Tag: saúde mental

  • Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde

    Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde

    Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças

    Coluna de Marcia Bortolanza

    Existem dores que não sabem pedir ajuda.
    A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa.

    O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, mas também como um alerta para algo que precisa ser discutido durante o ano inteiro: a necessidade de construirmos uma infância verdadeiramente protegida.

    Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se escondem atrás de mudanças de comportamento, crises emocionais, medo excessivo, dificuldade de socialização, ansiedade, queda no rendimento escolar ou um silêncio repentino que ninguém consegue compreender.

    A criança nem sempre consegue explicar o que sente. Muitas vezes, ela sequer entende o que está acontecendo. Por isso, o papel dos adultos é fundamental. Escutar, observar, acolher e acreditar são atitudes que podem interromper ciclos profundos de sofrimento.

    Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente, mas emocionalmente distraída. E isso também exige atenção. Crianças expostas precocemente à internet, redes sociais e ambientes virtuais sem supervisão tornam-se mais vulneráveis a diferentes formas de violência emocional e exploração.

    A proteção infantil começa dentro de casa, nos vínculos de confiança, na presença afetiva e no diálogo constante. Uma criança emocionalmente acolhida desenvolve mais segurança para falar sobre desconfortos, medos e situações que a fazem sofrer.

    Do ponto de vista psicológico, a violência na infância pode impactar toda a construção emocional do indivíduo. Muitas inseguranças, medos, dificuldades afetivas e sofrimentos na vida adulta têm origem em feridas emocionais não cuidadas durante os primeiros anos de vida.

    Precisamos romper com a cultura do silêncio. Criança não inventa dor. Criança manifesta dor.

    O Maio Laranja não deve provocar apenas comoção momentânea, mas consciência permanente. Proteger a infância é uma responsabilidade coletiva. É dever da família, da escola, das instituições e de toda a sociedade.

    Porque toda criança merece crescer em um ambiente onde o medo não faça parte da rotina e onde o amor seja sempre maior que qualquer forma de violência.

  • Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem

    Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem

    Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida.

    Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é apenas quem cuida é quem, de alguma forma, inaugura em nós a forma de sentir o mundo.

    É no olhar materno que aprendemos, ainda sem palavras, se somos vistos, amados e aceitos. É no colo ou na ausência dele que o corpo registra as primeiras impressões de segurança ou de falta. A mãe, portanto, não marca apenas a infância. Ela atravessa a vida inteira, habitando memórias, escolhas e afetos.

    Na prática clínica, é possível perceber o quanto esse vínculo inicial ecoa na vida adulta. A forma como alguém ama, se entrega, se protege ou se afasta, muitas vezes carrega traços desse primeiro encontro com o cuidado. E aqui não se trata de buscar culpados, mas de compreender origens. Compreender para libertar, não para aprisionar.

    Existe uma beleza possível na imperfeição. A mãe real distante da idealização é aquela que acerta e erra, que ama e também se cansa, que tenta, mesmo quando não sabe como. E é nessa humanidade que mora uma das maiores lições: o amor não é ausência de falhas, mas presença de verdade.

    Também é preciso olhar com delicadeza para as mães. Por trás do papel, existe uma mulher que sente, que enfrenta seus próprios conflitos, que carrega histórias que começaram muito antes dos filhos. Muitas vezes, ela ofereceu o que tinha ainda que não tenha sido tudo o que o outro precisava.

    Talvez amadurecer seja justamente isso:  reconhecer o que nos foi dado, elaborar o que faltou e escolher, de forma consciente, o que faremos com essa herança emocional. Porque, ainda que a mãe seja o início, ela não precisa ser o limite.

    Neste tempo em que tanto se fala sobre maternidade, fica um convite mais profundo: Olhar para essa relação com verdade, compaixão e responsabilidade emocional. Honrar quando houve amor. Ressignificar quando houve dor. E, sobretudo, permitir que o cuidado consigo e com o outro continue sendo reconstruído.

    Porque, no fim, a mãe permanece.
    Não apenas como lembrança, mas como parte viva de quem nos tornamos.

  • Nova NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão das instituições de ensino superior

    Nova NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão das instituições de ensino superior

    Artigo de Janguiê Diniz destaca impactos da atualização da norma trabalhista e reforça a necessidade de prevenção de riscos psicossociais nas IES

    Coluna Janguiê Diniz

    A entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) representa um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas no campo da segurança e saúde no trabalho no Brasil, com impactos diretos e profundos sobre as instituições de educação superior (IES). Mais do que uma atualização normativa, trata-se de uma mudança de paradigma que desloca o foco tradicional, historicamente concentrado em riscos físicos, químicos e biológicos, para uma abordagem mais ampla, incorporando, de forma explícita e obrigatória, os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

    Prevista para entrar em vigor no dia 26 de maio, a nova regulamentação impõe às instituições educacionais não apenas ajustes técnicos, mas uma revisão estrutural de seus modelos de gestão, cultura organizacional e práticas de relacionamento com seus colaboradores.

    O primeiro passo consiste no abandono de uma postura reativa e na adoção de uma lógica preventiva e sistêmica. Isso porque a NR-1 estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como um processo contínuo, estruturado e documentado, exigindo a identificação, avaliação, controle e monitoramento de todos os riscos que possam afetar a saúde dos trabalhadores, inclusive aqueles decorrentes da organização do trabalho, como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e falhas de comunicação.

    No contexto das instituições de educação superior, esse desafio ganha contornos ainda mais complexos. Trata-se de organizações marcadas por atividades simultâneas, pressões acadêmicas e regulatórias, demandas administrativas e relações interpessoais densas. Professores, coordenadores e técnicos frequentemente lidam com acúmulo de funções e exigências cognitivas elevadas. Não por acaso, o setor educacional figura entre os mais impactados por afastamentos relacionados à saúde mental, com índices expressivos de estresse, ansiedade e síndrome de burnout.

    Por isso, a principal implicação da NR-1 para as IES está justamente na exigência de que esses fatores deixem de ser tratados como questões periféricas ou individuais e passem a integrar o sistema de gestão de riscos. Isso significa que a saúde mental deve ser incorporada ao inventário de riscos ocupacionais e ao plano de ação institucional, com o mesmo rigor aplicado a outros tipos de risco. 

    A fiscalização não se limitará à existência de documentos. Ela exigirá coerência entre diagnóstico, medidas adotadas e resultados efetivos, com base em evidências concretas e participação dos trabalhadores. Em outras palavras, não será suficiente declarar boas intenções; será necessário demonstrar práticas consistentes e verificáveis.

    Nesse sentido, a preparação das instituições deve começar por um diagnóstico aprofundado e setorizado dos riscos psicossociais. Não se trata de uma análise genérica, mas de um mapeamento que considere as especificidades de cada área e função. Essa abordagem evidencia um ponto central: a gestão de riscos psicossociais exige integração entre diferentes áreas da instituição, incluindo gestão de pessoas, segurança do trabalho, coordenações acadêmicas e alta administração.

    Outro aspecto crucial é a mudança de foco das ações. A NR-1 é clara ao estabelecer que medidas exclusivamente individuais ou clínicas são insuficientes. O enfrentamento dos riscos psicossociais deve ocorrer prioritariamente no nível organizacional, por meio da revisão de processos, redistribuição de cargas de trabalho, melhoria dos fluxos de comunicação e fortalecimento das práticas de liderança. Essa diretriz desloca a responsabilidade do indivíduo para a estrutura institucional, exigindo das IES um compromisso real com a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, equilibrados e sustentáveis.

    Além disso, a norma reforça a necessidade de participação ativa dos trabalhadores no processo de gestão de riscos. A escuta qualificada, por meio de pesquisas, entrevistas, grupos focais e canais de denúncia, deixa de ser uma prática recomendada e passa a ser uma exigência. Essa participação não apenas qualifica o diagnóstico, como também fortalece a cultura organizacional e amplia o engajamento dos colaboradores. Ao mesmo tempo, impõe às instituições o desafio de criar mecanismos seguros, confiáveis e efetivos de acolhimento e tratamento das demandas apresentadas.

    Do ponto de vista jurídico e financeiro, os impactos da não conformidade são significativos. A ausência de gestão adequada dos riscos psicossociais pode resultar em autuações, multas e aumento de passivos trabalhistas, além de custos indiretos relacionados à queda de produtividade, aumento da rotatividade e perda de talentos.

    Em síntese, a nova NR-1 apresenta às instituições duas possibilidades: encarar a norma como uma obrigação burocrática ou como uma oportunidade estratégica de modernização. Aquelas que optarem pelo segundo caminho estarão mais bem posicionadas para enfrentar os desafios contemporâneos, fortalecer sua reputação, atrair e reter talentos e cumprir, com maior qualidade, sua função social. Afinal, cuidar da saúde mental de quem ensina e administra as instituições não é apenas uma exigência legal, mas condição essencial para a excelência acadêmica e para o futuro da educação superior no país.

    *Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador e controlador do grupo Ser Educacional, e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo.

  • Santa Casa de São Paulo abre inscrições para curso de formação em avaliação diagnóstica nos transtornos do neurodesenvolvimento

    Santa Casa de São Paulo abre inscrições para curso de formação em avaliação diagnóstica nos transtornos do neurodesenvolvimento

    Capacitação voltada a psicólogos especialistas e estudantes de Neuropsicologia terá início em maio e oferece vagas para estudantes de neuropsicologia e neuropsicólogos

    SÃO PAULO (SP) – A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) está com inscrições abertas para o Curso de Formação em Avaliação Diagnóstica e Conduta nos Transtornos do Neurodesenvolvimento, destinado a psicólogos especialistas em Neuropsicologia e estudantes da área. 

    O curso tem como objetivo capacitar profissionais para atuação qualificada na avaliação diagnóstica e definição de condutas clínicas relacionadas aos transtornos do neurodesenvolvimento, ampliando a assertividade na prática clínica e no manejo terapêutico dos pacientes.

    A formação será ministrada pela Prof. Dra. Cleunice de Jesus Wosnes, neuropsicóloga atuante no ambulatório de neuropediatria da Santa Casa de São Paulo e docente em graduação de Psicologia, e pela Esp. Thaís Farias da Silva Santos, neuropsicóloga, professora de pós-graduação lato sensu e referência no ambulatório de epilepsia, esclerose múltipla e reabilitação da instituição. Ambas possuem ampla experiência em avaliação neuropsicológica em contexto clínico e hospitalar.

    Segundo as coordenadoras, o curso busca oferecer uma abordagem aprofundada e prática sobre os principais protocolos e condutas voltados ao diagnóstico neuropsicológico, promovendo atualização técnica e aperfeiçoamento profissional em uma área cada vez mais demandada no mercado de saúde mental, que é a avaliação para diagnóstico de Transtornos do Neurodesenvolvimento.

    Com início marcado para 16 de maio de 2026, a formação terá duração de seis meses e carga horária total de 80 horas. Ao todo, serão disponibilizadas 100 vagas para estudantes de neuropsicologia e neuropsicólogos interessados em aprofundar conhecimentos sobre avaliação diagnóstica e conduta clínica nos transtornos do neurodesenvolvimento. 

    Mais informações e inscrições podem ser obtidas diretamente pelos canais oficiais da Santa Casa de São Paulo: https://santacasasp.org.br/ensino/curso-de-formacao-em-avaliacao-diagnostica-e-conduta-dos-transtornos-do-neurodesenvolvimento/

    Inscrições:
    As inscrições vão até o dia 01/05/2026 e podem ser realizadas diretamente pelos canais oficiais da Santa Casa de São Paulo: https://pose.santacasasp.org.br/isantacasa/inscricaocandidato.aspx?ac=6D446232746A353073306B3D

    Marcus Bernardo
    11943599230
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  • João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil

    João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil

    Levantamento do Instituto Veritá mostra que a capital pernambucana ficou fora do top 10 nacional e aparece entre as piores do Nordeste em áreas essenciais

    O Recife vive um momento de forte desgaste na avaliação da gestão municipal. Dados do Instituto Veritá, responsável pelo maior levantamento independente sobre serviços públicos do Brasil, mostram que a capital pernambucana ficou fora do top 10 das capitais com melhor desempenho. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025, com dados preliminares divulgados na segunda semana de janeiro de 2026, e revela que o município não atingiu a nota mínima de 4,9 necessária para integrar o grupo de excelência.

    A maioria dos recifenses avalia de forma negativa a prestação de serviços essenciais e aponta falhas graves na transparência, no apoio social e no atendimento direto ao cidadão, indicando que a gestão do prefeito João Campos enfrenta uma crise de credibilidade.

    O abismo da transparência

    A nota 3,2 em Transparência (informações e gastos públicos) coloca o Recife em posição delicada no Nordeste. A capital empata com Teresina e supera apenas Natal (3,1), ficando muito atrás de São Luís (4,7) e Maceió (4,2). Para a maioria da população, o acesso a dados sobre o uso dos recursos públicos é insuficiente, o que dificulta o controle social e amplia a desconfiança na gestão.

    Saúde mental em crise

    Um dos piores desempenhos individuais do Recife está no apoio ao tratamento de dependência química, com nota 3,1 — abaixo da média nacional de 3,5. O dado evidencia uma lacuna severa na rede de proteção social e de saúde mental, em uma área de extrema sensibilidade.

    Atendimento deficiente

    O atendimento ao cidadão também aparece entre os piores indicadores, com nota 3,6. O resultado reflete a dificuldade da população em ter suas demandas resolvidas nos canais oficiais da prefeitura, reforçando a percepção de lentidão e ineficiência da máquina pública municipal.

    O teto de vidro da excelência

    Mesmo nos serviços considerados “melhores”, o Recife segue distante do padrão de excelência das capitais líderes. A limpeza urbana, melhor área avaliada na cidade, recebeu nota 5,3, enquanto Boa Vista alcançou 7,8. O contraste mostra que, mesmo onde a gestão local se destaca, ainda há grande distância em relação às referências nacionais.

    Entre ilhas e abismos

    Áreas como coleta de lixo (6,4) e educação (5,1) aparecem acima da média geral da cidade, mas não são suficientes para elevar o desempenho do Recife. No cenário regional, capitais como São Luís (5,7) e Maceió (5,4) se consolidam como exemplos, enquanto a capital pernambucana permanece marcada por opacidade administrativa e fragilidade social.

    Os dados do Instituto Veritá apontam que a crise vai além de números: trata-se de uma ruptura na confiança entre a população e a gestão municipal. Enquanto outras capitais avançam, o Recife segue distante do padrão de excelência, com uma sociedade que cobra mais transparência, eficiência e políticas públicas que saiam do papel e cheguem a quem mais precisa.

  • Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares

    Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares

    Especialista destaca que medo, ansiedade e sobrecarga podem evoluir para quadros graves sem acompanhamento psicológico.

    É possível manter a saúde mental convivendo diariamente com a dor? Como preservar o equilíbrio emocional quando os dias se passam em uma cama, em razão de uma enfermidade crônica? E, para familiares e cuidadores, como priorizar a própria saúde mental diante de tantas demandas relacionadas ao cuidado do ente querido? Esses são alguns dos questionamentos levantados pela campanha Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, que convida à reflexão sobre os desafios emocionais enfrentados por pessoas com doenças crônicas e seus familiares.

    De acordo com Ana Paula Pessoa, psicóloga da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação, um dos maiores desafios para a saúde mental de pacientes e familiares é lidar com a incerteza e com as mudanças na rotina impostas pela condição de saúde. “Para o paciente, receber um diagnóstico crônico significa enfrentar limitações físicas e reajustar expectativas de vida. Já para a família, envolve uma reorganização completa do cotidiano, além da preocupação constante com o bem-estar, a atenção e os cuidados. A incerteza, as possíveis frustrações e expectativas desproporcionais podem gerar um estresse emocional significativo quando não há suporte adequado”, alerta.

    Segundo a especialista, sentimentos como medo, frustração, tristeza, ansiedade e até culpa são comuns tanto entre pacientes quanto entre familiares. Além disso, desânimo, sensação de sobrecarga e sintomas depressivos tendem a se intensificar em períodos de tratamentos prolongados, internações longas, mudanças importantes na rotina e perdas de autonomia. “É um erro fingir que a condição não está afetando emocionalmente o paciente e seus familiares. Reconhecer esses sentimentos como legítimos é o primeiro passo para a elaboração desse momento de vida, para as adaptações necessárias e para a busca de maior estabilidade emocional”, afirma Ana.

    Ao lidar com uma doença crônica, uma das poucas certezas para pacientes e familiares é que a enfermidade não desaparecerá. No entanto, na maioria dos casos, existem tratamentos para doenças crônicas capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente. O mesmo vale para a saúde mental. A carga emocional do adoecimento e do cuidado tende a surgir (e, muitas vezes, a se intensificar), mas, segundo a psicóloga, há estratégias que ajudam a minimizar seus impactos, como reservar momentos de autocuidado e priorizar o acolhimento emocional.

    “É imprescindível manter um diálogo frequente com os profissionais de saúde que acompanham o paciente, além de fortalecer redes de apoio, como familiares, amigos e iniciativas comunitárias. O acompanhamento psicológico, mesmo que breve ou pontual, pode oferecer ferramentas práticas para lidar com o estresse, a tristeza e a incerteza, auxiliando no desenvolvimento de estratégias saudáveis de enfrentamento”, orienta a psicóloga.

    Ainda segundo Ana Paula Pessoa, quando pacientes e familiares não reconhecem e acolhem os próprios sentimentos, a sobrecarga emocional não tratada pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, transtornos de ansiedade e esgotamento emocional.

    “A atenção preventiva e o acompanhamento psicológico são tão importantes quanto qualquer outro tratamento. É fundamental para os familiares compreender os próprios limites, fortalecer a rede de apoio e buscar ajuda profissional sempre que necessário. Para os pacientes, a orientação é reconhecer cada etapa como parte do processo de adaptação à nova realidade, seguindo as recomendações da equipe de saúde não apenas no aspecto físico, mas também no psicológico”, reforça.

    A psicóloga destaca ainda que pacientes e familiares se beneficiam de espaços seguros para expressar sentimentos, planejar estratégias de enfrentamento e fortalecer vínculos de cuidado mútuo. “Buscar acompanhamento psicológico não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade com a própria saúde emocional e também uma forma de estar mais fortalecido para cuidar de quem se ama”, conclui psicóloga Ana Paula Pessoa.

  • A Falta de Empatia, Tolerância e Respeito com Pessoas que Sofrem de Doenças Mentais, Por Renato Bernardinelli

    A Falta de Empatia, Tolerância e Respeito com Pessoas que Sofrem de Doenças Mentais, Por Renato Bernardinelli

    Nos últimos tempos, muito se tem falado sobre saúde mental, mas a verdade é que a falta de empatia, tolerância e respeito com pessoas que sofrem de doenças mentais ainda é uma realidade cruel. As pessoas, muitas vezes, sabem o que não deveriam fazer, pois suas ações podem ferir os outros. Ainda assim, insistem em normalizar comportamentos que desrespeitam a dor alheia.

    O preconceito contra doenças mentais costuma se manifestar na forma de indiferença ou desprezo. Muitos consideram que expressar emoções intensas é “frescura” ou “drama”. Pacientes com condições como depressão, transtorno de ansiedade, bipolaridade ou transtorno de personalidade borderline são frequentemente rotulados como pessoas exageradas ou fracas. A incapacidade de compreender a profundidade dessas doenças cria barreiras e agrava o sofrimento de quem já está em um estado emocional vulnerável.

    Um Chamado às Famílias, Amigos e Colegas de Trabalho

    As pessoas mais próximas daqueles que sofrem de doenças mentais — sejam famílias, amigos ou colegas de trabalho — têm um papel crucial em promover a inclusão e o apoio. Saber da condição de alguém e ignorar seu sofrimento é um sinal de falta de empatia. Muitos acreditam erroneamente que remédios ou terapia são soluções simples e imediatas. Embora esses tratamentos sejam importantes, é fundamental entender que muitas doenças mentais são crônicas e não possuem cura definitiva.

    Empatia é mais do que sentir pena ou compreender superficialmente o problema do outro; é um ato de se colocar no lugar da pessoa, de entender a complexidade da situação sem julgar ou minimizar sua dor.

    As Consequências da Falta de Compreensão

    Quando os portadores de doenças mentais não encontram compreensão e apoio, as consequências podem ser devastadoras. Eles são mal interpretados e mal vistos pela sociedade. O peso do julgamento constante pode levá-los a um sofrimento ainda mais profundo. Para muitos, a busca por uma solução rápida para aliviar a dor pode resultar em caminhos perigosos, como o abuso de drogas, álcool ou comportamentos autodestrutivos, como a automutilação — um sintoma comumente observado em pessoas com transtorno de personalidade borderline.

    Esses mecanismos de “escape” são uma tentativa desesperada de controlar ou aliviar a dor emocional, e não devem ser vistos como escolhas conscientes ou falhas de caráter. São sinais de que a dor interna se tornou insuportável.

    O Estigma Ainda Existe

    Apesar dos avanços na área de saúde mental, o estigma permanece presente. A sociedade ainda se recusa a entender que doenças mentais são tão sérias quanto doenças físicas. Enquanto pessoas com doenças cardíacas ou diabetes recebem apoio e compaixão, aqueles com doenças mentais são, muitas vezes, desacreditados ou ridicularizados.

    Julgar é fácil. Difícil é amar o próximo exatamente como ele é, com todas as suas dores, fragilidades e desafios. A empatia é o caminho para uma sociedade mais justa e inclusiva. Precisamos parar de tratar doenças mentais como “frescura” ou “fraqueza” e começar a tratar aqueles que sofrem com o respeito e a dignidade que merecem.

    Quando a Raiva se Torna uma Prisão: A Falta de Humanização no Tratamento Psiquiátrico

    A raiva é uma das emoções mais intensas e complexas que o ser humano pode experimentar. Em momentos de fúria extrema, muitos acabam quebrando objetos, atirando coisas contra a parede e, em alguns casos, destruindo ambientes inteiros. Essas explosões emocionais, muitas vezes, são tão intensas que a pessoa sequer se lembra do que fez.

    Há relatos impressionantes de indivíduos que, dominados por uma raiva inconsciente, acabaram devastando lojas, restaurantes, e até mesmo quartos de hotéis. Quando a perda de controle atinge esse nível, a sociedade frequentemente opta por uma solução imediata e punitiva: a internação compulsória em hospitais psiquiátricos. Em vez de acolhimento, apoio emocional e compreensão, muitos são obrigados a enfrentar a realidade fria e desumana desses locais.

    Muitas dessas instituições falham em oferecer um tratamento digno e humanizado. Ao invés de proporcionarem um ambiente de recuperação e respeito, deixam os pacientes isolados, muitas vezes em condições precárias de higiene e segurança. Nesses locais, os indivíduos não encontram o cuidado que necessitam, como um abraço acolhedor, um carinho ou uma simples refeição compartilhada em família. São tratadas como casos perdidos, aprisionadas e estigmatizadas.

    O resultado é devastador: muitos saem desses hospitais sem se reconhecerem como parte da sociedade. A experiência traumática de uma internação desumanizada os faz sentir-se incapazes de reintegrar-se à vida normal. Os traumas gerados são profundos e permanentes, destruindo a autoestima e a confiança em si mesmos.

    A Importância de Um Novo Olhar

    Para mudar essa realidade, é essencial promover a educação sobre saúde mental. Conversas abertas e honestas podem quebrar tabus e eliminar estigmas. Famílias, amigos e a sociedade precisam entender que o apoio emocional, combinado com tratamento adequado, pode fazer uma diferença significativa na vida das pessoas que enfrentam essas condições.

    Não devemos apenas aceitar a existência das doenças mentais, mas também reconhecer a força e a coragem das pessoas que lutam diariamente contra elas. É hora de oferecer mais amor, respeito e, acima de tudo, empatia.

    Porque respeitar a dor do outro é o primeiro passo para uma sociedade verdadeiramente humana.

    Renato Bernardinelli / Whats: 11 991590575

    https://www.instagram.com/renatobernardineli

  • Desvendando os Sinais: Como Identificar e Lidar com Crises de Ansiedade

    Desvendando os Sinais: Como Identificar e Lidar com Crises de Ansiedade

    Entenda os Sintomas Físicos e Emocionais e Descubra Estratégias para Enfrentar Momentos de Crise.

    Apesar de ser uma emoção como todas as outras, a ansiedade pode se tornar uma doença quando ela ocorre de maneira frequente e desproporcional, prejudicando o cotidiano do indivíduo. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Brasil tem 18,6 milhões de pessoas diagnosticadas com ansiedade, o que corresponde a 9,3% dos brasileiros. Dentre os sintomas, é possível destacar preocupações excessivas, pensamentos negativos recorrentes, taquicardia e insônia.

    Em alguns momentos, o paciente pode ter as chamadas crises de ansiedade. Geralmente, essas crises são desencadeadas por algum gatilho, como um medo exagerado ou a sensação de estar em perigo. O sistema nervoso autônomo simpático (SNAS), sentindo-se ameaçado, promove uma série de ações, como a liberação de adrenalina e noradrenalina no sangue, o que coloca o corpo inteiro em estado de alerta, dando início à crise.

    Durante esse episódio, que pode durar cerca de 30 ou 40 minutos, acontece uma exacerbação dos sintomas da doença. O ansioso é inundado por pensamentos negativos, dos quais não consegue se livrar. É comum sentir medo de morrer ou de perder o controle, além de falta de concentração, confusão mental e hipervigilância para ameaças.

    Os sintomas físicos também são aumentados devido às ações do sistema nervoso. Nesse momento, o paciente com ansiedade tem um aumento no ritmo dos batimentos cardíacos, como consequência da ação da adrenalina. Hiperventilação (respiração altamente ofegante), dificuldade para respirar, dor no peito, sudorese, rigidez muscular, fraqueza e tremores são outras ocorrências comuns durante uma crise.

    Uma maneira de fazer a crise acabar é tentar, de alguma forma, distrair-se dos sinais que o corpo apresenta, segundo Giedra Marinho, Psicóloga e professora do Centro Universitário Tiradentes (Unit-PE). Isso porque, quanto mais o paciente volta sua atenção para o que está sentindo e pensando, mais nervoso fica, piorando a situação. “É sempre mais fácil se o ansioso não estiver sozinho, mas é possível tentar focar no ambiente à sua volta, tirando a atenção dos sintomas”, pontua a especialista. Ouvir sons, ver cores, sentir texturas e cheiros. Outra forma é tentar conversar sobre outro assunto, fazendo a mente mudar o foco dos pensamentos, ou fazer exercícios de respiração, na intenção de retomar o controle do corpo.

  • Janeiro Branco: Um Chamado à Conscientização e Cuidado com a Saúde Mental

    Janeiro Branco: Um Chamado à Conscientização e Cuidado com a Saúde Mental

    Psicóloga do NOA destaca a importância de zelar pela mente como expressão genuína de amor.

    O Janeiro Branco – campanha nacional como o objetivo de sensibilizar e conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e emocional – foi criada em 2014 por um grupo de psicólogos e profissionais da saúde mental, com o intuito de reduzir o estigma em torno dos problemas psicológicos e emocionais, incentivando o cuidado com a saúde mental e fornecendo recursos para a busca de ajuda, se necessário. Juliana Dutra – psicóloga do NOA (Núcleo de Oncologia do Agreste) – destaca que zelar pela mente é uma expressão genuína de amor.

    A psicóloga explica que “saúde mental é o estado de bem-estar em que uma pessoa lida eficazmente com as demandas da vida, reconhecendo emoções, limites e procurando apoio quando necessário” e o mês de janeiro foi o escolhido para a promoção da campanha “devido à atmosfera de renovação e estabelecimento de metas típicas do início do ano” e que o “branco simboliza um novo começo, representando a oportunidade de abordar a saúde mental sem os estigmas associados, como se estivesse começando com uma página em branco”.

    Relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) dá conta que 264 milhões de pessoas vivenciam transtornos de depressão e ansiedade. Essa última, por exemplo, acomete cerca de 18,5 milhões de brasileiros. Ainda segundo a OMS, em 2019, quase 1 bilhão de pessoas viviam com transtorno mental, no mundo, sendo 14% adolescentes. O relatório também aponta que pessoas com condições severas de saúde mental morrem em média de 10 a 20 anos mais cedo, sobretudo devido a doenças físicas evitáveis.

    O relatório também aponta que fatores como desigualdade social, a pandemia de Covid-19, guerras e crise climática são tidas como ameaças à saúde global. Para se ter uma ideia, o estudo afirma que a depressão e a ansiedade aumentaram mais de 25%, só no primeiro ano da pandemia, e que o suicídio foi responsável por mais de uma em cada 100 mortes e 58% ocorreram antes dos 50 anos de idade.

    Levando o cenário em consideração, Juliana Dutra enfatiza sobre a importância de se fazer “algo vital para a própria saúde mental: periodicamente, rever suas atitudes, recuperar as energias, encerrar ciclos e dar início a uma nova fase”.

  • Pediatra Paula Delai fala sobre agir e ter cuidados preventivos na saúde mental de crianças e adolescentes

    Pediatra Paula Delai fala sobre agir e ter cuidados preventivos na saúde mental de crianças e adolescentes

    O “Setembro Amarelo” é uma campanha realizada no Brasil desde 2015, tendo como objetivo atuar na conscientização sobre a importância que a vida têm e ajudar na prevenção do suicídio. Para médica Dra. Paula Fernanda Delai, “O momento requer atenção para guiarmos assertivamente o comportamento de crianças e adolescentes. Devemos questionar a causa detrás daquele comportamento inusitado, ter conexão emocional e ao mesmo tempo buscar causas relacionadas ás doença mentais.”

    A Pandemia Covid-19 exacerbou os fatores de risco associados ao aparecimento de transtorno mental. “O suicídio pode advir de quadros de depressão, ansiedade, experiências traumáticas na infância ou até mesmo uso de drogas. É importante ter uma escuta ativa e compreensão para ajudar que o paciente consiga uma regulação emocional. Entender o contexto social que a criança está inserida e vertificar histórico familiar de transtorno psiquiátrico”. afirma Paula Delai.

    Dados do Ministério da Saúde apontam que o suicídio é um importante problema de saúde pública no Brasil, com impactos na sociedade como um todo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde- OMS, todos os anos, mais pessoas morrem como resultado de suicídio do que HIV, câncer de mama, guerras ou homicídios. 

    Ainda segundo Paula Delai “É preciso que familiares e professores estejam atentos, que sejam um elo para considerar até pequenas sutilezas, não interpretar um sofrimento aparente como birra ou drama. Esse suporte pode ser o fiel da balança para evitar um fim trágico. Atitudes como estabelecer horário e rotina para as atividades do dia a dia, promover conversas abertas e sem que haja sentimento de culpa ou julgamento alheio, contribuem em propiciar uma boa saúde mental das crianças e jovens. Não deixe produtos tóxicos ou instrumentos perigosos acessíveis á crianças, mantenha-os sempre em local seguro dentro de casa. Preze por segurança e busque ajuda imediata se necessário”. conclui a Pediatra Paula Delai.