Tag: Eleições

  • Urna não é arquibancada

    Urna não é arquibancada

    Em artigo, Janguiê Diniz reflete sobre os riscos da “futebolização” da política e defende um voto mais consciente, crítico e responsável em ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais

    Coluna Janguiê Diniz

    Janguiê Diniz – Fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group; diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES); secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular

    Em ano de Copa do Mundo e de eleições presidenciais, é inevitável que dois dos temas mais comentados pelos brasileiros ocupem espaço nas conversas, nas redes sociais e nos meios de comunicação. Embora ambos despertem interesse coletivo e mobilizem milhões de pessoas, existe uma diferença fundamental entre eles: enquanto o futebol é movido pela paixão, pela emoção e pela torcida, a política deveria ser guiada pela razão, pela análise e pela responsabilidade.

    Torcer por uma seleção é um exercício legítimo de emoção. O futebol faz parte da cultura brasileira e desperta sentimentos intensos de pertencimento, identidade e entusiasmo. Durante uma Copa do Mundo, é natural que as pessoas defendam seu time, celebrem vitórias, lamentem derrotas e vivam intensamente cada partida. Nesse contexto, a paixão faz parte do espetáculo. Já as eleições seguem uma lógica completamente diferente. Quando um cidadão escolhe um presidente, um governador, um senador ou um deputado, não está escolhendo um time para torcer durante uma temporada. Está ajudando a definir os rumos do país, da economia, da educação, da saúde, da segurança pública e de inúmeras outras áreas que impactam diretamente a vida de milhões de pessoas.

    Apesar disso, o que se observa cada vez mais é uma espécie de “futebolização” da política. Candidatos passam a ser tratados como ídolos intocáveis. Adversários são vistos como inimigos. O debate de ideias dá lugar aos confrontos emocionais. A análise racional é substituída por slogans, memes e ataques pessoais. Em vez de eleitores, surgem torcedores. Essa transformação é preocupante porque o fanatismo raramente convive bem com o pensamento crítico. O torcedor costuma defender seu time independentemente do desempenho em campo. O eleitor, por outro lado, deveria ser capaz de avaliar, questionar, concordar em alguns pontos e discordar em outros. A democracia saudável depende justamente dessa capacidade de reflexão.

    Quando a política se transforma em torcida organizada, perde-se algo essencial: a disposição para ouvir. O diálogo se torna impossível. Cada grupo passa a consumir apenas informações que confirmam suas próprias crenças. O adversário deixa de ser alguém que pensa diferente e passa a ser tratado como alguém que precisa ser derrotado a qualquer custo. Esse comportamento enfraquece o debate público e empobrece a democracia. Afinal, nenhum candidato é perfeito, assim como nenhum projeto político está livre de falhas. A maturidade democrática exige reconhecer virtudes e limitações em todos os lados. Exige compreender que governantes são servidores públicos, não celebridades ou líderes infalíveis.

    Por isso, uma eleição presidencial exige um nível de responsabilidade muito maior do que uma simples preferência emocional. Antes de votar, é importante analisar a trajetória dos candidatos, sua experiência administrativa, sua capacidade de liderança, suas propostas, suas equipes e sua visão para o futuro do país. É preciso observar o histórico de realizações, a coerência entre discurso e prática e a viabilidade das promessas apresentadas.

    Mais do que escolher uma pessoa, o eleitor escolhe um projeto de poder e uma direção para a nação. Cada candidatura representa prioridades diferentes, estratégias distintas e formas particulares de enfrentar os desafios nacionais. Algumas propostas podem privilegiar determinadas áreas; outras podem adotar caminhos alternativos. Cabe ao cidadão avaliar essas diferenças com atenção e decidir, de forma consciente, qual projeto considera mais adequado para o futuro do país. A boa política não nasce da paixão cega, mas da participação consciente. Ela exige informação, reflexão e disposição para analisar fatos. Isso não significa abandonar convicções ou valores pessoais. Pelo contrário. Significa fundamentar essas convicções em argumentos sólidos e em uma avaliação responsável da realidade.

    Também é importante compreender que o resultado de uma eleição não encerra a responsabilidade do cidadão. A democracia não termina na urna. Governantes devem ser acompanhados, fiscalizados e cobrados durante todo o mandato. Quem vota de forma consciente também exerce cidadania de forma contínua.

    Em tempos de polarização intensa, talvez seja necessário resgatar uma verdade simples: candidatos não são times de futebol. Eles não precisam de torcedores incondicionais. Precisam de cidadãos atentos, críticos e participativos. O Brasil não ganha quando um lado humilha o outro. Ganha quando a população faz escolhas informadas e mantém a capacidade de diálogo, mesmo diante das divergências.

    Neste ano em que Copa do Mundo e eleições dividem as atenções dos brasileiros, vale lembrar que a arquibancada é o lugar da paixão. A cabine de votação, por sua vez, deve ser o espaço da consciência. Porque, enquanto um resultado esportivo produz alegrias ou frustrações passageiras, uma eleição tem o poder de influenciar o destino de uma nação por muitos anos. E o futuro de um país é importante demais para ser decidido como se fosse uma partida de futebol.

  • Mendonça Filho se filia ao PL e reforça posição de oposição ao PT

    Mendonça Filho se filia ao PL e reforça posição de oposição ao PT

    Deputado federal deixa o União Brasil após décadas e oficializa nova fase política ao lado de Flávio Bolsonaro, em Brasília

    O deputado federal Mendonça Filho oficializou, nesta quarta-feira (1), sua filiação ao Partido Liberal (PL), em Brasília, ao lado do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. A mudança marca a saída do parlamentar do União Brasil após mais de quatro décadas na legenda e reforça seu posicionamento como opositor ao governo federal.

    A filiação ocorreu na sede nacional do partido e contou ainda com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho e do presidente estadual da sigla em Pernambuco, Anderson Ferreira.

    Ao anunciar a mudança, Mendonça afirmou que inicia um novo ciclo político, mantendo uma linha de atuação crítica ao PT.

    “Sigo como uma voz de oposição ao PT e defendendo o funcionamento das instituições democráticas, com a separação de poderes respeitando a Constituição Federal”, declarou.

    Durante o ato, Mendonça destacou que pretende contribuir com um projeto de país baseado em crescimento econômico, responsabilidade fiscal e melhoria dos serviços públicos, com foco em áreas como educação e segurança.

    “Trago minha experiência na gestão pública e no Legislativo para somar na construção de soluções que impulsionem o desenvolvimento econômico e melhorem a vida das pessoas”, afirmou.

    O movimento já vinha sendo construído nas últimas semanas e atende a uma estratégia eleitoral. O PL buscava reforçar seus quadros em Pernambuco, enquanto Mendonça avaliava melhores condições para disputar a reeleição como deputado federal.

    Saída do União Brasil

    A saída de Mendonça Filho do União Brasil ocorre após um período de desgaste interno que se intensificou desde a fusão entre DEM e PSL, que deu origem à legenda. A formação recente da federação entre União Brasil e PP também contribuiu para a decisão.

    Nos bastidores, o deputado vinha apontando perda de identidade partidária e divergências internas como fatores determinantes para a mudança. Com isso, encerra uma trajetória iniciada ainda no PFL, partido que posteriormente se tornou Democratas e, mais recentemente, União Brasil.

    No União Brasil, as divergências já se arrastavam há alguns anos, com o partido rachado entre o grupo político de Mendonça e o grupo dos Coelho, que terminou ficando com a presidência estadual da legenda em Pernambuco.

    Impacto na disputa eleitoral em Pernambuco

    A mudança ocorre em meio à reorganização das forças políticas no Estado para as eleições de 2026 e pode influenciar o campo da direita em Pernambuco.

    Diferente de 2022, a direita não conta com candidato para o Governo do Estado, mas setores já estudam o apoio à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), especialmente após a confirmação do apoio do Partido dos Trabalhadores à chapa liderada pelo prefeito do Recife João Campos (PSB).

    Agora no PL, Mendonça deverá manter o apoio à governadora, aproximando o partido da chapa liderada pela chefe do Executivo estadual. 

  • Nunes e Boulos investem alto nas redes sociais para barrar Marçal na reta final sem cobertura televisiva Candidatos intensificam estratégias digitais em um cenário de competição acirrada, buscando conquistar eleitores em meio à ausência de apoio na TV

    Nunes e Boulos investem alto nas redes sociais para barrar Marçal na reta final sem cobertura televisiva Candidatos intensificam estratégias digitais em um cenário de competição acirrada, buscando conquistar eleitores em meio à ausência de apoio na TV

    Desde 2018, as redes sociais emergiram como um dos principais espaços de comunicação e informação no cenário eleitoral brasileiro. Com o aumento do acesso à internet, tanto eleitores quanto candidatos passaram a usar essas plataformas como ferramentas essenciais para engajamento e estratégia. Atualmente, é comum que os candidatos sigam automaticamente aqueles com os quais se identificam, buscando informações e interagindo nas redes para fundamentar suas decisões de voto.

    Esse crescimento digital transformou a internet em um verdadeiro palco político, substituindo práticas tradicionais como campanhas em quadrinhos e eventos presenciais. As pessoas consomem informações não apenas dos candidatos, mas também de seus apoiadores, que compartilham conteúdo relacionado às campanhas. Nesse novo ambiente, quem domina as redes sociais leva vantagem. Um exemplo notável é Pablo Marçal, que, mesmo sem o suporte da política tradicional (como tempo de TV ou fundo eleitoral), destaca-se nas redes e se coloca como um forte concorrente na disputa pelo segundo turno.

    “Com a recente queda da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, as campanhas passaram a intensificar suas estratégias digitais. Candidatos como Ricardo Nunes, que busca se firmar como representante da direita, e Guilherme Boulos, que se posiciona na esquerda, mudaram suas abordagens online após o debate da Band. Nunes associa-se a figuras como o governador Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro, enquanto Boulos utiliza suas redes para reafirmar sua trajetória e atrair o eleitorado de esquerda. Ambos reconhecem que, na reta final, a batalha nas redes sociais se torna crucial para alcançar e mobilizar seus apoiadores” relata o cientista político Elias Tavares. 

    O investimento financeiro em impulsionamento nas redes sociais é um fator determinante nos resultados eleitorais. Até o momento, os gastos com impulsionamento no Facebook somam impressionantes R$ 81.937.399,18, e esse valor não reflete o total, pois muitas campanhas contratam agências para otimizar seus conteúdos. Esse impulso é vital em um cenário político cada vez mais segmentado, permitindo que candidatos direcionem mensagens específicas a diferentes grupos de eleitores. Com empresas como Google e YouTube optando por não permitir o impulsionamento de conteúdo político, o Meta se tornou o principal campo de batalha digital.

    “Entretanto, a polarização política nas redes sociais também traz desafios. Esse ambiente segmentado amplifica a visão extremada dos candidatos, dificultando o debate sobre propostas concretas. Assim, Boulos se posiciona na extrema esquerda, enquanto Nunes busca consolidar sua imagem no centro-direita. Essa polarização, embora mobilize apoiadores fervorosos, prejudica a qualidade do debate público, limitando a discussão a questões simplificadas” explica Elias. 

    A dependência das redes sociais nas campanhas eleitorais gera consequências significativas para a democracia. Por um lado, democratiza o acesso à informação, permitindo que vozes antes marginalizadas participem do debate político. Por outro, os riscos são palpáveis: a disseminação de fake news e discursos de ódio, além da influência do poder econômico, que favorece quem tem mais recursos para investir em publicidade. 

    “Contudo, com a crescente importância das redes sociais, a tendência é que esses espaços ganhem ainda mais relevância nas campanhas futuras. No entanto, será necessário um esforço conjunto para regulamentar esses ambientes, garantindo um debate político mais saudável e equilibrado” conclui Elias.

     

    Elias Tavares

    Cientista Político 

    Insta: @elias_et

    Carol Freitas Assessoria
    11981106493
    [email protected]
  • Fortalecimento do Centro Político na Europa: Resultados Eleitorais no Reino Unido e França Indicam Mudança

    Fortalecimento do Centro Político na Europa: Resultados Eleitorais no Reino Unido e França Indicam Mudança

    Análises apontam para maior estabilidade democrática e afastamento dos extremos ideológicos.

    Uma boa notícia em matéria de política é o anúncio, por analistas de política internacional, de que os resultados, sobretudo, das últimas eleições no Reino Unido e na França, criam condições para o fortalecimento do centro político.

     Caso se concretize, a democracia se fortalece. Não se justifica essa polarização entre “esquerda e direita”, criando inclusive comportamentos patológicos, com pessoas intoxicadas por informações falsas gerando tumulto, usando palavras de baixo calão, querendo a todo custo impor as suas ideias.

    O novo primeiro-ministro do Reino Unido lidera o processo de uma nova concepção política, apoiada no equilíbrio e não nos extremos. Ele coloca a estabilidade política como chave do processo de recuperação do Reino Unido.

    Não haverá mudança nas políticas do Reino Unido em relação à sua crença na importância de um relacionamento forte com os Estados Unidos, seu papel na OTAN e seu apoio à Ucrânia. Mas mudança significa estabilidade precisamente porque os últimos anos de governo conservador foram instáveis, incluindo cinco mudanças de primeiro-ministro nos últimos nove anos.

    O Partido Trabalhista inglês foi desradicalizado pelo novo líder Keir Starmer para se tornar uma alternativa para a maioria da população. Starmer não é um líder trabalhista particularmente radical. Sob o antigo promotor público, o Partido Trabalhista se comprometeu a manter o status quo nas taxas de impostos e prometeu reduzir a migração líquida.

    No entanto, o partido apresentou uma grande visão para o futuro econômico da Grã-Bretanha: criar a Great British Energy (uma empresa pública de energia limpa), renacionalizar as ferrovias à medida que os contratos expiram e implementar uma nova estratégia industrial, para citar algumas políticas importantes.

    Essas são metas elevadas, mas não impossíveis de serem alcançadas com o mandato que o Partido Trabalhista recebeu

    Um fator que contribuirá para essa mudança é o esperado fracasso político do presidente francês Emmanuel Macron nas decisivas eleições parlamentares deste domingo, enfraquecendo-o no exterior e ofuscando seu legado, no momento em que a França se prepara para ganhar destaque global como sede das Olimpíadas de Paris.

    Seja qual for o resultado do segundo turno deste domingo, não se espera que seja uma boa notícia para Macron. A mídia francesa descreveu recentemente uma atmosfera de “fim de reinado” no palácio presidencial do Eliseu.

    Por outro lado, tudo indica que o Reagrupamento Nacional (RN), partido da líder extremista de direita Marine Le Pen, não terá a vitória esperada. Isso facilitará o reagrupamento político após a eleição e igualmente pode fortalecer uma posição de “centro”. 

    Do blog do Ney Lopes