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  • Em depoimento, Bolsonaro diz que compartilhou sem querer vídeo que questionava sistema eleitoral

    Em depoimento, Bolsonaro diz que compartilhou sem querer vídeo que questionava sistema eleitoral

    Ex-presidente chegou à sede da PF pouco antes das 8h50 e saiu por volta de 11h20. Depoimento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido da PGR.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro disse, em depoimento prestado à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (26), que compartilhou sem querer um vídeo que questionava o sistema eleitoral, após o pleito de 2022. As informações foram apuradas pela TV Globo.

    O depoimento, que durou cerca de duas horas, é parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os atos golpistas de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e vandalizadas.
    O ex-presidente chegou à sede da PF, em Brasília, pouco antes das 8h50, acompanhado da defesa, e saiu por volta de 11h20.

    A PF tomou as declarações de Bolsonaro após determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes. Na avaliação de investigadores, uma postagem feita no dia 10 de janeiro pelo ex-presidente o ligaria aos atos golpistas do dia 8 de janeiro. Ele apagou a publicação em seguida.

    A TV Globo apurou que, nesta quarta-feira, Bolsonaro só respondeu a perguntas sobre o vídeo que, sem provas, colocava em dúvida o sistema eleitoral. A mensagem foi avaliada como um sinal de que Bolsonaro pode ter estimulado os atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília.

    À PF, o ex-presidente disse que queria salvar o vídeo para visualização posterior, mas compartilhou, sem querer. Ele não respondeu a outros questionamentos e afirmou aos investigadores que, se quiserem marcar nova data para tratar desses assuntos, vai comparecer.

    Defesa detalha depoimento

    Após o depoimento, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, confirmou o teor das declarações. Segundo a defesa, no dia da postagem, o ex-presidente tinha acabado de receber alta após ser internado para tratar uma obstrução intestinal, e tinha sido medicado com morfina.

    Ainda de acordo com o advogado, Bolsonaro compartilhou o vídeo de forma “equivocada”.

    “Essa postagem foi feita de forma equivocada, tanto que, pouco tempo depois, duas ou três horas depois, ele foi advertido e imediatamente retirou essa postagem. Observo, inclusive, que essa postagem foi feita na sua rede social de menor importância”, disse Cunha Bueno.

    “Realmente aquilo ali foi um equívoco na hora de salvar um arquivo para posteriormente poder visualizá-lo e assisti-lo integralmente”, continuou.

    O ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social da gestão Bolsonaro, Fabio Wajngarten, também estava no local e participou de entrevista com a imprensa ao fim do depoimento.

    Questionado sobre a possibilidade de a postagem ter sido feita pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente que costumava gerenciar as redes sociais dele, Wajngarten negou participação do parlamentar.

    “Não foi [o Carlos Bolsonaro]. O metadado do Meta [empresa que controla o Facebook] indicará isso”, disse.

    O advogado do ex-presidente disse ainda que Bolsonaro “em momento algum” questionou a lisura das eleições do ano passado.

    “O presidente, quando saiu de férias, ele tratou a eleição como página virada. Então, em momento algum você vai encontrar alguma declaração dele declinando que a eleição foi fraudada. Em momento algum isso foi falado”, disse Paulo Cunha Bueno.

    Pedido da PGR
    Ao determinar o depoimento de Bolsonaro, Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República e deu prazo de 10 dias para a PF ouvir o ex-presidente.

    A PGR pediu o depoimento de Bolsonaro quando o ex-presidente ainda estava nos Estados Unidos, onde ficou por 3 meses depois de sair do governo. Com a volta dele do exterior no dia 30 de março, Moraes mandou marcar a audiência.

    Joias

    Bolsonaro já tinha comparecido à Polícia Federal neste mês para prestar depoimento, mas em outro inquérito, que apura a suposta prática de crime pelo ex-presidente no caso das joias milionárias que recebeu de presente do governo da Arábia Saudita.

    Na ocasião, Bolsonaro afirmou que ficou sabendo da existência das joias sauditas milionárias em dezembro de 2022, mais de um ano após elas terem chegado ao país. Bolsonaro disse ainda que não se lembrava quem o avisou da apreensão das joias pela Receita Federal.

  • Reunião que teve joias para Bolsonaro abordou ativos da Petrobras e Opep, mostra telegrama

    Documentos do próprio ministério confirmam que joias apreendidas foram entregues na reunião. Telegrama, enviado algumas semanas após o encontro, não faz menção a presentes.

    A reunião na Arábia Saudita na qual foram dados presentes para o então presidente Jair Bolsonaro, incluindo joias com valor estimado em R$ 16,5 milhões, discutiu a venda de ativos da Petrobras e um possível convite para o Brasil integrar uma versão estendida da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

    É o que mostra um telegrama enviado pela embaixada brasileira em Riade, capital da Arábia Saudita, para o Itamaraty. O documento foi obtido pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação.

    A mensagem, assinada pelo embaixador Marcelo Della Nina, é de 15 de novembro de 2021, cerca de 3 semanas após a reunião entre o então ministro das Minas e Energia brasileiro, Bento Albuquerque, e o príncipe Abdulaziz bin Salman bin Abdulaziz Al Saud, o equivalente arábe ao mesmo cargo. Bolsonaro não estava na comitiva.

    Os blogs dos comentaristas Valdo Cruz e Octávio Guedes no g1 já registraram que a PF e o Senado investigam se as joias foram algum tipo de contrapartida por acordos assinados, por exemplo.

    Ativos da Petrobras
    Della Nina narra a reunião e relata os tópicos apresentados por ambos os lados.

    Em determinado momento, ele destaca que o chefe da Assessoria Especial de Relações Internacionais do Ministério das Minas e Energia (MME), Christian Vargas, “indagou à parte saudita a respeito da compatibilização entre o setor de petróleo dos países da OPEP+ e o do Brasil, onde as companhias petroleiras são de capital aberto.”

    Segundo o telegrama, Vargas seguiu afirmando que “a Petrobras passa, no momento, por processo de desverticalização e de alienação de seus ativos ‘downstream’, como parte de reformas do setor de energia que apontam para a crescente liberalização do mercado, no qual os entes estatais encontram limitações legais para intervir.”
    Trecho de telegrama que fala sobre venda de ativos da Petrobras e possível participação na OPEP+. — Foto: Reprodução
    Trecho de telegrama que fala sobre venda de ativos da Petrobras e possível participação na OPEP

    O tema foi abordado durante a discussão sobre um possível convite ao Brasil para integrar a Opep+. A organização, criada em 2016, reúne os 13 países originalmente integrantes da Opep e outras 10 nações produtoras de de petróleo.

    Juntos, os 23 países são responsáveis por cerca de 40% de todo o petróleo bruto do mundo.

    Os telegramas apontam que, em pelo menos dois momentos, Albuquerque destacou parcerias entre o Brasil e a Arábia Saudita nos temas.

    Primeiro, o então ministro “manifestou-se favoravelmente ao adensamento da cooperação bilateral e assinalou a convergência de visão dos dois países no que se refere ao pleno aproveitamento de todas as fontes de energia, inclusive petróleo e gás natural.”

    Mais tarde, já ao fim da reunião, Albuquerque “reiterou que o Brasil idenitfica a Arábia Saudita como parceiro privilegiado no setor de energia e solicitou à parte saudita comunicação oficial a respeito do convite ao ingresso do Brasil na OPEP+, comprometendo-se a submeter o assunto à consideração do senhor Presidente da República e demais órgãos de governo implicados.”

    Presentes sauditas
    O telegrama enviado pela embaixada ao Ministério das Relações Exteriores não faz qualquer menção à entrega de presentes à comitiva brasileira.

    Foi naquela reunião, em 22 de outubro de 2021, que a comitiva brasileira recebeu diversos presentes, incluindo duas caixas de joias.

    O registro consta de documento enviado pelo Ministério das Minas e Energia à Receita Federal no dia 3 de novembro, um dos primeiros esforços do governo para liberação das joias apreendidas.

    Enviado ao chefe de gabinete do Secretário da Receita, o ofício tinha como assunto “liberação e decorrente destinação legal adequada de presentes retidos por esse Órgão, que foram ofertados por ocasião de eventos protocolares no exterior.”

    No ofício, o ministério destacou que “foram oferecidos, por autoridades estrangeiras, alguns presentes à Representação brasileira” e que “considerando a condição específica do Ministro – representante do Senhor Presidente da República; a inviabilidade de recusa ou devolução imediata de presentes em razão das circunstâncias correntes; e os valores histórico, cultural e artístico dos bens ofertados; faz-se necessário e imprescindível que seja dado ao acervo o destino legal adequado.”

    Relembre o caso

    O governo Jair Bolsonaro tentou trazer ao Brasil em 2021, de forma irregular, joias com diamantes. No ato da apreensão, na verificação da bagagem de um assessor de Albuquerque, o ministro informou que as joias seriam presentes do governo da Arábia Saudita para a então primeira-dama, Michelle Bolsonaro. Em depoimento à Polícia Federal (PF), no entanto, ele mudou esta versão.

    Em 2022, perto do fim do mandato de Bolsonaro, o então ajudante de ordens do presidente enviou um funcionário do Planalto à Receita no aeroporto de Guarulhos para tentar reaver as joias, sem sucesso.

    Após o caso ser divulgado pelo jornal O Estado de São Paulo, o Tribunal de Contas da União determinou a entrega de outras joias sauditas que ficaram em posse de Bolsonaro ao patrimônio da Presidência.

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    Receita barra exoneração de auditor investigado no caso das joias
    Inquérito da PF apura se Bolsonaro cometeu o crime de peculato ao tentar ficar com as joias, em especial o conjunto avaliado em R$ 16 milhões. Este mês, o presidente e diversos assessores envolvidos no caso prestaram depoimento. Bolsonaro negou qualquer irregularidade.

  • Nova defesa de Anderson Torres pede revogação de prisão e diz que ex-ministro está ‘em tristeza profunda’

    Nova defesa de Anderson Torres pede revogação de prisão e diz que ex-ministro está ‘em tristeza profunda’

    Em pedido encaminhado a Alexandre de Moraes, advogados afirmam que filhas de Torres estariam abaladas e que mãe do preso está com câncer. Também ex-secretário de Segurança Pública do DF, ele teve prisão decretada por indícios de omissão no caso dos atos de vandalismo de 8 de janeiro.

    A nova defesa de Anderson Torres pediu, nesta segunda-feira (10), a revogação da prisão preventiva do ex-ministro e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal ou substituição por outra restrição “menos gravosa”. Os advogados afirmam que a liberdade de Torres não prejudicaria as investigações e relatam que ele estaria em “estado de tristeza profunda”.

    No pedido, a defesa do ex-ministro também argumenta que as filhas de Torres estariam abaladas e que a mãe do preso está com câncer.

    “Anderson Torres] entrou em um estado de tristeza profunda, chora constantemente, mal se alimenta e já perdeu 12 quilos”, diz o pedido encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
    Moraes decretou a prisão do ex-ministro em razão de indícios de omissão nos atos de vandalismo contra os Três Poderes no dia 8 de janeiro.

    Torres era secretário de Segurança Pública do Distrito Federal quando bolsonaristas golpistas invadiram os prédios do Congresso, do Supremo e do Palácio do Planalto. Antes, foi ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro.

    Segundo os advogados, Torres não ocupa mais cargo na administração do Distrito Federal e, por esse motivo, “não teria qualquer condição de interferir no curso das investigações ainda em andamento, que, a propósito, já caminham para a sua conclusão”.

    “E a ser assim, a manutenção da prisão do requerente, que já dura cerca de 90 (noventa) dias, passaria a ser vista como uma grande injustiça e só se justificaria sob a ótica da antecipação do juízo de valor sobre o mérito (culpa) da causa, o que é iniludivelmente avesso ao sistema acusatório, ao Estado de Direito e ao princípio constitucional da presunção de inocência”” afirma a defesa do ex-ministro.
    Em fevereiro deste ano, os ex-advogados de Torres já haviam feito o pedido de revogação.

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    Depoimento
    Em depoimento à Polícia Federal feito em fevereiro, Torres disse que não era de sua responsabilidade o planejamento operacional das ações para controle da manifestação e alegou ainda ter perdido seu celular nos Estados Unidos, onde passava férias no dia dos ataques.

  • Receita barra exoneração de Julio Cesar Vieira Gomes, ex-chefe do órgão investigado no caso das joias

    Receita barra exoneração de Julio Cesar Vieira Gomes, ex-chefe do órgão investigado no caso das joias

    Vieira Gomes é quem assinou o despacho que pedia que os auditores da Receita atendessem ao pedido de um assessor de Bolsonaro para entregar as joias. A solicitação para exoneração foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (10).

    Julio Cesar Vieira Gomes, então chefe da Receita, tentou ‘carteirada’ para liberar joias na reta final do governo Bolsonaro

    A Receita Federal revogou a portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (10), que autorizava a exoneração de Julio César Vieira Gomes do cargo de auditor-fiscal.

    Ao revogar a exoneração, o atual chefe do órgão, Robinson Barreirinhas, alegou a existência de uma investigação preliminar sumária na corregedoria do órgão.

    Uma fonte da Receita diz que é preciso checar se é possível exonerar um funcionário a pedido enquanto um processo de investigação está em andamento.

    Vieira Gomes é quem assinou o despacho que pedia que os auditores da Receita no Aeroporto de Guarulhos atendessem ao pedido de um assessor de Jair Bolsonaro (PL) e entregassem um conjunto de joias avaliado em R$ 16,5 milhões apreendido na alfândega.

    Em depoimento à Polícia Federal, Vieira Gomes afirmou que à época em que o pedido foi realizado, os bens já pertenciam, de forma definitiva, à União.

    Na mesma semana da tentativa de resgate das joias, Bolsonaro nomeou Vieira Gomes para o recém-criado cargo de adido tributário em Paris. O posto foi extinto quando Fernando Haddad assumiu o Ministério da Fazenda.

    Tentativa de cargo em São Paulo
    No último mês, parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentaram emplacar Vieira Gomes no governo de São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), entretanto, vetou.

    Entre os parlamentares que atuaram em favor de um cargo para o ex-chefe da Receita Federal em São Paulo estão alguns integrantes da bancada evangélica.

    Segundo esses políticos, Vieira Gomes é visto como um aliado na busca por anistia a dívidas tributárias, anulação de multas aplicadas pela Receita Federal e ampliação das isenções de impostos para igrejas.

  • Cidade de SP contabiliza mais de 52 mil moradores de rua, alta de 8,2% em 2023, afirma pesquisa

    Cidade de SP contabiliza mais de 52 mil moradores de rua, alta de 8,2% em 2023, afirma pesquisa

    Brasil soma mais de 206 mil pessoas nessa situação, segundo estudo da UFMG feito a partir de dados do Cadastro Único. Quase metade delas vive nas ruas do estado de SP e maioria é negra, aponta o estudo, obtido com exclusividade pela GloboNews.

    Pessoas em situação de rua dormem em barracas e colchões embaixo do Viaduto João Goulart (Minhocão), no Centro de SP

    Um levantamento feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e obtido com exclusividade pela GloboNews aponta que 52.226 pessoas viviam nas ruas da capital paulista até fevereiro deste ano.

    A pesquisa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (POLOS-UFMG), com dados do CadÚnico, indica um aumento de 8,2% em relação a novembro de 2022, quando outro estudo foi feito.

    Ele levou em consideração apenas as pessoas que estavam registradas no CadÚnico. O pesquisador André Luiz Dias, coordenador do POLOS-UFMG, explica que São Paulo sempre foi o município com maior concentração de pessoas em situação de rua desde o início do registro em CadÚnico, em 2012.

    “[São Paulo] saiu de 3.842 registros em 2012 para os atuais 52.226 registros de pessoas em situação de rua.” Os dados são encaminhados pela Prefeitura de São Paulo para o Ministério de Desenvolvimento Social para repasse de recursos ao município.

    A pesquisa também leva em conta que os números possam estar subnotificados em até 35%, porque a taxa de atualização do CadÚnico em SP é muito baixa. A taxa de atualização da capital está em 63,3%, sendo que a média nacional é de 81,2%.

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    Em todo o país, 206 mil pessoas estavam em situação de rua, o que mostra um crescimento de 7,4% desde o último levantamento. O estado de São Paulo concentra 86.782 mil pessoas dessa população. Ou seja, quase metade da papulação em situação de rua do Brasil vive na cidades paulistas.

    O coordenador do POLOS-UFMG explica que no último trimestre de 2022 o governo de Jair Bolsonaro (PL) exigiu medidas para atualização do CadÚnico, e os números pararam de ser atualizados. Já o governo Lula (PT), segundo ele, voltou a estimular o cadastro, e os números voltaram a crescer (veja abaixo a população em situação de rua em outras capitais).

    “Nós não sabemos se, de fato, mais pessoas passaram a viver nas ruas a partir de novembro. O que nós vimos é que ano passado simplesmente em três meses (outubro, novembro e dezembro), mais de 25 mil pessoas haviam sido sumariamente excluídas do CadÚnico. Agora, aos poucos estão voltando a aparecer”, disse André Luiz Dias.

    A situação de rua atinge majoritariamente a população negra no nosso país. A cada 10 pessoas em situação de rua, 7 são negras.

    Raio-X da população de rua
    Levantamento realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/POLOS-UFMG), com base em dados disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (mês de referência: fevereiro/2023) aponta que o Brasil tem 206.044 pessoas em situação de rua registradas no CadÚnico.

    São Paulo (capital): 52.226 pessoas em situação de rua
    Estado de São Paulo: 86.782 pessoas
    Rio de Janeiro (capital): 12.752 pessoas
    Estado do Rio de Janeiro: 18.812 pessoas
    Belo Horizonte: 11.111 pessoas
    Estado de Minas Gerais: 21.857 pessoas
    Salvador: 7.279 pessoas
    Estado da Bahia: 10.874 pessoas
    Brasília: 7.129 pessoas
    Distrito Federal: 7.129 pessoas
    Série histórica
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico no país

    2012: 12.775
    2013: 22.922
    2014: 37.419
    2015: 52.440
    2016: 73.874
    2017: 101.302
    2018: 138.332
    2019: 174.766
    2020: 194.824
    2021: 158.057
    2022: 191.896
    2023 (fev): 206.044 (+7,4% em relação a novembro de 2022)
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico no estado de SP

    2012: 5.257
    2013: 10.890
    2014: 18.703
    2015: 26.715
    2016: 37.070
    2017: 48.782
    2018: 63.416
    2019: 75.838
    2020: 83.074
    2021: 64.570
    2022: 80.576
    2023 (fev): 86.782 (+7,7% em relação a novembro de 2022)
    Registros da população em situação de rua no CadÚnico na cidade de SP

    2012: 3.842
    2013: 7.883
    2014: 13.185
    2015: 18.608
    2016: 25.095
    2017: 31.336
    2018: 38.887
    2019: 44.372
    2020: 48.134
    2021: 37.200
    2022: 48.261
    2023 (FEV): 52.226 (+8,2% em relação a novembro de 2022)

  • Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Dívida já soma mais de R$ 54 mil em juros por falta de pagamento. Ex-presidente recebeu multas da Secretaria da Saúde durante três visitas ao estado de SP em 2021; bens poderão ser penhorados. Atual governador também foi multado em três ocasiões e pagou a dívida.

    Ex-presidente Bolsonaro exibe máscara durante evento no Planalto em 2021

    A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo propôs, no início deste ano, já sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a execução fiscal de três dívidas em nome de Jair Bolsonaro (PL) que somam mais de R$ 568 mil.

    O ex-presidente da República foi multado porque não utilizou máscara de proteção contra a Covid-19 em três ocasiões diferentes: em visitas às cidades de Miracatu, Ribeira e Eldorado, que ficam no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo.

    Já são mais de R$ 54 mil apenas em juros por falta de pagamento.
    O valor total refere-se às multas, aos juros e aos honorários advocatícios.
    Os bens de Bolsonaro poderão ser penhorados, caso ele não efetue o pagamento.
    As multas foram aplicadas pela Secretaria da Saúde de São Paulo em 14 e 15 de dezembro de 2021 e transitaram em julgado entre janeiro e fevereiro de 2022.

    As justificativas para as aplicações se deram porque, à época, era obrigatório o uso de máscaras de proteção facial em espaços de acesso aberto ao público e vias públicas, de acordo com o “decreto 64.959 de 04/05/2020, a Resolução SS 96 de 29/06/2020 e a Lei Federal 14.019 de 02/07/2020”.

    Filho também é cobrado
    O governo de SP também cobra mais de R$ 113 mil em multas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair, por ter participado de eventos sem utilizar máscara. No caso dele, os juros ultrapassavam R$ 10 mil ainda no início deste ano.

  • Sargento diz à PF que foi a Guarulhos tentar retirar joias de Bolsonaro por ordem de assessor presidencial

    Jairo Moreira foi ouvido como testemunha. Blog apurou que ele confirmou, em depoimento no último dia 31, ter recebido ligação de funcionário da Receita enquanto estava no aeroporto.

    O sargento da Marinha Jairo Moreira da Silva afirmou em depoimento à Polícia Federal (PF) que foi ao aeroporto de Guarulhos (SP) em dezembro ano passado tentar retirar as joias sauditas doadas ao então presidente Jair Bolsonaro – e que iriam para Michelle Bolsonaro – após ter recebido uma ordem do tenente Cleiton Henrique Holszchuk, assessor do tenente-coronel Mauro Cid.

    Homem de confiança de Bolsonaro, Mauro Cid era o ajudante de ordens do então presidente, e Jairo Moreira atuava na equipe subordinada a ele.

    O sargento Jairo Moreira foi ouvido pela PF na condição de testemunha. O inquérito foi aberto no mês passado e é conduzido pelo delegado Adalto Ismael Rodrigues Machado, da delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da Polícia Federal de São Paulo.

    A investigação apura por exemplo os crimes de descaminho (quando acontece entrada ou saída de produtos permitidos no país, mas sem respeitar os tramites burocráticos e tributários exigidos) e de advocacia administrativa (quando um funcionário público se utiliza de sua função para interesses privados).

    Como foi o depoimento
    O blog apurou que, durante o depoimento à PF no dia 31 de março, Jairo Moreira disse que, em 28 de dezembro de 2022, foi informado pelo tenente Cleiton que iria no dia seguinte ao aeroporto de Guarulhos “pegar alguns presentes que estavam retidos na alfândega” e que deveriam ser levados para Brasília e registrados.

    Acrescentou, então, que foi entregue a ele o ofício 736/2022, no qual estavam descritos os bens a retirar e que não foi informado a ele se deveria procurar alguém no local. E que, no dia seguinte, seguiu a ordem do tenente Cleiton e pegou um voo da FAB para Guarulhos. Esse foi ofício foi revelado com exclusividade pelo blog.

    “Chegando lá, foi diretamente para a alfândega da Receita Federal no aeroporto. Ao ser atendido, foi informado que os bens não estavam disponíveis para retirada pois faltava um documento”, completou Jairo Moreira.

    Segundo apurou o blog, nesse instante do depoimento, Jairo Moreira relatou ter dito ao funcionário da Receita que não tinha ciência desse documento porque ele só havia sido informado sobre a necessidade de retirar os objetos descritos no ofício.

    Moreira declarou, então, que, ao ser esclarecido pelo servidor da Receita que não seria possível retirar as joias, ligou para o tenente Cleiton para pedir orientação. E Cleiton, segundo Jairo Moreira, informou que também não tinha conhecimento e que era para ligar para o coronel Mauro Cid, que pediu a Jairo Moreira que aguardasse.

    Ligação de funcionário da Receita
    A partir da ligação para Mauro Cid, segundo Jairo Moreira disse à PF, uma pessoa da Receita que ele não se lembra o nome nem o cargo telefonou para ele.

    “O depoente também recebeu ligação de alguém da Receita Federal, cujo nome não recorda nem se ele falou o cargo que ocupava. Que essa pessoa da Receita Federal que ligou, perguntou o que estava acontecendo. O depoente explicou os documentos que faltavam de acordo com o que tinha entendido, e ele fala para o depoente aguardar”, relatou o sargento.

    Presentes
    O blog apurou também que, no depoimento, Jairo Moreira disse que presentes para a primeira-dama eram registrados pela chamada “ajudância de ordens” do então presidente da República.

    Mas, ao final, pediu para retificar a informação, afirmando que presentes para a primeira-dama eram encaminhados diretamente para a assessoria dela, sem registro por parte da equipe de Bolsonaro.

  • Em Brasília, manifestantes começam a chegar no QG do Exército

    Em Brasília, manifestantes começam a chegar no QG do Exército

    Manifestantes estão publicando vídeos nas redes sociais para mostrar que o trânsito está parado, o que fez o protesto marcado para esta quarta-feira (2/11), Dia de Finados, atrasar

    Nesta quarta-feira (2/11), Feriado de Finados, os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Brasília estão a caminho da manifestação marcada para as 9h no centro da capital. Entretanto, quase duas horas após o combinado, muitos estão presos no trânsito, tendo que aguardar para conseguir chegar ao Quartel General do Exército Brasileiro (QG), no Setor Militar Urbano (SMU).

    A manifestação foi marcada ainda na segunda-feira (31/10), com o intuito de fazer um ato maior do que o de 7 de Setembro, pois, segundo eles alegam, não querem que o país seja governado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vitorioso nas urnas no domingo de eleição.

    Em vídeos publicados nas redes sociais, bolsonaristas mostram como o local está engarrafado. 

    Apoiadores do presidente estão reunidos desde ontem em frente ao Quartel General do Exército no Setor Militar Urbano (SMU). Durante o ato de terça-feira (1°), os manifestantes pediram para que todos tirassem objetos e blusas que tivessem a imagem ou nome do chefe do governo. A expectativa é de que o grupo passasse a noite no local. 

    Outros estados

    Manifestantes de todo país estão seguindo para o Quartel General do Exército de seus estados para realizar o ato, pedindo a intervenção militar. Até o momento, há bolsonaristas reunidos em São Paulo e no Rio de Janeiro.

     

  • Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Mais cedo, defesa do vereador divulgou nota dizendo que não teve acesso ao material. Também em nota, STF disse que conteúdo está disponível para a defesa.

    O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou para o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Na segunda-feira (29), Carlos foi alvo de buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal em uma operação que apura uso irregular da agência durante o governo Jair Bolsonaro, pai do vereador.

    Mais cedo, em nota, sua primeira manifestação pública após as buscas, Carlos disse que tinha pedido acesso aos autos no STF, mas que a solicitação ainda não havia sido analisada, “impossibilitando que se tome conhecimento dos fatos em apuração”.

    Após essa nota do vereador, o STF informou, também por escrito, que o acesso já está liberado. E que a defesa de Carlos deve buscar o material no prédio do Supremo.

    “Sobre a nota da defesa do Carlos Bolsonaro reclamando que não teve acesso à integra da investigação da Operação Vigilância Aproximada, o STF respondeu que já foi liberado, mas que os advogados precisam buscar no gabinete”, afirmou o tribunal.

    Espionagem ilegal
    De acordo com investigações da Polícia Federal, uma “Abin paralela” funcionou durante o governo passado, com o objetivo de monitorar políticos e autoridades e também produzir material para uso de familiares do ex-presidente.

    A suspeita dos investigadores é que Carlos recebeu “materiais” obtidos ilegalmente pela Abin.

    Ainda segundo as investigações, assessores de Carlos Bolsonaro, que também foram alvo da operação, teriam pedido informações sobre políticos para o ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem é próximo da família Bolsonaro.