Na última sexta-feira (10), um grupo de vinte crianças em situação de vulnerabilidade social do Conjunto Jefferson teve a oportunidade de participar de uma atividade especial. O evento, intitulado “Páscoa Sustentável – Plantando Esperança”, foi realizado pelo Interact Club de Mogi das Cruzes nas instalações do Rotary Club da cidade.
A proposta do projeto incluiu uma variedade de atividades lúdicas, educação ambiental e interação social, todas voltadas para o desenvolvimento e acolhimento dos pequenos participantes. Para facilitar o deslocamento, a Prefeitura de Mogi das Cruzes disponibilizou um ônibus através do vereador Marcos Furlan, permitindo que muitas dessas crianças vivessem pela primeira vez uma experiência fora da comunidade.
Oficinas e diversão
A programação teve início com uma oficina para confecção de ovos de Páscoa, dirigida pela confeiteira Carol Camargo, que ganhou destaque ao vencer um reality show no Multishow. Sob a orientação dos jovens do Interact, as crianças se envolveram ativamente na atividade. Em seguida, foram promovidas diversas brincadeiras e dinâmicas pelos adolescentes do grupo, com idades entre 14 e 18 anos, proporcionando momentos alegres e integrativos.
Após um lanche coletivo, os pequenos participaram de uma atividade artística focada em desenhos, liderada por Solange Mazia, coordenadora-geral do Núcleo Mogi das Cruzes do Movimento Nacional ODS (MNODS-SP). Essa atividade teve como objetivo aumentar a conscientização sobre questões ambientais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Atividade externa com escoteiros
O evento culminou em uma experiência ao ar livre com o plantio de mudas, contando com a presença de 17 lobinhos do Grupo Escoteiro Ubirajara (crianças entre 6 e 11 anos). A atividade foi acompanhada pelo engenheiro ambiental João Pedro da Mota e contou com o apoio de Diego, que ajudou diretamente durante o plantio.
Duas mudas foram plantadas: uma árvore frutífera e um ipê-rosa, reforçando a importância da preservação ambiental. A interação entre os escoteiros e os participantes foi marcante. “As crianças ficaram fascinadas ao ver os escoteiros e até perguntaram se poderiam se juntar a eles”, comentou Luzia Santos de Menezes, presidente da Associação de Moradores do Conjunto Jefferson.
Uma experiência emocionante para todos
Luzia observou que o impacto da iniciativa foi visível desde o começo. “Raramente vejo tantas crianças tão felizes por estarem em um evento feito especialmente para elas. Elas cantavam dentro do ônibus”, relatou. Durante todo o dia, as crianças se engajaram nas atividades propostas e receberam os ovos de Páscoa que haviam confeccionado ao final do evento.
Um legado duradouro
A experiência vivida por Emanuelly, carinhosamente chamada de Manu, destacou-se entre os participantes. A menina, filha de uma moradora local, ficou entusiasmada com tudo que participou. Sua mãe contou que ela voltou para casa compartilhando cada detalhe da vivência e ansiosa para acompanhar o crescimento da árvore que ajudou a plantar. “Foi muito mais do que chocolate; foi um dia repleto de aprendizado e alegria”, frisou.
Apoios essenciais
A realização deste projeto contou com a colaboração de diversas entidades: Rotary Club de Mogi das Cruzes, Interact Club de Mogi das Cruzes, Prefeitura Municipal (que forneceu transporte via vereador Marcos Furlan), Anita Festas (decoração), Carol Camargo (oficina), Grupo Escoteiro Ubirajara, MNODS Alto Tietê, Instituto Cria do Rock (representado por Ana Trettel) e o engenheiro ambiental João Pedro da Mota.
Nova etapa do programa federal injeta R$ 957 milhões em março, triplica beneficiários e fortalece combate à pobreza energética no Brasil
O programa Gás do Povo, do Governo do Brasil, já alcançou aproximadamente 15 milhões de famílias em todo o país. O benefício assegura às famílias de baixa renda a recarga gratuita do botijão de 13 quilos direto nas revendas credenciadas, de forma simples, digital e segura. Com mais uma etapa de expansão, a iniciativa triplica o número de beneficiários e se consolida como uma das maiores políticas públicas de cozimento limpo do mundo, ampliando o acesso à energia limpa e segura e reduzindo o uso de alternativas como lenha e carvão, que expõem principalmente mulheres e crianças à fumaça tóxica, a doenças respiratórias e riscos de acidentes domésticos.
A nova fase de operacionalização começa nesta segunda-feira (23/3), com investimento de R$ 957,2 milhões apenas no mês de março. Ao todo, 9,4 milhões de famílias recebem o benefício nesta etapa. A meta é viabilizar cerca de 65 milhões de recargas por ano às famílias atendidas pelo programa.
O programa substitui o modelo anterior de transferência em dinheiro pela entrega direta do gás, aumentando a efetividade da política pública e garantindo o acesso ao insumo essencial para o preparo de alimentos.
“Estamos triplicando o número de famílias atendidas, levando dignidade a quem mais precisa. O programa combina inclusão social, promoção à saúde, tecnologia e parceria com o setor produtivo para garantir alcance amplo e operação eficiente em todo o território nacional. Ao integrar política social, política energética e coordenação federativa, o Gás do Povo fortalece a atuação do Estado no enfrentamento da pobreza energética, ao mesmo tempo em que estimula a organização do mercado local de revendas e a eficiência na distribuição“, destacou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
92% DE LARES CHEFIADOS POR MULHERES – Outro destaque é o perfil das famílias atendidas. Em março, 92% dos lares beneficiados têm mulheres como responsáveis familiares – o equivalente a 8,7 milhões de famílias –, o que reforça o papel do programa na proteção social e no apoio às mulheres, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.
“O Gás do Povo representa um avanço importante no combate à pobreza e na garantia de dignidade às famílias brasileiras. É uma política que chega diretamente às mulheres, que são maioria entre as responsáveis pelos lares atendidos. Garantir o acesso gratuito ao gás de cozinha é assegurar condições básicas para que essas famílias vivam melhor“, afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.
ESCALA E EXPANSÃO — O Gás do Povo foi implementado de forma gradual e estruturada. A primeira fase, em novembro de 2025, contemplou 1 milhão de famílias em 10 capitais. Em janeiro de 2026, o programa foi ampliado para 17 capitais e, posteriormente, passou a abranger todas as capitais do país. Na etapa seguinte, o programa incorporou automaticamente as 4,5 milhões de famílias que já recebiam o Auxílio Gás dos Brasileiros. Com a expansão contínua, a política alcança agora praticamente toda a meta prevista, com presença em grande parte do território nacional.
A ampliação do programa é resultado de articulação contínua do Governo do Brasil com distribuidoras e revendedoras, o que permitiu a rápida expansão do credenciamento. Entre novembro de 2025 e março de 2026, o número de revendas credenciadas quadruplicou, garantindo capilaridade e acesso ao benefício em todos os municípios.
RECURSOS POR ESTADO — O investimento de março supera R$ 957 milhões e contempla todas as unidades da Federação. A Bahia lidera em volume de recursos, com R$ 129,3 milhões destinados a cerca de 1,2 milhão de famílias. Em seguida, São Paulo registra R$ 120 milhões para aproximadamente 1,19 milhão de lares atendidos. No Norte, o Pará se destaca com R$ 85,9 milhões para 808 mil famílias. Minas Gerais recebe R$ 70,4 milhões, alcançando 737 mil famílias, enquanto Pernambuco soma R$ 68,3 milhões para 753 mil lares.
Em todas as regiões, a predominância de mulheres como responsáveis familiares permanece elevada, superando 85% e chegando a 96% em estados como Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina.
COMO TER ACESSO – Para saber se foi contemplado, o beneficiário deve consultar o aplicativo “Meu Social – Gás do Povo”, onde é possível verificar a situação do vale e localizar as revendas credenciadas. Não é necessário ir até um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) ou postos do Cadastro Único. As revendas estarão identificadas com a logo do Gás do Povo.
CARTÕES OU CPF – Quem não tem celular ou acesso à internet pode utilizar o cartão do Programa Bolsa Família (com chip), o cartão de débito da CAIXA, ou informar o CPF do Responsável Familiar na maquininha “Azulzinha” ou no aplicativo “Azulzinha Aproxima”, meio de pagamento utilizado nas revendas credenciadas.
CRITÉRIOS – Para ter acesso ao Gás do Povo, é preciso ter pelo menos duas pessoas na composição familiar, ter renda per capita de até meio salário-mínimo e Cadastro Único atualizado nos últimos 24 meses. O CPF do responsável familiar deve estar regular e o cadastro não pode apresentar pendências, como averiguação cadastral ou indício de óbito do responsável familiar. O Programa prioriza famílias do Bolsa Família.
COMBATE À POBREZA ENERGÉTICA — Ao garantir a recarga gratuita do botijão, o programa Gás do Povo enfrenta diretamente a pobreza energética. O alto custo da recarga e as dificuldades de distribuição, principalmente em áreas mais afastadas, impediam muitas famílias de acessar energia limpa e segura. Como consequência, era comum o uso de alternativas precárias, como lenha, carvão e querosene, que expõem principalmente mulheres e crianças à fumaça tóxica, doenças respiratórias e risco de queimaduras. A política atua para transformar esse cenário, ao mesmo tempo em que fortalece a segurança alimentar e movimenta economias locais.
A recente transformação do Gás do Povo em Lei Federal reforça esse caminho. Mais do que uma ação pontual, o programa se consolida como uma política pública estruturante, que combina proteção social, planejamento energético e desenvolvimento econômico.
ACESSO AO COZIMENTO LIMPO – A política também institui o Programa Nacional de Acesso ao Cozimento Limpo, que passa a estruturar as ações de combate à pobreza energética. O modelo integra a gratuidade do botijão e outras modalidades de cocção limpa, com fontes diversificadas de financiamento, mecanismos de monitoramento e governança reforçada, incluindo comitê gestor permanente e publicação periódica de relatórios.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Iniciativa que começou com bolsas no ensino médio garante graduação para cinco estudantes de comunidades de Diadema, São Bernardo do Campo e São Paulo
Ciente da importância da educação na vida dos jovens e o impacto em toda a família, em 2023 a Rede Cultural Beija-Flor (RCBF) deu início ao projeto “Meninas Valentes”, com bolsas de estudos em escola particular de alto padrão para garotas moradoras das comunidades atendidas pela Beija-Flor em Diadema, São Bernardo do Campo e São Paulo. Ao longo de três anos, elas tiveram todos os gastos custeados pelo projeto. Após a formatura, no final de 2025, chegou o momento tão aguardado de ingresso no Ensino Superior.
Vulnerabilidade social, baixa qualidade de ensino e a necessidade de largar os estudos para trabalhar são alguns dos motivos que dificultam a entrada e permanência dos jovens nas faculdades do país. Dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que a porcentagem de jovens na faixa etária de 18 a 24 anos cursando uma graduação naquele ano era de 18,1% a 20,2%.
Laura Freires Merlin, 18 anos, é uma das participantes do projeto “Meninas Valentes”. “Começar a faculdade tem sido uma experiência muito emocionante para mim”, conta. A jovem iniciou no início deste mês a graduação em Direito, na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, conceituada instituição de ensino da região do ABC.
“Nos primeiros dias senti uma mistura de alegria, orgulho e também um pouco de nervosismo, porque sei que é o início de uma etapa muito importante da minha vida. Estar na faculdade de Direito representa a realização de um sonho que começou a ser construído há alguns anos”, comenta a estudante.
Durante os próximos anos, o projeto “Meninas Valentes” vai custear as mensalidades para cinco participantes. Além de Laura, também fazem parte Sarah dos Santos (Ciência da Computação) Náthaly Silveira Alves dos Santos (Jornalismo), Antonia Mirella Martins (Relações Internacionais) e Stheffany Melo da Silva (Ciência da Computação).
Ivone Silva, diretora-executiva da RCBF, ressalta a importância do “Meninas Valentes” na vida das adolescentes. “Além do impacto direto na vida dessas garotas, temos certeza que, com a educação de qualidade, elas terão acesso a bons empregos, o que pode mudar a vida de toda a família”.
“O intuito do projeto era oferecer uma mudança nas suas realidades e um futuro promissor e cheio de oportunidades. A educação ainda é o melhor caminho para isso, principalmente para meninas que vivem em áreas com altos níveis de vulnerabilidade”, declara Ivone.
Laura também reconhece o impacto do projeto em sua vida. “O projeto ‘Meninas Valentes’ teve um papel fundamental na minha formação, porque me deu acesso a uma educação de qualidade e me ajudou a acreditar que eu poderia ir mais longe. Hoje, estar na faculdade é, para mim, a prova de que todo esse caminho valeu a pena e que ainda tenho muitos objetivos para conquistar.
O projeto “Meninas Valentes” é uma realização da Rede Cultural Beija-Flor em parceria com a Children At Risk Foundation – CARF, da Noruega, e patrocínio da Grieg Foundation, instituição que atua em diferentes países com foco em projetos de educação e bem-estar, especialmente para meninas e mulheres.
Com o apoio do Bank of America, a associação reúne alunos e familiares para celebrar o início das atividades de esporte adaptado.
Foto: Divulgação ADD
A ADD (Associação Desportiva para Deficientes) escolheu o Parque Villa-Lobos para dar a largada em suas atividades de 2026. No próximo sábado, 31 de janeiro, das 09h às 13h, a associação realiza uma ação solidária de voluntariado, com vivências esportivas e um piquenique coletivo, reunindo participantes do Projeto de Iniciação ao Esporte Adaptado Ano IV, familiares e voluntários do Bank of America.
O evento marca a continuidade de uma parceria sólida viabilizada pela Lei de Incentivo ao Esporte, instrumento pelo qual o Bank of America, apoiador de longa data da Associação, patrocina os projetos de iniciação e formação esportiva. Por meio destes programas, a instituição consegue oferecer infraestrutura qualificada, profissionais especializados e materiais esportivos de ponta, garantindo que o atendimento aos beneficiários siga de forma gratuita e contínua ao longo de todo o ano. Além disso, o Bank of America marca presença no evento com a participação de seus voluntários nas atividades.
Além de celebrar o início do calendário, o encontro no Villa-Lobos, voltado ao público infantojuvenil, é um convite aberto para quem deseja conhecer a fundo o propósito da ADD. Professores e voluntários estarão no local para conversar com o público e mostrar como o esporte adaptado é uma ferramenta de autonomia e transformação social.
“Queremos que as pessoas se aproximem da ADD, vejam a dedicação dos nossos alunos e sintam o impacto real do nosso trabalho. O suporte do Bank of America é o que viabiliza essa estrutura, transformando o esporte em uma ferramenta de autonomia para cada aluno.”, afirma Eliane Miada, Fundadora e Presidente do Conselho da ADD.
Sobre a ADD
A Associação Desportiva para Deficientes (ADD), fundada em 1996 por Steven Dubner e Eliane Miada, promove a melhoria da qualidade de vida de pessoas com deficiência por meio do esporte, desde a iniciação até o alto rendimento. Entre suas principais modalidades estão o atletismo, basquete em cadeira de rodas (com a equipe multicampeã ADD Magic Hands), bocha paralímpica e vôlei sentado. Com quase três décadas de atuação, a ADD já atendeu mais de 14 mil pessoas, conta com cerca de 300 voluntários por ano, realizou mais de 5 mil palestras e impactou cerca de 2 milhões de pessoas com seus programas. Para doar e apoiar nossos atletas, acesse: https://add.org.br/
SERVIÇO
Evento de Abertura das Atividades ADD 2026
Data: 31/01 (sábado)
Horário: das 09:00 às 13:00
Local: Parque Villa-Lobos
Endereço: Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 2001 – Alto de Pinheiros, São Paulo – SP
Destaques: Atividades esportivas adaptadas e piquenique de integração.
Impacto Vital – Como Políticas de Saúde Podem Transformar o Futuro das Pessoas Intersexo no Brasil.
Céu Albuquerque, renomada ativista intersexo, mulher lésbica, jornalista e fotógrafa, portadora de Hiperplasia Adrenal Congênita (uma condição genética que afeta a produção de cortisol, influenciando o desenvolvimento sexual e a formação da genitália externa), alcançou um marco histórico ao se tornar a primeira pessoa no mundo a obter judicialmente a retificação de nome e sexo. Agora, seu nome oficialmente será Céu, e o campo de sexo foi alterado de feminino para intersexo em sua certidão de nascimento. O processo, iniciado em julho de 2021 na 2ª Vara da Família e Registro Civil da Comarca de Olinda pela Defensoria Pública e pelo advogado e defensor público Henrique da Fonte, foi concluído recentemente, marcando uma vitória significativa não apenas para Céu pessoalmente, mas para toda a comunidade intersexo global.
Céu, que dedica mais de uma década à defesa da causa intersexo, trabalhando incansavelmente por políticas públicas e apoio a pessoas e familiares de crianças intersexo, destacou a importância do resultado do processo.
“O resultado deste processo era muito aguardado, não apenas como uma realização pessoal, mas também como um marco significativo para toda a comunidade intersexo em geral. Muitas vezes, uma conquista coletiva é o fruto de uma luta individual, e essa batalha foi travada por meio de mim, com a esperança de um futuro melhor para essas crianças”, destacou Céu. “Além disso, finalmente poder incluir o nome Céu em meus documentos é algo muito especial para mim. Esse nome tem sido parte de minha identidade desde os meus 19 anos, quando minha primeira namorada carinhosamente me apelidou assim. Nunca me identifiquei plenamente com meu nome de registro, frequentemente era pronunciado incorretamente, e muitas vezes me tratavam no gênero masculino devido a ser um nome não binário. Então, corrigir meu nome agora trará uma sensação de tranquilidade significativa daqui para frente”, concluiu.
Na infância, Céu foi submetida a uma cirurgia de redesignação genital devido à genitália ambígua decorrente da hiperplasia adrenal congênita, uma prática controversa amplamente vista pela comunidade intersexo como uma forma de mutilação. Apesar dos desafios enfrentados, Céu emergiu como uma das mais destacadas ativistas da causa intersexo em escala global.
“Vejo este momento como algo histórico, no qual poderemos finalmente protocolar projetos que garantam que toda criança intersexo nascida em território nacional possa ser registrada como intersexo e que as cirurgias estéticas sejam proibidas definitivamente”, afirma Céu. Isso garante o direito à integridade dessas crianças e previne a violação de direitos humanos por meio desses procedimentos.
A causa intersexo defende os direitos e a dignidade de pessoas que nascem com características sexuais que não se encaixam nos padrões tradicionais de masculino ou feminino. Essas variações biológicas podem incluir genitais ambíguos, cromossomos sexuais atípicos, diferenças na produção hormonal e alterações no sistema reprodutor feminino e masculino. Estima-se que aproximadamente 11% da população mundial possa ser considerada intersexo e existe mais de 150 variações de estados intersexo já estudados.
Essa causa é complexa e enfrenta estigmatização e discriminação desde o nascimento ou após a descoberta de características intersexo. As violações dos direitos humanos começam cedo, com intervenções médicas desnecessárias e não consensuais em bebês e crianças intersexo.
Essas estigmatizações e violações dos direitos humanos enfrentadas por bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos intersexo são amplas, incluindo a falta de acesso a direitos da cidadania. Isso abrange desde a emissão de certidão de nascimento até a negativa de inclusão do CPF no registro, passando pela recusa de auxílio maternidade às mães de bebês intersexo, não emissão do cartão do Sistema Único de Saúde – SUS, emissão de certidão de óbito com sexo não correspondente, além de violações no acesso à saúde e à integridade física e psíquica.
Essas questões transcendem a mera disputa pela aceitação da diversidade sexual. Elas englobam procedimentos de saúde considerados como livres de tortura e maus tratos, bem como o direito à igualdade e à não discriminação, conforme destacado por Santos-Campos (2020). Portanto, a luta pela causa intersexo não apenas busca respeitar a identidade de gênero e a autonomia, mas também almeja uma sociedade que garanta plenos direitos e dignidade a todas as pessoas, independentemente de suas características sexuais.
O movimento intersexo busca conscientizar a sociedade sobre a diversidade natural das variações sexuais e promover o respeito aos direitos humanos, autonomia e integridade corporal dessas pessoas. Ele também busca proibir práticas médicas invasivas e não consensuais, como cirurgias e tratamentos hormonais, realizados sem a devida compreensão e consentimento.
“Quando eu nasci em 1991, fiquei seis meses sem registro de nascimento, esperando o exame de cariótipo sair para verem qual a prevalência de gênero o meu corpo possuía, vejo isso como a primeira violação de direitos humanos que sofri, após finalmente ter meu registro, e ser registrada como no gênero feminino, passei por uma mutilação genital, pois nem a sociedade e nem meus pais poderia aceitar a existência de um bebê com genitália ambígua, mesmo sendo um bebê saudável“, relata Céu.
Este processo também só foi possível ser favorável, devido a ajuda do serviço de advocacy da ABRAI (Associação Brasileira Intersexo), que cedeu um parecer para a promotoria, explicando sobre o termo e importância da pauta intersexo, já que por se tratar de um assunto pouco conhecido, este parecer foi de extrema importância.
“A Abrai sempre teve muita importância para mim, pois a anos atrás quando conheci a Thaís Emília mulher intersexo e presidenta, foi fundamental esta parceria dentro do meu movimento como ativista e cientista. Então está conquista é sobre a Abrai também, e todos que fazem parte da diretoria, além de, de fortalecer toda a luta de Thaís que se deu bastante força quando seu filho Jacob, um bebê com síndrome de noonan e intersexo nasceu. Então está conquista também é pelo Jacob que antes de falecer ele e sua família passaram por diversas violências apenas por sua existência desafiar as normas binárias de gênero”, destaca Céu.
A vitória de Céu é um passo significativo para a comunidade intersexo e um lembrete da necessidade contínua de políticas públicas e práticas inclusivas que respeitem e celebrem a diversidade humana.
Certidão de nascimento atualizada, agora constando intersexo.
A luta pelos direitos das pessoas intersexo tem sido uma jornada longa e desafiadora, marcada por vitórias significativas e obstáculos contínuos. Aqui está uma linha do tempo de alguns dos marcos mais importantes:
2003: A Organização Intersex International (OII) foi fundada, tornando-se pioneira no ativismo intersexo. No mesmo ano, o Dia Internacional da Visibilidade Intersexo foi institucionalizado em 26 de outubro, em alusão à primeira manifestação pública de pessoas intersexo, que ocorreu nesse dia, em 1996, na cidade de Boston, nos Estados Unidos, durante uma Conferência da Academia Americana de Pediatria.
2020: A ONU promoveu uma reunião técnica sobre intersexo com profissionais da área médica e destacou que a Declaração pede o fim de práticas mutiladoras e normalizadoras, como cirurgias genitais, tratamentos psicológicos e outros tratamentos médicos, e da esterilização não-consensual de pessoas intersexo.
2021: Vários países começaram a revisar políticas em relação a cirurgias intersexuais não consensuais. Em março de 2021, a Alemanha aprovou uma legislação proibindo cirurgias em bebês intersexo.
2021: No início de agosto de 2021, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) do Brasil autorizou que crianças intersexos, que nascem sem o sexo definido como masculino ou feminino, sejam registrados com o sexo “ignorado” na certidão de nascimento. A mudança passou a valer em todo o Brasil a partir do dia 12 de setembro de 2021.
2023: Em 06 de julho de 2023, propostas para o fim das cirurgias em bebês intersexuais foram aprovadas na Conferência Nacional de Saúde pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, através da representação de Walter Mastelaro e Ana Amorim.
2023: É sancionado o dia de Conscientização contra a Mutilação Infantil na data de 26 de setembro, nascimento do bebê Jacob. E Protocolado como Dia Nacional contra a Mutilação genital infantil pela deputada Duda Salabert.
2024: A primeira retificação de certidão de nascimento de pessoas Intersexo no Brasil é conquistada por Céu Albuquerque, na 2ª Vara da Família e Registro Civil da Comarca de Olinda, pela Defensoria Pública.
Esses marcos representam avanços significativos na luta pelos direitos das pessoas intersexo. No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito para garantir a igualdade de direitos e a aceitação plena das pessoas intersexo na sociedade. A luta continua, e cada passo adiante é uma vitória para a comunidade intersexo.