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  • Carlos Bolsonaro é alvo de operação da PF que investiga espionagem ilegal pela Abin

    Carlos Bolsonaro é alvo de operação da PF que investiga espionagem ilegal pela Abin

    Na última quinta, o chefe da agência de inteligência no governo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, teve 6 celulares e 2 notebooks apreendidos. O filho de Bolsonaro não se pronunciou até a última atualização desta reportagem.

    O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é alvo de uma nova fase da investigação da Polícia Federal (PF) sobre o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para fazer espionagem ilegal.

    O mandado de busca e apreensão foi autorizado para a residência de Carlos Bolsonaro e também para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro. A suspeita é de que assessores de Carlos Bolsonaro, que também são alvo da operação, pediam informações para o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.

    Além das suspeitas relacionadas a Carlos, as investigações da PF indicam que a Abin foi usada para beneficiar Flávio e Jair Renan Bolsonaro, também filhos do ex-presidente, em investigações das quais eram alvos.

    De acordo com a PF, foram expedidos nove mandados de busca em apreensão nas seguintes cidades:

    Rio de Janeiro (RJ): 5
    Angra dos Reis (RJ): 1
    Brasília (DF): 1
    Formosa (GO): 1
    Salvador (BA): 1

    Carlos Bolsonaro é vereador desde 2001 e está em seu sexto mandato consecutivo na Câmara Municipal do Rio. Ele foi apontado pelo ex-braço-direito de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, como chefe do chamado gabinete do ódio, uma estrutura paralela montada no Palácio do Planalto para atacar adversários e instituições – como o sistema eleitoral brasileiro.

    O filho de Jair Bolsonaro não se pronunciou sobre a operação até a última atualização desta reportagem.

    Crise na Abin

    Na última quinta-feira (25), o ministro do STF Alexandre de Moraes afirmou que o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, usou o órgão para fazer espionagem ilegal a favor da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    Entre autoridades espionadas estavam a ex-deputada Joice Hasselmann, o ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, Camilo Santana (PT) e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia.

    Apurações da PF apontam que a Abin teria sido “instrumentalizada” para monitorar ilegalmente uma série de autoridades e pessoas envolvidas em investigações, e também desafetos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O uso indevido da Abin teria ocorrido quando o órgão era chefiado por Alexandre Ramagem (PL-RJ), aliado de Bolsonaro que, atualmente, é deputado federal.

     

  • Assessores de Carlos Bolsonaro também são alvo da PF; suspeita é que pediram à Abin informações clandestinas em nome do chefe

    Assessores de Carlos Bolsonaro também são alvo da PF; suspeita é que pediram à Abin informações clandestinas em nome do chefe

    A suspeita é que esses auxiliares de Carlos pediam informações em nome do vereador para o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. A PF apura se Carlos recebeu materiais obtidos ilegalmente pela Abin.

    A Polícia Federal (PF) cumpriu nesta segunda-feira (29) no Rio de Janeiro mandados de busca e apreensão contra o vereador Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. A notícia foi dada no Blog da Andréia Sadi. Dois assessores de Carlos também foram alvo da PF — um está no Rio, outro, em Formosa (GO).

    É mais uma etapa da Operação Vigilância Aproximada, deflagrada na última quinta-feira (25). Segundo a PF, o objetivo é investigar “organização criminosa que se instalou na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o intuito de monitorar ilegalmente autoridades públicas e outras pessoas, utilizando-se de ferramentas de geolocalização de dispositivos móveis sem a devida autorização judicial”.

    A suspeita é que esses auxiliares de Carlos pediam informações em nome do vereador para o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. A PF apura se Carlos recebeu “materiais” obtidos ilegalmente pela Abin.

    Agentes estiveram na casa dele, no Vivendas da Barra — um condomínio de luxo na Praia da Barra da Tijuca —, e no gabinete dele na Câmara de Vereadores, no Centro. Carlos não estava em nenhum desses locais: ele tinha ido a Angra dos Reis, na Costa Verde.

    Policiais ficaram cerca de 3 horas na residência na Barra. Para a Câmara, a PF mobilizou veículos descaracterizados. Documentos e um computador foram apreendidos.

    Também é alvo da operação um militar do Exército — que hoje está na Bahia — e era cedido para a Abin sob o comando de Ramagem.

     

  • Em depoimento, Bolsonaro diz que compartilhou sem querer vídeo que questionava sistema eleitoral

    Em depoimento, Bolsonaro diz que compartilhou sem querer vídeo que questionava sistema eleitoral

    Ex-presidente chegou à sede da PF pouco antes das 8h50 e saiu por volta de 11h20. Depoimento foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após pedido da PGR.

    O ex-presidente Jair Bolsonaro disse, em depoimento prestado à Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (26), que compartilhou sem querer um vídeo que questionava o sistema eleitoral, após o pleito de 2022. As informações foram apuradas pela TV Globo.

    O depoimento, que durou cerca de duas horas, é parte do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura os atos golpistas de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e vandalizadas.
    O ex-presidente chegou à sede da PF, em Brasília, pouco antes das 8h50, acompanhado da defesa, e saiu por volta de 11h20.

    A PF tomou as declarações de Bolsonaro após determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes. Na avaliação de investigadores, uma postagem feita no dia 10 de janeiro pelo ex-presidente o ligaria aos atos golpistas do dia 8 de janeiro. Ele apagou a publicação em seguida.

    A TV Globo apurou que, nesta quarta-feira, Bolsonaro só respondeu a perguntas sobre o vídeo que, sem provas, colocava em dúvida o sistema eleitoral. A mensagem foi avaliada como um sinal de que Bolsonaro pode ter estimulado os atos golpistas de 8 de janeiro em Brasília.

    À PF, o ex-presidente disse que queria salvar o vídeo para visualização posterior, mas compartilhou, sem querer. Ele não respondeu a outros questionamentos e afirmou aos investigadores que, se quiserem marcar nova data para tratar desses assuntos, vai comparecer.

    Defesa detalha depoimento

    Após o depoimento, o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, confirmou o teor das declarações. Segundo a defesa, no dia da postagem, o ex-presidente tinha acabado de receber alta após ser internado para tratar uma obstrução intestinal, e tinha sido medicado com morfina.

    Ainda de acordo com o advogado, Bolsonaro compartilhou o vídeo de forma “equivocada”.

    “Essa postagem foi feita de forma equivocada, tanto que, pouco tempo depois, duas ou três horas depois, ele foi advertido e imediatamente retirou essa postagem. Observo, inclusive, que essa postagem foi feita na sua rede social de menor importância”, disse Cunha Bueno.

    “Realmente aquilo ali foi um equívoco na hora de salvar um arquivo para posteriormente poder visualizá-lo e assisti-lo integralmente”, continuou.

    O ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social da gestão Bolsonaro, Fabio Wajngarten, também estava no local e participou de entrevista com a imprensa ao fim do depoimento.

    Questionado sobre a possibilidade de a postagem ter sido feita pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do ex-presidente que costumava gerenciar as redes sociais dele, Wajngarten negou participação do parlamentar.

    “Não foi [o Carlos Bolsonaro]. O metadado do Meta [empresa que controla o Facebook] indicará isso”, disse.

    O advogado do ex-presidente disse ainda que Bolsonaro “em momento algum” questionou a lisura das eleições do ano passado.

    “O presidente, quando saiu de férias, ele tratou a eleição como página virada. Então, em momento algum você vai encontrar alguma declaração dele declinando que a eleição foi fraudada. Em momento algum isso foi falado”, disse Paulo Cunha Bueno.

    Pedido da PGR
    Ao determinar o depoimento de Bolsonaro, Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República e deu prazo de 10 dias para a PF ouvir o ex-presidente.

    A PGR pediu o depoimento de Bolsonaro quando o ex-presidente ainda estava nos Estados Unidos, onde ficou por 3 meses depois de sair do governo. Com a volta dele do exterior no dia 30 de março, Moraes mandou marcar a audiência.

    Joias

    Bolsonaro já tinha comparecido à Polícia Federal neste mês para prestar depoimento, mas em outro inquérito, que apura a suposta prática de crime pelo ex-presidente no caso das joias milionárias que recebeu de presente do governo da Arábia Saudita.

    Na ocasião, Bolsonaro afirmou que ficou sabendo da existência das joias sauditas milionárias em dezembro de 2022, mais de um ano após elas terem chegado ao país. Bolsonaro disse ainda que não se lembrava quem o avisou da apreensão das joias pela Receita Federal.

  • Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Mais cedo, defesa do vereador divulgou nota dizendo que não teve acesso ao material. Também em nota, STF disse que conteúdo está disponível para a defesa.

    O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou para o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Na segunda-feira (29), Carlos foi alvo de buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal em uma operação que apura uso irregular da agência durante o governo Jair Bolsonaro, pai do vereador.

    Mais cedo, em nota, sua primeira manifestação pública após as buscas, Carlos disse que tinha pedido acesso aos autos no STF, mas que a solicitação ainda não havia sido analisada, “impossibilitando que se tome conhecimento dos fatos em apuração”.

    Após essa nota do vereador, o STF informou, também por escrito, que o acesso já está liberado. E que a defesa de Carlos deve buscar o material no prédio do Supremo.

    “Sobre a nota da defesa do Carlos Bolsonaro reclamando que não teve acesso à integra da investigação da Operação Vigilância Aproximada, o STF respondeu que já foi liberado, mas que os advogados precisam buscar no gabinete”, afirmou o tribunal.

    Espionagem ilegal
    De acordo com investigações da Polícia Federal, uma “Abin paralela” funcionou durante o governo passado, com o objetivo de monitorar políticos e autoridades e também produzir material para uso de familiares do ex-presidente.

    A suspeita dos investigadores é que Carlos recebeu “materiais” obtidos ilegalmente pela Abin.

    Ainda segundo as investigações, assessores de Carlos Bolsonaro, que também foram alvo da operação, teriam pedido informações sobre políticos para o ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem é próximo da família Bolsonaro.