias depois do roubo, Felipe encaminhou um áudio dos supostos compradores do carro reclamando que a polícia tinha achado o veículo no local de desmanche.

    “O mano tá cobrando o dinheiro. Nós teve maior perca, mano. Você viu? Caiu o buraco, depois nós vê esse bagulho aí, mano. Nós não lucrou nada, perdeu o bagulho para a polícia, parça”, disse o áudio do possível receptador.

    Segundo a polícia, “buraco” se refere ao local para desmanche de veículos roubados. Em um segundo áudio repassado por Guilherme a Felipe ainda de uma terceira pessoa em 20 de fevereiro, foi comentado sobre a repercussão do caso.

    “Você viu aí a repercussão que tá tendo aí. Os cara tudo na nossa bota, tá moiado para nós aí. Quer receber o que, irmão? Fala para ele que o bode caiu, parça. Ninguém desfrutou de nada. Todo mundo se f***.”

    No mesmo dia, a discussão sobre a negociação continuou com mais áudios encaminhados de terceiros.

    “Eu sei, parça, mas o bagulho caiu. Todas as vezes que caiu lá, os caras não cobrou nós, não. Da vez que nós vendia carro para os caras, caía buraco e nós nunca pegou dinheiro. Você tá com nós, estamos dando a peça [termo usado para arma de fogo], para você estar na quadrilha, pai”, afirmou o áudio de Guilherme encaminhado para “Felipinho”.

    “Ali o carro caiu, parça, ninguém desfrutou de nada. E como nós vai pagar um bagulho que nós não ganhou dinheiro?” completou.

    A dupla chegou a comentar sobre pertences roubados e que foram encaminhados para “avaliadores” para venda.

    “Vê lá aqueles outros bagulho que veio lá, que já vou encostar ali em um parceiro que é avaliador dessas caminhada. Já vou levar para ele”, falou Guilherme.

    Moto furtada
    Felipe foi preso em 27 de abril com uma moto furtada estacionada na frente de casa, em Mauá, na Grande São Paulo, quando os policiais civis cumpriram um mandado da investigação de Péricles.

    O dono da moto deu falta da motocicleta em 4 de janeiro, em São Caetano do Sul, depois de ter estacionado na frente do local trabalho.

    Ele confessou aos policiais civis durante a abordagem que não tinha documentação do veículo e que tinha recebido de outra pessoa. Em 12 de maio o Ministério Público o denunciou por receptação.

    Quem é Péricles
    Péricles é uma das referências nacionais do pagode, tendo integrado o Exaltasamba, grupo que surgiu em 1982 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

    “Nós fomos assaltados, foi horrível. Mas todo mundo está sujeito, e eu não sou melhor que ninguém. É vida que segue, vamos simbora. Deus é maior, e a gente não sabe de nada”, disse Péricles, dias depois, quando foi ouvido pela imprensa no Sambódromo do Anhembi.

    Integrante da equipe
    Edu Pachará, de 32 anos, integrante da equipe do músico Péricles, morreu após ter sido agredido em um posto de gasolina em Mauá, na Grande São Paulo, na noite do último domingo (14).

    A SSP informou também que o caso foi registrado como lesão corporal seguida de morte pelo 1º Distrito Policial de Mauá.

    “As investigações estão em andamento para identificar o autor. Além disso, ressalta-se que a natureza criminal pode mudar no decorrer do inquérito, sem prejuízo às investigações”.

  • Suspeito por desaparecimento de mulher grávida na Zona Leste de SP tem prisão temporária prorrogada por mais 30 dias

    Suspeito por desaparecimento de mulher grávida na Zona Leste de SP tem prisão temporária prorrogada por mais 30 dias

    A jovem, de 27 anos, desapareceu após visitar o namorado no último dia 29 de abril, em Itaquera. Matheus Alecrim passou a ser investigado como suspeito do caso.

    O suspeito pelo desaparecimento de Thainá Nascimento, de 27 anos, teve a prisão temporária prorrogada por mais 30 dias. Thainá, que está grávida, desapareceu no dia 29 de abril, em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

    A jovem desapareceu após visitar o namorado, Matheus Alecrim, que passou a ser investigado como suspeito. Ele foi preso por agentes do 32º Distrito Policial de Itaquera.

    O boletim de ocorrência do desaparecimento foi registrado pela mãe da vítima. Ela procurou pelo namorado da filha, que relatou que a Thainá tinha deixado sua casa em um carro de aplicativo. Depois, não teve mais notícias dela.

    Em nota, a Secretária de Segurança Pública (SSP) informou que o caso segue em investigação pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

    Ainda segundo a SSP, a “equipe da unidade solicitou apoio ao Corpo de Bombeiros e cães farejadores para retomarem as buscas” pela jovem.

    Feminicídios em São Paulo
    Um desaparecimento como este preocupa porque, no primeiro trimestre de 2023, a Secretaria da Segurança Pública, comandada por Guilherme Derrite no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), registrou 62 casos de feminicídio.

    Em todo o estado, foram 18 registros em janeiro, 25 em fevereiro e 19 em março. O total representa aumento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 50 casos foram confirmados.

    No primeiro trimestre de 2023, a SSP também confirmou mais de 25,5 mil registros de ameaças contra mulheres. No mesmo período do ano passado, foram 14,9 mil – aumento de 70,83%.

    A SSP afirmou que possui 140 delegacias especializadas no atendimento de mulheres e que 11 delas funcionam 24 horas todos os dias da semana. Segundo a pasta, foi criado o programa SP Vida para analisar os crimes contra a vida, o qual inclui feminicídios.

  • Investigados por fraude de R$ 4 bilhões em notas fiscais falsas são alvo de operação em 4 estados

    Investigados por fraude de R$ 4 bilhões em notas fiscais falsas são alvo de operação em 4 estados

    Batizada de Gauteng, a operação acontece em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Esquema beneficiava empresas do ramo de sucata.

    Agentes da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal cumprem nesta terça-feira (16) em quatro estados 59 mandados de busca e apreensão em empresas e residências de investigados por fraudes na emissão de notas fiscais que totalizam mais de R$ 4 bilhões em sonegação fiscal.

    Batizada de Gauteng, a operação acontece em São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. A inteligência dos órgãos identificou que empresas de fachada foram criadas para emitir notas fiscais falsas para validar transações de empresas verdadeiras que atuam na cadeia de sucatas.

    Ao todo, são mais de 80 investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, que usavam os documentos falsos para burlar órgãos fiscalizadores, sonegar impostos e “esquentar” mercadorias roubadas.

    “Foi apurado que, além de operações com sucatas, o operador do esquema transacionou bilhões em notas fiscais de ouro. Há suspeitas de que tais transações possam estar relacionadas a crimes de lavagem de dinheiro, extração ilegal de minérios, sonegação de impostos e outros delitos”, detalhou o comando da operação.

    A organização, ainda de acordo com as corporações, era dividida em três núcleos, que incluía também empresas das áreas de metalurgia e siderurgia.

    Santa Catarina tem o maior número de cidades alvos de mandados: 11 ao todo, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul com três, e Paraná apenas com a capital Curitiba.

    A cidade com mais mandados é a gaúcha Caxias do Sul, com 16. Foram mobilizados mais 280 agentes para cumprimento dos mandados. Veja cidades:

    Santa Catarina

    Joinville (4), Lages (4), Pomerode (4), Barra Velha (2), Massaranduba (2), Araquari (1), Balneário Camboriú (1), Braço do Trombudo (1), Guaramirim (1), Jaraguá do Sul (1), Schroeder (1).

    Rio Grande do Sul

    Caxias do Sul (16), Bento Gonçalves (1), Porto Alegre (1)
    São Paulo

    São Paulo (1), Jaboticabal (1), Ribeirão Preto (1)
    Paraná

    Curitiba (1)

  • MP recorre de condenação leve e aponta parcialidade de juiz e jurados no julgamento da morte da jovem trans Laura Vermont

    MP recorre de condenação leve e aponta parcialidade de juiz e jurados no julgamento da morte da jovem trans Laura Vermont

    Três réus foram condenados por lesão corporal leve e outros dois acabaram absolvidos. Promotor afirma que reclamações de juiz contaminou análise dos jurados.

    O Ministério Público de São Paulo recorreu da condenação em júri popular dos cinco réus acusados de matarem a jovem transexual Laura Vermont, na Zona Leste de São Paulo, em 2015. Ela tinha 18 anos quando foi morta. A alegação do promotor do caso, João Carlos Calsavara, é de parcialidade por parte dos jurados e do juiz durante o julgamento.

    Cinco homens responderam pelo crime nos dias 11 e 12 de maio e três deles foram condenados por lesão corporal leve: Van Basten Bizarrias de Jesus, Iago Bizarrias de Deus e Wilson de Jesus Marcolino. Jefferson Rodrigues Paulo e Bruno Rodrigues de Oliveira foram absolvidos.

    A família de Laura deixou o Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital, inconformada com o resultado e prometeu recorrer. A ação foi feita pelo promotor junto do advogado da família, José Beraldo, que atuou como assistente de acusação contra os cinco réus.

    Em recurso protocolado no domingo, 14 de maio, o promotor afirma que três dos jurados atuaram de forma parcial no julgamento por reclamarem de conversas dos assistentes de acusação. Dois advogados contratados pela família de Laura atuaram em auxílio ao MP.

    Calsavara diz que o juiz do caso, Roberto Zanichelli Cintra, da 1ª Vara do Júri, questionou se as conversas atrapalhavam os jurados, com parte deles concordando com a cabeça.

    “Ora, no momento em que o juiz reclama dos advogados em voz alta, porque discutindo teses sobre o processo e mais, chama os jurados a participarem da ‘bronca’, indagando-os se também estavam incomodados com a conversa e os mesmos aquiescem com a cabeça, certamente o júri foi contaminado”, sustenta o promotor, dizendo que os demais jurados foram influenciados pelos demais e pelo juiz.
    Outra reclamação feita pela acusação é o fato de o magistrado apresentar a lesão corporal ocorrida como “leve”. O MP buscava a condenação dos cinco homens por homicídio, o que foi afastado pelos sete jurados.

    “Os jurados foram suspeitos, totalmente. Uma raiva contra os acusadores, o promotor e eu, e o juiz a todo o tempo chamava a nossa atenção porque eu aparteava, o que é a direito nosso, e os jurados concordavam”, afirma ao g1 o advogado Beraldo.

    Segundo ele, os jurados estavam “predispostos” a considerar que os réus não mataram Laura, mas existia a possibilidade de ela ter sido morta pelos policiais militares – como defendeu a Defensoria Pública, que representou os cinco homens.

    Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) concluiu que a causa da morte da jovem foi em decorrência do traumatismo craniano que ela sofreu. Exames médicos apontaram que a vítima morreu de “traumatismo cranioencefálico causado por agente contundente”.

    Alegação de transfobia
    Zilda Vermont, mãe de Laura, reclamou do tratamento dado à sua filha ao longo do julgamento. Em determinados momentos, o nome de registro de Laura era citado em vez de seu nome social.

    “A Justiça não respeita pessoas trans”, disse Zilda. “Quem perdeu a filha fui eu e olha o que acontece. Muita baixaria, muita mentira. Eu não vou ter a minha filha de volta, mas justiça eu quero. Laura eu perdi, não tenho mais”.
    Houve, em outros momentos, falas por parte do promotor Calsavara que compararam a masculinidade dos cinco homens julgados pela morte com a masculinidade de Laura, além de se referir à jovem com o pronome “ele”.

    “[Os agressores] Estão na dúvida se Laura era mais homem do que eles. Se tinha um homem na história era ela. Era corajosa, não merecia morrer como morreu”, disse o promotor João Carlos Calsavara, que acusava os réus de matar Laura e, por consequência, representava a família da jovem trans no tribunal.

    O uso de termos transfóbicos prosseguiu no pedido de anulação do júri. “Demais disso, sequer notaram os jurados que os acusados confessaram em plenário que foram desferidas pauladas na vítima travesti, vestida como mulher, de minisaia, blusa e totalmente ensanguentada”, afirma o promotor, no documento.

    Após a leitura da sentença na sexta-feira (12), a família afirmou que representaria contra o promotor Calsavara pelo tratamento dado à Laura durante o júri. Zilda afirmou ao g1 que pretende ir à Corregedoria do MP de São Paulo na próxima semana.

    “E eu quero falar que a Laura não era travesti e sim uma mulher trans. Vou fazer um apelo que parem de chamar minha filha de travesti”, afirmou Zilda.
    O advogado José Beraldo alega que Zilda e os demais parentes estão transtornados com o resultado e tenta demovê-los de fazer uma denúncia formal.

    “O promotor fez tudo o que podia, eu também”, diz Beraldo. “Vou explicar para a família, dizendo que não procede essa representação contra o promotor e que nós estamos fazendo o recurso porque eu tenho certeza de que nós vamos anular esse júri”.

    Nota: o g1 utilizou o termo “travesti” nas matérias referentes à morte de Laura Vermont por ser o modo como ela se identificava à época. Após pedido da família, as reportagens passam a identificá-la como “jovem trans” e “mulher trans”.

  • Prevent Senior não assina acordo na área trabalhista e MPs estudam ação conjunta na Justiça por dano moral coletivo

    Prevent Senior não assina acordo na área trabalhista e MPs estudam ação conjunta na Justiça por dano moral coletivo

    Procuradoria do Trabalho diz ter confirmado prática de assédio moral organizacional na pandemia. Operadora de saúde nega acusações e diz colaborar com investigações de diferentes órgãos.

    O Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público Estadual de São Paulo (MP-SP) estudam entrar com uma ação conjunta contra a Prevent Senior pedindo o pagamento de indenização por dano moral coletivo na Justiça do Trabalho. O valor ainda está em discussão.

    A decisão pela judicialização ocorre depois que a operadora de saúde se recusou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo MPT, em que a empresa se comprometeria a corrigir falhas após irregularidades encontradas na área trabalhista durante a pandemia da Covid-19.

    A escolha em propor a ação na Justiça do Trabalho foi tomada porque os investigadores entenderam que os fatos envolvendo as questões trabalhistas são mais específicos.

    A GloboNews apurou que a Prevent Senior não concordou com os termos apresentados pelo MPT e fez uma contraproposta considerada inaceitável pelos procuradores do trabalho, o que inviabilizou a assinatura do acordo no fim do ano passado.

    Desde 2021, os procuradores do trabalho ouviram médicos e outras testemunhas, além de enfermeiros, técnicos de enfermagem e funcionários da área administrativa das unidades da Prevent.

    Prevent Senior: entenda as acusações contra a empresa envolvendo pesquisa sobre cloroquina
    Procurada, a empresa não quis informar os motivos pelos quais optou por não assinar o TAC. Em nota, informou que as razões foram informadas ao Ministério Público do Trabalho e refutou todas as acusações (veja nota na íntegra abaixo)

    A Procuradoria do Trabalho afirma ter reunido relatos e provas documentais que confirmaram a prática de assédio moral organizacional, com episódios de pressão, constrangimento e ameaças para que médicos da operadora receitassem e distribuíssem o chamado “kit Covid”, composto por remédios sem eficácia comprovada para tratar a doença.

    Os procedimentos foram instaurados após os relatos de pacientes, familiares e médicos dados à imprensa e à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado e configuraram suspeita de irregularidades em questões trabalhistas. Em outra frente de investigação, procuradores do trabalho também apuram a prática de “pejotização” de médicos e denúncia de assédio sexual. Os dois procedimentos ainda seguem em andamento.

    Ação na Justiça do Trabalho
    A ideia é entrar com uma ação conjunta por danos morais coletivos por meio de um litisconsórcio ativo, que ocorre quando há concentração de diversos autores para uma mesma causa. Neste caso, as três esferas do MP – Federal, do Trabalho e Estadual (civil) serão os autores da ação.

    O Ministério Público Estadual já assinou um TAC com a Prevent Senior em outubro de 2021, se comprometendo a não distribuir mais o “kit Covid”, a suspensão das pesquisas sem autorização dos órgãos responsáveis, e a publicação em jornais de grande circulação da informação de que o estudo realizado em 2020 para testar a eficácia da cloroquina não tem nenhuma validade científica. A possibilidade de acordo para o pagamento de indenização ainda estava em aberto e deve fazer parte da ação conjunta.

    Já o Ministério Público Federal abriu uma investigação sobre a realização de uma pesquisa de forma experimental e sem autorização da Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (CONEP) com o uso de medicamentos ineficazes para a Covid-19 em pacientes internados ou que buscaram atendimento médico em unidades da Prevent Senior.

    Como as pesquisas foram encerradas, a GloboNews apurou que o entendimento dentro do MPF é que não seria necessária a assinatura de um TAC exclusivo com o Ministério Público Federal. O MPT recebeu a manifestação ao que foi concluído pela Procuradoria da República para corroborar com os argumentos que sustentarão a ação por dano moral coletivo na Justiça do Trabalho. A Promotoria de Saúde Pública do MP-SP também contribuirá com o material coletado na investigação civil contra a operadora.

    A elaboração da ação por dano moral coletivo também depende da conclusão de relatório sobre a escala de funcionários da empresa que teriam sido obrigados a trabalhar mesmo com o resultado positivo para o teste positivo para a Covid-19. O cruzamento de informações passadas pela Prevent Senior e a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo está em andamento, sob responsabilidade de um procurador do trabalho especializado em ciência de dados.

    Investigação criminal
    Apesar de a Polícia Civil ter relatado o inquérito que investigava a atuação da Prevent Senior durante a pandemia de Covid-19 no estado de São Paulo e concluir que a operadora não cometeu atos ilícitos ao usar e recomendar medicamentos sem indicação e eficácia contra a doença, o Ministério Público de São Paulo segue com a investigação na parte criminal.

    Os promotores ouviram depoimentos de médicos, pacientes e familiares de pessoas que morreram na pandemia após tratamento de Prevent Senior, e aguardam os laudos dos peritos sobre os prontuários médicos dos denunciantes. A apuração pode ser concluída ainda neste ano.

    Prevent Sênior
    As razões para não assinar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foram informadas ao Ministério Público do Trabalho. A Prevent Senior refuta, mais uma vez, todas as acusações de que foi vítima, nenhuma delas comprovada. A empresa colabora com todas as investigações técnicas realizadas por diversos órgãos fiscalizadores por acreditar que restabelecerão a verdade dos fatos.

     

  • Polícia indicia por três crimes motorista de app que atropelou e debochou de suspeito de furto de celular morto em SP

    Polícia indicia por três crimes motorista de app que atropelou e debochou de suspeito de furto de celular morto em SP

    Polícia apontou que houve crime de omissão de socorro, homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e incitação ao crime. Christopher Gonçalves Rodrigues, de 26 anos, publicou fotos em redes sociais com mensagens como “menos um fazendo o L”.

    A Polícia Civil indiciou por três crimes o motorista por aplicativo Christopher Gonçalves Rodrigues, que atropelou um suspeito de furto de celular e fez vídeos debochando do rapaz no Viaduto Júlio de Mesquita Filho, na Bela Vista, região central de São Paulo.

    Segundo o delegado Percival Alcântara, titular do 5º DP, os crimes apontados para Christopher são homicídio culposo, quando não há intenção de matar, omissão de socorro e incitação ao crime.

    Homicídio culposo: “Em análise minuciosa da prova testemunhal e pericial, não ficou demonstrado, no abalroamento [colisão], o dolo do agente, que em um primeiro momento, imediatamente após a colisão, se mostrou preocupado com a situação, não denotando às testemunhas presenciais a intenção de atropelar e nem a ciência de que teria ocorrido um possível furto segundos antes”, explicou o Alcântara.
    Omissão de socorro: “Diante do lastro de informações, o agente não socorreu efetivamente a vítima, sendo a ‘ajuda’ acionada por terceiros. Muito pelo contrário. Após a ciência de que a vítima seria possivelmente autora de um crime de furto, debochou, omitiu socorro, fotografou e fez filmagens dos fatos”, completou.
    Incitação ao crime: “Não obstante, o indiciado publicou as fotos e filmagens em suas redes sociais fomentando e instigando, publicamente, pessoas indeterminadas a ‘tirar’ a vida de agentes que cometem crimes contra o patrimônio.”

    O Ministério Público irá se manifestar sobre o relatório final do inquérito. Christopher está em liberdade e não há pedido de prisão. A defesa dele não foi localizada até a última atualização para comentar sobre o caso.

    A Polícia Civil investigava se Christopher teve a intenção de matar o rapaz que supostamente teria furtado um celular segundos antes.

    “Matheus foi reconhecido por uma das testemunhas como o autor da subtração do aparelho celular de outro motorista”, informou a polícia.

    Vídeos na internet
    Os registros do investigado foram postados em redes sociais e em grupos de mensagens de profissionais da categoria e parentes da vítima o assistiram. Em um deles o rapaz ainda estava vivo.

    “E aí, comédia, vai roubar trabalhador? Vai roubar trabalhador? Não vai sair, não. Chama a polícia, você vai sair com a polícia”, disse o motorista no vídeo. Matheus estava com graves ferimentos e sangrando. Ele não resistiu.

    “Meu marido era motorista por aplicativo também e meu marido viu o vídeo. Meu padrinho viu também e me mandou. A gente estava enterrando meu irmão quando chegou o vídeo pra gente”, contou Paloma Santiago, irmã de Matheus, ao g1.

    Outra imagem que mostra a vítima embaixo do carro foi publicada por Christopher no Facebook: “Um a menos, mandei ir conhecer o tio Lúcifer”.

  • Saiba quem é o empresário de MS com quem polícia apreendeu armas em operação contra financiadores de atos golpistas

    Saiba quem é o empresário de MS com quem polícia apreendeu armas em operação contra financiadores de atos golpistas

    Adoilto Fernandes Coronel é proprietário de uma loja de materiais de construção e está na lista de quem deverá ressarcir em R$ 20,7 milhões os cofres públicos pelo atos de vandalismo.

    A Polícia Federal (PF) apreendeu, na manhã desta quinta-feira (11), um arsenal na casa do empresário Adoilto Fernandes Coronel, suspeito de ser um dos financiadores dos atos golpistas em Brasília de 8 de janeiro. A apreensão ocorreu durante a 11ª fase da operação Lesa Pátria, realizada em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná.

    De acordo com informações apuradas pelo g1, ao menos oito polícias federais estiveram na residência do suspeito, em uma área nobre do município de Maracaju (MS), a 159 quilômetros de Campo Grande.

    Segundo-secretário de associação
    Além de atuar como empresário, o suspeito de financiar os atos golpistas é o segundo-secretário da Associação Empresarial da cidade.

    Proprietário de uma loja de materiais de construção no município, o sul-mato-grossense está na lista de quem deverá ressarcir em R$ 20,7 milhões os cofres públicos pelo atos de vandalismo (veja lista completa). Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), a ação envolve pessoas que participaram dos atos e empresas que financiaram os atos criminosos.

    O g1 tentou contato com Adoilto, mas não obteve retorno. Funcionárias do comércio do suspeito se recusaram a conversar com a reportagem.

    Ataques
    Bolsonaristas radicais invadiram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Palácio do Planalto, em 8 de janeiro de 2023. Foram quebradas vidraças dos edifícios, objetos da mobília foram levados ou destruídos e gabinetes foram invadidos. Os envolvidos estavam com pedaços de paus e pedras.

     

  • Médico Nabil Ghorayeb é condenado por importunação sexual após tentar beijar e colocar mão de vítima sobre genital

    Médico Nabil Ghorayeb é condenado por importunação sexual após tentar beijar e colocar mão de vítima sobre genital

    ‘Você tem cara que gosta de chupar’, disse o cardiologista. Sentença da 11ª Vara Criminal de São Paulo diz que ele passou a mão no corpo da mulher e tentou colocar a mão por baixo de seu vestido.

    A Justiça de São Paulo condenou o médico cardiologista Nabil Ghorayeb por importunação sexual após tentar beijar e colocar mão de vítima sobre seu órgão genital durante uma consulta. A pena aplicada foi de 1 ano e 1 mês em regime aberto, que foi substituída por duas medidas restritivas de direito a serem definidas.

    Em janeiro de 2021, Nabil recebeu a mulher em seu consultório na Zona Sul da capital para que ele realizasse uma consulta online com sua mãe, que estava internada após um ataque cardíaco;
    De acordo com a sentença, o médico passou a elogiar a vítima e pediu que ela abaixasse a máscara de proteção para observar seu rosto;
    A mulher estranhou o comportamento e começou a gravar discretamente com o celular;
    Nabil se levantou e começou a passar a mão no corpo da mulher e tentou colocar a mão por baixo de seu vestido;
    “Como não conseguiu, ele passou a mão nas partes íntimas da vítima por cima da roupa, pegou a mão dela e colocou sobre o seu pênis por cima da calça e disse que ‘ela tinha cara de quem gosta de chupar’”, diz a decisão;
    Nervosa com a importunação sexual, a mulher não conseguiu afastar o médico, tentou mudar de assunto e deixou o consultório.

    José Paulo Camargo Magano, juiz da 11ª Vara Criminal da capital, disse que “diversas testemunhas ouvidas relataram ter sofrido importunações sexuais de idêntico modus operandi, revelando não se tratar, a princípio, do presente caso uma ação isolada do réu”.

    Ainda de acordo com a sentença, entre as testemunhas, havia funcionárias do hospital em que Nabil trabalhava que confirmaram as “investidas dele e que sabiam da sua fama de ‘assediador sexual’”.

    Durante interrogatório, o médico disse as pessoas se reuniram na internet contra ele “talvez por causa de religião” e que não responderia sobre as testemunhas ouvidas, “pois não há correlação com os fatos a ele imputado”.

     

  • MP aponta que empresa que venceu licitação de R$ 26 milhões do kit robótica funciona em apartamento e não tem funcionários

    MP aponta que empresa que venceu licitação de R$ 26 milhões do kit robótica funciona em apartamento e não tem funcionários

    Informações estão em ação civil pública contra a Prefeitura de Sorocaba foram apresentadas com base em diligência feita pelo Centro de Apoio à Execução (Caex), à sede da empresa no Centro de São Paulo.

    A empresa que venceu a licitação em Sorocaba (SP) relacionada ao kit robótica, alvo de uma ação na Justiça onde o Ministério Público pede o bloqueio de bens do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos) e do secretário de Educação Marcio Carrara, além do afastamento do titular da pasta, funciona em um apartamento em São Paulo e não tem funcionários. Ao menos essa é a informação levantada pelo MP durante o processo.

    As informações foram apresentadas com em diligência feita pelo Centro de Apoio à Execução (Caex), à sede da empresa no Centro de São Paulo. Os promotores descreveram na ação que a empresa funciona num apartamento de 63 metros quadrados.

    Na diligência, a sala estava fechada e precisou a portaria contatar o proprietário da Carthago, Omar Freddi, para que servidores do MP pudessem entrar no apartamento. O dono da empresa estava viajando. O porteiro disse ao funcionário do MP que o prédio tem salas comerciais e também residenciais. No apartamento, pelas fotos contidas no processo, foi observado que existe um escritório com alguns livros em prateleiras, ambientes com caixas espalhadas, quadro fora de lugar e um sofá meio surrado.

    Junto ao Caged, o MP também conseguiu a informação de que a empresa não tem veículo registrado, e nem ao menos, um empregado em seu banco de dados, constando apenas Omar Freddi e sua mãe, de 93 anos, como integrantes da empresa. “… a empresa Carthago, funcionando em um escritório fechado e sem funcionários no centro de São Paulo, serviu como intermediária para simular uma concorrência com outras do mesmo tipo, justamente para inflar o valor final dos kits e causar imenso prejuízo ao sistema educacional municipal”, afirma o MP na denúncia.

    Mais licitações
    A denúncia do MP cita ainda licitações ocorridas em outras cidades, em que as mesmas empresas que disputaram aqui também participaram e venceram. Os promotores alegam ainda que os memoriais descritivos eram os mesmos usados em outras cidades, e portanto, não foram elaborados por funcionários de Sorocaba.

    Um levantamento feito pelo g1, em novembro do ano passado, apontou que a Carthago venceu quase 50% de 28 licitações realizadas em cidades do estado de São Paulo para fornecimento de materiais de robótica, musicalização e educação financeira. A análise foi feita com cruzamento de dados de informações do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e dos portais de transparência das prefeituras.

    A Carthago venceu 13 pregões, sendo dois em Sorocaba, de robótica e de educação financeira. Além disso, venceu também nas cidades de Caçapava, Itararé e Vargem Grande Paulista, relacionado ao fornecimento de educação financeira. Venceu também em Guapiara, Hortolândia, Itararé, Nova Odessa, Santa Cruz das Palmeiras, Suzano e Taubaté, todos de musicalização. Em relação aos recursos financeiros, a porcentagem é ainda maior com relação à Carthago. Ela obteve 53,4% dos recursos, ou seja, R$ 69,9 milhões da totalidade de R$ 130,9 milhões em todos os contratos.

    O pagamento de um contrato foi suspenso a pedido do MP de Sorocaba e acatado na Justiça, no valor de R$ 13, 2 milhões. Essa contratação e bloqueio dos valores também foi citado na denúncia do MP.

    O que dizem os citados
    Ao g1, a Prefeitura de Sorocaba afirmou que não foi notificada da ação e argumentou que a contratação foi aprovada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), em novembro de 2022.

    O empresário Omar Freddi e a empresa Carthago foram procurados, mas não se manifestaram sobre o caso. Entretanto, em novembro de 2022, ao comentar sobre o fato de vencer várias licitações, a empresa afirmou o seguinte:

    “Somos distribuidores há 30 anos, fazemos vendas para empresas privadas, participamos de pregões em todo o país. Nossa empresa nunca deixou de cumprir compromissos comerciais em sua existência, o que nos traz muita credibilidade e confiança no mercado editorial. Hoje, mais do que nunca, as exigências para conseguir vender tanto para empresas privadas como para Órgãos Públicos são enormes e só empresas extremamente idôneas e competentes conseguem atender bem e por muito tempo. Esse é o nosso caso, somos uma empresa consagrada no mercado.”

  • Veja quem são e o que dizem os alvos da operação contra fraude em dados de vacinação de Bolsonaro e ajudantes

    Tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente foi preso na ação. Segundo PF, grupo falsificou dados em sistemas do Ministério da Saúde para acessar locais onde vacinação contra Covid-19 era obrigatória.

    A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (3), para apurar um suposto esquema de fraude em dados de vacinação envolvendo ajudantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem 17 alvos de busca e apreensão. Seis pessoas também foram presas.

    Segundo a PF, houve fraude na carteira de vacinação de Bolsonaro. Ele é um dos alvos de mandado de busca e apreensão, que foi cumprido na casa onde ele mora, no Jardim Botânico, no Distrito Federal. Agentes apreenderam o celular dele.

    A TV Globo apurou que os alvos de busca são:

    Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República
    Mauro Cesar Barbosa Cid, tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
    Gabriela Santiago Ribeiro Cid, esposa de Mauro Cid
    Gutemberg Reis de Oliveira, deputado federal pelo MDB-RJ
    Luís Marcos dos Reis, sargento do Exército, ex-integrante da equipe de Mauro Cid
    Farley Vinicius Alcântara, médico que teria envolvimento no esquema
    João Carlos de Sousa Brecha, secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ)
    Max Guilherme Machado de Moura, segurança de Bolsonaro
    Sergio Rocha Cordeiro, segurança de Bolsonaro
    Marcelo Costa Câmara, assessor especial de Bolsonaro
    Eduardo Crespo Alves, militar
    Marcello Moraes Siciliano, ex-vereador do RJ
    Ailton Gonçalves Moraes Barros, candidato a deputado estadual pelo PL-RJ em 2022
    Camila Paulino Alves Soares, enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias
    Claudia Helena Acosta Rodrigues Da Silva
    Marcelo Fernandes de Holand
    Já os seis presos nesta quarta são:

    tenente-coronel Mauro Cid Barbosa, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro
    policial militar Max Guilherme, segurança de Bolsonaro
    militar do Exército Sérgio Cordeiro, segurança de Bolsonaro
    secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha
    sargento do Exército Luís Marcos dos Reis, ex-integrante da equipe de Mauro Cid
    Ailton Gonçalves Moraes Barros, candidato a deputado estadual pelo PL-RJ em 2022

    O que dizem os citados?
    Jair Bolsonaro: o ex-presidente da República afirmou que não tomou vacina e que não houve adulteração nos registros de saúde dele e da filha. “Nunca me foi pedido cartão de vacina em lugar nenhum, não existe adulteração da minha parte. Eu não tomei a vacina, ponto final. Nunca neguei isso”, disse.
    Mauro Cid e família: dizem que vão se manifestar quando tiverem acesso aos autos do processo.
    Marcelo Siciliano, ex-vereador do Rio: o político disse que foi surpreendido por agentes da Polícia Federal em sua casa e teve o celular apreendido, mas não sabe o motivo da operação. Disse também que está à disposição para dar esclarecimentos.
    Claudia Helena Acosta Rodrigues da Silva: disse que não vai se manifestar porque a investigação está sob sigilo.
    João Carlos Brecha, secretário de Governo de Duque de Caxias: a TV Globo entrou em contato com a prefeitura da cidade, mas não teve retorno.

    Como funcionava?
    A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no inquérito que apura uma milícia digital contra a democracia. Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal e no Rio de Janeiro.

    Segundo a PF, os suspeitos inseriram dados vacinais falsos sobre Covid-19 em dois sistemas exclusivos do Ministério da Saúde: o do Programa Nacional de Imunizações e da Rede Nacional de Dados em Saúde.

    A corporação afirma que o objetivo era emitir certificados falsos de vacinação para pessoas que não tinham sido imunizadas e, assim, permitir acesso a locais onde a imunização é obrigatória.

    A apuração aponta que os documentos fraudados teriam sido usados para a entrada de comitivas de Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-presidente permaneceu entre janeiro e março deste ano.

    A TV Globo e a GloboNews apuraram que, além do certificado de Bolsonaro, também teriam sido forjados os documentos de vacinação:

    da filha caçula do ex-presidente, hoje com 12 anos;
    do ex-ajudante de ordens Mauro Cid Barbosa, da mulher e da filha dele.
    Segundo a corporação, as fraudes ocorreram entre novembro de 2021 e novembro de 2022, e “tiveram como consequência a alteração da verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, a condição de imunizado contra a Covid-19 dos beneficiários”.

    A PF afirma ainda que a inserção de informações falsas quanto à vacinação pretendia “manter coeso o elemento identitário em relação a suas pautas ideológicas, no caso, sustentar o discurso voltado aos ataques à vacinação contra a Covid-19”.

    Os suspeitos são investigados pelos crimes de infração de medida sanitária preventiva, associação criminosa, inserção de dados falsos em sistemas de informação e corrupção de menores.

    A operação ganhou o nome de “Venire”. Segundo a PF, é uma referência ao princípio “Venire contra factum proprium”, que significa “vir contra seus próprios atos”.

    A Polícia Federal diz que esse é um princípio base do Direito Civil e do Direito Internacional, que veda comportamentos contraditórios de uma pessoa.