Tag: Prefeitura

  • Palácio dos Correios, no Centro de SP, será administrado pela prefeitura por 100 anos

    Palácio dos Correios, no Centro de SP, será administrado pela prefeitura por 100 anos

    No local deverá funcionar o projeto SP24, que deve reunir serviços municipais 24 horas.

    O prédio do Palácio dos Correios, no Vale do Anhangabaú, no Centro de São Paulo, vai passar a ser administrado pela prefeitura por 100 anos. O modelo de concessão foi decidido entre o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e a direção dos Correios.

    A prefeitura propôs a compra do imóvel, mas nesta semana ficou determinado que será concedido pelo governo federal para a cidade de São Paulo.

    No lugar será instalado o projeto SP24, que tem a proposta de reunir serviços municipais ao cidadão durante 24 horas, e o monitoramento das câmeras da cidade.

    O palácio foi inaugurado em 1922 e serviu como sede administrativa até a década de 1970. O acordo deve ser assinado nos próximos dias.

     

  • Proposta sobre internação compulsória na Cracolândia volta a ganhar força na Prefeitura de SP

    Proposta sobre internação compulsória na Cracolândia volta a ganhar força na Prefeitura de SP

    Para gestão de Ricardo Nunes (MDB), internação de usuários de drogas por determinação judicial é única alternativa. Medida já foi alvo de críticas do Ministério Público e especialistas no combate ao consumo de drogas no passado.

    A proposta sobre a internação compulsória de usuários de crack e outras drogas que frequentam e moram na região conhecida como “Cracolândia”, no Centro da cidade de São Paulo, voltou a ganhar força dentro da Prefeitura da capital.

    Segundo apurado pela GloboNews, a equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB) está convicta de que não há outra alternativa para tratamento de dependentes que frequentam o local a não ser a internação mediante determinação judicial.

    Na sexta-feira (7), um novo episódio trouxe a questão da Cracolândia mais uma vez para o debate. Cinco pessoas foram presas suspeitas de estarem no grupo de um arrastão em uma farmácia e mercado no Centro.

    Câmeras de segurança registraram o momento da ação. Segundo a GCM, o arrastão foi feito por usuários de drogas da Cracolândia. Um funcionário que cuida da portaria de uma empresa na mesma rua relatou à TV Globo que a ação foi muito rápida e ocorreu logo depois de uma operação policial.

    A contagem da Prefeitura aponta que, atualmente, cerca de 1 mil pessoas frequentem a Cracolândia. Ainda segundo a administração municipal, o número chegou a 4 mil, mas estacionou depois que houve uma dispersão da Praça Princesa Isabel.

    A Prefeitura também diz que a redução ocorreu depois da abertura de novas unidades dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Serviços de Cuidados Prolongados.

    Entenda a diferença entre três os tipos de internação, previstas pela legislação brasileira:
    Voluntária – com o consentimento e autorização do dependente químico
    Involuntária – em que um médico determina a necessidade da internação como última alternativa, com o conhecimento de algum familiar ou responsável da pessoa
    Compulsória – que ocorre por determinação judicial, depois de pedido formal feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a própria condição psicológica e física.
    Um estudo da Unidade de Pesquisa de Álcool e Drogas (Uniad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), usado como uma das referências pela administração municipal para tomadas de decisão na Cracolândia, aponta que 57,4% dos cerca de 1 mil frequentadores estão no local há pelo menos cinco anos. Outros 39,2% estão na região há 10 anos ou mais.

    Uma resposta para a questão da Cracolândia tem sido colocada como uma meta do prefeito de São Paulo. “O sonho da minha vida é resolver isso”, disse reservadamente em conversa com assessores. No começo do ano, Nunes já havia defendido a internação compulsória de usuários de drogas com mais de cinco anos de consumo de crack.

    O pedido de internação compulsória não depende de autorização familiar. Ela é sempre determinada por um juiz competente, depois de pedido formal feito por um médico especialista, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a própria condição psicológica e física. O prefeito de São Paulo entende que essa é uma barreira entre os médicos, que não se sentem apoiados pela sociedade para assinar os pedidos enviados à Justiça.

    A gestão de Nunes aposta no reforço do patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana (GCM) para coibir o tráfico de drogas no local e a montagem de barracas que impeçam o monitoramento do movimento na região por meio de câmeras. As imagens são monitoradas pelo prefeito em monitores instalados na sala dele. No fim de janeiro, Prefeitura e governo do estado anunciaram novas medidas para enfrentar o dilema histórico da cidade.

    Além de ações de segurança, o plano incluía iniciativas nas áreas de habitação, assistência social e saúde, como a a contratação de 200 profissionais especializados em dependência química, 1 mil novas vagas em comunidades terapêuticas, 40 vagas em casas de passagem para abrigar usários em situação de rua e a criação de novo “hub” de cuidados em álcool e drogas.

    A internação compulsória, no entanto, tem sido alvo de críticas do Ministério Público há vários anos. Após uma megaoperação em maio de 2017 na região da Cracolândia, a então gestão municipal de João Doria pediu à Justiça para que os usuários de drogas pudessem ser internados compulsoriamente (por determinação judicial). Na época, o Ministério Público (MP) de São Paulo classificou como uma “caçada humana” o pedido feito pela Prefeitura.

    “[É] o pedido mais esdrúxulo que eu vi em toda minha carreira, quer seja antes como advogado, quer seja agora como membro do Ministério Público”, afirmou o promotor da Saúde Arthur Pinto Filho na ocasião. “O que se quer no pedido é uma caçada humana que não tem paralelo na história do Brasil e do mundo.”

    Cracolândia é desafio há décadas
    A Cracolândia ficou localizada por muitos anos na Rua Helvétia. Ações policiais no local, porém, fizeram os usuários migrarem para a Praça Princesa Isabel diversas vezes.

    Em 2017, porem, depois de uma operação das forças de segurança, os usuários foram retirados do local e acabaram se espalhando pelo Centro.

    Atualmente, eles estão mais concentrados no cruzamento da Rua Conselheiro Nébias e Rua dos Gusmões.

    A Cracolândia é um desafio para São Paulo há cerca de 30 anos. Especialistas apontam que a solução passa por medidas efetivas e permanentes nas áreas de saúde, assistência social e segurança pública.

    As operações são criticadas por movimentos sociais. Ativistas acusam as forças de segurança de agirem com violência contra usuários de drogas, espalhando eles pela cidade.

     

  • Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Investigação identificou oito propriedades adquiridas após eleição de Acir Filló; documentos foram apresentados pelo MP e Procuradoria do Município

    Vários documentos apresentados pelo Ministério Público podem comprovar para onde vai parte do dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. São contratos de compra e venda de imóveis, todos em nome do prefeito Acir Filló, que está afastado do cargo.

    Acir Filló dos Santos foi eleito prefeito de Ferraz de Vasconcelos em 2012 com 42% dos votos. Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, ele declarou na época bens como um imóvel e dois carros, que totalizavam um valor de R$ 205 mil.

    Mas o Ministério Público e a Procuradoria do Município descobriram por meio de documentos que, em pouco mais de um ano, o prefeito já no poder comprou pelo menos oito imóveis que, somados, têm valores ultrapassam R$ 6.762.745,58. O salário do prefeito de Ferraz de Vasconcelos é de R$ 20 mil.

    “Esses contratos foram a princípio adquiridos por Acir Filló, em aquisições de imóveis de forma obscura, não declarada, e totalmente incompatíveis com a renda que ele recebe como ocupante de cargo público que é o de cargo de prefeito da cidade”, detalhou Marcus Vinícius Lopes, procurador do município.

    De acordo com esses contratos de compra e venda assinados pelo prefeito, Acir Filló comprou no dia 6 de maio desse ano dois apartamentos no luxuoso condomínio no Anália Franco, uma região nobre da Zona Leste de São Paulo, e pagou por cada um R$ 740 mil.

    As prestações foram pagas diretamente ao dono, com dinheiro vivo, como mostram notas promissórias com valores de R$ 100 mil assinadas também por Filló.

    Em Ferraz de Vasconcelos, segundo outro contrato, Acir Filló teria comprado uma casa, no Sítio Paredão, e pago por ela R$ 450 mil. Por determinação da justiça, os procuradores também visitaram uma mansão num condomínio fechado no Guarujá a poucos quarteirões da praia.

    É um casarão de luxo, numa área de 717 metros quadrados, com piscina, e com tudo o que o dinheiro pode comprar. A cópia do contrato de compra e venda já em poder do Ministério Público aponta que Filló pagou em dinheiro R$ 1.250.000,00.

    No mesmo documento estão anexadas várias notas promissórias, parcelas de R$ 150 mil cada uma. “Essas notas promissórias, tudo indica que foram de fato assinadas por ele porque ele não poderia ter pago por esses valores oficialmente, na medida que cada pagamento demonstra que o réu Acir Filló tem rendimentos ocultos, não declarados à Receita Federal, sem que nenhum órgão de controle saiba”, disse o procurador Gabriel Nascimento Lins de Oliveira.

    Busca e apreensão
    Por ordem da Justiça, no dia 4 de dezembro, o Ministério Público, procuradores do município, e policiais da Rota cumpriram 12 mandados de busca e apreensão: na casa do prefeito, na prefeitura, nos imóveis citados nessa reportagem, e também na casa do ex-secretario de Serviços Urbanos Franco Douglas Lima Dias, apontado como parceiro de Acir Filló no esquema de fraude na licitação da coleta de lixo da cidade. Ele mora em uma mansão comprada a pouco tempo numa área nobre de Arujá, e avaliada em R$ 2.500.000,00. O imóvel também foi bloqueado pela Justiça.

    “O contexto permite afirmar que existem fortes indícios de que se trata de um fenômeno de lavagem de dinheiro que oculta a corrupção”, disse Gabriel. O juiz André Forato Anhê também determinou nesse processo o afastamento de Acir Filló dos Santos do cargo de prefeito por improbidade administrativa.

    O procurador do município é o advogado que defende os interesses da cidade, mas esse profissional também tem o poder de sindicância, ou seja, de investigar os assuntos internos. E foi o que a procuradoria de Ferraz de Vasconcelos fez. Em menos de um ano, a sala deles foi invadida duas vezes. Tudo está registrado em boletins de ocorrência. Os suspeitos levaram apenas cinco computadores, justamente os equipamentos onde estavam gravadas informações que apontavam irregularidades na administração pública. Essas ocorrências também influenciaram na decisão do juiz para afastar o prefeito do poder.

    Segundo os procuradores o prefeito fazia muito mais para dificultar as investigações. “Perseguição aos colegas, afastamentos. Eu fui afastado do exercício das funções, ameaçado também, eu tive minha família ameaçada. Somo isso a falsificação de documentos. O prefeito usava todas as artimanhas possíveis para sonegar informações”, disse o procurador.

    Acir Filló não atendeu a nenhum pedido de resposta para as denúncias apresentadas nessa reportagem, mas na sexta-feira (11) ele divulgou um vídeo nas redes sociais. “Repito, isso é resultado de uma guerra política que vai passar. Os juízes de Ferraz e os promotores públicos são seríssimos, éticos. Eles não têm nada a ver com esse problema. Evitem críticas aos judiciário. Fora isso, é uma guerra política muito dura que eu vou superar.”

    Enquanto isso, o povo cobra providências para a cidade. O tão sonhado posto de saúde no Jardim Ione era para ter ficado pronto em dezembro de 2013. “Eu acho uma pouca vergonha, porque tudo está abandonado”, disse a auxiliar de limpeza Iraci Ferreira Lopes.

    “A gente trabalha até catando latinha, papelão, tudo isso é honra. Agora, pegar o que não é da gente, é falta de respeito”, disse a auxiliar de limpeza Eliane Severo dos Santos.

    A reportagem tentou contato com o prefeito afastado Acir Filló e com o ex-secretário de Serviços Urbanos, Franco Douglas Lima Dias, mas nenhum deles foi encontrado. De acordo com procuradores do município, nesta segunda-feira (14), a defesa de Acir Filló protocolou um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo.