Jovens contam que filho do fundador das Casas Bahia forçava sexo oral, machucava as garotas com unhas longas e as obrigava a ver filmes de estupro infantil
Novos relatos feitos ao Universa UOL para o documentário “Saul Klein e o Império do Abuso” revelam detalhes sórdidos sobre os abusos praticados pelo filho do fundador das Casas Bahia. Saul é investigado pela polícia desde setembro de 2020, em um processo envolvendo 14 jovens que o denunciam por estupro, lesão corporal e transmissão de doença venérea, entre outros crimes.
Segundo depoimentos das vítimas, Klein forçava sexo oral, machucava as garotas com as unhas longas e as obrigava a ver filmes de estupro infantil. As jovens participaram de um esquema de aliciamento, que começava com a promessa de um trabalho como modelo e logo ganhava contornos de um jogo de manipulação psicológica e financeira que incluía violências sexuais.
“Eu tinha 17 anos. Uma mulher atrás de mim tirou meu vestido, me levou para o banheiro, me deu um tubo de xilocaína, me mandou agachar e introduzir o [conteúdo do] tubo no ânus. Fui para o quarto e, ali, ele começou tudo. Quando terminou, eu só chorava”, contou uma das vítimas.
“Ele tem uma barriga enorme que pressiona, segura a gente. Ele foi colocando, forçando o sexo anal. Comecei a pedir para parar, e ele não parava”, disse outra. De acordo com uma jovem, Saul não gostava de cortar as unhas, mas mesmo assim as introduzia nas partes íntimas das garotas. Foi assim que ele rasgou uma delas por dentro. “Quando isso acontecia, já tinham pomadas lá preparadas para as meninas usarem”, relata.
Esquema envolvia ginecologista e cirurgião plástico
Também faziam parte do esquema horrível a ginecologista Silvia Petrelli e o cirurgião plástico Ailthon Takishima, que frequentavam a casa de Saul para atender às garotas. Eles prescreviam remédios para os machucados delas e se responsabilizavam pelo tratamento de doenças venéreas, transmitidas por Saul, que se recusava a usar camisinha.
“Todo o mundo lá pegou HPV. Ele tinha clamídia e queria ter relação mesmo assim”, afirmam as vítimas. Muitas delas choravam, se recusavam a ter relações sexuais com o filho do fundador das Casas Bahia e uma chegou a tentar se matar. Em um relato difícil de se ler, ela contou que Saul a estuprou ainda com os pontos.
“Tive a primeira overdose de medicamentos. Cortei o pulso, levei 12 pontos. Quando cheguei em casa do hospital, no meu celular tinha um monte de ligação da Marta [Gomes da Silva, apontada por vítimas e por Saul como cabeça do esquema]. Ela disse que eu precisava vir para São Paulo, que o Saul queria me ver. E eu vim. Ele fez sexo comigo com os pontos, sabendo que eu tinha acabado de tentar suicídio, que estava com depressão. Mas diziam que ele era tão bonzinho, que estava preocupado comigo. Eu acreditava.”
Também em um depoimento que faz parte do documentário, uma das jovens afirma ter presenciado uma agressão e uma situação de cárcere privado. “Uma vez, ele tentou enforcar uma menina. Ela quis ir embora, ficou desesperada, mas o segurança não deixou. Falou que não ia perder o emprego por causa de uma ‘putinha’.”
Na próxima segunda-feira, o Conselho Deliberativo do Bahia votará a expulsão de Marcelo Guimarães Filho do quadro de associados do clube.
O ex-presidente foi afastado do cargo, em 2013, acusado de corrupção.
Guimarães teria, segundo as acusações, embolsado dinheiro de empréstimos e simulado pagamento da demolição da sede de paria, que, soube-se depois, foi bancada pelo poder público.
Há relatos, também, de que teria se beneficiado no departamento de futebol.
Marcelo, que é processado pelo Bahia para ressarcimento de quase R$ 50 milhões, respondendo, ainda, pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e contra a ordem tributária, tentou impedir a realização da reunião, mas o Conselho Deliberativo manteve a data prevista.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recusou nesta terça-feira (2) um acordo conjunto proposto por Gabriel Harrison e Gabriel Eireli, sócios da Harrison Investimentos, e por Rafaela Valentim, sócia da Aplicações Eireli. As empresas são investigadas desde a metade do ano passado por cometer crimes contra o mercado.
Os dois sócios da Harrison Investimentos são investigados pela realização de operações fraudulentas e por atuarem como agentes autônomos de investimento sem autorização prévia do órgão para isso. Já Rafaela é acusada de delegar a terceiros a execução de serviços de AAI.
Segundo o comunicado, a Procuradoria Federal Especializada junto à Autarquia (PFE-CVM), concluiu haver impedimento jurídico para realizar o acordo e que este não seria oportuno, levando em conta a gravidade das condutas praticadas, o grau de economia processual e o atual nível de visibilidade do caso.
Entenda o caso Harrison Investimentos
A Harrison Investimentos ficou famosa nas redes sociais após contratar o youtuber e músico Leo Stronda como garoto propaganda. Nos vídeos, Stronda afirmava que o robô da empresa poderia “minimizar riscos e aumentar lucros”.
A CVM começou a investigar o caso em julho de 2020 e, segundo documentos da época, havia suspeita de ocorrência de crimes sobre oferta de títulos e sobre administração não autorizada de carteiras de valores mobiliários.
Além disso, a Harrison Investimentos é investigada por ofertar serviços de intermediação de valores mobiliários, realizando a captação com investidores sob o disfarce de recrutamento de “traders” para a sua mesa proprietária.
Ainda segundo o órgão, a Harrison Investimentos prometia ganhos exorbitantes, prometendo, em propagandas, ganhos de R$ 3 mil reais por mês trabalhando quatro horas por dia e investindo de R$ 500 a mil reais.
A CVM enviou a investigação à Procuradoria Geral Federal que cita “indícios da ocorrência de crime de previsto no art. 27-E da Lei 6.385/76”, que prevê detenção de seis meses a dois anos e multa por atuar como integrante do sistema de distribuição sem estar autorizado ou registrado junto à autoridade administrativa competente.
A CVM emitiu também, então, uma ordem obrigando a Harrison Investimentos a interromper suas atividades no mercado financeiro. Há cerca de uma semana, houve comentários de que a empresa fechou sua sede em Brasília. As redes sociais da empresa, que possuíam bastante visibilidade, foram todas deletadas.
O caso aconteceu em abril de 2021, quando a influenciadora fez uma live no seu perfil sobre fazer cinco dias de jejum como técnica de emagrecimento e conexão com a espiritualidade
A influenciadora digital e coach alimentar Maíra Cardi foi condenada na quinta-feira, 6, pela Justiça de Valinhos (região metropolitana de Campinas) a uma pena de nove meses de detenção por chamar o médico nutrólogo Bruno Cosme, que atua no Estado da Paraíba, de “doutor de merda”. O processo criminal tramita em segredo de justiça, contudo, a decisão final de primeira instância foi divulgada pela própria vítima nas suas redes sociais. A defesa da influenciadora diz que a pena de detenção foi substituída por uma multa.
O caso aconteceu em abril de 2021, quando a influenciadora fez uma live no seu perfil sobre fazer cinco dias de jejum como técnica de emagrecimento e conexão com a espiritualidade. O evento virtual teria contado com a participação de um nutricionista “mestre do jejum” e um pastor, para, como afirmou Maíra, “unir a ciência e Deus”.
O médico, por sua vez, também usou as suas redes sociais, mas para criticar a prática. Ele afirmou que a técnica era uma “irresponsabilidade” e disse aos seus seguidores para jamais fazer “qualquer tipo de jejum sem orientação”. Maíra não gostou do comentário de Cosme e gravou vários storys chamando o médico de “doutor de merda”. “Eu fiz uma live com profissional que estuda de verdade, e não igual você, que fica aí sentado querendo ganhar like e não estuda cacete nenhum? imagina o que você não faz na sua profissão de merda”, disse a coach alimentar.
Ela acusou o médico de ser mal informado sobre a técnica, porque ela própria já estava fazendo jejum de sete dias e “se pudesse, faria dez”. Por fim, ela afirmou que ia marcar o Instagram do profissional que a acompanha, para o “doutor Bruno de merda tomar umas aulas com ele”.
Além do processo criminal, a influenciadora também responde a uma ação de indenização perante a 14ª Vara Cível de João Pessoa. O médico pede uma indenização de R$ 50 mil por danos morais.
COM A PALAVRA, MAÍRA CARDI
A reportagem entrou em contato com a advogada da coach de emagrecimento, Lidiane Leles Parreira Costa. Em nota, ela afirma que “após verificar a postagem do Dr. Bruno Cosme afirmando que a mesma Maíra Cardi foi condenada a uma pena de nove meses de detenção, é importante destacar que essa não é a verdade dos fatos, já tendo sido tomadas providências judiciais quanto à forma de divulgação dessa notícia distorcida e inverídica, uma vez que a condenação foi convertida em pena pecuniária, ou seja, ao pagamento de determinado valor. Cabe avaliar qual foi a intenção do médico em expor um uma informação distorcida e de um processo que corre em segredo de justiça e não poderia ser exposto dessa forma nas redes sociais. Destaca-se que o processo ainda não transitou em julgado e ainda cabe recurso, o que será feito uma vez que entendemos que as ofensas partiram do referido profissional. As demais questões serão tratadas em juízo uma vez que trata-se de processo que corre em segredo de justiça e não podemos trazer essa discussão à público sob pena de caracterização de crime”.
Fernanda Galdino foi exonerada do cargo de subprefeita no dia 24 de agosto e se tornou ré junto com outros dois acusados
Fernanda Galdino foi exonerada do cargo de subprefeita no dia 24 de agosto e se tornou ré junto com outros dois acusados
Fernanda Galdino foi exonerada do cargo de subprefeita no dia 24 de agosto e se tornou ré junto com outros dois acusados pelo mesmo crime.
A ex-subprefeita da Lapa, Fernanda Galdino, foi presa preventivamente em Guarulhos, na Grande São Paulo, por equipes da Divisão de Capturas na operação que investiga um esquema de funcionários públicos suspeitos de venderem alvarás e cobrarem propina de comerciantes.
Acusada de extorsão, ela foi exonerada do cargo de subprefeita no dia 24 de agosto e se tornou ré junto com outros dois acusados pelo mesmo crime. O outro indiciado que já está preso é ex-coordenador de planejamento, Rogério Marin. Na casa dele, policiais apreenderam R$ 20 mil.
As Polícias Civil e Militar de Alagoas e de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal do Ministério Público do Estado de Alagoas (Gaesf) prenderam dois empresários na cidade de São Paulo, nesta quinta-feira (1º), na segunda fase da Operação Plástico Quimérico.
Os suspeitos são acusados de envolvimento em fraudes de R$76 milhões ao fisco alagoano foram presos e serão transferidos para Maceió ainda hoje.
As ordens de prisão foram expedidos pela 17ª Vara Criminal da capital contra Elias Assum Sabbag e Elias Assum Sabbag Júnior. Ambos foram detidos em casa, não ofereceram resistência e, após passarem por exame de corpo de delito no IML paulista, serão transferidos para Alagoas.
Elias Assum Sabbag é investigado por embaraçar a investigação de infração penal que envolve organização criminosa. Já Elias Assum Sabbag Júnior, que é diretor da empresa Cartonale, tem contra si a apuração por suposta prática de corrupção ativa de auditores fiscais. Ele também seria o chefe da organização criminosa que frauda os fiscos de Alagoas e de São Paulo, além da acusação de falsidade Ideológica.
A operação, que foi supervisionada pelo promotor de Justiça do Gaesf, Anderson Cláudio de Almeida Barbosa, segundo a assessoria de imprensa do MPAL, e contou com o apoio do Ministério Público do Estado de São Paulo, das Polícias Civis de São Paulo e Alagoas, da Policia Militar de Alagoas, da Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris) e da Policia Penal de Alagoas. Os presos serão transferidos para Maceió tão logo cumpram as formalidades legais.
O esquema
De acordo com o Gaesf, as fraudes aconteceram por meio da emissão de mais de 5.592 mil notas fiscais fraudulentas, no valor aproximado de R$ 76 milhões, através de pelo menos cinco empresas de fachada, com informações inverídicas relativas à propriedade e gestão desses estabelecimentos comerciais, que, na prática, jamais existiram.
Essas empresas são conhecidas como paper companies Os esquemas fraudulentos causaram vultosos prejuízos que estão em apuração pelas Secretarias de Fazenda de Alagoas e São Paulo. (Com informações da Comunicação do MPAL)
Na última quinta-feira (1º), a Polícia Civil e Militar de Alagoas e São Paulo, juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal do Ministério Público de Alagoas (Gaesf), realizaram a prisão de dois empresários na cidade de São Paulo, como parte da segunda fase da Operação Plástico Quimérico.
Os empresários são acusados de participação em fraudes fiscais no valor de R$76 milhões em Alagoas e serão transferidos para Maceió ainda hoje.
As ordens de prisão foram expedidas pela 17ª Vara Criminal da capital contra Elias Assum Sabbag e Elias Assum Sabbag Júnior. Ambos foram presos em suas residências, não resistiram à prisão e, após exame de corpo de delito no IML de São Paulo, serão transferidos para Alagoas.
Elias Assum Sabbag está sob investigação por obstruir uma investigação criminal envolvendo organização criminosa. Enquanto Elias Assum Sabbag Júnior, diretor da empresa Cartonale, é investigado por corrupção ativa de auditores fiscais e como líder da organização criminosa responsável pelas fraudes fiscais em Alagoas e São Paulo, além de falsidade ideológica.
A operação foi conduzida pelo Gaesf e teve o apoio do Ministério Público de São Paulo, Polícias Civis e Militares de São Paulo e Alagoas, Seris e Polícia Penal de Alagoas. Os empresários serão transferidos para Maceió assim que cumpridas as formalidades legais.
O esquema
De acordo com o Gaesf, as fraudes envolveram mais de 5.592 notas fiscais fraudulentas, totalizando cerca de R$76 milhões, emitidas por pelo menos cinco empresas de fachada com informações falsas sobre propriedade e gestão desses estabelecimentos, que na prática não existiam.
Essas empresas são conhecidas como “paper companies”. Os prejuízos causados por essas fraudes estão sendo investigados pelas Secretarias de Fazenda de Alagoas e São Paulo. (Com informações da Comunicação do MPAL)
União Brasil terá que apresentar o endereço eletrônico em que foi veiculado conteúdo apontado em face do candidato a deputado federal Emanuelzinho
O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso deu provimento a um recurso inominado interposto pelo Diretório Estadual do Partido União Brasil, para que o representante indique a URL do conteúdo de propaganda eleitoral extemporânea apontada na peça inicial em face do candidato ao cargo de deputado federal nas Eleições 2022, Emanuel Pinheiro da Silva Primo Teixeira, e de Marco Polo de Freitas Pinheiro.
O julgamento pede reforma da decisão monocrática do relator, juiz-membro Luiz Octávio Ribeiro Saboia, que havia negado provimento ao recurso. O 5° vogal do Pleno, juiz federal Fábio Fiorenza, havia pedido vista e apresentou divergência, a qual foi seguida pelos demais juízes-membros, na conclusão do julgamento, realizada na Sessão Plenária desta quarta-feira (31.08).
O União Brasil alegou que foi feita divulgação em perfil no Instagram de Marco Polo de Feitas Pinheiro, do número de urna do candidato ao cargo de deputado federal, com o nome de Emanuelzinho, referente às Eleições Gerais de 2022. O relator do processo negou provimento, em função de não ter sido indicado o endereço eletrônico da postagem. A defesa argumentou que o perfil indicado no Instagram é fechado, portanto, não seria possível indicar a URL.
Em consonância com o parecer da Procuradoria Regional Eleitoral, os demais membros do Pleno do TRE-MT entenderam que o processo deve voltar ao relator para que ele solicite ao representante que faça a indicação da URL.
Para que alguém seja processado pelo crime de lavagem de dinheiro, a denúncia deve apresentar indícios de que o acusado tinha conhecimento da ilicitude dos valores e apontar especificamente o ato no qual houve a ocultação da origem ilícita dos bens.
Com esse entendimento, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial para trancar a ação penal contra Julia Iskin. Para o colegiado, não havia indícios mínimos de que ela lavou dinheiro obtido em irregularidades cometidas pelo pai.
O caso trata da ação contra o empresário Miguel Iskin, alvo da “lava jato”, que teria usado dinheiro desviado da saúde do Distrito Federal para bancar a reforma da mansão na qual sua filha morava, no Rio de Janeiro.
Segundo o Ministério Público Federal, embora o imóvel esteja no nome de Miguel Iskin, Júlia é a verdadeira proprietária. O MPF afirmou que ela agiu em conluio com o pai para ocultar a origem ilícita do dinheiro desviado, por meio da reforma da mansão.
No STJ, a defesa de Júlia sustentou que ela não responde por crimes licitatórios, corrupção ou organização criminosa e que sua menção na denúncia é feita de maneira absolutamente desconexa com todos esses fatos, apenas por ser filha de Miguel Iskin.
Relator, o ministro Sebastião Reis Júnior observou que é difícil identificar na denúncia qual a conduta praticada pela acusada para contribuir para a ocultação de valores. Segundo a jurisprudência, o elemento volitivo do crime deve ser identificado na peça acusatória.
No caso, ainda que a filha tenha permitido que o pai bancasse a reforma da casa em que ela morava, isso em nada teria contribuído para a ocultação dos valores, além de ela usufruir do bem.
“Ainda que se possa conjecturar que a recorrente tivesse conhecimento das atividades supostamente criminosas praticadas por seu pai ou, ainda, que tivesse conhecimento de atividades criminosas nas quais estaria envolvida empresa da qual seria sócia-administradora, impende que o iter criminis esteja claramente exposto na inicial acusatória, o que não se extrai do caso dos autos”, afirmou o ministro relator.
Em voto-vista, a ministra Laurita Vaz concordou, destacando a ausência absoluta de elementos individualizados que apontem a relação entre o crime e a conduta da moradora do imóvel.
“Tal fato não autoriza a instauração de processo criminal, se não restar comprovado o vínculo entre a conduta e a agente, sob pena de se reconhecer impropriamente a responsabilidade penal objetiva, não admitida no nosso ordenamento jurídico”.
Em 14 de maio de 2021, o delegado de policia Luiz Carlos Silva Santos, da 3ª Delegacia- DICCA, instaurou inquérito para investigar o casal Leila Pereira – presidente do Palmeiras – e José Roberto Lamacchia, além da CREFIPAR, empresa ligada à Crefisa e a FAM, da qual são únicos proprietários.
A denúncia é do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Os indícios apontam para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e sonegações de impostos.
A portaria inicial, assinada pelo delegado Luiz Carlos, resume bem o que estaria acontecendo:
“Chegando ao meu conhecimento, pelas vias hierárquicas, o Relatório de Inteligência Financeira n.º 58611 elaborado pelo COAF, encaminhado à Polícia Civil por difusão, através do LAB-LD”
“O Relatório de Inteligência Financeira, aponta movimentações financeiras comunicadas pelos setores obrigatórios, relacionadas as pessoas de LEILA MEJDALANI PEREIRA, JOSÉ ROBERTO LAMACCHIA e CREFIPAR PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS S/A”
“Segundo consta do RIF, os investigados teriam realizados operações de saques em espécie, de valores expressivos e de forma fracionada, sem causa aparente, inclusive com indícios de burla ao sistema, perfil que dificultaria a identificação da destinação real dos recursos e, outras operações consideradas atípicas”
“Isto posto, DECLARO instaurado o competente Inquérito Policial, com o objetivo de apurar, em tese, a pratica do Crime de Lavagem ou Ocultação de Bens e Valores”
O Blog do Paulinho teve acesso à integra do relatório do COAF, indicando não apenas as supostas movimentações atípicas do casal, mas também seus possíveis facilitadores.
Entre os repasses listados estão:
Tuddo Comunicação – empresa de Olivério Junior, assessor de Leila Pereira, com recebimento de R$ 217 mil;
Mancha Verde, que embolsou R$ 516,6 mil (R$ 242,5 mil + R$ 274,1 mil);
Guilherme Augusto Sanches Ribeiro, com R$ 300 mil em duas parcelas de R$ 150 mil (à época dos repasses, diretor administrativo do Palmeiras e filho do vice-presidente Jesse Ribeiro).
Diz o COAF (trechos selecionados pelo blog):
“José Roberto Lamacchia (1º titular), possui renda mensal de R$ 500.000,00 e Leila Mejdalani Pereira (2ª titular, cônjuge), advogada, renda mensal de R$ 300.000,00, conforme informações cadastradas na instituição financeira”
“José Roberto Lamacchia e Leila Mejdalani Pereira possuem domicílio fiscal em São Paulo/SP e são sócios da empresa Crefipar Participações e Empreendimentos S.A., holdings de instituições não financeiras, constituída em 10/10/1972, com capital social de R$ 2.742.948.105,65”
“Conforme relato, na movimentação em conta de José Roberto Lamacchia e Leila Mejdalani Pereira, teriam sido realizadas operações de saques em espécie, de valores expressivos e de forma fracionada, sem causa aparente, inclusive com indícios de burla, perfil que dificultaria a identificação da destinação real dos recursos.
“Leila Mejdalani Pereira e José Roberto Lamacchia constaram como titulares de 3 comunicações de operações suspeitas, no período de 02/07/2018 a 10/09/2020, conforme tabela resumo a seguir:”
“No período de 02/07/2018 a 03/10/2018, os créditos recebidos na conta de José Roberto Lamacchia e Leila Mejdalani Pereira somaram R$ 6.788.146,00, sendo seu principal remetente a empresa Crefipar Participações e Empreendimentos S.A”
Guilherme Ribeiro
“No mesmo período, constou como favorecido de recursos a conta de campanha Eleição 2018 Guilherme Augusto Sanches Ribeiro Deputado Federal, com o valor de R$ 300.000,00”
“Ocorreram saques em espécie no total de R$ 471.747,00, com operações em valores que teriam levantado a suspeita de tentativa de burla ao limite de identificação, conforme algumas transações demostradas abaixo:”
“Entre 04/10/2018 e 11/12/2019, também constaram diversos saques em espécie com valores abaixo de R$ 10.000,00, na conta de José Roberto Lamacchia e Leila Mejdalani Pereira, na aparente tentativa de burlar a identificação dos intervenientes, a saber:”
“Segundo informações em mídia, José Roberto Lamacchia teria sido condenado por desvio em associação, conforme parte da reportagem reproduzida abaixo:”
“O dono da Crefisa, uma das maiores financeiras do país, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo numa ação que apura desvios milionários de uma organização sem fins lucrativos”
“O empresário José Roberto Lamacchia é acusado de manipular o estatuto para forçar o fechamento e sumir com todo o patrimônio da entidade.” 20/06/2018″
(…) Os débitos, em igual período, totalizaram R$ 26.736.231,80, sendo R$ 14.809.529,79 pagos pela compensação de 455 cheques, R$ 3.191.138,07 utilizados para pagamentos diversos, 363 transações, R$ 2.435.214,00 constando como sacados em espécie, 290 retiradas, R$ 396.265,46 em gastos com cartão(ões) de crédito e débito, R$ 4.970.556,17 destinados para quitação de 316 TEDs, DOCs, transferências e depósitos em contas”
“Demonstramos os principais favorecidos: (o Blog do Paulinho destacou os mais relevantes)”
Leila Pereira e Paulo Serdan
G R E S Mancha Verde: R$ 242,5 mil
TUDDO Comunicação (Olivério Junior): R$ 217 mil
“Demonstramos abaixo as movimentações em espécie (saques) com valores abaixo de R$ 10 mil, aparentemente na tentativa de burlar a identificação dos intervenientes:”
“Jose Roberto Lamacchia, CPF xxxxxx-91 figura como sócio na empresa Crefipar Participações e Empreendimento, CNPJ 44953545/0001-98, renda mensal de R$500.000,00.
“2º TITULAR: Leila Mejdalani Pereira, CPF xxxxxx-87 (esposa), consta trabalhar como advogada na empresa Crefisa S/A, CNPJ 60779196/0001-96, com renda mensal de R$300.000,00”
“Trata-se de fundador do grupo Crefisa e seu cônjuge Leila Mejdalani Pereira, atual presidente do grupo”
“Não podemos desconsiderar que apesar da movimentação estar dentro da capacidade financeira do cliente, tem realizado diversos saques em espécie com valores abaixo de R$ 10 mil, na aparente tentativa de burlar a identificação dos intervenientes”
“Entre 04.10.2018 e 11.12.2019, realizou aplicações em fundos de investimento totalizando R$ 1.800.039,65”
“Ocorrências:
– Mercado de Fundos de Investimento
“I – Operações cujos valores se afigurem objetivamente incompatíveis com a ocupação profissional, os rendimentos e/ou a situação patrimonial/financeira de qualquer das partes envolvidas, tomando-se por base as informações cadastrais respectivas. Instrução CVM nº 301 de 16/04/1999”
“Já comunicado em 26.06.2017, 12.11.2018 e 18.12.2019 (…) os débitos, em igual período, totalizaram R$ 12.886.714,04, dos quais R$ 1.496.345,70 utilizados para pagamentos diversos, 235 transações; R$ 1.198.626,00 constando como sacados em espécie, 141 retiradas, R$ 6.194.231,14 pagos pela compensação de 222 cheques (por meio de diversos cheques, sem concentração de favorecidos, de valores entre R$150.000,00 e R$150,00) e R$ 3.461.790,46 destinados para quitação de 310 TEDs, DOCs, transferências e depósitos em contas, dos quais:”
– Gre S Mancha Verde (R$ 274.1 mil)
O Blog do Paulinho poupará o leitor das demais páginas do relatório do COAF, que seguem detalhando o comportamento suspeito do casal.
Em 17 de junho de 2021, o inquérito foi remetido à 4ª Delegacia de Crimes contra a Fazenda, que despachou-o, em sequência, ao Foro Criminal da Barra Funda.
Na 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, o Ministério Público de São Paulo concordou com a dilação de prazo para aprofundamento das averiguações.
Novo pedido de prorrogação ocorreu em 07 de dezembro de 2021, há pouco mais de um mês, com nova anuência da promotoria.
Leila Pereira já era Presidente do Palmeiras.
A investigação, neste momento, segue em curso, aguardando diligências e possíveis quebras de sigilos.
Antes das eleições, a então candidata a Presidente prometeu mundos, fundos e até centroavante de ponta para o torcedor palestrino; entregou um gestor de comunicação e marketing ligado a cartolas do Corinthians, uma postagem em rede social colocando-se como mais importante do que a agremiação e o nome do Palmeiras, desde hoje, nas páginas policiais.
O relatório do COAF, além de lançar suspeitas graves sobre o casal da Crefisa, é esclarecedor sobre as razões que impedem Leila de se indispor com Olivério Junior e da conveniente passividade da Mancha Verde.
Procurados, Olivério Junior, Mancha Verde, Leila Pereira e José Roberto Lamacchia, até o momento da postagem, não retornaram.
Não conseguimos contato com Guilherme Augusto Sanches Ribeiro.
O espaço segue aberto, a qualquer tempo, para as manifestações de todos os citados na matéria.