Categoria: Saúde

  • OMS confirma 2 mortes em Gana por Marburg, vírus da família do Ebola

    OMS confirma 2 mortes em Gana por Marburg, vírus da família do Ebola

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um comunicado nesta segunda-feira (18/7) confirmando que Gana pode enfrentar um novo surto do vírus Marburg após duas mortes serem confirmadas para a doença. Os dois pacientes que faleceram apresentaram os mesmos sintomas: febre, diarreia, náuseas e vômitos.

    Ainda segundo o comunicado, o Instituto Pasteur de Dacar, no Senegal, recebeu amostras das duas pessoas que morreram e confirmou a suspeita do Instituto de Pesquisa Médica Noguchi Memorial, em Gana, que havia levantado a suspeita para o vírus Marburg nestes casos. Os pacientes são da região de Ashanti, no sul do país.

    No informe, a OMS afirma que uma das vítimas era um homem de 26 anos, que deu entrada no hospital no dia 26 de junho deste ano, e que faleceu no dia seguinte. A outra vítima era um homem de 51 anos que foi para o hospital no dia 28 de junho e acabou morrendo no mesmo dia, apesar do atendimento médico. Os dois pacientes foram atendidos na mesma unidade de saúde.

    Ao todo, mais de 90 casos suspeitos, que incluem moradores e profissionais da saúde, foram identificados e estão sendo monitorados. O temor, segundo o comunicado, é de que a situação na região saia do controle. O vírus Marburg consta na lista da OMS como um patógeno de interesse, que pode causar uma pandemia.

    O vírus

    O vírus Marburg é um patógeno da família do Ebola, e essa é a segunda vez que a zoonose é detectada no oeste africano. Em setembro de 2021 um caso foi detectado na Guinea. O Marburg, de acordo com a OMS, é transmitido por morcegos que se alimentam de frutas. O contágio ocorre através do contato direto com fluidos corporais de pessoas contaminadas, superfícies e materiais.

    Além de febre, diarreia, náuseas e vômitos, a doença também pode causar hemorragias no paciente em um período de sete dias. Sangramentos internos e externos, com sangue no nariz, gengivas, vagina, no vômito e nas fezes também podem ser registrados nas vítimas.

    Baseado em surtos anteriores, a taxa de mortalidade da doença gira entre 24% a 88%. Ainda não há uma vacina para esta doença nem um tratamento estabelecido.

  • Violência obstétrica: o que é, como reconhecer e denunciar

    Violência obstétrica: o que é, como reconhecer e denunciar

    O assunto violência obstétrica voltou à ordem do dia depois que o anestesista Giovanni Quintella foi preso em flagrante após estuprar uma paciente desacordada, que estava passando por uma cesárea. O caso chocante representa um extremo de situações de violência enfrentadas por mulheres durante o parto, momento no qual estão extremamente vulneráveis.

    “A violência obstétrica é um total desrespeito à mulher, à sua autonomia, ao seu corpo e aos seus processos reprodutivos”, afirma o ginecologista Carlos Moraes, obstetra pela Santa Casa/SP e membro da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a violência obstétrica como uma “apropriação do corpo da mulher e dos processos reprodutivos por profissionais de saúde, na forma de um tratamento desumanizado, medicação abusiva ou patologização dos processos naturais, reduzindo a autonomia da paciente e a capacidade de tomar suas próprias decisões livremente sobre seu corpo e sua sexualidade”

    Episódios tão graves como o que ocorreu no Rio de Janeiro não costumam vir a público, mas situações nas quais a parturiente é desrespeitada são corriqueiras nos hospitais brasileiros. Realizado há dez anos, o levantamento “Nascer no Brasil”, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mostrou que 30% das mulheres atendidas em hospitais privados sofrem violência obstétrica. No Sistema Único de Saúde (SUS), a taxa alcança 45%

    “A conduta vexatória pode ocorrer durante a gestação, o parto e pós-parto, manifestando-se por meio de violência verbal ou física e pela adoção de intervenções e procedimentos desnecessários e/ou sem evidências científicas”, explica o ginecologista Carlos Moraes.

    O especialista elencou 13 exemplos de situações que caracterizam violência obstétrica:

    1. Violência emocional

    Xingar, humilhar, fazer comentários constrangedores em razão da cor, raça, etnia, religião, orientação sexual, idade, classe social ou número de filhos são exemplos de violência emocional.

    2. Proibir acompanhante

    A lei do direito ao acompanhante, em vigor desde 2005, diz que a gestante tem o direito de ser acompanhada por pessoa de sua escolha durante sua permanência no estabelecimento de saúde. (Lei nº 11.108/2005).

    “Nenhum médico pode negar a presença de um acompanhante durante toda a gestação, no parto e pós-parto imediato. Se houver essa restrição logo no início do pré-natal, já reveja sua escolha”, ressalta Carlos Moraes.

    3. Exame de toque exagerado

    Por ser doloroso e incômodo no trabalho de parto, além de haver risco de infecção/contaminação, o exame de toque não deve ser feito o tempo todo e tampouco sem o consentimento da paciente.

    4. Ocitocina sem necessidade

    Chamada de “sorinho”, a ocitocina sintética é injetada na veia para acelerar as contrações uterinas e, consequentemente, o trabalho de parto. No entanto, quando a substância é utilizada em um parto que evolui normalmente ou se a dose for maior do que o necessário, pode provocar contrações uterinas excessivas e até diminuir o fluxo sanguíneo do bebê, aumentando o risco de fazer uma cesárea.

    5. Amniotomia (rompimento da bolsa)

    O rompimento precoce da bolsa, associado ou não à ocitocina, não deve ser realizado em mulheres que estejam evoluindo bem no trabalho de parto.

    6. Realização da Manobra de Kristeller

    Feito tanto no parto normal como na cesárea, o procedimento consiste na pressão da parte superior do útero com o objetivo de facilitar a saída do bebê.

    Apesar de proibida pelo Ministério da Saúde e pela OMS, a técnica ainda é realizada em alguns hospitais no Brasil, principalmente no SUS. Os riscos são: ruptura do fígado ou baço, fratura de costelas, descolamento da placenta, traumas encefálicos no bebê, entre outros.

    7. Realização de Tricotomia e Enema

    Tanto a tricotomia pubiana e perineal (raspagem dos pelos) como o enema (lavagem intestinal) não devem ser realizados durante o trabalho de parto sem o consentimento da paciente.

    8. Episiotomia sem necessidade ou sem informar à mulher

    Trata-se do corte feito entre a região da vagina e do ânus para facilitar a saída do bebê. Mesmo que a OMS tenha determinado critérios sobre o procedimento, médicos realizam a episiotomia rotineiramente, sendo que, muitas vezes, ela não é necessária. Estima-se que o corte seja feito em cerca de 80% das brasileiras, sem notificar ou questionar a paciente.

    9. Negar escolha da posição do parto

    A mulher pode (e deve) escolher sua posição de parto, não sendo obrigada a ficar em posição de litotomia (deitada com a barriga para cima e pernas levantadas). “A paciente tem o direito de decidir se quer ficar de cócoras, agachada ou em qualquer outra posição que seja mais confortável para ela”, diz o ginecologista Carlos Moraes.

    10. Proibir dieta e líquidos

    Não se pode impedir que a mulher se alimente e beba água durante o trabalho de parto. Muitas pacientes ficam horas em jejum. Mulheres em trabalho de parto podem ingerir líquidos e dieta leve.

    11. Negar anestesia

    Toda gestante tem o direito de receber anestesia, se for solicitada ou necessária. No entanto, a medicação não pode impedi-la de se mexer, andar e, principalmente, fazer força em caso de parto normal.

    12. Cesárea sem necessidade

    A mulher não é obrigada a fazer uma cesariana, a não ser que haja problemas de saúde ou complicações durante o trabalho de parto. A cesárea é uma cirurgia e pode gerar hemorragia, infecções e danos a órgãos internos da gestante, sem que fosse necessário assumir o risco de ter estas complicações.

    13. Dificultar o contato imediato com o bebê e a amamentação

    As mulheres devem ser estimuladas a ter contato pele a pele imediato com a criança e a amamentar, logo após o nascimento. “Independentemente do tipo de parto, o bebê deve ser levado à mãe assim que nascer e ser amamentado logo após ser limpo”, esclarece o ginecologista.

    Como denunciar

    É fundamental que vítimas de violência em qualquer fase da gestação ou do parto, realizados em redes de saúde pública ou privada, denunciem a ocorrência. As denúncias podem ser realizadas junto à ouvidoria do hospital, ao Ministério Público, à Defensoria Pública da região, à Secretaria de Saúde do município ou na ouvidoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), em caso de ser beneficiária de plano de saúde.

    Denúncias também podem ser feitas pelo número 180 ou pelo Disque Saúde 136. “A paciente deve denunciar quem praticou violência obstétrica nos conselhos de classe e promover na justiça ação para reparação dos seus danos materiais, estéticos e/ou morais”, complementa o ginecologista Carlos Moraes.

  • OMS confirma mais de 9 mil casos de varíola dos macacos em 63 países

    OMS confirma mais de 9 mil casos de varíola dos macacos em 63 países

    O diretor da agência das Nações Unidas explicou, ainda, que a OMS está trabalhando com a sociedade civil e a comunidade LGBT+ para eliminar o estigma em torno da doença. “Também estamos promovendo ações para coordenar o desenvolvimento de vacinas, que ainda são escassas, além de estabelecer acordos com países e especialistas para aumentar pesquisas e desenvolver um protocolo global sobre o tratamento”, frisou.

    Diante do avanço do número de casos da varíola dos macacos nos países em que ela não é endêmica, o Comitê de Emergência da OMS, responsável por determinar a gravidade da crise sanitária, fará uma nova reunião sobre a enfermidade na próxima segunda-feira (18/7).

    Durante o encontro, serão atualizadas diretrizes para definir como tratar a situação de saúde. A agência não descarta declarar a doença como emergência de saúde global, como ocorre com a Covid-19.

    “Observamos um aumento no número de casos, novos países afetados e, portanto, precisamos avaliar novamente a situação. É necessário entender se precisamos reforçar as recomendações ou revisitar a estratégia”, disse a diretora de preparo e prevenção a pandemias e endemias da entidade, Sylvie Briand.

    Segundo a especialista, 0 último encontro do comitê de emergência forneceu critérios que precisam ser monitorados — entre eles, a transmissão da varíola dos macacos fora das comunidades inicialmente afetadas, bem como as mudanças no vírus.

  • Endometriose: saiba sintomas da condição de saúde que afeta Anitta

    Endometriose: saiba sintomas da condição de saúde que afeta Anitta

    A cantora Anitta revelou em suas redes sociais, na quinta-feira (7/7), que foi diagnosticada com endometriose e precisará passar por cirurgia. A doença é causada pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero, em locais como os intestinos, ovários, trompas de falópio e bexiga.

    A condição resulta em sangramentos fora do período menstrual e dores ao urinar e ter relações sexuais. Também causa fortes cólicas menstruais e poder atrapalhar mulheres que desejam engravidar.

    Em um alerta para suas seguidoras, Anitta afirmou que a doença é mais frequente do que se imagina: “Procurem mais de um médico, mais de uma opinião. Se um não resolver, vai para outro. Não é normal a gente viver com essa dor assim”, disse.

    Segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que 8 milhões de brasileiras sofram com essa condição de saúde. A incidência costuma ser maior entre 25 e 35 anos e, em casos graves, uma cirurgia para retirada do útero, colo do útero, ovários ou tubas uterinas pode ser indicada.

    Causas

    As causas da doença ainda não estão totalmente claras, a principal hipótese é que a endometriose seja consequência de uma eliminação incorreta da menstruação. Os fragmentos do endométrio descamados, que deveriam ser eliminados no período menstrual vão para outros órgãos.

    Sintomas

    Os principais sintomas da endometriose são:

    • Dor intensa na região pélvica, especialmente no período menstrual;
    • Menstruação duradoura;
    • Dores durante o ato sexual;
    • Dores ao urinar ou defecar;
    • Prisão de ventre ou diarreia constante;
    • Dificuldade para engravidar.

    Os sinais da doença podem perdurar por muito tempo, tornando o diagnóstico tardio, quando a condição já é grave e necessita de intervenção cirúrgica.

  • Cientistas criam vacina personalizada para câncer de cabeça e pescoço

    Cientistas criam vacina personalizada para câncer de cabeça e pescoço

    Pesquisadores do Clatterbridge Câncer Center, na Inglaterra, conseguiram criar uma vacina personalizada contra câncer de cabeça e pescoço. A fórmula foi criada a partir do DNA de cada paciente, com tecnologia semelhante a dos imunizantes contra a Covid-19.

    Segundo os cientistas, os resultados foram “realmente esperançosos”. A vacina foi aplicada como complemento ao tratamento comum para os tumores, que são conhecidos pela alta possibilidade de recidiva.

    Nenhum dos oito pacientes que participaram da pesquisa teve câncer novamente, mesmo muitos meses depois de usar a vacina. No grupo de controle, que contava com outros oito voluntários que não tomaram o imunizante, dois pacientes voltaram a ter tumores.

    A fórmula usou um pedaço do DNA do tumor de cada paciente e o inseriu em um vírus inofensivo (como acontece com as vacinas comuns). O objetivo era que o sistema imunológico reconhecesse as células cancerígenas ainda no começo, e agisse antes que elas se tornassem um câncer novamente.

    Os pesquisadores consideram que o estudo ainda é muito pequeno para ser conclusivo, mas dizem estar “cautelosamente otimistas”.

  • Assembleia de Deus em Marabá realiza festa junina e revolta fiéis

    Assembleia de Deus em Marabá realiza festa junina e revolta fiéis

    A Igreja Assembleia de Deus em Marabá (PA), liderada pelo pastor Sales Batista, permitiu a realização de uma “festa junina” no templo onde também é realizado os congressos, a Santa Ceia e outros eventos.

    O mega templo foi construído com as ofertas e os dízimos dos fiéis. A informação é do portal Assembleianos de Valor.

    De acordo com as informações, a ala mais conservadora da denominação está revoltada com a atitude do pastor. Vale destacar que a igreja não aceita cantores e pregadores de outros ministérios.

    Em Campina Grande (PB), a Igreja Batista da Lagoinha também recebeu diversas críticas por realizar uma festa junina com direito a comidas típicas e apresentações de quadrilhas.

    A palavra “junina” vem de “Juno”, uma deusa pagã, que a Igreja Católica adotou para João e adaptou para “joanina”. Essa deusa, na mitologia romana, é a esposa de Júpiter e rainha dos deuses. Danças/Quadrilha: As danças, por sua vez, têm origem nas coreografias pagãs para adorar deuses.

  • Patrocinada pelo governo, vacina brasileira está na 1ª fase há 6 meses

    Patrocinada pelo governo, vacina brasileira está na 1ª fase há 6 meses

    A vacina contra a Covid-19 desenvolvida por pesquisadores brasileiros enfrenta dificuldades para avançar. O imunizante, financiado pelo governo federal por meio da RedeVírus, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), encontra-se na fase um de ensaios clínicos desde o início do ano.

    Os testes começaram em 13 de janeiro no Hospital da Bahia, localizado em Salvador. Inicialmente, a etapa estava prevista para ter duração de três meses e aplicaria a vacina em 90 voluntários.

    O estudo, no entanto, não avançou para a próxima fase por falta de voluntários. Até o momento, apenas 39 pessoas foram vacinadas com pelo menos uma dose.

    Segundo o MCTI, o governo já investiu mais de R$ 15 milhões no desenvolvimento do imunizante.

    Entenda a demora no processo de produção

    Anamélia Lorenzetti Bocca, professora de Imunologia Celular na Universidade de Brasília (UnB), diz que é possível analisar o cenário de demora na produção do imunizante de duas formas. O primeiro, explica ela, é que o Brasil não tem mais um grupo de “não vacinados”.

    “A gente tem que considerar que, quando os ensaios clínicos de fase um começam, a gente tem que ter um grupo que é chamado de placebo — que não vai receber a vacina — e a gente precisa ter um grupo imunizado”, esclarece a professora.

    Ela acrescenta: “Neste momento, a gente não tem mais pessoas que são consideradas grupo placebo, porque a população que não se vacinou não quer participar de nenhum desenvolvimento de vacina, porque ela é contra a vacina. E as pessoas que são a favor da vacina já foram imunizadas”.

    A docente de Imunologia Celular cita como exemplo a Butanvac, vacina fabricada totalmente no Brasil e que solicitou registrou junto à Anvisa como “vacina de imunização”, mas que precisou mudar o pedido no meio do processo de produção.

    “Agora eles mudaram o pedido do registro junto à Anvisa para a Butanvac ser uma vacina de reforço, porque eles só conseguiram avaliar a efetividade dela como um reforço vacinal, e não mais para induzir uma resposta imune”, argumenta.

    De acordo com Anamélia, a segunda análise para a demora na produção da vacina patrocinada pelo governo é que o país carece de uma “infraestrutura adequada”.

    “Esse avanço de uma fase de produção para outra precisa de recursos; precisa de investimentos; precisa ter uma organização e ter recursos dados para o Butantan, por exemplo; ter plataformas mais modernas de desenvolvimento de vacinas. Isso é uma coisa que a gente não tem”, justifica.

    Ela diz que não é estranho o fato da vacina financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia não ter conseguido avançar como o esperado, apesar do montante já investido no imunizante.

    “A gente não tem uma infraestrutura adequada, porque os governos passados deixaram de investir nisso. Agora, mesmo com essa urgência e todo o projeto do governo, na verdade o que precisava era ter feito um aporte de recursos financeiros muito maior do que eles fizeram”, avalia a professora da UnB.

    Sobre o imunizante

    O imunizante, chamado RNA MCTI CIMATEC HDT, está sendo desenvolvido pelo Senai Cimatec em parceria com a empresa norte-americana de biotecnologia HDT Bio Corp. A pesquisa é liderada pelo professor Roberto Badaró, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e é a primeira com uso da tecnologia replicon de RNA (RepRNA) no país.

    Para participar, é preciso ter entre 18 e 55 anos, ser residente da Bahia — as despesas com deslocamento, alimentação e hospedagem serão cobertas — e, principalmente não ter sido vacinada ou ter tomado apenas duas doses da Coronavac. Segundo Bruna Machado, líder técnica do estudo, com o avanço da vacinação, a quantidade de pessoas que atendem a esses critérios foi reduzida, por isso a dificuldade para encontrar voluntários.

    Nesta primeira fase, a pesquisa avalia a segurança, a capacidade de gerar resposta imune — a chamada imunogenicidade — e as possíveis reações adversas (reatogenicidade). Agora, a estimativa é de que a fase 1 seja concluída em dois meses.

    “Caso não sejam incluídos os 90 voluntários, serão realizadas as análises com os dados obtidos em conjunto com as demais informações de estudos que estão ocorrendo em outros centros de pequisa de outros países. No entanto, a expectativa é que o estudo avance para a fase II antes mesmo de completarmos o total de voluntários previstos para a fase I (90 pessoas)”, explica Machado.

    Segundo ela, isso é possível graças à análise interina, momento antes da conclusão do estudo em que os dados de segurança e imunogenicidade da vacina serão avaliados.

    “Para a realização a análise interina dessa primeira fase, não é necessário que a vacina tenha sido administrada nos 90 voluntários previstos inicialmente, fazendo com que o desenvolvimento da vacina RNA MCTI CIMATEC HDT não seja impactado. Sendo assim, poderemos iniciar a fase II, o que nos dá tempo e expectativa para concluir paralelamente a fase I”, continua a especialista.

    Mais fases

    Além da primeira etapa, a pesquisa ainda passará por outras duas fases de ensaios clínicos — também para aferir a segurança e eficácia, mas com um número maior de participantes.

    Com o atraso, aumentou também o prazo previsto para a finalização do estudo, que antes era até outubro deste ano. Os pesquisadores esperam concluir as três fases no primeiro semestre de 2023.

    Ao Metrópoles, o MCTI informou que não há como precisar quando a vacina começa a ser disponibilizada para a população. “A disponibilização de imunizantes à população segue uma série de ritos e depende de evidências científicas robustas para ser liberado pelos órgãos regulatórios e, posteriormente, ser incorporado aos mecanismos de imunização nacionais”, disse.

    Tecnologia para o futuro

    Julival Ribeiro, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirma que uma pesquisa desse porte é fundamental para que, no futuro, o país seja capaz de replicar a tecnologia na produção de outros imunizantes.

    O especialista diz que, apesar do atraso, o estudo precisa seguir todas as etapas necessárias para garantir a segurança e eficácia do imunizante.

    “Uma vacina tem que seguir todas as fases, isso é estabelecido no mundo inteiro, dentro de uma pesquisa ética. A gente sabe que o importante não é o tempo. O importante é ter vacinas seguras e eficazes”, pontua Ribeiro.

    Além disso, ele reforça que a vacina pode ser um importante elemento contra as variantes que possivelmente vão surgir. “O que os cientistas falam é que nós vamos sair da pandemia, mas [a Covid] vai se tornar uma doença endêmica. Então, traz ainda mais valor, sobretudo se ela [a vacina] puder se adaptar às novas variantes, tipo a gripe”, reforça.

  • Após vários diagnósticos de virose, menina de 12 anos descobre câncer

    Após vários diagnósticos de virose, menina de 12 anos descobre câncer

    Uma menina de 12 anos foi diagnosticada com um câncer em estágio avançado depois de passar semanas recebendo a informação de que estava com uma infecção viral. A britânica Imogen Selvester foi hospitalizada pela primeira vez em fevereiro — ela apresentava fadiga, coceira e suor noturno, além de um inchaço no pescoço.

    Os médicos disseram que provavelmente era uma virose, e que ela devia voltar em três semanas se não melhorasse. Nesse tempo, Imogen foi infectada com o coronavírus, que piorou ainda mais seu quadro.

    Após três semanas, quando ela retornou ao hospital, os profissionais de saúde pediram exames para entender qual era o problema. A mãe da menina, Natalie Bloxham, explica que a fila para a realização dos exames de imagem era de três meses, e enquanto esperavam, a filha piorou.

    Imogen começou a apresentar icterícia, um sintoma que deixa as mucosas e a pele do paciente amareladas. “Ela estava amarela, com febre de 40 graus e urina de cor estranha. Levei ela correndo para o hospital”, lembra, em entrevista ao Daily Mail. No centro de saúde, os médicos disseram que o problema era decorrente da Covid-19.

    Porém, ao fazer uma tomografia, descobriram tumores no coração, ao redor da traqueia e em outras partes do corpo. Imogen foi diagnosticada com Linfoma de Hodgkin, e começou o tratamento com quimioterapia imediatamente.

    Em rosa, estão os tumores descobertos na menina

    O câncer surge no sistema linfático, que é composto pelos linfonodos, também conhecidos por gânglios linfáticos, e tecidos que têm como função produzir as células responsáveis pela imunidade.

    Nesse tipo de câncer é possível verificar alteração nas células da imunidade, principalmente os linfócitos, que proliferam-se de forma excessiva. O processo causa uma reação inflamatória, o que faz com que os linfonodos fiquem inchados, e exista febre e coceira na pele, por exemplo.

    Segundo os responsáveis pelo caso, apesar de o câncer estar no estágio três, considerado avançado, a doença é considerada tratável e 90% dos pacientes sobrevivem mais de 10 anos depois do diagnóstico.

    Imogen deve perder os cabelos e pode ter dificuldade para engravidar no futuro por conta do tratamento, mas a família está confiante na recuperação.

  • OMS sobre aborto: “Todas as mulheres devem ter direito de escolher”

    OMS sobre aborto: “Todas as mulheres devem ter direito de escolher”

    Durante a entrevista coletiva desta quarta-feira (29/6), a Organização Mundial de Saúde (OMS) reafirmou posicionamento em defesa do aborto seguro. A discussão internacional voltou à tona depois de os Estados Unidos derrubaram o direito federal ao procedimento.


    “Todas as mulheres devem ter o direito de decidir quando se fala do seu corpo e da sua saúde. Ponto final. Aborto seguro é cuidado de saúde. Ele salva vidas. Restringi-lo só leva mulheres e meninas a procedimentos inseguros, que resultam em complicações a até a morte. A evidência é irrefutável”, afirma o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

    Ele afirma que as populações com maior impacto com a limitação do acesso ao aborto seguro são as mulheres pobres de comunidades marginalizadas. A cientista-chefe da entidade, Soumya Swaminathan, diz que negar o acesso à interrupção da gravidez em serviços de saúde é como dificultar que uma pessoa receba um remédio que pode salvar sua vida.

    “A falta de acesso não reduz o número de abortos. Se a mulher precisar, ela vai procurar como resolver. Vamos começar a ver o aumento da mortalidade e morbidade com essa decisão”, criticou a cientista.

    O diretor-geral da OMS diz que a população mundial simplifica demais ao dizer que é apenas um direito de escolha. Além disso, ele afirma que é uma decisão sobre a vida e o futuro da mulher, e que não é uma opinião, é um fato comprovado por pesquisa científicas irrefutáveis.

    Ghebreyesus afirmou estar preocupado com o impacto global da decisão norte-americana, e a considera um retrocesso. “Não esperávamos que essa mudança viesse dos EUA. Esperávamos que eles liderassem nesse assunto. Nos últimos 40 anos, a tendência global para mulheres é aumentar o acesso ao aborto seguro. A decisão da última semana foi um passo atrás, e nunca foi tão importante que a sociedade se una para proteger o direito da mulher de passar por um aborto seguro, em qualquer lugar”, conclui.

  • Confira 5 sintomas vasculares que podem aparecer depois da Covid

    Confira 5 sintomas vasculares que podem aparecer depois da Covid

    Não são apenas os sintomas clássicos das doenças respiratórias que podem ser associados com Covid-19. Já se sabe que a doença possui impacto vascular significativo no organismo por causar lesão endotelial, que é a camada interna do vaso.

    “Esta lesão pode causar dissecção deste vaso, inflamação do endotélio com comprometimento da circulação, tromboembolismo arterial e venoso, alteração da microcirculação e, consequentemente, uma repercussão em todo o organismo”, explica o médico Dr. Josualdo Euzébio da Silva, especialista em cirurgia vascular e endovascular.

    Segundo ele, a comunidade médica tem observado que problemas circulatórios podem ocorrer, tanto na fase da doença, quanto meses pós-covid. “Algumas destas alterações podem ser tratadas com medicamentos e outras necessitam de tratamento cirúrgico”, afirma o médico.

    De acordo com artigo publicado pela revista científica norte-americana Circulation Research, o Sars-CoV-2 promove a hipercoagulabilidade do sangue, sobretudo por fomentar uma produção elevada de substâncias inflamatórias e de uma enzima chamada trombina, que participa do processo de coagulação. “As complicações circulatórias deste evento podem comprometer pulmões, coração, rins e cérebro. O tromboembolismo arterial e venoso e o comprometimento da microcirculação podem levar até mesmo a perda dos membros inferiores”, destaca o cirurgião.

    O Dr. Euzébio esclarece que a principal complicação da trombose venosa é a embolia pulmonar, que ocorre quando um coágulo ou parte dele se desloca de uma veia até as artérias pulmonares. Os principais sintomas incluem dificuldade para respirar, muitas vezes acompanhada de tosse sem motivo aparente e dor súbita no peito, que piora quando a pessoa inspira profundamente.

    Embora a trombose possa ser totalmente assintomática, o cirurgião vascular alerta para uma série de sintomas não respiratórios que devem receber atenção especial, por estarem relacionados à Covid-19. Confira:

    1 – Dores nos membros inferiores
    Normalmente, o paciente sente dor no trajeto de alguma veia ou dor difusa na perna ou na coxa. O desconforto (que pode ser forte ou não) ocorre principalmente nas panturrilhas, podendo chegar até o pé e o tornozelo.

    2 – Sensação de formigamento e queimação nas pernas
    O paciente pode sentir um calor quase insuportável na região ou um formigamento que pode subir até a virilha. Há também a possibilidade de sensação de pressão elevada, nos locais onde há varizes mais evidentes.

    3 – Inchaço e rigidez na musculatura
    Muitas vezes, o próprio paciente nota essa sintoma, pela desproporção entre uma perna e a outra, assim como a rigidez na musculatura e até o aparecimento de vasos superficiais (varizes), não existentes anteriormente.

    4 – Mudanças na cor da pele da região afetada
    Nos casos de trombose venosa, a pele pode ficar avermelhada ou azulada. Isso acontece por conta da formação de coágulos sanguíneos em uma ou mais veias localizadas nas pernas. “Caso o paciente note a mudança de cor, é fundamental procurar ajuda rapidamente, pois isso pode sinalizar para um quadro grave da complicação”.

    5 – Alterações na temperatura dos membros
    Sintoma que pode aparecer em casos mais raros, caso a interrupção no trajeto do sangue ocorra em uma artéria, a área que fica sem recebê-lo torna-se esbranquiçada e gélida, alterando a temperatura da pele no local. “Este é outro cenário perigoso, que requer avaliação médica urgente”, finaliza Dr. Euzébio.