Tag: Comércio Exterior

  • Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Brasil acionará Lei da Reciprocidade após nova tarifa dos Estados Unidos, afirma Secom

    Governo federal classifica como arbitrária e injustificada a sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros e anuncia que levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC)

    O governo brasileiro rechaçou a decisão do governo dos Estados Unidos de impor nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros em função do resultado da investigação 301, relativa à proibição de importação relacionada ao trabalho forçado, e afirmou que irá acionar a Lei da Reciprocidade.

    “Tendo em vista o caráter completamente arbitrário e injustificado das tarifas anunciadas contra o Brasil, iniciaremos imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e levaremos o tema ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, diz a nota divulgada nesta quinta-feira, 23, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

    Para a União, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) optou por manipular temas caros aos direitos humanos. “Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais.”

    Segundo a Secom, ao longo da investigação, o Ministério do Trabalho prestou explicações e apresentou documentação sobre a legislação brasileira e a atuação das autoridades aduaneiras para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado. Destacou ainda que o Brasil é reconhecido há décadas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) pelos “fortes compromissos assumidos no combate ao trabalho forçado”.

    “Somos signatários de 66 Convenções em vigor na OIT. Enquanto os Estados Unidos, que se arrogam o direito de nos julgar e de impor sanções, ratificaram apenas 10 dessas Convenções.” A nota destaca ainda que o Brasil ratificou todos os quatro instrumentos da OIT relacionados ao trabalho forçado, e os Estados Unidos só ratificaram um desses instrumentos.

    O governo lembra ainda que os acordos de livre comércio celebrados pelo Brasil e pelo Mercosul contêm compromissos de eliminação do trabalho forçado e compulsório e de aplicação efetiva dessas proibições.

    “Tipificamos como crime não apenas a submissão ao trabalho forçado, mas as jornadas exaustivas, as condições degradantes de trabalho e restrição de locomoção. Responsabilizamos as empresas e indivíduos, aplicando multas severas, e mantemos um cadastro de ‘Lista Suja’ de empregadores”, diz a nota.

  • Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor e afeta parte das exportações

    Nova taxação atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano, enquanto mais de 2 mil produtos foram isentos; governo federal ainda avalia medidas de resposta

    Entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A taxação foi justificada pelo governo americano como uma “punição” por práticas comerciais consideradas desleais após uma investigação que envolveu temas díspares como o Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.

    Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano – o equivalente a US$ 7,4 bilhões, considerando os embarques registrados em 2024. Se considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores alcançados pela medida cai para 15% das vendas aos Estados Unidos, correspondendo a US$ 5,8 bilhões.

    Isso porque junto com o anúncio da nova tarifa veio também uma grande lista de exceções. Ao todo, 2.126 produtos brasileiros ficaram de fora da sobretaxa de 25%. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou a isenção afirmando que tais insumos são matérias-primas que poderiam levar à indisponibilidade de oferta doméstica e causar “perturbações” na economia americana caso fossem submetidas à nova tarifa. Dentre os produtos que ficaram de fora estão café, suco de laranja e carne bovina.

    O governo brasileiro considerou a taxação injustificável do ponto de vista técnico, uma vez que os Estados Unidos têm superávit no comércio com o Brasil. Mas especialistas consideram improvável que haja uma retaliação na mesma moeda, com o Brasil sobretaxando produtos americanos.

    Nesta terça-feira, 21, após reuniões com o setor privado afetado pela tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que a Lei da Reciprocidade Econômica é um processo que tem etapas. Ele foi indagado por jornalistas sobre o fato de alguns dos setores se posicionarem contra a aplicação da lei.

    “Foi aprovada uma lei, a Lei da Reciprocidade, por unanimidade (pelo Congresso). É um processo que tem um conjunto de etapas, passando por audiências públicas, enfim. A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, disse Alckmin. “A reciprocidade é: ‘olha, nós estamos sendo injustiçados e nós queremos corrigir isso. Nós temos instrumentos para fazê-lo, no momento oportuno, da forma adequada’”, continuou.

    O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não há prazo para anunciar as medidas em resposta à tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. “Não tem prazo. Nós estamos colhendo as informações, colhendo os dados”, afirmou o ministro.

    “Continuar negociando, essa é a orientação e, mais do que isso, continuar dialogando aqui internamente com o setor produtivo de modo a assimilar essa decisão do governo norte-americano, que não deixa de ser injusta, indevida, descabida”, disse. E prosseguiu: “Mas o fato de ser injusta, descabida, indevida não significa que o governo brasileiro não vá adotar todas as medidas para, primeiro, socorrer quem precisa do governo brasileiro, o nosso setor produtivo, e, ao mesmo tempo, tentar reverter a decisão”.

  • Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Coca-Cola, eBay e Tesla pedem a Trump recuo em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

    Empresas norte-americanas enviaram manifestações ao governo dos Estados Unidos contra proposta de taxação e alertaram para impactos em custos, cadeias de suprimentos e produção interna

    As multinacionais norte-americanas Coca-Cola, eBay e Tesla se manifestaram contra a proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

    As empresas enviaram contribuições ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) durante o período de consulta pública, encerrado em 1 de julho, pedindo mudanças na medida anunciada pelo governo de Donald Trump.

    A proposta foi apresentada com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, que permite aos Estados Unidos impor tarifas sobre produtos de países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem o comércio americano.

    O governo Trump justificou a iniciativa alegando preocupações relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

    Nas manifestações encaminhadas ao USTR, as empresas argumentam que a taxação pode provocar aumento de custos, prejudicar cadeias globais de suprimentos e afetar consumidores e fabricantes dos próprios Estados Unidos.

    Coca-Cola pede isenção para insumos brasileiros

    A Coca-Cola solicitou que o governo americano mantenha a isenção prevista para insumos de laranja importados do Brasil e inclua tratamento semelhante para derivados de limão utilizados na produção de bebidas.

    Segundo a empresa, a substituição dos fornecedores brasileiros não seria imediata e exigiria novos processos de certificação, testes de segurança alimentar e validação de produtos, elevando os custos da operação.

    A companhia também destacou a redução da produção de laranjas nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, afetada por doenças, eventos climáticos e mudanças no uso da terra. Para a empresa, o Brasil se tornou um fornecedor essencial para suprir a demanda da indústria americana.

    Tesla cita dependência da cadeia de suprimentos

    A Tesla afirmou apoiar medidas voltadas ao fortalecimento da indústria americana, mas ressaltou que a transição para uma cadeia de suprimentos totalmente nacional levará tempo.

    A montadora argumentou que determinados componentes e matérias-primas ainda dependem de fornecedores brasileiros e pediu que esses produtos sejam excluídos da lista de itens sujeitos à tarifa.

    Segundo a empresa, impor restrições antes que existam alternativas viáveis no mercado interno pode gerar impactos negativos para fabricantes e consumidores dos Estados Unidos.

    eBay pede exclusão de produtos usados

    O eBay defendeu que produtos usados, seminovos e de segunda mão sejam excluídos da nova tarifa.

    Para a plataforma de comércio eletrônico, a taxação sobre bens revendidos não afeta os fabricantes investigados nem contribui para corrigir eventuais distorções comerciais.

    A empresa argumenta que a medida penaliza apenas revendedores e consumidores, além de estimular a compra de produtos novos, contrariando o objetivo da política comercial proposta pelo governo americano.

     

  • Café brasileiro amplia protagonismo global e impulsiona novos investimentos no agronegócio

    Café brasileiro amplia protagonismo global e impulsiona novos investimentos no agronegócio

    Valorização do produto no mercado internacional, crescimento dos cafés especiais e modernização da produção fortalecem o setor e ampliam oportunidades para produtores e investidores

    O café brasileiro vive um dos momentos mais promissores de sua história recente, consolidando o Brasil como uma das principais potências do mercado cafeeiro mundial. Com forte presença nas exportações, crescente valorização internacional e investimentos voltados à inovação e sustentabilidade, o setor segue ampliando sua relevância para a economia nacional.

    Reconhecido mundialmente pela qualidade e diversidade de seus grãos, o café produzido no Brasil ganha cada vez mais espaço em mercados estratégicos. O avanço tecnológico nas lavouras, aliado à experiência dos produtores e às condições favoráveis de cultivo, tem contribuído para elevar a competitividade do produto brasileiro e atender às exigências dos consumidores globais.

    Além do impacto econômico, a cadeia produtiva do café desempenha papel fundamental na geração de emprego e renda, movimentando milhares de postos de trabalho em diferentes etapas da produção, beneficiamento, comercialização e exportação. O setor também fortalece economias locais e contribui para o desenvolvimento de diversas regiões produtoras do país.

    Dentro desse cenário de expansão, o empresário Adailton Maturino dos Santos, por meio da GMA Agronegócio, acompanha de perto as transformações do mercado e participa de iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo nacional. A atuação da empresa está alinhada ao incentivo de novos projetos, à valorização do campo e ao estímulo ao crescimento sustentável do agronegócio brasileiro.

    O crescimento do consumo de cafés especiais em diferentes países, somado à busca por práticas produtivas mais modernas e sustentáveis, abre novas perspectivas para o segmento. Esse movimento reforça a posição estratégica do Brasil no mercado global e amplia as oportunidades para produtores, investidores e empresas ligadas ao agronegócio.

    Mais do que uma das bebidas mais consumidas do mundo, o café representa um importante vetor de desenvolvimento econômico e social. Com perspectivas positivas para os próximos anos, o setor segue como um dos pilares do agronegócio nacional, contribuindo para a geração de riqueza, inovação e fortalecimento da economia brasileira.

  • Portos inteligentes e o futuro do Brasil

    Portos inteligentes e o futuro do Brasil

    O Brasil movimentou 1,32 bilhão de toneladas em seus portos em 2024, o maior volume da história recente. O número reforça a importância estratégica dos terminais marítimos para o país. Porém, apesar do avanço operacional, a digitalização ainda está longe do padrão observado em portos líderes como Roterdã, Singapura e Busan. Em um mundo onde dados e automação determinam competitividade, o Brasil permanece atrasado.

    O que é um porto inteligente

    Portos inteligentes integram tecnologia, automação e análise de dados para operar com maior previsibilidade. Eles utilizam sensores, sistemas de gestão integrados, monitoramento em tempo real, automação de equipamentos e modelos preditivos. O objetivo é reduzir tempo de operação, cortar custos, diminuir erros e aumentar a segurança.

    Nos portos mais avançados, decisões como alocação de berços, movimentação de pátio e planejamento de atracação são orientadas por dados, não por processos manuais. A operação se torna mais rápida e previsível — atributos que influenciam diretamente a escolha de rotas nacionais e internacionais.

    Onde o Brasil ainda falha

    Mesmo com investimentos recentes, os portos brasileiros continuam marcados pela fragmentação de sistemas. Autoridades portuárias, terminais, armadores, operadores logísticos e órgãos anuentes ainda operam com plataformas que não se comunicam. A troca de informações é lenta, a conferência é manual e divergências de dados são frequentes.

    Essa falta de integração gera atrasos, aumenta tempo de espera e impacta custos logísticos — que no Brasil já são elevados. Estimativas de especialistas mostram que parte expressiva das ineficiências operacionais decorre de falhas no fluxo de informação, e não apenas da infraestrutura física.

    O potencial da automação

    Tecnologias como IoT, machine learning, visão computacional e digital twins já são usadas em portos internacionais para prever demanda, reduzir movimentações desnecessárias e aumentar a produtividade dos equipamentos. Sistemas de OCR aceleram a entrada de caminhões; sensores monitoram guindastes; plataformas integradas reduzem o tempo de atracação.

    Estudos recentes mostram que portos inteligentes conseguem reduzir significativamente custos operacionais e emissões, ao mesmo tempo em que elevam a produtividade. Para exportadores e importadores, isso se traduz em maior previsibilidade e menor risco.

    Os desafios brasileiros

    Para avançar, o Brasil precisa enfrentar obstáculos estruturais:

    baixa padronização de dados entre sistemas públicos e privados;

    conectividade limitada em alguns terminais;

    ausência de estratégia nacional de digitalização;

    carência de projetos escaláveis de automação;

    falta de profissionais especializados em análise de dados e operação digital.

    A modernização exige coordenação institucional, investimentos consistentes e políticas públicas que incentivem interoperabilidade e governança de dados.

    O que precisa ser feito agora

    A transição para portos inteligentes passa por três movimentos essenciais:

    Integração de sistemas e dados, com padrões únicos e fluxos contínuos entre todos os atores da cadeia portuária.

    Automação operacional, incluindo sensores, monitoramento em tempo real e ferramentas preditivas.

    Formação e capacitação profissional, garantindo que o setor tenha especialistas preparados para uma logística cada vez mais digital.

    Iniciativas isoladas já existem no país, mas ainda não configuram uma agenda nacional de portos inteligentes.

    Conclusão

    Portos inteligentes não são apenas um salto tecnológico: representam uma mudança estrutural na forma como o Brasil se conecta ao comércio global. O país tem volume, relevância e potencial, mas falta transformar tecnologia em política pública, integração e eficiência. O futuro da competitividade brasileira depende dessa virada. E o relógio logístico mundial não para.

     

    Thiago da Silveira Pinto Machado é especialista em logística internacional, comércio exterior e gestão de cadeias de suprimentos, com mais de 13 anos de experiência em multinacionais dos setores de energia, siderurgia e agronegócio. É autor de três livros sobre competitividade logística e integração comercial: Resilient Supply Chains, Brasil Logístico do Futuro e Border Intelligence. Atua no desenvolvimento de estratégias de digitalização, eficiência portuária e integração Brasil–Estados Unidos. É membro do Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP) e possui certificação executiva em Supply Chain Strategy pela Rutgers University

     

  • O custo oculto dos portos parados

    O custo oculto dos portos parados

    Os portos brasileiros refletem o ritmo da economia nacional e, infelizmente, ainda operam abaixo do potencial necessário para sustentar um país que depende fortemente do comércio exterior. A lentidão nas operações, a burocracia e a baixa integração entre sistemas logísticos geram um custo silencioso que afeta toda a cadeia produtiva e compromete a competitividade do Brasil.

    O peso da ineficiência
    Chamado de demurrage, o valor pago pelo uso adicional de contêineres é um dos principais sintomas da ineficiência portuária. Segundo o relatório Demurrage and Detention Benchmark 2023, da Container xChange, o custo médio dessas taxas no Brasil pode ultrapassar US$ 180 por contêiner por dia. Empresas perdem milhões de reais anualmente com atrasos que poderiam ser evitados com melhor coordenação entre terminais, armadores e órgãos reguladores.

    Impacto econômico e estrutural
    De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), os custos logísticos representam cerca de 12,6% do PIB brasileiro, contra 8% em países desenvolvidos. Essa diferença reflete gargalos crônicos de infraestrutura e gestão, especialmente nos portos de Santos, Paranaguá e Rio Grande, que concentram mais de 60% das exportações nacionais.

    Essas ineficiências vão além da perda financeira. O atraso médio no desembaraço aduaneiro, que ainda supera 48 horas em terminais de grande porte, reduz a previsibilidade das cadeias de suprimentos e afeta setores estratégicos como agronegócio, energia e siderurgia. Cada hora parada no cais representa capital imobilizado e perda de produtividade.

    Modernização e futuro
    A solução passa por um novo paradigma de gestão portuária, baseado em digitalização e análise de dados. Sistemas de automação documental, rastreabilidade em tempo real e inteligência artificial podem antecipar gargalos e otimizar a liberação de cargas. Modelos adotados em Singapura e Roterdã mostram que a integração entre órgãos aduaneiros e operadores reduz custos e amplia a eficiência sem demandar grandes obras físicas.

    Melhorar a performance portuária brasileira é uma urgência econômica. Cada ponto percentual reduzido nos custos logísticos representa bilhões de reais liberados para investimento produtivo e inovação. A modernização da infraestrutura e o uso de tecnologias inteligentes não são apenas medidas operacionais, mas decisões estratégicas para garantir competitividade e crescimento sustentável.

    Thiago Machado é gerente de supply chain, especialista em comércio exterior e logística internacional, com 13 anos de experiência em multinacionais dos setores de energia, siderurgia e agronegócio. Membro do Council of Supply Chain Management Professionals (CSCMP) e certificado em Supply Chain Strategy pela Rutgers University

  • Portos do Brasil registram aumento significativo na movimentação de cargas

    Portos do Brasil registram aumento significativo na movimentação de cargas

    Crescimento de 10% no primeiro bimestre de 2024 indica aquecimento econômico, impulsionado por cargas conteinerizadas e granéis.

    Responsável por 95% do comércio do Brasil com o exterior, os portos registraram um crescimento no primeiro bimestre do ano que sinaliza um aumento da atividade econômica do país. Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), autarquia vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, o volume de carga nos dois primeiros meses do ano chegou a 197,8 milhões de toneladas, um número 10% maior que o registrado no mesmo período de 2023. 

    “É algo para o país comemorar porque o movimento nos portos é o reflexo da economia brasileira”, avalia o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho. “Este aumento significa e confirma o crescimento econômico, a geração de emprego e renda. E sinaliza que o caminho que estamos tomando sob a orientação do presidente Lula, de modernizar e expandir os portos brasileiros, está no rumo certo”.

    Esse crescimento foi puxado principalmente por cargas conteinerizadas, com destaques também para os crescimentos de granéis sólidos e líquidos. A movimentação de contêineres cresceu 22,8% no bimestre em relação ao mesmo período do ano passado. 

    Em fevereiro, o crescimento do número de contêineres chegou a 29,19% em relação ao mesmo mês de 2023. Foram movimentados 99,83 milhões de toneladas de cargas. No mesmo período de 2023 a movimentação havia atingido 89,58 milhões de toneladas. Entre os destaques estão o minério de ferro (+17,85%), o petróleo e derivados (+16,23%) e a soja (+19,70%). 

    Em relação às cargas conteinerizadas, a movimentação atingiu 11,2 milhões de toneladas, um aumento de 29,19% em comparação com o mesmo período do ano passado, representando 1 milhão TEUs, com crescimento de 24,5% em fevereiro de 2024. Desse total, 7,7 milhões de toneladas foram movimentadas em longo curso e 3,4 milhões por cabotagem.

    Com base no histórico da movimentação de contêineres dos últimos quatro anos, sinaliza-se uma retomada da atividade. Após dois anos de queda e estagnação, a movimentação de contêineres retoma e supera a performance observada em 2021, ano de pandemia em que o transporte de mercadorias via contêiner foi significativo. Nestes meses de janeiro e fevereiro de 2024 acumulados, observa-se um crescimento de 18% na cabotagem de contêiner, comparado a 2023. E não se trata de um efeito pontual. Essa movimentação mais acentuada é apresentada em diversos portos do país. Dos produtos que tiveram maior movimentação, destacam-se algodão, açúcar, café, bem como compostos químicos.

    Mais dados de movimentação
    Os granéis sólidos, que representam 58,1% do total de tudo que é movimentado pelos portos, apresentaram crescimento de 11,48% frente a fevereiro de 2023. Foram 58 milhões de toneladas registradas em fevereiro deste ano, com destaque para os dois principais granéis, minério de ferro e soja. Granéis líquidos também apresentaram alta, que atingiu 7,47% em comparação com o mesmo mês de 2023. Por sua vez, as cargas gerais apresentaram um recuo de 1,53% durante o mês frente a fevereiro do ano passado.

    Navegação
    A movimentação de cargas de longo curso foi de 69,1 milhões de toneladas no segundo mês de 2024, apresentando crescimento de 13,59% em comparação com o mesmo período do ano passado, principalmente pelas exportações, que cresceram 15,11%, enquanto as importações cresceram 6,87%. A cabotagem, após leve queda em janeiro, apresentou uma alta de 11,08% em comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo uma movimentação de 23,87 milhões de toneladas. Já a cabotagem de contêineres cresceu 31,73% em comparação com fevereiro de 2023, em um indício de que o setor pode voltar a apresentar crescimento de dois dígitos no ano de 2024. A navegação interior, no entanto, decresceu 5,27% em fevereiro, atingindo uma movimentação de 6,68 milhões de toneladas. Do mesmo modo, houve recuo nas operações de carga feitas em apoio portuário (-9,42%) e marítimo (-3,53%).

    Terminais Privados
    Os Terminais de Uso Privado (TUPs) registraram 66,14 milhões de toneladas em fevereiro de 2024. O número representa um aumento de 10,89% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Já o destaque percentual entre os cinco TUPs que mais movimentaram no mês fica para o terminal Terminal Marítimo de Ponta da Madeira (MA), que registrou crescimento de 14,28%, com 10,65 milhões de toneladas movimentadas.

    Portos Públicos
    Os portos públicos movimentaram 33,69 milhões de toneladas no segundo mês de 2024. O número representa aumento de 12,55% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O porto de maior movimentação no mês foi o de Santos, com 11,11 milhões de toneladas, registrando um aumento de 32,42% frente ao mesmo período de 2023. O porto foi responsável por 33% de toda a movimentação portuária pública do mês.

    Painel Estatístico
    O Painel Estatístico da ANTAQ pode ser acessado via smartphones e tablets, disponível no site da Agência. Na consulta eletrônica podem ser checados dados de transporte de longo curso, cabotagem, vias interiores, além da movimentação portuária de contêineres.