Tag: São Paulo

  • Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Dívida já soma mais de R$ 54 mil em juros por falta de pagamento. Ex-presidente recebeu multas da Secretaria da Saúde durante três visitas ao estado de SP em 2021; bens poderão ser penhorados. Atual governador também foi multado em três ocasiões e pagou a dívida.

    Ex-presidente Bolsonaro exibe máscara durante evento no Planalto em 2021

    A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo propôs, no início deste ano, já sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a execução fiscal de três dívidas em nome de Jair Bolsonaro (PL) que somam mais de R$ 568 mil.

    O ex-presidente da República foi multado porque não utilizou máscara de proteção contra a Covid-19 em três ocasiões diferentes: em visitas às cidades de Miracatu, Ribeira e Eldorado, que ficam no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo.

    Já são mais de R$ 54 mil apenas em juros por falta de pagamento.
    O valor total refere-se às multas, aos juros e aos honorários advocatícios.
    Os bens de Bolsonaro poderão ser penhorados, caso ele não efetue o pagamento.
    As multas foram aplicadas pela Secretaria da Saúde de São Paulo em 14 e 15 de dezembro de 2021 e transitaram em julgado entre janeiro e fevereiro de 2022.

    As justificativas para as aplicações se deram porque, à época, era obrigatório o uso de máscaras de proteção facial em espaços de acesso aberto ao público e vias públicas, de acordo com o “decreto 64.959 de 04/05/2020, a Resolução SS 96 de 29/06/2020 e a Lei Federal 14.019 de 02/07/2020”.

    Filho também é cobrado
    O governo de SP também cobra mais de R$ 113 mil em multas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair, por ter participado de eventos sem utilizar máscara. No caso dele, os juros ultrapassavam R$ 10 mil ainda no início deste ano.

  • Prefeitura de Guarulhos pede ao governo federal para ser considerada cidade de fronteira por presença de refugiados

    Prefeitura de Guarulhos pede ao governo federal para ser considerada cidade de fronteira por presença de refugiados

    Município na Grande São Paulo, onde fica o Aeroporto Internacional de São Paulo, quer ter acesso a políticas públicas características de cidades que fazem fronteira com países em guerra.

    A prefeitura de Guarulhos, na Grande São Paulo, solicitou nesta terça-feira (04), ao governo federal que passe a ser considerada uma cidade de fronteira por causa da chegada de pessoas refugiadas no aeroporto de Cumbica.

    A expectativa é a de que, dessa forma, Guarulhos passe a ter acesso a verbas e a recursos que são característicos de políticas públicas de lugares que recebem e acolhem refugiados, como cidades que fazem fronteira com países que estão em guerra. Não há países ao lado de Guarulhos, mas a chegada dos refugiados em grande quantidade coloca a cidade em uma situação similar.

    Em Guarulhos fica o maior aeroporto da América do Sul, o Aeroporto Internacional de São Paulo e, desde o final do ano passado, afegãos estão desembarcando no local e ficando por lá, ao menos até serem encaminhados ao serviço de acolhida.

    No final de 2022, muitos refugiados afegãos começaram a chegar sem ter para onde ir, então ficavam nas aéreas comuns do aeroporto.

    No início deste ano, a situação melhorou, mas recentemente voltou a acontecer. Na madrugada desta terça, cerca de 60 afegãos chegaram ao aeroporto e montaram colchonetes para dormir no local. Segundo as autoridades municipais, essas pessoas foram encaminhadas ao serviço de acolhida.

    No entanto, no fim da tarde desta terça, um novo grupo de 15 a 20 afegãos voltou ao aeroporto e afirmou que vão passar a noite no local.

    A solicitação da Prefeitura de Guarulhos não tem prazo para ser analisada pelo governo federal.

     

  • Datena sugere a Boulos chapa conjunta para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2024

    Datena sugere a Boulos chapa conjunta para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2024

    Deputado federal diz lamentar vídeo vazado de encontro com o apresentador, ocorrido no sábado, 1º de abril.

    Datena sugere a Boulos chapa conjunta para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2024

    Cotado como candidato do PSOL para a Prefeitura de São Paulo em 2024, Guilherme Boulos recebeu o apresentador José Luiz Datena em sua casa, na Zona Sul de São Paulo, no último sábado (1º) e ouviu a sugestão de tê-lo como vice em sua chapa na eleição do próximo ano. Em vídeo vazado nas redes sociais (assista acima), Datena sugere a dobradinha.

    “Se você falar para o Lula. ‘Lula, eu quero o Datena como vice e sinto muito’. Nós podemos sair porque nosso acordo… Política é como nuvem, cada hora está num lugar. A política mudou. ‘Se você quer ser meu aliado, pô, eu amo você, o Datena ama você, mas nós achamos que a gente pode se eleger em São Paulo’”, diz o apresentador.
    Na conversa, o apresentador diz ao deputado federal que a política econômica adotada pelo governo de Lula (PT) pode afetar suas possibilidades na eleição municipal.

    Boulos chegou ao segundo turno na eleição de 2020, contra Bruno Covas (PSDB). O tucano, falecido em maio de 2021, obteve 50% dos votos válidos, contra 40% de Boulos.

    No trecho gravado da conversa, Boulos não tece comentários sobre as falas de Datena, que em momentos chegou a dizer não saber “se o Lula aguenta o mandato” e que “o PT é um partido corrupto”.

    Boulos usou as redes sociais para lamentar o vazamento do vídeo. Ele explicou que, além de Datena, o ex-jogador e apresentador Neto estava entre os torcedores do Corinthians convidados para o encontro.

    “Neste sábado, Datena, o craque Neto e eu nos encontramos com outros amigos corintianos, a meu convite, para um jantar no Campo Limpo. Uma conversa informal sobre futebol e política. Lamento profundamente que alguém tenha vazado uma conversa privada na tentativa de criar polêmica”, disse Boulos.

    Na tarde desta segunda (3), durante programa ao vivo na Band TV, Datena desmentiu a versão e disse que não pediu para ser vice de Boulos:

    “Primeiro, eu não pedi para o Boulos para ser vice dele, coisa nenhuma. Segundo: o vídeo, de 2 minutos e pouco, é contexto de uma conversa de quase 4h em que, inclusive, o Boulos já divulgou, o Neto estava lá comigo em boa parte dessa conversa. Já é sabido, dito e notório que, desde as últimas eleições municipais, o Boulos já tinha me convidado para ser vice dele”, afirmou.

    “Eu acho estranho que vaze uma conversa dessa. Quem vazou uma conversa dessa é canalha, é sem escrúpulos. Uma conversa privada de simplesmente 4h reduzida a 2 minutos e 30 segundos, me parece até editada de um contexto de 5h e poucos minutos. Quem teve interesse disso? Sei lá. Tenho certeza que não foi o Boulos, e muito menos eu teria interesse, mas quem fez isso, fez de uma forma absolutamente canalha e vil, tentando atacar o Boulos e a mim também”, afirmou o apresentador.

    “Lamento que uma conversa nesse sentido tenha sido revelada, porque era um acordo político que podia dar certo, eventualmente. Não pode dar mais, mesmo porque foi colocado ali está diferente do que eu disse para o Boulos peitar o Lula. Eu coloquei dessa forma, mas para que ele converse com o presidente da República, com quem ele tem um acordo para vice. Tenho o maior respeito pelo presidente da República”, completou.

  • Por dívida com hospital, Justiça de SP manda apreender passaporte e suspender CNH do ex-jogador Marcelinho Carioca

    Por dívida com hospital, Justiça de SP manda apreender passaporte e suspender CNH do ex-jogador Marcelinho Carioca

    Ex-atleta do Corinthians pode recorrer da decisão. Dívida com o hospital Sírio Libanês era de R$ 1,4 mil em 2007 e, agora, gira em torno de R$ 143 mil.

    Marcelinho Carioca é ídolo do Corinthians e hoje atua como comentarista esportivo

    A Justiça de São Paulo mandou apreender o passaporte e suspender a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do ex-jogador de futebol Marcelo Pereira Surcin, o Marcelinho Carioca, por conta de uma dívida de R$ 143 mil com um hospital particular.

    O ex-atleta do Corinthians pode recorrer.

    A decisão, do juiz Vítor Gambassi Pereira, foi publicada no último dia 27. Ela envolve processo aberto pelo hospital Sírio Libanês, que cobra valores não pagos pelo ex-jogador em 2007.

    À época, a mãe de Marcelinho ficou internada para o tratamento de um câncer e o jogador deveria pagar R$ 1.465,82, o que o hospital alega não ter sido feito. Com juros e correção, a dívida atinge R$ 143.211,43, conforme consta no processo.

    Gambassi alega que não costuma apreender documentos, mas que “no presente caso, há fortes indícios de que o devedor, famoso ex-jogador de futebol, esteja ocultando patrimônio”.

    O juiz cita que Marcelinho Carioca publica fotos em seu perfil na rede social Instagram em que “desfruta de ótimo padrão de vida e permanece profissionalmente ativo como comentarista de futebol”.

    “Em mais de um vídeo se vê o executado conduzindo luxuoso automóvel branco, sempre feliz e sorridente. Como se vê, o executado não paga porque não quer”, diz o magistrado.

    Além de determinar a apreensão do passaporte e suspenção da CNH, o juiz também determinou “a penhora de 30% de todas as rendas diretas ou indiretas” do ex-jogador.

     

  • Professores denunciam diretores de escolas públicas de SP por assédio moral e relatam episódios de violência em salas de aula

    Professores denunciam diretores de escolas públicas de SP por assédio moral e relatam episódios de violência em salas de aula

    Para especialistas, ataque em escola paulista é reflexo de um ambiente que não incentiva uma cultura de colaboração entre docentes e diretores.

    “Sofremos assédio até para ir ao médico. Corremos o risco de receber falta [mesmo levando atestado], e o diretor ameaça descontar um dia no pagamento” afirma Livia, professora da rede estadual paulista. Ela conta que procura atendimento psicológico desde o ano passado, mas enfrenta dificuldades para conseguir autorização para esses encaminhamentos.

    O g1 coletou na última semana, depois do ataque a escola que deixou uma professora morta e quatro feridos, relatos de professores da rede estadual paulista que refletem um cenário de assédio moral cometido por diretores contra os docentes em três escolas. Segundo pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa o primeiro lugar do ranking mundial como o país que mais pratica violência contra educadores.

    Para evitar possíveis retaliações, os professores citados nesta reportagem serão identificados com nomes fictícios.

    “Sofremos assédio até para ir ao médico. Corremos o risco de receber falta [mesmo levando atestado], e o diretor ameaça descontar um dia no pagamento”, afirma Livia, professora da rede estadual paulista.

    Ela conta também que procura atendimento psicológico desde o ano passado, mas enfrenta dificuldades para conseguir autorização para esses encaminhamentos. Suas principais queixas podem ser resumidas ao uso do poder para que o professor não exerça sua autonomia como educador.

    Damares, professora temporária, não teve apoio no primeiro mês, um momento de adaptação na escola. Ela conta que um dia chegou atrasada quatro minutos, e a vice-diretora não permitiu sua entrada. Testemunhas relataram que ela sofreu abuso psicológico e tem enfrentado um quadro de paralisia facial desencadeado pelo estresse.

    Em nota, a Secretaria da Educação informou que, “os casos mencionados serão apurados pelas Diretorias de Ensino. A Seduc reforça que tanto as Diretorias, quanto a sua ouvidoria estão à disposição dos servidores que desejam formalizar qualquer tipo de insatisfação”.

    Perseguições
    “Os professores geralmente não são escutados porque a educação é a área mais precarizada entre as pastas da política pública”, diz Pedro, professor há quase 20 anos da rede e que foi afastado das salas de aula no ano passado. Atualmente, está cumprindo trabalho burocrático em uma Diretoria de Ensino.

    Seu afastamento, acredita, foi resultado da luta contra o assédio moral executado pela gestão contra alunos e professores e também contra a implementação do Programa Ensino Integral (PEI) na escola. Ele enxerga o PEI como a principal prática de precarização da educação: reduz custos e, ao mesmo tempo, diminuiria também a autonomia das escolas.

    Pedro conta que em 2021 e 2022 ocorreram atos de violência em uma escola, que teriam sido executados pela gestão em resposta ao engajamento de professores e alunos.

    O g1 confirmou a publicação do seu afastamento no Diário Oficial. “O próprio afastamento é um ato de assédio moral. Não tive chance de me defender, o meu ofício foi retirado. Pela primeira vez na minha vida tive que recorrer a ajuda médica. Foi a partir daí que eu senti a violência do sistema”, afirma.

    Outro caso foi o do professor Fernando, que disse ao g1 que tirou do próprio bolso dinheiro para desenvolver um projeto que ganhou projeção, mas, em vez de ser valorizado, passou a ser boicotado. “A direção começou a me perseguir, eu só queria dar aula. Fui oprimido e acuado. Foram me esvaziando.”

    Ele conta também que o governo mandou uma verba em 2022 para a escola comprar equipamentos de mídia. “Foram instalados, mas o diretor tirou as caixas de som, os cabos da televisão e desligava a internet. Como vou montar uma televisão sem o cabo HDMI, sem tomada?”

    Procurado, o Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de São Paulo (Udemo) disse que condena qualquer tipo de assédio moral e não comenta sobre denúncias anônimas. A orientação para esses casos, segundo seu presidente, Francisco Antonio Poli, é entrar com representação na própria escola contra a diretora ou o diretor, pedindo esclarecimentos.

    Muito além do assédio moral
    André Sapanos, membro do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), afirma que os docentes sofrem “as mais diversas formas de violência, entre elas: verbal, física, psicológica, patrimonial [roubo de pertences] e moral”

    “Diante dos crescentes casos de violência física, com casos gravíssimos, existe um crescente número de professores que sofrem com ansiedade e outros problemas psicológicos, pois não se sentem seguros em seu ambiente de trabalho e tampouco valorizados para prosseguir com sua carreira.”

    Uma pesquisa sobre violência nas escolas, realizada pela Apeoesp por meio do Instituto Locomotiva, demonstrou o agravamento da incidência de casos de violência e o clima de insegurança nas escolas estaduais no pós-pandemia. As principais ocorrências citadas pelos professores nas escolas em que trabalham, em ordem decrescente, são: agressão verbal, bullying, assédio moral, assalto, discriminação e agressão física.

    O que dizem especialistas
    Michael Fullan, um dos maiores especialistas em políticas educacionais do mundo, escreveu um livro especificamente sobre diretores de escola: “The Principal” (diretor escolar, em tradução livre). Ele defende que o papel primordial do diretor é criar uma cultura de colaboração dentro da escola. Isso evitaria que o diretor eventualmente cometesse assédio moral com professores.

    “O clima dentro da escola muitas vezes não é de colaboração entre colegas e dirigentes”, afirmou Claudia Costin, diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV).
    “Assim como os professores são formados de uma maneira inadequada para a prática mais complexa das profissões, que é formar crianças e adolescentes, diretores também não são formados para seus desafios”, avalia.

    Alynne Nayara Ferreira Nunes, advogada e fundadora de um escritório especializado em direito educacional, destaca que “diretores não são reis”. “Eles podem ser questionados. Quem protege o professor é o sindicato, que tem um setor jurídico. A questão é: vale a pena comprar essa briga?”

    Ela avalia que há uma conjuntura que fomenta uma diferenciação entre os profissionais efetivados dos temporários. “Quando não existe uma política de valorização do docente – remuneração, plano de carreira – a convivência mútua é prejudicada. Isso impacta alunos mais vulneráveis que acabam procurando acolhimento em grupos de disseminação de ódio”, opina a advogada.

    Em São Paulo, um diretor vira diretor por concurso público. “Como aferir se aquele indivíduo tem habilidades para liderar um processo colaborativo em benefício da criança e do adolescente por meio de uma prova escrita? Não é assim que o resto do mundo seleciona diretores”, avalia Claudia Costin.

    No Canadá, por exemplo, a seleção acontece por meio de um “search committee”, ou seja, um grupo constituído para selecionar os candidatos com base em currículo e entrevista. Normalmente, professores, gestores de outras escolas públicas e pais de alunos integram o comitê.

    De acordo com Claudia, muitas vezes o professor é percebido pela opinião pública como alguém que merece pena. “E o pior é quando o professor olha para si mesmo assim, caindo nessa armadilha de que não é digno de ter orgulho das suas práticas ou de discuti-las com seus colegas. Daí a importância do papel do diretor como líder que deveria organizar um espaço para os professores aprendam juntos.”

    “Também tem um outro exemplo complicado de exercício do papel do diretor que é o de fazer ‘pactos de mediocridade’: eu fecho os olhos para o que você faz e você fecha os olhos para o que eu faço. Isso não é ser um bom profissional como diretor. Ele tem que garantir que os professores tenham tempo para trabalhar, planejar e pensar juntos. Então não é só uma questão de assédio moral, é uma questão de exercício de liderança”, aponta Claudia.

    “Evidentemente a função dele não é ser psicólogo, mas professor precisa, sim, entender um pouco de psicologia para atuar. Não é função dele tirar uma faca da mão de um aluno. Mas a professora Cínthia, por exemplo, fez bem [durante o ataque a escola na Zona Oeste da capital paulista]. Porque ela era a adulta na sala. Não tinha preparo profissional para isso, mas ela não tinha outra saída e por isso é admirável”, complementa.

    Sobre as práticas relatadas pelos professores, Allyne sinaliza que a dificuldade de conversar com o superior pode ser configurada como um tipo de assédio moral.

  • Fábrica fechada da Fugini não tinha controle de pragas, diz Anvisa

    Fábrica fechada da Fugini não tinha controle de pragas, diz Anvisa

    Outras irregularidades foram encontradas no local, como falta de controle de temperatura e falhas relacionadas à higiene

    Após suspender a fabricação e comercialização dos alimentos da marca Fugini , que saem da unidade em Monte Alto, São Paulo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu mais detalhes sobre as irregularidades encontradas na fábrica.

    “Podemos dizer que a empresa não apresentava as portas necessárias para garantir o controle de pragas e vetores. Faltava porta para separar a área da produção dos alimentos da área externa, por exemplo”, disse a gerente de Inspeção e Fiscalização Sanitária de Alimentos da Anvisa, Renata Zago, em entrevista para O Globo. 

    De acordo com a gerente, a equipe de fiscalização identificou “várias irregularidades” durante a visita, como a falta de controle de temperatura, necessário para evitar os riscos de contaminação por microrganismos e para manter a qualidade dos produtos.

    “Não havia esse controle para garantir que o processo fosse seguro”, alertou Zago.

    A fábrica também apresentou outras falhas graves relacionadas à higiene que, segundo avaliação da gerente, impactam diretamente na qualidade e segurança do produto final.

    “A gente precisou pedir estudos, resultados de laudos e adequações para a empresa, e, enquanto tudo isso é feito, o que está lá dentro está parado. Não há recomendação acerca do que está no mercado em relação a não usar, com exceção da maionese. Para esta, fizemos outra ação específica devido à matéria-prima vencida utilizada. Nesse caso, há necessidade de recolhimento”, complementa.

    A unidade ainda não apresentava a rastreabilidade de matéria-prima, processo responsável pelo acompanhamento dos ingredientes utilizados no alimento em todas as etapas da cadeia de abastecimento.

    “[não havia] Rastreabilidade, uma coisa muito importante, em que a fabricante precisa saber de onde vem a matéria-prima e em quais produtos ela usa cada matéria-prima e para onde vai cada produto”, detalha a gerente.

    Entenda o caso

    As atividades da fábrica da Fugini, em Monte Alto, no interior de São Paulo, foram suspensas após a ordem da Anvisa na quarta-feira, 29, que também determinou o recolhimento de um lote de maionese em nova decisão publicada no dia seguinte. Isso porque foi identificado uso de produto vencido na fabricação da maionese.

    A própria Fugini admitiu o uso de corante vencido na fabricação da maionese. “Por um erro operacional, esse lote de produtos foi fabricado com adição do ingrediente urucum (agente natural para dar cor ao produto) que representa 0,003% da formulação que estava fora da sua data de validade”, diz um trecho do comunicado da empresa.

  • Empresário Thiago Brennand, acusado de crimes sexuais, é preso em Abu Dhabi

    A Polícia Federal (PF) prendeu, na quinta-feira (13), o empresário Thiago Brennand, 42, em Abu Dhabi. A informação foi confirmada à CNN nesta sexta-feira (14) pela delegada Ivalda Oliveira Aleixo, do Departamento de Capturas da Polícia Civil de São Paulo.

    Inicialmente, a PF informou que a prisão havia ocorrido em Dubai. Contudo, a própria instituição corrigiu a informação e apontou que o local correto é Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.

    Thiago Brennand é acusado de lesão corporal, tentativa de feminicídio e corrupção de menores. A prisão preventiva foi decretada pela 6ª Vara Criminal de São Paulo no último dia 27, após o empresário não retornar ao país para cumprir as condições impostas pela Justiça. Ele aguardará os trâmites relativos ao processo de extradição.

    Em nota (leia íntegra abaixo), o Ministério Público de Estado de São Paulo (MP-SP) afirma que Thiago Brennand “cometeu os crimes de estupro (cinco vezes), cárcere privado, tortura, lesão corporal de natureza gravíssima, coação no curso do processo, constrangimento ilegal (três vezes), ameaça (quatro vezes), registro não autorizado da intimidade sexual e divulgação de cena de estupro ou sexo (oito vezes). O tatuador que, a pedido do empresário, colocou as iniciais dele na vítima foi denunciado pelos crimes de tortura e lesão corporal gravíssima”.

    A Interpol afirmou que não comentará o caso. Procurada pela CNN, a defesa de Thiago Brennand disse que não vai se manifestar.

    Leia a íntegra da nota do MP-SP
    Preso na noite de quinta-feira no exterior em virtude de ordem judicial expedida a pedido do Ministério Público de São Paulo no processo em que responde por lesão corporal e corrupção de menores, o réu foi alvo de nova denúncia apresentada pelo MPSP nesta sexta-feira (14/10).

    De acordo com a Promotoria de Porto Feliz, que pediu a decretação de nova prisão preventiva, ele cometeu os crimes de estupro (cinco vezes), cárcere privado, tortura, lesão corporal de natureza gravíssima, coação no curso do processo, constrangimento ilegal (três vezes), ameaça (quatro vezes), registro não autorizado da intimidade sexual e divulgação de cena de estupro ou sexo (oito vezes). O tatuador que, a pedido do empresário, colocou as iniciais dele na vítima foi denunciado pelos crimes de tortura e lesão corporal gravíssima.

    Relembre o caso
    Brennand foi flagrado por câmeras de segurança agredindo a modelo Helena Gomes dentro de uma academia em um shopping de São Paulo. O caso foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo e, desde então, várias outras vítimas sentiram-se encorajadas a denunciar o empresário.

    O empresário teve sua prisão decretada pela juíza da 6ª Vara Criminal de São Paulo Erika Soares de Azevedo Mascarenhas em 27 de setembro. Ele estava em Dubai desde o dia 4, com paradeiro desconhecido.

    Dez mulheres já teriam o denunciado pelos crimes de estupro, ameaça, lesão corporal e cárcere privado. Elas começaram a ser ouvidas pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) no último dia 26. Além dos casos de violência de gênero, Brennand é acusado de agredir um garçom de um restaurante dentro do condomínio de Porto Feliz (cerca de 35km de Sorocaba, interior de São Paulo).

    Na última terça-feira (11), Brennad publicou dois vídeos em um canal do YouTube, tentando se defender dos crimes que lhe são imputados.

    “Quem é hoje Thiago Brennand? Talvez um inimigo público, talvez um sociopata, talvez um estuprador. Será mesmo?”, diz o empresário.

    Durante a gravação, ele faz elogios a sua família e afirma que nunca teve qualquer antecedente criminal e que tampouco respondeu a qualquer processo. Brennand diz que não perdeu qualquer amizade e que usará de suas relações familiares para provar sua inocência.

    “Se eu não tivesse as amizades que fiz nessa vida, no Exército bem, estaria no cárcere, não teria albergue político.”

    No vídeo, Brennand revelou sua preferência política e declarou apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem faz elogios. Ele diz que se afastou da política por opção e que “se Deus quiser, vamos vencer no 2º turno”.

    “Sou branco, conservador, armamentista. Pela família, pela propriedade privada, pela disciplina, pelo respeito ao próximo, pela humildade, por colocar o homem no seu lugar e a mulher também”, afirma.

    Thiago Brennand assegura ter “várias provas” para rebater as acusações que pesam contra ele. “Vocês [em referência a todos os que foram mencionados no vídeo] vão pagar por tudo o que perdi aí. Estou absolutamente tranquilo. Não estou fugindo. Vocês mexeram com a pessoa errada.”

  • Polícia de São Paulo pede prisão do empresário Saul Klein por crimes sexuais

    No inquérito, que está em segredo de Justiça, a polícia indiciou o empresário, de 68 anos, e nove funcionários dele por sete crimes contra mais de uma dezena de mulheres.

    A polícia de São Paulo indiciou e pediu a prisão preventiva do empresário Saul Klein e mais nove pessoas por crimes sexuais contra mais de uma dezena de mulheres.

    A Justiça de Barueri, na Grande São Paulo, vai decidir se o empresário Saul Klein, de 68 anos, e nove funcionários dele serão presos ou vão responder ao processo em liberdade.

    No inquérito, que está em segredo de Justiça, a polícia indiciou o grupo por sete crimes: organização criminosa, tráfico de pessoas, estupro, estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição, manter casa de prostituição e promover trabalho análogo à escravidão.

    Em dezembro de 2020, algumas mulheres, ouvidas pelo Fantástico, deram detalhes das festas promovidas por Saul Klein.

    “A gente tinha que falar com voz fina, vozinha de criança. Tinha menina que tinha que andar de boneca pela casa.”

    “As novatas ficavam bem chocadas, não podiam ir embora, a casa era cercada de seguranças e muros.”

    As vítimas relataram à polícia abusos sexuais. Uma das moças disse: “Algumas meninas usavam medicamentos e misturavam com álcool, propositalmente, para aguentar a loucura.”
    A investigação concluiu que Saul Klein coordenava quatro grupos de pessoas envolvidas nos crimes. A polícia apurou que oito mulheres selecionavam as moças; dois funcionários falsificavam documentos quando as candidatas eram menores; oito homens faziam o transporte e a segurança das vítimas entre o escritório e duas mansões do empresário; e dois médicos – um cirurgião plástico e uma ginecologista – cuidavam das jovens.

    A advogada Priscila Pamela dos Santos defende 14 vítimas.

    “Como elas eram muito vulneráveis economicamente, era uma forma de mantê-las ali sob domínio. Nenhuma delas desenvolvia atividade de prostituição nem uma atividade sexual remunerada. Elas eram chamadas para prestarem serviços em eventos e aí quando elas ingressam num quarto é que é ‘opa, do que se trata isso tudo?’”, diz.

    A defesa disse que Saul Klein reafirma que ele nunca cometeu crime algum, que o indiciamento e o pedido de prisão divulgados na quinta-feira (28) são atos discricionários da autoridade policial, que não vinculam os demais atores processuais. A defesa disse ainda que tanto Saul Klein quanto sua defesa técnica respeitam o posicionamento da delegada titular da Delegacia de Defesa da Mulher de Barueri, mas entendem que a análise atenta e isenta dos elementos colhidos na investigação levará o Ministério Público e o Judiciário a concluírem por sua inocência.

    O empresário Saul Klein é filho de Samuel Klein, fundador das Casas Bahia. A Via, atual proprietária da empresa, disse que Saul Klein nunca possuiu qualquer vínculo ou relacionamento com a companhia. Saul vendeu sua parte societária na rede de lojas em 2009. A Via assumiu a gestão só em 2010. A companhia informa, ainda, que é uma corporação sem acionista controlador ou bloco de controle definido.

  • Líderes de grupo invasor de terras são presos em SP

    Líderes de grupo invasor de terras são presos em SP

    José Rainha Júnior e Luciano de Lima foram detidos em ação da Polícia Civil

    Dois líderes do grupo invasor de terras que se autodenomina Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) foram detidos na tarde de sábado (4) em ação liderada pela Polícia Civil paulista. As prisões foram comemorados pelo titular da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), Guilherme Derrite.

    Os dois integrantes presos são José Rainha Júnior e Luciano de Lima. Ambos foram detidos na região do Pontal do Paranapanema, no sudoeste do estado de São Paulo. Ex-membro do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Rainha é um dos fundadores da FNL, que surgiu em 2014.

    “Parabenizo os policiais envolvidos nessa missão, que contam também com o apoio da Polícia Militar para garantir a segurança em nosso estado”, afirmou Derrite por meio de postagem em seu perfil no Twitter.

    Em nota, a Polícia Civil paulista afirma que as prisões preventivas dos líderes do grupo invasor de terras ocorreu como forma de garantir a “paz no campo” do estado. Como justificativa para a ação, a corporação alega que houve prática de extorsões, além de uso de arma de fogo — inclusive fuzil.

    “Apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil” — Polícia Civil de São Paulo

    “As prisões preventivas têm como objetivo a interrupção do ciclo delitivo e promoção de prevenção geral e paz no campo”, afirma a Polícia Civil. “[A ação] visa a apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil, o que colocou em risco número indeterminado de pessoas“, complementa a corporação.

    Prisões após grupo invasor de terra agir no Carnaval

    Ainda no comunicado sobre as prisões de José Rainha Júnior e Luciano de Lima, a Polícia Civil de São Paulo garante que a operação deste fim de semana não tem relação com o que a FNL chamou de “Carnaval Vermelho”, quando nove propriedades foram invadidas no interior paulista — além de invasões em Mato Grosso do Sul e no Paraná.

    No “Carnaval Vermelho”, membros da FNL invadiram nove propriedades espalhadas por sete municípios de São Paulo:

  • Depois de comandar invasões, José Rainha é preso em São Paulo

    Depois de comandar invasões, José Rainha é preso em São Paulo

    José Rainha Júnior, líder do FNL, preso no sábado 

    Segundo a Polícia Civil, ele é investigado por extorsão de proprietários de terras

    A Polícia Civil de São Paulo prendeu José Rainha e Luciano de Lima, líderes da Frente Nacional de Luta (FNL), sob suspeita de extorsão de proprietários de terras na região do Pontal do Paranapanema, no oeste do Estado. A prisão ocorreu no sábado 4, na cidade de Mirante do Paranapanema. De acordo com a Polícia Civil (PC), também foram apreendidas armas supostamente usadas em conflitos agrários.

    A operação que resultou na prisão de Rainha e Lima começou na sexta-feira 3, a partir de mandados expedidos pela Justiça de São Paulo em inquérito que apurava a extorsão de pelo menos seis pessoas.

    Outro inquérito foi instaurado para apurar a conduta de pessoas que teriam expulsado os invasores de áreas na região. Nessa investigação, foram apreendidos dois fuzis calibre 556, duas espingardas calibre 12 e uma calibre 357, informou a PC.

    “As prisões preventivas têm como objetivo a interrupção do ciclo delitivo e promoção de prevenção geral e paz no campo”, declarou a corporação, em nota. Também disse que essas prisões não têm relação com “os atos decorrentes do Carnaval de 2023, quando um grupo invadiu nove propriedades rurais”. “Mas visa a apuração do ciclo de violência decorrentes de extorsões e dos disparos de arma de fogo, incluindo fuzil, o que colocou em risco número indeterminado de pessoas”, observou a PC.

    O secretário de Segurança do Estado de São Paulo, Guilherme Derrite, confirmou as prisões e destacou o papel dos policiais envolvidos na operação.

    A FNL negou que os dois líderes presos tenham praticado crimes e afirmou que as detenções têm “cunho político”. “Essa prisão de cunho político, tem nítida relação com a jornada de ocupações do Carnaval Vermelho, sendo um ato de retaliação aos lutadores do povo sem terra.” O grupo também pede a liberdade para os dois presos. “Exigimos a imediata liberdade e convocamos todos aqueles que lutam a se solidarizar, pois não podemos tolerar que o Estado haja (sic) de maneira arbitrária contra quem luta”, diz o comunicado da FNL.

    Associação de produtores x sem terra
    Na semana passada, a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) manifestou-se contra a invasão de fazendas promovida pela FNL. No sábado 16, mil famílias da FNL iniciaram o ato “Carnaval Vermelho”, atualmente concentrado nas cidades de Marabá Paulista, Sandovalina, Presidente Venceslau e Rosana, e atacaram produtores rurais.

    O ajuntamento diz reivindicar a destinação das áreas para estabelecer assentamentos da reforma agrária para trabalhadores sem terra.

    “Exigimos respeito com a classe dos produtores rurais e solicitamos que as instituições federais e estaduais envolvidas tratem o caso de acordo com o que a lei determina”, disse a ABCZ, em nota divulgada um dia depois das invasões. “Que o Judiciário cumpra o papel de assegurar o direito da propriedade privada, garantida na Constituição, tratando os fatos com agilidade.”