Categoria: Política

  • Operação do Ministério Público afasta prefeito e secretários de Paraipaba

    Batizada de Operação Ouro Negro, a ação do MPCE diz que os envolvidos recebiam vantagens indevidas a cada pagamento realizado ao escritório de advocacia BGP Consult, cujo contrato celebrado é de R$22.464 milhões

    A Justiça determinou o afastamento por 180 dias do prefeito de Paraipaba, Dimitri Rabelo Batista Castro, e dos secretários da Prefeitura Michel Marcos Barroso (Governo) e Breno Gonçalves de Castro Andrade (Administração). A operação “Ouro Negro”, da Procuradoria dos Crimes contra a Administração Pública (PROCAP) do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) cumpre ainda, nesta quarta-feira, 7, 12 mandados de de busca e apreensão nos municípios de Paraipaba, Eusébio, Fortaleza e Recife. 

    Segundo o MPCE, a operação tem como objetivo um contrato com indícios de fraude de prestação de serviços advocatícios da Prefeitura de Paraipaba num processo envolvendo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, com o objetivo de incluir o município no rol de cidades beneficiadas pela distribuição dos royalties de petróleo. 

    As provas colhidas no procedimento investigatório criminal iniciado há menos de um ano indicam, de acordo com o Ministério, que gestores de Paraipaba recebiam vantagens indevidas a cada pagamento realizado ao escritório de advocacia BGP Consult, cujo contrato celebrado é de R$22.464 milhões.

  • Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Contratos de imóveis em nome de prefeito afastado somam R$ 6,7 milhões, aponta Ministério Público

    Investigação identificou oito propriedades adquiridas após eleição de Acir Filló; documentos foram apresentados pelo MP e Procuradoria do Município

    Vários documentos apresentados pelo Ministério Público podem comprovar para onde vai parte do dinheiro supostamente desviado da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. São contratos de compra e venda de imóveis, todos em nome do prefeito Acir Filló, que está afastado do cargo.

    Acir Filló dos Santos foi eleito prefeito de Ferraz de Vasconcelos em 2012 com 42% dos votos. Segundo o site do Tribunal Superior Eleitoral, ele declarou na época bens como um imóvel e dois carros, que totalizavam um valor de R$ 205 mil.

    Mas o Ministério Público e a Procuradoria do Município descobriram por meio de documentos que, em pouco mais de um ano, o prefeito já no poder comprou pelo menos oito imóveis que, somados, têm valores ultrapassam R$ 6.762.745,58. O salário do prefeito de Ferraz de Vasconcelos é de R$ 20 mil.

    “Esses contratos foram a princípio adquiridos por Acir Filló, em aquisições de imóveis de forma obscura, não declarada, e totalmente incompatíveis com a renda que ele recebe como ocupante de cargo público que é o de cargo de prefeito da cidade”, detalhou Marcus Vinícius Lopes, procurador do município.

    De acordo com esses contratos de compra e venda assinados pelo prefeito, Acir Filló comprou no dia 6 de maio desse ano dois apartamentos no luxuoso condomínio no Anália Franco, uma região nobre da Zona Leste de São Paulo, e pagou por cada um R$ 740 mil.

    As prestações foram pagas diretamente ao dono, com dinheiro vivo, como mostram notas promissórias com valores de R$ 100 mil assinadas também por Filló.

    Em Ferraz de Vasconcelos, segundo outro contrato, Acir Filló teria comprado uma casa, no Sítio Paredão, e pago por ela R$ 450 mil. Por determinação da justiça, os procuradores também visitaram uma mansão num condomínio fechado no Guarujá a poucos quarteirões da praia.

    É um casarão de luxo, numa área de 717 metros quadrados, com piscina, e com tudo o que o dinheiro pode comprar. A cópia do contrato de compra e venda já em poder do Ministério Público aponta que Filló pagou em dinheiro R$ 1.250.000,00.

    No mesmo documento estão anexadas várias notas promissórias, parcelas de R$ 150 mil cada uma. “Essas notas promissórias, tudo indica que foram de fato assinadas por ele porque ele não poderia ter pago por esses valores oficialmente, na medida que cada pagamento demonstra que o réu Acir Filló tem rendimentos ocultos, não declarados à Receita Federal, sem que nenhum órgão de controle saiba”, disse o procurador Gabriel Nascimento Lins de Oliveira.

    Busca e apreensão
    Por ordem da Justiça, no dia 4 de dezembro, o Ministério Público, procuradores do município, e policiais da Rota cumpriram 12 mandados de busca e apreensão: na casa do prefeito, na prefeitura, nos imóveis citados nessa reportagem, e também na casa do ex-secretario de Serviços Urbanos Franco Douglas Lima Dias, apontado como parceiro de Acir Filló no esquema de fraude na licitação da coleta de lixo da cidade. Ele mora em uma mansão comprada a pouco tempo numa área nobre de Arujá, e avaliada em R$ 2.500.000,00. O imóvel também foi bloqueado pela Justiça.

    “O contexto permite afirmar que existem fortes indícios de que se trata de um fenômeno de lavagem de dinheiro que oculta a corrupção”, disse Gabriel. O juiz André Forato Anhê também determinou nesse processo o afastamento de Acir Filló dos Santos do cargo de prefeito por improbidade administrativa.

    O procurador do município é o advogado que defende os interesses da cidade, mas esse profissional também tem o poder de sindicância, ou seja, de investigar os assuntos internos. E foi o que a procuradoria de Ferraz de Vasconcelos fez. Em menos de um ano, a sala deles foi invadida duas vezes. Tudo está registrado em boletins de ocorrência. Os suspeitos levaram apenas cinco computadores, justamente os equipamentos onde estavam gravadas informações que apontavam irregularidades na administração pública. Essas ocorrências também influenciaram na decisão do juiz para afastar o prefeito do poder.

    Segundo os procuradores o prefeito fazia muito mais para dificultar as investigações. “Perseguição aos colegas, afastamentos. Eu fui afastado do exercício das funções, ameaçado também, eu tive minha família ameaçada. Somo isso a falsificação de documentos. O prefeito usava todas as artimanhas possíveis para sonegar informações”, disse o procurador.

    Acir Filló não atendeu a nenhum pedido de resposta para as denúncias apresentadas nessa reportagem, mas na sexta-feira (11) ele divulgou um vídeo nas redes sociais. “Repito, isso é resultado de uma guerra política que vai passar. Os juízes de Ferraz e os promotores públicos são seríssimos, éticos. Eles não têm nada a ver com esse problema. Evitem críticas aos judiciário. Fora isso, é uma guerra política muito dura que eu vou superar.”

    Enquanto isso, o povo cobra providências para a cidade. O tão sonhado posto de saúde no Jardim Ione era para ter ficado pronto em dezembro de 2013. “Eu acho uma pouca vergonha, porque tudo está abandonado”, disse a auxiliar de limpeza Iraci Ferreira Lopes.

    “A gente trabalha até catando latinha, papelão, tudo isso é honra. Agora, pegar o que não é da gente, é falta de respeito”, disse a auxiliar de limpeza Eliane Severo dos Santos.

    A reportagem tentou contato com o prefeito afastado Acir Filló e com o ex-secretário de Serviços Urbanos, Franco Douglas Lima Dias, mas nenhum deles foi encontrado. De acordo com procuradores do município, nesta segunda-feira (14), a defesa de Acir Filló protocolou um recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo.

  • Gaeco investiga suposta quadrilha que teria desviado R$ 15 milhões em Ferraz de Vasconcelos

    Gaeco investiga suposta quadrilha que teria desviado R$ 15 milhões em Ferraz de Vasconcelos

    Operação cumpriu buscas na prefeitura, na casa do prefeito e de secretários; Justiça determinou apreensão de documentos, dinheiro, veículos e outros bens

    Promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram, nesta sexta-feira, 4, mandados de busca e apreensão na prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana, e também nas casas do prefeito Acir Filló dos Santos (PSDB), do secretário

    Todos são acusados de montar uma quadrilha para fraudar licitações e lesar os cofres públicos em pelo menos R$ 15 milhões. Policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) deram apoio à operação. 

    A Justiça determinou a apreensão de documentos, computadores, relógios, joias, dinheiro, carros e todos os bens adquiridos com dinheiro supostamente ilícito na residência dos suspeitos. Na casa do prefeito, foram apreendidos cerca de R$ 7 mil em dinheiro.

    Na casa da secretária de segurança e mobilidade, Elizabeth Soliman Evangelista, foi apreendida uma arma sem registro. Ela, que é sogra de Lima Dias e coronel da Polícia Militar aposentada, foi levada à delegacia da cidade para o registro do caso.

    Os promotores suspeitam que a Nova Opção foi criada pelo próprio secretário Lima Dias, que teria colocado um casal de amigos como laranjas do esquema. Dias financiou a campanha do atual prefeito e tem passagem na polícia por tráfico de drogas, clonagem de cartões e associação para o tráfico. Segundo o Gaeco, Lima Dias tem um salário mensal de R$ 11 mil e mora em uma casa, em Arujá, avaliada em R$ 2,5 milhões. Ele não foi localizado para comentar as acusações.

    Em nota, a prefeitura de Ferraz de Vasconcelos informou que “o corpo jurídico vai analisar o processo e impetrar os recursos judiciais necessários, para que o prefeito da cidade reassuma o cargo. Neste período quem assume o posto de administrador do município é o vice-prefeito José Izidro Neto.” 

  • Ex-prefeito de Corumbá nega envolvimento em fraude de Campinas

    Ex-prefeito de Corumbá nega envolvimento em fraude de Campinas

    O ex-prefeito de Corumbá Ricardo Chimirri Cândia, que foi diretor de Planejamento da Prefeitura de Campinas (SP), um dos presos na operação desencadeada pelo Gaeco e Ministério Público há uma semana, negou envolvimento no suposto esquema de fraudes em contratos públicos e pagamento de propina da Sanasa (Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A). Cândia prestou depoimento ontem à tarde a promotores.

    Ele, que é apontado como braço direito da primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos, atuaria como responsável por receber e destinar o dinheiro de propina em nome de Rosely, que seria a líder de toda a engrenagem

    O depoimento de Cândia, segundo seu advogado Ralph Tórtima Stettinger Filho, vai na contramão do que foi investigado até agora pelo MP. “Ele disse que não eram amigos, que não tinham contato íntimo e que se conheciam”, disse Stettinger Filho, após o depoimento que durou cerca de três horas no 2º Distrito Policial de Campinas.

    Apesar de Cândia ter negado vínculo com Rosely, segundo divulgado pela empresa de Campinas, consta na página 284 do relatório do MP que “conforme explicado pelo senhor Luiz Augusto Castrillon de Aquino, o senhor Ricardo Chimirri Cândia atua diretamente com a senhora Rosely Nassim Jorge Santos no recebimento e destinação dos valores provenientes do esquema de corrupção da Sanasa”.

    Cândia, de acordo com seu advogado, confirmou somente participação na campanha eleitoral do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT), em 2008, com recebimento de dinheiro cujo valor não foi informado. Quanto a Aquino, segundo o advogado, Cândia confirmou que os dois tinham uma relação pessoal e política. O ex-prefeito de Corumbá foi diretor financeiro da Sanasa até 2006.

    Ontem, o ex-diretor da Sanesul e da Sanasa, Aurélio Cance Junior, também negou participação no esquema.

    Cance e Francisco de Lagos, que foi secretário de Cultura em Campo Grande, na prefeitura de Lúdio Coelho, que era considerado foragido e não chegou a ser preso na operação, foram beneficiados com decisão do TJ/SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), ontem, de revogação da prisão preventiva.

    Cândia, Cance Júnior e Francisco Lagos formam a “República de Mato Grosso do Sul”, alvo de investigações no caso.

    Novos depoimentos – Na tarde desta sexta-feira deve ser ouvido pelos promotores do Gaeco, em Campinas, o empresário e pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai.

    Amigo do ex-presidente Lula, ele foi apontado nas investigações no depoimento do ex-presidente da Sanasa Luiz Augusto Castrillon de Aquino, sob acordo de delação premiada, como recebedor de recursos da empresa Constran por contratos supostamente superfaturados mantidos com a empresa mista. Os valores teriam como destino o PT nacional e até mesmo o governo Lula.

    Segundo informações de matéria publicada pela Agência Estado nesta quinta-feira, Bumlai é citado em escuta telefônica que pegou um advogado e Luiz Castrillon de Aquino, delator das fraudes. Na conversa gravada, Aquino diz que Bumlai estaria interessado em fazer delação premiada para “proteger Lula”. Ele cita o nome do empresário Italo Barioni, do grupo brasileiro Contem, em Campinas, usada por um amigo do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) na aquisição da Contem Canada Inc.

    “Não conheço estas pessoas, não tenho ligação com prefeitura de lugar algum. Estou perplexo com tudo isso”, explicou em entrevista ao Campo Grande News.

    “Meu advogado está tomando as providências cabíveis e o assunto será esclarecido. Não quero falar mais para não comprometer minha defesa”, complementou. (Com informações do grupo Rede Anhanguera de Comunicação)