Autor: São Paulo em Foco

  • Ex-prefeito de Corumbá nega envolvimento em fraude de Campinas

    Ex-prefeito de Corumbá nega envolvimento em fraude de Campinas

    O ex-prefeito de Corumbá Ricardo Chimirri Cândia, que foi diretor de Planejamento da Prefeitura de Campinas (SP), um dos presos na operação desencadeada pelo Gaeco e Ministério Público há uma semana, negou envolvimento no suposto esquema de fraudes em contratos públicos e pagamento de propina da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A). Cândia prestou depoimento ontem à tarde a promotores.

    Ele, que é apontado como braço direito da primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos, atuaria como responsável por receber e destinar o dinheiro de propina em nome de Rosely, que seria a líder de toda a engrenagem

    O depoimento de Cândia, segundo seu advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho, vai na contramão do que foi investigado até agora pelo MP. “Ele disse que não eram amigos, que não tinham contato íntimo e que se conheciam”, disse Stettinger Filho, após o depoimento que durou cerca de três horas no 2º Distrito Policial de Campinas.

    Apesar de Cândia ter negado vínculo com Rosely, segundo divulgado pela empresa de Campinas, consta na página 284 do relatório do MP que “conforme explicado pelo senhor Luiz Augusto Castrillon de Aquino, o senhor Ricardo Chimirri Cândia atua diretamente com a senhora Rosely Nassim Jorge Santos no recebimento e destinação dos valores provenientes do esquema de corrupção da Sanasa”.

    Cândia, de acordo com seu advogado, confirmou somente participação na campanha eleitoral do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), em 2008, com recebimento de dinheiro cujo valor não foi informado. Quanto a Aquino, segundo o advogado, Cândia confirmou que os dois tinham uma relação pessoal e política. O ex-prefeito de Corumbá foi diretor financeiro da Sanasa até 2006.

    Ontem, o ex-diretor da Sanesul e da Sanasa, Aurélio Cance Junior, também negou participação no esquema.

    Cance e Francisco de Lagos, que foi secretário de Cultura em Campo Grande, na prefeitura de Lúdio Coelho, que era considerado foragido e não chegou a ser preso na operação, foram beneficiados com decisão do TJ/SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), ontem, de revogação da prisão preventiva.

    Cândia, Cance Júnior e Francisco Lagos formam a “República de Mato Grosso do Sul”, alvo de investigações no caso.

    Novos depoimentos – Na tarde desta sexta-feira deve ser ouvido pelos promotores do Gaeco, em Campinas, o empresário e pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai.

    Amigo do ex-presidente Lula, ele foi apontado nas investigações no depoimento do ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Castrillon de Aquino, sob acordo de delação premiada, como recebedor de recursos da empresa Constran por contratos supostamente superfaturados mantidos com a empresa mista. Os valores teriam como destino o PT nacional e até mesmo o governo Lula.

    Segundo informações de matéria publicada pela Agência Estado nesta quinta-feira, Bumlai é citado em escuta telefônica que pegou um advogado e Luiz Castrillon de Aquino, delator das fraudes. Na conversa gravada, Aquino diz que Bumlai estaria interessado em fazer delação premiada para “proteger Lula”. Ele cita o nome do empresário Italo Barioni, do grupo brasileiro Contem, em Campinas, usada por um amigo do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) na aquisição da Contem Canada Inc.

    “Não conheço estas pessoas, não tenho ligação com prefeitura de lugar algum. Estou perplexo com tudo isso”, explicou em entrevista ao Campo Grande News.

    “Meu advogado está tomando as providências cabíveis e o assunto será esclarecido. Não quero falar mais para não comprometer minha defesa”, complementou. (Com informações do grupo Rede Anhanguera de Comunicação)

  • Dono da SP Alimentação é suspeito de participar da máfia da merenda escolar; prisão ocorreu em Higienópolis

    Dono da SP Alimentação é suspeito de participar da máfia da merenda escolar; prisão ocorreu em Higienópolis

    Investigado sob suspeita de fraudar processos licitatórios para o fornecimento de merenda escolar, o empresário Eloizo Gomes Afonso Durães, dono da SP Alimentação, foi preso preventivamente ontem em Higienópolis (região central de SP).
    A prisão ocorreu quando Durães deixava o prédio onde mora para fazer sua caminhada matinal pelo bairro.
    Ao todo, de acordo com investigação do Ministério Público Estadual, a máfia da merenda escolar pagou cerca de R$ 280 milhões para funcionários de 35 prefeituras em propinas num esquema de desvio de verbas públicas.
    Doze policiais civis participaram da operação para prender Durães, que, inicialmente, tentou não entrar no carro policial e foi algemado.
    Durães foi preso por ordem da Justiça de Limeira (151 km de SP) por ter sido acusado pela Promotoria de pagar propina de R$ 175 mil para dois vereadores da cidade, em 2007 e 2008.
    De acordo com a promotora Regina Helena Fonseca Fortes Furtado, Durães pagou a propina para que dois vereadores -Antonio César Cortez, ainda hoje na Câmara Municipal local, e o ex-vereador Carlos Gomes Ferraresi- votassem contra uma CPI para investigar o fornecimento de merenda na cidade.
    Segundo a promotora, o contrato para o fornecimento de merenda em Limeira que deveria ser investigado na CPI era de R$ 56 milhões.
    A Justiça também decretou a prisão preventiva do vereador Cortez, mas ele é candidato a deputado estadual pelo PV e, pela lei eleitoral, não pode ser preso 15 dias antes e dois depois da eleição.
    Também foram pedidas as prisões de Ferraresi e de Genivaldo Marques dos Santos, ex-funcionário da SP Alimentação. A Justiça negou.
     

  • Calote de R$ 30 milhões do Campo Oeste foi premeditado

    Dossiê montado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) revela que os sócios do frigorífico Campo Oeste, em Campo Grande, realmente usaram a empresa para lavar dinheiro, através de sonegação de impostos e não pagamento a produtores, desde o início de suas atividades, em 2 de dezembro de 1999.

    A delegada responsável pelo caso pede quebras de sigilos telefônico e bancário, além da prisão preventiva de Alberto Pedro da Silva, apontado como mentor do esquema, além de Alberto Pedro da Silva Filho, Duilio Vetorazzo, Mário Antonio Guzilini, Anástacio Cândia Filho, Reginaldo da Silva Maia, Sebastião da Silva dos Santos.

    Os pedidos foram encaminhados ao promotor Gilberto Robalinho da Silva.

    Com uma dívida estimada em R$ 30.150.000,00, o frigorífico fechou suas portas no dia 4 de setembro do ano passado, ao conceder férias coletivas a 410 funcionários e suspender os abates.

    Antes disso, em junho, dois dos principais sócios do frigorífico, que moram fora do Estado, vieram à Capital e sem comunicar nenhum fazendeiro ou corretor de gado, fizeram uma limpeza no patrimônio da empresa.

    Na ocasião, todos os bens móveis, bem como caminhões e carros foram subtraídos na ‘calada da noite’ por Alberto Pedro da Silva Filho, conhecido como Beto Beleza e Mário Antonio Guizilini. Não contentes, os dois ainda levaram todo o gado adquirido por Mário à Expogrande de 2008, que pagou apenas duas de várias parcelas.

    Em 2002, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) realizou uma auditoria no frigorífico e comprovou os nomes dos verdadeiros sócios, além de constatar uma dívida de R$ 4 milhões ao Funrural (Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural).

    O frigorífico foi registrado em nome dos ‘laranjas’ Manoel Marques da Silva, residente em Maracaju e Sebastião Silva dos Santos, que mora em Bodoquena. Informações no dossiê mostram que os dois trabalhadores não têm condições de administrar uma empresa de grande porte como um frigorífico, afinal, são semi-analfabetos e se expressam com certa dificuldade.

    Em 2006, com a pressão do INSS acirrada em cima dos laranjas, os verdadeiros sócios decidiram mudar o contrato social do frigorífico, entrando Mario Antonio Guizilini e José Luiz da Rocha. Por ironia do destino, em 2007 José Luiz morreu em um acidente, contudo o contrato da sociedade não foi alterado; a empresa chegou a trabalhar um ano sem fazer o inventário.

    Como de costume, sempre às escondidas, em agosto de 2008 o contrato social foi alterado e José Luiz cedeu lugar a Anastácio Cândia Filho. Aí o estrago já tinha sido feito, pois a falência da empresa era certa, ainda mais depois de um relatório da receita federal de Araçatuba (SP), que concluiu que Alberto Pedro da Silva Filho e Duílio Vetorazzo Filho eram os reais proprietários do frigorífico.

    Foram constatadas que as assinaturas de ambos eram idênticas a de seus pais, que também se envolveram indiretamente na negociata e na lavagem de dinheiro. Também foram comprovadas as saídas de dinheiro do Campo Oeste para parentes de Duílio, ou seja, parte do pouco dinheiro arrecadado e que poderia pagar os salários de funcionários foi transferido para a família de um dos sócios.

    Mas devido a uma briga ocorrida em 2007, entre Duílio e Beto Beleza, o primeiro saiu da sociedade. Ao sair da empresa, Duílio faz mais um rombo: retira 5 cheques pré-datados do caixa do frigorífico para descontar em um factoring (atividade comercial, mista e atípica, que soma prestação de serviços à compra de ativos financeiros) no valor de R$ 312,5 mil, emitidos em 21 de dezembro de 2007.

    Em 2004, porém, em meio aos problemas já sabidos pelos sócios do frigorífico e com a crise já instalada, os principais diretores resolveram abrir um novo frigorífico em Camapuã, conseguindo até mesmo a cedência de um terreno pela prefeitura.

    Em uma operação “um tanto quanto duvidosa”, avalia a Famasul, logo eles conseguem realizar a transferência da sede do novo frigorífico para a cidade de Guararapes, interior de São Paulo, com o intuito de driblar o fisco.

    Contudo, os problemas relacionados ao Campo Oeste começaram a surgir, o que dificultou que Beto Beleza conseguisse financiamento para operar a Dualfrigo, novo empreendimento.

    Foi aí que o terreno teve de ser devolvido à prefeitura e o projeto acabou abortado. No entanto, apesar de todo esse malabarismo, no dossiê consta que a transferência para Guararapes foi feita e na cidade funciona até hoje um frigorífico.

    Enquanto os 410 funcionários que estão até hoje sem receber os seus respectivos salários enfrentam dias difíceis, os empresários sócios do Campo Oeste conseguiram acumular bens, que estão registrados em nomes de esposas, sogros, sogras, pais e irmãos, tudo para driblar os credores.

    Alberto Pedro da Silva Filho, o Beto Beleza, é dono de fazendas em Mato Grosso e São Paulo e seu nome está ligado ao frigorífico de Guararapes. Duílio é proprietário de uma fazenda em Porto Murtinho, de um comércio de móveis em Campo Grande e pode estar abrindo um novo frigorífico na Capital.

    Mario Antonio Guizilini é comprador e vendedor de carnes em São Paulo e arrendatário de um posto de gasolina localizado próximo ao aeroporto de Campo Grande.

    O dossiê revela suspeitas até mesmo de bancos como o Bradesco estarem envolvidos em toda a ‘sujeira’, já que um dos pontos duvidosos é a quantia de 156 cheques que foram sustados pelo respectivo banco quando decretada a falência do empreendimento.

    Esse procedimento pode ser configurado, segundo o dossiê, como fraudulento já que os maus pagadores podem ter sido acobertados e com isso seus nomes não foram incluídos no CCF (Cadastro de Cheques sem Fundo) do banco central, o que gerou uma cadeia de prejuízos.

    Elaborado pelo assessor jurídico da Famasul, Gervásio de Oliveira Júnior, no dossiê estão explícitos, mediante documentos anexados, pelo menos três tipos de crime: estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

    Na análise da Famasul, fica evidente que os sócios do Campo Oeste premeditaram o calote, pois em meio a infindáveis crises milionárias, continuaram comercializando seus produtos e enganando credores.

  • Promotoria de São Paulo investiga irregularidades na distribuição da merenda escolar

    Promotoria de São Paulo investiga irregularidades na distribuição da merenda escolar

    O Ministério Público Estadual está atualmente investigando possíveis atividades de conluio entre empresas fornecedoras de merenda escolar, visando fraudar licitações realizadas pela Prefeitura de São Paulo em maio de 2007, durante a gestão de Gilberto Kassab (DEM). Desde então, as empresas terceirizadas responsáveis pelo serviço receberam mais de R$ 200 milhões anualmente do município.

    As investigações sobre a formação de cartel, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos se estendem a pelo menos outros 13 municípios, onde as mesmas empresas estão envolvidas. Além disso, a investigação abrange também a preocupação com a má qualidade da alimentação fornecida aos alunos da rede escolar paulistana.

    De acordo com três depoimentos oficiais e uma gravação recebida pela Promotoria, há evidências de um acordo entre empresários antes do pregão realizado há dois anos, durante a gestão de Kassab. Um dos depoentes, o advogado J. (cujo nome foi mantido em sigilo a pedido da Promotoria), ligado ao grupo SP Alimentação, relata que o acordo envolveu pelo menos três empresas para a distribuição dos seis lotes em disputa. Além da SP Alimentação, foram mencionadas a Nutriplus e a Geraldo J. Coan. Uma gravação que comprovaria os acertos foi anexada ao processo, mas sua utilização como prova é questionada devido à sua suposta clandestinidade.

    A Folha teve acesso ao conteúdo da gravação, na qual os interlocutores, identificados como representantes de empresas de merenda escolar, discutem preços e combinações para manipular a disputa no pregão. Eles mencionam um encontro em um hotel para os “últimos acertos”, devido à falta de confiança mútua.

    As combinações feitas na gravação coincidem com os resultados da licitação, na qual cada um dos seis lotes oferecidos pela prefeitura foi vencido por um grupo, com pouca ou nenhuma concorrência real.

    Relatos posteriores ao início de 2008 indicam a existência de um esquema similar em diversas cidades do país, envolvendo acordos entre empresários do setor.

    Do outro lado, algumas empresas negaram qualquer envolvimento em conluio ou irregularidades, enquanto outras não se pronunciaram. A SP Alimentação, citada nos depoimentos e na gravação, optou por não comentar. Olésio Magno de Carvalho, mencionado na gravação, inicialmente concordou em ouvir as gravações, mas posteriormente desmarcou o encontro após consultar advogados.

    A Nutriplus, por sua vez, afirmou não ter conhecimento de qualquer investigação e considerou as alegações absurdas, ressaltando que seus preços são competitivos e em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar. A empresa também se defendeu das denúncias anteriores, atribuindo-as a atacadistas que se opõem à terceirização da merenda escolar.

    A Convida Alimentação preferiu não comentar devido à falta de informações oficiais sobre a investigação, enquanto outras empresas contatadas não responderam aos pedidos de esclarecimento da Folha.

  • Falso delegado é preso em Nova Iguaçu

    Flávio Yanoff Tsitsa, que se apresentava como o delegado titular da 58ª DP (Posse), Roberto Cardoso, acabou preso e autuado pelo crime de falsidade ideológica, na delegacia da Posse, pelo verdadeiro delegado. Flávio freqüentava estabelecimentos comerciais, e depois de comer e beber, anunciava que não pagaria a despesa, pois era o delegado Roberto Cardoso, e que tinha o poder de fechar ” aquela espelunca”‘, saindo do local.

    Um comerciante que fora visitado duas vezes por Flávio, comunicou o fato à delegacia, que localizou o falso delegado num Citroen. Flávio foi reconhecido pelo comerciante. De acordo com o delegado Roberto Cardoso, Flávio disse na delegacia que era um empresário bem sucedido e dono de seis padarias, mas não soube informar o endereço dos estabelecimentos. Ainda, querendo impressionar os agentes, Flávio alegou ser jornalista e amigo de coronéis.

     

  • Donos da Total Combustíveis são presos por sonegação fiscal

    Com prisões preventivas decretadas pela Justiça Federal de Pernambuco, três proprietários da empresa Total Combustíveis foram presos, hoje, em São Paulo por policiais federais de Pernambuco com o apoio da PF de São Paulo. Rômulo Pina Dantas, Paulo Perez Machado e Marcos José Bezerra Menezes são acusados de crime de falsificação de documentos com a finalidade de sonegação fiscal. De acordo com a PF-PE, eles teriam sonegado R$ 2,7 milhões de imposto de combustível, Cide, pelo que foram denunciados pelo Ministério Público Federal. Dantas, Machado e Menezes já haviam sido presos no Recife em meados do ano passado, por decisão da justiça estadual,mas foram liberados por força de habeas corpus. Eles eram procurados pela PF há quase seis meses. Os três deveriam desembarcar no Recife ainda ontem, por volta das 23 horas, e ficariam no núcleo de custódia da PF. Um outro proprietário da empresa, Alberto Perez Machado, que também tem mandado de prisão preventiva decretado, continua sendo procurado pela Polícia Federal.

  • Empresa desativada recebeu R$ 7 milhões da Sudam

    A Hayashi & Cia Ltda., empresa de Blumenau (SC) desativada em 95, recebeu R$ 7 milhões de recursos da extinta Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), entre 97 e 99, por supostos serviços de infra-estrutura prestados ao projeto agrícola Nova Holanda, de Balsas (MA).

    Cópias das notas fiscais emitidas pela Hayashi à Nova Holanda foram encaminhadas hoje à Receita Federal, em Santa Catarina, para que se apure se os valores constaram das declarações de Imposto de Renda da empresa.

    Os R$ 7 milhões pagos à Hayashi fazem parte de um volume de cerca de R$ 20 milhões que a Nova Holanda recebeu da Sudam a partir de 97 para desenvolver o projeto agrícola no Maranhão.

    As cópias de notas da Hayashi fazem parte da documentação recolhida pela força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal), que investiga os desvios.

    O subprocurador da República José Roberto Santoro disse hoje, em Curitiba, que considera “fechada” a investigação do MPF sobre os recursos aplicados na Nova Holanda.

    “Com os depoimentos de Blumenau, acredito que fechou a investigação”, afirmou ele. Segundo Santoro, um cruzamento de dados, na próxima semana, vai confirmar ou não as suspeitas de desvios na Nova Holanda.

    Santoro, o procurador Rodrigo Janot e o delegado da Polícia Federal Rodney Rocha Miranda tomaram, ontem, em Blumenau, o depoimento do presidente da Nova Holanda, Lauro Leone Vianna.

    O empresário também preside a Momento Engenharia, de Curitiba, e a Agrima, comprada da Lunus, em 94. A Lunus pertence à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney e ao marido dela, Jorge Murad.

    Vianna negou qualquer irregularidade no projeto e disse que a Hayashi recebeu o dinheiro pois teria feitos serviços de terraplenagem. Os proprietários da Hayashi não foram encontrados.

    Em Curitiba, a força-tarefa ouviu dois envolvidos no projeto Usimar, que levou R$ 44,2 milhões da Sudam: Roderjan Busato, da Engeblon Engenharia, e a mulher dele, Magaly Hübner Busato.

    Para amanhã, estão marcados os depoimentos de Amauri Cruz dos Santos e Ulbi Arlant, apontados como intermediários na aprovação do projeto Usimar.

  • Esposa de motorista assassinado no litoral diz que recebeu ameaças após denunciar suposto esquema de ‘rachadinhas’

    Esposa de motorista assassinado no litoral diz que recebeu ameaças após denunciar suposto esquema de ‘rachadinhas’

    Apesar disso, o Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania diz que não vê relação entre o assassinato e o suposto esquema envolvendo vereadores em Ubatuba.

    A esposa do motorista de aplicativo William Germano, de 44 anos, que foi assassinado em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo, afirma que dois meses antes da morte do marido recebeu ameaças após denunciar um suposto esquema de ‘rachadinhas’.

    O boletim de ocorrência foi registrado no dia 2 de junho. No documento, a esposa, que é funcionária pública do município, relata que uma pessoa havia questionado se ela havia “falado sobre rachadinhas com alguém” e que ela “não sabia o dia de amanhã e o que poderia acontecer”.

    O Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania não vê relação entre a morte e o suposto esquema de rachadinha em Ubatuba, mas destaca que a apuração é feita pela Delegacia de Ubatuba. Até o momento, três pessoas foram presas.

    Crime e prisões
    De acordo com a Polícia Civil, o corpo de William Germano foi encontrado no dia 17 de agosto com sinais de violência física, incluindo marcas de espancamento e mãos amarradas.

    Ele era motorista de aplicativo e, segundo a família, o último contato foi na noite do dia anterior, em 16 de agosto, quando ele retornava do trabalho para casa.

    O corpo foi encontrado na Praia Vermelha do Norte. Já o carro da vítima foi encontrado a 7 km de distância, na Rua dos Nazarenos, no centro de Ubatuba.

    Os dois primeiros suspeitos do crime foram detidos no dia 24 de agosto. Celio Pereira Santos Junior, de 21 anos, foi encontrado em Ubatuba em uma operação da Polícia Civil. Também no dia 24, Diego Felipe da Silva Messias Moraes, de 40 anos, foi preso em Guarulhos, na Grande SP.

    O terceiro suspeito de envolvimento no crime, Thiago Alves Freitas, de 19 anos, se apresentou na última terça-feira (29), na Delegacia de Ubatuba.

    Para a polícia, Thiago disse que foi o autor do disparo de arma de fogo que, em tese, tirou a vida de William, e que matou, amarrou, amordaçou, vendou e descartou o corpo da vítima sozinho. Ele afirmou que decidiu se apresentar à polícia para esclarecer que seu amigo, Célio Pereira, não participou do crime.

    Ele reafirmou à polícia que o crime foi motivado por questões de foro íntimo e que não teve nenhuma relação com as denúncias da suposta rachadinha.

    A Rede Vanguarda tentou contato com a defesa dos presos, mas, até o momento, não obteve retorno.

     

  • Golpe do falso emprego na internet: operação em SP apreende quase R$ 7 milhões, armas e carros de luxo

    Ação conjunta do Ministério Público de SP e da Polícia Federal suspeita que criminosos tenham relação com a máfia chinesa.

    Uma pessoa foi presa e quase R$ 7 milhões foram apreendidos nesta terça-feira (31) em uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo. Parte desse dinheiro veio de golpes aplicados pela internet com a falsa promessa de trabalho em plataformas virtuais.

    Uma parte do dinheiro estava num cofre escondido no sótão de uma casa. Em outro endereço, os maços de dinheiro estavam escondidos junto com pistolas e munição.

    O MP-SP e a PF descobriram que, aos poucos, todo esse dinheiro foi transferido para contas bancárias de empresas — entre elas, uma loja de armas e munições na Zona Leste da capital que tem como sócios parentes de um homem acusado de fazer parte da máfia chinesa.

    Huang He foi preso no brasil em 2018 e, no ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição dele para a China depois de receber um pedido das autoridades de Pequim, que acusava o homem e um comparsa de liderarem uma organização criminosa que ganhava dinheiro com cassinos, extorsão e liquidação das dívidas com força.

    No começo da tarde, os agentes da Polícia Federal encontraram num prédio no Centro de São Paulo oito pistolas e quatro fuzis. Apreenderam, ainda, diversos veículos, incluindo carros de luxo.

    O delegado Jeferson Di Schiavi disse que o esquema criminoso começava com uma falsa promessa de emprego feita em redes sociais.

    “É aquele golpe que muitas pessoas já devem ter recebido no celular: ‘Trabalhe meio período e ganhe R$ 5 mil’. A pessoa começa a desenvolver uma atividade numa plataforma virtual, ela vai acumulando um saldo, uma espécie de um salário, só que, para sacar esse saldo, ela tem que dar uma contrapartida para auxiliar a plataforma. Quando ela faz a transferência, os criminosos cessam o contato e ela não saca nem o suposto salário e também o valor que ela transferiu para eles”.

    Em outra etapa do golpe, os criminosos conseguiam os chamados “laranjas” — pessoas que aceitavam abrir contas bancárias usando o próprio nome para ajudar a quadrilha a lavar o dinheiro ilícito. Os investigadores afirmam que, em menos de seis meses, a fraude movimentou mais de R$ 4 milhões.

    “Às vezes, um golpe aplicado ali, que pode parecer algo desimportante, isolado, individual, tem conexões, talvez, com compra de munições e armas de fogo, com organizações criminosas, inclusive, com a possibilidade de braços internacionais, que vão ser apurados ao longo da investigação”, explicou o promotor de justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato.

  • Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Supremo libera para Carlos Bolsonaro acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal da Abin

    Mais cedo, defesa do vereador divulgou nota dizendo que não teve acesso ao material. Também em nota, STF disse que conteúdo está disponível para a defesa.

    O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou para o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) acesso aos autos da investigação sobre espionagem ilegal na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

    Na segunda-feira (29), Carlos foi alvo de buscas e apreensões realizadas pela Polícia Federal em uma operação que apura uso irregular da agência durante o governo Jair Bolsonaro, pai do vereador.

    Mais cedo, em nota, sua primeira manifestação pública após as buscas, Carlos disse que tinha pedido acesso aos autos no STF, mas que a solicitação ainda não havia sido analisada, “impossibilitando que se tome conhecimento dos fatos em apuração”.

    Após essa nota do vereador, o STF informou, também por escrito, que o acesso já está liberado. E que a defesa de Carlos deve buscar o material no prédio do Supremo.

    “Sobre a nota da defesa do Carlos Bolsonaro reclamando que não teve acesso à integra da investigação da Operação Vigilância Aproximada, o STF respondeu que já foi liberado, mas que os advogados precisam buscar no gabinete”, afirmou o tribunal.

    Espionagem ilegal
    De acordo com investigações da Polícia Federal, uma “Abin paralela” funcionou durante o governo passado, com o objetivo de monitorar políticos e autoridades e também produzir material para uso de familiares do ex-presidente.

    A suspeita dos investigadores é que Carlos recebeu “materiais” obtidos ilegalmente pela Abin.

    Ainda segundo as investigações, assessores de Carlos Bolsonaro, que também foram alvo da operação, teriam pedido informações sobre políticos para o ex-diretor da Abin e atual deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem é próximo da família Bolsonaro.