Tag: São Paulo

  • Após 17 anos, Mães de Maio relembram ataques que provocaram mortes dos filhos e cobram respostas do Estado

    Após 17 anos, Mães de Maio relembram ataques que provocaram mortes dos filhos e cobram respostas do Estado

    Integrantes do movimento participaram de audiência pública na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Francisco, Centro de SP.

    O Movimento Independente Mães de Maio, formado por mães e parentes de vítimas da violência do Estado, realizou audiência pública nesta quinta-feira (18), em São Paulo, para relembrar os 17 anos dos Crimes de Maio.

    No mês de maio de 2006, ataques da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) terminou com a morte de mais de 50 agentes de segurança pública, e provocaram medo e sensação de insegurança na população paulista, que ficou dias trancada em casa.

    Durante a sessão, a fundadora do movimento, Debora Maria da Silva, cobrou a aprovação de um projeto de lei para prestar apoio psicológico a mães de pessoas mortas pelo Estado. Na sequência, relembrou os crimes.

    “Nós não podemos aceitar 600 jovens assassinados em uma semana. Não estamos falando de uma chacina de três ou quatro, o Estado provocou o desaparecimento dessas pessoas”, disse, na abertura do evento.

    Durante sua fala, Debora Maria se dirigiu à representante do Ministério da Igualdade Racial, comandado por Anielle Franco, e disse que “a dor da mãe de Marielle também é a dor das Mães de Maio”. Anielle é irmã de Marielle Franco, vereadora preta assassinada no Rio de Janeiro, em março de 2018.

    Ana Paula de Oliveira, criadora do coletivo Mães de Manguinhos, disse que a união entre as mães as fortalece para que seus filhos não sejam esquecidos. Ela é mãe de Johnathan Oliveira Lima, assassinado em 2014 por um policial militar no Rio de Janeiro.

    “A luta tem que ser de toda uma sociedade. Lutamos pelos nossos filhos que se foram, sim, e pelos filhos que estão por aí. Estamos falando de vidas negras, pobres e faveladas, que para uma boa parte da sociedade não vale nada”, disse.

    Marivaldo Pereira, representante do Ministério da Justiça de Flávio Dino (PSB), citou projetos da pasta para prestar assistência às mães de vítimas do estado. Ele recitou Racionais MCs em sua fala.

    “Uma das principais pautas da nossa secretaria tem sido as câmeras nos fardamento dos policiais, com caso de São Paulo, que caiu a morte de jovens. Estamos junto com as mães do Rio com a ADPF das favelas [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635]. E trabalhamos para implementar projeto de acolhimento e encaminhamento para as mães”, afirmou.

    Nesta semana, o Fórum Brasileiro da Segurança Pública divulgou pesquisa que indica diminuição de 80% nas mortes de jovens provocadas pela PM em São Paulo desde a implementação das câmeras nos uniformes.

    Marivaldo, junto do deputado estadual por SP Eduardo Suplicy (PT), eram os únicos homens na bancada formada na Faculdade de Direito.

    Relembre os Crimes de Maio
    Bases da polícia, bombeiros, agentes penitenciários e policiais de folga foram atacados em ações orquestradas pelo PCC, em maio de 2006. O dia 15, uma segunda-feira, marcou o ápice da onda de violência iniciada alguns dias antes. Naquela data, a cidade de São Paulo parou.

    Nos dias seguintes, uma retaliação aos ataques contra a polícia resultou na morte de civis no estado, a maioria pessoas sem passagem pela polícia.

    A retaliação do poder público, por meio de seu braço armado, resultou na morte de centenas de civis em todo o estado de São Paulo. Após a série de revides, a Ouvidoria das Polícias diz que 493 pessoas morreram na onda de ataques, mas até hoje não há um número oficial de vítimas, que pode variar de 264 a 600.

    Mães de vítimas de ataques em Santos entraram com pedido na Procuradoria Geral da República (PGR) da pela morte de 9 jovens por supostos grupos de extermínio. Diante da demora no pedido de federalização, a Defensoria Pública encaminhou a denúncia à Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2015.

    A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo sempre afirmou que as mortes foram investigadas corretamente e que “não há como reabrir o caso sem novas provas”.

    Investigações dos Crimes de Maio

    O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em agosto de 2022, federalizar as investigações dos Crimes de Maio ocorridos no Parque Bristol, Zona Sul da capital. Cinco jovens foram atacados por um grupo de homens encapuzados.

    Três deles morreram na hora e um sobrevivente foi morto seis meses depois. O caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo pela ausência de provas.

    Como o g1 revelou, a solicitação de federalização foi feita em 2016 pelo então procurador-geral da república Rodrigo Janot ao STJ, atendendo a pedido de 2009 da Conectas e familiares das cinco vítimas.

    Na época, a PGR declarou que a apuração da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo foi meramente “formal, protocolar, ignorando a busca da verdade e das conexões entre crimes quase simultâneos e extremamente similares”.

    Em seu despacho, Janot diz que “mostra-se evidente que o arquivamento em si da investigação configura violação do dever estatal de adequada e eficiente investigação, visto que a apuração pode ser acoimada [acusada] de insuficiente, por sua fragilidade, por não ter considerado o contexto em que produzidos os fatos, por não ter ouvido os policiais militares em atuação na região, por não ter se preocupado com a oitiva de testemunhas em linha de investigação razoável”.

  • Pesquisadora moradora de favela em SP diz que câmeras nas fardas dos PMs levou ‘sensação de sossego’ à comunidade

    Pesquisadora moradora de favela em SP diz que câmeras nas fardas dos PMs levou ‘sensação de sossego’ à comunidade

    Estado de São Paulo teve o menor número de mortes por policiais militares em serviço na história em 2022 após implementação da tecnologia, com queda de 80% da letalidade entre adolescentes. Taxa de mortes de militares também caiu.

    Sabrina Santos é estudante de Ciências Econômicas e Políticas Públicas na Universidade Federal do ABC e pesquisadora do projeto-observatório “De olho na quebrada”, da União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região (UNAS).

    Moradora da favela de São Savério, que fica próxima a Heliópolis, maior comunidade da cidade de São Paulo, ela contou ao g1 que, após a implementação de câmeras portáteis nos uniformes dos policiais militares, os habitantes de comunidades da Zona Sul notaram uma polícia menos ostensiva.

    “Percebemos que o número de policiais dentro do bairro diminuiu, assim como a imagem deles empunhando as armas, agredindo os moradores — tanto verbalmente quanto fisicamente. Foi uma sensação muito mais de sossego, sabe, para grande parte da galera que reside aqui”, destacou.

    A redução da mortalidade de adolescentes em intervenções policiais chegou a 80,1% em 2022 no estado de São Paulo depois que a instituição adotou o uso do equipamento.
    (veja mais números abaixo)

    Sabrina aponta que, além da tecnologia da PM, a redução nos números de violência se deve também às ações e projetos de cunho social desenvolvidos tanto pela UNAS quanto por outras associações, serviços e equipamentos públicos locais.

    “Se as câmeras forem retiradas dos uniformes das PMs, eu não tenho dúvidas que ações como essas, que aconteceram em Heliópolis, ressurgirão. Não tenho dúvida sobre isso”.

    Ela se refere ao que aconteceu na comunidade após o desaparecimento do soldado Leandro Patrocínio em 2021. O militar teria sido torturado e morto depois de ser identificado como policial em um baile funk em Heliópolis.

    “Falo da nossa experiência enquanto jovens racializados dentro do bairro, sobre o chão que a gente pisa. Os desdobramentos desse caso resultaram em uma polícia fortemente armada aqui dentro, troca de tiros, uma abordagem preconceituosa, de revanchismo pela ideia de o território ser dominado pelo crime organizado”, relembra.

    Segundo a pesquisadora:

    Os policiais entravam nas casas das pessoas sem mandado judicial;
    Abordavam os moradores na entrada e na saída da comunidade;
    Jovens eram levados para a delegacia porque identificavam eles como suspeitos — “e a gente sabe que essas ações eram motivadas pelo racismo”.

    A redução da mortalidade de adolescentes em intervenções policiais chegou a 80,1% em 2022 no estado de São Paulo depois que a instituição adotou o uso do equipamento.
    (veja mais números abaixo)

    Sabrina aponta que, além da tecnologia da PM, a redução nos números de violência se deve também às ações e projetos de cunho social desenvolvidos tanto pela UNAS quanto por outras associações, serviços e equipamentos públicos locais.

    “Se as câmeras forem retiradas dos uniformes das PMs, eu não tenho dúvidas que ações como essas, que aconteceram em Heliópolis, ressurgirão. Não tenho dúvida sobre isso”.

    Ela se refere ao que aconteceu na comunidade após o desaparecimento do soldado Leandro Patrocínio em 2021. O militar teria sido torturado e morto depois de ser identificado como policial em um baile funk em Heliópolis.

    “Falo da nossa experiência enquanto jovens racializados dentro do bairro, sobre o chão que a gente pisa. Os desdobramentos desse caso resultaram em uma polícia fortemente armada aqui dentro, troca de tiros, uma abordagem preconceituosa, de revanchismo pela ideia de o território ser dominado pelo crime organizado”, relembra.

    Segundo a pesquisadora:

    Os policiais entravam nas casas das pessoas sem mandado judicial;
    Abordavam os moradores na entrada e na saída da comunidade;
    Jovens eram levados para a delegacia porque identificavam eles como suspeitos — “e a gente sabe que essas ações eram motivadas pelo racismo”.

    “Os policiais que entraram em Heliópolis não tinham suas ações monitoradas, não tinham câmeras. Era nossa palavra contra a da polícia. Foi um momento muito tenso, em que a gente viu mesmo a necessidade dessas câmeras”, afirmou.

    COPs em números
    A pesquisa, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com a Unicef, mostrou que, entre 2020 e 2022, 62 dos 135 batalhões da PM de São Paulo incorporaram as câmeras durante a rotina de serviço. A diferença nos números pré-COP e pós-COP é nítida:

    Em 2017, foram 171 mortes provocadas por intervenções de policiais militares (MDIP) em serviço de jovens entre 15 e 19 anos;
    Em 2021, ano seguinte à implementação das câmeras, foram 42 mortes (-75%);
    Já em 2022, foram registradas 34 mortes, o menor número da série histórica (- 80,1%, se comparado a 2017) compilada pelo Ministério Público de São Paulo no relatório Letalidade Policial em Foco; único que traz dados por faixa etária;
    Veja mais na tabela abaixo.
    O número também é o menor da série histórica da Secretaria da Segurança Pública desde 2001, quando começaram a separar mortes praticadas por policiais em serviço e fora.

    “Estamos falando de uma interação muito violenta com adolescentes, que são estigmatizados como um grupo suspeito por definição, especialmente se pretos, pobres e periféricos”, disse ao g1 Samira Bueno, diretora do Fórum.

    “Reduzir a letalidade provocada pela PM é oferecer perspectiva de vida para esse público, que vive sob a expectativa de ser vítima da violência policial”, apontou.

    Os pesquisadores destacam que, embora a letalidade provocada por policiais militares passe a cair a partir de 2018 entre crianças e adolescentes, a queda se acentua a partir de 2020, ano de implementação das câmeras operacionais portáteis (COP).

    Como funcionam as câmeras corporais da Polícia Militar de SP
    Nos batalhões que incorporaram o uso das câmeras corporais tiveram redução de 76,2% na letalidade dos policiais militares em serviço entre 2019 e 2022, enquanto nos demais batalhões a queda foi de 33,3%. O número de adolescentes mortos em intervenções de policiais militares em serviço caiu 66,7%, passando de 102 vítimas em 2019 para 34 em 2022.

    “O período analisado coincide com a adoção das câmeras operacionais portáteis (COP) pela polícia militar do estado de São Paulo, que começou no segundo semestre de 2020. Historicamente, adolescentes sempre foram os mais impactados por esse tipo de violência letal. Em 2020, pela primeira vez, essa população deixou de ser uma das que mais morre por intervenção policial no estado de São Paulo”, diz Adriana Alvarenga, chefe do escritório do UNICEF em São Paulo.

  • Justiça arquiva denúncia contra Arthur do Val por turismo sexual e evasão de divisas na Ucrânia: ‘apenas piada’, diz ex-deputado

    Justiça arquiva denúncia contra Arthur do Val por turismo sexual e evasão de divisas na Ucrânia: ‘apenas piada’, diz ex-deputado

    Pedido foi feito pelo MPF. Em áudio compartilhado em março de 2022, o então deputado estadual afirmou que ucranianas são ‘fáceis, porque são pobres’ logo após o início da guerra com a Rússia.

    O Ministério Público Federal pediu e a Justiça Federal aceitou o arquivamento de processo movido contra o ex-deputado estadual de São Paulo Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, por supostos crimes de turismo sexual e evasão de divisas.

    Em decisão do dia 12 de abril deste ano, a juíza federal substituta Fabiana Alves Rodrigues seguiu pedido do MPF, que não viu materialidade nas denúncias feitas contra o então deputado.

    No mês de março de 2022, o então parlamentar viajou para a Ucrânia após o início da guerra com a Rússia. Em áudios trocados com amigos em um grupo de conversas pela internet, o então deputado estadual, afirmou que as mulheres ucranianas são “fáceis, porque são pobres”.

    O pedido de investigação partiu dos deputados estaduais Valéria Bolsonaro e Gil Diniz, ambos do PL e reeleitos em 2022 — “Mamãe Falei” não concorreu em busca da reeleição. Os parlamentares alegavam que Arthur do Val arrecadou dinheiro para comprar mantimentos à população ucraniana, mas houve “divulgação defeituosa de prestação de contas”

    Segundo a magistrada, o MBL (Movimento Brasil Livre), ao qual Arthur do Val é integrante e representava em sua viagem à Ucrânia, apresentou como foram gastos os valores arrecadados para contribuir com a população local.

    “Dessa forma, não há elementos de tipicidade […] porque não foi realizada ‘operação de câmbio não autorizada’ e os valores enviados ao exterior foram declarados à repartição federal competente”, diz Fabiana Alves Rodrigues, na decisão.

    O MPF e a juíza não detalharam a denúncia de turismo sexual nos áudios vazados.

    A Assembleia de São Paulo cassou o mandato do então deputado em junho do ano passado com unanimidade entre os 73 parlamentares presentes, o que o transformou no primeiro deputado cassado em São Paulo num período de 23 anos.

    Antes, o último parlamentar que havia sido cassado pelo Legislativo Paulista foi o ex-deputado Hanna Garib, em 1999, que era acusado de fazer parte da chamada “máfia dos fiscais” da cidade de São Paulo, na época que era vereador da capital.

    Antes da sessão que o cassou, Mamãe Falei havia renunciado ao cargo por conta dos processos abertos à época para investigar as suas falas sexistas em relação às ucranianas.

    Ao g1, Arthur do Val afirmou que o arquivamento vai de encontro com a sua versão desde o início do caso. Ele afirma que se arrepende da piada e diz que já pediu desculpas por conta da fala.

    “Fiz uma piada idiota, fiz uma piada de mau gosto num momento desnecessário, mas foi isso: apenas uma piada, não tem crime nenhum”, disse Mamãe Falei. “Eu estava fora do país, fora do meu horário de trabalho, licenciado. Mandei isso num grupo privado, que não era para vazar e infelizmente vazou”.
    O ex-deputado afirma que se arrepende de ter feito a piada e diz que já pediu desculpas por conta da fala. ” Agora, me cassar por causa disso, cassação sem crime? Isso não existe”.

  • Justiça de SP absolve ator argentino Juan Darthés de acusação de estupro

    Justiça de SP absolve ator argentino Juan Darthés de acusação de estupro

    Darthés foi denunciado por ter supostamente estuprado uma atriz argentina quando ela tinha 16 anos e ele, 45. Juiz reconheceu atos libidinosos, mas afirmou haver dúvida quanto à ocorrência da ‘conjunção carnal’, que caracterizaria o estupro segundo a redação do Código Penal à época dos fatos. Acusação vai recorrer da decisão.

    A Justiça de São Paulo absolveu, em primeira instância, o ator argentino Juan Darthés. Nascido no Brasil, ele é acusado de ter estuprado a atriz argentina Thelma Fardin durante uma turnê na Nicarágua, em 2009, quando ela tinha 16 anos de idade e ele, 45. A defesa de Fardin afirma que vai recorrer da decisão.

    O caso está sob segredo de justiça. O g1 teve acesso à sentença, na qual o juiz federal Fernando Toledo Carneiro, da 7ª vara Criminal Federal de São Paulo, considerou que há “dúvida” quanto à ocorrência da “conjunção carnal”, necessária para a configuração do crime de estupro conforme a redação do Código Penal à época dos fatos.

    “E a dúvida, nesse caso, se resolve em favor do réu, sendo a absolvição medida que se impõe”, diz a sentença.
    Em maio de 2009, data do suposto abuso sexual, o Código Penal definia o crime de estupro no artigo 213 como: “Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça”.

    Meses depois, naquele mesmo ano, a lei 12.015 alterou a redação do artigo, que passou a definir o crime de estupro como: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.

    Segundo a sentença, outros “atos libidinosos” apontados pela vítima já estariam prescritos, conforme a legislação à época.

    Entenda o caso

    Segundo relato da vítima, houve conjunção carnal durante uma turnê da novela que ambos contracenavam na época – tanto Fardin quanto Darthés são muito conhecidos na Argentina e a novela infanto-juvenil “Patito Feo” fez muito sucesso.

    Thelma Fardin afirma que, em uma noite no hotel em que estavam hospedados na Nicarágua, Darthés a beijou no pescoço, colocou a mão dela no pênis dele, praticou sexo oral nela, colocou os dedos em sua vagina e a penetrou –tudo sob constantes negativas da vítima, que disse “não” e lembrou que os filhos dele teriam a idade dela.

    O caso foi revelado pela atriz em 2018, como parte do movimento #MeToo na Argentina. Outras atrizes argentinas também denunciaram supostos abusos cometidos por Darthés, que se declara inocente.

    Com uma ordem de prisão emitida pela Interpol, Darthés, que possui dupla cidadania, se mudou para o Brasil para fugir da acusação. A Constituição proíbe a extradição de brasileiros nascidos no país.

    Em abril de 2021, o Ministério Público Federal em São Paulo denunciou Darthés pelo crime de estupro contra Thelma Fardin.

    A sentença, emitida no último dia 12, destaca que, à época dos fatos, a prática de “atos libidinosos diversos da conjunção carnal” configurava o crime de “atentado violento ao pudor”, mas que, em função da pena menor, “qualquer ato libidinoso diverso da conjunção carnal estaria prescrito”.

    Segundo o juiz, as testemunhas ouvidas no caso corroboraram grande parte do depoimento da atriz argentina. Essas testemunhas afirmaram que Fardin contou sobre o sexo oral e a introdução dos dedos de Dárthes, sem o consentimento dela.

    No entendimento do juiz, no entanto, as testemunhas não corroboraram a “conjunção carnal”. Isso porque Fardin afirmou pela primeira vez que houve penetração nove anos após o suposto ocorrido, num fenômeno conhecido como “revelação tardia”.

    Segundo o MPF, em 2018, ao ouvir o relato de outras mulheres que passaram por situações de abuso, Fardin conseguiu se lembrar da penetração.

    Ainda de acordo com a acusação, pelo menos seis psicólogos e especialistas examinaram Fardin e confirmaram que a demora em recordar especificamente da conjunção carnal teria se dado em razão de uma dissociação psicológica, provocada pelo trauma decorrente do abuso sexual.

    A sentença afirma que não se trata de “culpar a vítima por demorar tanto tempo a narrar os fatos, pois é sabido que existe um complexo processo envolvido na denúncia de crimes dessa natureza, sendo comum o longo decurso do tempo até que a vítima esteja preparada física e psicologicamente para falar sobre os fatos”.

    O juiz destaca, no entanto, a necessidade de “um grau de convicção alto” sobre a culpa do acusado para condená-lo.
    ‘Mancha internacional para o Brasil’
    Para a advogada brasileira de Fardin, Carla de Andrade Junqueira, a resposta da Justiça brasileira coloca o Brasil numa posição delicada.

    “A Argentina e a Nicarágua estão esperando uma resposta para o que aconteceu e a resposta da impunidade cria uma mancha internacional do Brasil como um jardim dos estupradores, porque não é só o Darthés, tem outros que escapam para o Brasil para conseguir a jurisdição mais benéfica”, afirmou Junqueira ao g1.

    Na Argentina, desde 1999 outros atos libidinosos, para além da penetração, quando realizados sem consentimento são considerados estupro.

    À imprensa argentina, o advogado de Darthés, Fernando Burlando, disse que o ator foi “investigado a fundo” e que o “resultado de toda essa investigação é obviamente muito reconfortante para a família de Juan”. Segundo o advogado, circularam notícias falsas de que o julgamento teria sido anulado — o que não aconteceu.

    “O que não é fake news é a sua absolvição, após um processo muito longo onde foi denunciado e maltratado, num assunto muito delicado”, afirmou Burlando ao canal de notícias Crónica.

     

  • Musical baseado em canções da banda Los Hermanos chega a São Paulo nesta quinta

    Musical baseado em canções da banda Los Hermanos chega a São Paulo nesta quinta

    O sucesso da música ‘Anna Júlia’ é ponto de partida para texto de Michel Melamed.

    Depois de estrear no Rio de Janeiro, em março, “Los Hermanos – Musical Pré-fabricado” chega a São Paulo nesta quinta-feira (18). O espetáculo revisita e reinventa as músicas do quarteto carioca formado por Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba no fim dos anos 90.

    Michel Melamed, ator, apresentador e dramaturgo, assina o texto e a direção do espetáculo e apresenta um mosaico que mistura a poesia das letras com comédia e drama. Ele conta que a peça revela histórias curiosas por trás das canções, confidenciadas pelos próprios músicos. Os fãs podem reconhecer músicas como “Sentimental”, “Morena”, “A Flor” e “Conversa de Botas Batidas”, só pra citar algumas.

    E além de exaltar o repertório do grupo, o espetáculo exalta também os fãs apaixonados, que continuam enchendo estádios nas turnês esporádicas que o Los Hermanos faz.

    Serviço
    Onde: Teatro Liberdade – R. São Joaquim, 129
    Quando: de 18 de maio a 25 de junho
    Mais informações no site.

  • Polícia pede prisão temporária de suspeito de matar integrante da equipe do cantor Péricles em SP

    Polícia pede prisão temporária de suspeito de matar integrante da equipe do cantor Péricles em SP

    Eduardo Pachará, de 42 anos, morreu após ter sido agredido por um homem em um posto de gasolina em Mauá no domingo (14). Polícia tenta localizar agressor.

    A Polícia Civil de Mauá representou pela prisão temporária do suspeito de matar Eduardo Pachará, de 42 anos, integrante da equipe do músico Péricles. O agressor é procurado pela polícia.

    Eduardo morreu após ter sido agredido em um posto de gasolina em Mauá, na Grande São Paulo, na noite do último domingo (14).

    Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP):

    Edu chegou ao posto em um carro e aparentava estar embriagado;
    A frente do carro teria encostado em um engradado de cerveja que estava ao lado da loja de conveniência;
    Ao desembarcar do veículo, ele foi agredido com três socos no rosto por um homem já identificado pela polícia
    Uma funcionária do estabelecimento comercial acionou o Samu, que levou a vítima até um hospital;
    Pachará foi socorrido e morreu em seguida;
    A causa da morte teria sido traumatismo cranioencefálico;
    O 1º Distrito Policial de Mauá instaurou inquérito e representou pela prisão temporária do autor à Justiça. Outras diligências estão em andamento visando ao esclarecimento dos fatos.

    A SSP informou também que o caso foi registrado como lesão corporal seguida de morte.

    Homenagem de Péricles

    Em seu Instagram, Péricles prestou homenagem ao amigo:

    “Siga em paz, meu parceiro. Sentiremos a sua falta 🖤 A sua genialidade, seu profissionalismo e o seu bom coração ficaram guardados em minha memória para sempre. Deus te receba de braços abertos 🖤”, escreveu o cantor.
    Nos comentários da publicação, fãs também compartilharam mensagens de carinho para Edu e para a família.

    Ao g1, a assessoria do cantor disse que não iria se manifestar publicamente sobre o caso.

    Assalto ao cantor em fevereiro

    Em fevereiro deste ano, Péricles foi vítima de um assalto em Santo André, também na Grande São Paulo. Um vídeo mostra o momento que dois ladrões armados roubam um carro de luxo do cantor. (veja abaixo)

    O crime foi cometido na frente da esposa e de uma das filhas pequenas do sambista. Apesar do susto, nem Péricles ou sua família foram agredidos ou se feriram durante o assalto.

    O roubo da Land Rover Discovery de cor cinza foi confirmado pela assessoria do artista. Procurado pelo g1, Péricles preferiu não comentar sobre o caso. O veículo é avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, segundo policiais.

     

  • Lojistas fecham comércios e protestam contra insegurança na Santa Ifigênia, no Centro de SP

    Lojistas fecham comércios e protestam contra insegurança na Santa Ifigênia, no Centro de SP

    Conhecida como ponto especializado em eletrônicos e videogames na capital paulista, rua foi afetada pela dispersão da Cracolândia. Donos de lojas citam aumento de furtos e roubos com presença de dependentes químicos.

    Um grupo de lojistas que trabalha na Rua Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo, fechou as portas de seus comércios e protestaram contra roubos e furtos na região.

    Com cartazes, eles cobraram melhorias por parte do governo paulista, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a segurança pública desde que houve dispersão dos dependentes químicos na Cracolândia.

    Anteriormente, o fluxo (como é chamado o grupo de usuários) ficava localizado na região da Praça Princesa Isabel. A área foi transformada em parque e está fechada para obras.

    Os donos de lojas alegam que os casos de roubo e furto aumentaram na região com a presença de dependentes próximos às lojas.

    Segundo a PM, o protesto começou às 09h37 pela Rua dos Gusmões, passou pela rua Santa Ifigênia e seguiu em direção à Subprefeitura da Sé, no Centro. “No local, segundo a PM, há interdição de via e carro de som. Não sabem informação o número de pessoas envolvidas. A delegacia da área é o 3º DP do Campos Elíseos”.

    Dispersão da Cracolândia

    Novos locais com concentração de pessoas em situação de rua usando drogas surgiram após ações da polícia no Centro da capital, segundo pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) em 2022.

    Os pesquisadores identificaram que a maior parte desses pontos está na região central da capital. Eles reúnem de 20 a 200 usuários em cada local. Na ocasião, o estudo apontou que a tática usada pela prefeitura para a dispersão dos usuários não era a mais adequada para resolver o problema da Cracolândia.

    A prefeitura defende que as ações no centro provocaram um aumento no atendimento aos dependentes químicos, e que desde 2017 é possível verificar uma redução do número de pessoas na Cracolândia.

    Entretanto, uma investigação do Ministério Público que apontou ilegalidade no processo afirmou que a grande maioria dos internados não tinha histórico de dependência química.

    Há quem ganhe dinheiro e busque engajamento nas redes sociais com a degradação social e de saúde pública na Cracolândia. Vídeos publicados na rede social TikTok somam milhões de interações debochando de usuários de drogas. Em uma live, um perfil prometeu ‘jogar moedas’ nas pessoas se atingisse 10 mil seguidores.

    Um dos casos é feito por um motociclista, que filma usuários na Cracolândia usa a música “Ilusão (Cracolândia)”, de MC Hariel. “Cena apocalíptica”, escreve. Em menos de dois meses, a postagem recebeu 4,6 milhões de visualizações e 223 mil curtidas. Outro, publicado no dia 30 de março, acumula 6,8 milhões de visualizações, 223 mil curtidas e 5,3 mil comentários.

    Insegurança no Centro
    Levantamento feito pelo Sindicato de Restaurantes, Bares e Similares em abril deste ano indicou que 40 restaurantes fecharam as portas no Centro de São Paulo no último ano.

    O aumento da insegurança provocou a queda do número de clientes e reduziu a sobrevida dos estabelecimentos.

    Em abril, uma farmácia e um mercado foram saqueados por dezenas de pessoas na região da Cracolândia.

    Levantamento do g1 e do Fantástico mostrou que a cidade de São Paulo tem um registro de roubo ou furto de celular a cada 3 minutos. Mais de 15% destes crimes se concentram em duas delegacias do Centro, região próxima à Cracolândia.

    Durante 2022, a prefeitura e o governo do estado realizaram ações para tentar combater o tráfico de drogas. As medidas, entretanto, não impediram a venda e o consumo no local, e fizeram com que os usuários se espalhassem pelo Centro.

    O tradicional colégio Liceu Coração de Jesus, na região central de São Paulo, ameaçou encerrar as atividades no ano passado, mas foi mantido após a prefeitura firmar parceria para pagar a mensalidade de 500 alunos da rede pública e evitar o fechamento.

    Fundada há 137 anos, em um edifício já tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo), a instituição ligada à igreja católica chegou a ter mais de 3 mil alunos, mas passou a sofrer com o problema de insegurança causado por sua proximidade com a região da Cracolândia, um dos fatores que levou à diminuição do número de estudantes.

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro.

    Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias com a Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, os espalhando pela cidade.

     

  • Justiça retira do YouTube stand-up de Léo Lins com piadas sobre escravidão, idosos e pessoas com deficiência

    Justiça retira do YouTube stand-up de Léo Lins com piadas sobre escravidão, idosos e pessoas com deficiência

    Nos vídeos também havia comentários sobre perseguição religiosa e minorias. Defesa chamou decisão de ‘censura’ e disse que entrará com medidas cabíveis.

    O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a retirada do especial de comédia “Perturbador” do humorista Léo Lins do Youtube. No vídeo, o comediante faz piadas com escravidão, perseguição religiosa, minorias, pessoas idosas e com deficiências.

    A medida cautelar atende a um pedido do Ministério Público de São Paulo. A informação foi confirmada pelo próprio humorista por meio das redes sociais no último sábado (13). Desde então, Léo Lins fez uma série de postagens com uma “contagem regressiva” para a data da remoção do conteúdo na plataforma.

    “Faltam 180 minutos para abrir um precedente perigoso para a comédia, ou melhor, a arte em geral”, escreveu Léo Lins em uma postagem no Instagram nesta terça-feira (16), data em que o vídeo do show de comédia saiu da plataforma.

    Em outro post, o humorista ainda disse que “este processo tem consequências absurdas” e “meu advogado já está entrando com uma defesa”.

    A gravação do show de stand-up, segundo Léo Lins, aconteceu na cidade de Curitiba para aproximadamente 4 mil pessoas. Ele ainda ressaltou que a publicação na plataforma tinha mais de 3 milhões de visualizações.

    Procurada pelo g1, a equipe de Léo Lins afirmou que a defesa vê as medidas como “censura” e afirmou que “já está preparando as medidas cabíveis” junto ao TJSP.

    Outras polêmicas
    Léo Lins já se envolveu em outras polêmicas. Em agosto de 2022, a Justiça de São Paulo condenou o humorista a pagar uma indenização por danos morais no valor de R$ 44 mil por ter ofendido a mãe de um jovem autista em uma rede social.

    Também no ano passado, o humorista publicou um vídeo fazendo uma piada ofensiva sobre uma criança com hidrocefalia que viveria no Ceará. O vídeo provocou reações nas redes sociais. Diversas pessoas criticaram o comentário, feito durante uma apresentação.

    Em 2021, a Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, cancelou a apresentação de Léo Lins no Teatro Municipal, alegando que foram detectados problemas nas instalações elétricas do espaço. O comediante, por sua vez, definiu a atitude do município como censura, e afirmou que o cancelamento ocorreu logo após ele postar um vídeo com piadas citando a prefeitura.

  • Van da EMTU atropela e fere pedestres em Guarulhos, na Grande SP

    Van da EMTU atropela e fere pedestres em Guarulhos, na Grande SP

    Segundo a prefeitura do município, ao menos três vítimas foram atingidas, socorridas e encaminhadas a unidades de saúde da cidade.

    Uma van da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU) atropelou e feriu ao menos três pessoas em frente a um supermercado na cidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, na manhã desta quarta-feira (17).

    Uma mulher de 51 anos, que teve ferimentos leves, foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada ao hospital Padre Bento, no bairro de Gopouva.

    Uma outra mulher teve parada cardiorrespiratória, foi levada ao Hospital Municipal de Urgências de Guarulhos e se encontra estável, de acordo com a prefeitura. A terceira vítima foi encaminhada ao mesmo hospital.

    O g1 e a TV Globo entraram em contato com a EMTU e com a Secretaria da Segurança Pública para obter mais informações sobre a ocorrência, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

     

  • Presos por assalto ao cantor Péricles reclamaram de ‘calote’ de receptadores de carro em conversas: ‘Ninguém desfrutou nada, parça’

    Presos por assalto ao cantor Péricles reclamaram de ‘calote’ de receptadores de carro em conversas: ‘Ninguém desfrutou nada, parça’

    Discussões por Whatsapp foram identificadas pela Polícia Civil e ocorreram dias depois do crime, em fevereiro deste ano, em São Paulo. Na época, artista foi abordado na porta de casa da mãe dele, em Santo André, e teve o carro de luxo levado.

    Os dois presos suspeitos pelo assalto ao cantor Péricles, em fevereiro, em Santo André, na região do ABC, discutiram por WhatsApp com receptadores do veículo que foi recuperado pela polícia em um desmanche em São Paulo.

    Trocas de mensagens entre Guilherme Toshihiko Shiozuka e “Felipinho”, que era Felipe Lucas, mostram que os dois estavam “inconformados” por não terem recebidos os valores da venda do carro roubado por parte dos receptadores.

    “O mano tá cobrando o dinheiro. Nós teve maior perca, mano. Você viu? Caiu o buraco, depois nós vê esse bagulho aí, mano. Nós não lucrou nada, perdeu o bagulho para a polícia, parça”, disse o áudio do possível receptador (veja parte das conversas mais abaixo).

    O carro de luxo do cantor Péricles roubado por criminosos armados na frente da esposa e da filha, na noite de 16 de fevereiro, em Santo André. O automóvel foi encontrado desmontado e praticamente sem peças na manhã de sexta-feira (17), na Zona Leste de São Paulo.

    Uma denúncia revelou que o veículo estava na Rua Arroio Rela, no bairro São Lucas. O carro era avaliado em aproximadamente R$ 300 mil, segundo policiais. O caso foi registrado como roubo a veículo no 2º Distrito Policial (DP), em Santo André, e investigado pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

    Além do automóvel, os bandidos levaram também cartões bancários, documentos, e uma mochila com roupas das filhas de Péricles. Câmeras registraram o crime.

    Os dois presos
    A Polícia Civil prendeu em 22 de fevereiro Guilherme Toshihiko Shiozuka, de 23 anos, que confessou dirigir veículo usado no crime. Ele afirmou à polícia que vendeu o veículo por R$ 12 mil e dividiu o valor com Felipe Lucas de Oliveira. Felipe foi preso em abril com uma moto furtada.

    Eles não tiveram acesso à conta bancária de Péricles. O local em que o carro foi “depenado” fica na região de uma das casas onde Guilherme dormia, que seria da companheira dele.

    Guilherme detalhou que trocou as placas do carro usado no roubo e as jogou num córrego dias depois.

    Mensagens entre Guilherme e ‘Felipinho’
    No dia 18 de fevereiro deste ano, às 21h55, dois dias depois do roubo, Felipe encaminhou um áudio dos supostos compradores do carro reclamando que a polícia tinha achado o veículo no local de desmanche.

    “O mano tá cobrando o dinheiro. Nós teve maior perca, mano. Você viu? Caiu o buraco, depois nós vê esse bagulho aí, mano. Nós não lucrou nada, perdeu o bagulho para a polícia, parça”, disse o áudio do possível receptador.

    Segundo a polícia, “buraco” se refere ao local para desmanche de veículos roubados. Em um segundo áudio repassado por Guilherme a Felipe ainda de uma terceira pessoa em 20 de fevereiro, foi comentado sobre a repercussão do caso.

    “Você viu aí a repercussão que tá tendo aí. Os cara tudo na nossa bota, tá moiado para nós aí. Quer receber o que, irmão? Fala para ele que o bode caiu, parça. Ninguém desfrutou de nada. Todo mundo se f***.”

    No mesmo dia, a discussão sobre a negociação continuou com mais áudios encaminhados de terceiros.

    “Eu sei, parça, mas o bagulho caiu. Todas as vezes que caiu lá, os caras não cobrou nós, não. Da vez que nós vendia carro para os caras, caía buraco e nós nunca pegou dinheiro. Você tá com nós, estamos dando a peça [termo usado para arma de fogo], para você estar na quadrilha, pai”, afirmou o áudio de Guilherme encaminhado para “Felipinho”.

    “Ali o carro caiu, parça, ninguém desfrutou de nada. E como nós vai pagar um bagulho que nós não ganhou dinheiro?” completou.

    A dupla chegou a comentar sobre pertences roubados e que foram encaminhados para “avaliadores” para venda.

    “Vê lá aqueles outros bagulho que veio lá, que já vou encostar ali em um parceiro que é avaliador dessas caminhada. Já vou levar para ele”, falou Guilherme.

    Moto furtada
    Felipe foi preso em 27 de abril com uma moto furtada estacionada na frente de casa, em Mauá, na Grande São Paulo, quando os policiais civis cumpriram um mandado da investigação de Péricles.

    O dono da moto deu falta da motocicleta em 4 de janeiro, em São Caetano do Sul, depois de ter estacionado na frente do local trabalho.

    Ele confessou aos policiais civis durante a abordagem que não tinha documentação do veículo e que tinha recebido de outra pessoa. Em 12 de maio o Ministério Público o denunciou por receptação.

    Quem é Péricles
    Péricles é uma das referências nacionais do pagode, tendo integrado o Exaltasamba, grupo que surgiu em 1982 em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

    “Nós fomos assaltados, foi horrível. Mas todo mundo está sujeito, e eu não sou melhor que ninguém. É vida que segue, vamos simbora. Deus é maior, e a gente não sabe de nada”, disse Péricles, dias depois, quando foi ouvido pela imprensa no Sambódromo do Anhembi.

    Integrante da equipe
    Edu Pachará, de 32 anos, integrante da equipe do músico Péricles, morreu após ter sido agredido em um posto de gasolina em Mauá, na Grande São Paulo, na noite do último domingo (14).

    A SSP informou também que o caso foi registrado como lesão corporal seguida de morte pelo 1º Distrito Policial de Mauá.

    “As investigações estão em andamento para identificar o autor. Além disso, ressalta-se que a natureza criminal pode mudar no decorrer do inquérito, sem prejuízo às investigações”.