Operação Deep Bank: por que a região de Campinas é atrativa para crimes financeiros?

Metrópole é um dos principais centros financeiros do país, o que torna toda a região propícia para a atividade. Polícia Federal deflagrou operação para coibir operações ilegais.

A Polícia Federal (PF) de Campinas (SP) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (6), a operação “Deep Bank”, que investiga crimes financeiros por meio de operações de evasão de divisas, fraudes em contratos de câmbio e transações irregulares de instituições financeiras.

Foram apreendidos R$ 40 mil em dinheiro, um carro, documentos, além de celulares e computadores. A Justiça ainda determinou o bloqueio de R$ 129 milhões em bens e valores dos envolvidos.

O delegado chefe da Polícia Federal na metrópole, Edson Geraldo de Souza, afirmou que a região de Campinas é uma das mais atrativas para crimes financeiros e, consequentemente, um dos maiores polos deste tipo de prática no Brasil. Mas, afinal, porque o local é propício para a atividade?

Ao g1, Souza explicou os crimes financeiros costumam acontecer em grande frequência na região de Campinas porque a metrópole é um dos principais centros financeiros do país, com muitas empresas e operadoras de dinheiro. Por isso, pela grande circulação de valores, tanto grandes quanto pequenos, a cidade se torna um alvo dos criminosos.

“Isso acontece em todo grande centro financeiro, como São Paulo e Rio de Janeiro também. Porque há um volume de movimentação bancária, casas lotéricas, toda essa movimentação de pequenas quantidades de dinheiro em espécie, tudo isso atrai. É uma característica decorrente dos condições sócio-econômicas”, explicou o delegado.
A Polícia Federal na cidade tem um núcleo especializado no combate a crimes financeiros e, neste ano, já realizou seis operações.

Na operação desta quinta, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal de São Paulo, em Campinas (SP), Amparo (SP), Pedreira (SP), São Caetano do Sul (SP) e Santos (SP). Os alvos se dividem em pessoas físicas e jurídicas. Veja abaixo o detalhamento.

A investigação teve início em outra operação, deflagrada em maio de 2021. Na ocasião, foi descoberta uma empresa, com sede em Amparo, que, segundo a Polícia Federal, atuava como correspondente bancário e se utilizava do grande volume de capital que recebia para praticar crimes.

Ainda de acordo com a PF, a empresa se utilizava do dinheiro de pagamentos de contas de luz, água e outros boletos, para fornecer dinheiro em espécie a operadores financeiros paralelos.

Além disso, a companhia também comercializava moeda estrangeira sem autorização e intermediava operações de evasões de divisas, conhecida como dólar-cabo, quando o dólar é negociado no mercado paralelo para depósito no exterior. O valor é utilizado para financiar crimes como tráfico de drogas e contrabando.

A operação teve o objetivo de reprimir a evasão de divisas e operações irregulares de instituições financeiras, com foco em clientes da empresa que atuava como corresponde bancário e utilizaram dos serviços da companhia para fazer remessas ilegais de dinheiro para fora do Brasil.

O nome da operação é uma referência à Deep Web para revelar um “submundo bancário”. As penas somadas chegam a 26 anos de prisão. Os crimes pelos quais os suspeitos vão responder são: gerir fraudulentamente instituição financeira; operar sem autorização instituição financeira; usar falsa identidade para fazer operações de câmbio e evasão de divisas.

Quem são os alvos?
Pessoa física – Alphaville, Campinas – operador do sistema
Pessoa física – Jardim São Francisco, Amparo – doleiro
Empresa – Centro, Santos – doleiro
Pessoa física – Ponta da Praia, Santos – cliente
Pessoa física – Olímpico, São Caetano do Sul – cliente
Empresa – Jardim São Jorge, Pedreira – cliente
Pessoa física – Centro, Pedreira – cliente
Pessoa física – Jardim Triunfo, Pedreira – cliente

 

By Alessandra Gomes

Deixe um comentário

Confira!