Tag: covid 19

  • “A Enfermagem e a Evolução de Traumas Pessoais dos Enfermeiros Após a Pandemia da COVID-19”

    “A Enfermagem e a Evolução de Traumas Pessoais dos Enfermeiros Após a Pandemia da COVID-19”

    Este artigo tem como principal objetivo trazer para o debate os impactos psicológicos e emocionais enfrentados pelos enfermeiros durante e após a pandemia da COVID-19, com ênfase na evolução dos traumas pessoais decorrentes do período de crise sanitária iniciada em 2020 até os dias de hoje. O objetivo central foi compreender como os profissionais de enfermagem lidaram com as consequências emocionais e psicológicas advindas de sua atuação na linha de frente e identificar estratégias que promoveram o enfrentamento e a resiliência. Para alcançar tais objetivos, foi realizada uma análise bibliográfica e documental, complementada pelo estudo de materiais jornalísticos publicados entre 2020 e 2024.

    Entre os autores revisados, destaca-se Maslach (2016), cuja teoria sobre o burnout no ambiente de trabalho ajudou a compreender como o estresse ocupacional impactou os profissionais durante a pandemia. Além disso, Silva e Ferreira (2021) foram fundamentais para abordar os desafios enfrentados pelos enfermeiros em contextos de emergência, destacando os efeitos cumulativos do estresse sobre a saúde mental. Em paralelo, a revisão de reportagens em veículos jornalísticos como Folha de S.Paulo e O Globo forneceu narrativas detalhadas de enfermeiros, revelando as complexidades emocionais e profissionais do período.

    Os resultados da análise apontaram que muitos enfermeiros experimentaram altos níveis de estresse, ansiedade e sintomas de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), exacerbados pelas longas jornadas de trabalho, pela falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), a divisão de opiniões da sociedade e pelo luto causado pela perda de pacientes e colegas. Contudo, observou-se também a adoção de estratégias de enfrentamento, como busca por apoio psicológico, fortalecimento de redes de apoio social e maior adesão a programas de autocuidado. Concluiu-se que, embora a pandemia tenha causado impactos profundos e duradouros na saúde mental dos enfermeiros, ela também abriu espaço para reflexões importantes sobre o papel do autocuidado e da valorização profissional.

    O estudo destaca a necessidade de políticas públicas mais efetivas, que incluam programas de saúde mental e melhorias nas condições de trabalho, para prevenir e mitigar os efeitos de futuros cenários de crise. A valorização dos profissionais da saúde vai além de reconhecimento moral, sendo essencial para a sustentabilidade do sistema de saúde e o bem-estar dos trabalhadores que o sustentam.

    1. A pandemia da COVID-19: Apresentação da problemática e os métodos para análise

    A pandemia da COVID-19, que começou em dezembro de 2019 na China, trouxe profundas transformações sociais, econômicas e sanitárias no mundo e não foi diferente no Brasil. Desde a confirmação do primeiro caso em fevereiro de 2020, o país vivenciou diversas ondas da doença, enfrentando desafios relacionados à gestão da saúde pública, estratégias de mitigação e campanhas de vacinação.

    A pandemia de COVID-19 teve um impacto sem precedentes no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, mais de 38 milhões de casos foram registrados no país até novembro de 2024, com aproximadamente 750 mil mortes confirmadas, tornando o Brasil um dos países mais afetados no mundo, ficando atrás apenas dos EUA, que teve aproximadamente 1,2 milhões de mortos (OMS, 2024). Esses números demonstram a gravidade da crise sanitária e a necessidade de ações contínuas de mitigação e prevenção.

    Desde o início da pandemia, estratégias de enfrentamento foram baseadas em evidências científicas e relatórios de organizações governamentais e científicas, como a Fiocruz. Entre as medidas adotadas estavam o distanciamento social, o famoso “lockdown”, a obrigatoriedade do uso de máscaras e as campanhas de vacinação em massa. A vacinação, iniciada em janeiro de 2021, foi um marco importante na redução de casos graves e mortes. Até 2024, mais de 80% da população brasileira completou o esquema vacinal básico, embora desafios como a distribuição desigual entre estados e hesitação vacinal tenham limitado resultados em algumas regiões.

    O cenário atual indica uma estabilização relativa, mas com o surgimento de novas variantes e a persistência de casos, o monitoramento contínuo é essencial. Segundo a Fiocruz, modelos matemáticos e análises epidemiológicas têm sido fundamentais para prever cenários e orientar políticas públicas. Além disso, o impacto econômico e social da pandemia permanece significativo, especialmente em populações vulneráveis, evidenciando a necessidade de um sistema de saúde resiliente e inclusivo.

    Ao longo de toda a pandemia, mais de 4.500 profissionais de saúde perderam a vida no Brasil até dezembro de 2021, de acordo com levantamentos realizados com dados de fontes oficiais como o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). A maior parte das vítimas era formada por técnicos e auxiliares de enfermagem, seguidos por enfermeiros e médicos, refletindo a exposição direta desses profissionais na linha de frente de atendimento à população.

    2. Como os Traumas Pessoais Afetam os Profissionais de Enfermagem no Desempenho de Suas Funções e os Impactos da COVID-19

    O trauma psicológico é uma experiência que pode alterar profundamente a forma como os indivíduos enxergam e interagem com o mundo ao seu redor. Para profissionais de enfermagem, que frequentemente se encontram em situações de alta pressão emocional, o impacto de traumas pessoais pode ser ainda mais pronunciado. Esses profissionais, ao mesmo tempo em que precisam gerenciar suas emoções e oferecer cuidado humanizado, podem carregar consigo experiências traumáticas que afetam diretamente o desempenho no trabalho.

    Estudos demonstram que a exposição a traumas pessoais não resolvidos pode intensificar o desgaste psicológico, aumentando a suscetibilidade a transtornos mentais como ansiedade, depressão e burnout. 

    Professora Esp. Roberta das Graças Bezerra Galvao

    Entre os tipos de traumas relatados com maior frequência entre os profissionais de enfermagem, segundo dados do COREN (2022), estão:

    • Perdas familiares significativas: A morte de entes queridos pode deixar marcas emocionais duradouras, especialmente quando há pouco tempo para luto devido às demandas do trabalho.
    • Experiências de violência doméstica: Enfermeiros que vivenciam abuso físico, psicológico ou emocional frequentemente enfrentam dificuldades em manter a concentração no ambiente de trabalho.
    • Vivência de catástrofes ou acidentes: Esses eventos podem resultar em reações exacerbadas a situações críticas no ambiente hospitalar.

    3. Estratégias de Enfrentamento e Suporte para os Enfermeiros Durante e Pós-Pandemia de COVID-19

    A pandemia trouxe desafios imensos para os profissionais de saúde, especialmente para os enfermeiros, que foram essenciais no enfrentamento da crise sanitária. Além do trabalho físico extenuante e do risco constante de contágio, muitos enfrentaram sérios impactos emocionais e psicológicos. Diversas estratégias de enfrentamento e suporte foram implementadas, tanto a nível institucional quanto individual, destacando-se:

    • Suporte psicológico e terapias virtuais: Instituições de saúde introduziram linhas de apoio psicológico e sessões de terapia online.
    • Criação de ambientes de descanso: Hospitais criaram espaços específicos para descanso e recuperação emocional.
    • Educação em saúde mental e mindfulness: Workshops de mindfulness e técnicas de gerenciamento de estresse foram amplamente oferecidos.

    4. Propostas para o Futuro: Caminhos para a Saúde Mental e a Sustentabilidade da Enfermagem

    A construção de um futuro mais saudável e sustentável para os profissionais de enfermagem depende de ações coordenadas entre governos, instituições de saúde, universidades e a sociedade. Dada a gravidade e a prevalência dos traumas pessoais enfrentados por esses profissionais, é essencial propor intervenções efetivas para mitigar os impactos e promover o bem-estar. A saúde mental deve ser tratada como prioridade nas políticas públicas voltadas à área da saúde. Além disso, é fundamental o desenvolvimento de programas que promovam a valorização e o reconhecimento profissional.

    Referências Bibliográficas

    • Dejours, C. (2007). Psicodinâmica do trabalho: O processo de subjetivação. Editora Cortez.
    • Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). (2021). Relatório sobre os impactos psicológicos da pandemia de COVID-19 em profissionais de saúde. Fiocruz.
    • Ministério da Saúde do Brasil. (2024). Painéis sobre a evolução da pandemia de COVID-19 no Brasil. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br.
    • Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). (2021). Impacto da COVID-19 na saúde dos profissionais de enfermagem.

    Professora Esp. Roberta das Graças Bezerra Galvao

    https://www.instagram.com/robertadbgalvao

  • Empresa deve indenizar empregada por não tomar medidas para conter Covid-19

    Empresa deve indenizar empregada por não tomar medidas para conter Covid-19

    A Lei 13.979/2020 tornou obrigatório, para o empregador, o fornecimento de máscara de proteção e instrumento para higienização das mãos nos ambientes que funcionaram durante o estado de calamidade pública provocado pela Covid-19.

    Assim, a 14ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (Grande São Paulo e litoral paulista) condenou a empresa Wz Servicos em Condominios a indenizar em R$ 3 mil uma auxiliar de limpeza devido à falta de implementação de providências para o combate à disseminação da doença durante a crise sanitária.

    A juíza convocada Raquel Gabbai de Oliveira, relatora do caso, observou que a empresa “não demonstrou o cumprimento das normas ligadas à saúde no trabalho”, como a disponibilização de recursos para higienização das mãos e máscaras de proteção.

    “Evidente que a conduta da parte reclamada quanto à ausência de adoção de medidas em saúde contra a Covid-19 resultou em ofensa à esfera moral da reclamante”, assinalou ela.

    A autora também alegou que a falta de adoção de medidas de proteção causou sua contaminação por Covid-19, mas a magistrada apontou que não há “como precisar o nexo causal entre a doença que contaminou a reclamante e o ambiente laboral”, já que o coronavírus se disseminou mundialmente.

    Justa causa revertida
    Na mesma decisão, o colegiado afastou a justa causa e reconheceu a dispensa imotivada da auxiliar de limpeza — o que garante o recebimento de verbas trabalhistas, como o aviso prévio.

    A empregadora aplicou a dispensa por justa causa devido a um suposto furto, já que filmagens mostraram a autora pegando uma roupa canina natalina e colocando em seu bolso.

    Mas a relatora entendeu que a prova não era contundente, pois não havia indícios de que a trabalhadora tivesse deixado o local de trabalho portando o item. A empregada foi defendida pelo advogado Agmael Oliveira Moreira Bentivoglio.

  • Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Governo Tarcísio cobra mais de R$ 568 mil de Jair Bolsonaro por não usar máscara durante a pandemia

    Dívida já soma mais de R$ 54 mil em juros por falta de pagamento. Ex-presidente recebeu multas da Secretaria da Saúde durante três visitas ao estado de SP em 2021; bens poderão ser penhorados. Atual governador também foi multado em três ocasiões e pagou a dívida.

    Ex-presidente Bolsonaro exibe máscara durante evento no Planalto em 2021

    A Procuradoria Geral do Estado de São Paulo propôs, no início deste ano, já sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), a execução fiscal de três dívidas em nome de Jair Bolsonaro (PL) que somam mais de R$ 568 mil.

    O ex-presidente da República foi multado porque não utilizou máscara de proteção contra a Covid-19 em três ocasiões diferentes: em visitas às cidades de Miracatu, Ribeira e Eldorado, que ficam no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo.

    Já são mais de R$ 54 mil apenas em juros por falta de pagamento.
    O valor total refere-se às multas, aos juros e aos honorários advocatícios.
    Os bens de Bolsonaro poderão ser penhorados, caso ele não efetue o pagamento.
    As multas foram aplicadas pela Secretaria da Saúde de São Paulo em 14 e 15 de dezembro de 2021 e transitaram em julgado entre janeiro e fevereiro de 2022.

    As justificativas para as aplicações se deram porque, à época, era obrigatório o uso de máscaras de proteção facial em espaços de acesso aberto ao público e vias públicas, de acordo com o “decreto 64.959 de 04/05/2020, a Resolução SS 96 de 29/06/2020 e a Lei Federal 14.019 de 02/07/2020”.

    Filho também é cobrado
    O governo de SP também cobra mais de R$ 113 mil em multas de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair, por ter participado de eventos sem utilizar máscara. No caso dele, os juros ultrapassavam R$ 10 mil ainda no início deste ano.

  • Grupo apresenta peça, na Zona Norte de SP, sobre impactos da pandemia em pessoas que não puderam entrar em isolamento

    Grupo apresenta peça, na Zona Norte de SP, sobre impactos da pandemia em pessoas que não puderam entrar em isolamento

    Apresentação acontece neste domingo (2) e na próxima terça-feira (4), na Ocupação Artística Canhoba, 299, em Perus.

    A partir deste fim de semana, o Grupo Pandora de Teatro entra em cartaz com o espetáculo “Nina e a Cidade que Perdeu o Vento”, na Zona Norte de São Paulo. A peça fala dos impactos da Covid-19 no Brasil e retrata pessoas que não puderam ficar em isolamento por causa do trabalho.

    O grupo se apresenta neste domingo (2) e na próxima terça-feira (4), na Ocupação Artística Canhoba, 299, em Perus.

    Serviço
    “Nina e a Cidade que Perdeu o Vento”
    Onde: Ocupação Artística Canhoba, Rua Canhoba, 299
    Quando: dias 2, 4, 9 e 11 de abril, às 16h

  • Prefeitura de SP faz busca ativa nos bairros por crianças que ainda não tomaram dose de reforço contra a Covid

    Prefeitura de SP faz busca ativa nos bairros por crianças que ainda não tomaram dose de reforço contra a Covid

    Desde o dia 2 de fevereiro, crianças de 5 a 11 anos que já foram imunizadas com as duas primeiras doses podem receber a dose de reforço. De acordo com a gestão municipal, em algumas faixas, o esquema vacinal completo, não chega nem a 2%.

     

    Criança recebe dose de reforço da vacina contra a Covid

    A Prefeitura de São Paulo realiza uma busca ativa nos bairros para encontrar crianças que ainda não tomaram as doses de reforço contra a Covid-19.

    Desde o dia 2 de fevereiro, crianças de 5 a 11 anos que já foram imunizadas com as duas primeiras doses podem receber a terceira dose de reforço.

    De acordo com a gestão municipal, em algumas faixas etárias, o esquema vacinal completo, não chega nem a 2%.

    O cenário tem preocupado especialistas. Por conta disso, neste sábado (25), algumas unidades de saúde vão ficar abertas até as 19h para acelerar a imunização.

    Segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) deste ano, o município de São Paulo tem, ao todo, 367.439 crianças na faixa etária de 6 meses a 2 anos, 11 meses e 29 dias. Já o público na faixa etária de 5 a 11 anos para receber a terceira dose é estimado em 812.426 crianças.

    Os imunizantes contra a Covid-19 estão disponíveis em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/UBSs integradas de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h, e nas AMAs/UBSs Integradas aos sábados, também das 7h às 19h.

    Os pais e responsáveis podem consultar o endereço da unidade de saúde mais próxima de sua residência por meio da plataforma Busca Saúde.

  • Anvisa autoriza a ampliação do prazo de validade da vacina da Janssen

    Anvisa autoriza a ampliação do prazo de validade da vacina da Janssen

    A aprovação foi baseada em uma criteriosa avaliação dos dados de qualidade dos estudos.

     

    A Diretoria Colegiada da Anvisa, via sistema deliberativo interno, aprovou a extensão do prazo de validade da vacina contra Covid-19 da Janssen (Johnson & Johnson) de três (3) para quatro meses e meio (4,5), sob condições de armazenamento de 2°C a 8°C. 

    A empresa Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda. solicitou, no último dia 10 de junho, a alteração do prazo de validade para a autorização temporária de uso emergencial, em caráter experimental, da vacina contra a Covid-19 (Ad26.COV2-S, recombinante). 

    A aprovação foi baseada em uma criteriosa avaliação dos dados de qualidade dos estudos que demonstrou que a vacina tende a se manter estável pelo período (4,5 meses), bem como considerou decisão da agência norte-americana (Food and Drug Administration – FDA), que também aprovou a referida alteração na última quinta-feira, dia 10 de junho. 

    No Brasil, a vacina da Janssen está autorizada para uso emergencial desde 31 de março deste ano. Essa vacina é a única aprovada pela Anvisa em dose única e, quando armazenada entre temperaturas de -25°C e -15°C, possui prazo de validade de 24 meses, a partir da data de fabricação. 

    A diretora relatora Meiruze Freitas destacou que, considerando o cenário pandêmico atual, essa decisão é mais uma ação regulatória tempestiva e célere que permitirá a imediata ampliação do acesso a essa tão importante opção vacinal. 

  • Adultos infectados com a variante identificada em Manaus têm 10 vezes mais vírus no corpo, aponta Fiocruz

    Adultos infectados com a variante identificada em Manaus têm 10 vezes mais vírus no corpo, aponta Fiocruz

    Pessoas usando roupas e equipamentos de proteção contra o coronavírus Sars-CoV-2 andam em meio a túmulos de vítimas da Covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no dia 25 de fevereiro. — Foto: Michael Dantas/AFP

    Pessoas usando roupas e equipamentos de proteção contra o coronavírus Sars-CoV-2 andam em meio a túmulos de vítimas da Covid-19 no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, no dia 25 de fevereiro. — Foto: Michael Dantas/AFP

     

    Um estudo feito por pesquisadores da Fiocruz aponta que adultos infectados pela variante brasileira P.1 do coronavírus, identificada primeiro no Amazonas, têm uma carga viral – quantidade de vírus no corpo – dez vezes maior do que adultos infectados por outras “versões” do vírus. Uma maior carga viral contribui para que a variante se espalhe mais rápido.

    A pesquisa ainda não foi revisada por outros cientistas nem publicada em revista, mas está disponível on-line.

    “[Se] a pessoa tem mais carga viral nas vias aéreas superiores, a tendência é que ela vai estar expelindo mais vírus – e, se ela está expelindo mais vírus, a chance de uma pessoa se infectar próxima a ela é maior”, explica Felipe Naveca, pesquisador da Fiocruz Amazonas e líder do estudo.

    Os pesquisadores analisaram 250 códigos genéticos do coronavírus durante quase um ano. A amostragem cobriu o primeiro pico da doença, em abril, e o segundo, no final do ano passado e início de 2021.

    Eles perceberam que essa maior quantidade de vírus não acontecia, entretanto, nos homens idosos (acima de 59 anos). Uma possível explicação para isso é que a resposta imune de homens idosos tende a não ser tão eficiente de forma geral.

    “Em homens mais velhos, a resposta imune já não consegue responder tão eficientemente, e aí não teve diferença sendo P.1 ou o outro [vírus]”, aponta Felipe Naveca.

    Também é possível que isso tenha acontecido nesse grupo porque a quantidade de pessoas analisadas nessa faixa etária foi menor, explicou o pesquisador Tiago Gräf, também autor do estudo, em uma publicação na rede social Twitter.

    Na imagem abaixo, retirada do estudo, quanto menor a altura das das bolinhas no eixo vertical, maior é a carga viral dos pacientes:

    Na imagem acima, quanto menor a quantidade das bolinhas no eixo vertical, maior é a carga viral dos pacientes: — Foto: Reprodução/Twitter Tiago Gräf

    Na imagem acima, quanto menor a quantidade das bolinhas no eixo vertical, maior é a carga viral dos pacientes: — Foto: Reprodução/Twitter Tiago Gräf

    Felipe Naveca afirma, entretanto, que não há relação entre quantidade de vírus no corpo e gravidade da doença ou, até mesmo, presença deles.

    “Carga viral não está relacionada com gravidade – a gente tem pacientes com alta carga viral e sintomas muito leves ou até sem sintomas”, diz o pesquisador.

    A P.1 já vinha sendo apontada por vários pesquisadores ao redor do mundo como mais transmissível, por causa de mutações que ela sofre na região que o vírus usa para infectar as células humanas.

    Apesar de ter surgido no Amazonas, ao menos outros 18 estados já detectaram infecções pela variante: os mais recentes foram Mato Grosso e Maranhão.

     
  • 16 capitais têm multa para a falta de máscara; são mais de 8 mil punições aplicadas em todo o país

    16 capitais têm multa para a falta de máscara; são mais de 8 mil punições aplicadas em todo o país

    Uso de máscara em locais públicos é obrigatório no Brasil. Objetivo é diminuir a transmissão da Covid-19, que ocorre principalmente pelo ar. Especialista diz que a máscara deve estar bem ajustada ao rosto, principalmente em ambientes fechados ou mal ventilados, e que máscaras do tipo PFF2 podem ser mais eficazes nesses locais.

    Um levantamento feito pelo G1 mostra que 16 das 26 capitais do país preveem uma punição para o não uso de máscara durante a pandemia da Covid-19. Apesar disso, ao menos 5 dessas capitais dizem que a norma ainda tem caráter educativo e não aplicaram multa até o momento. Considerando as capitais que efetivamente multaram, a falta de máscara já rendeu 8.215 notificações, totalizando uma arrecadação de R$ 1.361.536,86.

    A análise considera multas aplicadas tanto a pessoas que não usavam máscara quanto a estabelecimentos penalizados por terem pessoas sem máscaras. A transmissão aérea é um dos principais meios de contágio do novo coronavírus, segundo especialistas.

    Em outras oito capitais, a previsão de multa e a fiscalização são de responsabilidade apenas do governo do estado, e não da prefeitura. São os casos de São Paulo, Acre, Bahia, Ceará, Mato Grosso, Pará, Paraíba e Sergipe. Em duas (Maceió e Campo Grande), nem a prefeitura nem o estado aplicam multas.

    O uso da máscara em espaços públicos é obrigatório no Brasil. Isso consta da lei federal 14.019, sancionada em 2 de julho de 2020, que é clara ao determinar “a obrigatoriedade do uso de máscaras de proteção individual para circulação em espaços públicos e privados acessíveis ao público, em vias públicas e em transportes públicos”.

    A obrigatoriedade também consta de normas estaduais e municipais. Apenas parte das gestões, porém, prevê multa para cidadãos e estabelecimentos que desrespeitarem a norma.

    Máscara: aliada contra a Covid-19

    O pesquisador da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos, e integrante do Observatório Covid-19 Vitor Mori lembra que as máscaras devem estar sempre bem ajustadas ao rosto e que as pessoas devem tomar cuidado ao pôr e tirar. Além disso, ele afirma que as máscaras são essenciais para reduzir a disseminação da Covid-19 em conjunto com outras formas de prevenção, como o distanciamento social.

    Mori também reforça para as pessoas evitarem contatos prolongados e também locais fechados ou mal ventilados. Isso porque a transmissão aérea é uma das principais formas de contágio da doença.

    “Convenhamos que a máscara, nas primeiras vezes que você usa, é desconfortável. Então, é preciso deixar muito claro o porquê de a gente ter que usar a máscara, o motivo de ela ser importante. Outro ponto importante é que ainda existe uma compreensão equivocada das formas de transmissão da Covid-19. As pessoas acham que ocorre mais pela superfície, pelo contato, sendo que já se sabe que o maior risco é a inalação de pequenas partículas que estão no ar. Por isso, como é uma doença de transmissão aérea, é importante diminuir a quantidade de partículas no espaço e também se proteger”, diz.

    “Evidentemente na Avenida Paulista, num espaço aberto, o risco vai ser menor do que no transporte público lotado. Mas isso não exime a pessoa da necessidade da máscara, principalmente se ela for ter interações prolongadas, próximas a alguém. Ao ar livre, o risco maior é você ter uma interação próxima, prolongada, face a face. E isso pode acontecer a qualquer momento na rua, né? É importante que você esteja de máscara e não é nenhum grande sacrifício usar máscara. É um exercício público.”

    Para locais onde não há controle sobre a ventilação e o distanciamento, como no transporte público, o pesquisador recomenda o uso da máscara PFF2. Ele lembra que é possível encontrar essa máscara por valores acessíveis.

    “Essa máscara [PFF2] pode ser reaproveitada, tomando alguns cuidados. É até importante que isso seja feito para que não falte para os profissionais de saúde. Também é importante observar a integridade da máscara, a qualidade e a vedação do elástico. Não é recomendado a lavagem. Não é recomendado que se passe álcool nem desinfetante químico. O ideal é deixar descansar por pelo menos três dias. Quanto mais tempo deixar descansando melhor, em um espaço bem arejado.”

     

    Em janeiro de 2021, França, Alemanha e Áustria passaram a exigir que a população use máscara profissional, como N95 e PFF2, em vez de máscaras caseiras, em locais públicos. De acordo com estudos, essas máscaras garantem maior proteção e devem ser utilizadas em situações de maior risco, como locais fechados.

    Essa mudança nos países europeus levantou o debate sobre a qualidade das máscaras usadas no Brasil. No início da pandemia da Covid-19, para evitar a falta de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para profissionais de saúde, a população foi incentivada a usar máscaras de pano. Para o pesquisador da Universidade de Vermont, já está na hora de aumentar a produção de máscaras de melhor qualidade, assim como facilitar a sua distribuição, junto com o reforço da importância para as pessoas usarem a máscara de forma correta.

    Alvo de ‘fake news’

    Desde o início da pandemia, a máscara também virou alvo de constantes informações falsas compartilhadas nas redes sociais – o que atrapalha a comunicação sobre a importância da máscara no cotidiano das pessoas.

    Conteúdos mentirosos já afirmaram que as máscaras têm baixa filtragem de vírus e fazem ‘mais mal do que bem’, aumentam taxa de CO2 no cérebro e risco de trombose e altera flora da boca e do intestino, acumulam micróbios capazes de causar câncer, deixam o sangue mais ácido e até que o uso prolongado de máscara leva a quadro de intoxicação e baixa oxigenação do organismo. É tudo #FAKE.

     

    Além disso, a máscara já também foi alvo de polêmicas. Em julho de 2020, o desembargador Eduardo Siqueira, do TJ-SP, foi flagrado sem máscara em uma praia em Santos, no litoral paulista, e humilhou um guarda municipal que pediu para o desembargador usar o item obrigatório. Siqueira foi fotografado também sem máscara em outras ocasiões, como em 13 de fevereiro de 2021.

    Outro exemplo é protagonizado pelo presidente Jair Bolsonaro, que já foi a eventos e aglomerações também sem máscara. Isso ocorreu em diversos meses da pandemia, como maio, junho, julho, agosto, setembro etc.

    Mesmo o ministro Eduardo Pazuello (Saúde) também aparece sem máscara com recorrência, inclusive quando foi diagnosticado com a Covid-19 e decidiu gravar uma live ao lado de Bolsonaro, em outubro de 2020.

    Veja a situação por capital

    O G1 entrou em contato com cada prefeitura das 26 capitais para perguntar sobre a situação no município.

    Além das 26 capitais de estados, o G1 também averiguou a situação no Distrito Federal, que prevê multa para a falta de máscara. Cinco equipes trabalham diariamente para verificar se o decreto distrital é cumprido. A multa pode chegar a R$ 2 mil para pessoas físicas e R$ 4 mil para empresas. De 23 de março de 2020 até 7 de fevereiro de 2021, o GDF aplicou 267 multas pela falta de máscara. Segundo a nota, houve abordagem a 82.225 pessoas e 238.026 máscaras foram distribuídas.

    Aracaju (SE): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Belém (PA): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Belo Horizonte (MG): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A lei foi sancionada em julho de 2020 e estabelece a multa de R$ 100 para quem estiver sem máscara. Foram aplicadas 158 multas até 3 de fevereiro. No total, o município arrecadou R$ 306, destinado ao Tesouro Municipal.

     

    Boa Vista (RR): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. Em julho de 2020, a prefeitura determinou multa de R$ 50 para quem deixar de usar máscara. Segundo a prefeitura, porém, foram feitas apenas orientações à população.

    Campo Grande (MS): a prefeitura e o estado não preveem multa para a falta de máscara.

    Cuiabá (MT): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Curitiba (PR): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A lei 15.799 de 2021 estabelece que a multa para a pessoa sem máscara é de R$ 150 a R$ 550. A multa para o estabelecimento que deixar de controlar o uso de máscara de todas as pessoas é de R$ 550 a R$ 1.550 (por funcionário, empregado, servidor, colaborador ou cliente). Em caso de reincidência, as penalidades dobram. Foram aplicadas 19 notificações até 4 de fevereiro, que totalizaram R$ 205 mil.

    Florianópolis (SC): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. O decreto 22.398 de 2021 determina a multa R$ 1.250 para pessoa física e R$ 2.500 para empresas pela falta de máscara. Até 1º de fevereiro foram aplicadas oito multas que somaram R$ 10 mil.

    Fortaleza (CE): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Goiânia (GO): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa é de R$ 110. Já os reincidentes pagam R$ 1.045,00. O valor da multa foi reduzido em novembro de 2020 – passou de R$ 627,38 para R$ 110. Segundo a prefeitura, foram aplicadas 209 multas até 12 de fevereiro. No total, o valor é de R$ 926.885 em multas a estabelecimentos e R$ 1.320 para pessoas físicas.

     

    João Pessoa (PB): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há um decreto estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Macapá (AP): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa é de R$ 1.045 na primeira vez. O valor é dobrado em caso de reincidência. Segundo a prefeitura, apenas uma multa foi aplicada até 8 de fevereiro, mas a pessoa recorreu e a multa foi retirada. A prefeitura diz que prioriza a conscientização por meio de advertências iniciais, antes da aplicação da multa.

    Maceió (AL): a prefeitura e o estado não preveem multa para a falta de máscara. Em agosto de 2020, o governo de Alagoas enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que torna obrigatório o uso da máscara em locais públicos em Alagoas e estabelece multa para a falta de máscara. Até agora, porém, o projeto não entrou em votação.

    Manaus (AM): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa prevista é de R$ 108,95. O G1 procurou a prefeitura inúmeras vezes, mas a gestão não quis informar quantas multas foram aplicadas nem qual foi o total arrecadado.

    Natal (RN): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A Prefeitura de Natal tem aplicado multa a estabelecimentos, como bares, restaurantes, shoppings, galerias e supermercados, caso os clientes e funcionários não usem máscaras. A prefeitura diz ainda que não tem multado cidadãos, apenas os proprietários de estabelecimentos. O valor da multa varia de R$ 413,27 a R$ 41.263,89 para os estabelecimentos. Foram aplicadas 247 multas que somaram R$ 127.334 de dezembro de 2020 até 5 de fevereiro.

    Palmas (TO): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa é de R$ 80. Apesar disso, nenhuma multa foi aplicada. A Prefeitura de Palmas diz que “o objetivo do município é educar a população, esclarecer”. “As multas são aplicadas em casos extremos, de resistência ao atendimento de cumprimento às normas, o que não tem ocorrido.” Segundo a gestão, na maioria das vezes em que as equipes encontram algum estabelecimento em desconformidade com a legislação vigente, a abordagem e a orientação são suficientes “para que o local se adeque ao que a lei exige, sem a necessidade de uso de autuação”.

     

    Porto Alegre (RS): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa varia de R$ 4,46 a R$ 8.920,40, podendo ser duplicada no caso de reincidência, chegando a R$ 17.840,80. A punição está prevista para estabelecimentos que descumpram as normas, e não para pessoas físicas. Porém, nenhuma multa foi aplicada especificamente pela falta de máscara.

    Porto Velho (RO): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A lei 2.754 de 2020 prevê multa de R$ 80 para pessoas físicas e de R$ 1 mil para empresas. O G1 procurou a prefeitura inúmeras vezes, mas a gestão não quis informar quantas multas foram aplicadas nem qual foi o total arrecadado.

    Recife (PE): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa vai de R$ 1 mil a R$ 100 mil para os estabelecimentos. Houve 260 notificações, mas nada foi arrecadado até 8 de fevereiro. Não há previsão de multa para a população em geral.

    Rio Branco (AC): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    Rio de Janeiro (RJ): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. O decreto 47.439 de 2020 estabelece a multa para a falta de máscara. A multa é de R$ 112,48. Foram aplicadas 7.308 notificações até 25 de janeiro. O total arrecadado, porém, é de R$ 85.086,32 (referente a 879 notificações pagas). O dinheiro vai para o Fundo Municipal de Saúde, com receita destinada às despesas do Instituto de Vigilância Sanitária.

    Salvador (BA): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, há uma lei estadual que estabelece multa para essas ocasiões.

    São Luís (MA): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A lei n° 6.776 de 2020 torna obrigatório o uso de máscaras de proteção e também prevê multa de R$ 5 mil ao estabelecimento infrator. Em caso de persistência, a lei determina a cassação do alvará de funcionamento. Apesar disso, nenhuma multa foi aplicada até 12 de fevereiro.

     

    São Paulo (SP): a prefeitura não prevê multa para a falta de máscara. Apesar disso, o governo estadual estabelece multa para essas ocasiões.

    Teresina (PI): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. O decreto municipal prevê multa de R$ 500 a R$ 1.000 para pessoas físicas e de R$ 1.000 a R$ 10.000 para empresas. Apesar disso, a Vigilância Sanitária, que é vinculada à prefeitura, diz que não aplica infrações pelo não uso da máscara em vias públicas, porque necessitaria de apoio da Polícia Militar e se limita a atividades educativas.

    Vitória (ES): a prefeitura prevê multa para a falta de máscara. A multa é de R$ 917,59. Foram aplicadas seis multas que somam R$ 5.505,54. A prefeitura diz ainda que faz abordagens “no intuito de orientar e conscientizar sobre a importância de se seguir os protocolos de segurança, entre eles o uso da máscara, considerando o momento delicado de pandemia”. Segundo a gestão municipal, 472 estabelecimentos foram abordados em janeiro deste ano.

    * Gabriela Caesar (G1 Dados), Janine Brasil (G1 AC), Heliana Gonçalves (G1 AL), Andrezza Lifsitch (G1 AM), John Pacheco (G1 AP), Luana Gama e Gabriel Gonçalves (G1 BA), Marília Cordeiro (G1 CE), Amaro Mota (G1 ES), Vitor Santana (G1 GO), Rafaelle Fróes (G1 MA), Cristina Moreno de Castro (G1 MG), José Câmara (G1 MS), Pollyana Araújo (G1 MT), Taymã Carneiro (G1 PA), Lara Brito (G1 PB), Pedro Alves, Marina Meireles e Bruno Marinho (G1 PE), Maria Romero e Catarina Costa (G1 PI), Natalia Filippin (G1 PR), Matheus Rodrigues (G1 RJ), Leonardo Erys (G1 RN), Jônatas Boni e Ana Kézia Gomes (G1 RO), Polyana Girardi (G1 RR), Matheus Beck (G1 RS), Joana Caldas (G1 SC), Joelma Gonçalves (G1 SE), Deslange Paiva (G1 SP) e João Guilherme Lobasz (G1 TO)

     
  • Fabricante diz não haver evidência de que ivermectina funcione contra Covid-19

    Fabricante diz não haver evidência de que ivermectina funcione contra Covid-19

    A farmacêutica Merck Sharp & Dohme (MSD), responsável pela fabricação da ivermectina, afirmou que não existem evidências sobre a eficácia do medicamento contra a Covid-19. A informação foi divulgada em um comunicado oficial, na quinta-feira (4). 

    Segundo a empresa, cientistas continuam a examinar as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes sobre o efeito da remédio contra a doença causada pelo coronavírus, mas, até o momento, não há nenhuma base científica que aponte efeitos positivos em pacientes. 

     A ivermectina é um vermífugo usado para promover a eliminação pelo corpo de vários parasitas. É um medicamente aprovado para o tratamento oncocercose, elefantíase, pediculose, ascaridíase e escabiose. 

    Veja, abaixo, o trecho do comunicado da MSD referente à relação entre o vermífugo e tratamentos contra a Covid-19:

    A Merck (NYSE: MRK), conhecida como MSD fora dos Estados Unidos e Canadá, afirma hoje sua posição em relação ao uso de ivermectina durante a pandemia de Covid-19. Os cientistas da empresa continuam a examinar cuidadosamente as descobertas de todos os estudos disponíveis e emergentes de ivermectina para o tratamento de Covid-19 para evidências de eficácia e segurança. É importante observar que, até o momento, nossa análise identificou:

    – Nenhuma base científica para um efeito terapêutico potencial contra Covid-19 de estudos pré-clínicos;

    – Nenhuma evidência significativa para atividade clínica ou eficácia clínica em pacientes com doença Covid-19, e;

    – A preocupante falta de dados de segurança na maioria dos estudos.

    Não acreditamos que os dados disponíveis suportem a segurança e eficácia da ivermectina além das doses e populações indicadas nas informações de prescrição aprovadas pela agência reguladora.

  • CNA pede inclusão de produtores rurais a grupos prioritários de vacinação contra Covid-19

    CNA pede inclusão de produtores rurais a grupos prioritários de vacinação contra Covid-19

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou nesta sexta-feira (29) um ofício ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, solicitando a inclusão dos produtores rurais e demais envolvidos na cadeia de fabricação de alimentos entre os grupos prioritários de imunização contra o coronavírus, disse a entidade em nota.

    O pedido é para que eles sejam incluídos no Programa Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, do governo federal, com o intuito de garantir o abastecimento de produtos agropecuários à população.

    “A produção agropecuária não parou. Os produtores rurais adotaram as medidas preventivas à Covid-19 e continuaram trabalhando, enfrentando dificuldades logísticas e mercadológicas em um primeiro momento”, disse o presidente da CNA, João Martins, no comunicado.

    Segundo ele, a imunização dos produtores rurais proporcionará garantia de abastecimento e maior tranquilidade às populações urbanas, o que contribuiria para os esforços do governo em restabelecer a economia, com a redução do tempo ativo da pandemia.

    “Queremos garantir que os produtores rurais se mantenham produzindo e continuem contribuindo efetivamente para o equilíbrio econômico e social do país, proporcionando segurança alimentar, gerando empregos e garantindo saldo positivo à nossa balança comercial”, disse Martins.