Categoria: Brasil

  • Empresa desativada recebeu R$ 7 milhões da Sudam

    A Hayashi & Cia Ltda., empresa de Blumenau (SC) desativada em 95, recebeu R$ 7 milhões de recursos da extinta Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), entre 97 e 99, por supostos serviços de infra-estrutura prestados ao projeto agrícola Nova Holanda, de Balsas (MA).

    Cópias das notas fiscais emitidas pela Hayashi à Nova Holanda foram encaminhadas hoje à Receita Federal, em Santa Catarina, para que se apure se os valores constaram das declarações de Imposto de Renda da empresa.

    Os R$ 7 milhões pagos à Hayashi fazem parte de um volume de cerca de R$ 20 milhões que a Nova Holanda recebeu da Sudam a partir de 97 para desenvolver o projeto agrícola no Maranhão.

    As cópias de notas da Hayashi fazem parte da documentação recolhida pela força-tarefa do MPF (Ministério Público Federal), que investiga os desvios.

    O subprocurador da República José Roberto Santoro disse hoje, em Curitiba, que considera “fechada” a investigação do MPF sobre os recursos aplicados na Nova Holanda.

    “Com os depoimentos de Blumenau, acredito que fechou a investigação”, afirmou ele. Segundo Santoro, um cruzamento de dados, na próxima semana, vai confirmar ou não as suspeitas de desvios na Nova Holanda.

    Santoro, o procurador Rodrigo Janot e o delegado da Polícia Federal Rodney Rocha Miranda tomaram, ontem, em Blumenau, o depoimento do presidente da Nova Holanda, Lauro Leone Vianna.

    O empresário também preside a Momento Engenharia, de Curitiba, e a Agrima, comprada da Lunus, em 94. A Lunus pertence à ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney e ao marido dela, Jorge Murad.

    Vianna negou qualquer irregularidade no projeto e disse que a Hayashi recebeu o dinheiro pois teria feitos serviços de terraplenagem. Os proprietários da Hayashi não foram encontrados.

    Em Curitiba, a força-tarefa ouviu dois envolvidos no projeto Usimar, que levou R$ 44,2 milhões da Sudam: Roderjan Busato, da Engeblon Engenharia, e a mulher dele, Magaly Hübner Busato.

    Para amanhã, estão marcados os depoimentos de Amauri Cruz dos Santos e Ulbi Arlant, apontados como intermediários na aprovação do projeto Usimar.

  • Golpe do falso emprego na internet: operação em SP apreende quase R$ 7 milhões, armas e carros de luxo

    Ação conjunta do Ministério Público de SP e da Polícia Federal suspeita que criminosos tenham relação com a máfia chinesa.

    Uma pessoa foi presa e quase R$ 7 milhões foram apreendidos nesta terça-feira (31) em uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo. Parte desse dinheiro veio de golpes aplicados pela internet com a falsa promessa de trabalho em plataformas virtuais.

    Uma parte do dinheiro estava num cofre escondido no sótão de uma casa. Em outro endereço, os maços de dinheiro estavam escondidos junto com pistolas e munição.

    O MP-SP e a PF descobriram que, aos poucos, todo esse dinheiro foi transferido para contas bancárias de empresas — entre elas, uma loja de armas e munições na Zona Leste da capital que tem como sócios parentes de um homem acusado de fazer parte da máfia chinesa.

    Huang He foi preso no brasil em 2018 e, no ano seguinte, o Supremo Tribunal Federal autorizou a extradição dele para a China depois de receber um pedido das autoridades de Pequim, que acusava o homem e um comparsa de liderarem uma organização criminosa que ganhava dinheiro com cassinos, extorsão e liquidação das dívidas com força.

    No começo da tarde, os agentes da Polícia Federal encontraram num prédio no Centro de São Paulo oito pistolas e quatro fuzis. Apreenderam, ainda, diversos veículos, incluindo carros de luxo.

    O delegado Jeferson Di Schiavi disse que o esquema criminoso começava com uma falsa promessa de emprego feita em redes sociais.

    “É aquele golpe que muitas pessoas já devem ter recebido no celular: ‘Trabalhe meio período e ganhe R$ 5 mil’. A pessoa começa a desenvolver uma atividade numa plataforma virtual, ela vai acumulando um saldo, uma espécie de um salário, só que, para sacar esse saldo, ela tem que dar uma contrapartida para auxiliar a plataforma. Quando ela faz a transferência, os criminosos cessam o contato e ela não saca nem o suposto salário e também o valor que ela transferiu para eles”.

    Em outra etapa do golpe, os criminosos conseguiam os chamados “laranjas” — pessoas que aceitavam abrir contas bancárias usando o próprio nome para ajudar a quadrilha a lavar o dinheiro ilícito. Os investigadores afirmam que, em menos de seis meses, a fraude movimentou mais de R$ 4 milhões.

    “Às vezes, um golpe aplicado ali, que pode parecer algo desimportante, isolado, individual, tem conexões, talvez, com compra de munições e armas de fogo, com organizações criminosas, inclusive, com a possibilidade de braços internacionais, que vão ser apurados ao longo da investigação”, explicou o promotor de justiça Luiz Fernando Bugiga Rebellato.