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  • Copa do Mundo 2026: os segredos que construtoras brasileiras deveriam copiar

    Copa do Mundo 2026: os segredos que construtoras brasileiras deveriam copiar

    As obras dos estádios de 2026 mostram como documentação, integração de equipes e tecnologia deixaram de ser diferenciais para se tornarem elementos centrais em obras de alta complexidade

     

    A Copa do Mundo de 2026 será disputada em 16 estádios distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México. Ao contrário das edições anteriores, marcadas por megaconstruções do zero e obras emergenciais de última hora, desta vez o desafio central é outro: modernizar estruturas já existentes, integrar tecnologia em projetos de alto risco e manter controle sobre prazo, execução e fluxo de informação em operações simultâneas e altamente complexas.

    Na Copa do Mundo de 2014, no Brasil, o noticiário foi marcado por obras iniciadas tarde demais, estádios entregues na última hora e custos acima do previsto, com impactos diretos em cronogramas, contratos e na imagem de construtoras e gestores públicos. Na preparação para 2026, o foco em retrofit, documentação técnica mais madura e uso intensivo de ferramentas digitais para coordenar equipes e registrar mudanças de projeto mostra um caminho diferente: em vez de resolver problemas de última hora, o foco é antecipar riscos, organizar a informação e garantir que todos trabalhem sobre a versão mais atualizada.

    O Estádio Azteca, palco do jogo de abertura do torneio em 11 de junho, é o exemplo mais eloquente do que está em jogo. Fechado por 671 dias para reformas, foi reinaugurado em março deste ano com obras ainda em andamento na estrutura interna, no entorno e nas vias de acesso. Na reta final, surgiu uma variável que ninguém havia planejado: a região apresenta histórico de afundamento do solo, o que exigiu monitoramento extra antes do torneio. As equipes chegaram a trabalhar sete dias por semana, 24 horas por dia, e mesmo assim, o estádio receberá as partidas com parte das intervenções ainda em andamento.

    Para Diego Mendes, CEO da ConstruCode, startup de tecnologia para construção civil presente em mais de 6 mil empreendimentos no Brasil, a Copa 2026 funciona como um reflexo direto das mudanças pela qual o setor vem passando. A nova realidade exige a atualização de métodos e tecnologias impondo essas novas premissas na modernização de estruturas existentes sem perder a previsibilidade na execução, o que é um grande desafio em obras de retrofit.

    Ainda segundo Mendes, o cenário evidencia um problema recorrente em projetos complexos. “Quando a informação deixa de circular no mesmo ritmo, entre coordenação de projetos e a equipe de execução no canteiro, o atraso normalmente só aparece quando o impacto já virou custo extra ou reprogramação. Em obras muito grandes, isso acontece rápido e repetidas vezes”, completa.

    Nos Estados Unidos e no Canadá, os estádios nunca fecharam. São arenas multiuso da National Football League (NFL) e da Major League Soccer (MLS) que seguiram recebendo eventos enquanto passavam por intervenções mais cirúrgicas e delimitadas. Cidades como Los Angeles, Dallas, Houston e Vancouver partiram de estruturas consolidadas, com menor necessidade de obras estruturais pesadas, com documentação técnica mais madura e com fluxos de comunicação estruturados. Isso reduziu parte da complexidade operacional e permitiu cronogramas mais previsíveis, o mesmo princípio que diferencia projetos bem geridos de projetos que acumulam atrasos.

    Para a construção civil brasileira, as obras dos estádios do Mundial reforçam três lições centrais: primeiro, que modernizar estruturas existentes exige planejamento de longo prazo e alinhamento entre projeto, canteiro e operação, sob risco de repetir atrasos como os de 2014. Segundo, que previsibilidade e rastreabilidade nascem de processos que registram revisões de forma autônoma, consolidando informações e as distribuindo aos responsáveis de forma estruturada, permitindo assim, reagir a desvios antes que virem sobrecusto. Terceiro, que o uso de tecnologia para integrar equipes, embasar decisões e dar visibilidade em tempo real ao avanço das frentes de obra é hoje um diferencial competitivo em qualquer contexto, e não apenas em megaeventos.

    A preparação para o torneio concentra, em escala global, desafios que já fazem parte da rotina da construção civil: múltiplas equipes trabalhando simultaneamente, grande volume de revisões, decisões que dependem de informação atualizada e cronogramas que não admitem folga. O que o Azteca mostrou é que, quando esses fluxos falham, o impacto fatalmente aparece no cronograma e no orçamento. “A diferença entre uma obra que consegue manter previsibilidade e outra que opera no caos normalmente está na capacidade de conectar equipes em torno da mesma informação e fazê-la fluir no momento correto para os pontos de execução nos canteiros. Informações paradas sempre resultam em obras paradas”, conclui Diego Mendes. 

    Sobre a ConstruCode

    A ConstruCode é uma plataforma de inteligência integrada que conecta equipes e simplifica a rotina de quem constrói. Presente nas maiores construtoras do Brasil, a empresa utiliza tecnologia para automatizar os fluxos repetitivos e impulsionar a produtividade em todas as etapas da obra. 

    Reconhecida como TOP 1 Construtech no Ranking 100 Open Startups por cinco anos consecutivos (2021 a 2025), com foco em eficiência, clareza operacional e redução de retrabalho, a ConstruCode apoia profissionais da construção civil na gestão de projetos cada vez mais complexos.

    Até 2028, a empresa avança para conectar milhares de projetos ao redor do mundo por meio de soluções integradas potencializadas por inteligência artificial que antecipa problemas, prioriza tarefas e se adapta a cada contexto.

    Saiba mais em https://site.construcode.com.br.

  • Tomei a decisão mais difícil da minha carreira: aposentar a estratégia que mais me fez crescer

    Tomei a decisão mais difícil da minha carreira: aposentar a estratégia que mais me fez crescer

    Por Diego Mendes, CEO da ConstruCode

    Em 2018, apresentamos ao mercado uma ideia simples: Códigos QR em obras para garantir que a versão correta de cada planta chegasse às mãos certas no canteiro. O problema era real, a solução era direta, o produto era usual e fácil de entender e o mercado respondeu. Nos anos seguintes, crescemos, chegamos a mais de 50 mil projetos gerenciados, entramos nas maiores construtoras do Brasil e ganhamos diversos prêmios. E foi exatamente nesse momento, no topo de um ciclo, que tomei a decisão que mais me custou explicar para investidores, para o time e, às vezes, até para mim mesmo: construir o próximo produto antes que o atual chegasse ao seu limite. Uma decisão puramente estratégica.

    Existe uma armadilha que destrói boa parte das empresas de tecnologia que cruzam a barreira do crescimento inicial. É o instinto de proteger o produto que funcionou em vez de construir o produto que vai transformar o próximo ciclo. A lógica parece razoável: “está dando certo, não mexa.” Mas crescer sobre uma base tecnológica que já atingiu seu teto de valor sem protagonizar uma auto-obsoletagem é pedir para ser substituído por quem não tem nada a proteger. Vi isso acontecer em outros setores, vi empresas de software que foram referência por anos perderem relevância porque deixaram de se questionar. Vi startups de garagem derrubarem companhias gigantes com propostas de valor audaciosas. O sinal de alerta nunca vem de fora primeiro. É sempre interno, quando a empresa começa a defender o passado em vez de construir o futuro, a energia se dissipa no lugar errado. Despejam rios de dinheiro para copiarem features enquanto se esquecem do conceito de “time to value”, onde o mais forte sempre perde para o mais ágil.

    Na ConstruCode, fizemos o movimento oposto de forma deliberada. Cada salto da nossa história foi deliberado, feito antes que qualquer crise nos obrigasse. Quando saímos do QR Code para o GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos), já enxergávamos que o problema maior estava no ciclo de vida da produção das plantas, e o QR Code sozinho alcançava apenas a ponta final desse processo. Quando saímos do GED para o CDE, o Common Data Environment, o passo foi maior ainda: o escopo já incluía informações combinadas, equipes sincronizadas, fluxos automatizados e rotinas inteiras facilitadas. Agora vamos dar mais um salto: estamos construindo um ecossistema orientado por inteligência artificial que armazena, distribui e coordena a informação, e também aprende com ela. Cada uma dessas transições exigiu questionar o que estava funcionando, gerou um desconforto necessário, e foi construída sobre a base da anterior, nunca apesar dela.

    A McKinsey estima que a construção civil global crescerá de 13 trilhões para 22 trilhões de dólares até 2040. Ao mesmo tempo, o setor investe em tecnologia menos de um terço do que automotivo e aeroespacial aplicam. Essa diferença representa uma janela de oportunidade enorme. Uma janela que vai se fechar à medida que o capital externo acelera: segundo a própria McKinsey, uma onda de 50 bilhões de dólares já está se movendo em direção a empresas de tecnologia para construção globalmente. Quem chegou antes, com produto e base de dados, tem vantagem que dinheiro novo não compra rapidamente.

    Essa decisão vai além do produto. Ela define o tipo de empresa que você quer construir. Enquanto uma ferramenta resolve um problema, um ecossistema resolve um setor. A diferença é a escala do impacto e, consequentemente, a escala da responsabilidade. Quando você decide desafiar algo maior do que o problema que já resolveu, você aceita que vai errar mais, demorar mais e se explicar mais vezes sobre por que está recomeçando enquanto o produto anterior ainda funciona. Os fundadores que mais respeitei ao longo da minha trajetória fizeram exatamente isso. Não esperaram o mercado os forçar a mudar, mudaram eles o mercado que muitas vezes ajudaram a construir, e usaram o que tinham como piso e não como teto.

    A atitude de que mais me orgulho em toda a jornada empreendedora foi enxergar quando o produto que nos trouxe até aqui havia cumprido seu papel, e ter a coragem de usá-lo como base para o próximo salto. No setor de construção civil, que por décadas se acostumou a esperar que a tecnologia chegasse pronta de outros setores, as empresas que vão definir o próximo ciclo são as que estão construindo essa tecnologia de dentro, com dados de obra validados, com contexto de canteiro, com a paciência de quem sabe que transformações estruturais não acontecem em um quarter.

    WeCodeTheFuture traduz o compromisso com a pergunta que define toda empresa de tecnologia: o que você está construindo agora que será capaz de ampliar o seu legado? Codificar a rotina de quem constrói significa liberar as equipes do trabalho repetitivo para que se dediquem ao que exige raciocínio, experiência e decisão. Se você não tem uma resposta para isso, agora sabe que alguém já está trabalhando nela.

    Diego Mendes é CEO e fundador da ConstruCode, construtech brasileira focada em gestão de projetos e obras na construção civil. Engenheiro civil e especialista em transformação digital do setor, fundou a empresa em 2018 após identificar uma dor recorrente no mercado: a ineficiência na gestão de documentação, tarefas e comunicação nas obras. A plataforma está presente em mais de 6 mil empreendimentos no Brasil e foi eleita TOP 1 Construtech pelo Ranking Open 100 Startups por cinco anos seguidos, de 2021 a 2025.