Tag: IBGE

  • Avanços no ensino médio contrastam com gargalos históricos da educação brasileira

    Avanços no ensino médio contrastam com gargalos históricos da educação brasileira

    Artigo de Janguiê Diniz aponta melhora em indicadores de permanência escolar, mas alerta para analfabetismo, evasão, jovens “nem-nem” e baixo acesso ao ensino superior

    Coluna Janguiê Diniz*

    Nas últimas semanas, dois importantes retratos da educação brasileira revelaram um cenário de contrastes: avanços que merecem ser comemorados e desafios estruturais que continuam impondo limites ao desenvolvimento do país. Analisados de forma complementar, o Censo Escolar 2025, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e a Pnad Contínua Educação 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são a síntese de um Brasil que caminha a passos lentos.

    Enquanto o primeiro constatou uma melhora na trajetória dos estudantes do ensino médio, o segundo mostrou que o país ainda convive com gargalos históricos que comprometem a conclusão da educação básica, o acesso à educação superior e a formação de capital humano qualificado.

    Por exemplo, entre 2022 e 2025, as taxas de reprovação, abandono escolar e distorção idade-série dos estudantes do ensino médio da rede pública caíram, respectivamente, 62%, 61% e 28%. No sentido oposto, a taxa de aprovação cresceu 11%. Não há dúvida de que trata-se de um resultado que merece ser celebrado. Há décadas, o ensino médio figura como uma das etapas mais frágeis da educação brasileira, marcada por altas taxas de evasão, repetência e desinteresse por parte dos estudantes. 

    Essa melhora demonstra que políticas públicas voltadas à permanência escolar podem produzir resultados concretos quando bem estruturadas. Entre elas, destaca-se o programa Pé-de-Meia. Embora seja natural que diferentes fatores tenham contribuído para esse cenário, é difícil dissociar a melhora dos indicadores da adoção de uma iniciativa que enfrenta um dos principais obstáculos para milhares de jovens brasileiros: a necessidade de abandonar a escola para trabalhar e complementar a renda familiar.

    Mas seria um equívoco interpretar esses números de forma isolada. Como mostra a PNAD Contínua Educação 2025, o país convive com um enorme passivo educacional. São 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever. Cerca de 43% dos jovens de 14 a 29 anos abandonaram ou nunca frequentaram a escola por necessidade de trabalhar. Entre os brasileiros com 25 anos ou mais, apenas 57,4% concluíram o ensino médio.

    Outro dado que chama a atenção consiste no trágico cenário em que estão mergulhados os “nem-nem”. Em 2025, o país possuía 46,6 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. Destes, 17,5% não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e tampouco frequentavam cursos de qualificação profissional. Embora esse percentual represente uma redução em relação aos 22,4% registrados em 2019, ele ainda corresponde a milhões de brasileiros afastados simultaneamente da educação e do mercado de trabalho. Trata-se de um contingente que ilustra, talvez como nenhum outro indicador, o tamanho do desafio brasileiro na construção de trajetórias educacionais e profissionais consistentes.

    Esse cenário também ajuda a explicar por que o acesso à educação superior continua avançando em ritmo inferior ao necessário. Segundo a Pnad, apenas 21,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais concluíram uma graduação. A meta do novo Plano Nacional de Educação (PNE) é elevar para 40% a população de 18 a 24 anos com acesso a cursos superiores. Trabalhar para que esse percentual seja atingido é fundamental para um país que pretende aumentar sua produtividade, fortalecer sua capacidade de inovação e competir em uma economia baseada no conhecimento.

    Nesse contexto, o ensino médio assume um papel ainda mais estratégico. Não apenas porque representa a etapa final da educação básica, mas porque o fechamento desse ciclo é indispensável para o acesso ao ensino superior. Cada estudante que abandona a escola reduz significativamente suas possibilidades de qualificação profissional, inserção produtiva e mobilidade social. Da mesma forma, cada jovem que conclui o ensino médio amplia suas chances de dar continuidade aos estudos, acessar melhores oportunidades de trabalho e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país.

    Os resultados divulgados pelo Inep demonstram que o Brasil é capaz de melhorar seus indicadores quando há políticas públicas consistentes, financiamento adequado e foco na permanência dos estudantes. Já os dados da PNAD lembram que o caminho ainda é longo e que o desafio não termina com a conclusão do ensino médio. É preciso transformar esse avanço em uma verdadeira ponte para a educação superior, ampliando as oportunidades de acesso e permanência na graduação.

    Celebrar os avanços é necessário. Mas eles só produzirão os efeitos esperados se forem compreendidos como parte de uma estratégia mais ampla, capaz de conectar educação básica, ensino médio, educação superior e mercado de trabalho. Afinal, reduzir a evasão é uma conquista importante. Transformar esses jovens em universitários e profissionais qualificados é o desafio que realmente definirá o futuro do Brasil.

    *Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular; fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.

  • Em ação em favela para ajudar censo, Tebet diz que não faltará orçamento para IBGE após 4 anos de governo que não acreditava em estatística

    Em ação em favela para ajudar censo, Tebet diz que não faltará orçamento para IBGE após 4 anos de governo que não acreditava em estatística

    Parceria entre Instituto Data Favela, Central Única das Favelas (Cufa) e IBGE tenta reduzir o percentual de domicílios que não responderam à operação censitária em comunidades. Mobilização ocorreu em Heliopolis na manhã deste sábado.

     

    IBGE, Data Favela e Cufa fazem ação “Favela no Mapa” para coletar dados para o Censo

    Na fase final de apuração do Censo Demográfico, o IBGE realiza, em parceria com o Instituto Data Favela e a Central Única das Favelas (Cufa), a ação “Favela no Mapa” que tem como foco reduzir o percentual de domicílios que não responderam à operação censitária em comunidades.

    Em São Paulo, 150 recenseadores fazem parte da ação. A mobilização de coleta ocorreu na manhã deste sábado (25), em Heliópolis, na Zona Sul da capital.

    A Ministra do Planejamento, Simone Tebet, esteve no local. Ela afirmou que não vai faltar orçamento público para financiar o trabalho do IBGE após quatro anos de um governo que não acreditava em estatísticas.

    “Lamentavelmente, faltou dinheiro no ano passado porque o governo passado não acreditava em estatísticas e evidências, atrasamos o IBGE. Foi feito, lamentavelmente, um discurso que não servia para nada. Quem paga é toda a população brasileira. Esse negacionismo, nós temos 4 anos para derrubar”, completou.

    “A ciência passou a ser novamente valorizada. Nós não vamos aceitar o negacionismo. O IBGE que foi massacrado nos últimos anos por falta de recursos e estrutura vai ter todo apoio do governo federal. orçamento público não vai faltar para isso”, completou.

     

    Ministra do Planejamento, Simone Tebet.

    Com o apoio da Cufa e do Data Favela, líderes comunitários acompanham os recenseadores para incentivar os moradores a abrir portas para o Censo e conseguir avançar na missão de coletar dados das favelas de todo o país.