Tag: Cracolândia

  • Polícia e GCM fazem operação na Cracolândia, no Centro de SP

    Polícia e GCM fazem operação na Cracolândia, no Centro de SP

    Agentes abordam usuários no chamado “fluxo”, local onde ocorre a venda e o consumo da droga. Duas pessoas foram detidas por tráfico. Ação começou na manhã desta sexta (18).

    A Polícia e a Guarda Civil Metropolitana fazem uma operação conjunta na manhã desta sexta-feira (18) na Cracolândia, no Centro de São Paulo.

    Os agentes abordam usuários no chamado “fluxo”, local onde ocorre a venda e o consumo da droga. Ainda não há informação sobre detidos e o motivo da operação.

    Segundo informações iniciais, agentes da polícia civil realizam abordagens a alvos identificados. A GCM atua na contenção dos usuários. GCM atua no local com 12 viaturas, 36 integrantes e nove motociclistas.

    Crescimento
    Cerca de 1.200 pessoas foram flagradas todos os dias na Cracolândia durante os sete primeiros meses deste ano, segundo levantamento feito pela Prefeitura de São Paulo.

    De acordo com os dados, a média diária de usuários cresceu 27,8% de janeiro a julho de 2023. A gestão municipal disse que o levantamento é feito por meio de imagens captadas por drones.

    Violência e insegurança
    A região reflete a espiral da violência na capital paulista. O problema se arrasta há décadas e é tratado de diferentes formas a cada nova gestão.

    Na noite desta terça (15), a polícia usou bombas de efeito moral e balas de borracha contra os usuários. O porteiro de um prédio na região morreu vítima de latrocínio.

    Nos últimos anos, a prefeitura e o estado passaram a realizar ações policiais para dispersar usuários de drogas que ficavam concentrados em determinadas ruas.

    A medida fez com que os usuários se espalhassem pela região e afetou a vida de comerciantes e moradores, que relatam o aumento da violência e insegurança.

    Segundo levantamento da GloboNews com base nos dados da Secretaria da Segurança Pública, mais de 130 lojas foram roubadas ou furtadas na região desde abril.

    Debate na Câmara
    Por conta dos problemas, a prefeitura enviou à Câmara um projeto que propõe isentar de IPTU imóveis da região. Nesta quarta (16), a Câmara aprovou o PL em primeira votação

    O texto recebeu 40 votos favoráveis, 6 votos contrários e 5 abstenções. Agora, o texto passará por três audiências públicas antes de retornar ao plenário para a segunda votação.

    A primeira audiência pública, da Comissão de Política Urbana, está marcada para o dia 18 de agosto, às 11h. A segunda ainda não tem data definida. Na terceira, também ainda não marcada, a Câmara vai apresentar um texto substitutivo com possíveis alterações ao original.

    O líder do governo, vereador Fabio Riva (PSDB), disse que para aumentar o número de imóveis será necessário apresentar um estudo de impacto e também de responsabilidade fiscal.

    O PT votou contra, e a bancada do PSOL se absteve. O vereador Senival Moura (PT), líder da oposição na Câmara, afirmou que, dos 947 imóveis contemplados pelo projeto, 619 não estão nos trechos indicados pelo Executivo. E que 46% dos contemplados já são isentos do IPTU.

    À TV Globo, a oposição informou que somente se prazo e trechos forem estendidos eles podem mudar de posicionamento na segunda votação.

    Na mesma semana, em entrevista à GloboNews, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que o projeto foi baseado na localização do chamado “fluxo” de usuário, local onde é feito a venda e o consumo de drogas.

    “O parâmetro do critério é de que os boletins que são emitidos diariamente pela secretaria de segurança urbana e secretaria de saúde, definem quais são as ruas que têm a concentração de pessoas naquela região”, afirmou Nunes em entrevista à GloboNews.

    Entretanto, ele não descartou que alterações possam ser feitas no texto durante debate na Câmara, dentre elas, a ampliação do número de contemplados. Pelo texto, 947 imóveis localizados em seis ruas selecionadas serão beneficiados.

    “Quando a gente manda um projeto para a Câmara Municipal, ele não está ali fechado. De regra geral, sempre tem contribuições e alterações no projeto”, afirmou.

    Comerciantes de ruas como a Santa Ifigênia, que ficou de fora da proposta, reclamam dos critérios, uma vez que o impacto da violência e insegurança é sentido por uma área muito mais abrangente.

    Intervenção na Cracolândia
    Em julho, a Defensoria Pública do Estado divulgou um relatório que aponta a ineficácia da estratégia de intervenção policial adotada ao longo dos últimos anos para lidar com a questão da Cracolândia.

    Ainda segundo o relatório, 90% das prisões em massa realizadas na região durante a 6ª fase da Operação Caronte — apelidada por um dos detidos de “Operação Cachimbo” —, foram consideradas ilegais pela Justiça e arquivadas.

     

  • confusão e correria durante operação policial na Cracolândia, no Centro de SP

    confusão e correria durante operação policial na Cracolândia, no Centro de SP

    Polícia e Guarda Civil usaram bombas de efeito moral e balas de borracha na noite desta terça-feira (15) para dispersar usuários de drogas concentrados entre a Rua dos Gusmões e a Avenida Rio Branco.

    Vídeos registrados por moradores do Centro de São Paulo e enviados à reportagem da TV Globo mostram momentos de confusão na região da Cracolândia durante uma ação conjunta entre as Polícias Civil e Militar e a Guarda Civil Metropolitana, na noite desta terça-feira (15).

    A ação começou por volta das 21h30 para dispersar usuários entre a Rua dos Gusmões e a Avenida Rio Branco.

    Nas imagens, é possível ver que foram usadas bombas de efeito moral, disparos de armas com balas de borracha. Houve também correria entre os dependentes químicos.

    Em outro vídeo é possível ver muitos usuários invadindo um estacionamento bem ao lado do chamado fluxo da Cracolândia.

    Uma câmera de segurança registrou alguns deles fugindo de dentro do comércio. Nas imagens, é possível ver que eles quebram a porta pelo lado de dentro e correm pela rua. Pouco depois chega uma viatura da GCM.

    O grupo se dispersou por várias ruas da região da Santa Efigênia. Mas, segundo alguns moradores, eles retornaram para o cruzamento da avenida Rio Branco com a rua dos Gusmões após a ação da polícia e da GCM.

    Isenção do IPTU na Cracolândia

    A Câmara Municipal de São Paulo deve votar nesta quarta-feira (16) o projeto de lei que prevê isentar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 947 imóveis da região da Cracolândia, no Centro de São Paulo.

    A proposta foi elaborada pela gestão de Ricardo Nunes (MDB) e enviada ao legislativo municipal na última sexta (11).

    Ao g1, o prefeito disse que a ideia é que o benefício, se aprovado pelos vereadores, passe a valer para os anos de 2024 e 2025, o que irá afetar o orçamento da próxima gestão.

    Nunes disse que a gestão municipal tem dinheiro para viabilizar a proposta e considera injusto cobrar o imposto das pessoas que trabalham e residem na área. “Não é justo cobrar IPTU das pessoas que estão vivendo todo esse problema”, disse.

    A região reflete a espiral da violência na capital paulista. O problema se arrasta há décadas e é tratado de diferentes formas a cada nova gestão.

    Nos últimos anos, a prefeitura e o estado passaram a realizar ações policiais para dispersar usuários de drogas que ficavam concentrados em determinadas ruas. A fez com que os usuários se espalhassem pela região e afetou a vida de comerciantes e moradores, que relatam o aumento da violência e insegurança.

    Intervenção na Cracolândia
    Em julho, a Defensoria Pública do Estado divulgou um relatório que aponta a ineficácia da estratégia de intervenção policial adotada ao longo dos últimos anos para lidar com a questão da Cracolândia.

    Ainda segundo o relatório, 90% das prisões em massa realizadas na região durante a 6ª fase da Operação Caronte — apelidada por um dos detidos de “Operação Cachimbo” —, foram consideradas ilegais pela Justiça e arquivadas.

     

  • Lojistas fecham comércios e protestam contra insegurança na Santa Ifigênia, no Centro de SP

    Lojistas fecham comércios e protestam contra insegurança na Santa Ifigênia, no Centro de SP

    Conhecida como ponto especializado em eletrônicos e videogames na capital paulista, rua foi afetada pela dispersão da Cracolândia. Donos de lojas citam aumento de furtos e roubos com presença de dependentes químicos.

    Um grupo de lojistas que trabalha na Rua Santa Ifigênia, no Centro de São Paulo, fechou as portas de seus comércios e protestaram contra roubos e furtos na região.

    Com cartazes, eles cobraram melhorias por parte do governo paulista, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a segurança pública desde que houve dispersão dos dependentes químicos na Cracolândia.

    Anteriormente, o fluxo (como é chamado o grupo de usuários) ficava localizado na região da Praça Princesa Isabel. A área foi transformada em parque e está fechada para obras.

    Os donos de lojas alegam que os casos de roubo e furto aumentaram na região com a presença de dependentes próximos às lojas.

    Segundo a PM, o protesto começou às 09h37 pela Rua dos Gusmões, passou pela rua Santa Ifigênia e seguiu em direção à Subprefeitura da Sé, no Centro. “No local, segundo a PM, há interdição de via e carro de som. Não sabem informação o número de pessoas envolvidas. A delegacia da área é o 3º DP do Campos Elíseos”.

    Dispersão da Cracolândia

    Novos locais com concentração de pessoas em situação de rua usando drogas surgiram após ações da polícia no Centro da capital, segundo pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) em 2022.

    Os pesquisadores identificaram que a maior parte desses pontos está na região central da capital. Eles reúnem de 20 a 200 usuários em cada local. Na ocasião, o estudo apontou que a tática usada pela prefeitura para a dispersão dos usuários não era a mais adequada para resolver o problema da Cracolândia.

    A prefeitura defende que as ações no centro provocaram um aumento no atendimento aos dependentes químicos, e que desde 2017 é possível verificar uma redução do número de pessoas na Cracolândia.

    Entretanto, uma investigação do Ministério Público que apontou ilegalidade no processo afirmou que a grande maioria dos internados não tinha histórico de dependência química.

    Há quem ganhe dinheiro e busque engajamento nas redes sociais com a degradação social e de saúde pública na Cracolândia. Vídeos publicados na rede social TikTok somam milhões de interações debochando de usuários de drogas. Em uma live, um perfil prometeu ‘jogar moedas’ nas pessoas se atingisse 10 mil seguidores.

    Um dos casos é feito por um motociclista, que filma usuários na Cracolândia usa a música “Ilusão (Cracolândia)”, de MC Hariel. “Cena apocalíptica”, escreve. Em menos de dois meses, a postagem recebeu 4,6 milhões de visualizações e 223 mil curtidas. Outro, publicado no dia 30 de março, acumula 6,8 milhões de visualizações, 223 mil curtidas e 5,3 mil comentários.

    Insegurança no Centro
    Levantamento feito pelo Sindicato de Restaurantes, Bares e Similares em abril deste ano indicou que 40 restaurantes fecharam as portas no Centro de São Paulo no último ano.

    O aumento da insegurança provocou a queda do número de clientes e reduziu a sobrevida dos estabelecimentos.

    Em abril, uma farmácia e um mercado foram saqueados por dezenas de pessoas na região da Cracolândia.

    Levantamento do g1 e do Fantástico mostrou que a cidade de São Paulo tem um registro de roubo ou furto de celular a cada 3 minutos. Mais de 15% destes crimes se concentram em duas delegacias do Centro, região próxima à Cracolândia.

    Durante 2022, a prefeitura e o governo do estado realizaram ações para tentar combater o tráfico de drogas. As medidas, entretanto, não impediram a venda e o consumo no local, e fizeram com que os usuários se espalhassem pelo Centro.

    O tradicional colégio Liceu Coração de Jesus, na região central de São Paulo, ameaçou encerrar as atividades no ano passado, mas foi mantido após a prefeitura firmar parceria para pagar a mensalidade de 500 alunos da rede pública e evitar o fechamento.

    Fundada há 137 anos, em um edifício já tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico da Cidade de São Paulo), a instituição ligada à igreja católica chegou a ter mais de 3 mil alunos, mas passou a sofrer com o problema de insegurança causado por sua proximidade com a região da Cracolândia, um dos fatores que levou à diminuição do número de estudantes.

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro.

    Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias com a Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, os espalhando pela cidade.

     

  • Relatório da Defensoria Pública aponta violações de direitos humanos em ações da Prefeitura de SP na região da Cracolândia

    Relatório da Defensoria Pública aponta violações de direitos humanos em ações da Prefeitura de SP na região da Cracolândia

    Documento cita que atuação da Guarda Civil Metropolitana é violenta e desrespeita regras definidas em decreto e portaria municipais. Administração diz que não compactua com condutas inadequadas, e que atuação da GCM é pautada no respeito à dignidade das pessoas.

    A Defensoria Pública do Estado de São Paulo afirmou em um relatório enviado à Prefeitura da capital paulista ter encontrado violações de direitos humanos ao cumprimento de regras definidas pela própria administração municipal durante os trabalhos de atendimento e tratamento à população de rua e usuários de drogas na região da Cracolândia, no Centro da Cidade.

    No documento, obtido em primeira mão pela GloboNews, o Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado afirma que a Guarda Civil Metropolitana, em boa parte pela equipe de Inspetoria Regional de Operações Especiais (IOPE), tem realizado revistas e triagem dos frequentadores da Cracolândia e que “o ingresso ao espaço é feito de forma violenta e cercando as possíveis saídas da rua onde há maior concentração de pessoas, o que leva a uma rápida dispersão daqueles que se encontram ao local”.

    Segundo os defensores, mesmo caracterizada como uma ação de zeladoria, a GCM não acompanha os trabalhos para colaborar na mediação de conflitos e assegurar a proteção de todos os envolvidos nas ações, como funcionários, população em geral e em situação de rua, e que maioria das pessoas abandona seus pertences e não tem a possibilidade de obter o número do lacre para recuperação dos bens, como define o decreto municipal.

    “É certo que a atuação da Guarda Civil Metropolitana com seus armamentos ostensivos, agressividade e arbitrariedade em um território marcado por altíssimos índices de vulnerabilidade (com a gravíssima conjugação de pobreza, violência extrema, consumo habitual e problemático de drogas, especulação imobiliária e exploração política) em nada contribui com o êxito de operações de limpeza urbana. Ao contrário, atua no sentido de ampliar a conflituosidade no espaço urbano, aumentar a violência contra a população vulnerável e amplia a degradação urbana local. Tudo isso com alto custo para o erário público, sem nenhuma eficácia comprovada ou planejada e de forma a violar direitos fundamental.”, cita o documento.

    Procurada pela GloboNews, a Prefeitura de São Paulo não comentou o relatório da Defensoria Pública, mas afirmou que não compactua com condutas inadequadas e que, desde 2002, a corporação conta com uma Corregedoria Geral, responsável por apurar rigorosamente todos os casos suspeitos de desvios de conduta de seus agentes.

    Em nota, a Prefeitura afirmou ainda que a atuação da Guarda Civil Metropolitana “é pautada no respeito aos direitos humanos e na dignidade das pessoas”.

    Vídeos mostram abordagens
    Vídeos anexados ao relatório mostram os guardas civis metropolitanos usando máscaras, cassetes e escudos. Na revista no dia 4 de abril de 2023 realizada em usuários de drogas que permanecem mesmo após a dispersão, os GCMs conversa com um dos frequentadores apontando o cassete para os pertences dele.

    O que se observa é que ele aponta quais itens ele pode levar consigo. A Defensoria diz que as abordagens são arbitrárias e que flagrou o momento em que um guarda exigia, por exemplo, notas fiscais de carrinhos de supermercado.

    Em outro vídeo, vans da Prefeitura chegam após a abordagem e revista feitas pelos guardas, o que viola as regras municipais.

    O Núcleo de Direitos Humanos ressalta no relatório que a função da Guarda Civil é a de “acompanhar as ações de zeladoria, atuando, exclusivamente, na salvaguarda dos direitos dos trabalhadores e agentes públicos que realizam a ação e na preservação dos direitos das pessoas afetadas pelas ações de zeladoria”.

    Além disso, o documento cita que pessoas ouvidas pela Defensoria relataram que as operações de zeladoria ocorrem duas vezes ao dia sem qualquer aviso prévio.

    “As próprias equipes dos serviços de abordagem social (SEAS) não são informadas do horário das ações, o que acaba interferindo na possibilidade de realizar abordagens e construir vínculos com usuário, já que as operações implicam na dispersão do fluxo e nas dificuldades de estabelecer relações de confiança entre os agentes da assistência social e usuários”.

    Os defensores fizeram a fiscalização porque receberam denúncias de violação de direitos humanos no local e porque um procedimento administrativo aberto pelo órgão em 2015 acompanha o cumprimento por parte da Prefeitura.

    Em um ofício enviado na terça-feira (10) ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) e à secretária de Segurança Urbana, Elza Paulina de Souza, a Defensoria Pública dá um prazo de 10 dias para que eles respondam a cinco questionamentos.

    Entre eles está o pedido de explicações sobre o fato de a Guarda Civil Metropolitana ter realizado a limpeza urbana, triagem e revista das pessoas no local, e não agentes da limpeza urbana.

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, porem, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro. Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias e Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, espalhando eles pela cidade.

    Recentemente, a proposta sobre a internação compulsória de usuários de crack e outras drogas que frequentam e moram na região da “Cracolândia” voltou a ganhar força dentro da Prefeitura da capital.

    Segundo apurado pela GloboNews, a equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB) está convicta de que não há outra alternativa para tratamento de dependentes que frequentam o local a não ser a internação mediante determinação judicial.

  • Proposta sobre internação compulsória na Cracolândia volta a ganhar força na Prefeitura de SP

    Proposta sobre internação compulsória na Cracolândia volta a ganhar força na Prefeitura de SP

    Para gestão de Ricardo Nunes (MDB), internação de usuários de drogas por determinação judicial é única alternativa. Medida já foi alvo de críticas do Ministério Público e especialistas no combate ao consumo de drogas no passado.

    A proposta sobre a internação compulsória de usuários de crack e outras drogas que frequentam e moram na região conhecida como “Cracolândia”, no Centro da cidade de São Paulo, voltou a ganhar força dentro da Prefeitura da capital.

    Segundo apurado pela GloboNews, a equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB) está convicta de que não há outra alternativa para tratamento de dependentes que frequentam o local a não ser a internação mediante determinação judicial.

    Na sexta-feira (7), um novo episódio trouxe a questão da Cracolândia mais uma vez para o debate. Cinco pessoas foram presas suspeitas de estarem no grupo de um arrastão em uma farmácia e mercado no Centro.

    Câmeras de segurança registraram o momento da ação. Segundo a GCM, o arrastão foi feito por usuários de drogas da Cracolândia. Um funcionário que cuida da portaria de uma empresa na mesma rua relatou à TV Globo que a ação foi muito rápida e ocorreu logo depois de uma operação policial.

    A contagem da Prefeitura aponta que, atualmente, cerca de 1 mil pessoas frequentem a Cracolândia. Ainda segundo a administração municipal, o número chegou a 4 mil, mas estacionou depois que houve uma dispersão da Praça Princesa Isabel.

    A Prefeitura também diz que a redução ocorreu depois da abertura de novas unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Serviços de Cuidados Prolongados.

    Entenda a diferença entre três os tipos de internação, previstas pela legislação brasileira:
    Voluntária – com o consentimento e autorização do dependente químico
    Involuntária – em que um médico determina a necessidade da internação como última alternativa, com o conhecimento de algum familiar ou responsável da pessoa
    Compulsória – que ocorre por determinação judicial, depois de pedido formal feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a própria condição psicológica e física.
    Um estudo da Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas (Uniad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), usado como uma das referências pela administração municipal para tomadas de decisão na Cracolândia, aponta que 57,4% dos cerca de 1 mil frequentadores estão no local há pelo menos cinco anos. Outros 39,2% estão na região há 10 anos ou mais.

    Uma resposta para a questão da Cracolândia tem sido colocada como uma meta do prefeito de São Paulo. “O sonho da minha vida é resolver isso”, disse reservadamente em conversa com assessores. No começo do ano, Nunes já havia defendido a internação compulsória de usuários de drogas com mais de cinco anos de consumo de crack.

    O pedido de internação compulsória não depende de autorização familiar. Ela é sempre determinada por um juiz competente, depois de pedido formal feito por um médico especialista, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a própria condição psicológica e física. O prefeito de São Paulo entende que essa é uma barreira entre os médicos, que não se sentem apoiados pela sociedade para assinar os pedidos enviados à Justiça.

    A gestão de Nunes aposta no reforço do patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para coibir o tráfico de drogas no local e a montagem de barracas que impeçam o monitoramento do movimento na região por meio de câmeras. As imagens são monitoradas pelo prefeito em monitores instalados na sala dele. No fim de janeiro, Prefeitura e governo do estado anunciaram novas medidas para enfrentar o dilema histórico da cidade.

    Além de ações de segurança, o plano incluía iniciativas nas áreas de habitação, assistência social e saúde, como a a contratação de 200 profissionais especializados em dependência química, 1 mil novas vagas em comunidades terapêuticas, 40 vagas em casas de passagem para abrigar usários em situação de rua e a criação de novo “hub” de cuidados em álcool e drogas.

    A internação compulsória, no entanto, tem sido alvo de críticas do Ministério Público há vários anos. Após uma megaoperação em maio de 2017 na região da Cracolândia, a então gestão municipal de João Doria pediu à Justiça para que os usuários de drogas pudessem ser internados compulsoriamente (por determinação judicial). Na época, o Ministério Público (MP) de São Paulo classificou como uma “caçada humana” o pedido feito pela Prefeitura.

    “[É] o pedido mais esdrúxulo que eu vi em toda minha carreira, quer seja antes como advogado, quer seja agora como membro do Ministério Público”, afirmou o promotor da Saúde Arthur Pinto Filho na ocasião. “O que se quer no pedido é uma caçada humana que não tem paralelo na história do Brasil e do mundo.”

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, porem, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro.

    Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias e Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, espalhando eles pela cidade.