SÃO CARLOS (SP) — O avanço das discussões legislativas e a mobilização pelo fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil colocaram o setor de bares, lanchonetes e restaurantes em estado de alerta. Se para a força de trabalho a revisão da jornada representa ganho em qualidade de vida e descanso, para a ponta operacional do food service — um segmento intensivo em mão de obra e dependente do funcionamento contínuo nos fins de semana e feriados — o impacto direto se reflete no aumento imediato dos custos de operação e na necessidade de contratação de turnos adicionais.
Em um mercado no qual as margens de lucro líquido historicamente oscilam entre 10% e 18%, absorver novas despesas trabalhistas sem repassar preços ao consumidor final tornou-se o principal enigma dos comerciantes. Nesse cenário de margens espremidas, uma conta que antes passava despercebida passou para o topo da lista de prioridades: as taxas de até 27% a 30% cobradas pelos aplicativos hegemônicos de entrega.
Para David Gonçalves, CEO da Come Come Delivery — plataforma que vem expandindo sua presença pelo interior do país com foco em comércio justo e taxas reduzidas —, a matemática do lojista mudou de patamar.
“O comerciante do interior não tem como absorver um aumento de custo de equipe se continuar entregando quase um terço do seu faturamento bruto para aplicativos de fora. Com a reestruturação da escala 6×1, economizar em taxas de intermediação deixou de ser uma escolha estratégica de otimização e passou a ser uma questão de pura sobrevivência do negócio”, pontua Gonçalves.
A Encruzilhada da Cozinha: Custos Fixos em Alta e Margens no Limite
O setor de alimentação fora do lar opera sob uma lógica rígida: a cozinha precisa estar acesa no almoço, no jantar e, principalmente, de sexta a domingo. Adaptar essa rotina a jornadas reduzidas exige reorganização de escalas, pagamento de horas extras ou contratação de mais funcionários para cobrir os dias de folga obrigatória.
David Gonçalves explica que o repasse automático dessa conta para o cardápio encontra um teto imediato no poder de compra da população.
“O dono da pizzaria ou da hamburgueria não pode simplesmente aumentar o preço do prato em 20% da noite para o dia, porque o cliente da cidade corta o pedido. O consumidor sente a inflação no bolso. Portanto, a saída do empresário não está em cobrar mais de quem compra, mas sim em parar de sangrar dinheiro para quem apenas intermedeia a venda”, analisa o executivo.
“Se você gasta mais para manter a sua equipe rodando em conformidade com as novas escalas, esse dinheiro precisa sair de algum lugar. E o lugar mais óbvio, onde o dinheiro escorre sem deixar nenhum valor real para a operação local, são as comissões predatórias dos grandes marketplaces.”
O Paralelo: Taxas Tradicionais vs. A Realidade Come Come Delivery
A comparação colocada pelo CEO da rede traduz a discrepância em números claros de caixa mensal. Em uma operação de médio porte que fatura R$ 30.000 mensais no delivery por meio de um aplicativo tradicional com taxa de 27%, o lojista chega a desembolsar R$ 8.100 apenas em comissões para a plataforma — montante frequentemente superior ao custo total de dois funcionários registrados.
Na Come Come Delivery, onde a taxa padrão praticada pela rede de operadores locais é fixada em 10%, o mesmo volume de vendas consome apenas R$ 3.000 em custos de intermediação. A economia direta de R$ 5.100 mensais fica retida no próprio caixa da empresa local.
“Quando mostramos essa conta na ponta do lápis, o empresário percebe o absurdo da situação. Uma economia de R$ 5.000 a R$ 6.000 por mês paga com folga os custos adicionais de adequação de escala, contratação de um reforço de fim de semana ou bonificação da equipe atual”, ressalta David Gonçalves.
“O nosso papel com a campanha Proposta Irresistível e a taxa justa de 10% é exatamente devolver esse fôlego financeiro. Nós não cobramos taxa de adesão, não exigimos mensalidades abusivas e o Pix cai direto para o lojista. A plataforma existe para apoiar o comércio, não para ser sócia majoritária do suor de quem cozinha.”
Autonomia e Humanização no Cenário de Mudanças
Além da equação financeira, Gonçalves destaca que a pressão sobre as rotinas de trabalho exige ferramentas digitais que tragam previsibilidade, e não punições automatizadas. Em modelos concorrentes, lojistas que precisam pausar o sistema ou reduzir horários por falta de equipe no turno sofrem rebaixamento algorítmico e perda de relevância nas buscas.
“Em um momento em que as cozinhas precisam de flexibilidade para ajustar seus horários de equipe, o comerciante não pode viver com medo de algoritmo. Na Come Come, a relação é humana. Nosso franqueado está na mesma cidade, conversa no WhatsApp, entende as dificuldades daquela semana e ajuda o restaurante a vender nos dias certos com ferramentas como cupons inteligentes e cashback próprio, sem coações”, afirma.
Para o executivo, o debate sobre o fim da escala 6×1 servirá como um catalisador de maturidade para o empresariado gastronômico brasileiro.
“Toda grande transformação trabalhista ou econômica força o mercado a cortar os excessos e olhar para a eficiência real. Os estabelecimentos que continuarem presos a modelos que cobram 25% a 30% de taxa vão enfrentar sérias dificuldades para fechar a folha. Já aqueles que migrarem para alternativas justas, com tecnologia própria e custo enxuto, vão proteger sua margem e manter os empregos da sua cidade funcionando com tranquilidade”, conclui Gonçalves.
Com presença em franca expansão pelo interior paulista e demais estados, a Come Come Delivery mantém abertas as inscrições para credenciamento de novos estabelecimentos e concessões de franquia em comecomedelivery.com.br.
