Categoria: Política

  • Do Regime Militar à “Democracia Vigiada”: os 40 anos de desafios democráticos no Brasil

    Do Regime Militar à “Democracia Vigiada”: os 40 anos de desafios democráticos no Brasil

    O Brasil viveu 21 anos sob um regime militar, iniciado em 1964 e encerrado em 1985. Esse período atravessou fases distintas: enfrentamento à instabilidade política, contenção da ameaça comunista no contexto da Guerra Fria, crescimento econômico robusto em determinados anos e, também, restrições em áreas da vida política e da imprensa. Mesmo com avanços importantes em infraestrutura, segurança e modernização, foram tempos de restrições de liberdade, cujos efeitos repercutem até hoje.

    Com a transição de 1985, o país entrou em seu mais longo ciclo de democracia contínua — são 40 anos ininterruptos, a maior estabilidade institucional da história republicana. Contudo, este período não foi isento de desafios. Em especial, cresce a percepção de que, embora tenhamos preservado eleições periódicas, vivemos hoje sob controle crescente da informação e uma desconfiança em relação à lisura do processo eleitoral, cenário que críticos denominam de “democracia vigiada”.

    O protagonismo do TSE e a centralização do sufrágio

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ocupa posição central no funcionamento da democracia brasileira. Sua missão é garantir a organização das eleições e a lisura do processo. Entretanto, sua atuação alcançou níveis de protagonismo que hoje recebem críticas.

    A resistência ostensiva ao chamado voto auditável é exemplo disso. Mecanismos que poderiam reforçar a transparência, como a possibilidade de conferência física do registro do voto, foram recusados pelo tribunal. Essa postura despertou desconfiança em parcela significativa da sociedade e fortaleceu a percepção de que o eleitorado está impedido de participar de forma mais ativa na fiscalização dos resultados.

    Além disso, o TSE alargou suas atribuições ao determinar, de ofício, a retirada de conteúdos em redes sociais classificados como “desinformação”. Ao fazer isso, não apenas ampliou sua própria esfera de poder, mas também concentrou o sufrágio como se fosse uma prerrogativa estatal, e não uma expressão direta da soberania popular. O voto, afinal, pertence ao cidadão, e não às instituições. Quando sua condução se transforma em tutela excessiva de uma corte, abre-se espaço para a desconfiança.

    Liberdade de expressão política em xeque

    A advogada e ativista Zizi Martins enfatiza que a democracia só se consolida verdadeiramente quando as instituições respeitam a amplitude da liberdade política dos cidadãos. Para ela, a questão central não é apenas a organização formal das eleições, mas a garantia de que o indivíduo possa manifestar-se plenamente no debate público, inclusive questionando autoridades e o próprio processo eleitoral sem medo de censura ou intimidação.

    Martins observa que, nos últimos anos, alguns órgãos públicos têm ultrapassado limites constitucionais ao restringirem falas políticas sob o pretexto de combate à desinformação. Essa prática enfraquece a confiança no processo democrático e limita a possibilidade do eleitorado de formar suas próprias convicções com base no livre confronto de ideias. Nas palavras dela, “sem liberdade de expressão política integral, a democracia corre o risco de se reduzir a uma formalidade procedimental desprovida da autenticidade que só o debate amplo pode assegurar”.

    A percepção popular

    Os dados do DataFolha de março de 2024 confirmam esse paradoxo:

    – 71% defendem que “a democracia é sempre melhor do que qualquer forma de governo”;

    – 61% acreditam que vivemos uma “democracia com grandes problemas”;

    – apenas 3% consideram que o Brasil goza de uma “democracia plena”.

    Boa parte dessa insatisfação decorre da desconfiança em relação às instituições eleitorais e da percepção de que, embora exista o direito formal ao voto, a liberdade política mais ampla se encontra restringida por decisões de órgãos com poderes crescentes.

    40 anos depois: avanços e dilemas

    Quarenta anos após o fim do regime militar, o Brasil possui instituições até então consideradas democráticas e sólidas, mas ainda enfrenta dilemas fundamentais: como equilibrar autoridade institucional e soberania popular? Até que ponto é legítimo negar ao eleitor mecanismos de auditoria? Que democracia é essa em que questionamentos políticos podem ser tratados como ameaças às próprias instituições?

    O desafio que se impõe ao Brasil não é apenas realizar eleições, mas assegurar que a democracia seja expressão genuína da vontade popular, no mais amplo exercício da liberdade política. Só assim será possível transformá-la de “democracia vigiada” em uma democracia livre, confiável e comprometida com o cidadão.

    Zizi Martins é ativista da liberdade, atuando como vice-presidente do Conselho Administrativo da ANED, membro do IBDR, diretora e membro fundadora da Lexum. Advogada, Procuradora do Estado da Bahia, Especialista em Direito Administrativo (UFBA), Especialista em Direito Religioso (Unievangélica), Mestre em Direito (UFPE), Doutora em Educação (UFBA), Pós-Doutora em Política, Comportamento e Mídia (PUC/SP). Atua também como consultora e pesquisadora em liderança e gestão pública, além de comentarista política.*

    Instagram: @zizimartinsoficial | Facebook: Zizi Martins | LinkedIn: Alzemeri Martins | X: @zizimartinss

  • Joãozinho Tenório celebra R$ 120 milhões em investimentos para Salgueiro durante “Ouvir para Mudar”

    Joãozinho Tenório celebra R$ 120 milhões em investimentos para Salgueiro durante “Ouvir para Mudar”

    Ao lado do prefeito Fabinho Lisandro, deputado destaca obras e ações anunciadas pela governadora Raquel Lyra para abastecimento de água, saúde e educação no Sertão Central.

    O deputado estadual Joãozinho Tenório esteve, nesta sexta-feira (15), participando e celebrando importantes conquistas durante a edição do Ouvir para Mudar no município de Salgueiro, no Sertão Central, ao lado do prefeito e aliado político Fabinho Lisandro, do vice-prefeito Emanuel e de vereadores da base local.

    A agenda, comandada pela governadora Raquel Lyra e sua equipe de Governo, reuniu moradores para votar nas iniciativas e obras que serão prioridades para o Estado no próximo ano, além de apresentar um balanço das ações já realizadas pela gestão.

    Durante o evento, foram anunciados mais de R$ 120 milhões em investimentos para Salgueiro e região, contemplando áreas como abastecimento de água, saúde e educação. Entre as ações, destacam-se: assinatura da ordem de serviço da Barragem de Poço Grande, da manutenção do Hospital Regional Inácio de Sá, da requalificação de 37 escolas estaduais e autorização da licitação para o Sistema de Abastecimento de Água para Umãs.

    A governadora também anunciou R$ 5 milhões para o Hospital Regional de Salgueiro e R$ 100 milhões para a reforma de escolas em todo o Agreste Central, reforçando o compromisso de melhorar a estrutura de serviços essenciais para a população.

    Em sua fala, Joãozinho Tenório destacou o compromisso da governadora com a população de Salgueiro:

    “A governadora Raquel Lyra é sempre sensível e atenta ao ouvir as pessoas. Quando estive aqui pela primeira vez, visitei o Complexo de Polícia Científica, que estava há mais de 10 anos parado. Solicitei a retomada e, prontamente, ela reconheceu a importância da obra para a população, dando a ordem de serviço. Hoje, já vemos os trabalhos acontecendo. Além disso, foram recuperados mais de 32 km de estradas vicinais, entregues 5 ônibus escolares, 1 trator, 2 cozinhas comunitárias… Em apenas dois anos e meio, muito foi feito.”

    O parlamentar também ressaltou a parceria com a gestão municipal e o carinho que tem pela cidade:

    “Tenho a satisfação de representar e lutar por esta terra na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Agradeço a confiança do prefeito Fabinho Lisandro, do vice-prefeito Emanuel, do time de vereadores e, acima de tudo, do povo salgueirense. É por vocês que trabalhamos todos os dias.”

    O Ouvir para Mudar segue percorrendo o Sertão pernambucano com a proposta de aproximar o governo da população, garantindo que as demandas mais urgentes cheguem ao centro das decisões.

  • PRTB busca unificar a direita brasileira em uma única legenda para fortalecer o bloco conservador

    PRTB busca unificar a direita brasileira em uma única legenda para fortalecer o bloco conservador

    Sob a liderança de Leonardo Avalanche, o partido articula filiações de políticos de destaque como Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Damares Alves, visando maior coesão, recursos e representatividade nas eleições futuras.

    Brasília, DF – O Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) tem se destacado no cenário político nacional por um movimento estratégico e ambicioso: a unificação da direita brasileira. Desde as últimas eleições, a sigla, por meio de seu Presidente Nacional, Leonardo Avalanche, tem trabalhado ativamente para consolidar as principais lideranças conservadoras do país em uma única legenda, visando fortalecer a representatividade e o impacto desse espectro político.

    A iniciativa, que se tornou um pilar da atuação do PRTB, parte do princípio de que a fragmentação partidária pode diluir o poder de fogo da direita, prejudicando a articulação de agendas e a eleição de quadros alinhados com seus princípios. Em diversos pronunciamentos e articulações, o Presidente Nacional do PRTB, Leonardo Avalanche, tem feito convites públicos a figuras de destaque do campo conservador.

    O PRTB tem convidado figuras proeminentes do cenário conservador para filiarem-se ao partido. Entre esses nomes estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, os influentes parlamentares Flávio Bolsonaro (senador) e Eduardo Bolsonaro (deputado federal), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o senador mineiro Cleitinho Azevedo, a senadora e ex-ministra Damares Alves, entre outros parlamentares e líderes com expressiva atuação na direita. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também figura entre os políticos de alto calibre visados por essa estratégia de união.

    O objetivo é claro: “encaminhar todo mundo num partido só”, como tem sido reiterado pelo Presidente Nacional do PRTB, Leonardo Avalanche. A ideia é criar um bloco político coeso e robusto, capaz de enfrentar os desafios eleitorais e legislativos com maior força e articulação. A unificação visa otimizar recursos, harmonizar discursos e, principalmente, oferecer ao eleitorado uma opção forte e unida nas urnas.

    Essa movimentação estratégica do PRTB reflete uma percepção crescente de que a união é fundamental para o sucesso político da direita brasileira. Ao invés de pulverizar forças em diferentes siglas, a proposta é concentrar talentos e bases eleitorais em um único partido, ampliando o poder de negociação e a capacidade de influência em todos os níveis da política nacional.

    A expectativa é que a materialização dessa unificação possa reconfigurar o panorama político brasileiro nos próximos ciclos eleitorais, consolidando uma frente conservadora mais organizada e com maior potencial de vitória.

    ASCOM PRTB

  • Gravações e documentos revelam suposto esquema de compra de votos e chantagem política em Acreúna (GO)

    Gravações e documentos revelam suposto esquema de compra de votos e chantagem política em Acreúna (GO)

    Prefeito Claudiomar Portugal, já condenado por abuso de poder econômico, é acusado de liderar rede de corrupção envolvendo vereadores, primeira-dama, procuradora municipal e contratos suspeitos com empresa ligada a Rio Verde.

    A cidade de Acreúna, em Goiás, enfrenta um dos maiores escândalos políticos de sua história. Um vídeo, reconhecido oficialmente por ata notarial, mostra a procuradora municipal Lígia Ferreira, ao lado da primeira-dama e da filha do prefeito Claudiomar Portugal, entregando dinheiro vivo a eleitores dentro de um comitê de campanha. A justificativa apresentada seria o pagamento de cabos eleitorais, porém, segundo a legislação eleitoral, esse tipo de transação só pode ocorrer por meio de conta oficial e cheque nominal, o que caracteriza crime de caixa dois.

    O prefeito, já condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, é apontado como chefe de um esquema que envolveria favorecimento pessoal, compra de votos e chantagem a vereadores. Uma lista detalha quem pagou, quem recebeu e os valores, supostamente usada para pressionar parlamentares a votarem contra sua cassação. Entre os citados, estão a vereadora Marta Silva e os vereadores Juarez Antônio, Antônio da Água, Paulo Henrique (O Pimpim) e Hélio Rosa.

    As denúncias também levantam suspeitas sobre a origem do dinheiro, que poderia vir de contratos milionários da empresa Castro Herênios com a prefeitura de Rio Verde, cidade administrada por Wellington Carrijo. O caso ainda envolve acusações de nepotismo cruzado, já que o filho de Claudiomar Portugal teria sido contratado como médico em Rio Verde enquanto a empresa mantinha contratos com Acreúna.

    Apesar das irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado e da recomendação de denúncia por improbidade administrativa, parte dos vereadores recuou na cassação do prefeito, levantando questionamentos sobre interferências políticas. O Ministério Público, segundo as denúncias, teria ignorado as acusações, e o promotor responsável foi denunciado à Corregedoria por suposta parcialidade.

    A população de Acreúna é chamada a reagir diante das graves acusações, que colocam em risco a transparência, a ética e o futuro político do município.

    Confira o vídeo da matéria na íntegra: https://www.instagram.com/p/DNRc4Kasr5P/

  • Parcerias suspeitas colocam em risco contratos de saúde em Pernambuco e Sergipe

    Parcerias suspeitas colocam em risco contratos de saúde em Pernambuco e Sergipe

    Atuação de Lindolfo Alves Neto, ligado à CPI das Fake News, e de Alexandre Mendes, ex-gestor hospitalar com histórico de irregularidades, acende alerta sobre interesses ocultos e possível corrupção em contratos públicos.

    Investigações recentes expõem uma rede de interesses que ameaça a integridade dos contratos de saúde pública em Pernambuco e no Estado de Sergipe. No centro dessa trama está Lindolfo Alves Neto, figura conhecida por sua atuação na CPI das Fake News contra a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. Considerado peça-chave na articulação de estratégias digitais e políticas, Lindolfo é apontado por especialistas como um operador de bastidores que mobiliza atores e estruturas para avançar agendas privadas sob o manto do interesse público.

    Outro personagem que compõe esse cenário é Alexandre Mendes, conhecido como Xande. Ex-gestor de hospitais em Guarulhos e da Santa Casa de São Bernardo do Campo, sua administração é marcada por pagamentos superiores a R$ 40 milhões, enquanto fornecedores deixaram de receber pelos serviços prestados. As denúncias reforçam suspeitas de má gestão de recursos públicos e possível envolvimento em práticas ilícitas.

    Alexandre Mendes também surge como sócio oculto da Irmandade Boituva, uma entidade sem comprovação de capacidade técnica, que assumiu a gestão do Hospital da Criança, em Sergipe. A entrada da instituição em um contrato sensível como esse, sem a devida qualificação, levanta questionamentos sobre a legalidade do processo e a qualidade da assistência à população.

    Fontes apontam que Lindolfo Alves Neto tem buscado expandir sua influência no setor de saúde por meio de parcerias com organizações sociais e operadores políticos. A estratégia envolveria o uso de sua articulação com redes digitais e figuras públicas para abrir caminho a contratos vantajosos com recursos públicos — especialmente em Pernambuco e Sergipe. A suposta ligação com Alexandre Mendes e entidades como a Irmandade Boituva alimenta a tese de uma atuação coordenada para explorar brechas nos sistemas de contratação da saúde.

    Diante da gravidade das suspeitas, autoridades estaduais e federais intensificaram a apuração dos fatos. A Secretaria de Saúde de Pernambuco, embora ainda não tenha emitido nota oficial, sinaliza que qualquer indício de irregularidade será investigado com rigor. Nos bastidores, há preocupação com os desdobramentos dessas possíveis alianças e com o uso da saúde pública como moeda de troca entre interesses escusos.

    O caso traz à tona um problema recorrente na política brasileira: a interseção entre agentes públicos, empresários e estratégias digitais para manipular a opinião pública e favorecer esquemas de desvio de finalidade. As conexões entre disseminadores de desinformação e gestores de contratos públicos reforçam o alerta sobre a urgência de maior transparência e controle social.

    A investigação ainda está em curso, mas já revela a complexidade de uma rede de influência que, se confirmada, pode comprometer o funcionamento de serviços essenciais e violar o princípio da moralidade na administração pública. Enquanto isso, os olhos da sociedade civil e das instituições seguem atentos às próximas movimentações.

  • Queixa-Crime Revela Suposta Organização Criminosa com Santana Pires, Vanessa Barros e Júnior Café em Goiás

    Queixa-Crime Revela Suposta Organização Criminosa com Santana Pires, Vanessa Barros e Júnior Café em Goiás

    Documento denuncia desvio de verbas públicas, “rachadinha” e lavagem de dinheiro envolvendo nomes ligados ao PRTB-GO e ao Instituto Municipal de Assistência à Saúde (IMAS).

    Uma recente queixa-crime protocolada junto às autoridades goianas e federais – incluindo o Ministério Público, a Polícia Federal e a Delegacia de Repressão a Crimes Organizados (DECCOR) – lança luz sobre um suposto esquema complexo de desvio de verbas, “rachadinha” em cargos públicos e formação de organização criminosa. A peça, apresentada pelo advogado Guilherme do Amaral Pereira, coloca em xeque a atuação de figuras proeminentes no cenário político de Goiás: *Erciley Pires Santana, conhecido como Santana Pires, sua companheira Vanessa Barros Machado, e Luiz Carlos da Silva Júnior, o Júnior Café, apontados como os pilares dessa intrincada rede criminosa.

    A denúncia não se limita a apontar indícios, mas detalha a engenharia de um suposto grupo que teria manipulado recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e orquestrado a nomeação de indivíduos para cargos em órgãos públicos em troca de parte de seus salários. A matéria a seguir explora o papel central de cada um dos acusados, conforme os relatos contidos na queixa-crime.

    Santana Pires: O Mentor e Operador Oculto do Esquema

    No coração da suposta organização criminosa estaria *Erciley Pires Santana, o Santana Pires. Embora não ocupasse formalmente cargos públicos ou partidários em alguns dos contextos citados, a queixa-crime o descreve como o verdadeiro cérebro por trás das operações. No tocante ao desvio de verbas eleitorais, o documento afirma que, apesar de Vanessa Barros Machado ser a presidente do PRTB-GO nas eleições de 2024 e, portanto, a responsável pela distribuição dos recursos do FEFC, ela “funcionou como laranja do seu marido Erciley Pires Santana, fazendo tudo o que ele lhe ordenava, sendo ele que estava a frente das reuniões sem ser filiado ao partido, e foi ele que determinou que ela distribuísse o dinheiro do FEFC de acordo com o que ele entendia“, conforme a Queixa Crime, seção 1.1.

    Essa atuação nos bastidores de Santana Pires se estenderia à gestão de órgãos públicos. No Instituto Municipal de Assistência à Saúde (IMAS), a denúncia é categórica ao descrevê-lo como “mentor e operador oculto do esquema criminoso, embora não ocupasse qualquer cargo oficial na estrutura do IMAS”. O documento ainda detalha sua presença nos gabinetes, exercendo poder de mando: “Relatos dão conta de que Erciley Pires Santana circulava livremente nos gabinetes do IMAS, especialmente na presidência, onde dava ordens sobre o funcionamento da rede de propinas, mesmo sem qualquer vínculo funcional com o órgão“, conforme a Queixa Crime, seção 1.1, item 14.

    Além disso, Santana Pires é diretamente implicado em confissões de “rachadinha”. A queixa-crime aponta que Claudivino José Vieira, ex-dirigente do PRTB-GO, confessou repassar metade de seu salário diretamente para Erciley Pires Santana. “Tal confissão não se limitou a este encontro, sendo também reiterada pelo Sr. Claudivino ao Sr. ANDRÉ PAPINE”, reforçando a gravidade da prática, de acordo com a Queixa Crime, seção 1.1, item 15. A denúncia também registra que “é comentário geral entre os políticos de Goiás que Santana Pires utiliza sua esposa e outros como laranja, em partidos políticos e nas prefeituras de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis, aplicando a famosa rachadinha em fundo eleitoral e em cargos públicos.“

    Vanessa Barros Machado: A Peça-Chave na Lavagem e Articulação Política

    Apontada como “laranja” de Santana Pires no controle do PRTB goiano, Vanessa Barros Machado é descrita como figura central tanto no esquema de desvio de fundos eleitorais quanto na “rachadinha” em órgãos públicos. Sua posição como presidente do PRTB-GO a colocou no centro da distribuição de recursos do FEFC, onde, supostamente, seguia as orientações de Santana Pires. A denúncia sugere que a desproporção entre os valores recebidos pelos candidatos e seus votos indicam um provável esquema de retorno de dinheiro para o casal.

    A queixa-crime traz um ponto crítico com a confissão atribuída ao próprio Santana Pires, em áudio, sobre o pagamento de R$ 60 mil ao candidato a vereador Rodrigo Cirqueira de Sousa. Nesse trecho, Vanessa Barros é explicitamente mencionada como a responsável por levar o dinheiro: “Vanessa Barros foi lá e pagou ocê, foi lá e pagou ocê, cê tava meio nervoso, pensando que eu era avalista, Vanessa foi lá e levou R$ 60 mil pro cê, Rodrigo, e pagou, pagou conta que não era nem nossa“, segundo a Queixa Crime, seção 1.1, item 12, indicando sua participação ativa no que seria uma operação de “Caixa 2”.

    Além das verbas eleitorais, Vanessa Barros Machado, ao lado de Santana Pires, é acusada de articular as nomeações em órgãos como IMAS, PROCON e Secretaria de Relações Institucionais (SRI). A denúncia destaca que “Vanessa Barros Machado e Luiz Carlos da Silva Junior (Junior Café) [estavam] nos cargos de comando”, como mencionado na Queixa Crime, seção 1.1, item 15. Isso demonstra sua suposta posição de poder na estrutura da “rachadinha” de salários. Sua influência também é citada na confissão de Claudivino José Vieira, que afirmou repassar metade do seu salário a Santana Pires “sob solicitação e orquestração de VANESSA BARROS MACHADO“. O mesmo se aplica a João Guimarães Aguiar, que também confessou repassar parte do salário ao casal.

    Luiz Carlos da Silva Júnior (Júnior Café): O Braço Executivo na Gestão Pública

    A figura de *Luiz Carlos da Silva Júnior, o Júnior Café, emerge como o braço executivo da suposta organização criminosa na gestão pública, especialmente no Instituto Municipal de Assistência à Saúde (IMAS). A queixa-crime aponta que ele foi indicado para presidir o IMAS em 5 de maio de 2021 pelo casal Vanessa Barros Machado e Erciley Pires Santana, marcando o início do esquema no instituto, conforme a Queixa Crime, seção 1.1, item 13.

    Como ex-secretário e figura central na gestão da saúde municipal em 2021, Júnior Café é acusado de atuar “em conluio direto com o Sr. Santana Pires”, mesmo que este último não tivesse vínculo formal com o órgão. A denúncia é enfática ao descrever um cenário de corrupção sistêmica no IMAS, onde “empresas contratadas, hospitais conveniados e profissionais de saúde somente recebiam seus pagamentos mediante o repasse de propinas, com percentuais que chegavam a 50% dos valores devidos”, uma prática descrita como “reiterada e institucionalizada de subtração de recursos públicos”, com “ameaças veladas e extorsões disfarçadas de ‘acordos administrativos“, conforme a Queixa Crime, seção 1.1, item 14.

    Além da extorsão, a queixa-crime detalha a participação de Júnior Café na ocultação de bens e lavagem de dinheiro, utilizando familiares e pessoas de confiança como “escudo patrimonial”. Imóveis, veículos e bens de luxo teriam sido registrados em nome de mães, filhos e amigos próximos, configurando “indícios consistentes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ilícito”, conforme a Queixa Crime, seção 1.1, item 14. A denúncia ressalta que “a saúde pública foi vilipendiada por uma possível rede de criminosos infiltrados no poder”, sublinhando a gravidade das acusações contra Júnior Café em sua gestão.

    Uma Rede de Parentesco e Influência

    A queixa-crime não se limita aos três nomes principais, mas descreve uma ampla rede de envolvidos, muitos com laços familiares ou de amizade com Vanessa, Santana Pires e Júnior Café. Entre eles estão filhos, irmãos, ex-namoradas e amigos que supostamente emprestavam contas bancárias, nomes para bens, ou participavam da coleta e repasse de dinheiro. Essa estrutura complexa sugere um modelo de organização criminosa que utilizava a confiança e os laços pessoais para perpetrar os ilícitos.

    A denúncia aponta para crimes de organização criminosa (Art. 2º, § 4º da Lei 12.850/2013), corrupção ativa e passiva (Art. 317 e 333 do CP), extorsão (Art. 158 do CP), lavagem de dinheiro (Art. 1º da Lei 9.613/1998) e peculato (Art. 312 do CP).

    Os pedidos formais na queixa-crime incluem o afastamento imediato dos envolvidos de seus cargos, a quebra de sigilos bancário, telemático e telefônico, e a prisão de Santana Pires, Vanessa Barros Machado, Luiz Carlos da Silva Júnior e outros co-acusados, além da proibição de comunicação entre eles.

    A denúncia, que já está nas mãos das autoridades, sublinha a urgência de uma investigação aprofundada para confirmar as acusações e responsabilizar os envolvidos. O caso promete agitar o cenário político goiano, revelando os meandros de um suposto esquema que, se comprovado, corroeu a confiança pública e desviou recursos que deveriam ser destinados ao bem-estar da população. É crucial salientar que todos os acusados gozam da presunção de inocência até que se prove o contrário em trânsito em julgado.

    queixa crime –

     

  • Maria Arraes propõe e Câmara dos Deputados aprova mudança de nome da Sala de Líderes para “Sala Miguel Arraes”

    Maria Arraes propõe e Câmara dos Deputados aprova mudança de nome da Sala de Líderes para “Sala Miguel Arraes”

    Projeto de Resolução da deputada federal homenageia os 20 anos da morte de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco e ícone da política nacional.

    O plenário da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (25), o Projeto de Resolução nº 27/2025, que altera a denominação da atual “Sala de Reuniões do Colégio de Líderes” para “Sala Miguel Arraes”. A mudança ocorrerá no prédio principal da Câmara, em Brasília.

    De autoria da deputada federal Maria Arraes (SD-PE), a proposta faz parte de uma série de homenagens que marcam os 20 anos da ausência física do ex-governador de Pernambuco, completados no próximo dia 13 de agosto. Para a parlamentar, a iniciativa é um reconhecimento à trajetória política e ao legado de Arraes, que também exerceu mandato como deputado federal.

    “Miguel Arraes tem uma trajetória política brilhante, com grandes feitos que inspiraram programas sociais nacionais. Ele foi também deputado federal e, até os dias de hoje, inspira essa geração que está no Legislativo, sobretudo em defesa da Democracia. É justo que possamos marcar o seu legado também aqui”, afirmou Maria Arraes.

    Em sua fala de agradecimento aos colegas parlamentares pela aprovação da proposta, a deputada destacou o simbolismo do gesto e reafirmou o compromisso de manter viva a memória do avô, considerado uma das maiores lideranças políticas do Nordeste e do país.

    “Essa homenagem é também um lembrete da força que a política tem quando é feita com coragem, compromisso social e amor ao povo. Que a Sala Miguel Arraes inspire decisões coletivas pautadas por esses valores”, concluiu Maria Arraes.

  • PRTB expulsa cinco filiados por envolvimento em esquema de corrupção em Goiás

    PRTB expulsa cinco filiados por envolvimento em esquema de corrupção em Goiás

    Chanter Lane, Vanessa Machado, João Guimarães, Claudivino Vieira e Luiz Carlos Júnior são apontados como partícipes de desvio de verbas, rachadinhas e lavagem de dinheiro.

    A Direção Nacional do PRTB, com fundamento nos princípios éticos e nos dispositivos estatutários que regem sua atuação, em especial no dever de repúdio a toda forma de corrupção, improbidade e má gestão da coisa pública, delibera e torna pública a expulsão imediata e definitiva dos seguintes filiados:

    CHANTER LANE PEREIRA DE ALMEIDA – Título Eleitoral: 024569551007

    VANESSA BARROS MACHADO – Título Eleitoral: 055377301007

    JOÃO GUIMARÃES AGUIAR – Título Eleitoral: 001072911090

    CLAUDIVINO JOSÉ VIEIRA – Título Eleitoral: 035311291007

    LUIZ CARLOS DA SILVA JÚNIOR

    A decisão decorre da análise de graves denúncias, já em fase avançada de apuração, que apontam os citados como partícipes de um esquema estruturado de corrupção, desvio de verbas públicas, improbidade e outras condutas incompatíveis com a ética partidária e com o serviço público.

    1. Aparecida de Goiânia/GO

    CHANTER LANE PEREIRA DE ALMEIDA e CLAUDIVINO JOSÉ VIEIRA são apontados como membros ativos de um esquema milionário de desvio de recursos da Secretaria Municipal, utilizando-se de nomeações políticas para beneficiar interesses particulares e de grupo.

    1. Goiânia/GO – PROCON Municipal

    LUIZ CARLOS DA SILVA JÚNIOR, quando ocupava cargo no PROCON de Goiânia, está sendo investigado por diversos desvios de conduta, descaminhos e apropriação indevida de recursos públicos, utilizando-se da autarquia para execução de contratos fraudulentos. Um dos casos mais emblemáticos é a produção e distribuição de uma cartilha institucional por meio de uma empresa que, conforme apurado, possuía CNPJ vinculado a um lava-jato, fato que demonstra clara intenção de ocultar a real destinação de verbas públicas.

    1. Associação com JOÃO GUIMARÃES AGUIAR

    Consta nas investigações que João Guimarães Aguiar, também envolvido no caso da cartilha, era corresponsável pela operação, e relatava abertamente nos corredores do órgão sua insatisfação por ter que repassar parte de seu salário mensalmente a Santana Pires, também conhecido como “Santana do Chapéu”, marido da ex-dirigente partidária Vanessa Barros Machado. Tal prática caracteriza, em tese, extorsão indireta e utilização do cargo público para viabilizar esquema de “rachadinha” sob a liderança do referido casal.

    1. Atuação de Vanessa Barros Machado e Santana Pires

    Segundo os dados obtidos, Vanessa Barros Machado seria a mentora e articuladora política de todas as nomeações ligadas ao esquema, com Santana Pires atuando como operador financeiro. As investigações indicam que mais de 10 servidores nomeados nos anos de 2023 e 2024 tiveram que devolver parte de seus salários diretamente ao operador, sob coação política.

    Há ainda apurações quanto à origem dos recursos utilizados na compra de dois imóveis em nome dos filhos de Santana Pires, bem como no financiamento da faculdade de medicina dos mesmos, o que poderá configurar lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

    Diante da gravidade dos fatos, o PRTB comunica esta decisão às autoridades competentes, incluindo:

    Ministério Público

    Polícia Civil e Polícia Federal

    Tribunal Regional Eleitoral de Goiás

    Tribunal de Contas dos Municípios

    Procuradorias Estaduais e Municipais

    O PRTB reafirma publicamente seu compromisso com a integridade, a ética e a legalidade, e declara que não compactua com nenhuma prática que atente contra a moralidade administrativa e a confiança do povo brasileiro.

    Conforme o Estatuto Partidário, a presente expulsão tem efeito imediato, irrevogável e inapelável, sendo os registros de filiação anulados e a comunicação de tal decisão formalmente encaminhada aos órgãos eleitorais.

    Direção Nacional do PRTB – Partido Renovador Trabalhista Brasileiro

  • Clodoaldo Magalhães emite parecer contrário a projeto que flexibiliza licenciamento ambiental com seguro

    Clodoaldo Magalhães emite parecer contrário a projeto que flexibiliza licenciamento ambiental com seguro

    Deputado pernambucano alerta para risco de retrocesso ambiental com proposta que substitui prevenção por indenização em caso de desastres.

    O deputado federal Clodoaldo Magalhães (PV) apresentou parecer contrário ao Projeto de Lei 3960/2024 na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados. A proposta prevê a adoção de um licenciamento ambiental simplificado para empreendimentos, desde que os responsáveis contratem um seguro ambiental. O parlamentar considera arriscada, por trocar mecanismos de prevenção por uma solução meramente indenizatória. Segundo ele, essa alternativa fragiliza o sistema de proteção ambiental e expõe vidas humanas e ecossistemas a riscos significativos.

    “Isso é um grave retrocesso, afinal, seguro não previne desastres, apenas indeniza. E o que está em risco é a vida, a biodiversidade e o futuro do nosso pPaís. Isso é insustentável”, alertou Clodoaldo. Para o deputado, permitir que grandes empreendimentos passem por um licenciamento acelerado e superficial, mediante simples contratação de seguro, “abre margem para danos irreversíveis à natureza e desrespeita os princípios do desenvolvimento sustentável”.

    O parlamentar reforçou seu compromisso com uma transição ecológica baseada em ciência, responsabilidade e justiça social. “Como pernambucano e líder do Partido Verde na Câmara, defendo um licenciamento moderno, com base técnica e segurança jurídica, mas sem abrir mão da proteção ambiental, e de recursos sustentáveis. Não há o que se falar em crescimento possível com a destruição dos nossos ecossistemas. Meu compromisso é com uma transição ecológica justa, responsável e sustentável”, concluiu.

  • Joice Hasselmann ironiza caso de Carla Zambelli: “Um brinde a você”

    Joice Hasselmann ironiza caso de Carla Zambelli: “Um brinde a você”

    A ex-deputada federal Joice Hasselmann (Podemos-SP) ironizou, nesta quinta-feira (5.jun.2025), a inclusão da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) na lista de difusão vermelha da Interpol.

    Por meio das redes sociais, Joice Hasselmann publicou uma foto na qual aparece brindando, acompanhada da legenda “Um brinde a você, Carla Zambelli! Você merece…ahhhhh, se merece”, fazendo referência direta ao episódio envolvendo sua ex-aliada política.

    Essa não é a primeira vez que as duas políticas trocam ofensas publicamente. Em junho de 2023, Joice Hasselmann publicou um vídeo chamando Zambelli de “burra, biruta e bandida”, afirmando ainda que ela caminhava “a passos largos rumo à cassação” de seu mandato.

    Além disso, o recente caso envolvendo Zambelli tem relação com o hacker Walter Delgatti Neto, conhecido pela “Vaza Jato”, que afirmou ter sido contratado para invadir urnas eletrônicas e contas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    A lista de difusão vermelha da Interpol é utilizada para alertar autoridades internacionais sobre indivíduos procurados por crimes graves, permitindo sua localização e captura em qualquer país membro da organização.

    Recentemente, Carla Zambelli deixou o Brasil em 3 de junho, teve sua prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, e sua defesa foi abandonada pelo advogado Daniel Bialski. A Câmara dos Deputados concedeu licença de 127 dias à deputada por “tratamento de saúde” e “interesse particular”.

    A 1ª Turma do STF confirmou nesta sexta-feira (6.jun) a condenação da deputada, mantendo a pena de 10 anos de prisão por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).