Tag: Psicologia

  • Harmonia entre emoção e tecnologia: pais e especialista compartilham experiências

    Harmonia entre emoção e tecnologia: pais e especialista compartilham experiências

    Estabelecer limites é um dos principais desafios enfrentados por pais na criação de filhos em uma sociedade cada vez mais conectada.

    O Dia das Crianças se torna uma oportunidade não apenas para celebrações, mas também para refletir sobre a experiência da infância em um mundo dominado pela tecnologia. Desde muito jovens, as crianças estão imersas em celulares, tablets, computadores e televisores. Diante desse cenário, pais e educadores precisam encontrar uma forma equilibrada de integrar o mundo digital com vivências essenciais para o crescimento saudável dos pequenos.

    O foco vai além do simples controle do tempo que as crianças passam em frente às telas; é fundamental oferecer alternativas que promovam laços familiares. Atividades como brincar, ler, conversar, ajudar nas tarefas domésticas e compartilhar momentos juntos são maneiras eficazes de mostrar que há um universo vasto para ser explorado fora dos dispositivos eletrônicos.

    Conversamos com diversas famílias que desenvolveram suas próprias estratégias para equilibrar a tecnologia com a convivência. Entre elas estão Rodrigo Araújo Madureira, 47 anos, e Nicole Pelli Palumbo Madureira, 38 anos, pais da pequena Rafaela, de 6 anos; além da professora Tainá Lopes de Araújo, 31 anos, mãe de Analuz, 4 anos. A psicóloga Priscilla Paccitto do Nascimento, 41 anos, também compartilha sua visão sobre os impactos da tecnologia na infância.

    Rotina estruturada

    Na casa de Rodrigo e Nicole, a rotina de Rafaela é cuidadosamente planejada para que a tecnologia tenha seu lugar sem dominar a vida familiar. Segundo Rodrigo, pela manhã a filha pode assistir um pouco de televisão antes de ir à escola. Após o retorno das aulas, as telas aparecem novamente durante o trajeto de carro, após Rafaela compartilhar com os pais como foi seu dia.

    Para Rodrigo, é essencial que os adultos estejam envolvidos na definição desses limites. “Oferecemos as telas por um tempo limitado. É desafiador porque requer criatividade e atenção dos pais, além do comprometimento em desconectar-se dos próprios celulares para garantir momentos de qualidade”, ressalta.

    A família também criou rituais após o jantar que promovem a convivência. Após a refeição, Rafaela participa de atividades como desenhar e pintar ou jogar jogos de memória. A leitura antes de dormir finaliza o dia.

    Nos momentos em que surgem irritação ou tédio em Rafaela, os pais buscam compreender as causas daquele comportamento. “Estamos sempre atentos ao que pode estar causando sua insatisfação, validando seus sentimentos e oferecendo apoio emocional”, explica Rodrigo Araújo.

    Experiências compartilhadas

    Tainá Lopes de Araújo acredita que a tecnologia pode ser integrada à infância desde que haja supervisão e escolhas adequadas à faixa etária. Mãe de Analuz, 4 anos, ela menciona que após um dia inteiro na escola, sua filha assiste desenhos com ela no final da tarde. “Assistimos juntas principalmente na televisão usando plataformas apropriadas para sua idade e preferindo filmes e animações mais longos”, detalha.

    A presença dos adultos transforma esse momento diante das telas em uma experiência conjunta ao invés de apenas uma maneira de entreter a criança. Fora do ambiente digital, Analuz dedica tempo a brincadeiras com massinha e bonecas ou jogos educativos.

    Além disso, a cozinha se tornou um espaço importante para aprendizado e interação entre mãe e filha. “É comum que ela me acompanhe enquanto cozinho e participe das atividades seguras para sua idade”, conta Tainá.

    Atividades corriqueiras como preparar refeições ou dar banho são vistas por Tainá como oportunidades valiosas para fortalecer o vínculo afetivo sem exigir muito planejamento; apenas requerem disponibilidade emocional.

    Enfrentando o tédio

    Priscilla Paccitto enfatiza que o debate sobre tecnologia na infância vai além da mera contagem do tempo passado em frente às telas; é necessário considerar qual papel esses dispositivos desempenham na vida das crianças.

    “Quando os dispositivos são utilizados para preencher todos os momentos de espera ou frustração da criança, isso pode limitar suas oportunidades de explorar outras formas de interação social como brincar livremente ou lidar com pequenas frustrações”, explica Priscilla.

    Os adultos também devem refletir sobre seus próprios hábitos digitais já que as crianças aprendem observando como seus responsáveis utilizam tecnologias. Quando surge a reclamação habitual sobre estar “entediada”, Priscilla sugere que os adultos não sejam apressados em eliminar essa sensação: “O tédio é uma experiência importante que as crianças precisam aprender a enfrentar.”

    É precisamente nesse espaço vazio onde podem florescer criatividade e imaginação. Para Priscilla, brincadeiras livres são essenciais ao desenvolvimento infantil porque permitem que as crianças se tornem protagonistas da própria história enquanto lidam com emoções ainda não verbalizadas.

    Limites como cuidado

    Definir regras sobre o uso da tecnologia não deve ser visto como punição ou conflito familiar. A psicóloga assegura que limites funcionam melhor quando são claros e consistentes: “Limites são sinônimos de cuidado. Para serem eficazes precisam ser precisos quanto ao uso das telas: quando podem ser utilizadas e por quanto tempo”, orienta Priscilla.

    As experiências relatadas pelas famílias demonstram que não é necessário escolher entre tecnologia ou infância; ambas podem coexistir harmoniosamente na rotina das crianças enquanto se preservam atividades importantes para estimular criatividade e convivência social.

    Neste Dia das Crianças, convidamos à reflexão sobre como evitar transformar a tecnologia em uma vilã; devemos nos concentrar em garantir que ela não substitua interações humanas essenciais: conversas significativas, brincadeiras conjuntas ou simplesmente momentos dedicados à atenção mútua entre familiares.

    Em meio a uma infância repleta de estímulos digitais, talvez o maior presente seja aquele intangível: dedicar tempo valioso à presença afetiva dos familiares.

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  • A vida também ensina quando perdemos

    A vida também ensina quando perdemos

    Em reflexão sobre vitórias, derrotas e crescimento pessoal, a psicóloga e escritora Marcia Bortolanza mostra como as perdas podem fortalecer a sabedoria, a integridade e a capacidade de seguir em frente

    Coluna Por Marcia Bortolanza
    Escritora e Psicóloga

    Desde muito cedo somos ensinados a competir. Celebramos quem chega primeiro, quem conquista mais, quem acumula medalhas, títulos e reconhecimento. Quase ninguém, porém, nos ensina a lidar com aquilo que inevitavelmente também faz parte da existência: as perdas.

    Perdemos oportunidades, relacionamentos, sonhos, pessoas e, muitas vezes, perdemos até mesmo a imagem que construímos de nós mesmos. E talvez seja justamente nesses momentos que a vida realize seu trabalho mais profundo.

    A vitória costuma alimentar a autoestima. A derrota, quando bem compreendida, alimenta a sabedoria.

    É comum associarmos o fracasso à incapacidade. Mas, sob o olhar da psicologia, o verdadeiro fracasso acontece quando desistimos de aprender. Quem transforma uma perda em crescimento jamais saiu derrotado. Apenas percorreu um caminho diferente daquele que imaginava.

    Também é preciso aprender a vencer. O sucesso pode revelar grandezas, mas também pode expor vaidades, arrogâncias e a ilusão de que somos autossuficientes. A verdadeira conquista não precisa diminuir ninguém. Ela acolhe, inspira e reconhece que toda caminhada foi construída com esforço, apoio e oportunidades.

    Há pessoas que vencem competições, mas perdem amigos. Alcançam posições importantes, mas deixam para trás a humildade. Conquistam aplausos, porém silenciam a própria consciência. Que vitória é essa?

    Por outro lado, existem aqueles que atravessam derrotas com serenidade, preservam seus valores, respeitam quem pensa diferente e continuam acreditando na vida. Esses talvez não ocupem o primeiro lugar no pódio, mas ocupam um lugar muito mais importante: o da integridade.

    A vida muda o tempo todo. Quem hoje vence poderá perder amanhã. Quem hoje chora uma derrota talvez esteja apenas sendo preparado para uma conquista ainda maior. Por isso, nem o sucesso deve nos tornar soberbos, nem o fracasso deve nos fazer desistir.

    No fim das contas, o que permanece não é o placar da vida, mas a pessoa que nos tornamos durante o jogo.

    Porque ganhar é circunstancial. Crescer é permanente. E essa é, sem dúvida, a vitória que realmente vale a pena.

  • Muito além dos aplausos: o verdadeiro valor do reconhecimento

    Muito além dos aplausos: o verdadeiro valor do reconhecimento

    Artigo de Marcia Bortolanza reflete sobre a importância do reconhecimento, os riscos da dependência da aprovação externa e o poder de valorizar quem faz a diferença no cotidiano

    Por Marcia Bortolanza
    Escritora e Psicóloga

    Vivemos em uma sociedade que valoriza resultados, conquistas e visibilidade. Somos frequentemente incentivados a buscar metas, superar desafios e alcançar novos patamares. No entanto, em meio a essa corrida constante, existe uma necessidade humana que permanece presente em todas as fases da vida: o reconhecimento. Mais do que ser admirado, todo ser humano deseja sentir que é importante para algo ou para alguém, que sua presença tem valor e que sua contribuição faz diferença no mundo ao seu redor.

    Desde a infância, buscamos sinais de que somos vistos, acolhidos e valorizados. Uma palavra de incentivo, um elogio sincero ou um gesto de gratidão têm o poder de fortalecer nossa autoestima e alimentar nossa motivação. O reconhecimento não é apenas uma recompensa emocional; ele também confirma que nossos esforços produziram significado para alguém.

    No ambiente profissional, o reconhecimento estimula o comprometimento e aumenta a sensação de pertencimento. Nas famílias, fortalece vínculos e constrói relações mais saudáveis. No voluntariado e nas ações solidárias, ele surge como um incentivo para continuar fazendo o bem. Afinal, todos nós gostamos de saber que aquilo que realizamos fez diferença na vida de alguém.

    Entretanto, existe uma armadilha silenciosa quando passamos a depender exclusivamente do reconhecimento externo. Quando nossa felicidade fica condicionada aos aplausos, aos elogios ou à aprovação dos outros, corremos o risco de entregar nosso valor pessoal às opiniões alheias. Nem sempre o mundo reconhece imediatamente o esforço, a dedicação ou os sacrifícios que fazemos. Muitas vezes, os maiores trabalhos acontecem longe dos holofotes.

    As redes sociais ampliaram ainda mais essa busca. Curtidas, comentários e compartilhamentos passaram a ser, para muitas pessoas, uma medida de aceitação e importância. Embora sejam formas legítimas de interação, não podem se tornar a única referência de valor pessoal. A necessidade constante de aprovação pode gerar ansiedade, frustração e a sensação equivocada de que só somos importantes quando somos notados.

    Quantas mães dedicam suas vidas aos filhos sem receber agradecimentos diários? Quantos profissionais trabalham com excelência sem serem constantemente elogiados? Quantos voluntários transformam realidades sem jamais aparecerem nas manchetes? Quantos cuidadores, educadores e líderes silenciosos seguem firmes em sua missão sem qualquer reconhecimento público? Ainda assim, o impacto de suas ações permanece vivo, muitas vezes de forma muito mais profunda do que imaginam.

    A maturidade emocional nos ensina que o reconhecimento mais importante é aquele que nasce dentro de nós. É a capacidade de olhar para a própria trajetória e compreender o valor do caminho percorrido. É reconhecer os desafios superados, as escolhas difíceis enfrentadas e as sementes plantadas ao longo da vida. Quando aprendemos a validar nossos próprios esforços, nos tornamos menos dependentes da aprovação externa e mais conscientes de quem somos.

    Isso não significa abrir mão da gratidão ou ignorar a importância de valorizar as pessoas. Pelo contrário. Reconhecer o outro é um ato de generosidade e humanidade. Muitas vezes, uma simples palavra de agradecimento pode transformar o dia de alguém. Todos carregamos batalhas invisíveis, e o reconhecimento sincero pode ser o combustível necessário para continuar seguindo em frente.

    Talvez devêssemos praticar mais essa virtude. Reconhecer o esforço de um colega, agradecer quem estende a mão, valorizar quem cuida, ensina, acolhe e serve. Pequenos gestos têm um impacto muito maior do que imaginamos. Em um mundo onde as críticas costumam ser mais rápidas do que os elogios, reconhecer o valor das pessoas é também uma forma de construir relações mais saudáveis e humanas.

    No final das contas, o verdadeiro reconhecimento não está apenas nos títulos, nas homenagens ou nos aplausos. Ele está nas marcas que deixamos, nas vidas que tocamos e no bem que semeamos. Porque o tempo pode apagar muitas conquistas, mas jamais apaga o legado de quem fez a diferença na vida de outras pessoas.

    E talvez seja justamente esse o reconhecimento que mais importa: aquele que permanece quando os aplausos terminam, as luzes se apagam e o silêncio volta a ocupar o espaço. O reconhecimento que nasce do respeito, da gratidão e da certeza de que nossa passagem pelo mundo teve significado. Esse, sim, vai muito além dos aplausos.

  • A Copa do Mundo e o Coração dos Brasileiros: quando o futebol une emoções e histórias

    A Copa do Mundo e o Coração dos Brasileiros: quando o futebol une emoções e histórias

    Artigo de Marcia Bortolanza, escritora e psicóloga, aborda como a competição vai além do esporte e fortalece vínculos, identidade coletiva e esperança entre os brasileiros

    Coluna Marcia Bortolanza Escritora e Psicóloga

    A Copa do Mundo é muito mais do que uma competição esportiva. Para os brasileiros, ela representa um momento de encontro, esperança e pertencimento. Durante esse período, pessoas de diferentes idades, histórias e realidades se unem por um sentimento comum: o amor pelo país e o desejo de ver sua seleção alcançar a vitória.

    Do ponto de vista psicológico, a Copa desperta emoções profundas. Ela fortalece a identidade coletiva, promove conexões sociais e cria memórias afetivas que atravessam gerações. Quem não se lembra de assistir aos jogos ao lado da família, dos amigos ou dos colegas de trabalho? São momentos que permanecem vivos na memória e ajudam a construir laços significativos.

    Em tempos marcados por tantas divisões e desafios, o futebol tem a capacidade de aproximar pessoas. Ainda que por alguns instantes, diferenças ficam em segundo plano e surge um sentimento de união que lembra a importância de caminharmos juntos.

    A Copa também nos ensina sobre superação. Cada partida traz a possibilidade da vitória, mas também o risco da derrota. E é justamente nessa dinâmica que encontramos valiosas lições para a vida. Nem sempre alcançamos os resultados que desejamos, mas sempre podemos aprender, crescer e recomeçar.

    Para as crianças, a Copa desperta sonhos. Para os adultos, resgata lembranças. Para os idosos, revive histórias que atravessaram décadas. Ela conecta passado, presente e futuro em uma mesma emoção.

    Independentemente do resultado dentro de campo, a maior conquista da Copa talvez seja nos lembrar de que fazemos parte de algo maior. Ela nos convida a torcer, acreditar e compartilhar emoções, reforçando valores como união, respeito, perseverança e esperança.

    Porque, no fundo, a Copa não fala apenas de futebol. Ela fala sobre pessoas, sentimentos e sobre a capacidade humana de sonhar coletivamente. E quando um povo sonha junto, ele descobre que sua maior força está na união de seus corações.

  • Escultura “Última Ceia” em madeira ganha destaque pelo maior alto-relevo do Brasil

    Escultura “Última Ceia” em madeira ganha destaque pelo maior alto-relevo do Brasil

    Obra esculpida em cedro pelo artesão Romualdo de Castro Souza levou um ano e meio para ser concluída em Garanhuns, no Agreste pernambucano

    Uma das maiores releituras em madeira da obra “A Última Ceia”, de Leonardo da Vinci, está em Pernambuco. Esculpida pelo artesão Romualdo de Castro Souza, na cidade de Garanhuns, a peça impressiona pela dimensão, riqueza de detalhes e profundidade do alto-relevo.

    A história da escultura começou em 2013, com a aquisição de duas grandes pranchas de madeira cedro, vindas do Pará, por meio de uma madeireira do Recife. O trabalho artístico foi iniciado no mesmo ano e concluído em junho de 2015, após cerca de um ano e meio de dedicação.

    A obra foi produzida a partir de duas pranchas com aproximadamente 7,30 metros de comprimento, 60 centímetros de largura e 15 centímetros de espessura. Depois de finalizada, a escultura passou a medir cerca de 4 metros de comprimento por 2,20 metros de altura, com uma estrutura que chega a 36,5 centímetros de espessura nas quatro partes da moldura.

    A peça é uma releitura tridimensional da famosa pintura “A Última Ceia”, criada por Leonardo da Vinci entre 1495 e 1498, atualmente preservada no convento e igreja Santa Maria delle Grazie, em Milão, na Itália. A versão em madeira transforma a cena clássica em uma experiência de profundidade, destacando expressões, volumes e detalhes dos personagens.

    Pesquisas apontam que a escultura se destaca por apresentar uma das maiores espessuras de madeira já utilizadas em uma representação da “Última Ceia” no Brasil, resultado em um alto-relevo de grande impacto visual.

    Com técnica minuciosa e valorização da arte popular, Romualdo de Castro Souza transformou o cedro em uma obra monumental, unindo tradição, fé e a força da escultura pernambucana.

  • Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde

    Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde

    Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças

    Coluna de Marcia Bortolanza

    Existem dores que não sabem pedir ajuda.
    A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa.

    O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, mas também como um alerta para algo que precisa ser discutido durante o ano inteiro: a necessidade de construirmos uma infância verdadeiramente protegida.

    Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se escondem atrás de mudanças de comportamento, crises emocionais, medo excessivo, dificuldade de socialização, ansiedade, queda no rendimento escolar ou um silêncio repentino que ninguém consegue compreender.

    A criança nem sempre consegue explicar o que sente. Muitas vezes, ela sequer entende o que está acontecendo. Por isso, o papel dos adultos é fundamental. Escutar, observar, acolher e acreditar são atitudes que podem interromper ciclos profundos de sofrimento.

    Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente, mas emocionalmente distraída. E isso também exige atenção. Crianças expostas precocemente à internet, redes sociais e ambientes virtuais sem supervisão tornam-se mais vulneráveis a diferentes formas de violência emocional e exploração.

    A proteção infantil começa dentro de casa, nos vínculos de confiança, na presença afetiva e no diálogo constante. Uma criança emocionalmente acolhida desenvolve mais segurança para falar sobre desconfortos, medos e situações que a fazem sofrer.

    Do ponto de vista psicológico, a violência na infância pode impactar toda a construção emocional do indivíduo. Muitas inseguranças, medos, dificuldades afetivas e sofrimentos na vida adulta têm origem em feridas emocionais não cuidadas durante os primeiros anos de vida.

    Precisamos romper com a cultura do silêncio. Criança não inventa dor. Criança manifesta dor.

    O Maio Laranja não deve provocar apenas comoção momentânea, mas consciência permanente. Proteger a infância é uma responsabilidade coletiva. É dever da família, da escola, das instituições e de toda a sociedade.

    Porque toda criança merece crescer em um ambiente onde o medo não faça parte da rotina e onde o amor seja sempre maior que qualquer forma de violência.

  • Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem

    Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem

    Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida.

    Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é apenas quem cuida é quem, de alguma forma, inaugura em nós a forma de sentir o mundo.

    É no olhar materno que aprendemos, ainda sem palavras, se somos vistos, amados e aceitos. É no colo ou na ausência dele que o corpo registra as primeiras impressões de segurança ou de falta. A mãe, portanto, não marca apenas a infância. Ela atravessa a vida inteira, habitando memórias, escolhas e afetos.

    Na prática clínica, é possível perceber o quanto esse vínculo inicial ecoa na vida adulta. A forma como alguém ama, se entrega, se protege ou se afasta, muitas vezes carrega traços desse primeiro encontro com o cuidado. E aqui não se trata de buscar culpados, mas de compreender origens. Compreender para libertar, não para aprisionar.

    Existe uma beleza possível na imperfeição. A mãe real distante da idealização é aquela que acerta e erra, que ama e também se cansa, que tenta, mesmo quando não sabe como. E é nessa humanidade que mora uma das maiores lições: o amor não é ausência de falhas, mas presença de verdade.

    Também é preciso olhar com delicadeza para as mães. Por trás do papel, existe uma mulher que sente, que enfrenta seus próprios conflitos, que carrega histórias que começaram muito antes dos filhos. Muitas vezes, ela ofereceu o que tinha ainda que não tenha sido tudo o que o outro precisava.

    Talvez amadurecer seja justamente isso:  reconhecer o que nos foi dado, elaborar o que faltou e escolher, de forma consciente, o que faremos com essa herança emocional. Porque, ainda que a mãe seja o início, ela não precisa ser o limite.

    Neste tempo em que tanto se fala sobre maternidade, fica um convite mais profundo: Olhar para essa relação com verdade, compaixão e responsabilidade emocional. Honrar quando houve amor. Ressignificar quando houve dor. E, sobretudo, permitir que o cuidado consigo e com o outro continue sendo reconstruído.

    Porque, no fim, a mãe permanece.
    Não apenas como lembrança, mas como parte viva de quem nos tornamos.

  • Santa Casa de São Paulo abre inscrições para curso de formação em avaliação diagnóstica nos transtornos do neurodesenvolvimento

    Santa Casa de São Paulo abre inscrições para curso de formação em avaliação diagnóstica nos transtornos do neurodesenvolvimento

    Capacitação voltada a psicólogos especialistas e estudantes de Neuropsicologia terá início em maio e oferece vagas para estudantes de neuropsicologia e neuropsicólogos

    SÃO PAULO (SP) – A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP) está com inscrições abertas para o Curso de Formação em Avaliação Diagnóstica e Conduta nos Transtornos do Neurodesenvolvimento, destinado a psicólogos especialistas em Neuropsicologia e estudantes da área. 

    O curso tem como objetivo capacitar profissionais para atuação qualificada na avaliação diagnóstica e definição de condutas clínicas relacionadas aos transtornos do neurodesenvolvimento, ampliando a assertividade na prática clínica e no manejo terapêutico dos pacientes.

    A formação será ministrada pela Prof. Dra. Cleunice de Jesus Wosnes, neuropsicóloga atuante no ambulatório de neuropediatria da Santa Casa de São Paulo e docente em graduação de Psicologia, e pela Esp. Thaís Farias da Silva Santos, neuropsicóloga, professora de pós-graduação lato sensu e referência no ambulatório de epilepsia, esclerose múltipla e reabilitação da instituição. Ambas possuem ampla experiência em avaliação neuropsicológica em contexto clínico e hospitalar.

    Segundo as coordenadoras, o curso busca oferecer uma abordagem aprofundada e prática sobre os principais protocolos e condutas voltados ao diagnóstico neuropsicológico, promovendo atualização técnica e aperfeiçoamento profissional em uma área cada vez mais demandada no mercado de saúde mental, que é a avaliação para diagnóstico de Transtornos do Neurodesenvolvimento.

    Com início marcado para 16 de maio de 2026, a formação terá duração de seis meses e carga horária total de 80 horas. Ao todo, serão disponibilizadas 100 vagas para estudantes de neuropsicologia e neuropsicólogos interessados em aprofundar conhecimentos sobre avaliação diagnóstica e conduta clínica nos transtornos do neurodesenvolvimento. 

    Mais informações e inscrições podem ser obtidas diretamente pelos canais oficiais da Santa Casa de São Paulo: https://santacasasp.org.br/ensino/curso-de-formacao-em-avaliacao-diagnostica-e-conduta-dos-transtornos-do-neurodesenvolvimento/

    Inscrições:
    As inscrições vão até o dia 01/05/2026 e podem ser realizadas diretamente pelos canais oficiais da Santa Casa de São Paulo: https://pose.santacasasp.org.br/isantacasa/inscricaocandidato.aspx?ac=6D446232746A353073306B3D

    Marcus Bernardo
    11943599230
    [email protected]
  • Márcia Bortolanza analisa o impacto emocional das palavras nas relações

    Márcia Bortolanza analisa o impacto emocional das palavras nas relações

    Psicóloga e escritora reflete sobre como a carga afetiva da fala pode acolher ou ferir

    Coluna por Marcia Bortolanza
    Escritora e Psicóloga

    A fala é muito mais do que um instrumento de comunicação. Ela é extensão do que sentimos, do que pensamos e, muitas vezes, do que ainda nem conseguimos compreender completamente dentro de nós. Cada palavra carrega uma energia, uma intenção e, sobretudo, uma carga afetiva capaz de construir ou ferir.

    Não falamos apenas com a boca, falamos com a nossa história. As experiências vividas, as dores, os afetos, as crenças e até os silêncios moldam o tom, a escolha das palavras e a forma como nos expressamos. Por isso, duas pessoas podem dizer a mesma frase, mas transmitir sentimentos completamente diferentes.

    A carga afetiva da fala está justamente nesse invisível que acompanha o que é dito. É o que transforma um simples “estou aqui” em acolhimento verdadeiro ou em ausência disfarçada. É o que faz uma palavra de incentivo impulsionar alguém ou, ao contrário, uma crítica desmedida marcar profundamente uma vida.

    No campo das relações, a fala tem um papel estruturante. Ela aproxima, fortalece vínculos, cria pontes. Mas também pode afastar, gerar ruídos e abrir distâncias difíceis de reparar. Muitas feridas emocionais não nascem de grandes acontecimentos, mas de palavras repetidas, ditas sem cuidado, carregadas de julgamento ou indiferença.

    Por outro lado, a palavra também é uma das maiores ferramentas de cura. Quando usada com consciência, empatia e verdade, ela acolhe, orienta, encoraja e transforma. Uma fala afetuosa pode reorganizar sentimentos, trazer clareza em momentos de confusão e devolver a alguém a sensação de valor e pertencimento.

    É importante compreender que não existe neutralidade na fala. Mesmo o silêncio comunica. Mesmo a ausência de palavras tem significado afetivo. Por isso, desenvolver consciência sobre como falamos é também um exercício de responsabilidade emocional.

    Falar bem não é falar bonito, é falar com intenção. É alinhar palavra e sentimento. É escolher construir, e não ferir. É compreender que aquilo que dizemos não termina em quem fala, mas continua ecoando em quem escuta.

    Talvez o grande convite seja este: antes de falar, sentir. Antes de responder, perceber. E, acima de tudo, lembrar que cada palavra tem o poder de deixar marcas — algumas passageiras, outras permanentes.

    Que nossas palavras sejam mais pontes do que muros. Mais abrigo do que distância. Porque, no fim, aquilo que dizemos revela não apenas o que pensamos, mas quem somos.

    “Palavras não são apenas ditas, elas são sentidas, guardadas e, muitas vezes, jamais esquecidas.”

  • Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares

    Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares

    Especialista destaca que medo, ansiedade e sobrecarga podem evoluir para quadros graves sem acompanhamento psicológico.

    É possível manter a saúde mental convivendo diariamente com a dor? Como preservar o equilíbrio emocional quando os dias se passam em uma cama, em razão de uma enfermidade crônica? E, para familiares e cuidadores, como priorizar a própria saúde mental diante de tantas demandas relacionadas ao cuidado do ente querido? Esses são alguns dos questionamentos levantados pela campanha Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, que convida à reflexão sobre os desafios emocionais enfrentados por pessoas com doenças crônicas e seus familiares.

    De acordo com Ana Paula Pessoa, psicóloga da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação, um dos maiores desafios para a saúde mental de pacientes e familiares é lidar com a incerteza e com as mudanças na rotina impostas pela condição de saúde. “Para o paciente, receber um diagnóstico crônico significa enfrentar limitações físicas e reajustar expectativas de vida. Já para a família, envolve uma reorganização completa do cotidiano, além da preocupação constante com o bem-estar, a atenção e os cuidados. A incerteza, as possíveis frustrações e expectativas desproporcionais podem gerar um estresse emocional significativo quando não há suporte adequado”, alerta.

    Segundo a especialista, sentimentos como medo, frustração, tristeza, ansiedade e até culpa são comuns tanto entre pacientes quanto entre familiares. Além disso, desânimo, sensação de sobrecarga e sintomas depressivos tendem a se intensificar em períodos de tratamentos prolongados, internações longas, mudanças importantes na rotina e perdas de autonomia. “É um erro fingir que a condição não está afetando emocionalmente o paciente e seus familiares. Reconhecer esses sentimentos como legítimos é o primeiro passo para a elaboração desse momento de vida, para as adaptações necessárias e para a busca de maior estabilidade emocional”, afirma Ana.

    Ao lidar com uma doença crônica, uma das poucas certezas para pacientes e familiares é que a enfermidade não desaparecerá. No entanto, na maioria dos casos, existem tratamentos para doenças crônicas capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente. O mesmo vale para a saúde mental. A carga emocional do adoecimento e do cuidado tende a surgir (e, muitas vezes, a se intensificar), mas, segundo a psicóloga, há estratégias que ajudam a minimizar seus impactos, como reservar momentos de autocuidado e priorizar o acolhimento emocional.

    “É imprescindível manter um diálogo frequente com os profissionais de saúde que acompanham o paciente, além de fortalecer redes de apoio, como familiares, amigos e iniciativas comunitárias. O acompanhamento psicológico, mesmo que breve ou pontual, pode oferecer ferramentas práticas para lidar com o estresse, a tristeza e a incerteza, auxiliando no desenvolvimento de estratégias saudáveis de enfrentamento”, orienta a psicóloga.

    Ainda segundo Ana Paula Pessoa, quando pacientes e familiares não reconhecem e acolhem os próprios sentimentos, a sobrecarga emocional não tratada pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, transtornos de ansiedade e esgotamento emocional.

    “A atenção preventiva e o acompanhamento psicológico são tão importantes quanto qualquer outro tratamento. É fundamental para os familiares compreender os próprios limites, fortalecer a rede de apoio e buscar ajuda profissional sempre que necessário. Para os pacientes, a orientação é reconhecer cada etapa como parte do processo de adaptação à nova realidade, seguindo as recomendações da equipe de saúde não apenas no aspecto físico, mas também no psicológico”, reforça.

    A psicóloga destaca ainda que pacientes e familiares se beneficiam de espaços seguros para expressar sentimentos, planejar estratégias de enfrentamento e fortalecer vínculos de cuidado mútuo. “Buscar acompanhamento psicológico não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade com a própria saúde emocional e também uma forma de estar mais fortalecido para cuidar de quem se ama”, conclui psicóloga Ana Paula Pessoa.