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  • Irmão diz estar com coração arrasado durante velório de homem linchado no litoral de SP: ‘Família quer a verdade’

    Irmão diz estar com coração arrasado durante velório de homem linchado no litoral de SP: ‘Família quer a verdade’

    Osil Vicente Guedes, de 49 anos, morreu após ser violentamente espancado em Guarujá. Velório e enterro acontecem na manhã desta terça-feira (9), na mesma cidade.

    O corpo de Osil Vicente Guedes, de 49 anos, que morreu após ser brutalmente agredido e vítima de notícias falsas sobre ter roubado uma moto, é velado na manhã desta terça-feira (9), no Cemitério da Consolação, em Guarujá, no litoral de São Paulo.

    A cerimônia começou por volta das 8h, com a presença de amigos e familiares. O enterro está marcado para às 10h30, no mesmo local.

    “Meu coração está arrasado, não tenho palavras. Ele era um pai de família, trabalhador. Tinha três filhos, um morava com ele. O mais velho mora em Recife e a menina do meio mora com a mãe. A família quer a verdade, que seja punido quem fez isso”, disse o irmão de Osil, que prefere não ser identificado, durante o velório.

    Entenda o caso
    A vítima foi linchada por um grupo de pessoas entre a Rua Tambaú e a Avenida Oswaldo Cruz, em Vicente de Carvalho, em Guarujá, na tarde do dia 3 de maio. Testemunhas relataram à PM que gritos de “pega ladrão” foram direcionados a Osil. Um motorista flagrou o momento das agressões 

    O dono do veículo informou à Polícia Militar ter emprestado a motocicleta para Osil antes das agressões acontecerem. Segundo o homem, ele era uma pessoa “trabalhadora” e que “não se metia em confusão”.

    Osil sofreu um traumatismo craniano por conta das agressões. O Hospital Santo Amaro (HSA) informou que o paciente teve uma morte encefálica [parada de todas as funções do cérebro] no dia 6 de maio e a morte foi confirmada no dia seguinte.

    Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o caso inicialmente foi registrado como “lesão corporal” no 2º Distrito Policial (DP) de Guarujá, porém, acabou modificado para “homicídio” após a morte de Osil.

    O irmão de Osil disse em depoimento aos policiais do 2º DP de Guarujá que a vítima havia ‘tomado uma surra’ a mando da mulher dele um dia antes do linchamento. Ele contou, ainda, ter tido acesso ao celular de Osil e que há uma mensagem de voz dele falando que ele teve uma briga com a esposa, que é psicóloga.

    Identificados
    Sim, a Polícia Civil identificou três suspeitos de terem agredido Osil. Um deles se apresentou na delegacia e prestou depoimento. O homem disse ser ex-cunhado da mulher de Osil negou ter dado ‘paulada’ ou espancado a vítima.

    Ele não teve a identidade divulgada e, conforme apurado, foi reconhecido pela Polícia Civil com base nos vídeo em que a vítima aparece sendo linchada. Ele foi liberado por não ter tido flagrante.

    Osil
    Osil Vicente Guedes, de 49 anos, não tinha antecedentes criminais, era dono de uma empresa de reciclagem no bairro Vila Áurea, no distrito de Vicente de Carvalho. A companhia fica a aproximadamente um quilômetro do local onde ele foi linchado. Ele deixou um filho de nove anos de idade.

     

  • Homem morre após briga de trânsito em Campinas, diz Polícia Militar

    Homem morre após briga de trânsito em Campinas, diz Polícia Militar

    Corpo da vítima foi encontrado na rua, ao lado do carro, com ferimentos no crânio e na face.

    Um homem de 37 anos morreu, na noite de domingo (7), no Jardim Nova América, em Campinas (SP). De acordo com a boletim de ocorrência, a vítima foi encontrada já sem vida, ao lado do próprio carro, um veículo modelo Volkswagen Polo.

    Segundo a Polícia Militar, o homem se envolveu em uma briga após uma colisão de trânsito com duas pessoas que estavam em um automóvel modelo Jeep Renegade.

    Robson Ainette Veloso estava com ferimentos no crânio e na face e os autores não foram localizados. A rua estava com marcas de freio e o carro também estava danificado. A perícia foi acionada ao local e o caso foi registrado no 9º Distrito Policial.

     

  • Dono de empresa e pai orgulhoso: veja quem era o homem linchado por conta de fake news no litoral de SP

    Dono de empresa e pai orgulhoso: veja quem era o homem linchado por conta de fake news no litoral de SP

    Osil Vicente Guedes, de 49 anos, morreu após ser brutalmente agredido suspeito de roubar uma motocicleta em Guarujá, no litoral de São Paulo. Dono do veículo informou à PM ter emprestado a moto à vítima.

    Osil Vicente Guedes, de 49 anos, morreu linchado após ser vítima de uma acusação falsa sobre ter roubado uma moto em Guarujá, no litoral de São Paulo. Conforme apurado pelo g1 nesta segunda-feira (8), ele não tinha antecedentes criminais, era dono de uma empresa de reciclagem na cidade e deixou um filho de nove anos de idade.

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    O homem foi agredido por pessoas na rua que usaram um capacete e pedaços de madeira para atingi-lo. Segundo a Polícia Militar, testemunhas informaram que as agressões começaram após um grito de “pega ladrão”.

    O dono da moto, porém, informou à corporação que conhecia Osil e que emprestou o veículo para ele. A vítima foi internada no Hospital Santo Amaro (HSA), em Guarujá, mas não resistiu aos ferimentos.

    Osil morava no mesmo endereço da própria empresa de reciclagem, na Avenida Acaraú, no bairro Vila Áurea, no distrito de Vicente de Carvalho, e era bastante querido pelos vizinhos. A empresa fica a aproximadamente um quilômetro do local onde ele foi linchado, entre a Rua Tambaú e a Avenida Oswaldo Cruz.

    Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), o irmão da vítima, que não teve a identidade revelada, já prestou depoimento sobre o caso. Outras informações sobre as investigações não foram divulgadas. O caso inicialmente foi registrado como “lesão corporal” no 2º Distrito Policial (DP) de Guarujá, porém, acabou modificado para “homicídio” após a morte de Osil.

    Osil Vicente Guedes
    O homem foi descrito à PM pelo dono da moto como uma pessoa “trabalhadora” e que “não se envolve em confusão”, conforme registrado em Boletim de Ocorrência (BO) obtido pelo g1.

    Nas redes sociais, Osil fazia questão de divulgar o amor pelo trabalho e pela família. O homem publicou diversas fotos e vídeos em que aparecia, orgulhoso, com o filho em momentos de lazer.

    Ele também compartilhava fotos em que aparecia em meio aos objetos destinados à reciclagem. “Na sucata sempre. Eu amo sucata”, escreveu Osil, em resposta a um comentário nas redes sociais.

    Entenda o caso
    A agressão ocorreu, na última quarta-feira (3), entre a Rua Tambaú e a Avenida Oswaldo Cruz, em Vicente de Carvalho. Um motorista de um carro fez um vídeo e flagrou o momento em que Osil foi agredido. As imagens mostram o homem de camiseta vermelha sentado no meio da rua e rodeado por três moradores. Um deles, de camiseta branca e boné, bate com um capacete na cabeça da vítima.

    Na sequência, outro agressor dá um tapa na nuca dele. O mesmo homem puxa Osil pela camiseta e a joga próximo à guia. Assim que o homem cai sentado, ele é agredido mais uma vez na cabeça com um pedaço de madeira e cai desacordado no asfalto.

    Enquanto registrava a violência, o autor do vídeo afirma: “Não está bom para ladrão de moto, não. Ladrão de moto está se lascando”. A reportagem não conseguiu localizar o autor do vídeo, que está circulando nas redes sociais (veja abaixo).

    Homem é agredido por moradores e fica desacordado em Guarujá, no litoral de SP
    De acordo com o boletim de ocorrência, o homem agredido foi levado para o Hospital Santo Amaro com ferimentos graves na cabeça. Ainda não há informações sobre os agressores.

    Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que a Polícia Civil investiga o caso de agressão ocorrido no bairro Pae-Cará, em Guarujá. Policiais militares foram acionados para atender a ocorrência e, no local, encontraram um homem no chão, com ferimentos na cabeça. Foram requisitados exames pericias.

    Espancamentos por fake news
    Osil foi linchado exatos nove anos após Fabiane Maria de Jesus. A mulher morreu depois de ser agredida sob a falsa acusação de que havia sequestrado uma criança para rituais de magia negra. Os dois espancamentos aconteceram em Guarujá (SP).

    Além da data, os dois casos tiveram mais em comum. Ambos foram vítimas de desinformação. No caso de Fabiane, foi comprovado que ela era inocente e que nunca havia cometido um crime. Já na história desta semana, o dono do veículo que teria sido roubado disse que havia emprestado a moto e que o agredido era “trabalhador”.

    A história de Fabiane, inclusive, inspirou a novela ‘Travessia’, no ar no horário nobre da Rede Globo. Na época, o caso tomou grande repercussão nacional e acabou chamando a atenção da autora Glória Perez.

     

  • Rapaz interveio em briga de casal e foi morto a facadas em Limeira após criança pedir ajuda

    Rapaz interveio em briga de casal e foi morto a facadas em Limeira após criança pedir ajuda

    Luan Melo, de 24 anos, estava em casa quando um dos filhos da mulher que estaria sendo agredida foi ao portão dele para pedir ajuda. O jovem foi esfaqueado ao tentar separar a confusão e morreu no local.

    O serralheiro que morreu esfaqueado após intervir em uma briga de casal na noite deste domingo (7) em Limeira (SP) agiu após o pedido de ajuda de um filho da mulher que estava na discussão.

    Segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo, Luan Henrique Melo dos Santos, de 24 anos, estava em casa, por volta das 18h30, quando uma criança apareceu no portão dele dizendo que a mãe estava sendo agredida pelo marido.

    Ele, então, foi tentar separar a confusão na Rua José Cândido da Silveira, no Jardim Jequitibá, e acabou esfaqueado pelo homem. O jovem ainda tentou correr de volta para casa, mas não resistiu e morreu no local.

    De acordo com a Polícia Militar, o suspeito fugiu e, até a última atualização desta reportagem, não havia sido localizado.

    À reportagem, a mulher, sem gravar entrevista, contou que já tinha precisado acionar a PM em outras ocasiões por causa do marido.

    Informações sobre velório e enterro da vítima não foram divulgadas.

    O caso é investigado pelo 2º Distrito Policial (DP) de Limeira.

  • Brinquedo descarrila e arremessa ocupantes em parque de diversões no interior de SP

    Brinquedo descarrila e arremessa ocupantes em parque de diversões no interior de SP

    Acidente ocorreu em um parque instalado em Itapeva (SP). Segundo a Polícia Militar, uma das vítimas fraturou a cabeça e um dos braços com o impacto.

    Ao menos sete pessoas ficaram feridas após o brinquedo de um parque de diversões descarrilar e travar bruscamente em Itapeva (SP). Durante o acidente, na noite de sábado (6), parte dos ocupantes foi arremessada para fora do aparelho.

    De acordo com a Polícia Militar, informações iniciais apontam que o brinquedo, conhecido como “minhocão” – uma espécie montanha russa infantil -, teria se soltado dos trilhos. O aparelho parou bruscamente, arremessando crianças e adultos contra o solo.

    Com o impacto, uma das vítimas fraturou a cabeça e um dos braços. Já os demais ocupantes tiveram ferimentos leves. Todos foram levados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a Santa Casa da cidade.

    O hospital não informou se as vítimas foram liberadas e o estado de saúde delas.

    Após o acidente, equipes da Polícia Militar e Civil foram acionadas. O brinquedo foi periciado e um boletim de ocorrência foi registrado no plantão policial da cidade.

    O g1 tentou contato com o responsável pelo parque de diversões, denominado “Riquinho Park”, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

  • Onda de assaltos em lojas da Drogasil preocupa funcionários na zona sul de São Paulo

    Onda de assaltos em lojas da Drogasil preocupa funcionários na zona sul de São Paulo

    A rede de drogarias Drogasil tem sido alvo de críticas e preocupações nos últimos meses devido à falta de segurança em suas lojas na zona sul de São Paulo. Funcionários têm relatado um grande número de assaltos, o que tem gerado medo e insegurança no ambiente de trabalho.

    A falta de segurança nas lojas da Drogasil tem sido uma questão recorrente para os funcionários. Eles relatam que não há medidas de proteção adequadas que poderiam ajudar a evitar a ação de criminosos.

    De acordo com alguns relatos, os funcionários se sentem aterrorizados quando estão trabalhando, principalmente em horários de pico, como à noite e aos finais de semana. A situação tem afetado a qualidade de vida dos trabalhadores, que se sentem vulneráveis e amedrontados em seus próprios locais de trabalho.

    A situação não é apenas uma questão de preocupação para os funcionários, mas também uma questão de segurança pública. A ocorrência de assaltos em lojas pode afetar a comunidade local, criando um ambiente de insegurança e prejudicando a economia da região.

    A falta de segurança nas lojas da Drogasil é um problema sério que precisa ser abordado pela empresa de forma eficaz. É importante que a empresa tome medidas para garantir a segurança de seus funcionários e de seus clientes, a fim de criar um ambiente de trabalho seguro e confortável. Além disso, é essencial que a empresa trabalhe em conjunto com as autoridades locais para combater a criminalidade na região.

  • Tarcísio fixa salário mínimo paulista em R$ 1.550

    Tarcísio fixa salário mínimo paulista em R$ 1.550

    Projeto de lei será levado à Alesp na terça-feira (2). O novo piso, caso aprovado pelos deputados, representará aumento de 20,7% para a primeira faixa e 18,7% para a segunda. Aumento é maior do que o dado por Lula.

    Na véspera do Dia dos Trabalhadores, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fixou neste domingo (30) o salário mínimo do estado em R$ 1.550.

    Atualmente, o salário mínimo na faixa mais baixa está em R$ 1.284, e na mais alta, R$ 1.306.

    O projeto de lei vai ser apresentado à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) na terça-feira (2). Caso aprovado pelos deputados, o reajuste representará aumento de 20,7% para a primeira faixa e 18,7% para a segunda.

    Os aumentos são maiores do que a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,65%.

    Neste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também anunciou um aumento de 8,9% do salário mínimo, menor do que o proposto em São Paulo, e passou dos R$ 1.302 atuais para R$ 1.320.

     

  • Matança de cães infectados com parasita gera polêmica em cidade de São Paulo

    Matança de cães infectados com parasita gera polêmica em cidade de São Paulo

    As decisões de uma prefeitura no interior de São Paulo sobre o que fazer com os cachorros diagnosticados com leishmaniose tem gerado polêmica e protestos.

    Um veículo oficial da prefeitura de Castilho, quase na divisa de SP com MS, anuncia que cães com leishmaniose precisam ser entregues para o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). A prática é recorrente durante 2022 e 2023. Todo morador da cidade sabe o motivo. Eutanásia.

    É assim que a atual administração da cidade com 18 mil habitantes, e que fica a 644 km de São Paulo, atua no combate a leishmaniose. Cães são presos, testados e enviados direto para a morte.

    Engana-se quem pensa que é uma política somente para cachorros abandonados. Diego, de 21 anos, revela sua história. “Fizeram exame no meu cachorro e me obrigaram a entregá-lo. Falaram que se alguém da rua ficasse doente a responsabilidade seria minha. Fiquei com medo e deixei levar o bichinho”, conta.

    A prática é comum no município, que usa a eutanásia como carro-chefe no enfrentamento à doença. Um Inquérito Canino aconteceu em 2022 para descobrir quantos animais estariam contaminados.

    Em março a administração revelou que, pelo menos 50% dos quatro mil cães do município estão contaminados. A prefeitura tenta recolher os dois mil cachorros para levá-los à CCZ a fim de praticar a eutanásia, mas nem todos os tutores permitem.

    “Prefeitura de Castilho fazendo campanha pesada para sacrificar nossos pets. Basta! Ser ignorante pode ser uma opção individual. Ser desatualizado e desumano, já é falta de inteligência e de amo”, escreveu o vereador Adilson Santos.

    À época, em publicação oficial, o Secretário de Saúde, Demilson Cordeiro da Silva, afirmou o seguinte. “O maior problema é que esse animal continua sendo um risco não apenas para os outros animais da casa, mas principalmente para quem mora na residência e também para os vizinhos, pois o mosquito pica um cão contaminado e sai voando, podendo depois picar toda a vizinhança”.

    Não é o que diz a ciência. Fábio Santos Nogueira, o doutor Leishmaniose, uma das maiores autoridades do país no assunto e que usa o Instagram para divulgar dicas que desmistificam a doença (@drleishmaniose) revelou à BBC Brasil que existe tratamento.

    “Existem vários fármacos leishmanicidas para o tratamento da leishmaniose visceral, seja nas pessoas ou nos animais, sendo os mais utilizados os antimoniatos, anfotericina B e a miltefosina”.

    O veterinário explica ainda que o cachorro, quando colocado em tratamento, pode deixar de ser um transmissor.

    “A miltefosina está liberada para o uso nos cães, através de uma portaria interministerial de 2016. Temos também algumas drogas leishmaniostáticas e imunomoduladoras que podem ser utilizadas nos animais e com uma boa resposta clínica. Importante esclarecer que a leishmaniose é uma doença de difícil cura parasitológica estéril, seja nas pessoas ou nos animais. Com o tratamento, podemos obter a melhora clínica, redução da carga parasitária, controle da resposta imunológica e consequentemente o bloqueio da transmissão”, garante.

    Sobre as mortes de animais, o doutor Fábio é taxativo. “A eutanásia como forma de controle da doença é uma página que já foi virada da nossa história. Ela surgiu em 1963 através de um decreto presidencial que visava o tratamento gratuito das pessoas infectadas, o controle do vetor e a eutanásia dos animais doentes. No entanto durante todos esses anos se mostrou ineficaz e custosa, com aumento do número de casos e disseminação para novas áreas”.

    Por defender que seja abandonada a prática, o veterinário se envolveu em uma polêmica com a prefeitura de Castilho. Morador de Andradina, cidade vizinha, ele fez dura postagem em seu Instagram, comparando o modelo do município ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.

    A postagem, porém, não está mais disponível. O próprio veterinário explicou em um story divulgado à época, que apagou o post por pedido do próprio prefeito da cidade, Paulo Duarte Boaventura (MDB). O médico concordou em retirar as críticas porque soube que o político e sua família passaram a receber ameaças.

    Questionada pela BBC Brasil sobre o caso e a prática de eutanásia, a prefeitura de Castilho não enviou resposta.

    A prática não está restrita a uma única cidade do interior de São Paulo. Na Estância Turística de Pereira Barreto houve uma guerra entre prefeitura e uma Rádio Comunitária por conta da eutanásia.

    O município de 25 mil habitantes praticou a eutanásia em 504 cachorros com leishmaniose em 2022, segundo dados oficiais da Secretaria Municipal de Saúde. “Questionamos se houve o cumprimento da lei e a Secretária se recusou a dar informações”, conta Naian Lucas Lopes, jornalista e apresentador de um jornal local na Rádio e que é dono de uma cachorrinha com leishmaniose.

    Ele conta que desde o primeiro dia optou pelo tratamento e, agora, quatro meses depois, não há carga para a doença aparecer no resultado dos exames. “A cachorra recuperou completamente a saúde e eu gostaria que os 504 cães da cidade tivessem tido a mesma chance”, afirma comemorando.

    Quem enfrentou essa estratégia foi Lindinalva(*). Protetora de animais, ela teve um cão, o Neguinho, diagnosticado com Leishmaniose. Embora funcionários do CCZ tenham determinado a eutanásia, ela não permitiu e decidiu cuidar do animal em casa e ele está sendo tratado.

    Um caso que chocou a população ocorreu no mesmo período em que a Rádio Comunitária estava em pé de guerra com a prefeitura. Funcionários do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) invadiram uma residência sem a autorização da proprietária, Márcia(*).

    A senhora de 60 anos estava fora de casa quando a filha autorizou a entrada de funcionários do CCZ e a realização de um exame no cachorro da família. Com o resultado positivo para leishmaniose, o cão foi levado para a sede do Centro de Zoonoses e sacrificado horas depois.

    Márcia conta que ficou desesperada. “Eu corri até lá para pegar meu cachorro de volta e me disseram que ele já havia morrido. Eu entrei em pânico e denunciei para as Associações de Animais”, conta.

    Neste caso, a prefeitura não cumpriu a lei. Não houve tempo hábil para a contra-prova e muito menos para o acompanhamento, como determina a legislação. Procurada sobre o assunto, a administração não respondeu.

    Existe uma legislação especifica que deve ser cumprida antes da eutanásia, é o que explica o advogado Marcos Ferreira. “A eutanásia está descrita na legislação, mas é preciso seguir uma série de exigências. É preciso um exame comprovando a doença, uma contra-prova para garanti-la. Também é preciso que haja um relatório individual do animal, com um documento assinado por uma Associação de Defesa de Animais, certificando que todas as etapas foram cumpridas. Além disso, é importante ter a autorização expressa do tutor de que ele foi informado da possibilidade do tratamento e optou pela eutanásia”, diz.

    Marcos virou um porta-voz dos cachorros em Pereira Barreto. Ao saber do ocorrido, o advogado procurou o Ministério Público pedindo providências e acompanhamento do caso.

    A denúncia está em fase de apreciação e a expectativa é que a Promotoria tome uma posição. “Encaminhamos um pedido de apuração ao MP, pedindo providências imediatas para que Pereira Barreto deixe de adotar a eutanásia como forma de enfrentamento da leishmaniose e que se crie mecanismos que protejam a vida animal”, garante.

    Tanto a prefeitura de Castilho quanto a de Pereira Barreto deram respostas semelhantes aos questionamentos. Nos dois casos há a garantia de que a eutanásia não é a única prática para o combate a leishmaniose e que todas as medidas estão contidas nos protocolos do Ministério da Saúde e amparadas pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária.

    Embora o SUS não considere a leishmaniose em cães caso de saúde pública, existe uma Portaria que autoriza a eutanásia, mas não a coloca como única opção.

    A eutanásia é questionada no mundo todo há mais de dez anos. Um documento de 2010, publicado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), questiona a prática da e mostra a baixa resolutividade, dando o Brasil como exemplo “A triagem e o abate em massa de cães soropositivos não se mostraram uniformemente eficazes em programas de controle (por exemplo, no Brasil)”, diz o trecho.

    No mesmo texto, a Organização Mundial de Saúde já mostrava que o tratamento parecia ser o melhor caminho. “Em vários países mediterrâneos, a eutanásia de cães domésticos infectados é reservada para casos especiais, como resistência a medicamentos, recaídas recorrentes ou situações epidemiológicas perigosas. A maioria dos veterinários prefere controlar a leishmaniose canina administrando tratamento antileishmania, enquanto observa atentamente as recaídas”.

    Uma decisão do TRF-3, em 2015, considerou que a eutanásia é Inconstitucional. A 6ª turma do Tribunal Regional Federal do Mato Grosso do Sul, decidiu que o método não deveria ser utilizado em Campo Grande, capital do Estado.

    “Não tem o menor sentido humanitário a má conduta do município em submeter a holocausto os cães acometidos de leishmaniose visceral, sem qualquer preocupação com a tentativa de tratar dos animais doentes e menos preocupação ainda com os laços afetivos que existem entre humanos e cães, pretendendo violar o domicílio dos cidadãos sem ordem judicial para, despoticamente, apreender os animais para matá-los”, publicou o relator do caso, o desembargador Johonsom di Salvo.

    Cada vez mais a eutanásia passa a ser questionada judicialmente. Em 2016, na mesma Pereira Barreto, um casal foi à justiça para impedir a morte de Bolinha, seu pet, que estava com a leishmaniose.

    O desembargador José Luiz Galvão de Almeida salvou o cão da morte certa. “Há ampla bibliografia científica documentando que o animal soropositivo para LVC, adequadamente tratado, sob supervisão de médico veterinário e protegido pelas medidas de prevenção, não apresenta protozoários na pele, não podendo, portanto, ser considerado infectante para o inseto transmissor, podendo conviver com seres humanos e outros animais. Assim, acolhe-se o pedido do apelante para evitar que o animal seja exterminado, devendo continuar sendo submetido a tratamento junto a médico veterinário, podendo o Poder Público acompanhar o tratamento e auxiliar o requerido, caso necessário, no combate da doença”, escreveu na sentença.

    Desde 2019 existe medicamento autorizado pelo Ministério da Saúde para tratamento de cães com a doença: o milteforan. Ele é considerado eficaz e com alcance científico de 70% para cães doentes. Na prática, veterinários garantem que esse número ultrapassa os 90%. Isso significa dizer que, além do animal melhorar seus sintomas, ele não tem carga suficiente para que o parasita transmita a doença a humanos.

    O tratamento, porém, não é barato. São 28 dias de medicação, com um custo em torno de R$ 850 apenas o remédio. Ao somar a consulta e os exames, não sai por menos de R$ 1,3 mil, algo fora da realidade de boa parte da população brasileira.

    Mas segundo o advogado Marcos Ferreira, cabe ao Poder Público providenciar o tratamento em caso de vulnerabilidade. “A lei estabelece que o Poder Público, incluindo aí as prefeituras, é responsável indireto por todo animal doméstico. Se um tutor não tem condição de arcar com as despesas de um tratamento, por exemplo, ele pode e deve exigir, até judicialmente, se o caso, que as despesas sejam arcadas pelo poder público”.

    Muita gente defende a eutanásia por medo de que o cachorro transmita a doença para a família. Mas isso é um mito. Quem explica Fábio, o doutor Leishmaniose.

    “A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa, não contagiosa, causada por um protozoário do gênero Leishmania e que acomete cães, gatos, equinos e o ser humano. Os animais podem funcionar como reservatórios da doença servindo de fonte de alimentação para o vetor, também chamados de flebotomíneos e popularmente conhecidos por ‘mosquito palha’. Ao entardecer, as fêmeas dos flebotomíneos saem a procura de sangue para maturação dos seus ovos e quando encontra um cão infectado ingere o sangue com as formas parasitárias chamadas de amastigotas. Dentro do intestino do flebotomíneo essas formas amastigotas sofrem um processo chamado de metaciclogênese até se transformarem na forma infectante chamada de promastigota metacíclica e migrar para o aparelho bucal. Esse processo demora de 5 a 7 dias. Quando a fêmea realizar um novo repasto sanguíneo, durante a alimentação (homem ou nos animais), ela acaba regurgitando as formas parasitárias que entrarão no organismo e irão desencadear uma resposta imunológica que pode ser protetora ou não, sendo determinante para a doença. Importante salientar que nem todos os animais são infectantes e transmitem a doença”.

    Neste cenário, a política pública defendida por veterinários é de que se trate o animal com a medicação, o uso de coleiras específicas e de repelentes. Somente no caso do pet não responder ao tratamento é que a eutanásia deveria ser adotada. Para o caso de saúde pública, o ideal é combater o mosquito Palha, transmissor da doença, evitando terrenos e quintais sujos, para acabar com os criadouros, exatamente como acontece com a dengue.

    Em 2021, a Câmara dos Deputados realizou um debate sobre a Leishmaniose, a pedido do deputado federal Fred Costa (Patriotas-MG). “Na medida que nós optamos pela política pública do sacrifício, esses animais não estão tendo a oportunidade sequer de ter o tratamento, desde a opção mais barata até a opção mais complexa”, lamentou ele na ocasião, em conversa com a Agência Câmara.

    A Lei 14.228/2021, assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), abriu espaço para o fim das mortes de cachorros com a doença. Isso porque, o artigo segundo determina que somente podem sofrer eutanásia animais com doenças incuráveis. Não é mais o caso da leishmaniose.

    (*) Todas as histórias contadas são verídicas e aconteceram, mas os nomes usados são fictícios para preservar as identidades das vítimas.

  • Ex-vereador Marinho Marte tem casa assaltada e é agredido por criminosos em Araçoiaba da Serra

    Ex-vereador Marinho Marte tem casa assaltada e é agredido por criminosos em Araçoiaba da Serra

    Ex-vereador de Sorocaba (SP) foi amarrado com fios e amordaçado com um lençol, segundo o boletim de ocorrência. Foram levados diversos cartões bancários, uma arma de fogo e documentos.

    A casa do ex-vereador de Sorocaba (SP) Marinho Marte foi invadida e roubada por quatro homens, na madrugada desta segunda-feira (17), em Araçoiaba da Serra (SP).

    De acordo com o boletim de ocorrência, Marinho foi agredido, amarrado com fios e amordaçado com um lençol. Ele conseguiu se soltar e pedir ajuda ao vizinho, que acionou a polícia.

    Foram levados diversos cartões bancários, uma arma de fogo e documentos.

    Devido aos ferimentos, o ex-vereador foi encaminhado para atendimento médico imediato. O caso foi registrado na delegacia de Votorantim (SP).

  • Noiva adia casamento após mãe morrer em acidente a caminho da cerimônia: ‘Sonho dela era me ver casar na igreja’

    Noiva adia casamento após mãe morrer em acidente a caminho da cerimônia: ‘Sonho dela era me ver casar na igreja’

    Leticia Soares aguardava a mãe Edna Nabas Soares, de 43 anos, para a cerimônia, em Marília (SP). No trajeto, mulher perdeu o controle do carro e bateu em carreta ao desviar de veículo que fez ultrapassagem proibida; câmera registrou o acidente.

    Leticia Soares havia acabado de se casar no cartório de Registro Civil de Marília (SP), na última sexta-feira (14), quando recebeu a notícia sobre a morte de sua mãe e do enteado dela, que estavam a caminho da cidade para acompanhar a cerimônia na igreja.

    O casamento religioso, marcado para o dia seguinte, foi adiado pelos noivos após a tragédia. Letícia conta que as flores, que iriam para a decoração do templo, acabaram utilizadas no velório. “O sonho dela era me ver casar na igreja”, disse a noiva, de 23 anos, ao g1.

    “Ela ainda disse que ia chegar a tempo do meu casamento no civil, na sexta-feira. Dia 15 era meu casamento na igreja, minha mãe estava bem empolgada com isso”, desabafa a jovem.

    Edna Nabas Soares sofreu acidente ao desviar de um carro que fez uma ultrapassagem proibida. Ela bateu o veículo que dirigia de frente contra uma carreta, na rodovia Transbrasiliana (BR-153), em Marília, na sexta-feira. Uma câmera instalada na carreta registrou o acidente (veja abaixo).

    A mulher de 43 anos e o enteado dela, Gustavo Henrique de Oliveira da Silva, de 12 anos, tinham partido de São José do Rio Preto (SP) . Eles não resistiram aos ferimentos.

    Agora, Leticia busca força para superar a tragédia que envolveu a mãe, descrita como um exemplo de mulher sorridente, alegre e brincalhona.

    “Sempre me protegeu como uma leoa. Ela sempre foi forte e corajosa, um exemplo pra mim. Fazia tudo pelos meus avós e por mim”, relata a filha da vítima.
    “Sempre fez de tudo por todo mundo, pela família, pelos amigos, por todos. Estamos sem chão e pedimos oração.”

    O acidente
    Edna e o enteado seguiam de Rio Preto a Marília. A mulher perdeu o controle do carro e bateu com a carreta que seguia no sentido contrário ao tentar desviar de um veículo que fez uma ultrapassagem proibida.

    Um vídeo, gravado por uma câmera de segurança acoplada ao veículo envolvido no acidente, registrou a colisão. Nas imagens, é possível quando um carro, que seguia em faixa contínua, ultrapassou o veículo em trecho proibido

    Para não bater de frente, o carro onde estavam as vítimas, que seguia no sentido contrário, freou bruscamente. Logo em seguida, Edna perdeu o controle da direção e colidiu de frente com o caminhão. O veículo ainda teria batido em uma defensa metálica.

    O motorista que realizou a ultrapassagem proibida fugiu após a colisão e não prestou socorro, mas foi localizado e preso pouco tempo depois. Segundo a polícia, o homem, um idoso de 75 anos, estava com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) vencida desde 2020.

    O motorista foi levado à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Marília. Após audiência de custódia, realizada na manhã de sábado (15), ele teve a prisão em flagrante convertida em preventiva e foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Álvaro de Carvalho (SP). O carro foi apreendido.