Autor: São Paulo em Foco

  • Como fogo é usado para evitar incêndios no Cerrado e Pantanal

    Como fogo é usado para evitar incêndios no Cerrado e Pantanal

    Normalmente apontado como um vilão do meio ambiente, o fogo tem sido cada vez mais usado para prevenir incêndios em unidades de conservação brasileiras.

    Por meio de queimadas controladas feitas antes da estiagem, gestores de parques e comunidades tradicionais buscam reduzir a quantidade de material inflamável disponível, como capim e folhas secas.

    A técnica vem sendo usada principalmente no Cerrado, mas já começa a ser aplicada em outros biomas, como o Pantanal e em formações savânicas na Amazônia.

    O OBJETIVO É IMPEDIR A OCORRÊNCIA DE GRANDES INCÊNDIOS NO AUGE DA SECA, QUANDO FICA MAIS DIFÍCIL CONTROLAR AS CHAMAS E O FOGO COSTUMA SER BEM MAIS DESTRUTIVO.

    As queimadas são aplicadas em áreas diferentes de cada vez, para que os animais consigam fugir e a vegetação tenha tempo de se regenerar. Agentes monitoram as chamas para mantê-las baixas e evitar que escapem para outras áreas.

    Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão ambiental federal, hoje 37 unidades de conservação federais no Brasil já realizam as chamadas “queimas prescritas”.

    A técnica não é empregada em florestas tropicais, como a Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. Nesses ambientes, mais úmidos, o fogo não costuma ocorrer naturalmente e tende a provocar danos maiores.

    Queima controlada na Estação Ecológica Águas Emendadas, no Distrito Federal — Foto: Governo do DF

    Queima controlada na Estação Ecológica Águas Emendadas, no Distrito Federal — Foto: Governo do DF

    “É UMA QUEBRA DE PARADIGMA”, DIZ À BBC NEWS BRASIL O COORDENADOR DE PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIOS DO ICMBIO, JOÃO MORITA.

    Ele afirma que, ao incorporar o fogo em suas políticas, o ICMBio conseguiu reduzir a incidência de grandes incêndios em unidades de conservação e atenuou conflitos com comunidades que dependem das queimadas para manter seus modos de vida.

    O tema, porém, é controverso, e há várias iniciativas no país que buscam desencorajar o uso tradicional das queimadas por associá-las à degradação ambiental (leia mais abaixo).

    Biomas íntimos do fogo

    No Brasil, as queimas prescritas começaram a ser adotadas em 2014, no Cerrado. Desde então, foram incorporadas por quase todos os 15 parques nacionais nesse bioma.

    João Morita, do ICMBio, diz que a prática já reduziu a incidência de grandes incêndios em locais como a Serra Geral do Tocantins, a Serra da Canastra (MG), a Chapada das Mesas (MA) e a Chapada dos Guimarães (MT).

    Na Chapada dos Veadeiros (GO), que sofreu um grande incêndio em 2021, as queimas prescritas evitaram que as chamas chegassem às áreas de uso público, diz Morita.

    Em 2017, a técnica passou a ser aplicada também em áreas de savanas semelhantes ao Cerrado na Região Amazônica, como no Parque Nacional do Viruá (RR), na Reserva Biológica do Guaporé (RO) e no Parque Nacional dos Campos Amazônicos (RO e AM).

    E, em 2021, o método chegou ao Pantanal, um ano após o bioma sofrer incêndios devastadores.

    Ali, a queima prescrita tem sido testada no Sesc Pantanal, a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPNM) do país, e ainda neste ano deve ser aplicada no Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.

    Morita, do ICMBio, diz que as espécies vegetais do Pantanal têm 70% de similaridade com as do Cerrado, o que torna a queima prescrita uma possível ferramenta para combater os incêndios catastróficos que têm afetado o bioma.

    Ele diz que os pesquisadores à frente dos testes no Sesc Pantanal devem finalizar nos próximos meses uma publicação científica sobre os impactos da queima na fauna e flora locais.

    A se confirmarem os efeitos positivos, Morita diz que a técnica tende a ser expandida aos poucos para outras partes do bioma.

    Pantanal teve incêndios devastadores em 2021 — Foto: AMANDA PEROBELLI/REUTERS

    O ICMBio também tem auxiliado órgãos estaduais a implantar o método – é o caso do Parque Estadual do Juquery, última área protegida de Cerrado na Grande São Paulo.

    O parque teve um grande incêndio em 2021 e deve começar a fazer queimadas prescritas neste ano, segundo Morita.

    Há ainda a intenção de levar a técnica no futuro para unidades de conservação na Caatinga e no Pampa, segundo o gestor do ICMBio.

    AS QUEIMAS CONTROLADAS TAMBÉM VÊM GANHANDO ESPAÇO NOS ÚLTIMOS ANOS EM OUTROS PAÍSES QUE TÊM SIDO DURAMENTE AFETADOS POR INCÊNDIOS, COMO O CANADÁ, OS EUA, A AUSTRÁLIA E PORTUGAL.

    Tanto no Brasil quanto em alguns desses países, gestores de parques têm trocado experiências com povos indígenas e comunidades tradicionais, que há séculos manejam o fogo em territórios com grande biodiversidade.

    Fenômeno natural

    Nos biomas brasileiros onde o ICMBio realiza queimas prescritas, o fogo pode ser provocado naturalmente por raios, normalmente no fim ou no início da estação chuvosa.

    Nessas épocas, há alguma umidade no ar e na terra, o que ajuda a controlar as chamas.

    As queimas prescritas tentam replicar esse fenômeno natural. Por isso, costumam ser feitas antes do auge da estiagem.

    “O INCÊNDIO NO AUGE DA SECA TEM UMA PROPAGAÇÃO MUITO MAIS VELOZ E É MUITO MAIS CRUEL, QUENTE E SEVERO”, DIZ MORITA.

    “A queima prescrita é diferente: ela dá tempo aos animais se entocarem, fugirem ou voarem. Não é uma linha de fogo reta, porque queremos propiciar rotas de fuga”, afirma.

    Além de reduzir o risco de incêndios na seca, ele diz que a queima prescrita busca criar um mosaico de paisagens que favoreça a diversidade de plantas e animais, já que cada espécie tende a preferir um tipo de ambiente.

    Morita afirma que as queimas também têm sido usadas em unidades de conservação para eliminar plantas invasoras, como o eucalipto e o capim braquiária.

    A função do fogo no Cerrado

    No Cerrado, onde as queimas prescritas mais avançaram, a influência do fogo no ambiente é estudada há bastante tempo.

    As chamas aceleram os ciclos ecológicos ao permitir a renovação da vegetação rasteira e quebrar a dormência de sementes, que podem enfim germinar.

    As folhas tenras da rebrota alimentam mamíferos, e as flores em abundância atraem polinizadores.

    Um artigo publicado em 2019 na revista Ecology abordou a velocidade com que o Cerrado se regenera após o fogo.

    Liderado pela bióloga Alessandra Fidelis, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o estudo enfocou uma erva do Cerrado (Bulbostylis paradoxa, popularmente conhecida como “cabelo-de-índio”) que começa a florescer 24 horas depois da queima.

    Imagem de satélite mostra o Parque Estadual do Juquery em 3 setembro de 2021, 12 dias após a ocorrência de um grande incêndio — Foto: Planet Labs via BBC

    Imagem de satélite mostra o Parque Estadual do Juquery em 3 setembro de 2021, 12 dias após a ocorrência de um grande incêndio — Foto: Planet Labs via BBC

    Em 23 de outubro, dois meses após o incêndio, o verde já começava a voltar à paisagem do Juquery — Foto: Planet Labs via BBC

    Em 23 de outubro, dois meses após o incêndio, o verde já começava a voltar à paisagem do Juquery — Foto: Planet Labs via BBC

    Em março de 2022, sete meses após o incêndio, o verde já dominava o Cerrado do Juquery outra vez — Foto: Planet Labs via BBC

    Em março de 2022, sete meses após o incêndio, o verde já dominava o Cerrado do Juquery outra vez — Foto: Planet Labs via BBC

    Outro sinal da influência do fogo no Cerrado são suas árvores com cascas suberosas (com textura de cortiça), raízes profundas e troncos subterrâneos – características que as protegem das chamas.

    Quando fica muito tempo sem queimar, a vegetação do Cerrado tende a se adensar, o que reduz os habitats de plantas e animais adaptados a áreas mais abertas.

    Morita diz que, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), por exemplo, há áreas que não queimam há mais de 25 anos, o que provocou o desaparecimento de algumas veredas.

    Uma das formações mais típicas do Cerrado, as veredas ocorrem à beira de rios e nascentes e se caracterizam por uma vegetação rasteira, na qual se destacam palmeiras de buriti.

    Segundo Morita, a ausência do fogo fez com que algumas veredas do parque fossem tomadas por arbustos.

    “CLARO QUE NÃO VAMOS QUEIMAR TODAS AS VEREDAS, MAS ESTAMOS REABRINDO AS VEREDAS QUE ESTAVAM FECHADAS”, DIZ MORITA.

    Ele cita ainda os sinais da longa ausência do fogo em outro ponto emblemático do parque, a cachoeira Véu da Noiva.

    Em 1827, a então chamada Cachoeira do Inferno foi pintada pelo francês Aimé-Adrien Taunay em meio a uma paisagem dominada por uma vegetação rasteira, com árvores restritas à mata ciliar.

    Fotos atuais, porém, mostram que a área foi toda tomada por árvores e arbustos.

    Manejo Integrado do Fogo

    João Morita, do ICMBio, diz que a queima prescrita é uma das várias ações que compõem o Manejo Integrado do Fogo (MIF), política mais abrangente do órgão que regula o uso dessa ferramenta.

    A política inclui outras técnicas, como o aceiro negro, quando se queimam faixas de vegetação para que sirvam de barreira à propagação das chamas.

    O MIF também inclui a realização de pesquisas sobre efeitos do fogo no ambiente e acordos sobre o uso de queimadas com comunidades que vivam em unidades de conservação ou suas imediações.

    Segundo Morita, muitas dessas comunidades “precisam do fogo para a manutenção de seus modos de vida”.

    QUEIMADAS SÃO USADAS, POR EXEMPLO, NA COIVARA, TÉCNICA AGRÍCOLA AMPLAMENTE DIFUNDIDA ENTRE POVOS INDÍGENAS E COMUNIDADES RURAIS BRASILEIRAS.

    Nela, abrem-se clareiras na mata com o auxílio do fogo para o cultivo de alimentos. As roças são depois abandonadas até que a floresta se regenere.

    Outro exemplo é um método usado no Jalapão (TO), Oeste da Bahia e Serra do Espinhaço (MG), onde comunidades tradicionais usam o fogo para acelerar a rebrota de espécies vegetais usadas no seu sustento, como o capim dourado e flores sempre-vivas.

    Segundo o ICMBio, hoje 197 unidades de conservação federais, em todos os biomas brasileiros, trabalham de alguma forma com o Manejo Integrado do Fogo (MIF).

    Incêndio florestal de grandes proporções na Califórnia, em agosto de 2021. — Foto: AFP

    Incêndio florestal de grandes proporções na Califórnia, em agosto de 2021. — Foto: AFP

    Em vários pontos do país, no entanto, há iniciativas que buscam eliminar as queimadas das zonas rurais.

    Na Amazônia, por exemplo, órgãos que assessoram agricultores têm pregado a substituição das queimadas por técnicas nas quais folhas e galhos podados são mantidos sobre o solo até se decomporem.

    Em entrevista à BBC em novembro de 2021, o agrônomo Osvaldo Kato, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, disse que o crescimento da população e a diminuição das áreas de floresta eram obstáculos à manutenção das queimadas tradicionais na Amazônia.

    SEGUNDO ELE, “QUANDO HAVIA MUITA TERRA E MENOS GENTE”, ERA POSSÍVEL AGUARDAR MUITO ANOS ATÉ QUE AS ÁREAS QUEIMADAS PARA A ABERTURA DE ROÇAS SE REGENERASSEM E VOLTASSEM A SER CULTIVADAS.

    “Mas não dá mais tempo de fazer isso”, afirmou.

    Nesse cenário, segundo ele, é preferível adotar métodos agroecológicos, que dispensam o fogo e permitem cultivar uma mesma área ininterruptamente.

    Além disso, segundo Kato, qualquer tipo de queimada injeta gás carbônico na atmosfera num momento em que a humanidade precisa cortar emissões para frear o aquecimento global.

    Movimentos contrários às queimadas também têm crescido na Caatinga, onde o fogo frequente é apontado como uma das principais causas para a crescente desertificação no bioma.

    A própria legislação proíbe o uso do fogo para suprimir vegetação exceto em situações pontuais, como em práticas de subsistência de comunidades tradicionais ou em queimas controladas em unidades de conservação. Em áreas privadas, realizar queimadas é ilegal a menos que haja autorização do órgão ambiental competente.

    Área desertificada no interior de Alagoas, onde há campanha para reduzir uso de queimadas — Foto: ASCOM - GOV. DE AL

    Área desertificada no interior de Alagoas, onde há campanha para reduzir uso de queimadas — Foto: ASCOM – GOV. DE AL

    João Morita, do ICMBio, diz que, quando muito frequente ou mal empregado, o fogo de fato pode ser bastante nocivo. É o caso, segundo ele, das queimadas usadas para substituir florestas por pastagens ou expandir monoculturas (plantações de uma única espécie).

    Esse uso do fogo empobrece o ambiente e deve ser reprimido, defende o gestor do ICMBio.

    Mas ele contesta a associação entre qualquer tipo de queimada e o aquecimento global.

    Morita diz que as queimas prescritas em ambientes de savana buscam eliminar principalmente o capim. E esse capim, quando incinerado, recupera 100% de sua massa em 18 meses, afirma ele.

    Ou seja, todo o carbono emitido na queima é reabsorvido um ano e meio depois, segundo o gestor do ICMBio.

    Por outro lado, diz Morita, quando incêndios ocorrem na estação seca, o fogo consome muitas árvores além do capim, gerando muito mais emissões.

    Como ele afirma que incêndios vão continuar a ocorrer – sejam intencionais, acidentais ou naturais -, Morita diz que é preferível agir para limitar seus danos.

    O gestor diz ainda que nem todas as comunidades em unidades de conservação têm condições de abrir mão do fogo para abrir roças. Nesses casos, segundo ele, é melhor ordenar o uso das queimadas do que reprimi-las.

    “Não é todo mundo que tem um trator ou a possibilidade de receber tecnologias alternativas ao fogo para produzir alimentos”, diz João Morita.

  • Kiev vai retirar estátua símbolo da amizade entre russos e ucranianos

    Kiev vai retirar estátua símbolo da amizade entre russos e ucranianos

    O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, determinou que uma estátua que simboliza a amizade entre russos e ucranianos seja retirada Arco da Amizade do Povo, no centro da cidade.

    A estátua de bronze, inaugurada em 1982, representa dois trabalhadores de pé, lado a lado. O monumento é um dos principais da era soviética. Segundo a prefeitura, a estrutura será desmontada nesta terça-feira (26/4).

    Klitschko adiantou que o Arco da Amizade do Povo será renomeado e iluminado com as cores da bandeira ucraniana. Russos e ucranianos estão em guerra há 61 dias.

    “Esta semana vamos desmontar uma escultura de bronze de dois trabalhadores, erguida em 1982 para comemorar a reunificação da Ucrânia com a Rússia. Os oito metros de metal da chamada ‘amizade de dois povos’ serão removidos do centro de Kiev”, declarou o prefeito.

  • Maíra Cardi rebate críticas ao ameaçar revelar “podres” de Marquezine

    Maíra Cardi rebate críticas ao ameaçar revelar “podres” de Marquezine

    Com a 22ª edição do Big Brother Brasil chegando ao fim, o protagonismo de Maíra Cardi fora da casa continua crescendo. Desta vez, a influencer ameaçou contar os “podres” de Bruna Marquezine caso não recebesse um Pix da atriz. Após a frase, ela foi muito criticada e desabafou em seus Stories do Instagram. Dentro do jogo, Arthur Aguiar conquistou uma vaga na final.

    “Gente, vocês ainda não se acostumaram com o meu deboche, eu já falei para vocês que eu sou debochada e que eu brinco muito com as coisas”, começou Maíra, que continuou explicando todo o episódio envolvendo Bruna Marquezine.

    “Eu fiz um deboche, obviamente, falando que ela poderia depositar um Pix na minha conta pelo meu silêncio. Obviamente que era um deboche. O meu silêncio não tem Pix no mundo que pague, só se eu quiser mesmo que eu fico quieta. Essa parte do dinheiro era um deboche”, Maíra Cardi.

    A influencer, por fim, mandou um recado para Marquezine. “Quem fala o que quer, ouve o que não quer, sempre. O que eu aprendi na vida, que eu nunca esqueço, é que toda ação tem uma reação. Se a gente dá conta das reações, está tudo certo, mas não é todo mundo que dá conta das reações das ações feitas”, completou.

  • Empresa aplica golpe milionário em policiais militares e desaparece

    Empresa aplica golpe milionário em policiais militares e desaparece

    Estruturado, um esquema fraudulento organizado por uma empresa de consultoria lesou policiais militares e servidores do Legislativo e Executivo, deixando um rastro de prejuízos estimados em R$ 3 milhões. O golpe captava vítimas que haviam contraído empréstimos consignados em grandes bancos. Após o tombo, os responsáveis pelo negócio fecharam o escritório e desapareceram do Distrito Federal.

    A Inside Consultoria teria sua sede no Rio de Janeiro, mas até março deste ano, mantinha um escritório em um coworking, na quadra 512 Sul. A engrenagem que movimentava o estelionato seduzia os servidores públicos com supostas vantagens irrecusáveis e condições de pagamento que não eram praticadas por outros empreendimentos que atuam no mercado.

    Os cabeças do negócio prometiam reduções de 50% nas parcelas dos empréstimos mediante uma espécie de portabilidade feita pela Inside, sempre em parceria com operadoras de crédito e algumas instituições financeiras. Para consumar o golpe, funcionários entravam em contato com os servidores públicos pelo telefone, oferecendo a oportunidade de negócio.

    Outro policial militar margou prejuízo de R$ 80 mil. O PM relatou que os captadores que entram em contato com as vítimas são bons de lábia e muito convincentes. “Eles faziam de tudo para mostrar que o negócio tinha até seguro, que não havia risco financeiro. A empresa era bem estruturada, com setor financeiro, de recursos humanos e administrativo. Era possível ver as pessoas trabalhando”, lembrou.

    Gerentes e laranjas

    Casado e com três filhos pequenos, um servidor do Ministério da Cultura que já pagava um empréstimo consignado de R$ 61 mil foi até a empresa após receber várias ligações e fechou negócio para ter as parcelas reduzidas em 50%. “Eu pagava R$ 600 e passaria a receber R$ 300 da Inside após eu pegar um novo empréstimo no valor de R$ 64 mil, pagos em 96 meses. Iria dar um saldo final de R$ 144 mil. No entanto, após sumirem com o dinheiro, passei a pagar R$ 2,3 mil”, desabafou.

    Tanto os policiais quanto outros servidores enganados pelo esquema começaram a levantar quem estava por trás da empresa. O casal que figurava como dono do negócio seria os gerentes Diogo Leonardo e Souza e Marcela Duarte Torreão (foto em destaque). “ Eles foram acusados pelos próprios funcionários da Inside de terem sacado o dinheiro das vítimas e depois desaparecido”, contou um dos policiais enganados pelo esquema.

    No entanto, a Inside figura no nome de Sebastião Gomes de Medeiros que, na verdade, é dono de um humilde quiosque que vende salgados e sucos nas ruas do Rio de Janeiro. Segundo as vítimas, Sebastião seria apenas um laranja usado pelos reais estelionatários. Uma série de ações impetradas pelas vítimas correm na justiça cível e criminal, assim como ocorrências policiais registradas na Polícia Civil do DF.

    Empresa abandonada

    Logo após os suspeitos partirem e todos os clientes ficarem no prejuízo, a estrutura da Inside foi desmontada e a sala onde funcionava ficou vazia. Funcionários foram desligados, alguns sem receberem o devido pagamento, e a sala fechada. Até o nome da empresa foi retirada da placa de identificação dos empreendimentos que funcionavam no local.

    O representante do empreendimento, Augusto Germano da Silva Kuntze; o contador da Inside, Diego de Farias Tenorio, e o advogado Ricardo Habib Campbell também não foram mais localizados por nenhum dos clientes que desejavam reaver o dinheiro. A reportagem esteve no local onde funcionava a empresa, e não encontrou qualquer sinal de alguém que pudesse falar em nome da Inside. Todos os telefones também estavam desativados.

  • Contas de luz: reajustes neste ano chegam a 24%, mas fim da taxa extra deve compensar, diz Aneel

    Contas de luz: reajustes neste ano chegam a 24%, mas fim da taxa extra deve compensar, diz Aneel

    A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem aprovado neste ano reajustes tarifários que variam de 7% a 24% nas contas de luz de clientes residenciais das distribuidoras de energia.

    Grande parte dos reajustes tem ficado acima dos registrados no ano passado, quando a conta de luz do consumidor residencial subiu, em média, 8,25%, segundo dados da Aneel.

    Os reajustes deste ano refletem, entre outros motivos, a alta da inflação. Os contratos de compra e distribuição de energia são reajustados pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M), respectivamente. Nos dois casos, os índices acumulados em 12 meses estão acima de 10%.

    A correção dos encargos setoriais que incidem sobre a conta de luz também contribuiu para a alta de dois dígitos.

    Abaixo, os reajustes médios nas tarifas de energia dos consumidores residenciais aprovados pela Aneel neste ano:

    OS REAJUSTES APROVADOS NESTE ANO PELA ANEEL

    EmpresaReajusteEntrada em vigor
    Enel Ceará (CE)23,99%22 de abril
    Neoenergia Coelba (BA)20,73%22 de abril
    Neoenergia Cosern (RN)19,87%22 de abril
    Energisa Sergipe (SE)16,46 %22 de abril
    Energisa Mato Grosso (MT)20,36%16 de abril
    Energisa Mato Grosso do Sul (MS)16,83%16 de abril
    CPFL Paulista (SP)13,80%8 de abril
    CPFL Santa Cruz (SP, MG e PR)7,17%22 de março
    Enel Distribuição Rio (RJ)17,14%15 de março
    Light (RJ)15,41%15 de março
    Energisa Borborema (PB)9,39%4 de fevereiro

    Fonte: Aneel

    Reajustes de dezenas de outras distribuidoras ainda serão aprovados pela Aneel ao longo deste ano.

    Além dos reajustes já definidos, a agência aprovou uma redução nas tarifas de sete pequenas distribuidoras de energia. Essas sete distribuidoras recebem subvenção econômica. As reduções variam de 3,38% a 26,69%.

    Como funciona

    Os reajustes nas tarifas de energia acontecem anualmente e variam conforme cada distribuidora. Normalmente, acontecem no aniversário de contrato de cada distribuidora, com exceção de quando há a “revisão tarifária periódica”.

    O objetivo do reajuste tarifário anual é justamente repassar ao consumidor a alta dos custos das empresas. Os reajustes precisam ser aprovados pela Aneel.

    Fim da bandeira

    Segundo a Aneel, o fim da bandeira escassez hídrica em abril deve reduzir e, em alguns casos, até anular o efeito dos reajustes tarifários.

    As bandeiras representam uma taxa extra aplicada à conta de luz quando aumenta o custo de produção de energia.

    A bandeira escassez hídrica foi criada pelo governo no ano passado, em meio à crise energética. Ela adicionava R$ 14,20 às contas de energia para cada 100 kWh consumidos. Ficou em vigor de setembro de 2021 a 15 de abril de 2022.

    Desde sábado passado (16), está em vigor a bandeira verde — em que não há cobrança adicional. A Aneel prevê que essa bandeira deve ficar em vigor até o fim do ano.

    Exemplos

    No caso da Enel Ceará, por exemplo, o reajuste tarifário aprovado foi de 23,99% (era de 24,88%, mas foi revisado) para os consumidores residenciais. Mas a combinação do reajuste tarifário com o término da cobrança da bandeira escassez hídrica resultará em um efeito tarifário a ser percebido pelo consumidor de 0,09%, diz a Aneel.

    Para a Energisa Sergipe, o reajuste aprovado nas tarifas foi de 16,46%, mas quando considerado o fim da bandeira escassez hídrica, o impacto tarifário a ser percebido pelo consumidor residencial será de uma queda de 6,15% na conta de luz, informa a Aneel.

    A agência disse ao g1 que não é possível dizer em quantos pontos percentuais o fim da taxa extra deve atenuar os reajustes tarifários, pois o cálculo varia de distribuidora para distribuidora. Mas a tendência, diz a Aneel, é de redução do impacto percebido pelo consumidor.

    Projeções

    Projeções da TR Soluções, empresa de tecnologia especializada em tarifas de energia, indicam que o fim da bandeira da escassez hídrica proporciona uma redução imediata média de 12,5% nas contas de luz dos consumidores residenciais.

    “As projeções indicam ainda que, na comparação dos valores previstos para 2022 ante os pagos no ano passado, as tarifas de energia residenciais teriam uma alta média de 11,20% desconsiderando as bandeiras tarifárias. Mas, com o fim da bandeira da escassez hídrica, o efeito médio percebido pelo consumidor passa a ser de aumento de apenas 6,09% no ano”, diz a consultoria em nota.

  • Justin Bieber fará show extra em São Paulo. Saiba todos os detalhes

    Justin Bieber fará show extra em São Paulo. Saiba todos os detalhes

    Depois de esgotar a venda de ingressos para uma apresentação única em questão de minutos, Justin Bieber confirmou um show extra em São Paulo. O cantor adicionou uma nova data a sua passagem pelo Brasil: dia 15 de setembro.

    O local da performance será o mesmo do dia 14, o estádio Allianz Parque, na capital paulista. A produtora Time For Fun anunciou detalhes sobre a venda de ingressos para a segunda data.

    A pré-venda começa no sábado (23), a partir das 0h01 (e às 10 horas na bilheteria oficial) para clientes do cartão Inter Mastercard e segue até domingo (24), às 22 horas. Já para o público geral, as vendas começam na segunda-feira (25), às 0h01 e a partir das 10 horas na bilheteria.

    Os valores dos ingressos da “Justice World Tour” variam entre R$ 175,00 e R$ 1000,00. Veja as informações abaixo:

    Justin Bieber – Justice World Tour (São Paulo)

    Realização: TIME FOR FUN e AEG Presents
    Apresentado por: Inter e Mastercard
    Cerveja Oficial: Budweiser
    Apoio: NewOn — Grupo Prevent Senior
    Fornecedor Oficial: Hospital Sancta Maggiore
    Data: Quarta-feira, 14 de setembro de 2022. ESGOTADO
    Data extra: Quinta-feira, 15 de setembro de 2022
    Local: Allianz Parque — Avenida Francisco Matarazzo, 1705, Água Branca, São Paulo – SP
    Abertura dos Portões: 16h
    Horário do show: 21h
    Capacidade: 48.167 pessoas
    Ingressos: A partir de R$ 175 (ver tabela completa)
    Classificação etária: De 12 a 14 anos: Permitida a entrada acompanhados dos pais ou responsáveis legais. De 15 anos em diante: Permitida a entrada desacompanhados. Proibida a entrada de menores de 12 anos.

  • Estado grave: aluna é internada em UTI após bater cabeça durante aula

    Estado grave: aluna é internada em UTI após bater cabeça durante aula

    Uma estudante de 16 anos foi internada em estado grave após sofrer queda enquanto tentava fazer acrobacias na quadra poliesportiva de uma escola em Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital goiana.

    Maria Eduarda Vieira Gomes respira com ajuda de aparelho na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

    De acordo com o hospital, Maria Eduarda foi encaminhada, no último dia 7, para a unidade de saúde, um dia depois de sofrer a grave queda durante a atividade física na quadra do Centro de Ensino em Período Integral (Cepi) Cruzeiro do Sul, onde cursa o 3º ano do ensino médio.

    A família da estudante disse que o acidente com a adolescente ocorreu na tarde do dia 6 de abril, mas ela só foi internada na manhã do dia seguinte no Hugo. Os pais disseram que a escola não prestou os primeiros socorros.

    Acrobacias

    Segundo colegas de Maria Eduarda, a adolescente foi dar um giro e bateu a cabeça no chão. Ela estaria fazendo acrobacias a pedido da professora de educação física que preparava os estudantes para uma apresentação na semana seguinte.

    De acordo com os pais da estudante, os amigos de Maria Eduarda contaram que ela ficou desmaiada por cerca de 15 segundos e convulsionou. Depois, segundo os relatos, ela começou a parecer agressiva e não reconhecia ninguém, nem mesmo a própria mãe, que teria sido chamada por estudantes.

    O pai disse que levaram cerca de três horas para conseguir acalmar a adolescente da agitação e, depois de os médicos realizarem uma tomografia, identificaram um afundamento do crânio do lado direito.

    “Estudo orientado”

    A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que a adolescente se machucou durante uma aula de “estudo orientado” na quadra poliesportiva.

    Por meio de nota, a Seduc explicou que está investigando o que aconteceu, “tanto para eventual responsabilização, quanto para aprimorar os cuidados adotados para a segurança dos estudantes em suas atividades escolares”.

    A nota também diz que a pasta, assim que soube do acidente, “providenciou assistência por meio da Gerência de Segurança e Saúde do Servidor e do Estudante”.

    “A Secretaria da Educação lamenta profundamente o ocorrido e se une aos amigos e familiares em preces por Maria Eduarda”, diz o comunicado.

  • Lula guarda duas cartas a jogar na mesa para atrair o PSD de Kassab

    Lula guarda duas cartas a jogar na mesa para atrair o PSD de Kassab


    Se dará certo ou não, é outra conversa. Mas Lula ainda não desistiu de contar ao seu lado no primeiro turno da eleição de outubro com o PSD de Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, cobiçado também por Bolsonaro, embora com menos chances

    No acordo feito com o PSB para o governo de Pernambuco, o PT se comprometeu a apoiar a candidatura de Danilo Cabral. Em troca, o candidato do PSB ao Senado seria um nome do PT. Pode não ser. Ali, o PSD tem um forte candidato, André de Paula, deputado.

    Em Minas Gerais, o PT apoiará para o governo o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD). Em troca, quer que o candidato ao Senado seja Reginaldo Lopes (PT), deputado. Mas o senador Alexandre Silveira (PSD) é candidato à reeleição.

    Se esse for o preço a pagar pelo apoio desde já do PSD a Lula, o PT abrirá mão das candidaturas ao Senado em Pernambuco e em Minas. Em Pernambuco, isso é praticamente certo. Está mais difícil em Minas porque Lopes lidera todas as pesquisas.

    Kassab sempre quis um candidato próprio a presidente para evitar que seu partido se dividisse entre Lula e Bolsonaro. No segundo turno, ele achava que seria mais fácil levar a maior banda do PSD para o lado de Lula. Porém, tentou, tentou, e não conseguiu.

  • Rússia faz aceno inédito e envia proposta de acordo de paz à Ucrânia

    Rússia faz aceno inédito e envia proposta de acordo de paz à Ucrânia

    A Rússia entregou uma proposta de acordo de paz à Ucrânia. O aceno, até então inédito, é a investida mais forte do Kremlin para por fim aos bombardeios, iniciados em 24 de fevereiro.


    Nesta quarta-feira (20/4), o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, segundo agências internacionais de notícias, que aguarda a resposta de Kiev sobre a proposta. Até então, Rússia e Ucrânia haviam apresentado somente condições para negociar.

    “O documento que hoje apresentamos é o nosso projeto e inclui reformulações absolutamente claras e desenvolvidas. A bola está do lado deles [Ucrânia], estamos à espera de uma resposta”, frisou Peskov.

    Ele completou: “Mas reitero mais uma vez a dinâmica do trabalho do lado ucraniano deixa muito a desejar, os ucranianos não mostram uma grande vontade em intensificar o processo de conversações.”

    Em março, a Ucrânia apresentou à Rússia o seu projeto de acordo em Istambul, onde as duas partes negociaram um hipotético fim do conflito.

    A Rússia e a Ucrânia vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Otan, entidade militar coordenada pelos Estados Unidos.

    Na prática, Moscou vê essa possibilidade como uma ameaça à sua segurança. Sob essa alegação, invadiu o país liderado por Zelensky, em 24 de fevereiro. A guerra completa, nesta quarta-feira, 56 dias.

  • BBB22: enquete mostra quem sai entre Douglas, Eliezer e Scooby

    BBB22: enquete mostra quem sai entre Douglas, Eliezer e Scooby

    Os participantes do BBB22 formaram o 17º Paredão da temporada nesta terça-feira (19/4), logo após a eliminação de Gustavo Beats. Paulo André venceu a Prova do Líder e indicou Eliezer para a berlinda. Douglas Silva, por ter sido o último na prova, também foi direto ao Paredão.


    Na sequência da formação, Pedro Scooby foi o mais votado pela casa. Assim, formou-se uma disputa com três emparedados. O mais votado pelo público será eliminado. Paulo André e Arthur Aguiar já estão no top 4 do reality show.