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  • Médica vai para cima de mãe de paciente e ameaça: ‘vontade de dar um murro na sua cara’;

    Médica vai para cima de mãe de paciente e ameaça: ‘vontade de dar um murro na sua cara’;

    Discussão começou após a mãe contar à profissional de saúde que a filha, de 3 anos, vomita com remédios via oral. A criança deixou o Pronto-socorro Doutor Taminato Tion, em Itariri, no interior de São Paulo, sem receber atendimento médico.

    Uma médica de 63 anos foi para cima da mãe de uma paciente em um pronto-socorro de Itariri, no interior de São Paulo. Ao g1, Aldeis Mikie, de 31 anos, contou que a filha, de 3, estava com febre e tosse e, por vomitar sempre que toma remédios, decidiu levá-la ao hospital. Assim que explicou à profissional de saúde que a menina vomitava com medicamentos via oral, as agressões verbais e ameaças começaram. A menina deixou a unidade sem ser atendida.

    As imagens obtidas pelo g1, nesta quinta-feira (13), mostram a médica apontando o dedo para Aldeis, que gravou a situação no PS Doutor Taminato Tion. Em determinado momento é possível escutar: ‘Garota, vontade de dar um murro na sua cara’, enquanto uma mulher, que não foi identificada, tenta acalmar os ânimos.

    A reportagem buscou contato com a médica, que não foi localizada até a publicação da matéria. Em depoimento à polícia, porém, disse que ao saber pela mãe da paciente, na madrugada de quarta-feira (12), que a menina vomitava ao tomar medicamentos, a orientou tentar novamente, momento em que teria sido ofendida com a frase: ‘Vai tomar no meio do seu c*’.

    A mulher relatou que a médica, de forma agressiva, disse que outra mãe tinha comparecido ao PS pelo mesmo motivo. Diante da reação inesperada, Aldeis começou a gravar a situação.

    Consta no Boletim de Ocorrência que as duas começaram a discutir no consultório e terminaram o bate-boca no corredor da unidade de saúde, quando a médica teria pegado o celular da mãe, que só foi recuperar o aparelho duas horas depois, com a intervenção da Polícia Militar (PM).

    Médica parte para cima de mãe de paciente e faz ameaças durante atendimento

    Vídeos apagados e filha traumatizada
    A mãe contou que a médica teria apagado os vídeos, mas conseguiu recuperá-los. Ela ressaltou que a filha não recebeu atendimento médico e está traumatizada, pois estava no colo durante a discussão.

    “Me senti humilhada, um lixo. A gente precisa do serviço, saí de madrugada para ir lá para ser atendida e saí chorando. O pior de tudo é o trauma que ela causou na minha filha, que não está comendo, dormindo direito, só chora, só quer ficar no colo. Não quer colo de mais ninguém, só quer ficar no meu, como se ela tivesse com medo de alguém fazer alguma coisa para mim”, disse a mãe.
    Tanto a médica quanto a mãe registraram um BO na Delegacia de Polícia de Itariri. O g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade, Polícia Militar (PM) e com o Conselho Federal de Medicina (CFM), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

    Posicionamentos
    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi registrado como desacato, calúnia, difamação e ameaça na Delegacia de Itariri, que investiga a situação.

    De acordo com a pasta, uma mulher de 31 anos e uma médica discutiram após a paciente solicitar medicação para a filha menor de idade. Na ocasião, um homem de 31 anos, invadiu o local aparentando estar alterado. Os envolvidos foram encaminhados à delegacia, onde prestaram depoimento.

    Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informa que, até o momento, não foi notificado oficialmente sobre o caso. Denúncias podem ser feitas pessoalmente ou por Correios, na sede ou delegacias regionais do Conselho.

    Após o recebimento da denúncia, o Conselho iniciará o processo para apuração do caso mencionado.

  • Cubano investigado por estelionato e agressão a mulheres é preso em Campos do Jordão

    Cubano investigado por estelionato e agressão a mulheres é preso em Campos do Jordão

    Homem foi levado para a delegacia de Taubaté e a audiência de custódia deve acontecer ainda nesta sexta-feira (14).

    Um cubano de 29 anos investigado por crimes como estelionato e violência doméstica foi preso na noite desta quinta-feira (13) em Campos do Jordão.

    O mandado de prisão preventiva cumprido contra Rodney Alfonso Olive Rodrigues foi expedido a pedido da 4ª Delegacia de Defesa da Mulher em São Paulo por descumprimento de medida protetiva da Lei Maria da Penha e ameaça.

    O homem ainda é investigado por crimes como fraude, estelionato e violência doméstica, segundo a Polícia Civil.

    A prisão foi feita por policiais de São Paulo, com o apoio de equipes de Campos do Jordão. Os policiais não informaram o local onde o rapaz foi rendido.

    O homem foi levado para a delegacia de Taubaté, onde prestou depoimentos e ficou à disposição da Justiça. A expectativa é que ele passe por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira (14).

    O advogado de Rodney informou apenas que a “defesa vai fazer o trabalho técnico, colaborando com a justiça”.

  • Deputados de SP vão investigar ‘epidemia de crack’, ‘golpe do Pix’ e ‘transição de gênero’ em CPIs

    Deputados de SP vão investigar ‘epidemia de crack’, ‘golpe do Pix’ e ‘transição de gênero’ em CPIs

    or regra, apenas cinco investigações podem acontecer ao mesmo tempo na Assembleia Legislativa. Todas as escolhidas foram propostas por deputados que integram a base de apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

    A Assembleia Legislativa de São Paulo, a Alesp, definiu os temas das cinco primeiras CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) que serão abertas no governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). A lista consta na edição do Diário Oficial desta sexta-feira (14) e entre elas estão investigações sobre epidemia de crack, golpe do Pix e transição de gênero.

    As cinco investigações abertas neste início de mandato foram propostas por deputados estaduais que integram a base de apoio do governador e contam com a assinatura do presidente da Casa, André do Prado (PL) — apoiador de Tarcísio.

    Segundo as regras da Assembleia, podem funcionar no máximo cinco comissões ao mesmo tempo, o que gerou tumulto para que as propostas fossem apresentadas no começo de março. Assessores parlamentares dormiram em uma fila para garantir o melhor lugar para protocolar os pedidos de CPIs.

    Veja as CPIs que serão abertas em SP:

    CPI da Enel no ABC – Thiago Auricchio (PL) – Apurar denúncias de problemas técnicos recorrentes na prestação de serviço de energia elétrica pela concessionária Enel na região metropolitana de São Paulo, em especial no ABC paulista.
    CPI dos Golpes do Pix – Itamar Borges (MDB) – apurar práticas de golpes envolvendo fraudes tanto por meio de transferências via Pix quanto por clonagem de cartões de crédito e de débito.
    CPI da Transição de Gênero – Gil Diniz (PL) – apurar a conduta de um tratamento realizado no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) para fazer a transição de gênero em crianças e adolescentes.
    CPI dos Deslizamentos de Terra – Fabiana Barroso (PL) – apurar quais políticas públicas estão sendo promovidas e quais deveriam ter sido realizadas em relação a deslizamentos de terra em encostas e morros no Estado.
    CPI da Epidemia de Crack – Paulo Correia Júnior (PSD) – apurar a “epidemia de crack” na capital paulista, mas também em outras cidades do Estado.
    Nesta sexta, a Alesp também definiu as comissões permanentes e as Frentes Parlamentares para o mandato até 2026 e os seus integrantes (veja as listas abaixo). Diferente das CPIs, estes grupos não têm limite de funcionamento em paralelo. Os deputados propõem a criação e são colocados como coordenadores dos trabalhos temáticos.

    Entre os anos de 2023 e 2026, a comissão Direitos Humanos será dividida entre apoiadores do bolsonarismo, como Gil Diniz (PL); o vice-líder do governo Tarcísio na Alesp, e Guto Zacarias (União Brasil); e deputados de esquerda, dentre os quais Eduardo Suplicy (PT) e Paula Nunes, da Bancada Feminista do PSOL.

    Comissões Permanentes:

    Comissão, Justiça e redação
    Finanças, orçamento e planejamento
    Saúde
    Educação e Cultura
    Assuntos desportivos
    Assuntos metropolitanos e municipais
    Infraestrutura
    Transportes e Comunicações
    Segurança pública e assuntos penitenciários
    Administração pública e relações do trabalho
    Meio ambiente e desenvolvimento sustentável
    Atividades econômicas
    Defesa dos direitos da pessoa humana, da cidadania, da participação e das questões sociais
    Ciência, tecnologia, inovação e informações
    Fiscalização e controle
    Defesa dos direitos do consumidor
    Defesa e dos direitos das mulheres
    Relações internacionais
    Defesa dos direitos das pessoas com deficiência
    Turismo
    Habitação, desenvolvimento e reforma urbana
    Frentes parlamentares propostas pela atual legislatura:

    Combate ao Crack (Altair Moraes – Republicanos)
    Combate ao Abuso e a Violência (Altair Moraes – Republicanos)
    Desenvolvimento Social e em prol do Bom Prato (Carla Morando – PSDB)
    Desenvolvimento Econômico, da Indústria e do Comércio (Carla Morando – PSDB)
    Em prol da Linha 20-Rosa do Metrô (Carla Morando – PSDB)
    Proteção e Defesa dos Animais (Rafael Saraiva – União Brasil)
    Proteção às Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (Rafael Saraiva – União Brasil)
    Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência e Doenças Raras (Valeria Bolsonaro – PL)
    Reforma Agrária, Agricultura Familiar, Extensão Rural, Segurança Alimentar e
    Regularização Fundiária (Márcia Lia – PT)
    Defesa da Habitação, Reforma Urbana e Regularização Fundiária Urbana (Márcia Lia – PT)
    Defesa da Democracia e dos Direitos (Márcia Lia – PT)
    Agronegócio Paulista (Itamar Borges – MDB)
    Empreendedorismo e Combate à Guerra Fiscal (Itamar Borges – MDB)
    Entidades Sociais, Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (Jorge Caruso – MDB)
    Apoio à Indústria da Construção e Mineração (Itamar Borges – MDB)
    Contra a Mulher, ao Feminicídio e aos Relacionamentos Abusivos (Márcio Nakashima – PDT)
    Gestão de Riscos e Desastres (Dr. Elton – PSC)
    Implementação de Escolas Militares (Tenente Coimbra – PL)
    Valorização do Trabalho Doméstico e de Cuidados (Ediane Maria – PSOL)
    Apoio de Combate ao Câncer (Valéria Bolsonaro – PL)
    Apoio aos Municípios do Grande ABC (Luiz Fernando Ferreira – PT)
    Apoio às Mães Atípicas (Atila Jacomussi – Solidariedade)
    Defesa da Baixada Santista, Vale do Ribeira e Litoral Norte (Tenente Coimbra – PL)
    Regularização Fundiária Urbana e Rural (Mauro Bragato – PSDB)
    Defesa Civil (Mauro Bragato – PSDB)
    Evangélica (Carlos Cezar – PL)
    Defesa dos Direitos da População LGBTI+ (Guilherme Cortez – PSOL)
    Defesa da Polícia Civil (Reis – PT)
    Defesa do IAMSPE e Hospital do Servidor Público Estadual (Reis – PT)
    Valorização dos Veteranos das Forças Armadas e Atiradores do Tiro de Guerra (Tenente Coimbra – PL)
    Defesa das Vítimas de Violência, seus Familiares e Pessoas Desaparecidas (Márcio Nakashima – PDT)
    Desenvolvimento das Regiões Metropolitanas (Luiz Claudio Marcolino – PT)
    Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação e sua Integração com o Mercado de Trabalho (Luiz Claudio Marcolino – PT)
    Apoio à Indústria Química e Farmacêutica (Luiz Claudio Marcolino – PT)
    Defesa da Habitação e do Direito à Cidade (Ediane Maria – PSOL)
    Combate às Mudanças Climáticas (Guilherme Cortez – PSOL)
    Defesa da UNESP (Guilherme Cortez – PSOL)
    Defesa dos Direitos das Pessoas com Epilepsia, Autismo, Alzheimer e Mal de
    Parkinson (Luiz Fernando Ferreira – PT)
    Defesa dos Direitos da Mulher (Thiago Auricchio – PL)
    Defesa da Assistência Farmacêutica (Thiago Auricchio – PL)
    Ambientalista em Defesa das Águas e do Saneamento (Marina Helo – Rede)
    Defesa do Turismo, das estâncias e Dos Municípios de Interesse Turístico (Edmir Chedid – União Brasil)
    Valorização e Defesa das Guardas Civis Municipais (Letícia Aguiar – PP)
    Apoio ao Desenvolvimento Regional da Indústria, Comércio e Serviços (Letícia Aguiar – PP)
    Combate à Pedofilia, Erotização Infantil e Violência Doméstica (Letícia Aguiar – PP)
    Cannabis Medicinal e Cânhamo Industrial (Caio França – PSB)
    Apoio à Adoção (Caio França – PSB)
    Defesa das Universidades Públicas e dos Institutos de Pesquisa (Beth Sahão – PT)
    Defesa da Educação Básica e da Cultura Popular (Professora Bebel – PT)
    Criação de Institutos Federais e Universidades (Professora Bebel – PT)
    Portos de Santos e São Sebastião (Paulo Correa Jr – PSD)
    Combate à Corrupção (Agente Federal Danilo Balas – PL)
    Empoderamento da Mulher (Maria Lúcia Amary – PSDB)
    Enfrentamento às IST/HIV/Aids, Hepatites Virais e Tuberculose (Maria Lúcia Amary – PSDB)
    Assuntos Esportivos (Felipe Franco – União Brasil)
    Apoio ao E-sports e Profissionais do Setor (Felipe Franco – União Brasil)
    Defesa da População em Situação de Rua e do Sistema Único da Previdência
    Social (Dr. Jorge do Carmo – PT)
    Apoio às Vítimas e de Combate às Enchentes na Zona Leste da capital e nos Municípios do Alto Tietê (Dr. Jorge do Carmo – PT)
    Defesa das Famílias Moradoras em Áreas de Risco (Dr. Jorge do Carmo – PT)
    Apoio aos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (Agente Federal Danilo Balas – PL)
    Defesa da Mobilidade Cicloviária (Sebastião Santos – Republicanos)
    Desenvolvimento Tecnológico, Implantação de Cidades Inteligentes e Expansão de Projetos de Energia Renovável e Sustentável (Sebastião Santos – Republicanos)
    Contra a Privatização da Sabesp (Emídio de Souza)
    Defesa dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana (Mônica Seixas – PSOL)
    Combate ao Racismo (Mônica Seixas – PSOL)
    Defesa de Políticas Afirmativas nas Universidades Públicas (Mônica Seixas – PSOL)
    Apoio às Lojas de Materiais de Construção (Dani Alonso – PL)
    Desenvolvimento do Centro- Oeste Paulista (Dani Alonso – PL)
    Defesa de uma Reforma Tributária Justa/Inclusiva, que estimule a produtividade, investimento e o aumento do emprego/renda (Teonilio Barba – PT)
    Apoio ao Programa Minha Casa Minha Vida (Teonilio Barba – PT)
    Defesa da Economia Popular Solidária (EPS) e Cooperativismo (Teonilio Barba – PT)
    Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Econômico (Gerson Pessoa – Podemos)
    Católica (Gil Diniz – PL)
    Defesa da Cultura e Economia Criativa (Leci Brandão – PCdoB)
    Primeira Infância (Marina Helou – Rede)
    Defesa dos Direitos das Crianças e Adolescentes (Thainara Faria – PT)
    Defesa do Direito à Permanência Estudantil no Ensino Superior (Thainara Faria – PT)
    Apoio aos Rodeios e Provas Equestres no Estado (Dani Alonso – PL)
    Defesa do Setor de Energia, Barragens, Saneamento Básico e Recursos Hídricos (Enio Tatto – PT)
    Defesa da Juventude Negra e Periférica (Paula Nunes – PSOL)

     

  • Relatório da Defensoria Pública aponta violações de direitos humanos em ações da Prefeitura de SP na região da Cracolândia

    Relatório da Defensoria Pública aponta violações de direitos humanos em ações da Prefeitura de SP na região da Cracolândia

    Documento cita que atuação da Guarda Civil Metropolitana é violenta e desrespeita regras definidas em decreto e portaria municipais. Administração diz que não compactua com condutas inadequadas, e que atuação da GCM é pautada no respeito à dignidade das pessoas.

    A Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirmou em um relatório enviado à Prefeitura da capital paulista ter encontrado violações de direitos humanos ao cumprimento de regras definidas pela própria administração municipal durante os trabalhos de atendimento e tratamento à população de rua e usuários de drogas na região da Cracolândia, no Centro da Cidade.

    No documento, obtido em primeira mão pela GloboNews, o Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado afirma que a Guarda Civil Metropolitana, em boa parte pela equipe de Inspetoria Regional de Operações Especiais (IOPE), tem realizado revistas e triagem dos frequentadores da Cracolândia e que “o ingresso ao espaço é feito de forma violenta e cercando as possíveis saídas da rua onde há maior concentração de pessoas, o que leva a uma rápida dispersão daqueles que se encontram ao local”.

    Segundo os defensores, mesmo caracterizada como uma ação de zeladoria, a GCM não acompanha os trabalhos para colaborar na mediação de conflitos e assegurar a proteção de todos os envolvidos nas ações, como funcionários, população em geral e em situação de rua, e que maioria das pessoas abandona seus pertences e não tem a possibilidade de obter o número do lacre para recuperação dos bens, como define o decreto municipal.

    “É certo que a atuação da Guarda Civil Metropolitana com seus armamentos ostensivos, agressividade e arbitrariedade em um território marcado por altíssimos índices de vulnerabilidade (com a gravíssima conjugação de pobreza, violência extrema, consumo habitual e problemático de drogas, especulação imobiliária e exploração política) em nada contribui com o êxito de operações de limpeza urbana. Ao contrário, atua no sentido de ampliar a conflituosidade no espaço urbano, aumentar a violência contra a população vulnerável e amplia a degradação urbana local. Tudo isso com alto custo para o erário público, sem nenhuma eficácia comprovada ou planejada e de forma a violar direitos fundamental.”, cita o documento.

    Procurada pela GloboNews, a Prefeitura de São Paulo não comentou o relatório da Defensoria Pública, mas afirmou que não compactua com condutas inadequadas e que, desde 2002, a corporação conta com uma Corregedoria Geral, responsável por apurar rigorosamente todos os casos suspeitos de desvios de conduta de seus agentes.

    Em nota, a Prefeitura afirmou ainda que a atuação da Guarda Civil Metropolitana “é pautada no respeito aos direitos humanos e na dignidade das pessoas”.

    Vídeos mostram abordagens
    Vídeos anexados ao relatório mostram os guardas civis metropolitanos usando máscaras, cassetes e escudos. Na revista no dia 4 de abril de 2023 realizada em usuários de drogas que permanecem mesmo após a dispersão, os GCMs conversa com um dos frequentadores apontando o cassete para os pertences dele.

    O que se observa é que ele aponta quais itens ele pode levar consigo. A Defensoria diz que as abordagens são arbitrárias e que flagrou o momento em que um guarda exigia, por exemplo, notas fiscais de carrinhos de supermercado.

    Em outro vídeo, vans da Prefeitura chegam após a abordagem e revista feitas pelos guardas, o que viola as regras municipais.

    O Núcleo de Direitos Humanos ressalta no relatório que a função da Guarda Civil é a de “acompanhar as ações de zeladoria, atuando, exclusivamente, na salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e agentes públicos que realizam a ação e na preservação dos direitos das pessoas afetadas pelas ações de zeladoria”.

    Além disso, o documento cita que pessoas ouvidas pela Defensoria relataram que as operações de zeladoria ocorrem duas vezes ao dia sem qualquer aviso prévio.

    “As próprias equipes dos serviços de abordagem social (SEAS) não são informadas do horário das ações, o que acaba interferindo na possibilidade de realizar abordagens e construir vínculos com usuário, já que as operações implicam na dispersão do fluxo e nas dificuldades de estabelecer relações de confiança entre os agentes da assistência social e usuários”.

    Os defensores fizeram a fiscalização porque receberam denúncias de violação de direitos humanos no local e porque um procedimento administrativo aberto pelo órgão em 2015 acompanha o cumprimento por parte da Prefeitura.

    Em um ofício enviado na terça-feira (10) ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e à secretária de Segurança Urbana, Elza Paulina de Souza, a Defensoria Pública dá um prazo de 10 dias para que eles respondam a cinco questionamentos.

    Entre eles está o pedido de explicações sobre o fato de a Guarda Civil Metropolitana ter realizado a limpeza urbana, triagem e revista das pessoas no local, e não agentes da limpeza urbana.

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, porem, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro. Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias e Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, espalhando eles pela cidade.

    Recentemente, a proposta sobre a internação compulsória de usuários de crack e outras drogas que frequentam e moram na região da “Cracolândia” voltou a ganhar força dentro da Prefeitura da capital.

    Segundo apurado pela GloboNews, a equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB) está convicta de que não há outra alternativa para tratamento de dependentes que frequentam o local a não ser a internação mediante determinação judicial.

  • Paulo Cupertino, acusado de assassinar ator Rafael Miguel e família, irá a júri popular em SP

    Paulo Cupertino, acusado de assassinar ator Rafael Miguel e família, irá a júri popular em SP

    Data ainda não foi definida pela Justiça. Empresário fugiu após matar ator e pais dele em 2019 e se escondeu com identidades falsas até ser capturado na cidade de São Paulo. Dois amigos de Cupertino também vão ser julgados por terem colaborado com a fuga.

    A Justiça decidiu mandar a júri popular Paulo Cupertino, o empresário acusado de matar Rafael Miguel e os pais do ator em 2019. A decisão, de 5 de abril, é do juiz Ricardo Augusto Ramos e foi confirmada nesta quarta-feira (12).

    A data do julgamento, porém, não havia sido divulgada até a última atualização desta reportagem. Cupertino é acusado de triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. De acordo com o Ministério Público, ele matou as vítimas porque não aceitava o namoro de sua filha com o artista.

    Além dele, dois amigos do empresário, que são réus no mesmo processo, foram interrogados no ano passado e negaram ter ajudado o assassino a fugir e se esconder após o crime cometido em 9 de junho de 2019, na Zona Sul da capital paulista.

    Cupertino foi pronunciado pelos três homicídios, e os dois amigos dele, pelo crime previsto no artigo 348 do Código Penal, quando se ajuda um criminoso a fugir. A defesa de um dos amigos já tentou desmembrar o processo para que ele fosse julgado em outra ação, mas o pedido foi negado.

    A defesa de cada um deles poderá entrar com recursos próprios e pedir julgamentos em separado.

    Paulo Cupertino
    Cupertino está detido atualmente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, na Grande São Paulo. Ele responde preso preventivamente pelos crimes de triplo homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa das vítimas.

    Durante seu interrogatório, no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste, o empresário não quis responder as perguntas feitas pelo Ministério Público. Ele se reservou ao direito legal de ficar em silêncio.

    O crime

    Câmeras de segurança gravaram Cupertino atirando 13 vezes em Rafael, de 22 anos, no pai dele, João Alcisio Miguel, de 52, e na mãe do artista, Miriam Selma Miguel, de 50. Segundo o Ministério Público, o empresário cometeu os assassinatos por ciúmes: não aceitar o namoro da filha, Isabela Tibcherani, com Rafael. Na época, a estudante tinha 18 anos.

    Isabela e sua mãe, Vanessa Tibcherani, ex-esposa de Cupertino, presenciaram a chacina. As duas estavam próximas à casa em que moravam, numa rua do bairro da Pedreira, mas não foram atingidas pelos disparos.

    Mais câmeras registraram o momento em que o assassino fugiu. Cupertino chegou a se esconder em outros estados e países. Ele só foi preso quase três anos após o crime, em 17 de maio deste ano, quando a Polícia Civil o encontrou escondido e disfarçado num hotel em São Paulo.

    Ajuda de amigos

    Cupertino chegou a dizer aos jornalistas que acompanharam sua prisão que ele é “inocente” e não matou “ninguém”. Apesar disso, ficou em silêncio quando foi interrogado na delegacia e não falou nada sobre o assassinato e sua fuga.

    De acordo com as investigações do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo, ao menos quatro amigos de Cupertino o ajudaram a fugir e se esconder após matar Rafael e seus pais.

    Dois deles são acusados de favorecimento pessoal: Eduardo Jose Machado, o “Eduardo da Pizzaria”, dono de uma pizzaria na Zona Sul de São Paulo, e Wanderley Antunes Ribeiro Senhora, que morava em Sorocaba, no interior paulista.
    Diferentemente de Cupertino, respondem ao crime em liberdade e negaram o crime.

    ‘Sou inocente; minha filha me condena’, diz Paulo Cupertino ao ser preso em SP

    Até a última atualização desta reportagem, o g1 não conseguiu localizar as defesas de Cupertino, Eduardo e Wanderley para comentarem o assunto.

    Os outros dois amigos que são investigados pela polícia de ajudar Cupertino a fugir e se esconder são o dono de uma chácara em Mato Grosso e um fazendeiro no Paraguai. Não há a confirmação, porém, se eles chegaram a ser responsabilizados por algum crime.

    Isabel Tibcherani e Rafael Miguel eram namorados até o pai dela matar o ator a tiros em 2019

    Em outras oportunidades, a Defensoria Pública informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que só se manifestaria nos autos do processo.

    A pedido da Defensoria, a Justiça convocou o filho adolescente de Cupertino para falar como testemunha de defesa, mas o garoto não compareceu por orientação de seus advogados, que também defendem os interesses de Isabela, a filha do empresário. Ela quer a condenação do pai, com quem cortou relações.

    Atualmente, Cupertino é representado por um advogado particular.

    Quem era Rafael Miguel
    Rafael era conhecido na mídia por ter interpretado o personagem Paçoca na novela “Chiquititas”, do SBT, e trabalhado em um famoso comercial em que uma criança pede brócolis à mãe.

    Ele também atuou em novelas da Globo, como “Pé na Jaca”, “Cama de Gato” e o especial de fim de ano “O Natal do menino imperador”.

  • Polícia do DF prende atores pornôs que extorquiam dinheiro de homens casados sob ameaça de divulgar fotos e conversas

    Polícia do DF prende atores pornôs que extorquiam dinheiro de homens casados sob ameaça de divulgar fotos e conversas

    Suspeitos faziam anúncios em sites de garotos de programa para atrair vítimas, geralmente empresários e servidores públicos do alto escalão. Após ganhar confiança dos possíveis clientes, eles ameaçavam divulgar fotos íntimas para esposas e familiares.

    Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal resultou na prisão de dois atores pornôs suspeitos de extorquir homens casados. Nesta quinta-feira (13), os investigados foram detidos em São Paulo.

    De acordo com a investigação, os suspeitos faziam anúncios em sites de garotos de programa para atrair vítimas. Em seguida, por meio de aplicativos de troca de mensagens, eles ganhavam a confiança dos possíveis clientes e levantavam informações pessoais que poderiam ser usadas na extorsão.

    O crime foi cometido contra pessoas de várias unidades da federação (veja mais abaixo). No Distrito Federal, o foco dos suspeitos eram empresários e servidores públicos “do alto escalão”.

    Segundo a Polícia Civil, os investigados trocavam fotos íntimas com as vítimas para poder chantageá-las. “Os autores visavam pessoas com condições financeiras elevadas e que fossem casados”.

    Além dos mandados de prisões temporárias, os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão. As ações foram realizadas em São Paulo capital.

    Os policiais identificaram vítimas em:

    Brasília (DF)
    Macaé (RJ)
    Rio de Janeiro (RJ)
    Belo Horizonte (MG)
    Florianópolis (SC)
    São Paulo (SP)
    Maringá (PR)
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    Extorsão
    Os policiais informaram ainda que, quando os suspeitos identificavam uma vítima e conseguiam material suficiente para chantageá-la, passavam a pedir transferências bancárias.

    “Geralmente em valores que giravam em torno de R$ 3 mil a R$ 10 mil”, disse a Polícia Civil.
    Os investigados ameaçavam as vítimas que iriam expor o material íntimo aos familiares, especialmente esposas e companheiras, empregadores e outras pessoas próximas. Os investigados ainda conseguiam, por meio da “darkweb”, dados dos homens casados que eram usados contra eles, como endereço, nome completo e profissão.

    A operação, batizada de “Laqueus” (armadilha, em latim), foi conduzida pela 5ª Delegacia de Polícia, na Área Central de Brasília, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.

    Os presos vão responder pelos crimes de extorsão, podendo ser condenados até a 15 anos de prisão para cada vítima identificada.

  • Banco indenizará funcionária por transtorno psicológico após assalto

    Banco indenizará funcionária por transtorno psicológico após assalto

    Colegiado decidiu pela condenação da agência por considerar que a atividade bancária é de risco acentuado, caracterizando a responsabilidade objetiva pelos assaltos ocorridos.

    A 7ª turma do TST reconheceu a responsabilidade do Banco Santander pelo transtorno depressivo severo desenvolvido por uma coordenadora de operações após assalto à agência em que trabalhava, em Vila Prudente, em São Paulo/SP. Por essa razão, o banco foi condenado a pagar R$ 60 mil a título de reparação.

    Segundo relatou a bancária na ação, a agência foi assaltada na tarde de 13/9/06 por sete homens fortemente armados, além de outros à espreita do lado de fora. Com falsas credenciais de policiais militares, eles entraram no local e renderam seguranças, funcionários e clientes. 

    “Sob ameaça de armas de fogo de grosso calibre, todos foram obrigados a se deitarem no chão”, contou. Refém por cerca de 30 minutos, ela teve seus pertences pessoais também levados pelos assaltantes. Após o episódio, passou a apresentar síndrome depressiva decorrente do grave estresse sofrido. 

    Com base em laudo pericial, o juízo de primeiro grau deferiu indenização de R$ 50 mil por danos morais referentes ao transtorno psicológico e às lesões por esforço repetitivo no punho e no ombro direito, também alegado pela bancária. 

    O  TST da 2ª região elevou para R$ 60 mil a indenização relativa à doença ocupacional, mas afastou a reparação pelo transtorno psicológico causado pela assalto. Para o TRT, as instituições bancárias só podem ser responsabilizadas nessas situações quando for demonstrada a ausência dos equipamentos de segurança mínimos exigidos pela legislação. Segundo a decisão, os responsáveis pelo dano seriam os assaltantes, e não o banco, a quem não se poderia atribuir a obrigação estatal de zelar pela segurança dos cidadãos.

    O relator do recurso de revista da trabalhadora, ministro Agra Belmonte, ressaltou que, de acordo com a jurisprudência do TST, a atividade bancária é de risco acentuado, caracterizando a responsabilidade objetiva (quando não exige demonstração de culpa da empresa) pelos assaltos ocorridos. Segundo o ministro, o TST entende que é do empregador a responsabilidade objetiva pelos danos sofridos pelos empregados nas situações em que o dano é potencialmente esperado, como no caso.

    Em razão das peculiaridades do caso, o colegiado arbitrou a indenização em R$ 60 mil. A decisão foi unânime.

    Processo: ARR-535700-15.2006.5.02.0090 

     

  • CNJ deve julgar nesta terça conduta de juiz filmado enquanto agredia e humilhava a mulher

    CNJ deve julgar nesta terça conduta de juiz filmado enquanto agredia e humilhava a mulher

    Conselho pode decidir pelo afastamento de Valmir Maurici Júnior, da 5ª Vara Cível de Guarulhos. Corregedoria do CNJ abriu reclamação disciplinar contra ele após g1 revelar o caso. Na semana passada, em outro procedimento, corregedor do Tribunal de Justiça de São Paulo já havia afastado o magistrado. Defesa do juiz nega ‘veementemente todas as acusações’.

    O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) deve decidir nesta terça-feira (11) se afasta o juiz Valmir Maurici Júnior, da 5ª Vara Cível de Guarulhos, na Grande São Paulo, que aparece em vídeos agredindo e humilhando a mulher.

    O plenário do CNJ se reúne a partir das 9h, e o caso do juiz está entre os temas da pauta. A GloboNews apurou que o corregedor do conselho, ministro Luís Felipe Salomão, vai submeter ao plenário o afastamento de Maurici Júnior.

    Em 2 de abril, Salomão sustentou que as eventuais infrações do juiz apontam para “a violação do dever de manutenção de uma conduta irrepreensível na vida pública e particular, afrontando, entre outras, “as regras de dignidade, honra, decoro e integridade (…) que devem nortear a conduta de todos os magistrados”.

    Na prática, Maurici Júnior já está afastado das funções desde 3 de abril em razão de outro procedimento, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Na ocasião, o desembargador Fernando Antonio Torres Garcia, corregedor do TJ, decidiu pelo afastamento provisório do juiz. A decisão será submetida ao Órgão Especial do TJ na próxima quarta (12).

    Os procedimentos em andamento no CNJ e no TJ são autônomos, informou o CNJ.

    O caso foi revelado pelo g1, que obteve vídeos que mostram as agressões, ocorridas na casa em que os dois moravam, em Caraguatatuba, no Litoral Norte de SP (veja trechos acima). A mulher o acusa de violência física, sexual e psicológica.

    Em um dos vídeos obtidos, o juiz dá um tapa na cabeça da esposa; em outro, ele dá empurrões, chute e a xinga, e ela cai no chão; ambos foram gravados com um celular dela — segundo ela, em outubro de 2022. Em um terceiro vídeo, de abril de 2022, aparentemente gravado pelo próprio juiz, ele a submete a uma relação sexual — segundo ela, não consentida por não ter tido opção de escolha.

    A vítima e Maurici Júnior se casaram em 2021. A mulher, de 30 anos, diz que saiu de casa em 23 de novembro; o casal está em processo de separação. A violência começou depois dos seis primeiros meses de relação, segundo a defesa dela.

    Em janeiro, ela obteve medida protetiva na Justiça, com base na lei Maria da Penha, que proíbe o juiz de se aproximar e de manter contato com a mulher e com pais e familiares dela. Na mesma decisão, Maurici Júnior, 42 anos, também foi obrigado a entregar a arma a que tem direito por ser magistrado.

    O Ministério Público de São Paulo abriu investigação sobre o caso.

    O g1 apurou que o MP trata “os fatos noticiados” como “gravíssimos” e que o juiz “demonstrou comportamento violento, manipulador, desviado, e que potencialmente colocaria em risco” a integridade da vítima e dos seus parentes. No mesmo parecer, o MP trata a mulher como “vítima” e o juiz, como “investigado”.

    O procedimento está no Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo, órgão responsável por casos do tipo de acordo com a Lei Orgânica da Magistratura.

    A defesa do juiz nega “veementemente os fatos que lhe são imputados ” (veja resposta na íntegra mais abaixo).

    Valmir Maurici Júnior, juiz de direito acusado pela esposa de violência física, sexual e psicológica

    Relação
    Em entrevista ao repórter Giovani Grizotti no dia 27 de dezembro, a vítima conta que conheceu o juiz em outubro de 2020, quando, segundo ela, ele vivia em Santa Catarina e ela, no interior de São Paulo. Em dezembro de 2021 ela se mudou para Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, para morar com Maurici Júnior.

    “Eu conheci ele quando ele me mandou uma mensagem pelas redes sociais e me convidou para jantar. Na época, ele morava em Santa Catarina. Eu ficava muito com ele em Santa Catarina. E ele era uma pessoa encantadora. Parecia um príncipe (…) eu fiquei muito apaixonada”, disse.
    A relação dos dois, conta, começou a ficar violenta aos poucos, e ela não queria o fim da relação:

    “Ele sempre falou do sexo com força, mas eu não entendia o que era isso. Eu sofri todo tipo de violência com ele. Violência sexual, moral, física, psicológica. Ele usava de vários mecanismos para me deixar confusa. Ele falava: é só dar um tapa. Eu consegui perceber que saiu do contexto sexual quando eu tava na cozinha, fazendo alguma coisa, ele me dava um tapa na cara, puxava meu cabelo”, afirmou.
    Registros no cofre
    Ela afirma que não tinha provas da violência. Foi então que ela colocou o celular no quarto, na direção da cama, para tentar flagrar agressões. A mulher conseguiu filmar um tapa dado nela pelo juiz enquanto os dois estavam deitados na cama. Também registrou xingamentos e empurrões, quando ela estava na frente dele perto da porta do quarto. Ambos os registros são de 2 de outubro de 2022, de acordo com ela (veja no vídeo acima).

    Ao sair de casa, ela levou consigo um cofre que, segundo ela, Maurici Júnior mantinha no escritório da casa. Dentro, havia, entre outros arquivos, um vídeo aparentemente filmado pelo próprio juiz. Segundo a vítima, o vídeo foi gravado em 10 de abril de 2022.

    O g1 teve acesso ao vídeo, que mostra os dois durante uma aparente relação sexual em que a vítima aparece deitada sobre uma cama, de costas, e com os pés e mãos amarrados. Na cama, ao lado da vítima, há uma folha de papel com itens que o juiz vai riscando aos poucos — segundo a mulher, são os motivos pelos quais, para ele, ela deveria ser castigada. É possível ouvir a voz de Maurici Júnior, que dá tapas nas nádegas da vítima com uma palmatória.

    Há, então, o seguinte diálogo:

    Valmir Maurici Júnior: “Você se faz de cretina como meio de vitimização… você quer parar? Tá chorando?

    Vítima: ela sinaliza que não com a cabeça: “Não tem dor no corpo”, diz.

    Valmir: “Dor no que?”

    Vítima: “Na alma”.

    Valmir: “Mas a gente tá fazendo o corpo doer pra alma sarar”.

    No final da gravação, ele pergunta se a mulher gostaria de ser “penetrada”, e ela mexe a cabeça em sinal de positivo.

    Em entrevista, a vítima disse que não consentia com relações assim e que não tinha opção:

    “Na verdade, eu nunca consenti com aquelas coisas. Eu não tinha opção. Então, a violência eu nunca consenti com nenhuma violência. Mas eu era casada”, disse a mulher. Ela afirmou ter ficado dois dias de cama depois da cena. E que “não tinha nada de fetiche” na situação.
    O fato de a mulher ter levado o cofre da casa do casal fez Valmir Maurici Júnior acusar a esposa de furto qualificado. O advogado Luciano Katarinhuk, que defende a mulher, diz que a casa era dela também, porque ambos viviam juntos, e que não houve furto. O material do cofre foi encaminhado para perícia pelo Ministério Público.

    Nele estavam, entre outros, fotos em que o juiz aparece carimbando nas nádegas mulheres com o carimbo funcional. Valmir Maurici Júnior também filmava mulheres escondido.

    A Polícia Civil pediu o arquivamento do inquérito contra a mulher. O Ministério Público decidirá se oferece ou não denúncia à Justiça sobre o caso.

    A vítima conta que tentou manter o casamento, mas foi entrando em desespero e chegou a tentar suicídio:

    “Passava pela minha cabeça: por que eu to passando por isso? (…) Por que ele faz isso comigo? Eu tinha vergonha. Eu só queria manter meu casamento. Não queria ser julgada socialmente pelas pessoas. Eu só queria que aquilo acabasse logo. Era horrível. Um sentimento de culpa muito grande. De acreditar que de certa forma eu merecia aquilo. Eu cheguei a tentar suicídio.”
    Ela dizia se sentir culpada na relação e que era humilhada pelo juiz:

    “Eu queria morrer. As acusações eram muito grandes, sabe? Nunca ele estava errado. Era sempre a minha culpa. Do jeito que ele falava, do jeito que me humilhava, me chamava de burra, de fraca, que era patética. Intelectualmente ele destruía. E eu não aguentava, porque isso era todos os dias”, afirmou.
    ‘Pessoas influentes e poderosas’
    Ela disse que, ao sinalizar ao marido que o denunciaria, ele a intimidou mencionando a própria rede de contatos:

    “Ele falava: pode ir pra polícia. Leve seus vídeos. Quando você chegar na delegacia, eu vou ser avisado. Porque eu sou um juiz, e você é só mais uma mulher louca. Não vai acontecer nada comigo. Eu nunca vou preso, eu tenho os amigos certos, pessoas influentes e poderosas. Você só vai passar vergonha, você vai ser ridicularizada”.
    Além de magistrado do Tribunal de Justiça, Maurici Júnior foi professor do curso de juiz de direito no cursinho Complexo de Ensino Renato Saraiva (Cers). Diante da denúncia exclusiva revelada pelo g1, o Cers disse que que “repudia qualquer ato de violência contra a mulher”.

    A mulher vive longe de São Paulo atualmente. Em razão da medida protetiva, Valmir Maurici Júnior não pode manter contato com ela, com os pais dela e com familiares, nem se aproximar deles. Ela teve episódios de depressão, ansiedade e, em dezembro, chegou a ser internada com quadro psicótico, de acordo com laudos médicos a que o g1 teve acesso.

    Sobre como vai tocar a vida, a mulher afirma:

    “Eu não tenho vida mais. Perdi vontade de tudo, perdi vontade até de viver”. Questionada sobre o que a confortaria, respondeu: “Saber que outras mulheres não vão passar o mesmo que eu passei. Porque é um preço muito alto (…) A gente nunca… uma mulher não entra num relacionamento pensando que vai ser abusada e violentada de várias formas. Eu entrei com um sonho e eu saí com um pesadelo.”
    O que diz o juiz citado
    Juiz Valmir Maurici Júnior

    “A defesa técnica do magistrado, por seus advogados Marcelo Knopfelmacher e Felipe Locke Cavalcanti, nega veementemente os fatos que lhe são imputados e repudia com a mesma veemência vazamentos ilegais de processos que correm em segredo de Justiça.”

     

  • Ceará divulga vídeo de ladrões levando cofre de sua casa em SP durante assalto: ‘pode ser gente conhecida’, diz

    Ceará divulga vídeo de ladrões levando cofre de sua casa em SP durante assalto: ‘pode ser gente conhecida’, diz

    Câmeras de segurança da residência do humorista e da modelo Mirella Santos registraram a chegada e saída dos criminosos. No relato, ele comenta que os cachorros da família ‘abanaram o rabo’ para os assaltantes. Polícia investiga o caso.

    O humorista Francisco Wellington de Moura Muniz, conhecido como Ceará, divulgou nas redes sociais vídeos que mostram o momento em que um grupo de assaltantes invade sua casa em São Paulo e leva o cofre da residência.

    As imagens foram feitas por câmeras de segurança. Nelas, é possível ver os homens entrando pela garagem, onde está o cachorro da família.

    No relato, o humorista comenta que o cachorro “abana o rabo” para os ladrões e que, por isso, existe a suspeita de que o crime tenha sido cometido “por gente conhecida”.

    Na segunda (10), em postagem nas redes sociais, a modelo e influenciadora Mirella Santos, esposa de Ceará, contou que a casa da família foi arrombada e furtada na noite de sexta (7), enquanto eles viajavam.

    “Roubaram todos os nossos pertences, coisas que a gente trabalhou muito, muito. Eu vim de família simples, eu ralei muito para conquistar minhas coisas, sei como é difícil, porque nada foi fácil para [a] gente. Eu estou muito triste, muito nervosa, não paro de tremer”, lamentou ela em publicações no Instagram.
    Mirella informou que contatou a polícia já na sexta e está sendo auxiliada pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic).

    Em nota enviada ao g1, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que o caso está sob investigação e que a polícia trabalha para identificar e prender os autores do crime, assim como para recuperar os itens furtados. Informou ainda que detalhes serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.

    Pertences furtados

    Mirella Santos e Wellington Muniz relataram assalto à residência do casal na cidade de SP

    Segundo Mirella, os assaltantes levaram, além de um cofre, presentes de valor sentimental para a família:

    “Eram presentes da minha filha, da infância dela, aliança do meu avô, que já faleceu. São afetivas e que marcam a gente, que eu guardava com o maior carinho. A aliança de noivado que meu marido me deu, os presentes da minha filha que eu sempre guardei com o maior carinho”, contou.

    “É revoltante ver um filho da p… entrar na tua casa como se nada tivesse acontecido, sendo que minha casa tem vigilância. Eu pago vigia da rua, eu pago tudo e ninguém vê”, desabafou Mirella enquanto chorava. “Eles arregaçaram tudo, porque sempre foi tudo trancado.”

    Marido de Mirella, o humorista Wellington Muniz, conhecido como Ceará, disse que não houve violência física ou psicológica, já que a casa estava vazia no momento do crime.

    “A gente tem essas imagens da hora que eles entraram e a gente vai mostrar. E o que eu estou mais chateado aqui, gente, é que, pasmem, pelas imagens que nós temos aqui das câmeras, eles entraram na sexta-feira num horário que não era de madrugada”, afirmou.

  • Adolescente de 13 anos é achada morta com sinais de espancamento no interior de SP; mãe e padrasto foram presos

    Adolescente de 13 anos é achada morta com sinais de espancamento no interior de SP; mãe e padrasto foram presos

    Segundo BO, Yasmim Carvalho foi achada desacordada dentro de casa em Sarutaiá (SP) e levada ao hospital, onde foi constatado que ela pode ter sido agredida com pedaços de madeira.

    A Polícia Civil está investigando o caso de uma adolescente de 13 anos que foi encontrada morta com sinais de espancamento em Sarutaiá, no interior de São Paulo, no domingo (9). O padrasto e a mãe da vítima, de 28 e 30 anos, foram presos suspeitos de terem cometido as agressões.

    De acordo com o boletim de ocorrência, ao chegar em casa, a mãe de Yasmim de Souza Carvalho teria encontrado a filha desacordada e bastante machucada. Uma equipe de resgate foi acionada e levou a adolescente ao pronto-socorro de Piraju, mas ela já não apresentava mais sinais vitais.

    No hospital, funcionários da saúde constataram que a vítima poderia ter sido agredida com pedaços de madeira e que, inclusive, possuía cicatrizes pelo corpo.

    Questionada, a mãe da garota informou que a filha estava sob os cuidados do atual companheiro dela.

    Diante da situação, policiais civis e militares foram acionados e realizaram buscas na região, onde encontraram o padrasto da garota tentando fugir da cidade. Ele e a mãe da vítima foram detidos e levados ao plantão policial, onde tiveram a prisão preventiva decretada.

    Ainda conforme o registro policial, o corpo de Yasmin foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Avaré (SP) para ser submetido a exames necroscópico e sexológico.

    Yasmin Carvalho será sepultada, às 17h, no cemitério de Tejupá (SP).

    Prefeitura de Sarutaiá decreta luto após morte de adolescente
    Os outros dois filhos do casal ficaram sob os cuidados do Conselho Tutelar de Sarutaiá.