Autor: Redacao

  • Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Governo federal classifica como arbitrária e injustificada a sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros e anuncia que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

    O governo brasileiro rechaçou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação 301, relativa à proibição de importação relacionada ao trabalho forçado, e afirmou que irá acionar a Lei da Reciprocidade.

    “Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira, 23, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

    Para a União, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) optou por manipular temas caros aos direitos humanos. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

    Segundo a Secom, ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho prestou explicações e apresentou documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Destacou ainda que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado”.

    “Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.” A nota destaca ainda que o Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado, e os Estados Unidos só ratificaram um desses instrumentos.

    O governo lembra ainda que os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

    “Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de ‘Lista Suja’ de empregadores”, diz a nota.

  • Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Nova taxação atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, enquanto mais de 2 mil produtos foram isentos; governo federal ainda avalia medidas de resposta

    Entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxação foi justificada pelo governo americano como uma “punição” por práticas comerciais consideradas desleais após uma investigação que envolveu temas díspares como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques registrados em 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela medida cai para 15% das vendas aos Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões.

    Isso porque junto com o anúncio da nova tarifa veio também uma grande lista de exceções. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da sobretaxa de 25%. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou a isenção afirmando que tais insumos são matérias-primas que poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa. Dentre os produtos que ficaram de fora estão café, suco de laranja e carne bovina.

    O governo brasileiro considerou a taxação injustificável do ponto de vista técnico, uma vez que os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil. Mas especialistas consideram improvável que haja uma retaliação na mesma moeda, com o Brasil sobretaxando produtos americanos.

    Nesta terça-feira, 21, após reuniões com o setor privado afetado pela tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas. Ele foi indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores se posicionarem contra a aplicação da lei.

    “Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade (pelo Congresso). É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim. A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin. “A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada’”, continuou.

    O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não há prazo para anunciar as medidas em resposta à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Não tem prazo. Nós estamos colhendo as informações, colhendo os dados”, afirmou o ministro.

    “Continuar negociando, essa é a orientação e, mais do que isso, continuar dialogando aqui internamente com o setor produtivo de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida”, disse. E prosseguiu: “Mas o fato de ser injusta, descabida, indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro, o nosso setor produtivo, e, ao mesmo tempo, tentar reverter a decisão”.

  • Morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores da história do cinema brasileiro

    Morre aos 98 anos Luiz Carlos Barreto, um dos maiores produtores da história do cinema brasileiro

    Conhecido como Barretão, cineasta, fotógrafo, roteirista e produtor foi um dos protagonistas do Cinema Novo, participou da realização de mais de 80 filmes e deixou um legado decisivo para o audiovisual nacional

    Um dos maiores produtores do cinema brasileiro, Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, morreu nesta quarta-feira (22), aos 98 anos, no Rio de Janeiro.

    Produtor, diretor, fotógrafo e roteirista, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, zona sul da capital carioca, onde tratava uma infecção pulmonar.  O velório será realizado nesta quinta-feira (23), no Palácio da Cidade, em Botafogo, e após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

    Luiz Carlos Barreto nasceu no dia 20 de maio de 1928, em Sobral, Ceará. Ao longo da carreira, transitou entre o jornalismo, o fotojornalismo, a fotografia cinematográfica, o roteiro e a produção, tornando-se uma das personalidades mais influentes da história do audiovisual brasileiro.

    Um dos protagonistas do Cinema Novo, movimento que revolucionou a produção cinematográfica brasileira entre as décadas de 1960 e 1970, Barreto dedicou mais de seis décadas ao audiovisual e participou da realização de mais de 80 filmes.

    Seu trabalho foi decisivo para consolidar uma cinematografia voltada à identidade, à cultura e às questões sociais do País. A mobilização surgiu como uma resposta ao cinema tradicional da época, que tinha como base o estilo hollywoodiano.

    Como diretor de fotografia, participou de clássicos como “Vidas Secas” (1963), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, e “Terra em Transe” (1967), de Glauber Rocha. Também assinou o roteiro do documentário “Garrincha, Alegria do Povo” (1962), considerado um marco do cinema documental brasileiro.

    Em 1963, fundou a L.C. Barreto Produções Cinematográficas, produtora responsável por alguns dos maiores sucessos do cinema nacional.

    Entre eles estão “Bye Bye Brasil” (1979), de Cacá Diegues, “Menino do Rio” (1982), de
    Antônio Calmon, e “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional e dirigido por Bruno Barreto, filho de Luiz.

    Além da dedicação à produção cinematográfica, Barretão também foi um defensor das políticas públicas para a cultura.

    Em 2019, participou de audiência pública contra o decreto do governo Jair Bolsonaro que alterava a estrutura do Conselho Superior de Cinema. Já em 2022, integrou mobilizações de artistas em defesa da recriação do Ministério da Cultura.

  • De origem humilde ao topo do mundo: conheça a história de Lamine Yamal, campeão da Copa do Mundo aos 19 anos

    De origem humilde ao topo do mundo: conheça a história de Lamine Yamal, campeão da Copa do Mundo aos 19 anos

    Filho de imigrantes, atacante espanhol cresceu em um bairro popular de Mataró, superou dificuldades financeiras e celebrou a conquista mundial ao lado do irmão caçula Keyne, que voltou a emocionar torcedores durante a festa do título

    A vitória do improvável. Com apenas 19 anos, Lamine Yamal já é um dos maiores nomes do futebol mundial, depois da conquista da Copa do Mundo pela Espanha neste domingo, 19 de julho. Mas a história dele começou bem longe dos grandes estádios e com muita dificuldade.

    Filho de pai marroquino e mãe da Guiné Equatorial, Yamal cresceu em Rocafonda, um bairro simples e estigmatizado da cidade de Mataró, na Espanha.

    A família enfrentou problemas financeiras, e o jogador nunca escondeu as origens humildes. Ele costuma dizer que foi justamente essa realidade que o motivou a lutar pelos sonhos.

    O irmãozinho querido nas redes

    Outro personagem que conquistou o carinho dos torcedores é o irmão caçula, Keyne.

    Ainda pequeno, ele virou sensação nas arquibancadas da Copa do Mundo com as brincadeiras, os sorrisos e o jeito espontâneo de torcer pelo irmão mais velho.

    E não foi diferente na conquista da Copa do Mundo, neste domingo. O garotinho entrou no campo, correu para dar um abraço no irmão famoso e posou com a taça da copa para fotos.

    O nome dele é homenagem

    “Yamal” não é o sobrenome do jogador, mas sim o seu segundo nome próprio. Ele se chama Lamine Yamal Nasraouni Ebana.

    O nome composto homenageia dois amigos africanos (um taxista chamado Lamine e outro chamado Yamal) que acolheram a família do jogador e ajudaram a pagar o aluguel quando eles passavam por dificuldades financeiras, antes do nascimento do atleta campeão.

    Veja que a gratidão dele vem de família.

    Número com as mãos

    Depois de cada gol, Yamal sempre faz um gesto com as mãos formando o número 304 com os dedos.

    Muita gente pensa que é apenas uma comemoração, mas o significado é maior: 304 são os três últimos números do CEP de Rocafonda (08304), o bairro carente e estigmatizado onde ele cresceu.

    O gesto é uma homenagem às próprias raízes e uma resposta a quem tem preconceito contra comunidades pobres e de imigrantes.

    Orgulho das origens

    A trajetória de Lamine Yamal, que hoje tem mais de 53 milhões de seguidores no Instagram, mostra que talento, trabalho e orgulho das origens podem vencer qualquer barreira, sem jamais esquecer de onde viemos.

    De jovem pobre a herói da Espanha, Yamal foi além da foto de bebê ao lado de Messi, justamente quem enfrentou na final da Copa do Mundo pela Argentina.

    E uma das cenas mais marcantes foi a do jogador indo abraçar Messi, após a derrota da Argentina, com todo respeito que um grande jogador deve ter. E ele tem.

  • A vida também ensina quando perdemos

    A vida também ensina quando perdemos

    Em reflexão sobre vitórias, derrotas e crescimento pessoal, a psicóloga e escritora Marcia Bortolanza mostra como as perdas podem fortalecer a sabedoria, a integridade e a capacidade de seguir em frente

    Coluna Por Marcia Bortolanza
    Escritora e Psicóloga

    Desde muito cedo somos ensinados a competir. Celebramos quem chega primeiro, quem conquista mais, quem acumula medalhas, títulos e reconhecimento. Quase ninguém, porém, nos ensina a lidar com aquilo que inevitavelmente também faz parte da existência: as perdas.

    Perdemos oportunidades, relacionamentos, sonhos, pessoas e, muitas vezes, perdemos até mesmo a imagem que construímos de nós mesmos. E talvez seja justamente nesses momentos que a vida realize seu trabalho mais profundo.

    A vitória costuma alimentar a autoestima. A derrota, quando bem compreendida, alimenta a sabedoria.

    É comum associarmos o fracasso à incapacidade. Mas, sob o olhar da psicologia, o verdadeiro fracasso acontece quando desistimos de aprender. Quem transforma uma perda em crescimento jamais saiu derrotado. Apenas percorreu um caminho diferente daquele que imaginava.

    Também é preciso aprender a vencer. O sucesso pode revelar grandezas, mas também pode expor vaidades, arrogâncias e a ilusão de que somos autossuficientes. A verdadeira conquista não precisa diminuir ninguém. Ela acolhe, inspira e reconhece que toda caminhada foi construída com esforço, apoio e oportunidades.

    Há pessoas que vencem competições, mas perdem amigos. Alcançam posições importantes, mas deixam para trás a humildade. Conquistam aplausos, porém silenciam a própria consciência. Que vitória é essa?

    Por outro lado, existem aqueles que atravessam derrotas com serenidade, preservam seus valores, respeitam quem pensa diferente e continuam acreditando na vida. Esses talvez não ocupem o primeiro lugar no pódio, mas ocupam um lugar muito mais importante: o da integridade.

    A vida muda o tempo todo. Quem hoje vence poderá perder amanhã. Quem hoje chora uma derrota talvez esteja apenas sendo preparado para uma conquista ainda maior. Por isso, nem o sucesso deve nos tornar soberbos, nem o fracasso deve nos fazer desistir.

    No fim das contas, o que permanece não é o placar da vida, mas a pessoa que nos tornamos durante o jogo.

    Porque ganhar é circunstancial. Crescer é permanente. E essa é, sem dúvida, a vitória que realmente vale a pena.

  • Quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação que apura suposta fraude bilionária em créditos de ICMS

    Quem é Nelson Wilians, advogado alvo de operação que apura suposta fraude bilionária em créditos de ICMS

    Fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do país é investigado em operação que apura esquema de suposta venda de créditos tributários falsos, com prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos

    Com mais de 1,4 milhão de seguidores só no Instagram, o advogado Nelson Wilians é um dos alvos nesta quarta-feira (15) de uma operação contra fraude no ICMS em São Paulo e no Paraná.

    O escritório dele é acusado pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP), da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz-SP), de fazer parte de uma organização investigada por suposta venda de créditos falsos de ICMS para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado. O esquema teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.

    Um dos núcleos principais do grupo investigado é ligado ao grupo econômico de Wilians, cujo escritório é alvo de buscas e apreensões da Operação Distrato.

    Em nota, o escritório de Wilians informou que “recebeu o cumprimento da medida de busca e apreensão com serenidade, transparência e absoluto espírito colaborativo, mantendo-se à disposição das autoridades competentes e atuando de forma proativa para o completo esclarecimento dos fatos”.

    Em Londrina (PR), o alvo é a advogada Mayra de Paula, que segundo a investigação é “sócia” de Willians nas fraudes.

    A Operação Distrato cumpre 38 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina (PR) e Cambé (PR).

    Em setembro do ano passado, Wilians já tinha sido alvo da Polícia Federal (PF) por suposta participação no esquema de fraudes do INSS.

    Na época, na casa dele foram apreendidas esculturas eróticas, arma e carros de luxo, incluindo uma Ferrari e um Porsche.

    Nas redes sociais, o advogado exibe sua rotina em palestras e ostenta viagens de luxo com a família.

    Além do advogado, a operação do governo de SP nesta quarta (15) mira outros dois grupos econômicos de advogados e consultorias que trabalham com o chamado “planejamento tributário”: os grupos Alpha e Dmc.

    Quem é Nelson Wilians

    Nelson Wilians é natural de Cianorte (PR) e fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV). Ele foi advogado de Rose Miriam, mãe dos filhos do Gugu, na disputa judicial pela herança do apresentador.

    Filho de pequenos agricultores, o advogado já foi capa da revista Forbes, o primeiro da categoria a ter destaque na publicação, e se apresenta também como empreendedor jurídico.

    Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), em Bauru, no interior de SP, ele é fundador e CEO do escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil e da América Latina em número de profissionais e presença nacional.

    Wilians é casado com a também advogada Anne Wilians e é pai de quatro filhos. Ela é sócia do escritório do marido e também é alvo da operação.

    Ele também é um dos patrocinadores do piloto de automobilismo Paulinho De’ Carli e tem registro como CAC (Colecionador, Atirador e Caçador), com mais de 10 armas, incluindo o fuzil encontrado durante a operação. Na época da operação do INSS, a Polícia Federal havia informado que irá solicitar à Justiça a cassação do registro dessas armas.

    Além da vida de luxo, Wilians era colecionador de obras de arte. Na operação de setembro de 2025, a PF encontrou esculturas eróticas e quadros que podem pertencer a Portinari e Di Cavalcanti em endereços ligados a ele e outros empresários alvo da operação contra fraudes no INSS.

    Veículos de luxo: Ferrari, Porsche e um Rolls-Royce com banco de couro, teto estrelado e avaliado em R$ 11 milhões, também foram apreendidos.

    O acervo apreendido também incluía estátuas de bronze, entre elas uma reprodução de “O Pensador”, de Auguste Rodin. Há ainda peças de caráter sensual e erótico, assinadas pelo escultor austríaco Bruno Zach.

    Como funcionava o esquema de fraudes no ICMS

    De acordo com a investigação do governo de SP, a organização usava empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional. Essas empresas emitiriam documentos fiscais para dar circulação artificial a créditos de ICMS, depois incorporados à escrituração fiscal de contribuintes.

    Eles simulavam ter créditos tributários para vender para as empresas — geralmente pequenas e médias. Mas, segundo a investigação, os créditos eram falsos. As empresas eram multadas. Eles, então, simulavam telas para mostrar que as multas tinham sido quitadas — o que também era falso.

    Para dar credibilidade ao esquema, o advogado chegava aos compromissos de helicóptero e carros importados.

    O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é a principal fonte de receita dos governos estaduais. É um tributo estadual que incide sobre a venda de produtos, a prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, e de comunicações.

    Escritórios de advocacia, consultorias e intermediadoras participavam do esquema, segundo a investigação. Prospectavam clientes, montavam os contratos e elaboravam pareceres jurídicos para justificar a operação perante o Fisco.

    Além do núcleo ligado ao Grupo Nelson Wilians, a apuração também mira agentes dos grupos Alpha e Dmc. Para justificar a origem dos créditos, os investigados alegavam, por exemplo, supostos direitos de massas falidas ou decisões judiciais antigas de desapropriação.

    Para forjar aparência de legalidade, a organização recorria a práticas como: uso indevido de normas administrativas ou de decisões judiciais sem trânsito em julgado para justificar os créditos; apresentação de despachos que seriam falsos, atribuídos a auditores fiscais que não os assinaram; venda de créditos sem relação real com o ICMS, vinculados a empresas sem atividade; uso de “cessões” ou “gerenciamentos” simulados para formalizar o negócio ilícito.

    O CIRA/SP abriu 874 Ordens de Serviço Fiscal para analisar cerca de 9.960 lançamentos suspeitos, envolvendo mais de 850 empresas. O comitê afirma que a apuração separa quem agiu de forma consciente do proveito ilícito de quem pode ter sido enganado de boa-fé.

    A Secretaria da Fazenda já realizou verificações fiscais que culminaram na lavratura de autos de infração em 752 empresas.

  • RioMar Casa amplia experiência do morar e lança o Casa Prime, salão dedicado ao mercado imobiliário de alto padrão

    RioMar Casa amplia experiência do morar e lança o Casa Prime, salão dedicado ao mercado imobiliário de alto padrão

    Evento acontece de 10 de julho a 2 de agosto, no Shopping RioMar Recife, reunindo arquitetura, design, decoração e empreendimentos imobiliários em um único espaço

    A 11ª edição do RioMar Casa chega ao Shopping RioMar Recife entre os dias 10 de julho e 2 de agosto consolidando um projeto genuinamente pernambucano que se tornou referência no Nordeste para profissionais, empresas e consumidores interessados em arquitetura, design, decoração e tendências do morar. Neste ano, o evento apresenta uma grande novidade: o lançamento do Casa Prime, salão voltado ao mercado imobiliário de alto padrão, realizado em parceria com a Gueiros Empreendimentos.

    Pela primeira vez, os visitantes terão acesso, em um único ambiente, a toda a cadeia produtiva do morar. Além de conhecer projetos de arquitetura, design de interiores, mobiliário e soluções para construção e decoração, o público poderá visitar um salão imobiliário com empreendimentos de alto padrão, aproximando consumidores, construtoras, incorporadoras e profissionais do setor.

    Instalado no novo Centro de Eventos do Shopping RioMar, o Casa Prime reunirá opções como flats, lofts, apartamentos, salas comerciais, lounges e projetos que destacam os modernos espaços de convivência presentes nos empreendimentos imobiliários atuais. A proposta é apresentar um panorama das novas formas de morar em Pernambuco, acompanhando as mudanças no comportamento dos consumidores e as tendências do mercado.

    O evento também contará com a participação de importantes marcas da indústria, do comércio e do segmento imobiliário, reforçando o potencial de geração de negócios e networking entre empresas, profissionais e clientes.

    Com entrada gratuita, a expectativa é receber um grande fluxo de visitantes ao longo dos mais de 20 dias de programação, consolidando o RioMar Casa e o Casa Prime como uma das principais vitrines de arquitetura, design e mercado imobiliário de Pernambuco.

  • Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Empresas norte-americanas enviaram manifestações ao governo dos Estados Unidos contra proposta de taxação e alertaram para impactos em custos, cadeias de suprimentos e produção interna

    As multinacionais norte-americanas Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

    As empresas enviaram contribuições ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) durante o período de consulta pública, encerrado em 1 de julho, pedindo mudanças na medida anunciada pelo governo de Donald Trump.

    A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite aos Estados Unidos impor tarifas sobre produtos de países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem o comércio americano.

    O governo Trump justificou a iniciativa alegando preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

    Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as empresas argumentam que a taxação pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias globais de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes dos próprios Estados Unidos.

    Coca-Cola pede isenção para insumos brasileiros

    A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção prevista para insumos de laranja importados do Brasil e inclua tratamento semelhante para derivados de limão utilizados na produção de bebidas.

    Segundo a empresa, a substituição dos fornecedores brasileiros não seria imediata e exigiria novos processos de certificação, testes de segurança alimentar e validação de produtos, elevando os custos da operação.

    A companhia também destacou a redução da produção de laranjas nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, afetada por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. Para a empresa, o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir a demanda da indústria americana.

    Tesla cita dependência da cadeia de suprimentos

    A Tesla afirmou apoiar medidas voltadas ao fortalecimento da indústria americana, mas ressaltou que a transição para uma cadeia de suprimentos totalmente nacional levará tempo.

    A montadora argumentou que determinados componentes e matérias-primas ainda dependem de fornecedores brasileiros e pediu que esses produtos sejam excluídos da lista de itens sujeitos à tarifa.

    Segundo a empresa, impor restrições antes que existam alternativas viáveis no mercado interno pode gerar impactos negativos para fabricantes e consumidores dos Estados Unidos.

    eBay pede exclusão de produtos usados

    O eBay defendeu que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam excluídos da nova tarifa.

    Para a plataforma de comércio eletrônico, a taxação sobre bens revendidos não afeta os fabricantes investigados nem contribui para corrigir eventuais distorções comerciais.

    A empresa argumenta que a medida penaliza apenas revendedores e consumidores, além de estimular a compra de produtos novos, contrariando o objetivo da política comercial proposta pelo governo americano.

     

  • Neymar sinaliza despedida da Seleção Brasileira após eliminação na Copa do Mundo de 2026

    Neymar sinaliza despedida da Seleção Brasileira após eliminação na Copa do Mundo de 2026

    Maior artilheiro da história do Brasil, atacante afirmou que sua trajetória com a camisa da Seleção chegou ao fim após derrota para a Noruega nas oitavas de final, no MetLife Stadium

    Neymar deixou no ar sua aposentadoria da Seleção Brasileira após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, neste domingo (5), pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. Depois da eliminação, o atacante confirmou que sua trajetória com a camisa do Brasil chegou ao fim.

    Em entrevista à GE TV, Neymar resumiu sua decisão em uma frase curta:

    “Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui“, disse o jogador.

    A declaração faz referência ao MetLife Stadium, em Nova Jersey, palco da eliminação para a Noruega e também do primeiro jogo de Neymar pela Seleção Brasileira, em 10 de agosto de 2010.

    Neymar se despede no mesmo estádio da estreia pela Seleção

    O atacante estreou pela Seleção Brasileira justamente no estádio localizado em Nova Jersey, em amistoso contra os Estados Unidos. Na ocasião, começou a partida como titular e marcou o primeiro gol da vitória brasileira por 2 a 0.

    O lance aconteceu após cruzamento de André Santos. Neymar cabeceou para vencer o goleiro Tim Howard e abriu o placar. Alexandre Pato marcou o segundo gol da equipe comandada por Mano Menezes.

    Naquele momento, Neymar surgia como uma das principais promessas do futebol brasileiro. Quase 16 anos depois, encerra sua passagem pela Seleção como o maior artilheiro da história da equipe.

    Gol na despedida não evita eliminação do Brasil

    Contra a Noruega, Neymar começou a partida no banco de reservas e entrou aos 22 minutos do segundo tempo no lugar de Gabriel Martinelli. Pouco depois, viu Haaland marcar os dois gols que encaminharam a classificação da seleção norueguesa.

    Já nos acréscimos, o atacante converteu uma cobrança de pênalti e diminuiu a desvantagem brasileira. O gol, porém, não foi suficiente para evitar a derrota por 2 a 1 e a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo.

    Além do gol, Neymar também se envolveu em discussões durante a partida e deixou o gramado emocionado após o apito final, encerrando sua trajetória pela Seleção Brasileira.

    Campanha do Brasil na Copa do Mundo de 2026

    • Marrocos 1 x 1 Brasil — Fase de grupos
    • Brasil 3 x 0 Haiti — Fase de grupos
    • Brasil 3 x 0 Escócia — Fase de grupos
    • Brasil 2 x 1 Japão — Fase de 32 avos (Round of 32)
    • Brasil 1 x 2 Noruega — Oitavas de final

    A eliminação para a Noruega marcou o fim da campanha brasileira na Copa do Mundo de 2026 e também encerrou a trajetória de Neymar com a camisa da Seleção, conforme anunciado pelo próprio atacante após a partida.

  • Avanços no ensino médio contrastam com gargalos históricos da educação brasileira

    Avanços no ensino médio contrastam com gargalos históricos da educação brasileira

    Artigo de Janguiê Diniz aponta melhora em indicadores de permanência escolar, mas alerta para analfabetismo, evasão, jovens “nem-nem” e baixo acesso ao ensino superior

    Coluna Janguiê Diniz*

    Nas últimas semanas, dois importantes retratos da educação brasileira revelaram um cenário de contrastes: avanços que merecem ser comemorados e desafios estruturais que continuam impondo limites ao desenvolvimento do país. Analisados de forma complementar, o Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e a Pnad Contínua Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são a síntese de um Brasil que caminha a passos lentos.

    Enquanto o primeiro constatou uma melhora na trajetória dos estudantes do ensino médio, o segundo mostrou que o país ainda convive com gargalos históricos que comprometem a conclusão da educação básica, o acesso à educação superior e a formação de capital humano qualificado.

    Por exemplo, entre 2022 e 2025, as taxas de reprovação, abandono escolar e distorção idade-série dos estudantes do ensino médio da rede pública caíram, respectivamente, 62%, 61% e 28%. No sentido oposto, a taxa de aprovação cresceu 11%. Não há dúvida de que trata-se de um resultado que merece ser celebrado. Há décadas, o ensino médio figura como uma das etapas mais frágeis da educação brasileira, marcada por altas taxas de evasão, repetência e desinteresse por parte dos estudantes. 

    Essa melhora demonstra que políticas públicas voltadas à permanência escolar podem produzir resultados concretos quando bem estruturadas. Entre elas, destaca-se o programa Pé-de-Meia. Embora seja natural que diferentes fatores tenham contribuído para esse cenário, é difícil dissociar a melhora dos indicadores da adoção de uma iniciativa que enfrenta um dos principais obstáculos para milhares de jovens brasileiros: a necessidade de abandonar a escola para trabalhar e complementar a renda familiar.

    Mas seria um equívoco interpretar esses números de forma isolada. Como mostra a PNAD Contínua Educação 2025, o país convive com um enorme passivo educacional. São 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever. Cerca de 43% dos jovens de 14 a 29 anos abandonaram ou nunca frequentaram a escola por necessidade de trabalhar. Entre os brasileiros com 25 anos ou mais, apenas 57,4% concluíram o ensino médio.

    Outro dado que chama a atenção consiste no trágico cenário em que estão mergulhados os “nem-nem”. Em 2025, o país possuía 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 17,5% não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e tampouco frequentavam cursos de qualificação profissional. Embora esse percentual represente uma redução em relação aos 22,4% registrados em 2019, ele ainda corresponde a milhões de brasileiros afastados simultaneamente da educação e do mercado de trabalho. Trata-se de um contingente que ilustra, talvez como nenhum outro indicador, o tamanho do desafio brasileiro na construção de trajetórias educacionais e profissionais consistentes.

    Esse cenário também ajuda a explicar por que o acesso à educação superior continua avançando em ritmo inferior ao necessário. Segundo a Pnad, apenas 21,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais concluíram uma graduação. A meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE) é elevar para 40% a população de 18 a 24 anos com acesso a cursos superiores. Trabalhar para que esse percentual seja atingido é fundamental para um país que pretende aumentar sua produtividade, fortalecer sua capacidade de inovação e competir em uma economia baseada no conhecimento.

    Nesse contexto, o ensino médio assume um papel ainda mais estratégico. Não apenas porque representa a etapa final da educação básica, mas porque o fechamento desse ciclo é indispensável para o acesso ao ensino superior. Cada estudante que abandona a escola reduz significativamente suas possibilidades de qualificação profissional, inserção produtiva e mobilidade social. Da mesma forma, cada jovem que conclui o ensino médio amplia suas chances de dar continuidade aos estudos, acessar melhores oportunidades de trabalho e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.

    Os resultados divulgados pelo Inep demonstram que o Brasil é capaz de melhorar seus indicadores quando há políticas públicas consistentes, financiamento adequado e foco na permanência dos estudantes. Já os dados da PNAD lembram que o caminho ainda é longo e que o desafio não termina com a conclusão do ensino médio. É preciso transformar esse avanço em uma verdadeira ponte para a educação superior, ampliando as oportunidades de acesso e permanência na graduação.

    Celebrar os avanços é necessário. Mas eles só produzirão os efeitos esperados se forem compreendidos como parte de uma estratégia mais ampla, capaz de conectar educação básica, ensino médio, educação superior e mercado de trabalho. Afinal, reduzir a evasão é uma conquista importante. Transformar esses jovens em universitários e profissionais qualificados é o desafio que realmente definirá o futuro do Brasil.

    *Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.