Autor: São Paulo em Foco

  • Falso médico é preso por aplicar “golpe do amor” em vários estados

    Falso médico é preso por aplicar “golpe do amor” em vários estados

    A Polícia Rodoviária Federal prendeu um falso médico que estava sendo procurado por estelionato. O homem foi abordado quando viajava como passageiro de um ônibus nessa quarta-feira (6), na BR-101, em Torres.

    O ônibus que fazia a linha Foz do Iguaçu x Porto Alegre quando foi abordado na rodovia. Após a identificação dos passageiros, descobriu-se que um deles estava com um mandado de prisão por ter rompido a tornozeleira eletrônica em novembro de 2020.

    O homem, de 61 anos, é acusado de se passar por médico para ludibriar diversas mulheres, tendo aplicado golpes no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Após iniciar um relacionamento amoroso e ganhar a confiança das vítimas, ele furtava ou ganhava dinheiro delas e desaparecia.

    Durante a abordagem, o homem estava vestido de branco, com jaleco e portando uma maleta com utensílios médicos. O criminoso foi conduzido para a delegacia e depois para o presídio, onde ficará à disposição da Justiça.

  • Lula ironiza pedido de visita a deputados: “Querem morar escondidos?”

    Lula ironiza pedido de visita a deputados: “Querem morar escondidos?”

    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou a reação de parlamentares bolsonaristas sobre o pedido feito a sindicalistas, para que eles procurassem deputados e familiares em casa, a fim pressionar sobre pautas de interesse dos trabalhadores. A fala gerou, inclusive, ameaças divulgadas pelas redes sociais com parlamentares dizendo que receberão sindicalistas e militantes petistas a bala.


    Lula, que será lançado como candidado do PT à Presidência da República, disse considerar que o discurso é natural para quem não tem medo de conversar com o povo. E que muitos parlamentares só buscam estar no meio das pessoas na época da eleição e ironizou a reação dos bolsonarostas.

    “Será que o deputado quer morar escondido?”, disse Lula em entrevista ao Jornal Jangadeiro, da Band News FM, de Ceará. “Não custa nada. O cidadão vai lá, bate palma, o deputado sai de forma civilizada, atende os eleitores, pergunta o que eles querem” recomendou.

    “Lamentavelmente, me parece que tem deputado que não quer conversar com o povo só na época das eleições”, enfatizou.

    Lula, por sua vez, manteve a postura. “É muito engraçado as pessoas tratarem uma fala que eu fazia quando era dirigente sindical como se fosse uma anormalidade”, disse o petista.

    “Eu fui presidente da República e, muitas vezes, cheguei ao Palácio da Alvorada de madrugada. E tinha gente tinha gente esperando para reivindicar alguma coisa. Eu também parava para conversar no meu apartamento em São Bernardo do Campo, todo fim de semana”, exemplificou.

    Segundo ele, a intenção era somente fazer as pessoas deixarem de gastar fortuna indo para Brasília fazer protesto. “Não custa nada o povo que está reivindicando bater na porta da casa dele, conversar de forma civilizada, debater um tema que vocês querem discutir para que vocês possam ser ouvidos por deputado”, analisou.

    Lula também disse que os deputados deveriam agradecê-lo pela ideia. “Esse deputado, que durante as eleições fala que adora o povo, anda de carro aberto, anda junto povo. Esse pessoal que gosta até de chegar na campanha, tomar uma cachacinha com o povo”, ironizou.

  • Nissan vai investir R$ 1,3 bilhão em fábrica no RJ até 2025

    Nissan vai investir R$ 1,3 bilhão em fábrica no RJ até 2025

    A Nissan anunciou nesta quarta-feira que vai investir R$ 1,3 bilhão em sua fábrica em Resende (RJ) e no lançamento de novos produtos entre este ano e 2025.

    O anúncio da montadora japonesa ocorreu durante evento de lançamento de nova versão da picape Frontier, em Puerto Iguazú, na Argentina. A picape é fabricada em Córdoba, também na Argentina.

    A fábrica em Resende recebeu investimentos de R$ 750 milhões em 2017 para início da produção do utilitário Kicks e em fevereiro do ano passado a montadora injetou mais R$ 100 milhões para a produção de nova geração do modelo.

  • CNJ: Juíza é punida por linguagem preconceituosa em decisão

    CNJ: Juíza é punida por linguagem preconceituosa em decisão

    A sentença da magistrada foi preferida em uma ação ingressada a uma mulher, que tem deficiência visual bilateral e pedia indenização por danos morais, devido à discriminação em atendimento no Cartório da 10ª Circunscrição de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelionato de Notas do Rio de Janeiro. A magistrada, ao julgar o caso, teceu considerações que foram entendidas pela autora como preconceituosa em relação às pessoas com deficiência.

    Na avaliação do relator do PAD 0005237-10.2021.2.00.0000, conselheiro Mauro Pereira Martins, a juíza tratou de forma pejorativa e depreciativa a coletividade dos deficientes físicos.

    “Em sua sentença, a magistrada chega a explicitar como se a tutela, algo garantido pela Constituição Federal, fosse um benefício muitas vezes utilizado de forma abusiva por pessoas com deficiência física. Evidentemente não é isso que acontece. Quando a Constituição tutela os direitos das pessoas com deficiência física, está assegurando a isonomia.”

    Para o presidente do CNJ, ministro Luiz Fux, o relator foi preciso ao enfatizar o excesso de linguagem utilizado pela magistrada.

    “Sou juiz há 45 anos. Neste caso, me coloco no lugar de um magistrado que vai sentenciar. É exigido de um magistrado uma independência olímpica, tolerância e, acima de tudo, conhecimento enciclopédico, inclusive acerca dessas questões que se introjetam dentro do princípio básico do Estado de Direito, como igualdade e liberdade.”

  • Júri absolve acusada de mandar filho atirar em suspeito de furtar açaí

    Júri absolve acusada de mandar filho atirar em suspeito de furtar açaí

    O caso, sob análise do Tribunal do Júri, trata sobre o homicídio de um adolescente de 15 anos. O crime, ocorreu enquanto a vítima supostamente furtava açaí em uma propriedade, quando outro adolescente, supostamente incentivado pela mãe, teria disparado contra a vítima.

    Consta nos autos que, à epoca, o adolescente deveria ter sido representado pelo ato infracional, todavia, a representação não ocorreu por omissão do órgão responsável.

    Versões

    Em interrogatório, a acusada disse que não sabia que o filho tinha em casa uma arma de fogo. A mulher contou que estava em casa quando ouviu o disparo e, ao procurar pelo seu filho, não o encontrou em casa, ocasião em que descobriu a ida do adolescente no açaizal. Narrou, ainda, que momentos depois encontrou o filho fugindo dos jovens que estavam furtando e portavam facão e terçado.

    Na sessão de julgamento, uma testemunha confirmou a existência de uma animosidade entre as famílias, bem como afirmou que ouviu dos irmãos da vítima a versão que a acusada estava no momento do crime e que mandou o filho atirar. 

    Negativa de autoria

    Após análise dos autos, o Ministério Público se pronunciou destacando o entendimento no sentido de que a mãe não mandou o filho efetuar o disparo de arma de fogo na vítima, e que, no momento do tiro, não estava no local onde ocorreu o crime. A defesa, por sua vez, reiterou o entendimento da promotoria e alegou negativa de autoria da acusada.

    Nesse sentido, por maioria dos votos, o conselho de sentença absolveu a acusada por negativa de autoria, acolhendo, assim, o entendimento apresentado pelo MP.

  • STJ: Lei Maria da Penha pode ser aplicada para mulheres transexuais

    STJ: Lei Maria da Penha pode ser aplicada para mulheres transexuais

    A 6ª turma do STJ decidiu, nesta terça-feira, 5, que a Lei Maria da Penha pode ser aplicada para proteção de mulheres transexuais. A decisão vale somente para o caso julgado, mas pode abrir precedente para ser aplicada aos demais casos que estão em tramitação no Judiciário em todo o país.

    “Este julgamento versa sobre a vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos, que não pode ser resumida à objetividade de uma ciência exata. As existências e as relações humanas são complexas, e o direito não se deve alicerçar em discursos rasos, simplistas e reducionistas, especialmente nestes tempos de naturalização de falas de ódio contra minorias”, afirmou o relator, ministro Rogerio Schietti Cruz.

    S. Exa. salientou, também, que o verdadeiro objetivo da Lei Maria da Penha seria punir, prevenir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher em virtude do gênero, e não por razão do sexo.

    O caso

    No processo em questão, uma mulher trans foi agredida pelo pai, que não aceitava o fato de ela se identificar com outro gênero, motivo pelo qual pediu a aplicação de medidas protetivas.

    O juízo de primeiro grau e o TJ/SP negaram as medidas protetivas, entendendo que a proteção da Maria da Penha seria limitada à condição de mulher biológica. Ao STJ, o Ministério Público argumentou que não se trata de fazer analogia, mas de aplicar simplesmente o texto da lei, cujo artigo 5º, ao definir seu âmbito de incidência, refere-se à violência “baseada no gênero”, e não no sexo biológico.

    Posição do MPF

    Em sustentação oral, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge explicou que, enquanto o conceito de sexo se restringe a aspectos biológicos, o termo gênero, utilizado na lei, diz respeito a um conjunto de características e construções sociais, relacionadas aos papéis atribuídos a cada grupo.

    Ainda reforçando o parecer do MPF, Dodge defendeu que, ao analisar o recurso especial, a 6ª turma do STJ adotasse como referência o protocolo para julgamento com perspectiva de gênero, aprovado como recomendação para todo o Judiciário brasileiro pelo plenário do CNJ. A subprocuradora-geral esclareceu que, conforme o documento, questões como essa devem ser interpretadas levando-se em consideração o fator cultural, como propõe a manifestação do MPF. A compreensão baseia-se na jurisprudência do próprio STF, que já determinou que o direito à igualdade sem discriminações abrange a identidade ou expressão de gênero.

    Raquel Dodge acrescentou que, ao examinar a origem da Lei Maria da Penha, percebe-se que a norma veio em socorro de pessoas agredidas no ambiente doméstico em razão do gênero, historicamente submetido a tratamento discriminatório e violento. Segundo ela, não há razão nenhuma para excluir as transexuais femininas do acesso à proteção das medidas garantidas pela legislação. “O transexual feminino ou a mulher transexual, independentemente de ter sido submetido a cirurgia de transgenitalização, deve estar sob a proteção da Lei Maria da Penha se a ação ou omissão que ela sofreu decorre dessa sua condição social”, frisou.

    Violência contra a mulher nasce da relação de dominação

    Em seu voto, o relator Rogério Schietti Cruz abordou os conceitos de sexo, gênero e identidade de gênero, com base na doutrina especializada e na recomendação 128 do CNJ, que adotou protocolo para julgamentos com perspectiva de gênero. Segundo o magistrado, “gênero é questão cultural, social, e significa interações entre homens e mulheres”, enquanto sexo se refere às características biológicas dos aparelhos reprodutores feminino e masculino, de modo que, para ele, o conceito de sexo “não define a identidade de gênero”.

    Para o ministro, a Lei Maria da Penha não faz considerações sobre a motivação do agressor, mas apenas exige, para sua aplicação, que a vítima seja mulher e que a violência seja cometida em ambiente doméstico e familiar ou no contexto de relação de intimidade ou afeto entre agressor e agredida.

    Schietti ressaltou entendimentos doutrinários segundo os quais o elemento diferenciador da abrangência da lei é o gênero feminino, sendo que nem sempre o sexo biológico e a identidade subjetiva coincidem. “O verdadeiro objetivo da Lei Maria da Penha seria punir, prevenir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher em virtude do gênero, e não por razão do sexo”, declarou o magistrado.

    Ele mencionou que o Brasil responde, sozinho, por 38,2% dos homicídios contra pessoas trans no mundo, e apontou a necessidade de “desconstrução do cenário da heteronormatividade”, permitindo o acolhimento e o tratamento igualitário de pessoas com diferenças.

    Quanto à aplicação da Maria da Penha, o ministro lembrou que a violência de gênero “é resultante da organização social de gênero, a qual atribui posição de superioridade ao homem. A violência contra a mulher nasce da relação de dominação/subordinação, de modo que ela sofre as agressões pelo fato de ser mulher”.

    Violência em ambiente doméstico contra mulheres

    No caso em análise, o ministro verificou que a agressão foi praticada não apenas em ambiente doméstico, mas também familiar e afetivo, pelo pai contra a filha – o que elimina qualquer dúvida quanto à incidência do subsistema legal da Maria da Penha, inclusive no que diz respeito à competência da vara judicial especializada para julgar a ação penal

    “A Lei Maria da Penha nada mais objetiva do que proteger vítimas em situação como a da ofendida destes autos. Os abusos por ela sofridos aconteceram no ambiente familiar e doméstico e decorreram da distorção sobre a relação oriunda do pátrio poder, em que se pressupõe intimidade e afeto, além do fator essencial de ela ser mulher.”

    Schietti destacou o voto divergente da desembargadora Rachid Vaz de Almeida no TJ/SP, os julgados de tribunais locais que aplicaram a Maria da Penha para mulheres trans, os entendimentos do STF e do próprio STJ sobre questões de gênero e o parecer do MPF no caso em julgamento, favorável ao provimento do recurso – que ele considerou “brilhante”.

  • Citi sobe projeção para alta do IPCA em 2022 a 7,6% com pressão global agravando cenário já desafiador

    Citi sobe projeção para alta do IPCA em 2022 a 7,6% com pressão global agravando cenário já desafiador

    O Citi ajustou para cima sua projeção de alta do IPCA neste ano, a 7,6%, citando piora na qualidade da inflação e ímpeto cada vez maior da inércia de preços, o que também levou a aumento da estimativa para 2023.

    Em cenário anterior, o Citi esperava que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiria 6,7% em 2022. “Os desdobramentos globais, como o conflito na Europa e o aumento das restrições relacionadas à Covid-19 na Ásia, continuam adicionando pressões ao ambiente de inflação doméstico já complicado”, disse o banco em relatório nesta quarta-feira.

    Sob os novos prognósticos, o Citi projeta o pico da inflação em abril, quando o IPCA deve avançar 11,7% em 12 meses.

    “A qualidade da inflação está se deteriorando continuamente, com os preços inerciais ganhando força”, o que justificou revisão de sua projeção para a alta do índice no ano que vem a 3,9%, acima do centro da meta para o período pela primeira vez.

    Os objetivos oficiais de inflação para 2022 e 2023 são de 3,5% e 3,25%, respectivamente, e têm margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    O Citi avaliou que, mesmo com a valorização recente do real, que acompanhou uma disparada nos preços das commodities, o efeito líquido dos custos mais altos de produtos energéticos e agrícolas como consequência da guerra na Ucrânia se mostra majoritariamente inflacionário para o Brasil. O dólar acumula no ano queda de 16% contra o real, que é lider global de desempenho em 2022.

    Apesar da percepção de uma inflação mais desafiadora do que o estimado anteriormente, o banco norte-americano manteve expectativa anterior de que a taxa Selic chegará a 13,25% ao fim do ciclo de aperto monetário atual.

    O relatório do Citi chamou a atenção para o fato de o Banco Central ter mostrado intenção de estacionar os juros em 12,75% em maio “apesar do processo de desancoragem das expectativas de inflação”.

  • Mudanças no Whatsapp Web revoltam internautas: “Cabe medida judicial?”

    Mudanças no Whatsapp Web revoltam internautas: “Cabe medida judicial?”

    O WhatsApp Web foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter na manhã nesta segunda-feira (4/4) após passar por atualizações. Usuários apontam demora para baixar as mensagens, falha na hora de buscar conversas, demora para sincronização e dificuldades para carregar prévias dos links de sites.

    “Bicha se eu pegar quem aprovou essa atualização do Whatsapp Web eu sou capaz de cometer 38 crimes diferentes eu juro por Deus”, escreveu um internauta. “Eu acho que o Mark Zuckerberg atualizou o WhatsApp Web pra testar o quanto um ser humano aguenta de ódio antes de ter um dia de fúria”, disse outro.

    Até a publicação deste texto, a plataforma não havia se pronunciado sobre as falhas.

  • Prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho teve celular furtado em evento com Lula em Salvador

    Prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho teve celular furtado em evento com Lula em Salvador

    A prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT), teve o celular furtado nesta quinta-feira (31), no evento de lançamento da pré-candidatura de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia. O encontro aconteceu no Wet’n Wild, com as presenças do ex-presidente Lula (PT), o governador Rui Costa e do senador Jacques Wagner.

    De acordo com a gestora, seu celular, de uso pessoal, estava descarregado dentro da bolsa. Apenas no final do evento ela se deu conta de que a bolsa estava aberta e sem o celular. Segundo nota, Moema acredita que pessoas infiltradas no evento possam ter realizado o furto. Um boletim de ocorrência foi registado na Delegacia de Itapuã.

  • Prefeito que falou que em “comer mais de 20 mulheres” responde a 11 processos

    Prefeito que falou que em “comer mais de 20 mulheres” responde a 11 processos

    Filmado no início de março em uma festa dizendo que iria “comer mais de 20 mulheres”, o prefeito de Itaituba (PA), Valmir Climaco (MDB), responde a processos de improbidade na Justiça que levaram ao bloqueio de R$ 1,8 milhão seu e de outros réus, segundo informou o Ministério Público Federal ao TAB. Há 11 processos movidos pelo MPF que tratam de questões como suposto desvio de recursos em obras de escolas a uso de documento falso e ameaças a servidores da Funai (Fundação Nacional do Índio) que atuavam na demarcação de terras indígenas.

    Uma ação civil pública mais recente pede o bloqueio de R$ 200 mil do prefeito por conta das declarações ofensivas às mulheres. Reeleito em 2020, Climaco afirmou ao TAB que já não é dono de garimpos em Itaituba, conhecida como “Cidade Pepita” por conta da extração de ouro, que a torna o maior polo de mineração artesanal e de pequena escala do mundo. Grande parte da exploração é ilegal, realizada em áreas de conservação e terras indígenas, como a Terra Indígena Munduruku. Ele também consta como sócio da Madeireira Climaco, alvo de 13 processos do Ibama

    Em junho de 2019, o MPF abriu uma ação civil de improbidade administrativa contra Climaco por supostamente incitar fazendeiros a receberem “a bala” um grupo de trabalho da Funai, e que adotaria esta postura em seu imóvel. O MPF pede que Climaco seja condenado à perda do cargo de prefeito, tenha seus direitos políticos suspensos por três a cinco anos, seja impossibilitado de receber benefícios fiscais ou firmar contratos com o poder público, e pague multa de R$ 2,152 milhões. A Justiça negou o afastamento preventivo do prefeito, e o processo continua aberto

    A denúncia foi embasada em relatos de servidores da Funai que, no dia 7 daquele mês, haviam participado de uma reunião na sede da prefeitura com detentores de fazendas sobrepostas às terras indígenas Sawré Bap’in (Apompu) e Sawré Juyubu, do povo Munduruku, em processo de demarcação. De acordo com os servidores, o próprio Climaco ocupa duas fazendas em terra indígena. Ele diz que possui apenas uma. Ainda de acordo com o relato, Climaco teria afirmado:

    “Por que a Funai vem lá da puta que pariu fazer levantamento? Se tem dúvida pergunte ao Incra, só poderão entrar com mandado judicial. Já está suspenso o trabalho, não deixem ninguém entrar na propriedade de vocês.”

    As pessoas presentes teriam ovacionado a fala, o que causou temor entre os servidores, segundo afirmaram em ofício ao MPF. Eles suspenderam os levantamentos e solicitaram ao MPF e à Polícia Federal escolta para continuar realizando os trabalhos de campo.

    De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo na época, os funcionários da Funai entraram posteriormente na fazenda, acompanhados por agentes da PF. Em decisão de janeiro de 2020, a juíza federal Sandra Maria Correia da Silva afirmou que Climaco teria agido “como gestor público para obstaculizar o trabalho da Funai, utilizando-se da função pública em prol de interesse particular, vez que é proprietário de duas fazendas encravadas possivelmente em terra indígena”.

    Climaco disse que apenas exigiu que fosse apresentado “um documento dizendo o que estavam fazendo na minha propriedade”. Sobre a acusação de que teria ameaçado os servidores, afirma que tem testemunhas de que não falou em “receber a bala”. O processo sobre improbidade aguarda julgamento definitivo. E o inquérito policial tramita sob sigilo.

    Investigações não ligam Climaco a drogas e armas em sua fazenda

    Pouco tempo depois das supostas ameaças à Funai, em julho de 2019, a Polícia Federal apreendeu 583 kg de cocaína, fuzis e pistolas enquanto estas eram transportadas de um avião para uma caminhonete na fazenda de Climaco, às margens da rodovia Transamazônica (BR-230)

    Segundo o MPF, as investigações relativas ao carregamento de cocaína levaram a uma denúncia criminal contra oito acusados, sem que fossem encontradas provas de participação de Climaco. O prefeito diz que a pista em que o avião pousou está abandonada há mais de 25 anos, e que foi ele quem denunciou o voo suspeito à PF.

    Suspeitas de desvio em obras de escola e creches

    Climaco responde por ações de improbidade administrativa por conta de uma acusação de desvio de dinheiro em obras de escolas e de uma creche. Uma delas envolve repasse de R$ 563.747,93 à construtora Terplan para a reforma e ampliação, em 2012, de uma escola municipal — valor superior àquele previsto contratualmente em mais de R$ 100 mil. Em outubro de 2021, a Justiça Federal determinou o congelamento do valor da obra em posse dos réus, incluindo Climaco.

    A decisão ressalta que Climaco “era o prefeito e mandatário maior do município, devendo zelar pela regular aplicação das verbas públicas”. O prefeito afirma que a obra foi executada, e que está provando isso na Justiça

    Em outra ação de improbidade administrativa, o MPF acusa a gestão de Climaco de repassar R$ 241,206 mil à Terplan pela reforma e ampliação de uma escola, sem que a unidade tenha sido reformada ou ampliada. Também neste caso, a Justiça determinou que os réus tivessem bloqueado um valor equivalente ao repasse. Climaco afirma que apresentou uma representação na Justiça e aguarda absolvição

    O prefeito responde ainda por uma ação penal de 2016 por suposto desvio de recursos federais à Secretaria de Educação de Itaituba, que teria contratado uma empresa em nome de um “laranja” para a construção de 10 quadras poliesportivas com vestiários, e de cinco creches infantis. Segundo o MPF, a obra não foi executada integralmente. Em outra ação penal, o MPF duz que parte da verba de R$ 1,240 milhão para a construção de creches teria sido retirada pela Lobato e Araújo Comércio e Serviços, sem que o percentual correspondente tivesse sido executado

    Rodrigo José Mendes Antunes, advogado de Climaco no caso, afirma que o prefeito foi inocentado em janeiro de 2021 pela Primeira Vara Cível de Itaituba, “onde foi reconhecido que não houve qualquer prejuízo”.

    Outra ação de improbidade administrativa contra Climaco trata da prestação de contas relativa a recursos recebidos por meio de convênios firmados com o Incra em 2009 e vigentes até 2010, quando assumiu como prefeito. Climaco afirma que foi absolvido neste caso

    Três outros processos relativos a Climaco correm sob segredo de Justiça. Sobre os processos do Ibama junto à Madeireira Climaco, o prefeito diz acreditar que “tudo já prescreveu”.

    A advogada da construtora Terplan, Thaianny Barbosa Cunha, afirmou que fez apenas a defesa técnica após ser apontada pela Justiça, pois esta não constituíra defesa própria, e que não tem contato com a empresa. A reportagem não conseguiu contato com a Lobato Araújo Comércio e Serviços

    Em entrevista ao jornal O Globo no final de fevereiro, Climaco afirmou que foi recebido pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, quando tentou convencer o governo a suspender uma operação da Polícia Federal que apreendeu e destruiu acampamentos, escavadeiras e motores a bomba flagrados no garimpo criminoso.

    Segundo o jornal, ao serem flagrados, garimpeiros apresentaram licenças concedidas pela prefeitura. Mas Ibama e Polícia Federal afirmaram que estas seriam ilegais e sem validade por se sobreporem a áreas de conservação sob responsabilidade da União. “É mentira, desafio provarem que dei licença em lugar proibido”, afirmou Climaco