Tag: Estados Unidos

  • Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Governo federal classifica como arbitrária e injustificada a sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros e anuncia que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

    O governo brasileiro rechaçou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação 301, relativa à proibição de importação relacionada ao trabalho forçado, e afirmou que irá acionar a Lei da Reciprocidade.

    “Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira, 23, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

    Para a União, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) optou por manipular temas caros aos direitos humanos. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

    Segundo a Secom, ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho prestou explicações e apresentou documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Destacou ainda que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado”.

    “Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.” A nota destaca ainda que o Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado, e os Estados Unidos só ratificaram um desses instrumentos.

    O governo lembra ainda que os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

    “Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de ‘Lista Suja’ de empregadores”, diz a nota.

  • Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Nova taxação atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, enquanto mais de 2 mil produtos foram isentos; governo federal ainda avalia medidas de resposta

    Entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxação foi justificada pelo governo americano como uma “punição” por práticas comerciais consideradas desleais após uma investigação que envolveu temas díspares como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques registrados em 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela medida cai para 15% das vendas aos Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões.

    Isso porque junto com o anúncio da nova tarifa veio também uma grande lista de exceções. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da sobretaxa de 25%. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou a isenção afirmando que tais insumos são matérias-primas que poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa. Dentre os produtos que ficaram de fora estão café, suco de laranja e carne bovina.

    O governo brasileiro considerou a taxação injustificável do ponto de vista técnico, uma vez que os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil. Mas especialistas consideram improvável que haja uma retaliação na mesma moeda, com o Brasil sobretaxando produtos americanos.

    Nesta terça-feira, 21, após reuniões com o setor privado afetado pela tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas. Ele foi indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores se posicionarem contra a aplicação da lei.

    “Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade (pelo Congresso). É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim. A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin. “A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada’”, continuou.

    O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não há prazo para anunciar as medidas em resposta à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Não tem prazo. Nós estamos colhendo as informações, colhendo os dados”, afirmou o ministro.

    “Continuar negociando, essa é a orientação e, mais do que isso, continuar dialogando aqui internamente com o setor produtivo de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida”, disse. E prosseguiu: “Mas o fato de ser injusta, descabida, indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro, o nosso setor produtivo, e, ao mesmo tempo, tentar reverter a decisão”.

  • Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Empresas norte-americanas enviaram manifestações ao governo dos Estados Unidos contra proposta de taxação e alertaram para impactos em custos, cadeias de suprimentos e produção interna

    As multinacionais norte-americanas Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

    As empresas enviaram contribuições ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) durante o período de consulta pública, encerrado em 1 de julho, pedindo mudanças na medida anunciada pelo governo de Donald Trump.

    A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite aos Estados Unidos impor tarifas sobre produtos de países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem o comércio americano.

    O governo Trump justificou a iniciativa alegando preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

    Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as empresas argumentam que a taxação pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias globais de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes dos próprios Estados Unidos.

    Coca-Cola pede isenção para insumos brasileiros

    A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção prevista para insumos de laranja importados do Brasil e inclua tratamento semelhante para derivados de limão utilizados na produção de bebidas.

    Segundo a empresa, a substituição dos fornecedores brasileiros não seria imediata e exigiria novos processos de certificação, testes de segurança alimentar e validação de produtos, elevando os custos da operação.

    A companhia também destacou a redução da produção de laranjas nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, afetada por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. Para a empresa, o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir a demanda da indústria americana.

    Tesla cita dependência da cadeia de suprimentos

    A Tesla afirmou apoiar medidas voltadas ao fortalecimento da indústria americana, mas ressaltou que a transição para uma cadeia de suprimentos totalmente nacional levará tempo.

    A montadora argumentou que determinados componentes e matérias-primas ainda dependem de fornecedores brasileiros e pediu que esses produtos sejam excluídos da lista de itens sujeitos à tarifa.

    Segundo a empresa, impor restrições antes que existam alternativas viáveis no mercado interno pode gerar impactos negativos para fabricantes e consumidores dos Estados Unidos.

    eBay pede exclusão de produtos usados

    O eBay defendeu que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam excluídos da nova tarifa.

    Para a plataforma de comércio eletrônico, a taxação sobre bens revendidos não afeta os fabricantes investigados nem contribui para corrigir eventuais distorções comerciais.

    A empresa argumenta que a medida penaliza apenas revendedores e consumidores, além de estimular a compra de produtos novos, contrariando o objetivo da política comercial proposta pelo governo americano.

     

  • Trump diz que vai prorrogar cessar-fogo com Irã até conclusão das negociações

    Trump diz que vai prorrogar cessar-fogo com Irã até conclusão das negociações

    Presidente dos Estados Unidos afirmou que manterá a trégua temporária enquanto aguarda proposta iraniana, mas seguirá com o bloqueio no Estreito de Ormuz e nos portos do país

    O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça, 21, que está estendendo o cessar-fogo com o Irã até que uma proposta seja submetida pelos país persa e as discussões sejam concluídas “de uma forma ou de outra”.

    Em post na Truth Social, o republicano disse que a decisão de suspender os ataques veio a pedido do marechal de campo paquistanês, Asim Munir, e do primeiro-ministro Shehbaz Sharif, até a apresentação de uma proposta unificada.

    Segundo Trump, o exército americano continuará o bloqueio no Estreito de Ormuz e nos portos iranianos. A ação tem sido considerada um “ato de guerra” que viola o cessar-fogo por parte do Irã.

    Premiê do Paquistão agradece Trump

    O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter aceitado o pedido de estender o cessar-fogo com o Irã a fim de permitir mais tempo para a realização de negociações diplomáticas.

    Em postagem no X, Sharif afirmou esperar que “ambos os lados continuem a observar o cessar-fogo e possam concluir um acordo abrangente de paz durante a segunda rodada de conversas programada em Islamabad para um fim permanente ao conflito”, que ainda não tem uma data definida após a desistência, pelos iranianos, de participarem das reuniões que ocorreriam nesta semana.

    Irã decide não participar da rodada de negociações

    O governo do Irã decidiu não participar da rodada de conversas diplomáticas com os Estados Unidos que ocorreriam em Islamabad, capital do Paquistão, informou a agência estatal de notícias Tasnim.

    Segundo a Tasnim, a equipe de negociadores do Irã informou ao lado americano, por meio de um intermediário paquistanês, que a decisão de não participar das reuniões é definitiva e não atualmente nenhuma perspectiva de participação dos iranianos nas negociações.

    Fontes ouvidas pela Tasnim afirmam que o Irã vê as conversas com os EUA como “perda de tempo”, uma vez que os americanos teriam violado diversos compromissos acordados durante a primeira rodada de negociações entre as partes. Dentre as violações, os iranianos citam os ataques de Israel ao Líbano mesmo após o cessar-fogo e o bloqueio a navios que entram e saem de portos iranianos por meio do Estreito de Ormuz.

    Ainda de acordo com a Tasnim, às vésperas do fim do cessar-fogo, o Irã está preparado para uma nova rodada de combate contra americanos e israelenses, tendo realizado movimentações militares e preparado uma lista de novos alvos ao longo das últimas semanas.

  • Irã confirma morte de chefe da Inteligência da Guarda Revolucionária em ataque

    Irã confirma morte de chefe da Inteligência da Guarda Revolucionária em ataque

    Majid Khademi morreu em ofensiva atribuída a EUA e Israel; conflito já deixou mais de 2 mil mortos no país

    O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira (6) a morte de Majid Khademi, chefe da Inteligência da Guarda Revolucionária, durante um ataque atribuído aos Estados Unidos e a Israel. A ofensiva, iniciada no fim de fevereiro, já provocou mais de 2 mil mortes no país, segundo autoridades iranianas.

    Em comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, a Guarda Revolucionária afirmou que Khademi morreu na madrugada após um “ataque terrorista criminoso” conduzido por forças que classificou como “sionista-estadunidenses”.

    O órgão destacou a trajetória do general, descrevendo sua atuação como “exemplar” ao longo de quase cinco décadas dedicadas à segurança e à inteligência do país. Segundo a nota, Khademi teve papel estratégico no enfrentamento a ameaças externas e na contenção de tentativas de desestabilização interna.

    Ele havia assumido o comando da Inteligência da Guarda Revolucionária em junho de 2025, após a morte de seu antecessor, Mohamad Kazemi, também atingido em ações militares recentes. O episódio ocorre em meio à intensificação do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, que já deixou, de acordo com Teerã, 2.076 mortos, incluindo 216 menores de idade.

    A Meia Lua Vermelha iraniana estima que mais de 100 mil edifícios civis foram destruídos ou danificados, sendo cerca de 40 mil apenas na capital, Teerã. Infraestruturas essenciais também foram atingidas, como aproximadamente 600 escolas e 300 centros de saúde.

    Escalada militar e impacto energético

    A tensão aumentou após Israel confirmar um ataque a uma das principais instalações petroquímicas do Irã, localizada no campo de gás South Pars, no Golfo Pérsico – o maior do mundo, compartilhado com o Catar. A estrutura é responsável por cerca de metade da produção petroquímica iraniana.

    O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou a ação como “um ataque poderoso” a um alvo estratégico. Já o porta-voz militar, Nadav Shoshani, afirmou que Teerã “não terá imunidade”, mesmo diante de negociações em curso.

    Até o momento, a Casa Branca não comentou oficialmente o ataque. Em declarações anteriores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia indicado que poderia haver retaliação caso o Irã atingisse infraestruturas energéticas na região.

    Negociações e cessar-fogo

    Em meio à escalada, países como Egito, Paquistão e Turquia articulam uma proposta de cessar-fogo de 45 dias, que incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A iniciativa busca criar espaço para negociações diplomáticas e conter o avanço do conflito.

    Apesar dos esforços, o cenário permanece instável, com risco de novos ataques e ampliação das hostilidades na região.

  • Estados Unidos dizem ter afundado navios iranianos no Golfo de Omã e ampliam ofensiva contra o Irã

    Estados Unidos dizem ter afundado navios iranianos no Golfo de Omã e ampliam ofensiva contra o Irã

    Donald Trump afirma que embarcações foram “destruídas e afundadas”, enquanto comando militar americano fala em 11 navios atingidos; Teerã reage com ameaças e denuncia ataques a alvos civis

    As Forças Armadas dos EUA informaram nesta segunda-feira, 2, que destruíram 11 navios de guerra iranianos. “Há dois dias, o regime iraniano tinha 11 navios no Golfo de Omã; hoje, não tem NENHUM”, afirmou o Comando Central dos EUA em uma publicação no X.

    A declaração surge após uma publicação do presidente Donald Trump no Truth Social na qual ele afirmou que as forças americanas “destruíram e afundaram 9 navios da Marinha iraniana”. O presidente disse que iriam “atrás do resto” e que “destruíram grande parte do quartel-general da Marinha”.

    Também na tarde desta segunda, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que 49 líderes iranianos foram mortos até agora.

    “Matar terroristas é bom para a América. 49 dos líderes mais importantes do regime iraniano – incluindo o líder supremo aiatolá Ali Khamenei – já foram eliminados da face da Terra até agora, nos ataques iniciais da Operação Epic Fury“, disse Karoline em publicação no X.

    Segundo o chefe do Estado-Maior americano, Dan Caine, os Estados Unidos atingiram mais de 1.250 alvos nas primeiras 48 horas do conflito contra o Irã. Os alvos incluem centros de comando e controle, locais de mísseis balísticos, navios e submarinos, bem como locais de mísseis antinavio, de acordo com dados publicados pelo comando militar americano (Centcom).

    Ameaças do Irã

    A Guarda Revolucionária iraniana disse nesta segunda, que os Estados Unidos que “não estarão a salvo em nenhum lugar do mundo”. A declaração foi dada no terceiro dia de uma guerra na qual foi morto o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

    A Força Quds, unidade de elite militar encarregada das operações exteriores, advertiu, em um comunicado difundido pela TV estatal que não descansará “até que o inimigo seja derrotado” e que “não estarão mais a salvo em nenhum lugar do mundo, nem mesmo em seus próprios lares”.

    Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não permanecerá “em silêncio” após denunciar “ataques” contra uma escola e um hospital, atribuídos a bombardeios israelenses-americanos.

    “Os ataques contra os hospitais atentam contra a própria vida. Os ataques contra as escolas atentam contra o futuro da nação (…) O mundo deve condenar esses atos”, escreveu Pezeshkian.

    “O Irã não permanecerá em silêncio e não cederá diante desses crimes“, acrescentou. O Irã afirma que um bombardeio no sábado deixou 168 mortos em uma escola no sul do país, mas nem os Estados Unidos nem Israel confirmaram o ataque, que a AFP não pôde verificar por não ter acesso ao local. Em Teerã, um hospital foi danificado no domingo.

    Conflito se espalha

    Os Estados Unidos deram indícios na tarde desta segunda de que vão ampliar seu envolvimento militar na guerra contra o Irã. Na Casa Branca, o presidente Donald Trump afirmou que uma grande onda de ataques contra Teerã está por vir. Em uma entrevista separada ao jornal New York Post, o republicano também afirmou que ‘não tem medo’ de enviar soldados ao Irã.

    Em coletiva no Pentágono, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior as Forças Armadas americanas disseram que ampliarão o número de caças em atuação na Operação Fúria Épica.

    Nesta segunda, o conflito se espalhou para outros países da região depois que Israel e a milícia xiita Hezbollah, aliada de Teerã, trocaram ataques. O país persa também lançou bombardeios com drones contra alvos em diversos países da região como o Kuwait, o Catar e a Arábia Saudita.

    Ainda nesta segunda, o chefe de Segurança do Irã, Ali Larijani, afirmou que o país não negociará com os Estados Unidos.

    “Essa era a nossa chance de atacar e é o que estamos fazendo agora. Esse regime doente e sinistro. Vamos destruir a capacidade de misseis do Irã“, afirmou Trump durante uma cerimônia em homenagem aos quatro soldados americanos mortos no conflito.

    No Pentágono, Hegseth declarou que os objetivos militares americanos consistem em destruir a capacidade do Irã de lançar ataques balísticos e navais contra israelenses e ativos americanos no Oriente Médio.

    Outra meta é destruir definitivamente o programa nuclear persa. No ano passado, os EUA e Israel lançaram ataques aéreos contra centrais nucleares iranianos com o mesmo objetivo, que acabaram não sendo cumpridos.

    De quatro a cinco semanas – ou mais

    Durante a coletiva, o presidente americano classificou o Irã como “o principal patrocinador do terrorismo no mundo”. “Hoje choramos pelos quatro militares que morreram durante a ação. Em sua memória continuamos essa ação, com nossa resiliência para lidar com a ameaça desse regime“, acrescentou.

    Trump disse ainda estimar que a guerra deve durar de quatro a cinco semanas, mas afirmou que as tropas americanas têm capacidade de lutar por mais tempo. Segundo ele, o planejamento previa até quatro semanas para eliminar a liderança militar iraniana, mas o objetivo foi alcançado “em apenas uma hora”.

    Segundo o republicano, os EUA vão levar “o tempo que for necessário” para encerrar o conflito, mas que “facilmente” vencerão a guerra.

  • Sobretaxa dos EUA ameaça liderança do Brasil no maior mercado de café do mundo, alerta Cecafé

    Sobretaxa dos EUA ameaça liderança do Brasil no maior mercado de café do mundo, alerta Cecafé

    Com tarifa de 50% sobre o café brasileiro, exportadores temem perder espaço para concorrentes como México, Honduras e Colômbia; setor pede isenção urgente para evitar prejuízos.

    Por Estadão Conteúdo

    Com o tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos importados brasileiros, o Brasil corre o risco de perder espaço no maior mercado consumidor de café do mundo a partir das próximas safras e ser substituído por outros fornecedores. O alerta é do diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos.

    “O grande receio é perder o maior mercado global, onde estão as principais empresas. É um prejuízo enorme perder o acesso ao maior mercado global para seus concorrentes”, afirmou Matos, em entrevista exclusiva ao Broadcast nas Redes.

    Diante da sobretaxa que atinge o café brasileiro, outros países, como México, Honduras e Colômbia, passaram a exportar maior volume aos Estados Unidos. “Levamos muito tempo para conquistar o primeiro lugar no mercado americano.

    Com novas safras vindo e perspectiva de maior colheita em importantes players, o grande risco é o Brasil ser o maior fornecedor e depois ir para o fim da fila e perder espaço nos blends deste grande mercado, quando a produção mundial de café aumentar. “O caminho é resolver isso o mais rápido possível”, observou Matos.

    O Brasil, por sua vez, redirecionou parte do que deixou de vender aos EUA para países europeus, árabes e asiáticos, minimizando efeitos sobre a balança comercial do setor em movimento de realocação no mercado mundial.

    No acumulado de janeiro a setembro, o Brasil exportou 29,105 milhões de sacas, queda de 20,5% em relação aos nove meses de 2024, enquanto a receita gerada saltou 30%, para US$ 11,049 bilhões.

    Com a aplicação da alíquota, os Estados Unidos saíram de principal destino do café brasileiro em julho, antes da vigência da sobretaxa, para o terceiro destino em setembro, perdendo o posto de maior importador de cafés do Brasil para a Alemanha. Segundo o Cecafé, os impactos para os exportadores de café são “incalculáveis”.

    “Há um prejuízo enorme com custo de postergação de contratos e suspensão e cancelamento de contratos, por isso, não temos outra estratégia se não a isenção total aos cafés brasileiros. Se não resolvermos isso o mais rápido possível, além dos exportadores, os impactos chegarão aos produtores”, apontou o CEO do Cecafé.

    Dados do conselho apontam para queda de 52,8% nos embarques do grão ao mercado norte-americano em setembro, adquirindo 332.831 sacas. No ano passado, a exportação brasileira de café para os EUA somaram 8,1 milhões de sacas e US$ 2 bilhões, 16% de tudo que o País exportou.

    “O aumento de 40% no preço internacional do café somado à tarifa de 50% sobre o grão brasileiro inviabiliza os embarques”, apontou. O Brasil responde por 34% de tudo que os Estados Unidos consome de café. “76% dos americanos consomem café diariamente. São dois países insubstituíveis no comércio de café”, pontuou o diretor-executivo do Cecafé.

    O setor exportador defende que o café seja incluído na lista de exceções ao tarifaço. As sinalizações dos importadores é de que o produto é o item número 1 na lista, segundo Matos, para potenciais novas exceções.

    A abertura de diálogo entre os países, que começou com a conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos EUA, Donald Trump, e a missão diplomática brasileira ao governo americano, pode contribuir nesse movimento, segundo Matos. “Talvez seja factível a suspensão geral da tarifa ou a ampliação da lista. O importante é virar a página das tarifas”, defendeu o CEO do Cecafé.

    O impacto inflacionário do encarecimento do café, que registrou em agosto a maior alta no varejo americano desde 1997 nove vezes superior à média, bem como os efeitos já sentidos pelos consumidores e o fim do estoque da indústria local influenciam ainda no convencimento das autoridades e na pressão da opinião pública para isenção do café, avalia o Cecafé.

    Em paralelo, o setor busca também a diversificação de mercados. Para Matos, os movimentos de preservação de mercados consolidados, como Estados Unidos e Europa, e a abertura de novos destinos são pautas distintas que não devem se sobrepor. China e Austrália despontam entre os países em crescimento do consumo do grão brasileiro.

    Nesse cenário de escalada tarifária, estoques mundiais baixos e incertezas quanto à nova safra, os preços do grão tendem a seguir elevados no mercado internacional pelo menos até o fim do ano.

  • Nos EUA, Patricia Lelis é acusada na Justiça de ter se apropriado de R$ 3,4 milhões de imigrantes ao se passar por advogada autorizada a atuar no país

    Nos EUA, Patricia Lelis é acusada na Justiça de ter se apropriado de R$ 3,4 milhões de imigrantes ao se passar por advogada autorizada a atuar no país

    Segundo a acusação, em 22 de setembro de 2021, Lelis cobrou US$ 270 mil (R$ 1,32 milhão) de uma vítima para supostamente ajudar a pessoa a conseguir um visto para os parentes. O visto em questão é um que permite residência para estrangeiros nos EUA que façam grandes investimentos que gerem empregos no país.

    A Justiça dos Estados Unidos acusou formalmente a brasileira Patricia Lelis, de 29 anos, de ter se passado por uma advogada especializada em imigração e ter cometido uma fraude de US$ 700 mil (R$ 3,4 milhões). Um comunicado com a acusação foi publicado na sexta-feira (12).

    Lelis vive na cidade de Arlington, no estado da Virginia. Ela confirou na rede social X que é procurada pelas autoridades.

    Em 2016, Lelis acusou o deputado Marco Feliciano (PL-SP) de estupro, mas o caso foi encerrado porque a polícia concluiu que não havia elementos que corroboravam com a acusação, e ela virou ré em uma acusação de tentativa de extorsão de um assessor do deputado. Em 2018, ela concorreu ao cargo de deputada federal. Ela também se envolveu em polêmicas nas redes sociais com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois disso, ela se mudou para os EUA.

    Acusação nos EUA
    Segundo a acusação, em 22 de setembro de 2021, Lelis cobrou US$ 270 mil (R$ 1,32 milhão) de uma vítima para supostamente ajudar a pessoa a conseguir um visto para os parentes.

    O visto em questão é um que permite residência para estrangeiros nos EUA que façam grandes investimentos que gerem empregos no país.

    Ainda segundo a acusação, Patricia Lelis inicialmente colocou o dinheiro em sua própria conta bancária. Depois disso, ela usou para pagar a residência, reformar o banheiro e quitar as dívidas do cartão de crédito.

    Segundo o texto do Ministério Público da Virginia, ela mostrou um documento falso para a vítima que mostrava que ela poderia exercer advocacia nos EUA.

    Ela ainda é acusada de ter falsificado formulários de imigração, ter criado recibos falsos de um projeto de investimentos no estado do Texas e ter criado perfis falsos de pessoas que seriam ligados a um fundo de investimento.

    De acordo com a acusação, ela pediu para que amigos delas se passassem por funcionários desse fundo de investimentos em telefonemas e chamadas de vídeo com as vítimas do esquema.

    Se for considerada culpada, ela pode ser condenada a uma pena de até 20 anos de prisão.

    Até a sexta-feira (12) ela ainda estava em liberdade nos EUA.

    Na rede social X ela afirmou que ela está sofrendo perseguição e não aceitou que a fizessem de bode expiatório e quis mostrar o lado dela da historia e garantir sua segurança. Ela ainda publicou uma frase xingando os EUA e que ela iria “curtir uma praia bem tranquila”.

  • Wassef confirma viagem aos EUA para comprar Rolex e devolver à União, mas nega ter feito ‘operação de resgate’ a mando de assessor de Bolsonaro

    Wassef confirma viagem aos EUA para comprar Rolex e devolver à União, mas nega ter feito ‘operação de resgate’ a mando de assessor de Bolsonaro

    A compra, segundo o advogado, foi feita em espécie, com dinheiro dele e foi declarada à Receita Federal para atender a um pedido do TCU.

    O advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Frederick Wassef, afirmou nesta terça-feira (15) que viajou aos Estados Unidos e comprou um relógio Rolex em 14 de março deste ano como “presente ao governo brasileiro”. Wassef, no entanto, negou ter participado de uma “operação de resgate” da joia a mando do ex-assessor de Bolsonaro. Wassef deu entrevista coletiva na capital paulista para dar a sua versão do caso.

    O relógio de luxo da marca Rolex foi um presente de autoridades sauditas a Jair Bolsonaro durante uma viagem oficial do então presidente da República em 2019 à Arábia Saudita e ao Catar. O item foi levado para os Estados Unidos – para onde Bolsonaro viajou às vésperas de deixar a Presidência – e lá foi vendido, segundo a Polícia Federal (PF), ilegalmente, pelo então ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid.

    Em 15 de março, o TCU definiu prazo de cinco dias úteis para que Bolsonaro entregasse ao tribunal um kit com joias suíças da marca Chopard, em ouro branco, recebidas como presente do governo da Arábia Saudita em viagem oficial de 2019. A joia foi devolvida.

    Na entrevista desta terça, Wassef disse que a viagem que ele fez aos EUA já estava marcada antes de ele ter comprado o relógio e que a ida ao país teria “fins pessoais”. A compra da joia, segundo o advogado, foi feita com dinheiro dele, “do meu banco”. Ele, contudo, não deixou claro se o modelo era o mesmo que foi vendido por Cid: “E se esse relógio for outro?”

    “Usei do meu dinheiro para pagar o relógio. O meu objetivo quando comprei o relógio era cumprir decisão do Tribunal de Contas da União (TCU)”, disse. Wassef não deu detalhes. Segundo ele, a compra foi declarada à Receita Federal.

    “O governo do Brasil me deve R$ 300 mil”, afirmou Wassef, enquanto mostrou um recibo de compra no valor de US$ 49 mil. “Eu fiz o relógio chegar ao governo”, afirmou o advogado sem, no entanto, explicar o caminho feito pela joia para retornar ao país.

    Ainda, ele não disse quem o avisou sobre o relógio, mas afirmou que não foi um pedido que tenha partido de Bolsonaro ou de Cid.

    “A história que assessores me escalaram é falsa”, disse Wassef, que negou ter amizade com Cid, afirmando ter com o ex-assessor de Bolsonaro “uma relação muito formal”.

    O relógio, segundo ele, foi pago em espécie e por dois motivos: por ser uma forma de registrar quem fez a compra, seguindo legislação dos EUA, e para conseguir “desconto”. “Consegui US$ 11 mil dólares [de desconto]. Se eu compro com cartão de crédito, pago no Brasil com 5% de IOF”, ressaltou.

    A PF está analisando o material apreendido na operação de 11 de agosto, que investiga indícios de venda ilegal de presentes de alto valor entregues ao governo Bolsonaro. A quebra do sigilo bancário do ex-presidente e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro foi pedida ao Supremo Tribunal Federal (STF).

    Wassef convocou os jornalistas para uma entrevista coletiva nesta terça por dizer querer se posicionar “ao vivo” para não sofrer com “cortes da edição”. Dividiu a coletiva em duas partes.

    Na primeira, negou ter qualquer conhecimento sobre joias recebidas pelo governo Bolsonaro até o início deste ano. Na segunda parte da coletiva, entrou no tema da viagem dos Estados Unidos. Disse que queria passar férias, não fazer um “resgate” de seu cliente Bolsonaro. Contou que comprou o relógio em dinheiro vivo para devolver à União. “Não foi Jair Bolsonaro que me pediu. O dinheiro usado para a compra é lícito.”

    Investigação sobre o Rolex
    Para a jornalista Andreia Sadi, na segunda (14), Wassef havia divulgado uma nota em que afirmou que “jamais neguei a compra ou afirmei que comprei”.

    “Nada. Nunca vi esse relógio. Nunca vi joia nenhuma (…) Nunca na minha vida. Desafio a provarem isso. Falo e garanto”, afirmou Wassef na noite do domingo (13).

    Porém, conforme mostrou o blog de Valdo Cruz na segunda (14), o nome de Wassef aparece no recibo da recompra de um relógio Rolex nos Estados Unidos. A Polícia Federal acredita que o recibo é uma “prova contundente” contra o advogado e vai chamá-lo para depor. A PF também vai investigar quem deu o dinheiro para que ele recomprasse o presente dado ao ex-presidente. Além disso, quer saber como ele recebeu os valores, se foi em espécie ou transferência bancária.

    Nesta investigação, a PF vai ter a colaboração das autoridades dos Estados Unidos, o que vai facilitar levantar de quanto foi a venda e a recompra, em valor maior, além da forma de pagamento.

    O relógio, que vale cerca de R$ 300 mil, foi recebido de presente em 2019. Em junho de 2022, foi vendido nos Estados Unidos por Cid, segundo a PF.

    Após a existência do Rolex ser revelada, em março de 2023 assessores do ex-presidente colocaram em campo uma operação para reaver o relógio, e Wassef, segundo as investigações, viajou aos Estados Unidos para buscá-lo.

    A PF identificou diversas interações entre Wassef e Mauro Cid na época e, em 11 de março, Wassef embarcou para os Estados Unidos.

    Em 14 de março, os dois conversaram novamente por WhatsApp. Cid perguntou: “E aí?” “Toquei solo agora”, respondeu Wassef, e enviou uma foto de dentro do avião.

    Em 29 de março, segundo a PF, Wassef voltou ao Brasil com o Rolex e, em 2 de abril, entregou o relógio para Mauro Cid em São Paulo. Dois dias depois, a defesa de Bolsonaro devolveu o item à União.

    “Uma coisa é a viagem que fiz para os EUA. Outra coisa é me acusar de organização criminosa e esquema de joia. É uma armação”, diz Wassef ao blog.
    Wassef diz ter tido poucos contatos com Mauro Cid e que não tem relação ou amizade com o assessor de Bolsonaro.

    “Nunca tomei choppinho. Zero. Era absolutamrnte formal. Conto na mão as vezes que falei com ele”, afirma. “Zero de qualquer outro tema ou assunto.”
    Wassef também disse ao blog que não coloca a mão no fogo por ninguém, “[só] pela minha mãe”. Porém, destacou que a chance de Bolsonaro receber a joia é zero, e que não sabe responder se alguém faria tamanha operação sem consentimento do presidente.

    O advogado afirma que só tomou conhecimento das joias no início deste ano, após ser procurado pela imprensa. “

    “Eu disse que não sabia de nada, mas que eu ia ligar para Bolsonaro e retornava. Liguei, o presidente me disse: Fred, pode fazer uma nota, você vai ser o meu advogado nesse caso e falar em meu nome. E fizemos uma ligação: eu, Bolsonaro e Fabio Wajgarten, e Bolsonaro deu uma ordem: é o Fred, faça a nota e publique. Antes disso, não é que eu nunca vi nenhuma joia, nenhum presente”.

    Operação resgate
    O relatório da Polícia Federal na investigação sobre a venda ilegal de presentes oficiais dados à Presidência da República mostra que o advogado de Jair Bolsonaro Frederick Wassef e o ex-ajudante de ordens Mauro Barbosa Cid empreenderam uma “operação de resgate” para devolver joias, já vendidas, ao Tribunal de Contas da União (TCU).

    Em 15 de março, o TCU definiu prazo de cinco dias úteis para que Bolsonaro entregasse ao tribunal um kit com joias suíças da marca Chopard, em ouro branco, recebidas como presente do governo da Arábia Saudita em viagem oficial de 2019.

    A entrega ao TCU era necessária porque itens de alto valor recebidos como presente oficial devem integrar o acervo da Presidência da República, ou seja, não são de titularidade do presidente que recebe.

    Esses itens, segundo a investigação, já tinham sido vendidos em duas lojas diferentes nos Estados Unidos.

    Segundo a PF, a “operação de resgate” foi dividida em duas etapas:

    o relógio Rolex Day-Date, vendido para a empresa Precision Watches, foi recuperado por Frederick Wassef em 14 de março, véspera da decisão do TCU, e “repatriado” em 29 de março;
    o restante das joias foi recuperado por Mauro Barbosa Cid em 27 de março, em uma loja em Miami.
    Ainda segundo a PF, as duas partes do kit foram entregues a Osmar Crivelatti, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e tenente do Exército. Crivelatti também foi alvo da operação desta sexta-feira (11).

    O kit foi entregue pela defesa de Jair Bolsonaro em uma agência bancária em Brasília, no dia 4 de abril.

    O que diz Bolsonaro
    Confira o que a defesa de Bolsonaro disse após a operação da PF, na sexta-feira (11):

    “Sobre os fatos ventilados na data de hoje nos veículos de imprensa nacional, a defesa do Presidente Jair Bolsonaro voluntariamente e sem que houvesse sido instada, peticionou junto ao TCU — ainda em meados de março, p.p. —, requerendo o depósito dos itens naquela Corte, até final decisão sobre seu tratamento, o que de fato foi feito.

    O Presidente Bolsonaro reitera que jamais apropriou-se ou desviou quaisquer bens públicos, colocando à disposição do Poder Judiciário sua movimentação bancária.”

    Confira a manifestação de Frederick Wassef sobre o caso, no domingo (13):

    “Como advogado de Jair Messias Bolsonaro, venho informar que, mais uma vez, estou sofrendo uma campanha de fake news e mentiras de todos os tipos, além de informações contraditórias e fora de contexto. Fui acusado falsamente de ter um papel central em um suposto esquema de vendas de joias. Isso é calúnia que venho sofrendo e pura mentira. Total armação.

    A primeira vez que tomei conhecimento da existência das joias foi no início deste ano de 2023 pela imprensa. Quando liguei para Jair Bolsonaro, ele me autorizou, como seu advogado, a dar entrevistas e fazer uma nota à imprensa. Antes disso, jamais soube da existência de joias ou quaisquer outros presentes recebidos. Nunca vendi nenhuma joia, ofereci ou tive posse. Nunca participei de nenhuma tratativa, nem auxiliei nenhuma venda, nem de forma direta nem indireta. Jamais participei ou ajudei de qualquer forma qualquer pessoa a realizar nenhuma negociação ou venda.

    A Polícia Federal efetuou busca em minha residência no Morumbi, em São Paulo, e não encontrou nada de irregular ou ilegal, não tendo apreendido nenhum objeto, joias ou dinheiro. Fui exposto em toda televisão com graves mentiras e calúnias.”

  • Corpo de brasileiro morto a tiros após brincar com cachorro nos EUA em junho ainda não foi liberado: ‘Só quero enterrar meu filho’, diz mãe

    Corpo de brasileiro morto a tiros após brincar com cachorro nos EUA em junho ainda não foi liberado: ‘Só quero enterrar meu filho’, diz mãe

    Brasileiro era da Zona Leste de São Paulo e morava havia 5 anos nos Estados Unidos; jovem morreu no dia 21 de junho em Oakland, Califórnia, enquanto entregava flores.

    O corpo do brasileiro Matheus Gaidos, de 27 anos e que foi morto a tiros após brincar com o cachorro de um homem no dia 21 de junho, na Califórnia, Estados Unidos, não passou por autópsia e, por conta disso, ainda não pode ser liberado para o translado.

    Ao g1, a mãe de Matheus, Isabel Martines, relatou sobre os momentos de aflição da família pela espera para enterrar o filho na capital paulista.

    “Quando fiquei sabendo da morte do meu filho, eu comprei passagem no mesmo momento e fui para Oakland, onde foi o crime. Só que nem me deixaram ver o corpo, porque ele já tinha sido reconhecido e não precisavam que eu reconhecesse. Eu não o vi. Agora, eu só quero poder enterrar meu filho e que os responsáveis por essa crueldade sejam presos”, afirmou nesta segunda-feira (3).

    Matheus morava nos Estados Unidos havia cinco anos e estava morando em São Francisco. Segundo a mãe, ele resolveu se mudar de São Paulo para conseguir uma melhor condição de vida.

    “Sempre moramos na Zona Leste e ele queria poder ter uma condição de ganhar melhor. Então, ele foi primeiro para a Austrália. Depois, resolveu ir para os Estados Unidos. Trabalhou como motorista por aplicativo e havia cerca de um ano estava como entregador de flores. Todo ano eu o visitava, mas este ano eu não consegui. Mas ele estava programando vir para São Paulo em agosto. Não deu tempo”, contou.

    Conforme a mãe, amigos contaram que Matheus estava realizando uma entrega de flores na cidade vizinha, Oakland, no dia 21 de junho. Era a última entrega antes de retornar para a casa.

    “Enquanto aguardava a pessoa para entregar, ele se conectou a um jogo online. Foi neste momento que houve o assassinato e os amigos ouviram. Disseram que ouviram Matheus elogiar o cachorro. Nisso, o homem atirou”, diz Isabel.

    “O meu filho era uma pessoa incrível. Tirava a roupa do corpo para ajudar as pessoas. Tinha muito, mas muitos amigos. Era muito inteligente, sempre tinha uma palavra amiga para amenizar e ajudar a todos. Estou dilacerada com a crueldade que fizeram com ele. Se briga, morre, mas se elogia, também?”.

    Uma câmera de segurança registrou o momento em que Matheus encontrou o homem que passeava com dois cachorros. O vídeo divulgado pela imprensa dos EUA mostra uma breve discussão entre os dois momentos antes do dono dos animais atirar.

    “O homem também estava acompanhado de uma mulher, que não fez nada. Nem socorreram meu filho. Ela foi cúmplice do crime”, diz a mãe.

    Matheus foi levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. “A polícia disse que está analisando o vídeo e divulgou a foto do homem. Estão oferecendo recompensa para quem denunciar o local. Eu vou acompanhar todo o processo para que a Justiça seja feita e prendam os responsáveis”.

    Isabel conta que terá apoio do governo da Califórnia e da empresa que trabalha para o translado.

    “Fizemos missa de sétimo dia, mas é tão estranho não ter velado e enterrado o corpo ainda. Ele era meu parceiro. Tínhamos um ao outro. Minha vida era para o Matheus”.