Idosa de 89 anos morre em unidade de saúde à espera de vaga para internação em Sorocaba

Neta diz que Etelvina Silva esperou mais de dez horas por vaga em uma cadeira de rodas. Idosa foi atendida na UPH Oeste e deveria ser levada a um hospital, mas não resistiu e morreu quase 24 horas depois.

Uma idosa de 89 anos com quadro de pneumonia morreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPH) da zona oeste, em Sorocaba (SP), à espera de uma vaga para internação. Etelvina Silva deu entrada na UPH por volta de meio-dia de domingo (2), mas não resistiu. A morte foi registrada na segunda-feira (3) pela manhã, quase 24 horas depois, informou a família.

Ainda conforme a família, o médico disse que a idosa teve uma infecção generalizada por causa da pneumonia e por isso não resistiu.

A prefeitura de Sorocaba informou que a paciente deu entrada na UPH Oeste em estado delicado de saúde e, “imediatamente, foi atendida de forma prioritária, em leito de emergência, realizando todos os exames necessários, recebendo medicações e sendo integralmente assistida”.

Ao g1, a neta Maricel Silva Pereira contou que a avó não teve atendimento adequado e que ficou mais de dez horas em uma cadeira de rodas enquanto aguardava a vaga para internação.

Ainda conforme a prefeitura, “a vaga para internação em hospital já havia sido solicitada, via CROSS, mas a paciente não resistiu”.

“Mas é claro que ela não ia resistir. Ela já chegou fraca, chegou doente, e teve que fazer todo o processo de espera, o exame, e depois ainda tentar aguardar a vaga”, rechaçou a neta.

Etelvina Silva foi sepultada na tarde desta terça-feira (4) no Cemitério Municipal de Araçoiaba da Serra (SP).

Mais de 10 horas em cadeira de rodas
Maricel contou que a avó ficou muito tempo em uma cadeira de rodas, que só depois de mais de dez horas no assento, a avó foi colocada em repouso. “Quando ela conseguiu a maca, por volta das 23h, não deram nada de tão importante para ela, para tentar reverter alguma coisa, nada”, comentou.

A neta comentou que quando chegou na UPH, ela pediu uma cadeira de rodas para ela sair do carro, mas entregaram uma inadequada para seu tamanho.

“Minha avó não parava, era uma cadeira enorme, grandona. Minha avó era magrinha e ela escorregava. Ela não parava e não tinha força para segurar”, conta.
A idosa foi atendida pelo médico e realizou exames, perto de 16h, ainda na cadeira, e com muitas dificuldades para ficar ali, contou a parente. Após quase três horas para o resultado, o médico solicitou a internação, pedindo uma vaga pelo Cross.

“Consegui trocar a cadeira dela só depois de ela já ter passado com o médico e quando estava esperando a medicação e os exames. Entramos no consultório e ele já falou ela ia ficar internada. Disse que faria a ‘papelada’ e deixaria tudo pronto, e que ia fazer a internação dela na observação.”

Sem acompanhante
Maricel disse que, já na madrugada de segunda-feira, surgiu uma vaga na observação e pediram para que a família acompanhasse a idosa. Às 2h, as enfermeiras disseram que a família deveria ir embora, porque Etelvina ficaria na emergência e que nesse local não é permitido acompanhantes.

Antes de ir embora, ainda conforme a neta, os funcionários do hospital informaram que a visita a Etelvina poderia ser feita às 15h. Mas já na manhã de segunda-feira, por volta das 10h, a assistente social ligou para a família pedindo que ela fosse à UPH.

“Eu cheguei lá por volta de 13h, passei pelo balcão e a moça ligou para a assistência social falando que eu estava lá, para me liberar até a emergência. Fui até a parte de baixo na emergência, mas não me falaram nada. Quando foi umas 15h, o médico falou que ela não tinha resistido.”
“Ela chegou debilitada [no hospital]. O próprio médico falou que o caso dela era internação, que ela precisava de uma maca e direto para observação. Não importa da forma que ela chegou, como ela chegou, eles deveriam ter dado uma atenção especial, um atendimento que ela pudesse ficar ali, em uma situação melhor”, diz.

Maricel lembrou que a avó era bem ativa e lúcida. “Ela tinha pressão alta, mas ela controlava. Morava comigo, então, eu cuidava do remédio dela, sempre levava no médico para acompanhamento. Muito sofrimento”, lamentou a neta.

Sobre o porquê de tanto tempo de a idosa esperar por vaga de internação na cadeira de rodas e quais as medidas estão sendo tomadas para melhorar o atendimento na UPH, não houve resposta da prefeitura.

By Alessandra Gomes

Deixe um comentário

Confira!