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  • Subprefeito da Lapa, em SP, é investigado por apreensões fora da área de atuação; vídeos de ações foram divulgados por vereador

    Subprefeito da Lapa, em SP, é investigado por apreensões fora da área de atuação; vídeos de ações foram divulgados por vereador

    Luiz Carlos Smith Pepe admitiu ter feito de 6 a 8 ações fora da região que está sob sua responsabilidade. Prefeitura de SP diz que investiga ações e que punições poderão ser tomadas caso infrações funcionais sejam comprovadas.

    A Controladoria Geral do Município (CGM) – órgão de controle da Prefeitura de São Paulo – está investigando o subprefeito da Lapa, Luiz Carlos Smith Pepe, por atuação em fiscalizações e apreensões realizadas fora dos domínios territoriais do órgão dirigido por ele, o que fere a lei municipal.

    Sob o pretexto de acabar com bailes funks que tiram o sossego das comunidades em várias partes da cidade, o subprefeito usou equipes da Subprefeitura da Lapa, na Zona Oeste, para atuar – sem prévio conhecimento da Prefeitura de SP – em áreas que pertencem a outras subprefeituras.

    As ações foram filmadas e colocadas em redes sociais pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que acompanhou diretamente essas operações fora do território da Lapa. Houve apoio das polícias Militar e Civil e da Guarda Civil Metropolitana (GCM).

    Em ao menos uma das ações, na comunidade de Heliópolis, na Zona Sul, os agentes de fiscalização que fizeram a apreensão estavam com os coletes da prefeitura do avesso – sem exibir o logo do poder municipal 

    o SP2 foram procurados por comerciantes de Heliópolis e da Brasilândia, que tiveram pertences apreendidos pelos fiscais da Subprefeitura da Lapa e não estão conseguindo reaver os produtos, mesmo com notas fiscais comprovando a origem lícita dos produtos.

    Além de bebidas alcóolicas e aparelhos de som, os comerciantes relatam que tiveram mesas, cadeiras e até televisores apreendidos pelos fiscais da Lapa. As imagens colocadas no Youtube pelo vereador confirmam a versão dos vendedores, que pediram para não ser identificados, pois têm medo de sofrer retaliação da polícia.

    Apenas em Heliópolis, onde uma dessas operações aconteceu, em 7 de junho, na Rua Coronel Silva Castro, os comerciantes afirmam que os prejuízos chegam a R$ 200 mil.

    A via concentra vários comércios da comunidade e é onde também acontecem os bailes funks.

    “Entraram no comércio da minha mãe e levaram mais de R$ 40 mil em mercadoria, tudo com nota fiscal. O baile nessa rua é de conhecimento de todos e é organizado, tem hora para começar e acabar. Não vira a noite e é tudo limpo. As atividades ilegais acontecem do lado de fora, mas não é justo entrar num comércio com todos os impostos pagos e levar tudo, sem estar acontecendo nenhum ato ilegal e sem mandado de apreensão judicial”, disse a filha de uma comerciante de Heliópolis ao g1.

    “Entraram no meu bar, sem ninguém lá dentro, e levaram tudo o que a gente tinha. Fui chamada depois que os fiscais já tinham ido embora. Cheguei e não tinha mais nada. Levaram mesa, cadeira, freezer. De um vizinho levaram até o televisor. Tudo comprado com suor. São mais de R$ 50 mil em prejuízo. Há um mês não consigo trabalhar porque não tenho como comprar tudo de novo. Tenho dois filhos, mãe doente para cuidar e não consigo me reerguer”, contou outra comerciante.
    A advogada Larissa Machado Pedrosa representa ao menos três dos mais de dez comerciantes de Heliópolis que foram alvo da operação de 7 de junho. Ela conta que, no dia seguinte à operação, foi até a Subprefeitura do Ipiranga, a que o território de Heliópolis pertence, mas não encontrou o material apreendido.

    “Alguns comércios foram arrombados com as portas fechadas e sem ninguém lá. Os fiscais nem lacre das apreensões deixaram. Fui até a Sub[prefeitura] do Ipiranga tentar reaver os produtos e apresentar as notas, mas lá os fiscais disseram que nem sabiam que havia acontecido uma operação em Heliópolis”, declarou.

    Larissa relatou que, uma vez descoberta a participação da Subprefeitura da Lapa na ação, foi até a unidade – distante 15 km de Heliópolis –, e ouviu dos funcionários de lá que não conseguiria reaver os produtos, principalmente as bebidas alcóolicas.

    “A única coisa que eles falaram é que iriam verificar o que poderia ser liberado. E que aquela região ali [Heliópolis] é como se não existisse no mapa. Que qualquer um pode entrar e sair, é uma área pública e eles poderiam levar as mercadorias”, contou.
    “Questionei a questão de a Lapa estar lá no Heliópolis, considerando que a gente tem uma subprefeitura bem próxima da comunidade, e eles não souberam explicar o que estavam fazendo na região. E falaram que todas as bebidas certamente a gente não conseguiria recuperar, sem dar muitos detalhes”, completou a advogada.

    Larissa ingressou na Justiça com mandado de segurança para ter os bens dos comerciantes recuperados. O processo não foi apreciado pelo juiz até a última atualização desta reportagem.

    O que diz a lei municipal
    A cidade de São Paulo tem 32 subprefeituras. Cada uma é responsável por uma área determinada e não pode agir fora da região que administra, segundo a lei que criou normas para o funcionamento desses equipamentos públicos, durante a gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

    Na lei municipal, de agosto de 2002, está expresso que as subprefeituras foram instaladas em áreas administrativas com limites territoriais estabelecidos e que as atribuições de cada uma devem respeitar esses limites.

    O SP2 procurou o subprefeito do Ipiranga, Décio Oda, que confirmou que não sabia da operação em Heliópolis naquela data. Ele disse que estranhou como tudo foi feito.

    “Para você fazer a apreensão da mercadoria, eu acredito que você tenha que ter o respaldo da vigilância sanitária também. A prefeitura em si não faz isso. A nossa condição é que vá fiscalizar o funcionamento do local: ‘Você tem o alvará de funcionamento?’ ‘Não tenho’. ‘Então você vai ser autuado pelo seu CPF.’ Só isso que a gente pode fazer. Nada de apreender”, ressaltou.

    “Como subprefeito, eu não posso [operar em outro território]. A não ser que eu tenho algum outro tipo de respaldo para atuar, mas como subprefeito, não”, completou.

    O que diz a Prefeitura de SP
    O g1 e o SP2 questionaram a Secretaria Municipal das Subprefeituras, pasta da gestão Ricardo Nunes (MDB) que comanda as ações das 32 subprefeituras da cidade.

    Por meio de nota, a Controladoria Geral do Município (CGM) afirmou que abriu uma apuração para investigar as ações do subprefeito da Lapa, após receber denúncia registrada na Ouvidoria do Tribunal de Contas do Município (TCM).

    “A apuração está em fase inicial, e a CGM já solicitou esclarecimentos da Subprefeitura Lapa e aguarda manifestação do órgão. O município reitera que, se houver indícios de ilegalidade na ação denunciada, os agentes públicos efetivos e/ou comissionados poderão responder a procedimentos administrativos e, caso sejam comprovadas infrações funcionais, serão punidos”, declarou o órgão.

    A CGM também disse que, em maio, a pasta já havia recebido uma denúncia registrada na Ouvidoria Geral do Município sobre eventuais ilegalidades na gestão pública de servidores da Subprefeitura da Lapa ou do subprefeito em questão.

    “O caso foi averiguado e encerrado por não atender os requisitos de admissibilidade que pudessem comprovar os fatos denunciados, sem prejuízo de reabertura se houver fatos novos”, declarou (veja íntegra da nota abaixo).

    O que dizem as polícias de SP

    A Secretaria de Segurança Pública de SP (SSP) também foi procurada, uma vez que a operação em Heliópolis, chamada de “Impacto Paz e Proteção”, teve a participação de PMs e policiais civis.

    A pasta afirmou que essas ações sempre contam com a participação de agentes municipais, mas que questionamentos referentes à escolha desses participantes deveriam ser feitas à Prefeitura de SP.

    “A Operação Impacto Paz e Proteção é executada regularmente pelas forças policiais do estado para coibir a formação dos chamados ‘pancadões’ e garantir a segurança dos moradores em diferentes regiões. As ações contam com a participação de representantes do Executivo local, que são responsáveis pela fiscalização de temas relacionados à legislação municipal”, disse.

    “Na operação realizada em Heliópolis, no dia 07/07, as forças de segurança emitiram 146 autos de infração de trânsito, apreenderam 32 veículos irregulares, porções de entorpecentes e prenderam um suspeito por tráfico de drogas. Os questionamentos relativos aos agentes municipais devem ser encaminhados aos órgãos responsáveis”, completou.

    O que disse o subprefeito da Lapa

    O subprefeito da Lapa também atendeu o SP2 e admitiu ter participado de seis a oito operações fora do território comandado por ele, mas não de forma direta.

    Luiz Carlos Smith Pepe: “Não foram funcionários da subprefeitura que foram cedidos, não foi feito uma autuação pela Subprefeitura da Lapa. Não teve um agente vistor que acompanhou a operação. O que nós cedemos foi a equipe de apreensão”.
    Repórter: Mas essa equipe de apreensão é da Subprefeitura da Lapa?
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Da Subprefeitura da Lapa”.
    Repórter: Então são funcionários do senhor?
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Sim. O que eu estou dizendo para o senhor é o seguinte: é comum, pelo fato de nós termos uma estrutura que atua 24 horas na região, que nós sejamos solicitados no empréstimo dessas equipes. Então, uma coisa que empresta-se para outra subprefeitura eventualmente e empresta-se para a Polícia Militar quando solicitado”.
    Repórter: Mas isso não fere a lei?
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Em que sentido?”
    Repórter: No sentido de que eles só podem atuar na área de onde eles estão, ou seja, do bairro…
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Se eu tivesse cedido um agente vistor, feito uma autuação, alguma coisa nesse sentido, eu concordo. Agora, você deu uma equipe de apreensão para uma instituição que nos apoia em tempo integral, eu não vejo estar ferindo a legislação nesse sentido”.
    Repórter: Mas eles são funcionários aqui, não são?
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Eles são funcionários terceirizados da Subprefeitura [da Lapa].
    Repórter: Quantas operações o sr. fez dentro da Lapa e quantas foram fora da circunscrição da Lapa?”
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Tem operações quase que diárias pela Subprefeitura da Lapa. Nem todas elas versando sobre combate a perturbação de sossego público, não consigo mensurar de pronto quantas são, mas são muitas. Fora da circunscrição da Lapa, nós fizemos – salvo engano – acredito que uma seis ou oito operações. E não foram pela Subprefeitura da Lapa, mas sim cedemos em apoio à Polícia Militar a equipe de a apreensão da Prefeitura da Lapa.
    Repórter: E por que os agentes estavam com os coletes do avesso?”
    Luiz Carlos Smith Pepe: “Ocorre é que muitos desses meninos trabalham em regiões onde eles fazem as próprias fiscalizações conosco. E o que tá acontecendo é eles têm receio de serem conhecidos ou serem identificados. Então, muitos pedem para que coloquem uma máscara, como se fosse respirador da covid”.
    Apesar da justificativa do subprefeito, em outras ações também postadas por Rubinho Nunes, os agentes aparecem usando os coletes de forma correta, exibindo o logo da Prefeitura de SP. Em Heliópolis, nenhum fiscal aparece usando máscara de proteção no rosto. 

    O que diz o vereador envolvido
    O vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que registrou as imagens em Heliópolis e em várias outras comunidades – com a participação direta nas apreensões e dando ordens aos funcionários da Subprefeitura da Lapa – também divulgou uma nota justificando a presença dele nessas ações do órgão, registradas no Youtube.

    “Participo das operações, pois diferente de outros políticos, eu saio da cadeira para acompanhar as demandas e atender a sociedade. Vale destacar que, em razão da complexidade das operações e para que elas tenham um desfecho positivo em razão de seu elevado risco, há a necessidade de uma grande interlocução de instituições e, com base nos ofícios, solicito equipes de apreensão para coibir irregularidades”, declarou Nunes.

    A Câmara Municipal de São Paulo, por sua vez, declarou que Rubinho Nunes não estava representando o Legislativo nessas ações.

    “A participação do vereador foi uma iniciativa do mandato dele que, em sua atribuição como parlamentar, atendeu a solicitações de moradores. Recomendamos que entre em contato com o gabinete do vereador para mais detalhes sobre o assunto”, disse a Mesa Diretora da Câmara.
    Veja a íntegra abaixo da nota de Rubinho Nunes:

    “Eu participo das operações, pois diferente de outros políticos, eu saio da cadeira para acompanhar as demandas e atender a sociedade. Vale destacar que, em razão da complexidade das operações e para que elas tenham um desfecho positivo em razão de seu elevado risco, há a necessidade de uma grande interlocução de instituições e, com base nos ofícios, solicito equipes de apreensão para coibir irregularidades.

    Os pancadões se tornaram um problema que se arrasta por toda a cidade de São Paulo, sendo financiado pelo Crime Organizado e irrigando o tráfico de drogas, prostituição infantil e perturbação de sossego. Todas essas operações ocorrem em conjunto com a Polícia Civil, Militar e GCM, muitas delas após ofícios encaminhados pelo meu mandato em razão do recebimento de denúncias de moradores, CONSEGs e um minucioso trabalho de inteligência.

    Eu participo das operações, pois diferente de outros políticos, eu saio da cadeira para acompanhar as demandas e atender a sociedade. Vale destacar que, em razão da complexidade das operações e para que elas tenham um desfecho positivo em razão de seu elevado risco, há a necessidade de uma grande interlocução de instituições e, com base nos ofícios, solicito equipes de apreensão para coibir irregularidades.

    Ressalto que foram oficiadas quase todas as subprefeituras e que a subprefeitura da Lapa nos retornou informando que possui meios para trabalhar inclusive à noite e sua participação se resume a equipe de apoio. Continuarei trabalhando neste combate, firme e forte. Sugiro ouvir os moradores que, aliviados, finalmente podem ter segurança e dormir em paz”.

     

  • Golpe do app gay: polícia prende suspeito de atrair jovens para emboscada e assaltá-los no Sacomã, na Zona Sul de SP

    Golpe do app gay: polícia prende suspeito de atrair jovens para emboscada e assaltá-los no Sacomã, na Zona Sul de SP

    Homem já foi reconhecido por cinco vítimas como o autor dos crimes. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, as investigações seguem em andamento por meio de um inquérito policial instaurado pelo 95° Distrito Policial.

    A Polícia Civil prendeu um dos suspeitos de assaltar jovens na região do Sacomã, na Zona Sul de São Paulo. As vítimas são atraídas para uma emboscada após marcar encontro por meio de aplicativos de relacionamento voltado para o público gay.

    Um levantamento do g1 apontou que ao menos 9 roubos e tentativas foram registrados nessa região (leia mais abaixo). A área é a mesma onde Leonardo Rodrigues Nunes, de 24 anos, foi assassinado, em 12 de junho.

    O mandado de prisão temporária foi cumprido na última quinta-feira (20) na região de Heliópolis, próximo aos endereços dos roubos. O suspeito foi detido na residência da mãe, onde foram apreendidos dois capacetes de moto.

    Segundo uma fonte do 95° Distrito Policial (DP), responsável pela investigação, o criminoso já foi identificado como o autor dos assaltos por cinco de sete vítimas convocadas pela polícia. O reconhecimento foi possível em razão das características do rosto e da tatuagem.

    Durante interrogatório na delegacia, o homem negou ter cometido o crime e se recusou a passar outras informações. Para a investigação, a onda de assaltos foi promovida por mais de dois criminosos que provavelmente se revezam durante as ações.

    Como os endereços das emboscadas são próximos e muitos não possuem câmeras de segurança, a Polícia Civil também acredita que os criminosos conhecem bem a região.

    Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que “as investigações seguem em andamento por meio de um inquérito policial instaurado pela unidade para a identificação dos demais envolvidos e o total esclarecimento dos casos”.

    Os roubos do levantamento do g1 foram registrados nos últimos cinco meses, sendo um em fevereiro, quatro em março, um em abril, e um em maio. Duas vítimas também sofreram tentativas de assalto em março e maio.

    Confira o modus operandi dos criminosos a partir dos relatos obtidos pela reportagem:

    As vítimas conhecem o suposto rapaz pelo Hornet ou Grindr, aplicativos voltados para o público gay;
    Após conversarem por dias pelo aplicativo de relacionamento, o suspeito compartilha seu número de WhatsApp, dando sequência a conversa e ganhando a confiança do jovem;
    Um encontro é marcado na região do Sacomã, onde supostamente o suspeito mora;
    O criminoso se oferece para pagar a corrida do carro de aplicativo até o local do encontro e acompanha a localização da vítima em tempo real;
    Quando o jovem recusa a oferta e paga pela própria corrida, o suspeito pede a localização em tempo real pelo WhatsApp ou pede os dados da corrida;
    Chegando ao local, a vítima encontra a rua deserta;
    Então, o jovem é abordado por dois homens armados em uma moto que anunciam o assalto;
    O principal objetivo é roubar o celular das vítimas, porém os criminosos também já levaram cartões, carregador, fones de ouvido e até mesmo par de chinelos;
    Mediante ameaças de morte, eles ainda obrigam a vítima a passar a senha do celular e, posteriormente, efetuam compras em aplicativos como de delivery de comida.

    ‘Vi ele atirando na minha direção’
    Morador de Santo André, João*, de 24 anos, escapou por pouco de um assalto no mesmo endereço em que Leonardo Rodrigues Nunes foi assassinado, próximo ao Sacomã. O episódio ocorreu em 15 de maio.

    Durante semanas, João conversou com um rapaz com quem deu um match no Hornet. Depois, eles migraram para o WhatsApp. “Ele se mostrou uma pessoa muito humana, mandando agenda, comentando o que ia fazer, mandava foto dele. Não me deu brecha para desconfiança”.

    No dia do crime, a vítima estava na faculdade na Zona Oeste de São Paulo, quando foi convidada para ir à casa do rapaz. O criminoso pediu para ele compartilhar a localização em tempo real do Uber.

    Chegando no local combinado, João não encontrou ninguém. Enquanto tentava localizar o endereço correto, dois homens em uma moto se aproximaram e o abordaram. A vítima achou que os criminosos carregavam uma arma de brinquedo, por isso reagiu ao assalto.

    “Ele subiu na moto e falou: ‘vou te matar e pegar tudo’. Na hora que ele atirou, não sei o que aconteceu, acho que foi meu anjo da guarda, eu caí no chão um pouco antes dele atirar. Eu vi ele atirando na minha direção. São cenas e sons que não vão sair da minha cabeça.”
    Então, uma moradora apareceu e começou a gritar, por isso os assaltantes fugiram sem levar nada. A mulher acolheu João em sua casa e compartilhou que outros casos similares ao dele vem acontecendo na região.

    ‘Me deram um soco na testa e bateram com a arma na minha barriga’
    Em março, Flávio* conheceu um rapaz pelo Hornet e, após dias de conversa pelo aplicativo de relacionamento e pelo WhatsApp, decidiram marcar um date.

    O suspeito se ofereceu para pagar o Uber, porém Flávio preferiu pagar pela própria corrida. “Quando eu entrei no carro, ele pediu para tirar um print do Uber para ele acompanhar a viagem. Eu mandei, e ele pediu para eu avisá-lo quando faltasse cinco minutos para chegar, para ele descer e me encontrar no portão da casa dele”.

    Chegando ao destino, ninguém espera por Flávio. Foi quando dois homens em uma moto apareceram. Um deles sacou a arma e pediu para a vítima entregar tudo.

    “Eu dei o meu celular. Eles ainda pegaram meu chinelo, carregador e fone. Queriam que eu desbloqueasse o meu celular e pediram a senha de tudo o que eu tinha. Eu fiquei tão nervoso no momento que eu não lembrava a senha. O celular ficou bloqueado [após muitas tentativas].”

    “Durante dez minutos, eles ficaram falando que iam me matar. Engatilharam a arma, me deram um soco na testa e bateram com a arma na minha barriga. Por fim, se convenceram a levar o celular bloqueado mesmo. Me deixaram na rua e saí correndo para pedir ajuda.”

    Após alguns minutos, uma viatura da Polícia Militar apareceu no endereço, porque alguns vizinhos ouviram o assalto e ligaram para a corporação. A vítima foi levada para o 26° Distrito Policial do Sacomã, onde o boletim de ocorrência foi registrado.

    O g1 não conseguiu contato com a Hornet para comentar os episódios. Pelo site da plataforma, a empresa inclui dicas de segurança para os usuários e um email pelo qual os usuários podem denunciar casos. No entanto, não possui informações sobre verificação de perfis na plataforma.

    Procurado para saber se o aplicativo citado e o Grindr estão sendo investigados, o Ministério Público de São Paulo(MP-SP) informou que “vai verificar junto as autoridades policiais se os aplicativos estão obstruindo informações para o deslinde dos casos. Após, deliberamos sobre a atuação do GAESP, se é caso ou não de instauração de inquérito”.

  • Em ação em favela para ajudar censo, Tebet diz que não faltará orçamento para IBGE após 4 anos de governo que não acreditava em estatística

    Em ação em favela para ajudar censo, Tebet diz que não faltará orçamento para IBGE após 4 anos de governo que não acreditava em estatística

    Parceria entre Instituto Data Favela, Central Única das Favelas (Cufa) e IBGE tenta reduzir o percentual de domicílios que não responderam à operação censitária em comunidades. Mobilização ocorreu em Heliopolis na manhã deste sábado.

     

    IBGE, Data Favela e Cufa fazem ação “Favela no Mapa” para coletar dados para o Censo

    Na fase final de apuração do Censo Demográfico, o IBGE realiza, em parceria com o Instituto Data Favela e a Central Única das Favelas (Cufa), a ação “Favela no Mapa” que tem como foco reduzir o percentual de domicílios que não responderam à operação censitária em comunidades.

    Em São Paulo, 150 recenseadores fazem parte da ação. A mobilização de coleta ocorreu na manhã deste sábado (25), em Heliópolis, na Zona Sul da capital.

    A Ministra do Planejamento, Simone Tebet, esteve no local. Ela afirmou que não vai faltar orçamento público para financiar o trabalho do IBGE após quatro anos de um governo que não acreditava em estatísticas.

    “Lamentavelmente, faltou dinheiro no ano passado porque o governo passado não acreditava em estatísticas e evidências, atrasamos o IBGE. Foi feito, lamentavelmente, um discurso que não servia para nada. Quem paga é toda a população brasileira. Esse negacionismo, nós temos 4 anos para derrubar”, completou.

    “A ciência passou a ser novamente valorizada. Nós não vamos aceitar o negacionismo. O IBGE que foi massacrado nos últimos anos por falta de recursos e estrutura vai ter todo apoio do governo federal. orçamento público não vai faltar para isso”, completou.

     

    Ministra do Planejamento, Simone Tebet.

    Com o apoio da Cufa e do Data Favela, líderes comunitários acompanham os recenseadores para incentivar os moradores a abrir portas para o Censo e conseguir avançar na missão de coletar dados das favelas de todo o país.