Tag: Gestão publica

  • Carnaval sob a água: Recife revive caos com ruas alagadas

    Carnaval sob a água: Recife revive caos com ruas alagadas

    Bastaram poucas horas de chuva para expor falhas na drenagem e reacender críticas à gestão municipal

    As fortes chuvas que atingem o Recife neste segundo dia de Carnaval voltaram a revelar um velho problema da cidade: ruas alagadas, trânsito travado, prejuízo para comerciantes e medo crescente nas áreas de risco. Bastaram poucas horas de chuva para que avenidas importantes se transformassem em rios, repetindo um cenário já conhecido da população.

    O episódio reforça críticas à gestão do prefeito João Campos (PSB), que, apesar do discurso de modernização e da forte presença nas redes sociais, enfrenta questionamentos sobre a efetividade dos investimentos em drenagem e prevenção. A sensação nas ruas é de que o Recife continua sem estrutura para enfrentar um problema previsível e recorrente.

    Com o comércio afetado justamente no período mais lucrativo do ano, a cidade que se prepara para receber foliões passa a projetar uma imagem de vulnerabilidade e improviso. Enquanto o poder público ressalta obras e ações preventivas, moradores convivem com a repetição do caos sempre que a chuva aumenta.

    Nas comunidades de encosta, o medo é ainda maior. Cada alerta meteorológico reacende o temor de deslizamentos e tragédias, reforçando a cobrança por soluções estruturais — e não apenas medidas emergenciais.

    Em meio a folia de momo, o Recife vive o contraste entre festa e insegurança. A chuva, mais uma vez, não cria o problema — apenas expõe aquilo que a cidade ainda não conseguiu resolver.

  • João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil

    João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil

    Levantamento do Instituto Veritá mostra que a capital pernambucana ficou fora do top 10 nacional e aparece entre as piores do Nordeste em áreas essenciais

    O Recife vive um momento de forte desgaste na avaliação da gestão municipal. Dados do Instituto Veritá, responsável pelo maior levantamento independente sobre serviços públicos do Brasil, mostram que a capital pernambucana ficou fora do top 10 das capitais com melhor desempenho. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025, com dados preliminares divulgados na segunda semana de janeiro de 2026, e revela que o município não atingiu a nota mínima de 4,9 necessária para integrar o grupo de excelência.

    A maioria dos recifenses avalia de forma negativa a prestação de serviços essenciais e aponta falhas graves na transparência, no apoio social e no atendimento direto ao cidadão, indicando que a gestão do prefeito João Campos enfrenta uma crise de credibilidade.

    O abismo da transparência

    A nota 3,2 em Transparência (informações e gastos públicos) coloca o Recife em posição delicada no Nordeste. A capital empata com Teresina e supera apenas Natal (3,1), ficando muito atrás de São Luís (4,7) e Maceió (4,2). Para a maioria da população, o acesso a dados sobre o uso dos recursos públicos é insuficiente, o que dificulta o controle social e amplia a desconfiança na gestão.

    Saúde mental em crise

    Um dos piores desempenhos individuais do Recife está no apoio ao tratamento de dependência química, com nota 3,1 — abaixo da média nacional de 3,5. O dado evidencia uma lacuna severa na rede de proteção social e de saúde mental, em uma área de extrema sensibilidade.

    Atendimento deficiente

    O atendimento ao cidadão também aparece entre os piores indicadores, com nota 3,6. O resultado reflete a dificuldade da população em ter suas demandas resolvidas nos canais oficiais da prefeitura, reforçando a percepção de lentidão e ineficiência da máquina pública municipal.

    O teto de vidro da excelência

    Mesmo nos serviços considerados “melhores”, o Recife segue distante do padrão de excelência das capitais líderes. A limpeza urbana, melhor área avaliada na cidade, recebeu nota 5,3, enquanto Boa Vista alcançou 7,8. O contraste mostra que, mesmo onde a gestão local se destaca, ainda há grande distância em relação às referências nacionais.

    Entre ilhas e abismos

    Áreas como coleta de lixo (6,4) e educação (5,1) aparecem acima da média geral da cidade, mas não são suficientes para elevar o desempenho do Recife. No cenário regional, capitais como São Luís (5,7) e Maceió (5,4) se consolidam como exemplos, enquanto a capital pernambucana permanece marcada por opacidade administrativa e fragilidade social.

    Os dados do Instituto Veritá apontam que a crise vai além de números: trata-se de uma ruptura na confiança entre a população e a gestão municipal. Enquanto outras capitais avançam, o Recife segue distante do padrão de excelência, com uma sociedade que cobra mais transparência, eficiência e políticas públicas que saiam do papel e cheguem a quem mais precisa.

  • Prefeitos e secretários de Saúde do Agreste participam de workshop sobre gestão de contratos e prestação de contas

    Prefeitos e secretários de Saúde do Agreste participam de workshop sobre gestão de contratos e prestação de contas

    Evento promovido pela CODEAM com apoio do Instituto Vitalis abordou a nova lei de licitações e os principais desafios na administração pública municipal.

    Na manhã desta terça-feira, 15 de julho, a CODEAM (Comissão de Desenvolvimento do Agreste Meridional) promoveu um workshop para Prefeitos e Secretários de Saúde com o tema “Gestão de Contratos e Prestação de Contas”, em parceria com o Instituto Vitalis Mais Saúde – IVIMS.

    O workshop foi conduzido pelo Professor e Consultor Marcus Vinícius Rodrigues Lima, que reúne experiência nos setores público e privado. Durante o evento, foram debatidos temas de grande importância para os municípios que integram o consórcio, com ênfase nas principais regras estabelecidas na nova lei de licitações (Lei Federal nº 14.133/21) desde o processo de planejamento até o encerramento de contratos que envolve o processo de prestação de contas.

    O palestrante explorou os principais cuidados que os gestores públicos devem ter em relação as novas regras, prazo legal de adequação, hipóteses de dispensa de licitações na saúde, transparência, atuação dos órgãos de controle interno e externo, além de apresentar casos comuns de irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE/PE) e finalizou a abordagens trazendo recomendações para evitar a ocorrência dos riscos mais comuns.

    O Presidente do Consórcio e Prefeito de Saloá, Júnior de Rivaldo, foi representado pela Superintendente do Núcleo Intermunicipal de Saúde, Martinelle Lira Martins, que destacou o papel da CODEAM em apoiar os municípios consorciados nesse processo e acrescentou que esse será o primeiro de vários eventos que serão realizados nos próximos meses.

     

  • Lucas Soares Fontes esclarece dúvidas sobre leis trabalhistas

    Lucas Soares Fontes esclarece dúvidas sobre leis trabalhistas

    As leis trabalhistas estão passando por constantes transformações. Com isso, os trabalhadores e até mesmo empregadores encontram algumas dificuldades e dúvidas. De acordo com o advogado Lucas Soares Fontes, um dos pontos mais destacados entre os clientes são as questões relacionadas à aposentadoria, casos de demissão, auxílio doença e as cotas do INSS.

    Sobre a aposentadoria, o advogado destaca que as maiores demandas estão relacionadas ao recalculo dos valores dos benefícios. “Há 20 anos ocorreu a correção monetária. Com isso, os aposentados podem revogar os valores do benefício, solicitando o recalculo.  Além disso, pode haver a aplicação das duas metodologias de cálculo (para quem recebia antes da correção e para quem passou a receber depois deste ano, no caso, 1992) e, consequentemente optar pelo valor maior, que é mais vantajoso”, explica Lucas Soares Fontes.

    Neste ponto, o advogado acrescenta que o servidor pode solicitar que sejam utilizados todos os salários de contribuição corrigidos monetariamente pela inflação.

    Sobre os casos de demissão durante a pré-aposentadoria, o advogado explica que quando um trabalhador é demitido durante esse processo, não há uma lei especifica que o defenda, mas há uma normal sindical estabelecida em acordos e convenções coletivas que estabelece uma estabilidade no trabalho, que pode ser de 12 até 24 meses. Caso ocorra a demissão sem justa causa, o trabalhador demitido pode acionar a justiça. “Pelas cláusulas, o correto é que o trabalhador que está prestes a se aposentar não seja demitido sem justa causa. Caso isso aconteça, ele deve recorrer”, destaca Lucas Soares Fontes.

    No entanto, o advogado explica que a ação não é válida quando ocorre a demissão por justa causa.  “Se ele for demitido por justa causa, o que deve ser feito é continuar contribuindo facultativamente com os recolhimentos do INSS até conquistar a aposentadoria”, explica.

    Com relação a acionar a Justiça, o advogado diz que quando isso ocorre, a maior parte dos trabalhadores sai vitoriosa, porque a justiça entende que o empregador que demite um funcionário na pré-aposentadoria, está violando as boas práticas e princípios de valorização social do trabalho, além de afetar a dignidade daquele funcionário.

    Outro assunto que gera dúvidas e faz com que as pessoas procurem a ajuda de um advogado é o auxílio doença. Segundo Lucas Soares Fontes, este benefício é acionado após 15 dias de atestado médico. “A empresa exonera o trabalhador neste período por questões de saúde, mas isso não significa que ele terá estabilidade no emprego. Pode sim ocorrer uma demissão. Isso está nas leis trabalhistas e nas convenções coletivas”, explica o advogado.

    Ainda sobre o auxilio doença, Lucas Soares Fontes diz que é importante destacar que há uma grande diferença entre o auxilio doença comum e o auxilio doença acidentário, que é quando o trabalhador sofre um acidente e apresenta sequelas que comprometem o desempenho normal das funções no trabalho. “Os casos para recebimento dessas cotas são avaliados pelas perícias médicas do INSS. O benefício não será uma aposentadoria, mas sim uma indenização. O funcionário pode continuar trabalhando, mas com funções estabelecidas de acordo com sua saúde”, destaca.

    Por fim, Lucas Soares Fontes diz que cada caso deve ser analisado de forma isolada pela empresa. Assim, tanto o trabalhador quanto o empregador não serão prejudicados.

     “Consultar um advogado e analisar o caso é o mais recomendado para todos os trabalhadores que possuem dúvidas ou se enquadram nesses requisitos citados aqui”, conclui.

  • Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Investigação identificou oito propriedades adquiridas após eleição de Acir Filló; documentos foram apresentados pelo MP e Procuradoria do Município

    Vários documentos apresentados pelo Ministério Público podem comprovar para onde vai parte do dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. São contratos de compra e venda de imóveis, todos em nome do prefeito Acir Filló, que está afastado do cargo.

    Acir Filló dos Santos foi eleito prefeito de Ferraz de Vasconcelos em 2012 com 42% dos votos. Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, ele declarou na época bens como um imóvel e dois carros, que totalizavam um valor de R$ 205 mil.

    Mas o Ministério Público e a Procuradoria do Município descobriram por meio de documentos que, em pouco mais de um ano, o prefeito já no poder comprou pelo menos oito imóveis que, somados, têm valores ultrapassam R$ 6.762.745,58. O salário do prefeito de Ferraz de Vasconcelos é de R$ 20 mil.

    “Esses contratos foram a princípio adquiridos por Acir Filló, em aquisições de imóveis de forma obscura, não declarada, e totalmente incompatíveis com a renda que ele recebe como ocupante de cargo público que é o de cargo de prefeito da cidade”, detalhou Marcus Vinícius Lopes, procurador do município.

    De acordo com esses contratos de compra e venda assinados pelo prefeito, Acir Filló comprou no dia 6 de maio desse ano dois apartamentos no luxuoso condomínio no Anália Franco, uma região nobre da Zona Leste de São Paulo, e pagou por cada um R$ 740 mil.

    As prestações foram pagas diretamente ao dono, com dinheiro vivo, como mostram notas promissórias com valores de R$ 100 mil assinadas também por Filló.

    Em Ferraz de Vasconcelos, segundo outro contrato, Acir Filló teria comprado uma casa, no Sítio Paredão, e pago por ela R$ 450 mil. Por determinação da justiça, os procuradores também visitaram uma mansão num condomínio fechado no Guarujá a poucos quarteirões da praia.

    É um casarão de luxo, numa área de 717 metros quadrados, com piscina, e com tudo o que o dinheiro pode comprar. A cópia do contrato de compra e venda já em poder do Ministério Público aponta que Filló pagou em dinheiro R$ 1.250.000,00.

    No mesmo documento estão anexadas várias notas promissórias, parcelas de R$ 150 mil cada uma. “Essas notas promissórias, tudo indica que foram de fato assinadas por ele porque ele não poderia ter pago por esses valores oficialmente, na medida que cada pagamento demonstra que o réu Acir Filló tem rendimentos ocultos, não declarados à Receita Federal, sem que nenhum órgão de controle saiba”, disse o procurador Gabriel Nascimento Lins de Oliveira.

    Busca e apreensão
    Por ordem da Justiça, no dia 4 de dezembro, o Ministério Público, procuradores do município, e policiais da Rota cumpriram 12 mandados de busca e apreensão: na casa do prefeito, na prefeitura, nos imóveis citados nessa reportagem, e também na casa do ex-secretario de Serviços Urbanos Franco Douglas Lima Dias, apontado como parceiro de Acir Filló no esquema de fraude na licitação da coleta de lixo da cidade. Ele mora em uma mansão comprada a pouco tempo numa área nobre de Arujá, e avaliada em R$ 2.500.000,00. O imóvel também foi bloqueado pela Justiça.

    “O contexto permite afirmar que existem fortes indícios de que se trata de um fenômeno de lavagem de dinheiro que oculta a corrupção”, disse Gabriel. O juiz André Forato Anhê também determinou nesse processo o afastamento de Acir Filló dos Santos do cargo de prefeito por improbidade administrativa.

    O procurador do município é o advogado que defende os interesses da cidade, mas esse profissional também tem o poder de sindicância, ou seja, de investigar os assuntos internos. E foi o que a procuradoria de Ferraz de Vasconcelos fez. Em menos de um ano, a sala deles foi invadida duas vezes. Tudo está registrado em boletins de ocorrência. Os suspeitos levaram apenas cinco computadores, justamente os equipamentos onde estavam gravadas informações que apontavam irregularidades na administração pública. Essas ocorrências também influenciaram na decisão do juiz para afastar o prefeito do poder.

    Segundo os procuradores o prefeito fazia muito mais para dificultar as investigações. “Perseguição aos colegas, afastamentos. Eu fui afastado do exercício das funções, ameaçado também, eu tive minha família ameaçada. Somo isso a falsificação de documentos. O prefeito usava todas as artimanhas possíveis para sonegar informações”, disse o procurador.

    Acir Filló não atendeu a nenhum pedido de resposta para as denúncias apresentadas nessa reportagem, mas na sexta-feira (11) ele divulgou um vídeo nas redes sociais. “Repito, isso é resultado de uma guerra política que vai passar. Os juízes de Ferraz e os promotores públicos são seríssimos, éticos. Eles não têm nada a ver com esse problema. Evitem críticas aos judiciário. Fora isso, é uma guerra política muito dura que eu vou superar.”

    Enquanto isso, o povo cobra providências para a cidade. O tão sonhado posto de saúde no Jardim Ione era para ter ficado pronto em dezembro de 2013. “Eu acho uma pouca vergonha, porque tudo está abandonado”, disse a auxiliar de limpeza Iraci Ferreira Lopes.

    “A gente trabalha até catando latinha, papelão, tudo isso é honra. Agora, pegar o que não é da gente, é falta de respeito”, disse a auxiliar de limpeza Eliane Severo dos Santos.

    A reportagem tentou contato com o prefeito afastado Acir Filló e com o ex-secretário de Serviços Urbanos, Franco Douglas Lima Dias, mas nenhum deles foi encontrado. De acordo com procuradores do município, nesta segunda-feira (14), a defesa de Acir Filló protocolou um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo.